Prosimetron

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terça-feira, 17 de março de 2009

“A cultura para os pobres não pode ser uma pobre cultura”, José António Abreu

Um Maestro com Humanidade, José António Abreu!

Li na revista Território Artes um artigo que me deixou satisfeita pela divulgação da música na construção de um mundo melhor.

Há três décadas que a Venezuela está a desenvolver um projecto e a fazer uma das maiores revoluções culturais do mundo ocidental. A ele está ligado o maestro José António Abreu, pianista, o criador de “El Sistema”: orquestras infantis e juvenis, para retirar crianças dos meios de violência e pobreza dos núcleos urbanos.
O maestro iniciou o projecto em 1975 e agora, passados 30 anos, os resultados são visíveis: perto de 1 milhão de crianças tiveram formação musical superior. Foram criadas 122 orquestras e 181 escolas de música, que envolvem 15 mil professores e 300 mil alunos têm formação gratuita todos os anos.
Crianças sem recursos puderam, assim, interessar-se pela música e encontrar nela uma família.
“O maestro deu o que tinha para oferecer: Bach, Mozart e Beethoven!”*

O Ciclo de Grandes Orquestras Mundiais, promovido pela Fundação Calouste Gulbenkian, vai ter uma amostra do “Sistema”, através da Orquestra Sinfónica Juvenil Venezuelana Simon Bolívar, dirigida pelo jovem maestro Gustavo Dudamel a 24 de Abril , deste ano, no Coliseu de Lisboa.

*Nuno Roby Amorim - “O Sistema, a nova revolução Venezuelana”, Território Artes, nº2, Lisboa: dgartes, Ministério da Cultura, 2008, p. 30-45.

Comunicação noutros tempos ...

Este surpreendente recorte faz parte de uma série publicada por Francisco José Viegas, no blogue A ORIGEM DAS ESPÉCIES, acessível desde logo nas nossas "afinidades electivas".
Fica a curiosidade: que teria acontecido ao Rev.Joaquim Rebelo ? Espero que nada de grave.

A grande Susan Graham

Hoje trago a grande mezzo soprano norte-americana Susan Graham, a cantar D' amour l' ardente flamme da ópera A Danação de Fausto de Hector Berlioz, na produção de 2002 da Ópera de Bruxelas.

17 de Março de 1959

Há precisamente 5o anos, na sequência da invasão chinesa como já foi aqui abordado pela nossa Ana, e depois de três dias de massacres contra os manifestantes que se tinham juntado à volta doo palácio de Norbulingka para protestar contra o eventual rapto do seu soberano, na noite de 17 para 18 de Março, Tenzin Gyatso, 14º Dalai-Lama e então com 24 anos, decide fugir do Tibete o que faz sob disfarce e acompanhado de um punhado de ministros e leais funcionários. Numa viagem épica, atravessam os Himalaias e chegam à Índia no dia 31 de Março. A resistência tibetana ao invasor chinês durou mais do que a fuga do seu soberano: apenas termina no final do ano de 1960, com o esmagamento dos últimos grupos de resistentes. Entre 1959 e 1960 terão sido mortos 87.000 tibetanos.
No seu refúgio indiano de Dharamsala, o Dalai-Lama instala a 2 de Setembro de 1960 um "governo tibetano no exílio" e vai organizando uma crescente diáspora de tibetanos exilados que chega ao longo dos anos aos 100.000, nunca deixando de erguer a sua voz em defesa dos tibetanos oprimidos mas proclamando a não-violência, o que lhe valeu o Prémio Nobel da Paz em 1989.
Em 1991, é promulgada uma constituição que mantém o Dalai-Lama como chefe supremo espiritual e temporal, embora Tenzin Gyatso tenha logo feito uma declaração pela qual abandonará, tal como os outros clérigos, todas as funções administrativas no dia em que regressar ao Tibete.
Actualmente, o Dalai-Lama já não reclama sequer uma independência plena, reivindicando apenas uma autonomia real para o Tibete, com cessação das transferências forçadas de população para outras regiões da China, e respeito pelo património natural e cultural tibetano, bem como a instauração de liberdades democráticas básicas.

Cinenovidades - 33 : The Spirit

Estreia entre nós esta quinta-feira, The Spirit, a adaptação de um clássico da banda-desenhada norte-americana criado em Junho de 1940 por Will Eisner, estando a realização entregue a outro grande criador da nona arte norte-americana- Frank Miller.

