Prosimetron

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terça-feira, 15 de julho de 2008

O ESTADO DO MUNDO E O DA NAÇÃO


" (...) Israel prepara um ataque preventivo ao Irão, com o indispensável apoio do « Presidente de guerra » - o que lançará um incêndio em toda a região e far-nos-á ter saudades dos actuais preços do crude; o mesmo « Presidente de guerra » prossegue o seu plano insano de cercar a Rússia de bases da Nato e agora de escudos antimíssil, que representam uma derrogação séria do princípio da dissuassão nuclear mútua e só pode provocar uma resposta de ameaça equivalente por parte de Moscovo; entretanto, jamais conseguiu deitar a mão a Bin Laden, « vivo ou morto », e tem a Nato atolada numa guerra sem solução militar à vista no Afeganistão, por falta de meios no terreno e de uma agenda política clara, que nem sequer conseguiu garantir a cooperação séria do Paquistão; no Iraque é o que se sabe e nem ao menos o dossiê nuclear com a Coreia do Norte está encerrado.
Os colossos da Ásia, com a Índia e a China à cabeça, desenvolvem-se a um ritmo alucinante e em contra-corrente, num crescimento insustentável, em termos de energia, de ambiente, de recursos do planeta. Todos os dias, umas centenas ou milhares de hectares da floresta amazónica são transformados em campos de soja para alimentar os chineses e centenas de hectares de terra fértil na África são transformados em monoculturas para a produção de biocombustíveis. (...) "
- Miguel Sousa Tavares, EXPRESSO , 12 de Julho de 2008

Tristes números

1- Mais de um terço dos nossos jovens ( 36% ) entre os 18 e os 24 anos deixaram a escola antes do ensino secundário em 2007 ( 32% só concluíram a primária ). A média da União Europeia é de 14,8%.

2- Pouco mais de metade ( 53,4% ) da população portuguesa dos 20 aos 24 anos concluiu o ensino secundário. A média da União Europeia é de 78,1%.

3- A nódoa negra europeia está na iliteracia. Um quarto dos jovens não sabe ler ou interpretar o que lê. Em Portugal eram 24,9%, na União Europeia 24,1%.

4- A iliteracia aumentou 10% entre 2000 e 2006.


São números do EXPRESSO do passado sábado. E nesta era de internet e novas tecnologias, dá que pensar a questão da iliteracia. No dealbar do século XXI temos milhares e milhares de analfabetos funcionais por esta Europa fora.

TAORMINA ARTE

Existirão provavelmente poucos cenários tão belos como o Teatro Antico (Greco) de Taormina (Sicília) onde está a decorrer o festival Taormina Arte. Precisamente neste ex-libris da antiguidade romana (e não grega, conforme o nome sugere), terá lugar a maioria dos espectáculos. Os melhores, na minha humilde opinião, começam a partir de 17 de Julho, entre eles, a representação de Hamlet e de António e Cleópatra.

O mês de Agosto dedica-se em pleno à música clássica. De destacar Tosca a 8 de Agosto, em que Martina Serafin (Tosca) e Marcello Giordani (Cavaradossi), juntamente com a Orchestra Teatro Vittorio Emanuele Messina sob a direcção de Eugene Kohn darão, seguramente, um contributo bem sucedido às comemorações do 150º aniversário do nascimento de Puccini que este ano celebramos (não esquecer a data de 22 de Dezembro!).

O festival caminhará para o seu auge a partir de 19 de Agosto: a integral das sinfonias de Beethoven será interpretada ao longo de cinco serões. A Orchestra Symphonica Toscanini será dirigida por Lorin Maazel.

Olhos azuis?

Los ojos por que suspiras,
sábelo bien,
los ojos en que te miras
son ojos porque te ven.


Antonio Machado

Glenn Miller [Orchestra]

O que se pode fazer quando se ama. Pennsylvania 6-5000 era o número de telefone de casa de Glenn Miller. A mulher não o pode acompanhar na viagem. E tantas vezes ele pediu às famosas telefonistas que fizessem a ligação que transformou o pedido em música.
Na falta de um video original, uma "reconstrução" de 1983, sob a direcção de Larry O'Brien

YouTube: glennmillerorchestra

BIG BANG ERA - Anos 50

Se não tiver programa para amanhã pode ser uma proposta.

