Prosimetron

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quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Mireille Delunsch canta Rameau

Não é novidade nenhuma que a grande soprano francesa Mireille Delunsch canta as óperas de Rameau como ninguém, especialmente quando o faz com os Musiciens du Louvre de Marc Minkowski. Aqui fica uma ária de Platée. Delunsch visita hoje o Prosimetron porque esta é também a semana em que protagoniza uma estreia mundial na Opéra Garnier de Paris: Yvonne, princesse de Bourgogne do compositor belga Philippe Boesmans. Até 8 de Fevereiro.

Cinenovidades - 25 : L' autre

Mais um forte drama da dupla fílmica Patrick Mario Bernard/Pierre Trividic, que desta vez adaptaram o romance de Annie Ernaux. Uma história de ruptura amorosa, a que segue a invasão do ciúme após se saber que existe a outra. Dominique Blanc em grande forma é a protagonista. Estreia em França a 4 de Fevereiro.

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Cinenovidades - 24 : Élève libre

Pelo que li até agora, e do que se vê do trailer, não se pode dizer que seja um filme provocador, mas é certamente um filme perturbante. Desde logo, pela temática-a sexualidade dos adolescentes, a aprendizagem da sexualidade pela mão dos adultos, o nosso livre-arbítrio e a idade do consentimento. Tudo gira em torno de Jonas, um adolescente de 16 anos. Estreia em França a 4 de Fevereiro este mais recente filme de Joachim Lafosse.

Cinenovidades - 23 : Ricky

Estreia em França a 11 de Fevereiro o mais recente filme de François Ozon, que renova com a possibilidade do sobrenatural já presente em anteriores filmes. Como se vê, o cinema francês está vivo e recomenda-se.

As tears go by

Uma das mais belas vozes da segunda metade do século XX, num clip do filme de Jean-Luc Godard, Made in Usa ( 1966 ) .

A inteligência das flores – 1

Papoila

http://www.observatoriodoalgarve.com/cna/noticias_ver.asp?noticia=22514

«Não deixeis de examinar oportunamente a cabeça vulgar da Papoila, que se encontra em casa de todos os ervanários. Naquela grande cabeça, depara-se-nos uma prudência, uma previdência, dignas dos maiores elogios. Sabe-se que ela encerra milhares de grãos negros, extremamente pequeninos. Trata-se de espalhar aquelas sementes com a maior destreza e para tão longe quanto possível, caísse ou se abrisse por baixo, o precioso pó negro não formaria senão uma pasta inútil, junto da haste. As sementes, porém, só podem sair por aberturas, feitas no cimo do invólucro. Este, quando maduro, inclina-se no seu pedúnculo, oscila com a menor brisa, e espalha as sementes no espaço, com o mesmo gesto, de que se servem os semeadores.»
Maurice Maeterlinck
In: A inteligência das flores. Lisboa: Clássica Ed., 1918, p. 16

Maurice Maeterlinck, dramaturgo, ensaísta belga de língua francesa e principal expoente do teatro simbolista, recebeu o Prémio Nobel da Literatura em 1911. A sua obra L'intelligence des fleurs foi publicada em 1907. Durante uma breve estada em Portugal, escreveu o prefácio do discurso de Salazar, traduzido por Fernanda de Castro, Une revolution dans la paix (Paris: Flammarion, 1937).

O Nazismo e a Cultura


Exposição
Cinema
Concerto
Conferências
Ópera

CCB, 5 Fev.-1 Mar.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Ana Maria Botelho expõe no Luxemburgo

A pintora Ana Maria Botelho vai expor no Luxemburgo, no Centro Cultural Português, do Instituto Camões, óleos e desenhos, nomeadamente alguns quadros da sua fase dos "palhaços". A inauguração está marcada para dia 5 de Fevereiro próximo.




