Prosimetron

Prosimetron

terça-feira, 29 de julho de 2008

Pensamento do dia


"When I believe in something, I fight like hell for it."

Steve McQueen
(na imagem com Natalie Wood)

Mestres cantores do século XX: Rita Streich

Rita Streich, o “Rouxinol de Viena”, foi uma das maiores intérpretes de Mozart e Strauss do século passado. A naturalidade e o timbre fascinantes da sua voz (soprano coloratura), acompanhada de um domínio técnico ímpar, colocaram Streich no estrelato dos grandes nomes do canto lírico.

Rita Streich nasce a 18 de Dezembro de 1920 em Barnaul (Nowosibirsk/Rússia). Após a Segunda Guerra Mundial, muda-se com os seus pais para a Alemanha (Essen e, posteriormente, Jena). Rita cresce num ambiente bilingue, seu pai é alemão, sua mãe russa. A habilidade linguística adquirida seria de enorme utilidade para a sua carreira. Streich viria a interpretar obras de Rimski-Korsakow e de outros compositores russos sem qualquer dificuldade.

Estuda canto em Augsburg e Berlim, com artistas importantes da época, entre eles, Paula Klötzer, Willi Domgraf-Fassbaender e Erna Berger que descobre e promove o talento de Rita. Em 1946, é convidada a integrar a companhia residente da Deutsche Staatsoper de Berlim. Estreia-se como Pajem no Rigoletto de Verdi. Nas temporadas seguintes, interpreta vários papéis, tais como a Olympia nos Contos de Hoffmann de Offenbach ou a criada Blonde no Rapto do Serralho de Mozart.

Rapidamente, torna-se conhecida do público e críticos. Surgem os primeiros convites para produções em Bayreuth (1952), Viena (1953) e Salzburgo (1954). Seguem-se interpretações em Roma, no Scala de Milão, Covent Garden e Chicago. Actua nos principais festivais de ópera, entre eles, nos de Glyndebourne e de Aix-en-Provence.

O seu percurso durante os anos 50 é notável: a soubrette cómica e, por vezes, insolente transforma-se num soprano de coloratura multifacetado e tecnicamente seguro. Streich domina um repertório vasto de obras de Mozart (Idomeneo, Così fan tutte, O Rapto do Serralho, a Flauta Mágica/Rainha da noite, as Bodas de Fígaro, Don Giovanni), Richard Strauss (O Cavaleiro da Rosa) ou Weber (Der Freischütz).
A opereta clássica sem Rita Streich – impensável! Refira-se as actuações como Adele no Morcego de Johann Strauss, ou os registos de televisão nos anos 60 no Zigeunerbaron (J. Strauss) ou Der Bettelstudent (Karl Millöcker).

A partir de 1974, ensina canto na Escola Superior Folkwang de Essen e dá aulas de Masterclass em Salzburgo. Entre 1983 e 1987, é directora do Centre du Perfectionnement d'Art Lyrique em Nice.

Rita Streich morre a 20 de Março de 1987 em Viena, vítima de um tumor cerebral.

"A catedral do ser"

[...]

É chegada a hora de construíres a catedral do ser
[...]

Vigília força vigor no abrigo do ser
são sabedoria justiça e humildade
nada deves ousar nada deves temer
até que em ti se refaça a eterna unidade


José Manuel dos Santos, O livro dos registos © 1995

Inscrição

Eu vi a luz em um país perdido.
A minha alma é lângida e inerme.
Oh! Quem pudesse deslizar sem ruído!
No chão sumir-se, como faz um verme...


Camilo Pessanha, in Clepsidra, ©1920

Acasos de atraso de avião: um novo amigo

Hoje tive um atraso de quase duas horas num vôo, suficiente para me deixar particularmente irascível, até começar a ler a notável obra de Frederico Lourenço, "Poesia grega de Álcman a Teócrito". Fui de grata descoberta em grata descoberta e houve um autor, para mim desconhecido, que me cativou particularmente: Teógnis (século VI a.C.).

Não ames com palavras, tendo noutro lado mente e coração,
se me amas e se fiel é a tua intenção,
Ama-me com mente pura, ou então rejeita-me
e odeia-me e opta pelo conflito aberto.
Obrigado aos meus pais pelo presente!

Obsessão matutina

Não sei porquê, mas desde manhã cedinho que ressoa na minha cabeça a ária "Mon Coeur S'ouvre à Ta Voix" de Camille Saint-Saëns.

Talvez reduzi-la a blog faça algum exorcismo?

Mon coeur s'ouvre à ta voix comme s'ouvrent les fleurs
Aux baisers de l'aurore!
Mais, ô mon bien-aimé, pour mieux sécher mes pleurs,
Que ta voix parle encore!
Dis-moi qu'à Dalila tu reviens pour jamais!
Redis à ma tendresse
Les serments d'autrefois, ces serments que j'aimais!
Ah! réponds à ma tendresse!
Verse-moi, verse-moi l'ivresse!

Ainsi qu'on voit des blés les épis onduler
Sous la brise légère,
Ainsi frémit mon coeur, prêt à se consoler
À ta voix qui m'est chère!
La flèche est moins rapide à porter le trépas,
Que ne l'est ton amante à voler dans tes bras!
Ah! réponds à ma tendresse!
Verse-moi, verse-moi l'ivresse!

VANTAGENS DA INTERNET SEM FIOS

Graças a um visitante amigo e ao seu portátil dotado de internet sem fios, posso partilhar o que tem sido este período de férias até agora : assistir ao Tio Vânia encenado por São José Lapa no seu Espaço das Aguncheiras e ser bem surpreendido, conhecer Tróia na era pós-Belmiro de Azevedo, ainda meio estaleiro, e muita praia embora com algum vento.
Saudações bloguísticas e até sexta.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Homenagem a quem faz anos esta semana!