O admirável mundo novo da Internet ...

Noticiava o Expresso na sua última página da edição do passado sábado que " Burlas na net triplicam", esclarecendo que em 2008 registou-se um aumento de crimes informáticos na ordem dos 156% no nosso país, com a novidade de também as redes sociais ( Hi5, Facebook, etc) estarem a ser usadas para estes fins.
Ontem, foi notícia em todos os telejornais que o senhor que vemos na foto acima, Tim Berners-Lee, que inventou a internet em 1991, foi ele próprio vítima de uma fraude on-line...
Portanto, cuidado, muito cuidado...

Os nossos ricos

" (...) Não estou a falar de grandes empresários ou banqueiros ( existe gente honorável ) , estou a falar de fortunas, sólidas e multiplicadas fortunas, que depois do 25 de Abril passaram o tempo a ameaçar com a emigração ou a fuga de capitais se a esquerda lhes acabasse com os privilégios. Não ideológicos excepto na defesa dos seus interesses, votando no partido que melhor os protege e melhor defende os seus interesses e negócios com o Estado, estas fortunas recrutaram colaboradores nos quadros políticos que melhor os servissem seca a sinecura e que melhor salvaguardassem o tráfico de influências. (...) A história do BPN confunde-se com a história desta pobre gente, um grupo de arrivistas armados em milionários e reduzidos a uma deliquência grosseira e egoísta, sem sentido e sem sentido de comunidade. Não existe piedade nem perdão para esta gente exposta. Na fasquia mais elevada, o sentido de comunidade não existe. Veja-se o caso Berardo, que até há pouco tempo emitia opiniões morais sobre tudo, remetido ao prudente silêncio depois que se soube que a sua dívida aos bancos, contraída para especulações, tinha sido renegociada por esses bancos em condições tão favoráveis e imorais como as que ele criticava. Com a diferença de que os especuladores não criam riqueza nem emprego e que tudo o que Berardo realmente fez por Portugal foi onerar o Estado com a criação de um museu, o Centro Cultural Berardo, vulgo CCB, para pagar a instalação da sua colecção. Não passa pela cabeça desta gente criar uma bolsa com o seu nome, doar dinheiro a um hospital, escola ou universidade, abrir um centro de investigação ou dotar um bloco ou uma biblioteca de equipamento útil.
A ganância de Wall Street é criticada todos os dias ( e a estupidez ) , mas essa ganância alimentou centenas, milhares de instituições, dotou o MOMA e o Metropolitan das colecções e exposições que albergam, alimentou o teatro, a dança, os museus, o pensamento, a literatura, o património, doou para hospitais e escolas, bairros, bibliotecas e bolsas, centros científicos e investigação tecnológica.
(...) Se queremos falar de filantropia em Portugal, a benfeitora Fundação Gulbenkian não criou escola ( à escala ) entre os muito ricos e novos-ricos. A nova Fundação dirigida por António Barreto, pela seriedade deste, prenuncia uma excepção. "

- Clara Ferreira Alves, Os pobres ricos, in Expresso de 14 de Março de 2009.


Como não concordar com ela? Esta diferença entre os nossos ricos e os ricos de outros países já há muito que falo sobre ela, pois basta estar atento ou viajar para outros países, mesmo europeus, para perceber o retorno dado pelos ricos de outros países às suas comunidades. Nem é preciso ir muito longe, basta conhecer um pouco da realidade espanhola por exemplo. São inúmeras as fundações espanholas ligadas a empresas e famílias que apoiam as artes ou com preocupações sociais.
Não me esqueço da bacoca resposta de Joe Berardo quando lhe perguntaram porque não doava a sua colecção a Portugal: "Mas eu tenho filhos e netos! "- Como se Cupertino de Miranda, António Champalimaud, ou agora Alexandre Soares dos Santos os não tivessem.

A lagoa e o equinócio

Na semana passada foi aberta ao mar a Lagoa de Santo André, processo anual realizado o mais próximo possível do equinócio da Primavera com o propósito de renovar as águas da lagoa pela entrada da água do mar, permitindo ainda a limpeza e lavagem do fundo e a entrada de peixes. Durante séculos foram estes trabalhos feitos com trabalho braçal e força animal, actualmente são as máquinas que se encarregam da árdua tarefa.
Não vou à lagoa há uns anos. Talvez passe por lá nesta Primavera.