Ana Maria Botelho – nasceu em Lisboa em 1936. Teve como primeiros Mestres, Eduardo Malta e João Reis. Cursou “Formation Général en Philosophie dês Arts et Sciences” no Instituto de Mortefontaine, Paris. Licenciou-se em Artes Plásticas na Escola Superior do Louvre em Paris e frequentou a Escola Superior de Belas Artes em Roma.
Depois de colectivas em Paris e Roma fez a sua primeira exposição individual em Lisboa no S.N.I. em 1963, seguida da galeria do Diário de Notícias, Junta de Turismo da Costa do Sol, casino do Estoril, e muitas mais.
Seguem-se desde então 52 exposições individuais em Portugal e no Estrangeiro e participações em dezenas de exposições colectivas por toda a Europa, E.U.A., Austrália e Brasil.Em 1963 foi-lhe atribuído o prémio revelação de pintura portuguesa e em 1979 ganhou em Paris a medalha de ouro com um retrato. Está representada em colecções particulares no Mundo inteiro, particularmente em Portugal e nos Museus de Arte Moderna de Famalicão (Fundação Cupertino Miranda), Museu do Caramulo, Museu Malhoa nas Caldas da Rainha, Museu de Castelo Branco, Museu de Arte Contemporânea da Fundação Calouste Gulbenkian, Fundação Mário Soares, Museus Municipais de Loures, Alcochete, etc. No estrangeiro, nos museus de Arte Moderna de Sidney, São Paulo, Paris, Bruxelas, Lille, Amsterdam, Copenhague, São Francisco, Bangock, Museu dos Artistas Europeus em Miami, Fundação Rockfeller em Washington, Museu Hermitage em São Petesburgo e Museu Gugenheim em Nova Iorque.

As cinco Mitford

Deborah Mitford Cavendish é autora de vários livros sobre a beleza e imponência de Chatsworth


Fascinante é o mínimo que se pode dizer sobre a vida destas cinco mulheres. Pelos melhores e piores motivos. Filhas do barão de Redesdale - David Freeman-Mitford -, Nancy, Jessica, Unity, Diana e Deborah ficaram conhecidas pela discórdia familiar tratada abertamente na imprensa da época (décadas de 30 e 40) em torno das suas ideologias políticas divididas entre o comunismo e o fascismo. O próprio barão de Redesdale, também ele ligado a movimentos de extrema direita, foi membro da União Britânica de Fascistas. Voltando às meninas Mitford, Unity e Diana foram as mais famosas amigas de Hitler, tendo o ditador chegado a afirmar ser Unity um perfeito espécime de mulher ariana. Ela que chegou a pedir a expulsão dos judeus da Grã-Bretanha, mudou-se, em 1938, então com 24 anos, para uma casa confiscada a um judeu em Munique. Quando no ano seguinte, a Grã-Bretanha declarou guerra a Hitler, Unity escreveu ao fuhrer e de seguida deu um tiro na cabeça com uma pistola oferecida pelo próprio. Sobreviveu e as sequelas causadas pela tentativa de suicídio obrigaram-na a regressar a Inglaterra, tendo ficado aos cuidados da mãe. Como a bala não pôde ser retirada, o inchaço cerebral causado pelo projéctil provocou-lhe meningite, a causa da sua morte aos 33 anos. De Diana sabe-se que casou com Sir Oswald Mosley, líder fascista britânico (Hitler foi o convidado de honra, no casamento) de quem teve dois filhos: o romancista Nicholas Mosley e Max Mosley, um dos patrões da Fórmula 1. A propósito da sua beleza, o escritor James Lees-Milne afirmou um dia ser ela a coisa mais próxima de Boticelli da Venús que alguma vez vira. Nancy e Jessica foram duas excelentes romancistas e Deborah é a única sobrevivente das Mitford. Talvez a mais decente das cinco, é a actual Duquesa de Devonshire pelo casamento com Peregrine Cavendish (12º Duque de Devonshire e o 129º homem mais rico do Reino Unido). Deborah Mitford é conhecida pela sua sensibilidade para as artes. Mecenas e amiga de artistas e escritores é também autora de obras sobre Chatsworth, propriedade dos Devonshire e uma das mais belas casas de Inglaterra.
Como disse o nosso Luís se a vida desta mulher daria um filme, o que não seria pegar nas cinco vidas das Mitford…

História da Internet

Rotundas para quê ?



Se entre nós abundam as rotundas, de norte a sul do país e muitas vezes "coroadas" de monumentos ao "bom gosto", há países que prescindem delas...

PENSAMENTO DO DIA

" Só se ama o que não se possui completamente. "



- Marcel Proust

A cada 24 horas ...



Aqui fica uma imagem do tráfego aéreo mundial durante 24 horas. Cada pontinho de luz representa um avião.

Velhos são os trapos!