Uma pessoa amiga e querida (J.) faz anos esta semana. Aqui fica, em sua homenagem, uma ária da opereta la Grande-duchesse de Gérolsteins, composta por Jacques Offenbach

YouTube: bigpinkypig

O segredo do Epicurismo Napolitano

«[...] la sagesse est le principe et le plus grand des biens. C'est pourquoi elle est même plus précieuse que la philosophie, car elle est la source de toutes les autres vertus puisqu'elle nous enseigne qu'on ne peut pas être heureux sans être sage, honnête et juste, ni être sage, honnête et juste, sans être heureux. Les vertus, en effet, ne font qu'un avec la vie heureuse et celle-ci est inséparable d'elles.»
Epicuro («Carta a Meneceu sobre a felicidade»)

MiTo - Festival

De 1 a 25 de Setembro, nas cidades de Milão e de Turim, decorre a segunda edição do Festival Internazionale della Musica : MiTo. Oportunidade para ver e ouvir 230 espectáculos de música (clássica, étnica, jazz, pop e rock). Em palco vão estar cerca de 4000 artistas de 30 nações. Uma grande parte dos espectáculos são gratuítos. A primeira edição foi uma maravilha... vamos esperar pela segunda.

http://www.settembremusica.it/

[Estados de alma]

Minha alma ergueu-se para além de ti...
Tive a ânsia de mais alto
- abri as asas, parti!


Outubro 1922

Judith Teixeira

Sugestão do dia


A 34ª edição do Festival do Estoril prossegue com a sua programação interessante.

A Orquestra de Pulso y Púa de la Universidade Complutense de Madrid, sob a direcção de José Luiz Ráez Pérez, interpretará hoje, às 21.30h, no Hotel Palácio do Estoril, obras de vários compositores, entre eles, Alonso, Tárrega, M. de Falla (na imagem), Rossini, Boccherini e Chabrier.

Jakob Fugger ou a arte de eleger um imperador

A bela cidade de Augsburg (Baviera) foi um dos centros económicos e políticos mais significativos da Europa do século XVI. Várias foram as famílias desta cidade que geraram riqueza através do comércio de tecidos e especiarias, abrindo delegações nas principais metrópoles europeias da época, entre elas, em Lisboa.
Os Welser e os Fugger são, seguramente, os empreendedores mais ilustres de Augsburg. Da longa história dos Fugger destaca-se Jakob Fugger. Foi muito mais do que um homem de negócios bem sucedido. A ele, Augsburg deve o período dourado da sua história. E a ele, o Ocidente deve o seu último imperador universal.

12 de Janeiro de 1519. Morre Maximiliano I., imperador do Sacro Império Romano de Nação Germânica. Sua sucessão é disputada entre Francisco I de França e o neto de Maximiliano, Carlos, de 18 anos e filho de Filipe de Habsburgo, o Belo, e de Joana de Castela (a Louca).

Os príncipes eleitores alemães, em constante receio de perder os seus privilégios a um soberano poderoso, apoiam Francisco I. O monarca francês entra em competição, pois o seu rival de Habsburgo orgulha-se de ter Espanha, Nápoles, os Países Baixos e a Borgonha já sob o seu domínio. Ser ainda o novo imperador significaria, para Carlos, um poder inimaginável de dimensão europeia e global, tendo em conta as colónias sul-americanas pertencentes a Espanha.

Francisco I pode contar com a bênção papal de Leão X. Os agentes franceses prometem fortunas de ouro aos príncipes alemães, caso estes mantenham a sua preferência pelo rei de França.

Mas Jakob Fugger, parceiro de negócios de Maximiliano I, entra em cena. Dada a sua boa relação de confiança com a casa de Habsburgo, concentra todos os esforços na continuidade desta linha. E Fugger não só promete, como oferece de facto compensações financeiras bem mais “atractivas” a quem se decida a favor de Carlos: 852.000 ducados serão o prémio que os príncipes alemães podem auferir ao tomar o voto “certo”. 544.000 ducados são da autoria do próprio Fugger, 143.000 são financiados pelos Welser e o resto é emprestado por banqueiros italianos.

Uma quantia enorme, mesmo para Carlos em caso de vitória. No entanto, a perspectiva de um império vale bem este esforço de tesouraria (as condições do reembolso do empréstimo, remunerado a uma taxa de juro interessante aos olhos de Fugger, são previamente fixadas e acordadas).

E assim, a 28 de Junho de 1519, é eleito o novo imperador em Frankfurt: Carlos V, o último imperador universal por intercessão do primeiro capitalista da Modernidade.

domingo, 27 de julho de 2008

Munique festeja o seu aniversário





Munique comemora este ano um aniversário muito especial: há precisamente 850 anos, foi fundada por Henrique, o Leão, ao pé do rio Isar, "junto dos monges ... bei den Mönchen" (daí o nome München).

Com cerca de 1,2 milhões de habitantes, Munique é, hoje em dia, uma das metrópoles mais importantes da Europa, sob vários pontos de vista: sede de empresas alemãs de prestígio (BMW, Siemens, etc.) e de start-ups de alta tecnologia inovadora (há quem lhe chame o Silicon Valley bávaro) , lidera as estatísticas alemãs quando se fala de produto interno bruto e de bem-estar económico.

Capital do Estado da Baviera, é centro político com repercussões sempre muito respeitadas na Berlim prussiana.

E quanto à cultura: museus, ópera e teatros consolidam a posição de Munique como capital da cultura alemã.

Capital da cerveja (e de uma óptima culinária bávara), atrai multidões de turistas que se encantam com a beleza e elegância desta cidade.

fotos: vista geral; torres da catedral Liebfrauendom; Odeonsplatz; Câmara Municipal (Rathaus/Marienplatz); Castelo de Nymphenburg.