Banco é Caixa ...

" (...) Ele são 2000 milhões para o BPN. Ele são mais umas quantas centenas para o BPP. Ele são os milhões que emprestou a Berardo, Manuel Fino e Teixeira Duarte para comprar acções. Ele são mais uns quantos milhões para apoiar empresas em dificuldades. E agora ele são mais 400 milhões para abrir um banco de investimento em Angola a meias com a Sonangol. De onde vem tanto dinheiro? E qual é a estratégia da Caixa? O que parece é que o dinheiro virá dos bolsos dos contribuintes e a Caixa não sabe para onde quer ir. E nenhuma das sensações é boa. "

- Nicolau Santos , in EXPRESSO de 14 de Março de 2009.

Também eu, cliente da Caixa há 24 anos, estou espantado com tanto milhão e tanta solicitude por parte da Caixa Geral de Depósitos. E não se trata só da actual administração de Faria de Oliveira, já que estes empréstimos a Berardo, Manuel Fino, e Teixeira Duarte para comprarem acções do BCP- lembram-se da "guerra do BCP " ? - são da responsabilidade da gestão de Carlos Santos Ferreira, agora presidente do BCP. Ou seja, o centrão no seu melhor...
E afinal estes milionários tentaram controlar o BCP com dinheiro emprestado pela Caixa, ou seja andou o banco do Estado a emprestar dinheiro a capitalistas para controlarem um banco privado. Até seria engraçado, não fora a sensação de que mais tarde ou mais cedo o Estado, único accionista da Caixa, terá de reforçar financeiramente o seu banco com o dinheiro de todos nós.

A Primavera está à porta - 1


Edgar Allan Poe


Cartaz de Filipe Abranches.
Toda a programação em: http://www.fl.ul.pt/poe_gothic_creativity/

Um Rosa e Milton, Jorge Luís Borges!

Uma Rosa e Milton

De tantas gerações de inúmeras rosas
Que se perderam no fundo do tempo
Quero roubar só uma ao esquecimento,
Uma sem marca ou sinal entre as coisas
Que existiram. Oferece-me o destino
O dom de nomear pla vez primeira
Essa flor silenciosa, a derradeira
Rosa que Milton do rosto aproxima
Sem ver. Ó amarela ou tu, vermelha,
Branca rosa de um jardim apagado,
Deixa magicamente o teu passado
Imemorial, e neste verso brilha,
Oiro, sangue ou marfim ou tenebrosa
Como nas suas mãos, oculta rosa.

Jorge Luís Borges, “O Outro, o Mesmo” in Obras Completas II, 1952-1972, Lisboa: Editorial Teorema, p. 269


Bette Midler - The Rose

Lançamento

segunda-feira, 16 de março de 2009

O Homem quando está com gripe...


Pachos na testa, terço na mão,
Uma botija, chá de limão
Zaragatoas, vinho com mel,
Três aspirinas, creme na pele
Grito de medo, chamo a mulher.
Ai Lurdes, Lurdes que vou morrer.
Mede-me a febre, olha-me a goela,
Cala os miúdos, fecha a janela,
Não quero canja, nem a salada,
Ai Lurdes, Lurdes, não vales nada.
Se tu sonhasses como me sinto,
Já vejo a morte nunca te minto,
Já vejo o inferno, chamas, diabos,
anjos estranhos, cornos e rabos,
Vejo demónios nas suas danças
Tigres sem listras, bodes sem tranças
Choros de coruja, risos de grilo
Ai Lurdes, Lurdes fica comigo
Não é o pingo de uma torneira,
Põe-me a Santinha à cabeceira,
Compõe-me a colcha, fala ao prior,
Pousa o Jesus no cobertor.
Chama o Doutor, passa a chamada,
Ai Lurdes, Lurdes nem dás por nada.
Faz-me tisana e pão de ló,
Não te levantes que fico só,
Aqui sózinho a apodrecer,
Ai Lurdes, Lurdes que vou morrer.

António Lobo Antunes
recebido por e-mail

Diamond dust shoes, de Andy Warhol

No seguimento do post de MLV tinha de colocar os sapatos de Andy Warhol. Como não encontrei os de tacão prateado, escolhi estes:

1980

Refrescos

Ainda no seguimento do post de MLV «A tradição volta a ser o que era», apresento rótulos de xaropes para os refrescos de capilé, groselha e salsaparrilha, vendidos outrora nos quiosques.