Pelos vistos, dançar faz mesmo bem. Aqui fica a prova com uma ágil dançarina de 87 anos.

Georgiana Spencer Cavendish e o retrato

- Georgiana Spencer Cavendish, Sir Thomas Gainsborough,1787.

- Georgiana Spencer Cavendish, Sir Joshua Reynolds, 1775.


Georgiana Spencer Cavendish, filha do 1º Conde Spencer, e Duquesa de Devonshire pelo casamento, foi uma das mulheres mais retratadas da sua época. Escolhi dois dos mais conhecidos e emblemáticos retratos, da autoria dos dois maiores retratistas da pintura britânica, mas existem muitos outros retratos desta famosa duquesa que viveu muito pouco convencionalmente.
Ambos os retratos fazem parte da Colecção dos Duques de Devonshire, uma das melhores pinacotecas privadas do Reino Unido .
Esta é a 2500ª mensagem escrita no Prosimetron.

Cinenovidades - 22 : A Duquesa

Estreia esta quinta-feira entre nós The Duchess, protagonizado por Keira Knightley que interpreta a fascinante Georgiana, Duquesa de Devonshire. Duas notas: parece-me de muito mau gosto a associação a Diana de Gales que é feita no início deste trailer- só por serem as duas da mesma família e algo heterodoxas?, e chamo a atenção para a actual Duquesa de Devonshire, que é uma das fabulosas irmãs Mitford e cuja vida dava também um filme...

Sob o olhar da lente - 14


Da Grande Maçã passamos para Sintra onde nunca é demais admirar esta beleza que é o Palácio da Pena... Porque hoje o dia até não é dos mais feios, atrevi-me a publicar estas imagens um tanto sombrias (e dias sombrios e tristes não nos têm faltado, ultimamente) mas que são belas porque sugerem algum mistério e encantamento... bem ao gosto do univerno potteriano. Uma vez mais, a autoria das fotos é do António.

Citações - 14 : As amizades e as idades


Numa recente entrevista feita a Gérard Depardieu,em que este fala dos amigos que marcaram e marcam a sua vida, captei esta frase do grande actor francês, com a qual me identifico inteiramente :
" J' ai toujours été hors d' âge. À 20 ans, mes amis en avaient 40. À 60, ils peuvent en avoir 80. "

Citações - 13 : Os partidos e a Cultura


" (...) parece impossível que um partido como o PS dedique à Cultura seis linhas, seis, incompletas- e sem uma palavra sobre a Língua Portuguesa, quando Portugal preside à CPLP e prometeu fazer dela a sua primeira prioridade! "
- José Carlos de Vasconcelos, in VISÃO de 22 de Janeiro de 2009.
O insuspeito José Carlos de Vasconcelos referia-se às meras seis linhas sobre Cultura que constam da moção de José Sócrates para o próximo congresso do PS. Também me parece que, apesar da crise e dos problemas da economia real, seis linhas é muito pouco.
Mas também acrescento que os partidos da Oposição, e desde logo o PSD, parecem pouco interessados em políticas culturais. Não me lembro de ter ouvido a Manuela Ferreira Leite uma palavra sobre o tema. E a sua formação e apetência pelos assuntos económicos não colhem- basta pensar num Luís Campos e Cunha para perceber como são conciliáveis o mundo da Economia e o mundo da Cultura.

As cores do ano

Sempre me interessei pelo mundo das cores- a teoria das cores, a relação das cores com a psicologia humana, a terminologia das cores etc- até porque tenho algumas dificuldades com elas.
Por isso, estou sempre atento ao que vai surgindo sobre o tema e não me escapou o ditame para as próximas estações ( Primavera e Verão ) oriundo da autoridade mundial para as cores, o Pantone Color Institute, que desde 1963 vem regulando o mundo das cores, especialmente as sazonais.
E as cores para a primeira metade de 2009, especialmente para o sector têxtil ( logo, a moda ) e o mundo da cosmética, são o rosa ( em tonalidade escura ) , o amarelo ( na tonalidade limão ) , o salmão , o verde ( em tons mate, veja-se a referência Lucite Green nos catalógos da Pantone ) e continua o roxo ( embora em versões mais suaves como o lavanda) .
E, como já sabemos, rapidamente estas cores passarão para muitos outros sectores- da publicidade e artes gráficas aos produtos de consumo mais variados.