NINA SCHENK CONDESSA DE STAUFFENBERG: infância e juventude

Nina Magdalena Elisabeth Lydia Herta Freiin von Lerchenfeld nasce a 27 de Agosto de 1913 em Kowno (Lituânia). Seu irmão Ludwig morre aos cinco anos, vítima de pneumonia e meningite.
Seu pai, Gustav Freiherr von Lerchenfeld, é diplomata, sua mãe Anna provém da família báltica dos Freiherren von Stackelberg.

A família encontra-se na Rússia, quando tem início a Primeira Guerra Mundial. Enquanto representante da Alemanha, considerada a agressora principal do conflito, Gustav von Lerchenfeld é detido em São Petersburgo sem acusação formal. Apenas ano e meio depois, é libertado por intervenção de diplomatas da Embaixada de Espanha a quem Anna, parente da rainha Victoria Eugénie, recorre ao fim de uma odisseia por várias representações europeias. Os três regressam à Alemanha.

Após uma breve estada em Bayreuth, mudam-se para a cidade de Bamberg (Baviera) onde Nina passa grande parte da sua infância. Apesar da rigidez e da disciplina, próprias de uma educação da época, vive-se um ambiente de afecto e carinho. Nas suas memórias, Nina guarda recordações de uma juventude muito feliz. O temperamento da mãe contribui, seguramente, para a boa disposição em casa. Fala-se em três idiomas, alemão, russo e francês. O estilo de vida, característico da alta aristocracia, é cosmopolita, o verão é passado na Riviera, Suiça, Baden-Baden ou Paris.

Nina segue os seus estudos num colégio interno em Heidelberg. Ao contrário das suas amigas, empenhadas na aprendizagem de tarefas tradicionais, Nina interessa-se por livros de aventura. Seus grandes ídolos são Winnetou e os três Mosqueteiros.

Aos 16 anos, Nina regressa a casa. Passa semanas de férias descontraídas, na companhia de primos e amigos. Os planos dos pais são ambiciosos, pois deverá a filha prosseguir com os estudos em Lausanne.

A 1 de Janeiro de 1930, um militar de 23 anos, de nome Claus Philipp Maria Schenk von Stauffenberg, é destacado para Bamberg para continuar a sua jovem carreira militar. Esbelto e com um futuro promissor, é naturalmente "objecto" de muita atenção por parte do universo feminino local. Os seus interesses provam uma cultura extraordinária, para além de dominar o violoncello, alimenta a sua grande paixão pela literatura, instruída por sua mãe, Karoline von Stauffenberg, que se correspondia com Rainer Maria Rilke. Escreve poesia nos seus tempos livres.

Na Primavera desse ano, Claus conhece Nina. Terá sido amor à primeira vista. "Quando vi Nina, soube imediatamente: eis a mãe dos meus filhos", assim expressa Claus o seu fascínio. Em Novembro de 1930, é anunciado o noivado. Durante três anos, Claus e Nina, bem como as suas famílias intensificam o seu relacionamento. A 26 de Setembro de 1933, casam-se em Bamberg.

A viagem de lua-de-mel leva-os até Verona, Florença e Roma. Neste percurso, torna-se evidente o contexto político em que a Europa se afunda: Itália está sob o domínio de Mussolini, a Espanha sob o regime de Franco. E poucos meses antes, a Alemanha tinha sido apoderada por um homem e um partido que viriam a determinar radicalmente o futuro do jovem casal Claus e Nina.

To be continued






sábado, 26 de julho de 2008

O preço das casas - análise do Financial Times

O Financial Times fez recentemente a análise do sobre-aquecimento dos mercados de habitação na Eurozona. A análise aponta o arrefecimento do mercado hipotecário, com o crescimento do crédito à habitação sendo o mais baixo desde a introdução do euro.

Relativamente ao preço das casas e analisando os mapas fornecidos, pode dizer-se que Portugal foi o País mais conservador: é o penúltimo na lista das valorizações (6.5% acumulado de 2003 a 2007) e com pouca volatilidade (a Alemanha, cuja subida de preços no período é de 1.1%, sofreu oscilações significativas nos vários anos).

O artigo e os mapas de apoio podem ser consultados em http://www.ft.com/cms/s/0/4fda2cc8-525a-11dd-9ba7-000077b07658,dwp_uuid=a40e33b6-483c-11dd-a851-000077b07658.html

As capas de James Jean - artista de BD





Brian K. Vaughan - criador de BD



Brian K. Vaughan, argumentista de "Y: The Last Man" e "Buffy the Vampire Slayer, Season 8", foi um dos vencedores dos Eisner na noite passada.
Nascido em 1976 nos EUA, é principalmente conhecido pelo trabalho desenvolvido nas séries supra-mencionadas, bem como em "Ex Machina" e "Runaways" (esta última para a Marvel Comics). O seu primeiro crédito surgiu com "Cable" #43 (Marvel Comics), tendo escrito igualmente para a DC Comics e, mais recentemente, para projectos próprios. Em 2005 fora já galardoado com os Eisner para Melhor Escritor ("Y: The Last Man", "Ultimate X-Men", "Runaways" e "Ex Machina"), e Melhor Nova Série ("Ex Machina")
É um dos argumentistas da série televisiva "Lost" desde a sua terceira temporada.

Prémios Eisner 2008 anunciados


Foram anunciados ontem à noite em San Diego os prémios Eisner 2008, o equivalente aos Óscares da Banda Desenhada.
Entre as vitórias, destaque para Brian K. Vaughan por "Y: The Last Man" (DC/Vertigo) como Melhor Série em Continuação e "Buffy the Vampire Slayer - Season 8" (Dark Horse) como Melhor Nova Série (um ano em cheio, dado que é igualmente o argumentista da série televisiva norte-americana "Lost"); esta última série foi igualmente um dos palmarés arrebatado por Joss Whedon, que arrecadou ainda o prémio para o Melhor Banda Desenhada Digital ("Sugarshock!": http://www.myspace.com/darkhorsepresents?issuenum=1&storynum=2).
Ed Brubaker foi eleito o Melhor Escritor, com "Captain America", "Criminal", "Daredevil" e "Immortal Iron Fist" (todos da Marvel). Os Melhores Artistas foram Pia Guerra e Jose Marzan, Jr., por "Y: The Last Man".

