Prosimetron

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terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Boa noite!


Ontem à procura de um CD para oferecer, encontrei esta cantora norueguesa, presentemente a viver em Estocolmo.

Para Regiani Moraes...


John William Waterhouse - The soul of the rose (ou My sweet rose), 1908
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«Não pode haver ligação de almas onde não exista identidade de ideias, de crenças e de costumes.»
Eça de Queirós

... e para o seu Barulho da Alma, com votos de Bom Ano.

A torre dos cães


Chegou-me hoje via mail um ficheiro com algumas das mais emblemáticas obras do arquitecto Santiago Calatrava. E, claro, não podia faltar a famosa torre "Turning Torso" em Malmo, Suécia (2001-2005). Com 54 andares, 190 metros de altura e 149 apartamentos de luxo (também tem escritórios) este que é considerado o edifício mais alto da Escandinávia (até se avista a Dinamarca, garantem), fez lembrar-me uma história que um colega de trabalho me contou quando esteve recentemente na Suécia em trabalho. Estava ele no restaurante da torre, no último andar, quando o vício do tabaco o obrigava, de tempos a tempos, a vir à rua. Intrigado com a constante entrada e saída de cães no edifício perguntou ao segurança se ali existia alguma clínica veterinária ao que este, sorrindo, o informou que mais de 80% dos moradores tinha cão. Ñão sendo propriamente contra cães em apartamentos - depende das raças - não deixa de ser estranho olhar para a torre e imaginar que de cima a baixo é habitada por aqueles animais de companhia.
Ainda gostava de contá-los!

Le cygne


Caspar David Friedrich (1774-1840) - Schwäne im Schilf (Zwei Schwäne auf dem Weiher im Mondschein)
Óleo sobre tela, 1819-1820
Frankfurt a.M., Freies Deutsches Hochstift
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Sans bruit, sous le miroir des lacs profonds et calmes,
Le cygne chasse l'onde avec ses larges palmes,
Et glisse. Le duvet de ses flancs est pareil
A des neiges d'avril qui croulent au soleil;
Mais, ferme et d'un blanc mat, vibrant sous le zéphire,
Sa grande aile l'entraîne ainsi qu'un blanc navire.
Il dresse son beau col au-dessus des roseaux,
Le plonge, le promène allongé sur les eaux,
Le courbe gracieux comme un profil d'acanthe,
Et cache son bec noir dans sa gorge éclatante.
Tantôt le long des pins, séjour d'ombre et de paix,
Il serpente, et, laissant les herbages épais
Traîner derrière lui comme une chevelure,
Il va d'une tardive et languissante allure.
La grotte où le poète écoute ce qu'il sent,
Et la source qui pleure un éternel absent,
Lui plaisent ; il y rôde ; une feuille de saule
En silence tombée effleure son épaule.
Tantôt il pousse au large, et, loin du bois obscur,
Superbe, gouvernant du côté de l'azur,
Il choisit, pour fêter sa blancheur qu'il admire,
La place éblouissante où le soleil se mire.
Puis, quand les bords de l'eau ne se distinguent plus,
À l'heure où toute forme est un spectre confus,
Où l'horizon brunit rayé d'un long trait rouge,
Alors que pas un jonc, pas un glaïeul ne bouge,
Que les rainettes font dans l'air serein leur bruit,
Et que la luciole au clair de lune luit,
L'oiseau, dans le lac sombre où sous lui se reflète
La splendeur d'une nuit lactée et violette,
Comme un vase d'argent parmi des diamants,
Dort, la tête sous l'aile, entre deux firmaments.
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Sully Prudhomme (1839-1907)

Bolonha : o Caos


Salvador Dali : "Geopoliticus Child Watching the Birth of the New Man"(1943)

Sobre o caos em que se tornou o ensino universitário abateu-se o chamado processo de Bolonha, obcecado pela uniformização, baralhando os títulos e graus, e eivado por uma pedagogia simplista. O primeiro acto de qualquer governo com um mínimo de sensatez tem de ser a revogação das abstrusas disposições desse pseudo-acôrdo feito à revelia de professores e investigadores, que não tiveram a coragem de o rejeitar e se sujeitaram a passar sob as forcas caudinas.

Vitorino Magalhães Godinho, Os problemas de Portugal, os problemas da Europa, 2.ª ed., Lisboa, Edições Colibri, 2010, p. 62.

Arejar...