Parabéns ao JL

Nascido a 3 de Março de 1981, o Jornal de Letras, Artes e Ideias, com logotipo e ilustração de capa da autoria de João Abel Manta, atinge esta semana o seu milésimo número. Número sempre histórico na vida de qualquer publicação, e neste caso particular ainda mais dadas as suas características e o mercado onde é publicado.
E vai ser um número mesmo para guardar, com inéditos de Lídia Jorge, Mário de Carvalho, José Saramago, Eduardo Lourenço, Maria Velho da Costa, João de Melo, Jorge Listopad, entre outros.
Está à venda a partir de amanhã.

Stars Fell on Alabama

Stars Fell on Alabama é o titulo de uma música de 1934 composta por Frank Perkins com letra de Mitchell Parish. Quase poderia fazer um Alfabeto de Intérpretes desta música... mas vou ficar por uma das que mais ouço, Doris Day:

Doris Day [=Doris Mary Ann von Kappelhoff] (Cincinnati, 3 de abril de 1924).

Os meus franceses - 60

Annie Cordy

«Bonbons, caramels, chocolats»



«Je vends des bonbons»


«Chokakao»

Cantora belga, baronesa desde 2004, escolheu como divisa «La passion fait la force».
http://www.annie-cordy.com/

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Sob o olhar da lente - 13


NY City... Fotos de António Nobre Marques

O autocarro ateu


- O primeiro a circular- Manchester, Grã-Bretanha.


A campanha dos autocarros ateus que começou no Reino Unido e atravessou a Europa Ocidental e a América do Norte, já chegou a Madrid. Já é possível ver autocarros a circularem na capital vizinha com os cartazes que muita polémica têm dado em vários países, e que desde logo foram proibidos de circular no território da Cidade do Vaticano...
Tal como as suas congéneres europeias, também a Associação Ateísta Portuguesa gostaria de ver a campanha estender-se a Lisboa. Mas, como ouvi esta manhã na TSF o seu presidente explicar, a associação não tem capacidade financeira para sustentar esta iniciativa.
Por outro lado, os crentes em Deus não ficaram de braços cruzados: como se vê na terceira foto, já circulam em Madrid autocarros com slogan de sinal inverso- Deus existe.
Contentes estão de certeza as agências publicitárias- nunca a publicidade em autocarros foi tão disputada...

Aquisições recentes - 5 : Livros de mais-Ler e publicar na era da abundãncia


Resolvi quebrar o fio cronológico que tenho seguido para estas minhas "aquisições recentes", e trazer aqui hoje o primeiro livro que comprei em 2009. Uma excepção para aquela que foi a minha primeira compra literária do ano, logo no dia 2 de Janeiro. Não resisti a este muito interessante livro que fala sobre livros, a leitura e o mundo da edição, temas que cada vez me interessam mais. Admira-me é que este livro, que data já de 2003 na sua versão definitiva, apenas agora tenha sido traduzido e publicado entre nós.
Enquanto o manuseava na livraria e o ia apreciando, fiquei de início um pouco relutante quando descobri que a tradução, o prefácio e as notas são de Miguel Graça Moura, personagem que devo confessar não me inspira grande simpatia por várias razões. Mas quando começei a ler o prefácio fiquei rendido. Aqui ficam alguns trechos do belo prefácio de 20 páginas:

" Cresci rodeado de livros- e essa sorte marcou-me para toda a vida.
No saudoso casarão dos meus pais, na Foz do Douro, a biblioteca, contígua à chamada sala de visitas, era a divisão mais nobre: paredes cobertas de alto a baixo por estantes de madeira tropical escura, completamente cheias de livros- milhares de livros de todos os formatos e tamanhos, muitos deles encadernados (...)
(...) A leitura permite ainda descobrir - e conviver com - gente de todos os tipos, de todos os tempos e de todos os lugares, e assim alargar a nossa percepção do mundo e, através dela, enriquecer a condição humana.
Quem lê nunca mais deixa de ler. Quem nunca leu não sabe o que perde. (...)
(...) Logo que comecei a ganhar a vida, decidi pois constituir ( a par de uma discoteca e de uma musicoteca) a minha própria biblioteca- que nunca mais parou de crescer. Fui lendo mais ou menos anarquicamente, mas sempre com voracidade.
Passei alguns saborosos fins-de-semana de Inverno inclemente devorando livros quase sem sair da cama: por prazer, puro prazer- sem conseguir parar de ler antes de chegar ao fim.
Ainda hoje sou um comprador compulsivo: adquiro-os a uma velocidade muito superior à necessária para os ler. A angústia perante os milhares de livros relevantes que já não conseguirei ler até ao fim da vida não consegue travar-me (...) "