A Melhor Mini-Série foi "The Umbrella Academy" (Dark Horse), de Gerard Way e Gabriel Bá, cuja segunda série foi anunciada na San Diego Comic-Con.

Nota ainda para James Jean, que pelo 5º ano consecutivo arrebata o prémio para Melhor Capas ("Fables" (Vertigo/DC); "The Umbrella Academy" (Dark Horse); "Process Recess 2"; "Superior Showcase 2" (AdHouse) - este ano, padrões desenhados por si vão decorar produtos da marca Prada -, e para Todd Klein, que arrebata o seu 15º prémio (sendo que existiram 16 edições até hoje) por Lettering.

A lista integral pode ser consultada em http://www.comic-con.org/cci/cci_eisners_08win.shtml

sexta-feira, 25 de julho de 2008

O Festival de Salzburgo 2008

“Salzburgo é o coração do coração da Europa”, assim descrevia o escritor e poeta austríaco Hugo von Hofmannsthal a cidade de Salzburgo. Von Hofmannsthal, Richard Strauss e Max Reinhardt fundaram há 88 anos o festival Salzburger Festspiele, highlight absoluto e incontornável no universo cultural. As jornadas começam amanhã.

A edição deste ano guarda a tradição do passado: a trilogia de ópera, teatro e concerto (sinfónico e de Lied) estende-se ao longo do mês de Agosto, numa simbiose musical desde Mozart, o genius loci, à modernidade, e numa convivência cénica, desde interpretações clássicas à experiência avanguardista. A Direcção, by the way muito pouco modesta, orgulha-se de organizar o melhor festival do mundo em que confluem apenas os melhores artistas da actualidade. Talvez seja verdade, ainda que, na minha humilde opinião, o Festival de Munique brilhe por uma oferta incomparavelmente mais rica, quer de intérpretes, quer de obras escolhidas.

Mas claro, Salzburgo é sempre Salzburgo, e o filho ilustre da cidade é o autor da primeira ópera a subir para o palco este domingo: Don Giovanni de Mozart será dirigido por Bertrand de Billy à frente da Orquestra Filarmónica de Viena. Dos cantores destaque-se Dorothea Röschmann que se afirma, mais uma vez, como Donna Elvira após o seu êxito merecido na Wiener Staatsoper em Janeiro de 2007 no mesmo papel.
E Mozart continuará omnipresente, pois a Flauta Mágica, sob a batuta de Riccardo Muti, é um must imprescindível destas jornadas.

Um bom Otello verdiano vive, seguramente, de um elenco de alta qualidade o que, à partida, parece garantido: Carlos Álvarez será o mau da fita (Iago), a ele juntar-se-ão Aleksandrs Antonenko (Otello) e Marina Poplavskaya (Desdemona), valor seguro no mundo da ópera italiana (refira-se a impressionante Elisabetta di Valois na produção do Don Carlo no Royal Opera House de Covent Garden).

Rolando Villazón, em Roméo et Juliette de Gounod, far-nos-á sofrer e chorar com a sua voz e o seu temperamento.
Outras produções incluem Herzog Blaubarts Burg de Bartók e Rusalka de Dvořák.

Tanta emoção será digerível apenas em alternância com concertos e teatro.
Para quatro recitais de Lied, foram convidados Ian Bostridge, Thomas Quasthoff, Christine Schäfer e Matthias Goerne.

O drama, componente forte do festival, leva ao palco, entre outras obras, Crime e Castigo de Dostojewskij, Die Räuber de Friedrich (von) Schiller e, evidentemente, Jedermann de Hugo von Hofmannsthal, peça já menos digerível e apresentada no largo da catedral da cidade.

E assim, de acordo com von Hofmannsthal, Salzburgo é “o coração do coração da Europa”, pelo menos até ao encerramento do festival a 31 de Agosto.

Um pouco mais de sol...

Hoje chovia em Lisboa....

Quase (excerto)

Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...

Mário de Sá-Carneiro

Ainda a bandeira: Guerra Junqueiro


Cada vez que me cruzo com a ideia da bandeira nacional, cousa que me foi incontornável enquanto vasculhava Ourique, irrito-me com o verde-rubro. Vou outrossim recuperar um tema do nosso Ilustre editor, de 11 de Junho, com a discussão da bandeira. Estando de acordo que uma discussão pública seria um disparate (como o foi em 1910-1911), gostava bastante de regressar aos motivos da bandeira de 1139-1910.


"O Campo azul e branco permanece indelével. É o firmamento o mar o luar, o sonho
dos nossos olhos o êxtase eterno das nossas almas.

Os castelos continuam em pé inabaláveis, de ouro de glória, num fundo de sangue ardente e generoso ...

A cruz do calvário, as das cinco chagas essa não morre, é o abraço divino, o abraço imortal...

A coroa do Rei, coroa de vergonhas, já o não envilece, o não vislumbra. No brasão dos sete castelos e das quinas erga-se de novo a esfera armilar da nossa glória...

E ao símbolo augusto do nosso génio ardente e aventuroso, coroemo-lo enfim de cinco estrelas em diadema dos cinco astros de luz vermelha e verde [ ...] dessa manhã heróica da rotunda."