Sambataro - Terrace at Chianti


Sambataro - Terrace at Vitiano

Coloquei estas pinturas porque hoje não me importava de estar num destes sítios, a comer uns queijinhos e a beber um vinhito. Embora o vinhito (pelo menos o Chianti) não seja famoso.

Ainda os cartões de Natal...


Os colegas prosimetronistas, e os leitores, mais republicanos tenham paciência, mas não resisto a mostrar o postal (electrónico) de Natal mais original que recebi este ano.

Uma das prendas mais belas que recebi este Natal!

Uma das prendas mais belas que recebi este Natal porque alimenta o espírito!

Concerto Comemoração do Centenário Nascimento de José Gomes Ferreira
José Gomes Ferreira. - Lisboa : Strauss, 2001. - 2 discos (CD) (99 min.) : stereo ; 12 cm
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Obrigada! :)

Um quadro por dia - 122

Matteo di Giovanni, O Massacre dos Inocentes, 1488, óleo sobre tela, Galleria Nazionale di Capodimonte, Nápoles, Itália.


Para grande parte do mundo cristão, designadamente os católicos-romanos, 28 de Dezembro é o Dia dos Santos Inocentes, os primeiros mártires cristãos, as crianças inocentes mandadas matar por Herodes, que acima vemos sentado no seu trono.
Este episódio bíblico foi tratado por grande número de artistas ao longo dos séculos, de Guido Reni a Rubens, mas a minha escolha recaíu sobre a visão de di Giovanni, que penso ser uma tela menos conhecida.

PENSAMENTO(S) - 149

a literatura é a prova de que a vida não chega.

Amen.

Novidades - 161

" (...) hoje já não se vive sem a ligação à rede"- escreveu aqui ontem o nosso MLV. É realmente difícil viver hoje offline, especialmente se já se provou tal fruto. Passei os últimos dias desligado, por opção e conveniências da quadra, e senti realmente a falta da rede.
É a Internet o palco deste thriller que me foi oferecido por estes dias. Trata-se do mais recente romance da Joanne Harris, a autora de um grande sucesso de anos recentes (Chocolate), e mostra tudo o que podemos fazer aos outros através da Internet, mas também o que os outros nos podem fazer...
E começa assim:

Era uma vez uma viúva que tinha três filhos que se chamavam Preto, Castanho e Azul. Preto era o mais velho, mal-humorado e agressivo. Castanho era o do meio, tímido e desinteressante. Mas Azul era o preferido da mãe. E era um assassino.

Uma dúzia de páginas depois:

Internet. Uma palavra interessante. Como uma coisa surgida do abismo. Uma rede para algo que foi enterrado ou que ainda está para ser enterrado; um esconderijo para todas as coisas que preferimos manter secretas nas nossas vidas reais. E no entanto, gostamos de observar, não gostamos? Como num espelho, de maneira confusa, vemos o mundo girar: um mundo povoado de sombras e reflexos, nunca a mais de um clique de rato de distância. Um homem mata-se- ao vivo, em directo. É repugnante mas estranhamente fascinante. Interrogamo-nos se foi fingimento. Pode ser fingimento; tudo pode ser. Mas tudo parece muito mais real quando observado num ecrã de computador. Assim, mesmo as coisas que vemos todos os dias- talvez particularmente essas coisas-adquirem uma importância especial quando vislumbradas através do olho de uma câmara.
Aquela rapariga, por exemplo. A rapariga do anoraque vermelho-vivo que passa por minha casa quase todos os dias, fustigada pelo vento e alheia ao olho da câmara que a observa. Tem, como eu, os seus hábitos. Conhece o poder do desejo. Sabe que o mundo gira não movido pelo amor, nem mesmo o dinheiro, mas pela obsessão.
Obsessão? Claro. Todos somos obcecados. Obcecados com a televisão; com o tamanho das nossas pilas; com o dinheiro e a fama e as vidas amorosas dos outros. Este mundo virtual-e nada virtuoso- é um monte de estrume fedorento de lixo mental, confusão e violência; concessionários automóveis e venda de Viagra, música, jogos, má-língua, mentiras e insignificantes tragédias pessoais perdidas em trânsito a certa altura, à espera que alguém se importe, apenas uma vez, à espera que alguém se identifique...