E será que nos novos-velhos quiosques também se poderá matar o bicho, como antigamente? O mata-bicho é uma bebida alcoólica (não tenho bem a certeza sobre a sua composição, mas penso que é café, aguardente, canela, etc.) que se bebia em jejum nos quiosques (e não só...): «O tio Manuel das Uchinhas não só recusou a espórtula, como teimou para que tomassem o mata-bicho. Foram dejejuar-se à taberna» (Aquilino Ribeiro - A batalha sem fim. Lisboa: Bertrand, 1932, p. 123). Este mata-bicho devia ser um simples bagacito.

Quadro de YSL regressa a casa

Ainda não inaugurou e já está envolta em polémica. Falo da grande retrospectiva de Andy Warhol que a partir da próxima 4ª feira e até 13 de Julho vai estar patente no Grand Palais, de Paris. A exposição reúne 150 quadros do famoso artista numa sucessão de rostos quase todos de famosos e alguns de ilustres desconhecidos. Mas a polémica rebentou quando Pierre Bergé ao discordar do espaço reservado ao quadro que retrata quatro rostos de Yves Saint Laurent decidiu mandar retirar a obra praticamente em vésperas da exposição abrir. É que para o ex-sócio e antigo companheiro de YSL, o quadro não devia estar na galeria do “glamour” junto dos costureiros Armani e Herrera, mas sim no local dedicado aos criadores como Man Ray ou Lichtenstein… A contagem decrescente para a inauguração e a não garantia da segurança necessária em torno da obra, num novo local, foram as causas que motivaram o regresso do quadro a casa. No seu lugar, o público do Grand Palais vai poder ver Sapatos, a única obra que não retrata pessoas mas sim uma dezena de sapatos de tacão prateados.

Memórias de Che Guevara

Em torno de "The House of the Rising Sun". Leadbelly!

Hoje coloquei um cover desta música por Joan Baez. Julguei que esta canção era originalmente dos "Animals". Contudo, apercebi-me que ela tem raízes na música popular levada por emigrantes ingleses para a América.

"Back in the early 20s, the name "Rising Sun" was popularly attributed to brothels in our Anglo/American culture. The traditional version of "The House of the Rising Sun" speaks, not of a boy's experience, but of a girl corrupted into a life of ruin.

Your confusion probably starts with the fact that the Animals did not write "The House of the Rising Sun." (If you look at the really small print on their 1966 album, The Best of the Animals, you'll find that it was only arranged by Burdon/Chandler/Price/Steele/Valentine.)

According to folklorist Alan Lomax in his book Our Singing Country (1941), the melody of "The House of the Rising Run" is a traditional English ballad and the lyrics were written by Georgia Turner and Bert Martin (both from Kentucky). The song was first recorded in the 1920s by black bluesman Texas Alexander and later covered by Leadbelly, Charlie Byrd, Roy Acuff, Woody Guthrie, the Weavers, Peter, Paul & Mary, Henry Mancini, Dolly Parton, David Allan Coe, John Fahey, Waylon Jennings, Tim Hardin, Buster Poindexter, Marianne Faithful, Tracy Chapman and Bob Dylan . . . just to name a few.

Here from Lomax's book are the traditional lyrics :

There is a house in New Orleans
They call the Rising Sun.
It's been the ruin of many a poor girl,
And me, O God, for one.

If I had listened what Mamma said,
I'd 'a' been at home today.
Being so young and foolish, poor boy,
Let a rambler lead me astray.

Go tell my baby sister
Never do like I have done
To shun that house in New Orleans
They call the Rising Sun.

My mother she's a tailor;
She sold those new blue jeans.
My sweetheart, he's a drunkard, Lord, Lord,
Drinks down in New Orleans.

The only thing a drunkard needs
Is a suitcase and a trunk.
The only time he's satisfied
Is when he's on a drunk.

Fills his glasses to the brim,
Passes them around
Only pleasure he gets out of life
Is hoboin' from town to town.

One foot is on the platform
And the other one on the train.
I'm going back to New Orleans
To wear that ball and chain.

Going back to New Orleans,
My race is almost run.
Going back to spend the rest of my days
Beneath that Rising Sun.