16 JULHO, 23h30

Esplanada do Teatro D. Maria II (Lisboa)

Constituída, na sua formação, por dezanove músicos, a Big Band Era apresenta um repertório dedicado exclusivamente aos clássicos interpretados pelas grandes orquestras de Jazz dos anos 50. Revisitam-se temas inesquecíveis de Glenn Miller, Duke Ellington, Frank Sinatra ou Ella Fitzgerald e tenta-se recriar o ambiente das festas dos anos 50.

direcção EDUARDO LÁLA

voz JOANA RIOS / IAN MUCZNIK

sax. alto JOÃO PEDRO SILVA / GONÇALO PRAZERES

sax. tenor VÍTOR MANUEL / PAULO GASPAR

sax barítono HUGO GAITO

trompetes RUI CHEINHO / GONÇALO MARQUES / CARLOS SILVA / JOAHNNES KRIEGER

trombones LARS ARENS / JORGE SIMÕES / LUÍS CASTELHANO / MÁRIO VICENTE

piano RUI CAETANO

contrabaixo HUGO ANTUNES

bateria RUI ALVES

Iris Murdoch


Dame Iris Murdoch nasceu a 15 de Julho de 1919 em Dublin, na Irlanda. Romancista e filósofa, escreveu em torno a dilemas de religião, ética e sexualidade, abordando os problemas de múltiplos angulos entre a tentação, a traição e o estoiscimo, o Bem contra o Mal, o humor negro nas decisões, não escolhendo claramente nenhuma posição. Entre 1994 e 1996, foi uma das minhas autoras de eleição, tendo as minhas preferências oscilado entre o "The Sea, the Sea", que ganhou o Booker Prize, "The Green Knight", "The Book and the Brotherhood" ou o "Under the Net" (o seu primeiro romance, considerado um dos melhores livros do século pela American Modern Library).

Faleceu em Fevereiro de 1999, depois de uma longa luta contra a doença de Alzheimer. A sua biografia está narrada no filme de 2001 "Iris", sendo interpretada por Judi Dench e Kate Winslet, ambas nomeadas para o Óscar de Melhor Actriz.

Audeguy - 3

- Hesíodo e a Musa, Gustave Moreau, 1891, Musée d' Orsay,Paris

Poésie

N' importe quel individu qui, chaque jour de sa vie, consacrerait ne serait-ce que vingt minutes à lire de la poésie, c'est-à-dire à la pratiquer, s'en trouverait profondément changé, et libéré. D' où l' intérêt de notre société à détourner qui que ce soit de cette activité.

- Stephane Audeguy, Petit éloge de la douceur , Gallimard, 2007

Bom dia !

IV

Creio nos anjos que andam pelo mundo,
Creio na Deusa com olhos de diamantes,
Creio em amores lunares com piano ao fundo,
Creio nas lendas, nas fadas, nos atlantes,

Creio num engenho que falta mais fecundo,
De harmonizar as partes dissonantes,
Creio que tudo é eterno num segundo,
Creio num céu futuro que houve dantes,

Creio nos deuses de um astral mais puro,
Na flor humilde que se encosta ao muro,
Creio na carne que enfeitiça o além,

Creio no incrível, nas coisas assombrosas,
Na ocupação do mundo pelas rosas,
Creio que o Amor tem asas de ouro. Ámen.

- Natália Correia, Ó VÉSPERA DO PRODÍGIO !, in Antologia Poética, org. Fernando Pinto do Amaral, D.Quixote, 1ª edição, 2002.

Luchino Visconti: Ludwig


YouTube: gazzella59
Musica: Richard Wagner, Die Walküre [A Valquíria], III acto, Walkürenritt [Cavalgada das Valquírias].

Um filme a rever ou a ver

Hoje, dia 15 de Julho
21:30 Sala Dr. Félix Ribeiro (Lisboa, Cinemateca Nacional)
Ciclo 'Vestir as Estrelas'

LUDWIG [Luís da Baviera]
De Luchino Visconti
Itália/França/RFA, 1972 - 235 min.
legendado em português (electronicamente)

segunda-feira, 14 de julho de 2008

As time goes by: ...you must remember this, a kiss...

Para ti onde quer que estejas

Casablanca, 1942
[D. Wilson (Sam), I. Bergman (Ilsa lund Laszio), H. Bogart (Richard Blane), P. Henreio (Victor Laszio), C. Rains (cap. Louis Renault); dirigidos por Michael Curtiz; Warner Bros.]

Carlos Drummond de Andrade: Quadrilha

M. enviou-me o seguinte e-mail, que partilho com todos.

De Carlos Drummond de Andrade, o poeta que respondeu quando lhe perguntaram se gostava de poesia: «Gosto de gente, bichos, plantas, lugares, chocolate, vinho, papos amenos, amizade, amor. Acho que a poesia está contida nisso tudo.»

Quadrilha
João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi pra os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.


Carlos Drumond de Andrade

(De Alguma poesia)

The Old Titans All Collapsed. Is the U.S. Next? - O eventual colapso do Império Americano

Já tem uns meses, mas é bastante actual este artigo publicado no Washington Post :



http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2008/05/16/AR2008051603461.html

Schnitzler - sobre o homem e o mundo


" O homem é feito de tal modo que procura sempre encontrar na infelicidade que atinge o outro o maior número possível de defeitos pessoais e ver apenas fatalidade no que o atinge a si. "

" Está mal feito este mundo, onde até os maiores artistas só dispõem de todo o seu génio por momentos, mas onde até os mais insignificantes canalhas se encontram, sem descontinuidade, em plena posse do seu carácter. "

" A humanidade tem a orelha feita de tal modo que continua a dormir quando o ruído eclode, e só desperta com o eco. "

" Algumas pessoas vivem como se esvazia uma taça de champanhe; outras como se come a sopa- uma colher após outra, indiferentes; mas muitas têm de procurar o seu pouco de vida como se fossem gotas de água sobre a terra suja: sempre curvadas, sempre sedentas."