Apenas li ainda alguns dos capítulos desta obra fascinante que vai da edição à difusão do livro, o excesso de livros publicados, os desafios das novas tecnologias, o preço dos livros e muitos outros temas que revelam a profundidade dos conhecimentos do seu autor mexicano, Gabriel Zaid.
Uma nota negativa: além de não gostar muito da capa, não compreendo as opções de paginação- porquê estes filetes verticais que só distraem e cansam?- nem o excesso de notas, parecendo-me algumas perfeitamente dispensáveis.
Mas é um imperdível livro sobre livros.

- Livros de mais- Ler e publicar na era da abundância, Gabriel Zaid, trad.,prefácio e notas de Miguel Graça Moura, Temas e Debates, Dezembro de 2008.

O Ano Novo Chinês na Internet

Conforme já devem ter reparado, também o Google, principal motor de busca na Internet, se associou ás celebrações do Ano Novo Chinês, sendo 2009 o ano do Búfalo.
Pela minha parte, aproveitei o jantar de ontem num restaurante chinês do Estoril onde vou amiúde para desejar aos proprietários um Bom Ano de 2009. E eles, à boa maneira chinesa, já nos tinham presenteado com uma iguaria.

Novidades - 26 : In Africa








Uma obra desconcertante de um fótografo desconcertante. Não faltam bons fotógrafos que se apaixonaram pelo continente africano, pelas savanas e pela sublime fauna. Peter Beard é um caso à parte. Sem dúvida também apaixonado por África ( que visitou pela primeira vez aos 17 anos e onde conheceu a sua mulher, de origem queniana) , mas a obra é tudo menos convencional: fotografias magníficas de animais, lado a lado com fotos de manequins cobertos de sangue verdadeiro, e fantásticas colagens que nos capturam o olhar.
- Peter Beard, Taschen, 784p ( 2 vol ) , 2009, 75 euros.


A polémica da caipirinha

Há já alguns meses que dura a polémica em torno da bebida nacional brasileira: a caipirinha. Tudo começou, como começa quase sempre nestas matérias, com nova legislação: o ministro brasileiro da Agricultura assinou um despacho fixando o modo de fazer a caipirinha com instruções muito precisas- a caipirinha tem de ter uma graduação alcoólica de 15% a 36%, se estiver a 20ºC, é permitida a adição de água desde que se respeite estes níveis, o limão deve render 1% de sumo com um mínimo de 5% de acidez, e é proibido o uso de adoçantes.
Vieram então protestar os profissionais da restauração, argumentando que há muitas maneiras e tradições de preparar a caipirinha, bem como os nutricionistas e outros profissionais de saúde revoltados contra a proibição do uso de adoçantes.
Entre nós, como é sabido, tornou-se já um hábito normal de há uns anos para cá. E ainda bem, digo eu que aprecio bastante uma caipirinha bem feita.

