Prosimetron
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
domingo, 16 de janeiro de 2011
Os meus franceses - 121
Benny B, pseudónimo de Abdel Hamid Gharbaoui, de origem marroquina, nasceu em Bruxelas em 1968.
Bonne nuit!
Esta tarde em Versalhes
Foi dedicada, na Opéra Royal, ao meu adorado Jean-Philippe Rameau. Excertos orquestrais de Les Indes Galantes, Dardanus e Zoroastre, pela mão de Mestre Jordi Savall e do Concert des Nations.
IBO

http://aeiou.escape.pt/fotos/cpanel/755/361/fab3f7e3.JPG
Ontem fui com uns amigos jantar ao IBO, à beira-Tejo, junto ao Cais do Sodré.
Fomos porque tem na sua ementa, para além de pratos de cozinha portuguesa, uns «Sabores de Moçambique». E foi de entre estes que escolhemos «Camarões selvagens à Laurentina» e «Lombinhos de peixe em molho de coco e coentros com puré de mandioca e batata doce», que partilhámos. Ambos os pratos estavam deliciosos.
Nas sobremesas parece que a «banana caramelizada» é boa.
Espero que não se estrague porque é de repetir.
http://www.ibo-restaurante.pt/
Fomos porque tem na sua ementa, para além de pratos de cozinha portuguesa, uns «Sabores de Moçambique». E foi de entre estes que escolhemos «Camarões selvagens à Laurentina» e «Lombinhos de peixe em molho de coco e coentros com puré de mandioca e batata doce», que partilhámos. Ambos os pratos estavam deliciosos.
Nas sobremesas parece que a «banana caramelizada» é boa.
Espero que não se estrague porque é de repetir.
http://www.ibo-restaurante.pt/
Ele sabia de cor uma história das aves.
A ração do céu de Artur Portela (filho) é uma belíssima história poética, uma fábula que fala dos homens e da fome. É um pequeno livro mas lê-se de um fôlego! (modificado às 19:37 h) x
Hieronymus Bosch, detalhe do Jardim das Delícias Terrenas, 1504
35
x
Ele sabia de cor uma história das aves.
E teve tempo de a recitar, marcando a cadência escolarmente com a cabeça, pendulando muito rapidamente a cabeça, enquanto elas desciam, muitas e próximas, todas na sua direcção.
Eram aquelas aves que o vento fizera na pedra / e que o vento soltara / e que o vento levara / e que o vento ouvira chamar / leva-me ave de pedra / cavalgara assim a pedra / no vento cavalgara / e assim levara / à amada o seu amado.
Artur Portela (filho), A ração do céu, Lisboa: Editorial Notícias, 2001, p. 61
A sesta interrompida
Tunísia
- É uma revolta?- Não, sire, é uma revolução.
Não sei se este imortal diálogo ocorrido entre Luís XVI e um seu "assessor" terá tido réplica na Tunísia, mas a verdade é que o longevo (23 anos...) presidente Ben Ali também subestimou o descontentamento dos seus concidadãos, acabando a fugir para a Arábia Saudita.
Lamento toda a violência e destruição, porque é um país de que gosto e onde fui bem acolhido quando o visitei, e espero sinceramente que a situação não descambe na criação de uma República Islâmica. Seria perigoso para o Magrebe, mas também para todos os países vizinhos...
Citações - 148