Guerra Junqueiro, citado em "Do Azul-Branco ao Verde-Rubro. A Simbólica da Bandeira Nacional", de Nuno Severiano Teixeira, 1991

A bandeira representada é a imagem preconizada por Guerra Junqueiro, capturada em formato digital no Flags of the World. A minha sugestão seria algo diferente; por exemplo, livrava-me claramente das estrelas do compromisso da "manhã heróica [ainda não estava publicado Vasco Pulido Valente] da rotunda". Seria algo assim:


Ou assim

Underdogs



A comédia Underdogs, em cartaz nos cinemas alemães desde ontem, teve uma estreia, no mínimo, curiosa. No passado dia 21 de Julho, foi apresentada, pela primeira vez, num estabelecimento prisional de Berlim, mais concretamente em Moabit que viveu o seu “auge” na década de 70 no contexto terrorista das Brigadas Vermelhas Alemãs. Num ambiente naturalmente pouco cinéfilo, faltou o glamour próprio de uma estreia. Contudo, a ausência de estrelas e estrelinhas ou de uma after-party excêntrica foi compensada pela atenção que a comunicação social dedicou a este acontecimento.

O realizador Jan-Hinrik Drevs fez-se acompanhar de alguns actores e do protagonista principal, um cão labrador de 2 anos e de nome Klaus. 50 detidos sentiram-se privilegiados ao assistir à exibição do filme, projectado para um écran provisório. E à semelhança de uma estreia “normal”, ouviram-se os bravos (e os assobios também).

A narrativa de Underdogs é baseada em experiências realizadas em prisões norte-americanas. Os estabelecimentos adquirem cachorros que deverão contribuir para a reinserção social dos detidos. Estes, por sua vez, “adoptam” as criaturas com a finalidade de as educar e treinar para futuros cães-guia de cegos. A responsabilidade de tal tarefa e o afecto que eventualmente se desenvolve entre homem e animal poderão ser ingredientes úteis à ressocialização posterior.

Sugestionado por estes projectos, Drevs pôs mãos à obra, e o resultado é Underdogs: O leading man da película é o detido Mosk, homem introvertido e pouco afável, que se prepara para uma competição de desporto “intra-muros”. Quando lhe é atribuído o “piqueno” Klaus, a indignação é grande, e Mosk trata Klaus simplesmente pelo nome Hund (cão). Mas à medida que a história vai decorrendo, Mosk descobre o seu lado social e afectivo, acabando por baptizar o cachorro pelo nome de Grappa, pois Mosk sonha em viajar à Itália num futuro longínquo.

“O filme tocou-me”, assim o diz Ralph, “residente” em Moabit e um dos 50 espectadores contemplados. O assistente social Bernd mostra-se impressionado pela sensibilidade que o filme transmite. “Uma prisão é um local frio, e se um cão for capaz de suscitar sentimentos nos detidos, então a mensagem do filme é notável.”

Por último: o nome Klaus não se deve a um acaso. O labrador, na sua vida real elemento do agregado familiar de Drevs, é homónimo do actor Klaus – Klaus Kinski. No entanto, Klaus “porta-se bem melhor do que Kinski”, assim afirma Drevs…

25 de Julho, dia da independência de Portugal: o papel de Ali ibn Yusuf


Celebra-se hoje, 25 de Julho, a batalha de Ourique de 1139. Esta data é reconhecida como sendo a data da fundação do Reino de Portugal, que consequentemente faz hoje 869 anos; nasciam igualmente as quinas azuis e os besantes de prata que ainda hoje constam da bandeira nacional.

Muito se ficou a dever ao emir Ali ibn Yusuf, por omissão. Este senhor era o governante dos Almorávidas, a dinastia berbere muçulmana que ocupava grande parte do noroeste de África e da Península Ibérica. Líder considerado fraco, é hoje entendido que ocupava o seu tempo em oração e jejum à medida que o Império Mouro se desmoronava.

A sua inércia levou a múltiplas e sustentadas revoltas, das quais a Portuguesa terá sido porventura umas das suas menores preocupações:

1 - Em Córdova, na Península, as múltiplas taifas ibéricas decorrentes da desagregação do Califato de Córdova (chegaram a ser 34) e re-agregadas pelo seu pai na sequência do pedido de auxílio contra Afonso VI de Castela, reclamam a independência: em 1119, começa a revolta do Al-Andalus.

2 - No coração do emirato, na actual zona de Marrocos, nasce uma revolta de índole religiosa: Ibn Tumart, um jovem mendigo berbere enfezado e deformado, foi em peregrinação a Meca e Bagdad. Discordando de elementos ensinados nas escolas religiosas, criou uma clivagem religiosa fundamentalista que vem apresentar ao emir, em Fez. Rejeitado, refugia-se nas montanhas do Atlas onde cria o movimento dos Almôadas (na década de 1120), que exorta os muçulmanos a regressar ao verdadeiro Corão. Começa a guerrear os Almorávidas e morre em 1128, na sequência de uma pesada derrota. Sucede-lhe um argelino, Abd al-Mu'min, que a partir de 1130 começa a arrasar o poder Almorávida de Ali ibn Yusuf.

3 - E a norte da península, os governantes cristãos vão corroendo as orlas do emirato: de 1118 em diante, com a tomada de Zaragoza, Afonso I de Aragão vai conquistando territórios; em 1135, Afonso VII, com a acumulação das coroas de Castela e Leão, auto-designa-se Imperador da Hispânia; em 1139, começam as cruzadas de Afonso VII e é a vez do jovem Afonso Henriques, Príncipe de Portugal, primo e vassalo de Afonso VII, aproveitar genialmente a fraqueza dos seus inimigos mouros para lhes inflingir uma derrota suficiente para se proclamar Rei de Portugal (no que só viria a ser reconhecido pelo seu primo em 1143 e por Roma em 1179).

Ali ibn Yusuf morreu em 1142; o seu filho e sucessor morreu 4 anos depois ao cair de uma duna, após uma batalha em território argelino contra os Almôadas; a dinastia Almorávida extinguiu-se em 1147.