- Arthur Schnitzler, RELAÇÕES E SOLIDÃO , trad.port. Manuel Alberto, Relógio D'Água Editores, 1996.

Audeguy - 2

Nuages

Les nuages sont impensables. Incommensurables. On peut raisonnablement estimer qu'il ne s'en pas trouvé deux pour être identiques depuis la formation de l' atmosphère terrestre. En ce sens, ils sont une parfaite image du monde.

- Stéphane Audeguy, Petit éloge de la douceur, Gallimard, 2007, 89.

Um quadro americano

- John Singleton Copley, Boy with a Squirrel , 1765
Museum of Fine Arts, Boston .
Este é o retrato de Henry Pelham, meio irmão do pintor John Singleton Copley( Boston, 1738- Londres, 1815) , aos 16 anos de idade. Este belo retrato foi enviado pelo seu autor para Londres, onde foi mostrado na Exposição de 1766 da Society of Artists , tendo merecido os elogios de Sir Joshua Reynolds, o maior retratista britânico da época e futuro primeiro presidente da Royal Academy. John Singleton Copley é considerado o primeiro grande pintor nascido nos Estados Unidos.

Dois poemas da Tecla

CONTRA

Yo me rebelo
contra la escasez de alondras,
contra la orfandad de los nogales,
contra el suicidio de los líquenes.

Yo me confieso
contra el silencio de las riveras,
contra el grito de los cipreses,
contra la quietud de los neblíes.

Yo me declaro
contra la siesta de los manantiales,
contra el apetito de los buitres,
contra el descanso de las cardenchas.

Yo me pronuncio
contra la llegada de los sollozos,
contra la desasistencia de los júbilos,
contra la mordedura de los alacranes.

Yo me manifiesto
contra la pérdida de los capiteles,
contra los campanarios sin latido,
contra la ignorancia de otros días.

Y protesto
contra los rituales sin asombro,
contra las vidrieras apedreadas,
contra los mundos sin Historia

- CABE MÍ , Ediciones Libertarias, 1998



LA PERLA PEREGRINA EN LOS RETRATOS DE FELIPE III Y MARGARITA DE AUSTRIA A CABALLO
Los siglos reverencian, no consumen- F. de Quevedo

La perla,
peregrina con Vuestra bondad,
con vuestras dádivas,
validos, festejos e monterías,
cortesana ostentatión
que fue monástica,
y suntuosa,
a vuestro paso.

Corceles os llevan por los siglos
y os dibujan en el atardecer
entronizados en sua gualdrapa.
Y la perla se vuelve,
en vuestro tiempo,
peregrina,
penitente de la Historia
en su tarde, ya ocaso,
para siempre.

-Fueron los pinceles , Ediciones Torremozas, 1993

14 de Julho : Parabéns Tecla !

Hoje faz anos a minha amiga Tecla- María Tecla Portela Carreiro. Licenciada em Ciencias de la Información pela Universidade Complutense de Madrid, a Tecla é uma mulher de letras : jornalista, professora, tradutora, ensaísta e poetisa. É talvez a pessoa mais "ibérica" ( que não iberista) que conheço- espanhola até à medula ( embora de cepa galega ) , mas simultaneamente profunda conhecedora e amiga de Portugal e dos portugueses, além de cultora da língua de Camões, tendo traduzido poetas e prosadores para a língua de Cervantes.
Além de todos estes méritos, a Tecla é uma amiga dedicada e uma grande anfitriã, pois recebe como ninguém na sua bela casa de Madrid. É uma honra ser amigo da Tecla.
Nesta foto vemos a Tecla quando foi condecorada pela primeira vez pelo Estado Brasileiro.
Para mim, o 14 de Julho é o dia da Tecla.

Porque hoje é dia 14 de Julho...


La Marseillaise

Allons enfants de la Patrie,
Le jour de gloire est arrivé!
Contre nous de la tyrannie,
L'étendard sanglant est levé, (bis)
Entendez-vous dans nos campagnes
Mugir ces féroces soldats?
Ils viennent jusque dans vos bras,
Égorger vos fils, vos compagnes!

Refrão:
Aux armes, citoyens,
Formez vos bataillons,
Marchons, marchons!
Qu'un sang impur
Abreuve nos sillons!

Que veut cette horde d'esclaves,
De traîtres, de rois conjurés?
Pour qui ces ignobles entraves,
Ces fers dès longtemps préparés? (bis)
Français, pour nous, ah! quel outrage
Quels transports il doit exciter!
C'est nous qu'on ose méditer
De rendre à l'antique esclavage!