Leio na Visão que (...) o Governo de Bucareste vai taxar em 16% todos os rendimentos de bruxas, astrólogos e afins. Os visados amaldiçoam os políticos e o Presidente Basescu até passou a usar roupa roxa, em certos dias, para evitar maus olhados..., e parece-me que a Roménia é um exemplo a seguir.
Perante uma classe profissional que quase sempre recebe em dinheiro vivo e não passa recibos, pouco ou nada contribuindo para o esforço fiscal nacional, acho até que há muito que o Estado devia ter tomado medidas para taxar todos estes profissionais do Oculto, nem que o Eng.Sócrates tenha de usar roxo de vez em quando...
sábado, 15 de janeiro de 2011
Os meus franceses - 120
Stromae, pseudónimo de Paul Van Haver, nascido em 1985 em Bruxelas, de pai ruandês, é um autor-compositor-intérprete belga. Talvez ficasse melhor na secção «Os meus belgas» do Luís...
Alors on danse! Boa noite!
O candidato Coelho
O candidato presidencial José Manuel Coelho, que já pode ser considerado o nosso maior entertainer político, substituindo o calejado Alberto João, visitou ontem o Palácio de Belém, informou-se e depois declarou aos jornalistas que há despesismo na Presidência da República, concluindo com esta frase: " A Presidência da República Portuguesa fica mais cara do que a Casa Real Espanhola."Deve ter sido das coisas mais acertadas que já sairam desta boca.
Ainda o Irão...
Paulo Coelho foi publicado no Irão durante uma dúzia de anos, mas agora acabou-se. Os seus livros passaram a ser proibidos, sem que tenha havido uma qualquer explicação oficial.Ainda não vi esta associação feita em lado nenhum, mas terá alguma coisa a ver com a recente biografia sobre si publicada e onde foram desvendados episódios pouco conhecidos do seu agitado passado ( doença mental, drogas, seitas e vida amorosa atribulada) ? Parece-me bastante plausível...
E já que se falou de Marcello Mastroianni...
Lá fora - 94 : Moebius
Está patente na Fondation Cartier, em Paris, a primeira grande exposição organizada na capital francesa sobre Jean Giraud (1938-), um dos maiores artistas da Nona Arte das últimas décadas e que assinou dezenas de álbuns com os pseudónimos Gir e o famoso Moebius.São 300 pranchas de BD, telas e desenhos para filmes que demonstram o enorme talento de Giraud.
Por cá, "dilui-se", mas em Paris reconhece-se a autonomia da Banda Desenhada.
Moebius-Transe-Forme, na Fondation Cartier pour l'art contemporain, Paris, até 13 de Março.
LENDO O JORNAL AO FIM-DE-SEMANA

Mary Cassatt - Mulher a ler
Óleo sobre tela, 1878–1879
Omaha (Nebraska), Joslyn Art Museum
pântano. cobra. destino. há palavras que soam como um tiro.
há rios que matam como quem escreve a sua morte.
que fazer, então?
soletrar o latim das mãos.
repor o gesto em sua respectiva sombra.
entreagr-se a uma dor auspiciosa. inalterável.
exemplum:
uma vez foi Inverno neste poema.
portanto nunca mais deixou de o ser e ainda ontem lhe senti o frio.
pequeno Aristóteles.
rasguemos porém o falso conforto da palavra. sua ferida nómada.
outros animais, de cio em riste, lhe vêm rasgar pela noite
a exilada filosofia.
trata-se de uma questão de informação.
vorazes linhas com o calor branco das notícias percorrem os dedos
até ao limite máximo da luz:
no campo de El Bureij as mulheres correm para ir às compras.
(ooh, pequeníssimo Aristóteles…)
é aqui, nesta fenda do coração, que celebramos a perfeição dos crimes.
porque não vens a minha casa contemplar a aparência
tomar um copo?
José Oliveira (1959-)
In: Melancolismos. Lisboa: Inapa, 1989, p. 53
Biografias, autobiografias e afins - 91
Jules Léotard ( 1842-1870), foi o primeiro rei do trapézio, um artista idolatrado no seu tempo, especialmente pelas mulheres, facto a que não seria alheia a sua forma física e os trajes bem justinhos ao corpo...Apesar da morte prematura, aos 28 anos, teve ainda tempo de escrever umas memórias, agora reeditadas na fantástica colecção le Temps retrouvé.
Pironettes et collants blancs. Mémoires de Jules Léotard le premier des trapézistes.1860, col. le Temps retrouvé, Mercure de France, 116 p., €12.
Mais uma curiosidade estatística- Nesta rubrica, que já leva quase uma centena de obras recenseadas, acabo de ver qual a mais visitada até hoje: a biografia não autorizada de Carla Bruni, de que aqui falei em Setembro, com 900 e tal visualizações. L' air du temps...
Mi ricordo, si, io mi ricordo
Para o Luís juntar à sua rubrica de números: "1 000 000 DE CIGARROS".

Foto retirada daqui
" Mi ricordo, si, io mi ricordo foi filmado em Setembro de 1996, no norte de Portugal, onde Marcello Mastroianni estava a rodar um filme. O grande actor ainda pôde ver todo o material; foi ele que escolheu o título. Este livro é a sua transcrição." (p.5)*