Simultaneamente, a vitória de D. Afonso Henriques, porventura peça menor no xadrez Almorávida, foi a pedra de fundação da Nação das Descobertas.

Muitos parabéns!

PS - Curiosamente, hoje é feriado em Espanha e é o "Día da Pátria Galega" na Galiza

Memória de Adriano no Museu Britânico

Adriano, Musei Capitolini, Roma


Abriu ontem no Museu Britânico, em Londres, uma exposição dedicada ao Imperador Romano Adriano (que o Luís, no encalce de Maquiavel, tinha já abordado num desafio aos leitores a 21 de Abril sobre os cinco grandes imperadores romanos).

Com um império que se estendeu por grande parte da Europa, do Norte de África e do Médio Oriente, Adriano governou de 117 a 138. Sob os motes "Life-Love-Legacy: Hadrian - Empire and Conflict", a exposição aborda os feitos militares, a paixão pela arquitectura (a ele se deve o Panteão, em Roma), a brutalidade da repressão enquanto governante e a vida pessoal. A exposição reune peças de 28 museus de todo o mundo e descobertas arqueológicas recentes.

O site do Museu Britânico apresenta vários vídeos sobre Adriano:

http://www.britishmuseum.org/whats_on/all_current_exhibitions/hadrian.aspx

A revista norte-americana "Time" terá um artigo sobre a exposição na próxima semana, sob o título "When Hadrian Ruled the World".

A exposição decorre até 26 de Outubro (uma boa razão para ir à Europa...).

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Curto intervalo

Estarei a banhos durante os próximos sete dias. E offline, para aproveitar em pleno e pôr as leituras em dia. Até já.

A ver em Nápoles

Retrospectiva das últimas cinco décadas de produção de Georg Baselitz , que agrupa 120 obras - pinturas, desenhos e esculturas.
Até 15 de Setembro no Museo d'Arte Contemporanea Donnaregina, Nápoles.

ATEÍSMO PORTUGUÊS

No passado sábado foi formalizada a A.A.P.- Associação Ateísta Portuguesa , visando " responder às manifestações religiosas e pseudo-científicas com uma abordagem científica, racionalista e humanista."
Conta desde já com uma centena de associados, entre anónimos e figuras públicas.
Na blogosfera esta nova agremiação tem suscitado muito interesse e celeuma, nos media tradicionais parece-me que nem por isso. Ou será impressão minha?

PENSAMENTO DO DIA

Duas coisas indicam fraqueza: calar-se quando é preciso falar, e falar quando é preciso calar-se.

- Provérbio persa

Sobre a Casa dos Bicos e a Fundação Saramago

-foto : DR

" (...) Como surgiu a hipótese de a fundação poder vir a ocupar aquele espaço?
- Foi uma proposta do presidente da Câmara, António Costa, com a cumplicidade e a presença do ministro da Cultura, José António Pinto Ribeiro. A nós, a José Saramago e a mim, quase nos caíu o queixo de surpresa. Ainda agora não acreditamos...(...) "

- Pilar del Río entrevistada por Sara Belo Luís, VISÃO , 24 de Julho de 2008, p.24

Confesso que a mim também me caíu o queixo e ainda não acredito. Especialmente que seja a depauperada Câmara de Lisboa a pagar as obras. Creio que os muitos credores do município ainda devem estar em estado de choque, especialmente os das pequenas e médias dívidas.

Que Diria Sócrates?


( Via Canal Hermes )


QUE DIRIA SÓCRATES?

Filósofos respondem às suas perguntas sobre o amor, o nada e tudo o resto

Org. Alexander George

Filosofia Aberta, 18

Este livro é uma prova admirável de como a filosofia está cada vez mais viva e actual. Nele o leitor encontrará formuladas e respondidas muitas das questões filosóficas que certamente já se lhe colocaram nas situações mais banais e inesperadas da sua vida: questões acerca do que é certo ou errado fazer em determinadas situações, acerca da morte, do valor da vida, da natureza da arte, do amor, do sexo, da guerra, da verdade, da tolerância, da linguagem e muitas outras. Trata-se de questões que centenas de pessoas comuns dirigiram a distintos filósofos profissionais, através do já mundialmente célebre sítio da Internet AskPhilosophers.org, e às quais eles procuram responder de forma muito simples e acessível, mostrando que os filósofos não são aqueles seres esquivos e solitários que quase só falam uns para os outros, como se vivessem num mundo à parte. Tal como Sócrates, também aqui os filósofos saem para a rua e discutem directamente com o cidadão comum, desafiando-o a pensar melhor e a rever as suas ideias.

Que Diria Sócrates? é um livro inteligente e estimulante, que dificilmente deixará decepcionados, tanto o leitor comum como o candidato a filósofo, amador ou profissional. Em especial, os professores de filosofia podem encontrar aqui um manancial de exemplos vivos e actuais de muitos dos problemas filosóficos discutidos nas suas aulas.

Em Que Diria Sócrates? são abordados problemas filosóficos tão diferentes como:

  • Se todas as vidas terminam com a morte, como pode a vida ter algum valor?
  • O tolerante deve tolerar a intolerância?
  • Não existe má arte?
  • É moralmente errado lucrar com os erros ou estupidez das outras pessoas?
  • É moralmente errado dizer às crianças que o Pai Natal existe?
  • Estarei moralmente obrigado a dizer à minha parceira (ou parceiro) sexual se fantasio com outra pessoa quando estou a fazer amor com ela (ou ele)?
  • O valor da vida de um indivíduo diminui à medida que a idade dele aumenta? Não é verdade que a maior parte das pessoas escolheria salvar um indivíduo de dois anos do que um de sessenta? Há alguma justificação para esta escolha?
  • Qual a diferença entre um terrorista e um combatente pela liberdade?