Did the House of the Rising Sun ever really exist? A guidebook called Offbeat New Orleans asserts that the real House of the Rising Sun was at 826-830 St. Louis St. between 1862 and 1874 and was purportedly named for its madam, Marianne LeSoleil Levant, whose surname translates to "The Rising Sun."
http://www.mudcat.org/thread.cfm?threadid=79762

Vou colocar uma das primeiras gravações desta música. Não é fácil de ouvir. A versão dos Animals, dos Beatles, do Bob Dylan e da Joan Baez entre outros são mais bonitas.

O primeiro europeu a chegar ao Tibete


No próximo dia 18 de Março, quarta-feira, pelas 19h30m, realiza-se uma palestra sobre o
Padre António de Andrade, ilustre Oleirense e o primeiro europeu a chegar ao Tibete.

António de Andrade nasceu em Oleiros em 1581 e entrou para a Companhia de Jesus com 15 anos. Em 1600 partiu para a Índia como missionário e aí faleceu, em 1634.

A palestra terá como oradores o Professor Doutor José Esteves Pereira, da Academia de Ciência de Lisboa e o Presidente da Câmara Municipal de Oleiros, José dos Santos Marques, contando com a presença, nomeadamente, do Presidente da Academia das Ciências de Lisboa, Professor Eduardo de Arantes e Oliveira.

Casa da Comarca da Sertã
Rua da Madalena, 171-3º
Lisboa

House of The Rising Sun - Joan Baez!

Gosto muito desta música e da Joan Baez também.

Voi Che Sapete...



animação de Pascal Roulin e de Christophe Vallaux. Voi Che Sapete ( Bodas de Figaro ) - Música: Mozart, Voz: Susanne Danco

Cinenovidades - 32 : A corte do Norte

Estreia esta semana o mais recente filme de João Botelho, que adapta o romance com o mesmo título de Agustina Bessa-Luís. Irei vê-lo.

PENSAMENTO DO DIA


" É horrível assistir à agonia de uma esperança"
- Simone de Beauvoir
Não sei qual o contexto que levou Beauvoir a proferir esta frase, ou se falava genericamente, mas resolvi aplicá-la ao continente africano. Décadas depois das descolonizações, com imensos recursos naturais e humanos, é um continente estagnado, salvo raras excepções.
Ruanda, Darfur, Libéria, Congo, Zimbabué- nomes que nos habituámos a ver nas televisões e a ler nos jornais pelos piores motivos. Ao domínio colonial, sucederam-se regimes autocráticos e mesmo ditaduras sanguinárias ( Bokassas, Idi Amins e afins ), sendo raras democracias plenas.
Doenças tratáveis e outras controláveis, e até mesmo a fome, continuam a dizimar populações, enquanto os governantes se armam até aos dentes ou vão enchendo os bancos suiços, ou as duas coisas.

António Botto

Um poeta da minha adolescência...


António Botto faleceu há 50 anos.

Explica-me tu se podes
Num movimento de calma,
Por que razão
Se te beijo num desvairo de prazer
Às vezes sou todo corpo
E às vezes sou todo alma?

António Botto
In: As canções. Lisboa: Ática, 1975, p. 330

Vou explicar o título deste post: António Botto foi, com Sebastião da Gama e Jacques Prévert, um dos primeiros poetas que li por puro prazer.

"O humorismo representa a mais sã de todas as filosofias".

Na Casa da Cultura de Coimbra está patente uma exposição de Luiz de Oliveira Guimarães.


"O Direito dos Humoristas ("entre nós que ninguém nos ouve", p. 68 a 81) - O humorismo representa a mais sã de todas as filosofias, que é a dos que sabem rir. O humorista comentando através da sua ironia os homens e os factos que andam à sua volta, produz, quando o faz com espírito superior e critério conceituoso, uma profunda obra moral.
(…) ao humorista assiste, indubitavelmente, o direito de reivindicar para si a situação de dignidade que legitimamente lhe pertence. (…) O humor vive de ironia; a ironia não é mais do que a forma intelectual do riso e o riso é tão velho como a Humanidade. (…) O riso é , pode afirmar-se, um direito natural do homem e, por consequência, um direito muito mais antigo e muito mais respeitável que o direito de propriedade,"


Dramaturgo, cronista, jurista, conferencista, jornalista, Luís de Oliveira Guimarães animou mais de meio século redacções de jornais, camarins de teatro, gabinetes de justiça, salas de livrarias, tertúlias de cafés. Foi amigo de Junqueiro e Cerejeira, de Pascoaes e Pessoa, de Dantas e Almada, entre outros.
Estudou Direito em Coimbra e foi terminar o curso em Lisboa, em 1922.
Osvaldo Macedo de Sousa – Luíz D’ Oliveira Guimarães Espírito de uma Época, Espinhal: Edição Humorgrafe, 2008 (1000 exemplares) p. 87

domingo, 15 de março de 2009

Bob Dylan - Forever Young!