Foto retirada daqui1 000 000 DE CIGARROS
«E, agora para variar, vamos acender outro belo cigarro. É absurdo. Pensando bem, mais ou menos a cinquenta cigarros por dia durante cinquenta anos, faz quase um milhão de cigarros. O bastante para escurecer o céu de Roma. Mas porquê? Já se sabe que faz mal: apesar disso continua-se. Servirá para preencher os vazios?
«E, agora para variar, vamos acender outro belo cigarro. É absurdo. Pensando bem, mais ou menos a cinquenta cigarros por dia durante cinquenta anos, faz quase um milhão de cigarros. O bastante para escurecer o céu de Roma. Mas porquê? Já se sabe que faz mal: apesar disso continua-se. Servirá para preencher os vazios?
Contudo, embora admitindo que faz mal, não posso com os americanos. Têm de parar com essa. O que querem eles? Meter-nos num ghetto, a nós fumadores? Deixem que cada um viva e morra como quiser. Pronto: faz mesmo mal.»
*Marcello Mastroianni, Eu Lembro-me, Sim, Bem Me Lembro, Lisboa: Teorema, 1997, p.39 (trad. José Colaço Barreiros)
" Mi ricordo, si, io mi ricordo foi filmado em Setembro de 1996, no norte de Portugal, onde Marcello Mastroianni estava a rodar um filme. O grande actor ainda pôde ver todo o material; foi ele que escolheu o título. Este livro é a sua transcrição." (p.5)*
Nota - Mi Ricordo, si, io mi Ricordo foi realizado por Anna Maria Tatò, durante a rodagem de Viagem ao Princípio do Mundo, de Manuel de Oliveira.
Lisboa: mais uma biblioteca pró galheiro
A LUSA distribuiu há dois dias uma notícia intitulada «Câmara Municipal reestrutura Bedeteca». Só que não há nenhuma reestrutuação, mas sim a diluição da Bedeteca na Biblioteca Municipal dos Olivais, passando aquela a ser uma secção de livros de banda desenhada nesta. Diferente, muito diferente.
«"É preciso racionalizar e não se pode perder espaço e recursos. É uma questão de articular funcionalidades. A equipa [da Bedeteca] mantém-se e as actividades também na medida das disponibilidades financeiras"», disse Francisco Motta Veiga, director municipal de Cultura da CML. Que equipa é que se mantém?
«A Bedeteca Municipal de Lisboa foi inaugurada a 23 de Abril de 1996 no Palácio do Contador-Mor, nos Olivais, onde está sedeada também a Biblioteca Municipal daquela freguesia. Durante quase uma década, a estrutura funcionou como um centro cultural dedicado à banda desenhada, ilustração e cartoon, com uma valência de preservação documental e outra de divulgação e apoio a esta expressão artística, com lançamentos editoriais e exposições.»
À frente da Bedeteca de Lisboa esteve João Paulo Cotrim, desde a sua criação até 2002.
«A Bedeteca Municipal de Lisboa foi inaugurada a 23 de Abril de 1996 no Palácio do Contador-Mor, nos Olivais, onde está sedeada também a Biblioteca Municipal daquela freguesia. Durante quase uma década, a estrutura funcionou como um centro cultural dedicado à banda desenhada, ilustração e cartoon, com uma valência de preservação documental e outra de divulgação e apoio a esta expressão artística, com lançamentos editoriais e exposições.»
À frente da Bedeteca de Lisboa esteve João Paulo Cotrim, desde a sua criação até 2002.
«A Bedeteca, que possui cerca de 8000 volumes, apoiou a edição de novos autores de banda desenhada, realizou exposições, encontros de promoção de leitura e o Salão Lisboa de Banda Desenhada e Ilustração, tendo sido elogiada, sobretudo na viragem do século, por ter impulsionado novos valores da BD contemporânea.
«"A Bedeteca está reduzida a um conjunto de estantes numa sala, perdeu-se a componente de preservação da memória e o estímulo à produção", lamentou João Paulo Cotrim à agência Lusa.
Para o antigo director da Bedeteca, a integração do organismo como um serviço especializado da Biblioteca Municipal dos Olivais é "um desrespeito pelos mais de dez anos de trabalho da casa". "Nunca se produziram tantos ensaios e reflexões sobre a banda desenhada, ilustração e cartoon como naquele período. Havia gente a pensar e a escrever sobre exposições e autores", disse João Paulo Cotrim.

Lisboa: Bedeteca, 1998
«João Fazenda, Isidro Ferrer e Lorenzo Mattotti foram alguns autores da banda desenhada portuguesa e estrangeira que a Bedeteca editou e ajudou a divulgar.»

Lisboa: Assírio & Alvim: CML, 1998-2000. 2 vols.
Foi também desse tempo a publicação de uma História de Lisboa, em 2 volumes, da autoria de A. H. de Oliveira Marques e de Filipe Abranches. Esta obra teve tradução e edição em França e em Itália.
«"A Bedeteca está reduzida a um conjunto de estantes numa sala, perdeu-se a componente de preservação da memória e o estímulo à produção", lamentou João Paulo Cotrim à agência Lusa.
Para o antigo director da Bedeteca, a integração do organismo como um serviço especializado da Biblioteca Municipal dos Olivais é "um desrespeito pelos mais de dez anos de trabalho da casa". "Nunca se produziram tantos ensaios e reflexões sobre a banda desenhada, ilustração e cartoon como naquele período. Havia gente a pensar e a escrever sobre exposições e autores", disse João Paulo Cotrim.

