O 'cozinheiro' Mário Soares, aqui acompanhado por dois amigos 'futebolistas': Felipe González e François Mitterrrand.
Também tenho um Mário Soares transformado em rei, com uns calçonitos à D. Sebastião: um espetáculo! Aqui há tempos meti-o numa caixa porque tive medo que se partisse: a estante onde ele se encontrava estava muito cheia e o barro estava um pouco periclitante.
Este Chrysanthèmes dans un vase en verre foi pintado nos anos 50 pelo franco-chinês Chang Yu, mais conhecido como Sanyu ( 1901-1966 ) , e vendido a 26 de Novembro na Christie's de Hong Kong pelo equivalente a 12,8 milhões de euros .
(...) do pudor reverencial com que alguma esquerda ainda hesita em classificar Estaline como aquilo que ele, sobretudo, foi : um assassino sádico e irracional. De facto, a grande diferença é que Hitler foi um psicopata e um assassino de massas, mas em obediência a um programa político anunciado no Mein Kampf e que os alemães sufragaram, enquanto que Estaline foi um assassino sem causa, que se arvorou como grande líder sobre o heroísmo dos russos e aquilo a que Pasternak um dia chamou " a nossa maldita capacidade de resistência ao sofrimento " . Mas até nos pormenores reveladores ele não ficou atrás de Hitler : também perseguiu e matou judeus, ciganos e homossexuais. O grande problema moral que Estalina coloca a uma certa esquerda é que a biografia de Montefiore não revela nada que não se soubesse já há muito tempo. E, durante todo esse tempo, duas gerações de intelectuais e militantes de esquerda não quiseram ver a verdade que bradava aos céus. A jornalista francesa Dominique Desanti, ex-militante do PCF, conta essa história num livro justamente chamado " Les Staliniens " , publicado há mais de 30 anos. Já toda a gente sabia tudo, então : Sartre, Picasso, Aragon, Moravia e tantos outros. Todos sabiam e todos calaram. Aos que estão vivos, talvez lhes faça bem recordarem. - Miguel Sousa Tavares, no Expresso do passado Sábado .
50 peças do guarda-roupa imperial de Josefina, da sua filha, a rainha Hortênsia, e de algumas damas da corte , preciosos testemunhos do luxo e refinamento do I Império, estão expostos actualmente na Malmaison. Uma ocasião imperdível, já que raramente são expostos pela fragilidade dos tecidos , e também porque é o único guarda-roupa bem conservado a par do da Imperatriz Eugénia que está em Compiègne .
Algumas das peças tinham sido conservadas pelos príncipes Napoléon, outras regressaram a França inesperadamente : em 1927, aquando do leilão da biblioteca de Augusta-Amélia da Baviera, a nora de Josefina, o conservador da Malmaison vai a Munique para comprar livros que não trouxe, voltando antes com três mantos de corte que pertenceram a Josefina .
Não era uma mulher alta, tinha 1,63m , mas foi sempre elegante, como testemunham estes vestígios de um imponente guarda-roupa que também não podia subsistir inteiro já que a roupa usada , a menos valiosa claro, era depois dada às damas de companhia como atestam os registos ainda hoje conservados .
Dans les armoires de l' impératrice Joséphine, até 6 de Março de 2017 , no Château de Malmaison, todos os dias menos à Terça-feira , € 6,50 , parking gratuito . chateau-malmaison.fr
Não se pode dizer que o sr primeiro ministro não esteja à vontade na Índia, como se vê pela foto tirada em Bangalore, onde recebeu o turbante e o manto de seda tradicionais .
«Recriar a viagem de Madrid a Paris colocava-me algumas dificuldades técnicas. […]
«Embora os roteiros de caminhos impressos existissem há dois séculos, na época desta história, com a moda das viagens e a curiosidade própria do século, este tipo de guias tinha-se popularizado, editando-se em formato de pequenos manuais de viagem que descreviam os percursos entre as capitais europeias ou os trajetos para as províncias, com a distância em léguas […].
Esta ed. é de 1760.
Jaillot, 1763
«Eu dispunha na minha biblioteca de alguns desses guias, e outros obtive-os para construir esta história. Sobre itinerários espanhóis acabou por ser mais adequado o de Escribano, editado em 1775, enquanto os caminhos e postas franceses estabeleci-os através do guia impresso em Paris por Jaillot, em 1763. Precisava também de mapas que mostrassem caminhos, povos e cidades do seu tempo; e num leilão de livros antigos consegui arranjar, num bom golpe de sorte, um volume raro e grosso em grande formato que continha a obra completa de Tomás López, o espanhol que cartografou toda a Espanha de finais do século XVIII. No que se refere à França, a solução foi-me dada por uma velha amiga, a alfarrabista Michèle Polak que, na sua loja de Paris, especializada em navegação e viagens, me conseguiu um exemplar em muito bom estado da Nouvelle carte des postes de France.
«- Tenho uma coisa que te vai interessar – disse-me ela por telefone.
«Quatro dias depois, eu estava em Paris. Qualquer pretexto era bom para mergulhar na sua multivariada gruta das maravilhas da Rue de l’Échaudé, onde os livros se empilham em estantes e em montes no chão, em volta de um aquecedor elétrico que temo sempre vir a pegar fogo a tudo?»
Arturo Pérez-Reverte - Bons amigos. Alfragide: Asa, 2016, p. 75-76.