Refrão

Quoi ! des cohortes étrangères,
Feraient la loi dans nos foyers!
Quoi ! ces phalanges mercenaires
Terrasseraient nos fiers guerriers ! (bis)
Grand Dieu ! par des mains enchaînées
Nos fronts sous le joug se ploieraient
De vils despotes deviendraient
Les maîtres de nos destinées!

Refrão

Tremblez, tyrans et vous perfides
L'opprobre de tous les partis,
Tremblez ! vos projets parricides
Vont enfin recevoir leurs prix ! (bis)
Tout est soldat pour vous combattre,
S'ils tombent, nos jeunes héros,
La terre en produit de nouveaux,
Contre vous tout prêts à se battre!

Refrão

Français, en guerriers magnanimes,
Portez ou retenez vos coups!
Épargnez ces tristes victimes,
À regret s'armant contre nous. (bis)
Mais ces despotes sanguinaires,
Mais ces complices de Bouillé
Tous ces tigres qui, sans pitié,
Déchirent le sein de leur mère!

Refrão

Amour sacré de la Patrie
Conduis, soutiens nos bras vengeurs
Liberté, Liberté chérie,
Combats avec tes défenseurs! (bis)
Sous nos drapeaux, que la victoire
Accoure à tes mâles accents,
Que tes ennemis expirants
Voient ton triomphe et notre gloire!

Refrão

Couplet des enfants
Nous entrerons dans la carrière
Quand nos aînés n'y seront plus
Nous y trouverons leur poussière
Et la trace de leurs vertus (bis)
Bien moins jaloux de leur survivre
Que de partager leur cercueil
Nous aurons le sublime orgueil
De les venger ou de les suivre!

Refrão

(Estrofe suprimida por Servan, Ministro da Guerra em 1792)
Dieu de clémence et de justice
Vois nos tyrans, juge nos cœurs
Que ta bonté nous soit propice
Défends-nous de ces oppresseurs (bis)
Tu règnes au ciel et sur terre
Et devant Toi, tout doit fléchir
De ton bras, viens nous soutenir
Toi, grand Dieu, maître du tonnerre.

Refrão

Estrofes suplementares:

Peuple français, connais ta gloire;
Couronné par l'Égalité,
Quel triomphe, quelle victoire,
D'avoir conquis la Liberté! (bis)
Le Dieu qui lance le tonnerre
Et qui commande aux éléments,
Pour exterminer les tyrans,
Se sert de ton bras sur la terre.

Refrão
Nous avons de la tyrannie

Refrão

Repoussé les derniers efforts;
De nos climats, elle est bannie;
Chez les Français les rois sont morts. (bis)
Vive à jamais la République!
Anathème à la royauté!
Que ce refrain, partout porté,
Brave des rois la politique.

Refrão

La France que l'Europe admire
A reconquis la Liberté
Et chaque citoyen respire
Sous les lois de l'Égalité; (bis)
Un jour son image chérie
S'étendra sur tout l'univers.
Peuples, vous briserez vos fers
Et vous aurez une Patrie!

Refrão

Foulant aux pieds les droits de l'Homme,
Les soldatesques légions
Des premiers habitants de Rome
Asservirent les nations. (bis)
Un projet plus grand et plus sage
Nous engage dans les combats
Et le Français n'arme son bras
Que pour détruire l'esclavage.

Refrão

Oui ! déjà d'insolents despotes
Et la bande des émigrés
Faisant la guerre aux Sans-Culottes
Par nos armes sont altérés; (bis)
Vainement leur espoir se fonde
Sur le fanatisme irrité,
Le signe de la Liberté
Fera bientôt le tour du monde.

Refrão

O vous ! que la gloire environne,
Citoyens, illustres guerriers,
Craignez, dans les champs de Bellone,
Craignez de flétrir vos lauriers! (bis)
Aux noirs soupçons inaccessibles
Envers vos chefs, vos généraux,
Ne quittez jamais vos drapeaux,

Et vous resterez invincibles.

Refrão

Enfants, que l'Honneur, la Patrie
Fassent l'objet de tous nos vœux!
Ayons toujours l'âme nourrie
Des feux qu'ils inspirent tous deux. (bis)
Soyons unis ! Tout est possible;
Nos vils ennemis tomberont,
Alors les Français cesseront
De chanter ce refrain terrible:
Refrão


Claude Joseph Rouget de Lisle
1792

domingo, 13 de julho de 2008

começou com os cães

Porque não faço plágio remeto para:
http://abrupto.blogspot.com/2008/07/coisas-da-sbado-comeou-com-os-ces.html

Saúde para a família



Existe na www uma obra que pode ajudar a resolver alguns problemas do dia a dia... Chama-se "Saúde para a Família" e é um manual da Merck. Agora, já acessível em português (de Portugal) e gratuitamente (Manual Merck de Saúde) no site: http://www.manualmerck.net/

Elegias em Mitilene - 2

À NAU

Belo navio que aqui me conduziste, bordejando a
Jónia, às ondas brilhantes eu te abandono e de pé ligeiro
para a praia salto.