As perguntas foram seleccionadas entre milhares enviadas para o popular sítio da Internet AskPhilosophers.org. Usando não apenas os seus conhecimentos sobre as ideias e os argumentos avançados por pensadores como Aristóteles, Camus, Locke e Sócrates, mas também as suas próprias reflexões, reputados filósofos contemporâneos enfrentam problemas difíceis num estilo acessível, pessoal e até divertido. São problemas tão antigos e intemporais como a existência de Deus e o sentido da vida, mas também temas quentes da actualidade como a eutanásia, a guerra e a manipulação genética. Tratando de problemas reais, formulados por pessoas reais de todo o mundo – médicos, advogados, pessoas sem qualquer educação formal, pessoas idosas e até crianças – Que Diria Sócrates? dirige-se a quem procura esclarecimento e orientação para pensar criticamente sobre as nossas vidas e o mundo em que vivemos. Concorde-se ou não com as respostas – por vezes os próprios filósofos dão respostas discordantes entre si -, este livro recorda-nos as famosas palavras de Sócrates «uma vida examinada não merece ser vivida» e, ao fazê-lo, encoraja-nos a pensar melhor e mais filosoficamente.

«Ao contrário do que sucede em outras áreas, a filosofia não requer equipamento, instrumentos, laboratórios, ou trabalho de campo. O investimento inicial necessário em filosofia não podia ser mais baixo. Habitamos um mundo estranho, somos, nós próprios, criaturas peculiares, e as nossas relações com esse mundo e uns com os outros são, amiúde, de uma perplexidade misteriosa. A matéria de que a filosofia se alimenta está em todo o lado.»

ALEXANDER GEORGE

Alexander George doutorou-se na Universidade de Harvard e é professor de Filosofia no Amherst College, Massachussets. É o criador do popular sítio AskPhilosophers.org.

__._,

.

__,_._,___

quarta-feira, 23 de julho de 2008

5.ªs à Noite nos Museus - NOVO PROJECTO DO INSTITUTO DOS MUSEUS E DA CONSERVAÇÃO - IMC

O Projecto 5ªs à Noite nos Museus. Verão 2008 tem o objectivo de oferecer nas noites de Verão, às 5.ªs feiras, de uma forma lúdica, descontraída e pedagógica, vivências em espaços museológicos, através de actividades culturais diversificadas que visam atrair novos públicos, fidelizando os já existentes, mas também captar turistas em visita à cidade de Lisboa.

A par da oferta educativa de Verão dirigida a crianças e jovens, com este programa o IMC organiza um projecto-piloto com os Museus Nacionais de Arte Antiga, Arqueologia, Azulejo e Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves, que se desdobra numa programação cultural diversificada com desconto de 50% na entrada e extensão do horário de funcionamento dos museus até às 23h00.

Destaque para esta semana:

Museu Nacional do Azulejo


Rua da Madre de Deus, 4 1900-312 Lisboa


24 de Julho

18h30 – História de Ícaro, leitura dramatizada, junto ao painel de Rogério Ribeiro, na exposição " Presenças da Azulejaria e Cerâmica Contemporâneas" no Museu Nacional do Azulejo (1980-2000)

19h30 – Breves visitas comentadas à colecção do museu.

21h00 – Concerto de Jazz e Bossa Nova pelos Fab Five, alunos do Hot Clube de Portugal.

Loja Livraria aberta até às 23h00.

Consulte a programação em http://www.imc-ip.pt/

Como chegar: Autocarros 718, 742, 794, 28, 759

HOJE À NOITE NO ESTORIL

Na Igreja dos Salesianos, no Estoril, apresenta-se hoje a Camerata Lysy, dirigida por Alberto Lysy, e que conta com o clarinetista Darko Briek. Serão tocadas obras de Haendel, Mozart, Weber, Haydn, Bruch, Dvorak e Mendelssohn.
Ás 21.30 . Concerto integrado no 34º Festival do Estoril mare nostrum 2008

Pintar a solidão - 4

-Gerard ter Borch, Homme à cheval vu de dos, 1634,
óleo sobre tela, Museum of Fine Arts, Boston, Juliana Cheney
Edwards Collection.

Esta tela de Gerard ter Borch é completamente heterodoxa face aos cânones do séc.XVII. A figura principal, um mercenário, é representado de costas, a cavalo , e aquilo que se oferece ao espectador em grande plano é a parte posterior do cavalo...
E é uma tela sobre ainda outra solidão- a solidão dos mercenários, aqueles que lutam por quem os contrata, indiferentes às causas ou justeza das guerras. Não esqueçamos que durante séculos, por toda a Europa, existiram exércitos de mercenários que complementavam os exércitos regulares nacionais. Mercenários que, entre guerras, vagueavam como a figura do quadro.

A CULTURA À DISTÂNCIA DE UM CLIQUE

A cultura à distância de um clique

A EGEAC – Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural implementou os sites dos equipamentos culturais que estão sob a sua gestão. O objectivo é que a cultura esteja, cada vez mais, ao alcance de todos.

Em http://www.egeac.pt/ encontram-se os links directos para a página web do Castelo de São Jorge, Padrão dos Descobrimentos, Museu do Fado, Museu da Marioneta, Teatro São Luiz e Teatro Maria Matos. A partir daqui, é possível navegar e ficar a conhecer, de perto, cada um destes equipamentos.

Com um simples clique podem fazer-se reservas, conhecer os espectáculos, exposições, concertos e programação em geral, entre outras informações úteis sobre cada um dos espaços culturais.

Os conteúdos das páginas são disponibilizados em português e inglês, tornando possível uma maior divulgação dos espaços junto de um público mais alargado.

Para descobrir e navegar em:

http://www.castelosaojorge.egeac.pt/

http://www.padraodescobrimentos.egeac.pt/

http://www.museudofado.egeac.pt/

http://www.museudamarioneta.egeac.pt/

http://www.teatrosaoluiz.egeac.pt/

http://www.teatromariamatos.egeac.pt/

Festival do Chá a 26 de Julho

Aqui fica o programa do Festival do Chá, com um agradecimento à minha amiga Helena Pais Costa que mo fez chegar.