Porque tenho trabalho e não me está a apetecer...

À procura dos Frankie Goes to Hollywood tropecei num Senhor que adoro, resolvi, então, desejar: que sejamos todos "Forever Young"!

The Power Of Love: Frankie Goes To Hollywood!

Lembram-se dos Frankie Goes To Hollywood?

O presente originalíssimo de João Mattos e Silva fez-me lembrar este vídeo.



O grupo de Liverpool, dos anos 80, é composto por: Holly Johnson (vocalista), Paul Rutherford (vocalista, teclista), Peter Gill (baterista, percussionista), Mark O'Toole (guitarrista baixo)e Brian Nash (guitarrista).

Ouro, insenso e mirra

Ao Luís, porque todos já lhe ofereceram tudo, só me resta deixar-lhe

Para o Luís sonhar

Wagner: Der fliegende Holländer [Navio Fantasma](abertura)

Para ser gravado numa pedra em Thoor Ballylee


http://farm3.static.flickr.com/2358/1603283839_75a06e2c09.jpg?v=0

Eu, o poeta William Yeats,
Com velhas tábuas de moinho e lousas verde-mar,
E ferro forjado na forja de Gort,
Restaurei esta torre para a minha esposa George;
Possam estes sinais permanecer
Quando tudo for ruínas outra vez.

W. B. Yeats
In: Uma antologia / trad. de José Agostinho Baptista. Lisboa: Assírio & Alvim, 1996, p. 93

Em volta de Pietà, III - El Greco!

Este Domingo a Pietà que escolhi foi a de El Greco que é um pintor que admiro.

El Greco, Pietà, 1587-1597

Stavros Niarchos Collection, Paris
Oil on canvas
120 x 145 cm
Doménikos Theotokópoulosé, conhecido por El Greco, foi um pintor Maneirista que viveu entre 1541 e 1614.
Gosto muito da sua expressividade e julgo que era demasiado avançado esteticamente para a época em que viveu.





Haëndel, Menuet in G Minor. Transcribed by Wilhelm Kempff.
Live-recording during radio transmission «Cordes Sensibles»
Radio France Musique, Studio Paris
on February 7, 2004. Played by İdil Biret

Em jeito de retribuição

Sei que é uma ópera de que todos gostamos, por isso aqui fica a deslumbrante Diana Dramrau, a melhor Rainha da Noite da actualidade.

PENSAMENTO DO DIA

- W.B. Yeats, autor desconhecido, Biblioteca do Congresso.



" A minha glória foi ter amigos. "



- William Butler Yeats





Esta bela frase deste poeta de que gosto muito, "apanhei-a" no Público de sexta-feira. Guardei-a, como faço com outros aforismos, máximas, e reflexões que vou colhendo aqui e ali para usar no blogue. Afinal, não "ficou em carteira" muito tempo- pareceu-me muito adequada depois de tudo o que antecede.
Se outras glórias as não tenho, prezo-me de ter esta.

Longe da multidão - Sénanque

Os primeiros registos históricos da abadia de Notre-Dame de Sénanque na Provença (França) datam de 9 de Julho de 1148: nesse dia, chegava Pedro de Mazan com doze monges da ordem de Cister ao vale do rio Sénancole para aí fundar uma abadia, sob a iniciativa do bispo Alphant de Cavaillon e com a generosidade de senhores feudais da região de Gordes.