Sem querer abusar da vossa paciência, não resisto, porém, a citar o último parágrafo da p. 22:

O poeta Rilke foi morto por uma rosa. Muito Sturm und Drang da parte dele. Um arranhão num espinho que infectou; uma dádiva envenenada que continua a dar. Pessoalmente, não vejo onde esteja a atracção. Sinto mais afinidades com a tribo das orquídeas: as subversivas do mundo das plantas, agarrando-se à vida onde podem, subtis e insidiosas. As rosas são um lugar-comum, com as suas espirais de um tom de rosa enjoativo, de pastilha elástica; a sua fragrância conspirativa; as suas folhas malsãs, os seus espinhozinhos manhosos que picam o coração...
Ó rosa, estás doente...
Mas não estamos todos?

É uma edição da Asa, com tradução de Isabel Alves.

Para a Passagem de Ano





Uma das passagens de ano mais chiques da Europa, e do Mundo certamente, é o Kaiserball/Baile do Imperador de Viena, que decorre no Hofburgo, o antigo palácio dos imperadores da Áustria.
Ao som das valsas de Strauss, durante algumas horas regressa-se ao séc.XIX e à corte de Francisco José e de Sissi.
As inscrições podem ser feitas pela internet, http://www.hofburg.com, ou até pelo telefone 00 43 1 5873666 23.

Em português - 65

Esta Acordar é uma das melhores dos Rádio Macau. Só o amor me faz correr, só o amor me faz ficar... - lembram-se?
Bom dia!

Boas Festas - 15


Vinheta: João Evangelista

28 de Dezembro é o seu dia.
No Solstício de Inverno uma outra figura é evocada: João, o Evangelista. O Apóstolo que Jesus considerou que o poderia substituir junto de Maria. O único que escreve um Evangelho diferente. Aquele a quem é feita a revelação do Apocalipse.

Pedro o começo. João o fim.
Marten de Vos, gravura (água forte e buril) [1575-1590]
Lisboa, B.N.Portugal, Estampas,
E. 740 V.

Nesta maravilhosa gravura de Marten de Vos (1532-1603) que representa Cristo entre Pedro e João.

Heróis da Literatura - 2

Tancredo foi a personagem que escolhi do romance Il Gattopardo, de Giuseppe Tomasi de Lampedusa por causa da adaptação ao cinema de Luchino Visconti. O filme foi estreado em 1963, ganhou a Palma de Ouro no 16º Festival de Cannes. As personagens principais são: D. Fabrício Corbera, o Leopardo, Burt Lancaster; Tancredi Falconeri, Alain Delon e Angélica Sedara, Cláudia Cardinale.

A história ocorre entre 1860 e 1910, em pleno processo de unificação da Itália, conhecido pelo Risorgimento. O livro começa em Maio de 1860 com a frase «Nunc et in hora nostrae. Amen» “Agora e na hora da nossa morte Amém”, (p. 7 )* que anuncia a decadência da aristocracia italiana e a ascensão duma burguesia endinheirada e detentora de novos valores. De uma forma sumária, a história retrata a família de Fabrício Corbera, o Leopardo (brasão de família), príncipe de Salina (ilha a norte de Sicília) durante as convulsões políticas da unificação de Itália quando Garibaldi desembarca em Marsala.
Ao longo do romance Lampedusa descreve os costumes, a vida faustosa da aristocracia decadente, a beleza, a paixão, o cinismo político, a hipocrisia, a religiosidade, o envelhecimento e a morte.
Da beleza destaco em villa Salina a descrição dos frescos pintados que retratam os deuses do Olimpo em simbiose com a religiosidade católica conferida pela presença constante do Padre Pirrone que acompanhará toda a narrativa.

Palácio de Donnafugata

Donnafugata foi o local (estância de férias) para onde a família de Corbera se refugiou, após o desembarque de Garibaldi e é onde se desenrola o ponto fulcral do filme de Visconti. Apesar da história se passar no segundo quartel do século XIX e princípio do século XX, a abordagem é intemporal por causa do arquétipo psicológico e social das personagens.



Tancredo fora confiado ao tio após a morte dos pais, era proprietário da villa semi-arruinada dos Falconeri e acabou por encantar o príncipe que secretamente o preferia ao primogénito. Tancredo levava uma vida dissoluta, era rebelde e acabou por se aliar à revolução. Há uma frase proferida por Tancredo (e mais tarde dita pelo príncipe Fabrício) que sintetiza as novas mudanças: - “Se nós não estivermos lá, eles fazem uma república. Se queremos que tudo fique como está é preciso que tudo mude. Expliquei-me bem?” *(p. 29- 30).