Lisboa: Bedeteca, 1998
«João Fazenda, Isidro Ferrer e Lorenzo Mattotti foram alguns autores da banda desenhada portuguesa e estrangeira que a Bedeteca editou e ajudou a divulgar.»

Lisboa: Assírio & Alvim: CML, 1998-2000. 2 vols.
Foi também desse tempo a publicação de uma História de Lisboa, em 2 volumes, da autoria de A. H. de Oliveira Marques e de Filipe Abranches. Esta obra teve tradução e edição em França e em Itália.
Ao café

Alexander Deineka (1899-1969) - Mulher lendo, 1934

Bruxelles: Castermann, 2010
Este livro faz parte de uma colecção de guias de viagem que propõe a descoberta de uma cidade através de um ilustrador e de um personagem da BD.
Os itinerários, organizados por zona da cidade e por temas, vão-nos dando a conhecer a história e historietas da cidade, os seus locais principais, bem como alguns restaurantes e cafés emblemáticos.
Como sou fã de Schuiten, de Bruxelas e de guias, folheei este que adorei e recomendo.
Em português - 70
Uma diva dos anos 20 e 30, Lina Demoel. Para todas as Marias, que em Portugal são realmente muitas.
Auto-retrato(s) - 79
Peter Paul Rubens, Auto-retrato com Isabella Brant no Honeysuckle Bower, 1609, óleo sobre tela, 178x136,5cm , Alte Pinakothek, Munique.Um auto-retrato de felicidade conjugal: O pintor com a sua bela primeira mulher, Isabella Brant, modelo de vários artistas flamengos. Felicidade brutalmente interrompida pela morte de Isabella, aos 36 anos, de peste bubónica.
Há 100 anos



«Em 15 de Janeiro de 1911, António José de Almeida funda em Lisboa o jornal República. Este, depois da fragmentação do Partido Republicano Português, seria o órgão de imprensa do Partido Evolucionista, permanecendo durante o salazarismo como o principal órgão afecto à Oposição.»
(Fundação Mário Soares - http://www.fmsoares.pt/aeb/crono/id?id=00811)
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
In Memoriam - Yukio Mishima
Yukio Mishima (Kimitake Hiraoka) nasceu a 14 de Janeiro de 1925 em Tóquio
Yukio Mishima
(wikipedia)
Yukio Mishima
(wikipedia)

Yukio Mishima’s Death Poem
A small night storm blows
Saying ‘falling is the essence of a flower’
Preceding those who hesitate
Boa noite!
Jan Blockx (1851-1912) - Vlaamse Dans = Flemish Dance
Bom passeio, Jad!

Charles-Louis Girault (1851–1932) - Arco triunfal do Palácio do Cinquentenário, 1906 (Bruxelas, Parque do Cinquentenário)
BÉLGICA
Bélgica dos canais de labor perseverante,
Que a usura das cousas, tempo afora,
Tempo adiante,
Fez para agora e para jamais
Canais de infinita, enternecida poesia…
Bélgica dos canais, Bélgica de cujos canais
Saiu ao mar mais de uma ingénua vela branca…
Mais de uma vela nova… mais de uma vela virgem…
Bélgica das velas brancas e virgens!
Bélgica dos velhos paços municipais,
Húmidos da nostalgia
De um nobre passado irrevocável.
Bélgica dos pintores flamengos.
Bélgica onde Verlaine escreveu Sagesse.
Bélgica das beguines,
Das humildes beguines de mãos postas, em prece,
Sob os toucados de linho simbólicos.
Bélgica de Malines.
Bélgica de Bruges-a-morta…
Bélgica dos carrilhões católicos.
Bélgica dos poetas iniciadores.
Bélgica de Maeterlinck
(La Mort de Tintagiles, Pelléas et Mélisande.)
Bélgica de Verhaeren e dos campos alucinados da Flandres.
Bélgica das velas ingénuas e virgens.
Manuel Bandeira
In: Poesias completas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1940, p. 86-87
Quotidianos - 53
Leituras no Metro - 39

2.ª ed. Alfragide: Asa, 2010
Este livro, cuja 1.ª ed. saiu em 2006, deve ter tido agora nova edição devido à publicação, entre nós, de Bibliotecas cheias de fantasmas, de Jacques Bonnet. É o livro mais citado por ele. E percebe-se porquê. Acabei de o ler. E já o passei a alguém que o vai ler. Mas gostei mais das Bibliotecas...