Festival da Arte do Chá Oriental


No próximo dia 26 de Julho, Portugal irá receber pela primeira vez um Festival de Chá. "Todos os dias são bons dias – A Arte do Chá Oriental" é um evento original que nos traz novas abordagens da Ásia e onde terá a oportunidade de aprender a Arte de fazer e degustar Chá com Chunzhi Jin, um professor convidado do Instituto de Cultura e Artes do Chá Shan Ru, apreciar variadas peças de arte relacionadas com o chá, assistir a um concerto de música tradicional chinesa e aprender meditação com uma Mestra Budista de Taiwan (Budismo Zen Chinês), a Venerável Mestra Manchien (Responsável e Membro do Conselho de Directores da Fo Guang Shan na Europa e Secretária Geral da BLIA).

Pretende-se com este evento cultivar a mente através das diferentes aprendizagens abordadas, promover um maior contacto com a Natureza e divulgar os diferentes chás típicos de Taiwan.

Recomendações:
Vista roupas largas e confortáveis. Aconselha-se também o uso de meias.
O material necessário para fazer o Chá e o próprio Chá serão fornecidos pela Organização.
Tem tradução para Português.

Horário: 26/07/08 (Sábado)
(A) 13:00 - 15:00
(B) 15:30 - 17:30
(C) 18:00 - 20:00

Local: Sala de Conferências
Cidade Universitária de Lisboa.
Metro: Cidade Universitária.
Tel.91999 2563 96187 9968

Tahar Ben Jelloun: Dois poemas

Tahar Ben Jelloun, escritor marroquino, nasceu em Fez em 1944 e vive em Paris desde 1971. Pode saber-se mais sobre ele em:
http://www.taharbenjelloun.org/

Un lac
ou un cri
un ciel
mourant dans le visage
un amour
nu
dans les matins des miroirs

***

Dans mon pays
on ne prête pas,
on partage
Un plat rendu
n'est jamais vide;
du pain
quelques fèvres
ou une pincée de sel.


(In: Le discours du chameau... Paris, Gallimard, 2007, p. 235, 262)

terça-feira, 22 de julho de 2008

Sobre o Irão, o Iraque e o Afeganistão

Aqui ficam dois notáveis artigos sobre os teatros de guerra no Iraque e no Afeganistão, bem como o que se anda a preparar, espero que assim não seja, para o Irão : http://www.tomdispatch.com/post/174957/william_astore_generation_warfighters

HOJE À NOITE

Concerto Prémio de Excelência Operaplus 2007, com a mezzo-soprano Raphaela Mangan e o barítono Kittinant Chinsamran ,acompanhados ao piano por Maarten Hillenius .
Obras de Haendel, Schumann, Fauré e Bellini.
Centro Cultural de Cascais, pelas 21.30 .

Mestres cantores do século XX: Hermann Prey


O barítono Hermann Prey faleceu a 22 de Julho de 1998. A assinalar esta efeméride, foi lançado um CD sob o título Hermann Prey – Die Lieder meines Vaters (Hermann Prey – Os Lieder do meu pai) da Deutsche Grammophon, uma belíssima colecção de obras, escolhidas pelo filho Florian Prey.

Hermann Prey nasce em Berlim a 11 de Julho de 1929. Em 1948, inicia os seus estudos de canto na Escola Superior de Música de Berlim. Tem o seu primeiro recital de Lied em 1950. Seguem-se gravações para a rádio, até ganhar o concurso Meistersinger em 1952. Nesta competição, patrocinada pelas tropas aliadas americanas, participam 2800 jovens entre 18 e 25 anos. Prey alcança o primeiro lugar, o que lhe proporciona uma bolsa de 190 dólares e uma digressão de duas semanas pelas Estados Unidos.

Em 1953, é convidado a integrar a companhia residente da Ópera Estadual de Hamburgo, da qual viria a fazer parte até 1960, para depois se transferir para a Ópera de Munique. Realiza a sua primeira digressão pela Inglaterra em 1955, onde é acompanhado por Gerald Moore ao piano.

O salto decisivo dá-se em 1957, quando Prey canta o Fígaro do Barbeiro de Sevilha na Wiener Staatsoper. A partir daí, a carreira internacional é imparável. O espólio de interpretações é inesgotável, reproduzi-lo é impossível. Apenas alguns highlights:
Estreia-se no festival de Salzburgo em A mulher silenciosa de Strauss em 1959; estreia-se no Met de Nova Iorque em 1960 como Wolfram von Eschenbach no Tannhäuser, encenado por Wieland Wagner; em 1964, também no Met, representa um dos muitos Papagenos da sua vida; é o primeiro cantor alemão a ser convidado para o papel principal do Barbeiro de Rossini no Scala de Milão em 1969, sob a batuta de Claudio Abbado.

Até aos anos 90, marca presença nas principais casas, trabalhando com Herbert von Karajan, Karl Böhm ou James Levine, num vasto repertório com obras de Mozart, Lortzing, Rossini, Donizetti, Schubert, Schumann, Brahms, Wagner, Strauss ou Orff.

Hermann Prey morreu em sua casa, nos arredores de Munique, a 22 de Julho de 1998 devido a uma paragem cardíaca.

O belo timbre e a sonoridade requintadíssima da sua voz tornaram Prey num dos maiores barítonos do século passado. Muitos registos televisivos, entre eles, as actuações com o grande tenor e seu amigo Fritz Wunderlich, deixam à posteridade o testemunho de um homem bem na vida.

A sua grande paixão foi o Lied. O CD Die Lieder meines Vaters é uma homenagem digna a Prey.