Tancredo apaixona-se por Angélica, filha do burguês latifundiário Don Calogero Sedera. O casamento é combinado por D. Fabrício para assegurar, na mudança, a continuidade do mesmo padrão de vida da velha aristocracia.
Tancredo personificado por Alain Delon assume um perfil apaixonado, ciumento, ambicioso, inteligente que sabe tirar partido da vida passando de guerrilheiro a partidário da política vigente. A valsa de Verdi dançada por Burt Lancaster e Cláudia Cardinale, sob o olhar ciumento de Alain Delon, realça a beleza cénica e a profundidade que Visconti conferiu aos seus filmes e às personagens que construiu.

Parco Museo Letterario del Gattopardo . Espaço onde se pode reviver as cenas de Visconti

Porque é que escolhi um personagem tipo camaleão que se adapta a todas as circunstâncias da vida?
A resposta está na classe de Alain Delon, na riqueza do personagem aparentemente linear e, finalmente, no perfil que adopta o político actual.

*Giuseppe Tomasi de Lampedusa, O Leopardo, Lisboa: Círculo dos Leitores, 1974, p. 7; 29-30.
http://it.wikipedia.org/wiki/Il_Gattopardo_(film)

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Boas noites!


«Catari, catari» (1937) fez parte da banda sonora do filme Naples au baiser de feu.

imaginar a dança


Levar um grupo de cegos a ver o Bailado.
A dança escutava-se:
"Mais uma vez arrastava o corpo. Aquele que antes batia palmas. Batia palmas com os pés. Trá-lo. Arrasta-o. Arrasta-o por uma perna. Subjuga-o. Senta-se ao lado. Mas...? Não tinha braços há pouco..."
Aconteceu. Foi uma experiência no S. Luís, em Lisboa, no passado dia 18 de Dezembro.
O espectáculo: "O Depois"; Companhia Integrada Multidisciplinar...
(O atual, Expresso, 23.12.2010)

Não, não consigo imaginar a coreografia.

Escarpins

Pois, o português tem destas coisas. E o que é o Escarpim / Escarpins?

"O jovem balbuciou uma desculpa e retirou a máscara; estava escarlate e olhava, envergonhado, para a ponta dos escarpins. "
Arturo Pérez-Reverte, O Mestre de Esgrima, p.34
Os sapatos, espécie de sapatilha.

Madalena aprendendo a ler

Maria Madalena tem sido um tema recorrente no Prosimetron. Saberia a Santa ler? Várias vezes por aqui ficou a interrogação. Encontramos este quadro com a penitente Madalena aprendendo a ler. Aqui fica, para memória futura.

Hendrick Goltzius (1558-1617)

Este post é para Ana, com um sorriso!

Esta noite, vou rever


Antes do anoitecer, de Richard Linklater, 2004
Passa hoje na RTP1 às 00h36.


Nove anos depois de Antes do amanhecer, Jesse (Ethan Hawke) e Celine (Julie Delpy) encontram-se em Paris. Uma boa oportunidade para rever a cidade e a livraria


Eis o local onde os poetas americanos da geração beat se reuniam em Paris. Localizada no Quartier Latin, de fronte para a Catedral de Notre Dame, foi fundada pelo bibliófilo americano George Whtman, em 1951. É considerada a quarta melhor livraria do mundo (a seguir à nossa Lello), pelo guia Lonely Planet's best in travel 2011. Para mim é um bocado confusa. Gosto de livrarias mais arrumadas.

Le cygne


Berthe Morisot - Sur le lac ou Petite fille au cygne
Óleo sobre tela, 1884
Col. particular


Berthe Morisot - Cygnes, 1885

Va-t-il nous déchirer avec un coup d'aile ivre
Ce lac dur oublié que hante sous le givre
Le transparent glacier des vols qui n'ont pas fui!

Un cygne d'autrefois se souvient que c'est lui
Magnifique mais qui sans espoir se délivre
Pour n'avoir pas chanté la région où vivre
Quand du stérile hiver a resplendi l'ennui.

Tout son col secouera cette blanche agonie
Par l'espace infligée à l'oiseau qui le nie,
Mais non l'horreur du sol où le plumage est pris.

Fantôme qu'à ce lieu son pur éclat assigne,
Il s'immobilise au songe froid de mépris
Que vêt parmi l'exil inutile le cygne.

Stéphane Mallarmé

No seguimento da foto do Jad.

Boas-festas

Boas-festas

Os novos analfabetos

Analfabeto digital, info-excluído... são expressões que se utilizam para designar quem não está familiarizado com o mundo da informática. Há dez anos rebentava a bolha da Internet e hoje já não se vive sem a ligação à rede. Caso para dizer: Mudam-se os tempos, mudam-se as palavras.