Lisboa: Vega, 1996

Lisboa: Clube Português do Livro e do Disco, 1974

Lisboa: Ed. Associados, ca 1970
«Muitas vezes me perguntei porque conservo livros que só num futuro remoto me poderiam ajudar, títulos afastados dos percursos literários mais habituais, aqueles que uma vez li e não voltarão a abrir as suas páginas durante muitos anos. Talvez nunca mais! Mas como desfazer-me, por exemplo, de O apelo da selva, sem apagar um dos poucos marcos da minha infância, ou de Zorba, o Grego, que com um pranto selou a minha adolescência. De 25.ª hora, e de tantos outros há anos relegados para as prateleiras mais altas, íntegros, no entanto, e mudos, na sagrada fidelidade que nos adjudicamos.
«Amiúde é mais difícil desfazermo-nos de um livro do que obtê-lo. Ligam-se a nós num pacto de necessidade e de esquecimento, como se fossem testemunhas de um momento das nossas vidas ao qual não regressaremos. Mas enquanto aí permanecerem, presumimos tê-los juntado. Vi que muita gente coloca a data, o dia, o mês e o ano da leitura; traçam um discreto calendário. Outros escrevem o seu nome na primeira página, antes de os emprestarem, anotam numa agenda o destinatário e acrescentam-lhe a data. Vi volumes carimbados como os das bibliotecas públicas ou com um delicado cartão do seu proprietário no seu interior. Ninguém quer extraviar um livro. Preferimos perder um anel, um relógio, o chapéu-de-chuva, do que o livro cujas páginas não mais leremos mas que conservam, na sonoridade do seu título, uma antiga e talvez perdida emoção. [...]
«Nós, leitores, espiamos a biblioteca dos amigos, nem que seja apenas para nos distrairmos. Às vezs, para descobrir um livro que gostaríamos de ler e não possuímos, outras para saber o que comeu o animal que temos diante de nós. Deixamos um colega sentado na sala e no regresso encontramo-lo invariavelmente de pé a farejar os nossos livros.» (p. 15-16)
A 25.ª Hora, adaptação cinematográfica (1967) de Henri Verneuil, com Anthony Quinn e Virna Lisi.
Li estes três livros, o segundo depois de ver o filme. O apelo da selva ofereci-o e reli-o há pouco, nesta edição.
O primeiro livro de Virgil Gheorghiu que li foi O homem que viajou sozinho (que adorei) tendo de seguida lido mais dois ou três que, então, estavam traduzidos. Lá continuam na estante e nunca mais os reli.
Pertenço à categoria dos que quando emprestam um livro «escrevem o seu nome na primeira página», melhor, na folha de rosto, a lápis.
Quanto a perder livros, perdi poucos, pouquíssimos, o último dos quais - Filipe III, de António de Oliveira - deixei-o, há anos, no comboio entre Moscovo e S. Petersburgo. E fiquei tristíssima.
Também «farejo» os livros dos amigos. Gosto de saber o que lêem. :)
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
Vinheta

Quase, quase a terminar o dia certo, mas ainda coincide a troca de vinheta com a efeméride que achei bem evocar.
A carta de Zola decerto que a cada um despertará múltiplas perspectivas. Podia mencionar a intervenção cívica como virtude, a maleita dos preconceitos, a natureza precária da justiça humana, eu sei lá.
Mas escolhi-a apenas como símbolo do que foi a imprensa e provavelmente já não é, neste turbilhão vertiginoso que a cada dois minutos nos serve nova especulação ou uma outra, em "notícia" requentada.
Boa noite!
Citações - 147
- Wall Street, pois claro.(...) No nosso contexto, o que chamamos "nervosismo dos mercados" é um conjunto de especuladores financeiros, alguns com fortes ligações a bancos europeus, dominados pela vertigem de ganhar rios de dinheiro apostando na bancarrota do nosso país e ganhando tanto mais quanto mais provável for esse desfecho. (...)
- Boaventura de Sousa Santos, O que está em causa, na Visão hoje posta à venda.
Nem costumo concordar muito com o Prof.Boaventura, mas cada vez me irrita mais este endeusamento dos mercados.
Rock and Roll Hall of Fame- 1
Começando pelas senhoras, e só uma foi um dos três escolhidos para entrarem este ano para o Rock and Roll Hall of Fame, aqui está Darlene Love, uma carreira longa desde os Sixties na música, no cinema e na Broadway. Como já passou o Natal- são dela algumas das melhores Christmas songs das últimas décadas, aqui está algo bem mais agitado...
Um quadro por dia - 127
Auto-retrato(s) - 78
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