Tu vais voltar a esse país onde a virgem é a amiga
das ninfas. Que não te esqueça agradeceres as invisíveis
conselheiras, e como oferenda leva-lhes estes ramos que
minhas mãos colheram.

Pinheiro foste, e sobre as montanhas o vasto Notos
inflamado teus ramos espinhosos agitava, teus esquilos
e pássaros sacudia.

Guie-te agora o Bóreas, brandamente te impelindo
para o porto, negra nave que delfins ao sabor do mar
benevolente escoltam.

- Pierre Louys, AS CANÇÕES DE BILITIS , trad.port. Júlio Henriques, Fora do Texto, 1990

La Divina in cucina


Infelizmente ainda não me foi possivel ver a exposição dedicada a Callas, no Museu da Electricidade/Central Tejo, em Belém (Lisboa).
Diz quem viu que vale a pena!
[Já agora, a entrada é livre e está aberta todos os dias das 10h às 18h (aos Sábados só fecha às 20h)].
Mas hoje vou jantar com a Divina. O presente de Natal (que chegou algum tempo depois) de M. foi o livro La Divina in cucina : Il ricettario segreto di Maria Callas, Trenta Editora. Sei que hoje ela vai fazer uma das receitas....



Ainda Edward Hopper

Quando postei há tempos sobre Hopper, estranhamente esqueci-me deste quadro, um dos mais conhecidos aliás, e um dos primeiros que tinha escolhido para ilustrar a melancolia urbana, a solidão das grandes cidades que é um dos temas da pintura de Hopper.
Chama-se Nighthawks, e pode ser traduzido muito livremente, perdoem-me os puristas, por "pássaros nocturnos"- neste caso os frequentadores de uma instituição muito norte-americana, os diners abertos toda a noite em qualquer grande cidade.

Crónicas de Clarice - 4

OS PERFUMES DA TERRA ( 7 de Setembro de 1968 )

Já falei do perfume do jasmim ? Já falei do cheiro do mar. A terra é perfumada. E eu me perfumo para intensificar o que sou. Por isso não posso usar perfumes que me contrariem. Perfumar-se é uma sabedoria instintiva. E como toda arte, exige algum conhecimento de si própria. Uso um perfume cujo nome não digo : é meu, sou eu. Duas amigas já me perguntaram o nome, eu disse, elas compraram. E deram-me de volta: simplesmente não eram elas. Não digo o nome também por segredo : é bom perfumar-se em segredo.

- Clarice Lispector, A DESCOBERTA DO MUNDO , Nova Fronteira, 1984

Audeguy - 1

- Retrato de Jean de La Bruyère

Aphorismes

Chez les plus grands maîtres ( La Bruyère, Nietzsche) , l'aphorisme procède d' une politesse, d' une bienveillance : il suppose que le lecteur soit capable de penser ( et se réjouit, du même coup, qu'il puisse penser autrement que l'auteur) . Non par modestie : le recueil d'aphorismes requiert une capacité de composition inouie, qui fait du genre une forme à la fois brève et infinie.

- Stéphane Audeguy, Petit éloge de la douceur , Gallimard, 2007, 17.

SWING KIDS


O grupo de oficiais à volta de Claus Schenk Conde de Stauffenberg, os irmãos Scholl com o seu movimento Weisse Rose ou o sacerdote Maximilian Kolbe ficaram na memória da História: a coragem e a determinação de se opor ao regime de Hitler custaram a vida a estes heróis que provaram às gerações seguintes que existia resistência contra a ditadura do Terceiro Reich.
Muitos foram também os alemães que, de forma não organizada e anónima, combateram a maquinaria totalitária. Quase desconhecido continua o fenómeno dos Swing Kids.

Dançar ao ritmo de Benny Goodman, Count Basie, Lionel Hampton ou das Andrew Sisters na Alemanha da década de 30 era naturalmente proíbido. A cultura e a música americanas eram classificadas como “entartet”, ou seja, como géneros artísticos “degenerados”.
No entanto, o fascínio pelo jazz e swing americanos até na Alemanha marcou presença: a partir de 1935, jovens alemães, provenientes de camadas sociais privilegiadas, começaram a encontrar-se às escondidas para ouvir e dançar ao gosto da sua música preferida. Hamburgo terá sido a cidade com maior concentração dos Swing Kids. Os jovens detestavam o movimento da mocidade hitleriana (Hitlerjugend), destacavam-se por um guarda-roupa e corte de cabelo fora do habitual e conviviam em pontos de encontro secretos, longe da multidão e da propaganda do regime. Swing Heil! era a saudação utilizada. Sem motivação política, inconscientemente passaram a constituir um movimento de resistência.