Não existem documentos oficiais que comprovem uma intervenção directa por parte de Bernardo de Claraval na construção da abadia. No entanto, a escolha da localização sugere que o fundador da ordem de Cister tenha dado orientações precisas para esta obra: um vale rodeado de mato, isolado e próximo de recursos naturais necessários, tais como, água, cal e minério. A água, sinónimo de pureza, simbolizava ao mesmo tempo a humildade, a maior virtude de um monge segundo Bernardo que, em vários escritos, deixou para a posteridade o “trocadilho” entre húmido (umidus) e humilde (humilis). A origem etimológica do nome Sénanque poderá provir do latim sana aqua (água sã) ou da palavra celta sagn-anc (vale pantanoso).

Logo após a fundação da abadia, foi construída a igreja entre os anos de 1150 e 1180. Predomina claramente o estilo românico. Seguiu-se a edificação do claustro e da sala do capítulo no século XIII. O refeitório que encontramos hoje data do século XVII.
Tal como as outras abadias congéneres cistercenses, Sénanque manifesta traços arquitectónicos característicos desta ordem: a vida dos monges regia-se pela pobreza, misericórdia e pelo recurso apenas àqueles bens que eram considerados absolutamente indispensáveis; a simplicidade da construção, omnipresente e preponderante nas abadias da ordem, reflectia naturalmente esta vivência. No entanto, algumas particularidades, menos óbvias à primeira vista, aligeiram o rigor e a simplicidade habituais: os 48 arcos do claustro estão alicerçados em pilares com capitéis de decoração rica e diversificada. A igreja, por sua vez, chama a atenção para uma abóbada octogonal sob a intersecção das naves, coroada de um campanário em forma de uma pirâmide.

A abadia de Sénanque viveu o seu apogeu no século XIV, dada a proximidade de Avignon e a presença dos papas que impulsionou toda a região da Provença. Nesse período, Sénanque foi dirigido por monges que, devido ao seu bom relacionamento com papas como Inocêncio VI ou Urbano V, souberam canalizar estas ligações para bem da abadia. A extensão da propriedade do terreno com cultivo agrícola aumentou, e foram concretizadas obras de restauro e renovação do complexo.
Ao longo dos séculos, a vida em Sénanque reflectia momentos gloriosos e trágicos da História francesa. Findo um período de convulsões após 1789, seguiram-se anos de prosperidade e estabilidade durante o século XIX, até que a separação entre Igreja e Estado forçou os monges a abandonar Sénanque.
A vida religiosa voltou em 1988 quando membros da comunidade de Lérins (departamento dos Alpes Marítimos) regressaram a Sénanque.

Esta abadia, simbiose perfeita entre arquitectura e natureza, tornou-se célebre pelos campos de lavanda que a rodeiam (em flor apenas em finais de Junho!). Juntamente com Le Thoronet e Silvacane integra as chamadas três irmãs cistercenses da Provença.

Parabéns, Luís!

Escolher um presente, compatível com o gosto sofisticado do Luís, é desafio difícil. Talvez só Frank Sinatra esteja à altura. Parabéns, dear friend!

Parabéns enviados por Miss Tolstoi


Para o Luís Barata com votos de Parabéns!
Miss Tolstoi

Quando cheguei tinha um e-mail da nossa Colaboradora Miss Tolstoi com o e-mail que acabo de transcrever e um outro pedindo a sua publicação. Aqui fica.

LA FUITE DE LA LUNE, Oscar Wilde!

Luís Barata,
Como sei que gosta de Oscar Wilde, envio este poema para desejar um dia feliz!

Turner, Luar


La Fuite de la Lune
O outer senses there is peace,
A dreamy peace on either hand,
Deep silence in the shadowy land,
Deep silence where the shadows cease.

Save for a cry that echoes shrill
From some lone bird disconsolate;
A corncrake calling to its mate;
The answer from the misty hill.

And suddenly the moon withdraws
Her sickle from the lightening skies,
And to her sombre cavern flies,
Wrapped in a veil of yellow gauze.

Oscar Wilde, 'La Fuite de la Lune' was originally published in the Irish Monthly, February, 1877, as part III of Lotus Leaves.

Uns girassóis...

... para o Luís, com renovados votos de Parabéns.


James Tissot (ou Jacques-Joseph Tissot)
Behold, he standeth behind our wall
Guache, 1886-1894
EUA, The Brooklyn Museum


Há um girassol
que só se vira de frente
se dissermos o teu nome.

Filipa Leal
In: Talvez os lírios compreendam. Porto: Cadernos do Campo Alegre, 2004, p. 64
(Este poema tem uma dedicatória: «Para Jorge de Sousa Braga».)