A Villa Garzoni... por 25 milhões de euros







O anúncio de ter sido colocada à venda a lendária Villa Garzoni e os seus deslumbrantes jardins, considerados uma das obras-primas da arquitectura barroca italiana, deu origem a intermináveis polémicas, desde logo na região onde fica esta fabulosa propriedade- a bela Toscana. Polémica que subiu de tom quando se soube que é muito provável que seja adquirida por um dos novos milionários russos.
A Villa Garzoni, cuja edificação começou com o genial marquês Romano di Alessando Garzoni, arquitecto nas horas vagas, nas primeiras décadas do século XVII e só terminou por completo quase um século mais tarde e três gerações de marqueses depois, é efectivamente uma das jóias da Toscana, e as fotografias que coloquei supra não lhe fazem justiça ( vale a pena procurar mais na Internet ) , especialmente pelos seus jardins com lagos, escadarias monumentais, fontes, jogos-de-água, um labirinto, uma floresta de bambús, alamedas, grutas e 64 estátuas.
E, além do mais, a Villa está ainda ligada à história literária italiana: Carlo Lorenzi, o pai de Pinóquio, adoptou o pseudónimo de Collodi, localidade onde fica a Villa Garzoni, e terra da sua família materna, tendo acompanhado muitas vezes o seu avô que era o cozinheiro dos Garzoni.
O actual proprietário é o empresário italiano Fabrizio Bertola, que a comprou em 2003 encontrando-se a propriedade num verdadeiro estado de abandono que já durava há duas décadas. E Bertola recuperou-a completamente: foram restaurados os frescos e os tectos, reparados os muros, o pavilhão dos Guardas, a ponte suspensa que leva aos jardins, a orangerie, limpas as estátuas etc etc, com um custo total de 16 milhões de euros.
Bertola, que nunca viveu na propriedade, achando-a demasiado intimidante para as suas origens humildes, assume que quer ter lucro depois dos milhões que gastou, embora esteja disponível para a vender ao Estado italiano desde que o preço seja justo, ou seja não fique muito longe dos 25 milhões que está a pedir no mercado...



Cinenovidades - 21 : Bellamy

Estreia em França a 25 de Fevereiro este Bellamy, que parece ser mais um excelente policial do grande Claude Chabrol, que é sem dúvida o autor dos melhores filmes policiais franceses. E o papel do comissário Bellamy é interpretado por Gérard Depardieu, que segundo dizem os críticos vai muito bem, o que não é muito de admirar. Espero que chegue cá.

Biografias, autobiografias e afins - 18

Mais uma biografia surgida em França este mês, esta dedicada a um dos grandes generais da Segunda Guerra Mundial: Erwin Rommel, a Raposa do Deserto. Todos conhecemos este que foi talvez o mais competente general alemão da Segunda Guerra, e lembramo-nos da sua morte trágica: caído em desgraça, suicidou-se por ordem de Hitler. Ora, esta recente biografia, pelo que li das recensões já disponíveis, vem questionar alguns dos mitos acerca de Rommel, afirmando que este foi nazi por convicção e manteve-se fiel a Hitler até ao fim. Obra destinada a gerar polémica, desde logo do outro lado do Reno...

- Erwin Rommel, Benoît Lemay, Perrin, 2009.

Alfabeto Musical Clássico : Z

ZIPOLI,
Domenico ZIPOLI, S.J. (Prato,Italia, 1688; Cordoba, Argentina, 1726) músico barroco italiano.



Era para ser Zemlinsky. Mas na Bélgica fiquei a "conhecer" Zipoli. Confesso a minha ignorância... e encontrei esta música Barroca que se enquadra mais dentro do meu gosto. Mas deixo, na mesma:

Zemlinsky
Alexander Zemlinsky (Viena, 1871; Larchmont, 1942) foi um compositor do Império Austríaco.



E assim, chegou ao fim o meu alfabeto..

Biografias, autobiografias e afins - 17

A autobiografia desta intelectual francesa, amada por uns e detestada por outros na sua França natal e mais conhecida noutros países, desde logo em Portugal, pelos seus romances. Uma mulher que foi, e é uma das recriminações que lhe fazem, tudo: comunista, mitterrandista, feminista, chiraquiana, africanista, etnóloga, diplomata, alta funcionária, jornalista e psicanalista.
Várias vidas numa só, o que só acontece quando se vive intensamente.
Filósofa de formação, conviveu e foi amiga de gigantes: Althusser, Lévi-Strauss, Barthes, Lacan.
E, talvez a faceta da personalidade dela que mais me fascina, tal como muitos ateus foi crente de outras "religiões": marxismo, psicanálise, estruturalismo- sempre com enorme devoção.
Nas últimas décadas, passou das chamadas "religiões laicas" ao estudo de outras espiritualidades: dogon, cultos japoneses, xamanismos- sempre para grande surpresa dos amigos e do público em geral.

- Mémoire, Catherine Clément, Stock, 600p, 2009.

Cinenovidades - 20 : Operação Valquíria

Já estreou em vários países europeus e em breve chegará às nossas salas o mais recente filme de Bryan Singer, que conta a história da Conspiração do 20 de Julho, um dos atentados contra Hitler que teve melhores hipóteses de ser bem sucedido. O protagonista é Tom Cruise, que interpreta o autor material do atentado- Claus von Stauffenberg, hoje um herói alemão.