Tal como outros movimentos, os Swing Kids foram denunciados à Gestapo que rapidamente se encarregou de dissolver os encontros. Muitos dos jovens foram deportados para campos de concentração.

Os Swing Kids merecem, sem dúvida alguma, a mesma projecção e notoriedade de outras vítimas do regime. À excepção de alguma literatura existente e de um filme de 1993, realizado por Thomas Carter (ver imagem), que evocou este movimento, os jovens permanecem em esquecimento. Infelizmente.

Lisboa, "Western Europe’s fastest-rising cultural center"


O New York Times de hoje, 13 de Julho, e a Monocle de Julho/Agosto fazem manchetes similares: Lisboa está a ganhar um protagonismo ímpar na dimensão cultural.

Referenciando ou descrevendo exemplos no campo das artes, da música electrónica, do teatro, da dança, de conferências de filosofia, de documentários, do colecção Berardo, da moda, do jazz, o artigo do NYT celebra "Western Europe’s fastest-rising cultural center". A análise prospectiva também é promissora: a abertura futura do MuDe, os projectos arquitectónicos de Norman Foster e Jean Nouvel (será desta que Lisboa ganha um skyline?), as edições da Moda Lisboa, o ExperimentaDesign. Fiquei curioso com algumas das referências (Storytailors?), hei-de investigar. Outras referências foram mais "tiro na água", o que nos deixa algumas pérolas para locais.

Em simultâneo, a indefinível e incontornável Monocle apresenta este mês a sua selecção 2008 das 20 melhores cidades para viver; este ano (o segundo), apresenta as cinco seguintes: Lisboa ocupa a 24ª posição, sendo destacada como "Iberian cultural hub", o que é muito impressionante se tivermos em conta os Paseo de Recoletos e del Prado... Merecem destaque a chegada a Lisboa pela velha ponte sobre o Tejo, a calçada portuguesa, a cultura do café e a modéstia dos habitantes, a par dos projectos arquitectónicos de Santos e dos museus dedicados às artes asiáticas. Razões para não estar no top 20 das cidades mais "vivíveis"? A educação, o sistema de saúde e as limitações da rede de metro. O artigo online está reservado a assinantes em http://www.monocle.com/, mas até em Sydney e Melbourne que são geograficamente longe de tudo se consegue encontrar o latest issue - airfreight.
Excelente!

Junqueiro: Quantos...

Quantos astros tem o céu?

Quantas ondas tem o mar?

Quantos mares no meu peito!...

Quantos céus no teu olhar!


Guerra Junqueiro

(In: Guerra Junqueiro,Obras, Porto: Lello & Irmão, 1974, p. 810)

Mascagni: Intermezzo (cavalleria rusticana)

Quando eu morrer quero que escutem este Intermezzo, composto por Pietro Mascagni, para a ópera Cavalleria rusticana

From: © Cltn55, YouTube

Festival Música Portuguesa, Hoje

Vádios: Camané+Sasseti+Laginha

Está a decorrer no CCB (Lisboa, Belém), desde o dia 11, acabando hoje, o Festival denominado Música Portuguesa, Hoje. Felizmente cheguei a Lisboa a tempo de me deliciar, em conjunto com M., com três "Vádios" e um convidado, que dispensam de apresentação: Camané (voz); Bernardo Sasseti e Mário Laginha (piano); Carlos Bica (contrabaixo). O espectáculo foi criado especificamente para este festival. Bernardo Sasseti e Mário Laginha vibravam ao conseguir tirar o som específico apropriado a cada um dos fados. Na verdade por vezes pareciam que malhavam uma guitarra nas teclas dos pianos. O fado renasce com novos sons.

sábado, 12 de julho de 2008

MUITO BARULHO POR NADA


Sigh no more, ladies, sigh no more,
men were deceivers ever,
one foot in sea and one on shore,
to one thing constant never,
then sigh not so, but let them go,
and be you blithe and bonny,
converting all your sounds of woe
into Hey nonny, nonny.

William Shakespeare, Much ado about nothing


Foto do belíssimo filme Much ado about nothing de 1993, realizado por Kenneth Branagh; com Kenneth Branagh, Emma Thompson, Denzel Washington, Keanu Reeves, Robert Sean Leonard, Kate Beckinsale, Richard Briers e Michael Keaton, entre outros;
Um dos mais belos filmes de toda a história do cinema (a meu ver); teve pouca projecção em Portugal - muito lamentavelmente!

DECAPITAR HITLER


A inauguração da dependência do Madame Tussaud londrino em Berlim, no passado dia 5 de Julho, foi noticiada em todo o mundo com a devida atenção. A capital alemã que já dispunha de uma rica e diversificada oferta de museus, passa a ter mais uma atracção na belíssima avenida Unter den Linden, a pouca distância do Reichstag e da Porta de Brandenburgo.
Do conhecimento geral será também o incidente registado no dia de abertura. A decapitação da figura de Hitler por um ex-polícia de 41 anos que, segundo as últimas notícias, terá cometido este crime por vários motivos, entre eles a perda de uma aposta. A réplica do Führer que representa um investimento de 200.000 € foi destruída "com muita satisfacção", assim afirma Frank L., já que a figura do ex-chanceler Willy Brandt, exilado durante o regime nazi, se encontrava vis-à-vis da de Hitler e "assistiu", assim, em pleno à execução do seu inimigo.
Não se trata, portanto, de nenhuma novidade.