A propósito da exposição L' Histoire commence en Mésopotamie, que se encontra em Lens, lembrei-me deste livro que li no 1.º ano da faculdade e de que gostei imenso:
Lisboa: Europa-América, 1963
A História começa na Suméria porque foi lá que se inventou a escrita. A Suméria ocupava o sul do Iraque e do Kuwait. E vejam a destruição que tem acontecido no Iraque...
Já se falou nestas páginas do fascínio de James Ensor ( 1860-1949 ) pelas máscaras, e esta tela chama-se precisamente Le baptême des masques , sendo a segunda versão ( 60x70 cm ) da mesma composição. Pintada entre 1925 e 1930, representa um baile de máscaras onde o próprio Ensor aparece vestido de hussardo no meio dos seus amigos .
Foi vendida no passado dia 31 de Maio, no Dorotheum de Viena .
«Si tout était à recommencer, je recommencerais bien sûr, en évitant quelques broutilles: les accidents de voiture, les séjours à l’hôpital, les chagrins d’amour. Mais je ne renie rien.»
Este livro reúne várias entrevistas dadas por Françoise Sagan entre 1954 (ano em que saiu Bonjour Tristesse) e 1992, a diversos jornalistas como Philippe Bouvard, Serge July ou Josyane Savigneau.
Filipa Pais interpreta «O Palácio da Ventura» de Antero de Quental, um dos fundadores do primeiro Partido Socialista, em 1875, e um dos escritores que Mário Soares mais amava,
O Palácio da Ventura
Sonho que sou um cavaleiro andante.
Por desertos, por sóis, por noite escura,
Paladino do amor, busco anelante
O palácio encantado da Ventura!
Mas já desmaio, exausto e vacilante,
Quebrada a espada já, rota a armadura...
E eis que súbito o avisto, fulgurante
Na sua pompa e aérea formosura!
Com grandes golpes bato à porta e brado:
Eu sou o Vagabundo, o Deserdado...
Abri-vos, portas de ouro, ante meus ais!
Abrem-se as portas d'ouro com fragor...
Mas dentro encontro só, cheio de dor,
Silêncio e escuridão - e nada mais!
No dia de Reis andei a colocar em ordem alguma documentação que andava dispersa pelas minhas diferentes gavetas e reencontrei um documento que guardei (em imagem) por dois motivos:
1.º apresenta a assinatura de um famoso cronista português que também foi guarda-mor da Torre do Tombo - Fernão Lopes.
Vejamos então a sua assinatura:
Mas temos de aprender a ler essa assinatura. Quase todos são tentados a começar a ler pelo lado esquerdo que parece mesmo parecer fern.... mas não isso é apenas um "rabiobisco" (palavra inventada para significar algo como rabisco formado por um risco, um rabo e um bico de um bicho qualquer).
Observe com atenção e no centro encontrará uma espécie de um S; e vamos começar por esse centro; por cima está fernandus escritodaseguinte maneira
- o f tem a perna longa da letra do lado esquerdo desse S longo central tendo a «cabeça» da letra com um desenho que parece um E maiúsculo;
- depois tem uma espécie de onda vertical que é um sinal de abreviatura para as letras «er»
- de seguida vai conseguir ler « nand »
- por fim tem uma espécie de um 9 que mais não é do que a abreviatura de «us»
temos assim « fernandus »
Agora na parte inferior do S central temos
- um L (que liga com a perna do f) e que quase parece um 8
- depois as letras « opi »
temos assim « Lopi »
Tudo o mais são efeitos da assinatura
se «googlar» assinatura de Fernão Lopes vai encontrar outros exemplos da mesma assinatura (só não encontra a explicação)...
2.º quanto à data do documento isso foi para mim mais uma surpresa. Em todo o lado está escrito que foi a 22 de agosto do ano 1422 que D. João I mandou que «todos os Tabeliães e escrivães ponham em todos os contratos e escrituras que fizessem Ano do nascimento de nosso senhor Jesus Cristo» deixando a Era de César. Estávamos a 22 de agosto de 1460 e passámos para 22 de agosto de 1422 (tirámos 38 anos na contagem do ano)... mas parece que a corte já usava na documentação oficial desse costume, pois este documento que é emitido pela Torre do Tombo da época («a nossa torre do castelo da cidade de Lisboa onde estão as nossas escrituras do tombo [linha 2]») e assinado por Fernão Lopes («escrivão dos nossos [do Rei] livros que tem carrego [= encargo] das ditas nossas escrituras» [linha 5] o foi uns dias antes.
Vejamos o que está escrito no documento (atualizamos a ortografia) « E o dito Fernão Lopes visto o dito nosso alvará E o cumprimento dele lhe mandou dar o trelado delas assinado por sua mão e selado com o selo dos nossos contos da nossa cidade de Lisboa
dada em a dita cidade de Lisboa 18 [ está escrito xbiijº] dias do mês de agosto, El Rei o mandou per o dito Fernão Lopes a que disto é dado seu especial Encargo de guardar as chaves das ditas escrituras e dar o treslado delas como dito é, Gonçalo Eanes a fez per seu mandado Era da nascença de nosso Senhor Jesus Cristo de mil quatrocentos e vinte e dous anos.» [tudo isto está escrito da terceira linha (a contar do fim) para baixo.
E eu estou sempre a aprender.
(se clicar no documento ele fica maior e consegue verificar)