Os livros mais vendidos pela Amazon francesa


Paris: Flammarion, 2010
Em primeiro lugar está o livro de Houellebecq, que o Luís nos vai trazer um dia destes. E em terceiro, um livro para crianças:


Paris: Gautier-Languereau, 2007
O Raposinho está de muito mau humor. Diz que ninguém o ama, mas não é verdade. A mãe tranquiliza-o e explica-lhe que o seu amor vai durar para sempre.
Fiquei com vontade de mandar vir este livro. Deve ser na mesma onda da lebre de Adivinha quanto eu gosto de ti, de Sam McBratney.

Boas Festas - 14

Heróis da literatura - 1

«É preciso amar, é preciso acreditar…» (Pierre Bézoukhov)

A minha primeira escolha vai para Pierre Bezukhov*, um personagem da obra Guerra e Paz. Acho que já aqui contei que li o livro depois de ver a adaptação que King Vidor fez do romance de Tolstoi, com Audrey Hepburn, Mel Ferrer e Henry Fonda, respectivamente nos papéis de Natasha Rostov, do príncipe Andrei Bolkonsky e de Pierre Bezukhov.
O essencial da acção do livro desenrola-se no primeiro quartel do século XIX, a época de ouro da aristocracia russa, centrando-se nas campanhas da Rússia, de Napoleão, tendo como episódio fulcral da trama a batalha de Borodino.
No início da obra, Tolstoi descreve com grande vivacidade a vida dos nobres da Rússia czarista (as conversas de salão e agitação mundana), nos seus últimos dias de paz. Depois a guerra estala e o colectivo sobrepõe-se aos problemas pessoais de cada um: «Nascimentos, mortes, amores, ambições, ciúmes, angústias, egoísmos, vaidades, é a respiração profunda e calma da humanidade que está diante de nós.» (Henri Troyat - Tolstoi. Paris: Fayard, 1965, p. 371) Os personagens deste romance, e, no geral, de toda a obra de Tolstoi, estão impregnadas de característica humanas universais, movimentando-nos nós no seu meio como no nosso próprio tempo. São estes aspectos do romance que marcam a individualidade da obra, bem como a sua universalidade.
Pierre Bézoukhov é um intelectual, que esteve na Europa e regressa à Rússia muito influenciado pelas ideias da Revolução Francesa. Filho bastardo de um aristocrata - o qual só o reconhece às portas da morte -, é um pacifista e maçon. Míope, desajeitado, ingénuo, indeciso, é uma figura terna, cheia de humanidade. Ele, que à partida nos é apresentado como um falhado, é o único a alcançar a felicidade, ao casar com a voluntariosa e terna Natasha.
Os dois personagens masculinos principais do livro, os dois heróis - o príncipe André Bolkonsky e o conde Pierre Bézoukhov -, são-nos normalmente apresentados como o alter ego do autor, o desdobramento (a dualidade) da sua personalidade, nas suas contradições. Não são as únicas personagens em que a dualidade está presente. E que dizer do título da obra?
Audrey Hepburn e Henry Fonda nos papéis de Natasha e Pierre.


Escritório de Tolstoi em Iasnaia Poliana, onde escreveu Guerra e Paz.


Rumyantsev Museum, em Moscovo (hoje Biblioteca Nacional Russa) onde Tolstoi trabalhava todas as manhãs, em 1866 e 1867 e onde se encontram os manuscritos de Guerra e Paz.
Foto ca 1890-1905.

«Tudo está bem quando acaba bem.»

http://fr.wikipedia.org/wiki/Guerre_et_Paix

Quem será o senhor (ou senhora) que se segue? Tancredo?

Frøya


Frøya (ou Freya ou Freia) é a guia das Valquírias ou a "deusa" mãe num dos ramos (Vanir) da mitologia nórdica. É a deusa da sensualidade, do amor e da magia. Tinha que estar ligada ao começo da Luz. É hoje, 27 de Dezembro, o seu dia.

Reflexões sobre um possível diálogo

Num banco de jardim, junto à torre sineira de Santa Maria do Olival, recordei-me de dois apontamentos:

As ideias perturbam o equilíbrio da vida (13/04/48)
Susan Sontag*
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Viver não é parar: é continuamente renascer. (12 de Janeiro de 1930)
Florbela Espanca**
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Paisagem da Torre sineira da igreja de Santa Maria do Olival, Tomar
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A energia deste local é muito edificante. Deixo as duas afirmações e as fotografias com os votos para que o próximo ano, apesar do que se lê pelos media, se torne positivo.