Interessante é a abordagem da imprensa alemã. A título de exemplo, refira-se um comentário do jornalista Peter Kümmel na edição do Die Zeit de 10 de Julho. Título do artigo: "Decapitar Hitler - o longo caminho da resistência alemã ainda não acabou". Aqui uma breve síntese:

A resistência contra Hitler está no bom caminho. Muitos alemães aderiram já na década de 50. Ainda no ano passado, o realizador Florian Henckel von Donnersmarck, premiado em 2007 com o óscar para melhor filme estrangeiro com a película "As vidas dos outros", anunciara ao povo alemão que Tom Cruise representará o Conde von Stauffenberg e, com a aura do seu estrelato, contribuirá muito mais para a imagem da Alemanha do que a organização de dez campeonatos mundiais de futebol!

O ex-polícia Frank L. escreveu mais um capítulo na história da resistência o que equivale, no mínimo, aos oitavos-de-final de um campeonato. Escolheu o caminho certo de resisitir. Aliás, esta oportunidade deveria estar ao alcance de todos os alemães: a sós com o tirano, saudá-lo com Nie wieder Krieg (guerra nunca mais) e decapitá-lo de seguida.
Pois a essência da arte das figuras de cera, bem como de toda a investigação na história da humanidade, consiste na vitória simbólica dos pequenos sobre os grandes maus da fita: a própria Madame Tussaud iniciou a sua carreira com máscaras das vítimas da Revolução Francesa (Luís XVI, Marie Antoinette ou Danton), proporcionando aos franceses a sensação de ter sobrevivido àqueles que os tinham dominado.
Frank L. sentiu a mesma superioridade.

No entanto, o sentimento foi de pouca dura. O doente Hitler foi, por via aérea, enviado para a Inglaterra (!) com máxima urgência, como se de um importante paciente se tratasse. Está a ser recuperado nos estúdios do Madame Tussaud em Londres para rapidamente poder voltar a Berlim.

Os estrangeiros não suportam os alemães, pelo menos, sem Hitler, assim conclui Peter Kümmel.

A música em comunhão

http://br.youtube.com/watch?v=LX1fiE0U1qA

- Dedicado ao Tozé Simplício que ontem fez anos

Sugestão para hoje

Orquestra Metropolitana de Lisboa no Grande Auditório do C.C.B., pelas 19h, com o seguinte programa:

- Abertura A Rainha Louca, de Alexandre Delgado
- Variações em Oiro e Azul, de Fernando Lapa
- Música Praxitélica, de Eurico Carrapatoso
- Sinfonietta, de Fernando Lopes-Graça

Um grande pintor do século XX







Amedeo Modigliani, nasceu em Livorno, Itália, em 12 de Julho de 1884, de uma família da burguesia judaica. Pintor, dos mais importantes do século XX, e também escultor nos primeiros anos da sua vida, foi em Paris que se impôs, com o apoio de vários patronos e admiradores. Uma da suas primeiras exposições esteve aberta apenas um dia, pelo escândalo causado pelos seus nus femininos.Foi, sobretudo, um retratista. Como escultor a sua obra parece ter-se inspirado na escultura africana.

Morreu em 24 de Janeiro de 1920, pobre, de tuberculose, que contraíra na juventude. A sua amante, Jeanne Hébuterne, mãe da sua única filha, suicidou-se no dia seguinte, sendo o enterro de ambos acompanhado por uma multidão emocionada. Jaz no Pére Lachaise, em Paris.

Signo Caranguejo: Phil Jiménez - artista de BD


Phil Jiménez é uma das estrelas actuais da BD norte-americana; nascido a 12 de Julho de 1970, é provavelmente mais conhecido pelo seu trabalho em "Wonder Woman / Mulher Maravilha" (2000-2003), "Infinite Crisis" (2005-2006) e "New X-Men", com Grant Morrison. Está actualmente encarregue de "The Amazing Spider-Man", um dos títulos emblemáticos da Marvel.


Wonder Woman, DC Comics, arte de Phil Jiménez

Tempest, DC Comics, arte de Phil Jiménez

Grandes filmes (esquecidos?): 12 - Julius Caesar


Primeiro, uma nota não cinematográfica. Júlio César, líder militar, político e ditador vitalício de Roma, nasceu (possivelmente) a 12 de Julho de 100 A.C. e encontrou o seu destino final nos idos de Março (dia 15 de Março de 44 A.C.). Conquistou a Gália (menos uma pequena aldeia que resistiu ainda e sempre ao invasor) e atravessou o Rubicão; foi provavelmente o maior obreiro do Império Romano.