"Multicultural, multiétnica, multicolor",...


Lisboa: Cavalo de Ferro, 2008
€20,00


O autor, Corrado Augias, escritor e jornalista, nasceu em Roma há 74 anos. Deste livro, que estou presentemente a ler, transcrevo:
«A palavra-chave [...] é "cadinho". A ideia do cadinho (melting pot) abriu caminho lentamente, consolidou-se quando o país foi povoado por milhões de pessoas que chegavam de todo o mundo, afirmou-se com o êxito popular da célebre peça de Israel Zangwill que se intitula precisamente O Cadinho (The Melting Pot).
«Zangwill era um escritor inglês de origem judaica que se mudou para os Estados Unidos, amigo do fundador do sionismo Theodor Herzl e ele próprio protagonista do Congresso Sionista de Basileia em 1905. Em 1908, a sua peça sobe ao palco em Washington D.C., na presença do presidente T. Roosevelt, com clamoroso êxito. Que nos conta ela? A história de amor do judeu David, sobrevivente do pogrom de Kisinev, músico muito dotado que se encontra a compor uma Sinfonia Americana. Um dia, na sua modesta casa de Nova Iorque, encontra a bela Vera Revendal, uma eslava de religião ortodoxa. A atracção é recíproca, mas David ignora que Vera é nada menos que a filha do Barão Negro, o carrasco de Kisinev. O drama atinge o auge quando certa noite David encontra por acaso o pai de Vera e reconhece nele o homem que liderou a caça aos judeus. Percebe que Vera é sua filha e vê-se dela separado "por um rio de sangue". Mas as coisas mudam. A sua sinfonia é executada triunfalmente, consagrando-o como compositor, Vera renega o seu sanguinário pai, David aprende que "os pecados dos pais não recaem sobre a cabeça dos filhos", os dois jovens abraçam-se enquanto o pôr-do-sol inunda de luz rósea a baía de Nova Iorque e a estátua da Liberdade. "Neste porto", exclama David com êxtase, "desembarcam milhões de enormes navios uma carga humana de celtas e de latinos, de eslavos e de teutões, de gregos, de sírios, de negros e de amarelos... assim o grande Alquimista funde Oriente e Ocidente, Norte e Sul, a palmeira e o pinheiro, o pólo e o equador, o crescente e a cruz na sua chama purificadora." O cadinho, precisamente.» (p. 35)

Programa de teatro de The Melting Pot (1916).

Também pode ficar a saber por que hoje a América deixou de ser o melting pot e passou a salad bowl, quais as vicissitudes por que passou a Estátua da Liberdade até chegar à baía de Nova Iorque, etc., etc.
De Corrado Augias já li Os segredos de Roma, que também aconselho. É ainda autor de Os segredos de Londres, de que espero a tradução portuguesa.

O ano começa quando o homem quer!

Hoje é o primerio dia do Novo Ano chinês.


Feliz Ano Novo

Music by Giuseppe Verdi (La traviata, atto secondo, scena X, coro "Noi siamo zingarelle").
Animation film by Guionne Leroy, in the series "Opéra imaginaire" by Pascal Roulin (1993).
Coro dell'Accademia di Santa Cecilia.
Youtube : mihmoh

domingo, 25 de janeiro de 2009

Ainda sobre "Longe da multidão"...

Em resposta aos comentários sobre a adaptação cinematográfica da obra de Thomas Hardy, segue um pequeno excerto do filme de 1967 da autoria de John Schlesinger, com a bela Julie Christie no papel de Bathsheba Everdene, acompanhada por Terence Stamp, Peter Finch e o inesquecível Alan Bates de quem sou grande admirador. Nesta breve peça, ouvimos Christie a cantar uma canção tradicional de Wessex.
By the way: recordam-se da cena horrenda, logo no início da película, em que o cão do pastor Gabriel Oak (Alan Bates) conduz as ovelhas para um precipício...?

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Para os gulosos!


Ou não fossem os Belgas famosos pelos seus chocolates! Não existe dieta que resista!

Tango em Bruxelas

O Sol que se costuma fazer sentir em Lisboa andava hoje também por Bruxelas. Não chovia a temperatura era positiva. Na rua dançava-se o tango, seguindo a antiga regra. E muito bem dançado. Lá ficavam umas moeditas nos chapéus...