*Susan Sontag, Renascer Diários e Apontamentos, 1947-1963, Lisboa: Quetzal, 2010, (trad. Nuno Guerreiro Josué) p.17.

**Florbela Espanca, dário do último ano, Lisboa: Bertrand Editora, 1998, (edição fac-similada com prefácio de Natália Correia), p. 35.


Noa, Avé Maria

domingo, 26 de dezembro de 2010

Boa noite!


Vou ver este documentário sobre a tournée de 1972.

Um pássaro e um cacho de uvas


Jesus, enquanto criança, teve os mesmos divertimentos e encantamentos que outra qualquer. E aqui temos uma linda representação de como se brincava. Um pássaro preso por um fio, no pé. Será um rouxinol? Julgo que sim, dado o seu simbolismo.



Quentin Metsys : A sagrada família (1509).
Painel central de um tríptico pintado para a confraria de Santa Ana, em Louvain.
Bruxelles, Musèes royaux des beaux-arts


(Vinheta no dia 26 de Dezembro de 2010)

Livros de Natal - III e IV

Por este lado o Pai Natal realmente andou por uma boa, muito boa, livraria de Arte. E veio a Bíblia toda (antigo e novo Testamento) em quadros, nesta maravilhosa edição da colecção "Guide des Arts" da Hazan: Repères Icononographiques / L'Ancien Testament / Le Nouveau Testament.

E foi lá que encontrei esta rara representação de "A Adoração dos Pastores". Rara porque se passa durante o dia.

Giorgione: Adoração dos Pastores
Washington, National Gallery

Discos de Natal - II

Existe um ditado que diz: "quem não tem filhos, tem netos" (não é bem assim, mas para este caso gosto mais desta maneira) e os "bisnetinhos" enviaram ao Tio este maravilhoso disco:



Boas-festas C.A.

O nosso leitor e comentador c.a. de a casa improvável enviou este video de boas-festas. Aqui fica para todos:



Obrigado! Boas-festas também

Dezembro de 1969


The Cactus Flower (A flor de cacto) estreou-se nos Estados Unidos a 16 de Dezembro de 1969. Infelizmente desaparecido dos écrans televisivos portugueses, continua a integrar a programação natalícia de muitas estações estrangeiras. Por um mero (e feliz) acaso, tive a oportunidade de rever esta película brilhante ontem ao final do dia.

Julian Winston (Walter Matthau), dentista nova-iorquino bem sucedido, desmarca um encontro previsto com a sua amante de 21 anos, Toni Simmons (Goldie Hawn), que decide por isso suicidar-se. A tentativa falha, quando Igor Sullivan (Rick Lenz), vizinho e escritor promissor, salva Toni a tempo. Apesar da sua condição de solteiro, Winston fingiu ser casado e pai de três filhos, para evitar um compromisso duradouro. Impressionado pelo acto de Toni, considera então casar-se com ela. Todavia, a jovem amante, “perseguida” de remorsos, insiste em conhecer a esposa (não-existente) de Winston que recorre então à ajuda da sua secretária, Stephanie Dickinson (Ingrid Bergman). Stephanie que, há dez anos, alimenta uma paixão pelo chefe não correspondida, desempenha o papel de esposa de forma tão convincente que Toni repondera a sua relação com Julian Winston que, por sua vez, descobre em Stephanie não só a ajudante profissional perfeita, como também a mulher ideal para a vida.


Esta comédia engraçadíssima sob a realização de Gene Saks, baseada no livro “Fleur de cactus” de Pierre Barillet e Jean-Pierre Grédy, adaptada posteriormente para a Broadway com a participação de Lauren Bacall, narra as peripécias de um solteirão que finalmente se move a dar o nó. Sobretudo, o triunvirato composto por Matthau/Bergman/Hawn é isuperável no seu charme, humor e nas suas fragilidades humanas a que o espectador difícil ou impossivelmente resiste. A frescura de Goldie Hawn valeu o Óscar para melhor actriz secundária e um Golden Globe. Walter Matthau, como dentista no limite das suas capacidades amorosas, e Ingrid Bergman a representar uma Stephanie amargurada, compõem uma dupla imbativelmente deliciosa.

A interpretação grandiosa, bem como um argumento inteligente, recheado de diálogos com piada e subtileza, tornam The Cactus Flower num autêntico evergreen do género cómico. Da banda sonora, criada por Quincy Jones, segue o tema principal The Time for Love is Anytime na interpretação de Sarah Vaughn.
Enjoy!


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