Em 1953, Joseph L. Mankiewicz adaptou a obra de Shakespeare, "Julius Caesar", peça que descreve os últimos dias de César. A MGM não se poupou a esforços: O elenco era um "who's who" de Hollywood: Marlon Brando interpretava Marco António; James Mason fazia o papel do "et tu, Brutus...?"; John Gielgud era Cássio; César era interpretado por Louis Calhern; Greer Garson era Calpúrnia; Deborah Kerr era Pontia; e Edmond O'Brien era Casca.

O filme, fiel à peça, narra o desenvolvimento da conspiração contra César, o seu assassinato no Senado e os dias subsequentes. O personagem central é Brutus, que debate furiosamente os ditames (e contradições) da lealdade e do dever para com a Pátria (que por sua vez são matizados em tons de cinzento). Os movimentos de manipulação evocam outras emoções, nomeadamente a ambição e a inveja, que são empregues para envenenar (ou acinzentar) o espírito dos próximos de César. No entanto, é Marco António que conquista o filme no seu discurso aos romanos, da escadaria do Senado. É um momento arrepiante.

"Julius Caesar" foi nomeado para cinco Óscares da Academia, incluindo Melhor Filme, Melhor Actor (Brando) e Melhor Música (de Miklós Rózsa, o compositor de "Spellbound"), tendo ganho Direcção Artística. Ganhou o BAFTA de Melhor Actor Britânico para Gielgud e de Melhor Actor Estrangeiro para Brando; James Mason ganhou o prémio para Melhor Actor do National Board of Review (que também concedeu o título de Melhor Filme).

sexta-feira, 11 de julho de 2008

O que estou a ler

"(...) O século XVIII viu assim nascer, por volta de 1750, o papel descartável para o asseio, os penicos começarem a ser esvaziados diariamente e, desde 1730, novos hábitos de vestir, especialmente como prática urbana e da classe média. Alivia-se o peso das roupas, usando tecidos como musseline e algodão, simplificam-se os modelos masculino e feminino, de modo que o corpo, livre para respirar, ficava saudável pela capacidade de dispersar os vapores nocivos.
Os banhos, após terem sido abandonados na Idade Média, voltaram à moda e depois deles, as novas fragrâncias, os perfumes, responsáveis por disfarçar o cheiro dos vapores nocivos.
Também os centros urbanos, uma vez que a cidade tem por modelo o corpo, começam a promover novas práticas de limpeza, drenando buracos e depressões alagadas, cheias de urina e fezes, para esgotos subterrâneos. (...) "

Breve história do corpo e de seus monstros , Ieda Tucherman, 2ªed, Vega, 2004, p.81
Muito interessante ver que o tomamos por garantido, básico, primário, no nosso quotidiano, é relativamente recente , tanto no que respeita à higiene pessoal como à higiene urbana...

Sobre os escritores e as academias

Como é sabido, a maior glória para um autor francófono é a eleição para a Academia Francesa, ser um dos 40 Imortais , pois é assim que são conhecidos os eleitos que ocupam tais famosos fauteuils .
Deparei-me recentemente com a carta de candidatura, formalidade obrigatória, escrita por Balzac quando este se propôs ocupar o fauteuil de Joseph Michaud :

Paris, le 5 novembre 1839

Monsieur le Secrétaire perpétuel,

J'ai l'honneur de vous prier de m'inscrire sur la liste de candidats à la place vacante actuellement à l' Académie française. Les titres que je me crois à briguer les suffrages de l'Académie sont : Le Médecin de campagne, Le Lys dans la vallée, Eugénie Grandet, La recherche de l'absolu, Le livre mystique et La peau de chagrin. Ces ouvrages ne sont que des fragments de l' histoire en action des moeurs françaises au XIX siécle, entreprise à laquelle je me suis voué depuis quinze années et qui veut encore bien du travail pour être achevée.
Dites à L'Académie, monsieur le Secrétaire, qu'à mes yeux mon principal titre est la patiente et le courage d' une vie entièrement consacrée aux lettres, et veuillez me faire l' honneur d' agréer les sentiments d' estime élevée avec lesquels je suis
votre très humble et très obéissant serviteur

Honoré de Balzac


A 20 de Fevereiro de 1840, a Academia elegeu Pierre Flourens para o dito lugar vago. Entretanto, Balzac tinha retirado a sua candidatura porque não queria concorrer contra Victor Hugo, que era também ele candidato.
Alguém conhece ou leu Pierre Flourens ? Eu não. Bem sei que hoje provavelmente também pouco já se lê Victor Hugo ou Balzac, mas a verdade é que foram gigantes durante o século XIX e parte do XX.
Infelizmente, não estamos perante um único grosseiro erro nos anais das academias, francesas ou outras, mas sim perante um dos muitos episódios do género.