Prosimetron

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quinta-feira, 9 de junho de 2011

Memória poética da guerra colonial

O Centro de Estudos Socais da Universidade de Coimbra, promoveu a edição (Edições Afrontamento) de uma "Antologia da Memória Poética da Guerra Colonial", cujo lançamento terá lugar em 15 de Junho, pelas 19h, no Auditório da CIUL, Picoas Plaza, em Lisboa, integrado no Colóquio/Debate "Os Filhos da Guerra Colonial: pós- memória e representações", coordenado pelos investigadores Doutota Margarida Calafate Ribeiro (Universidade  de Coimbra) e Doutor Roberto Vecchi (Universidade de Bolonha).
A antologia inclui o meu poema

No chão caído - ensanguentado.
Sonhos desfeitos - riso suspenso.
Nas mãos abertas havia mais
que o gesto de implorar.

Se era esperança
se era vida,
a morte veio
lenta, furtiva,
abrir as portas
de par em par.

Olhos abertos - fitando o céu.
Cabelo loiro - a esvoaçar.
Nunca ninguém saberá que mais havia
além do seu olhar.

( Tempo de Mar Ausente -1972)

Músicas do 'exílio' - 1


Por sugestão de Jad - e para ele -, dado que ouvimos Alain Souchon ontem numa livraria-discoteca (ou seria melhor chamar-lhe cedeteca?).
Une bonne journée!

Jardins - 16

Renoir - Le Jardin du Luxembourg
Óleo sobre tela, 1883
Col. particular

As crianças eram apenas
máquinas de gritar
quando escrevi o teu nome no chão
e me vim embora
 
Isabel Meyrelles (1929-)
 


quarta-feira, 8 de junho de 2011

Os meus franceses - 133


Boa noite!

Auto-retrato(s) - 119

Óleo sobre tela, 1873-1874
Paris, col. particular 
Óleo sobre tela, 1888-1889
Col. particular 
Óleo sobre tela, 1892

Tagore, um apontamento.

Só há pouco tempo fiquei a conhecer melhor as múltiplas facetas de Tagore. A escrita do poeta já me tinha encantado. Ultimamente tenho procurado a sua pintura que acolhi com o mesmo gosto dos seus poemas. Começou tarde a pintar mas marcou o Modernismo na arte indiana.



Rabindranath Tagore, daqui




Rabindranath Tagore, Retrato de mulher, daqui



Juntei um retrato, Rabindranath Tagore realizado por um familiar, cujas pinturas me fascinaram.

Gaganendranath Tagore, Rabindranath Tagore.

Pintado num ambiente escuro a luz da janela não deixa de ser uma metáfora do conhecimento.




National Gallery of Modern Art, New Delhi

No exílio

Paris: Café de Flore

Nicolas Hugo
Noemi Martin
Anthony


Paris: Fernand Lanore, 2004

http://www.cafedeflore.fr/

Humor pela manhã... - 23



O verdadeiro choque de civilizações ou os dilemas do pós-colonialismo...

Bom dia !

terça-feira, 7 de junho de 2011

Boa noite!




Nara Leão (1942-1989) faleceu há 22 anos, no Rio de Janeiro. É uma das cantoras brasileiras que prefiro.

Cartas a Ottla


A Bodleian Library de Oxford e o Arquivo de Literatura Alemão de Marbach adquiriram, em Abril deste ano, 111 cartas e postais que Franz Kafka escreveu à sua irmã Ottilie, mais conhecida por Ottla. A compra, efectuada pelas duas instituições em conjunto com vista a evitar a venda em leilão a particulares (o que acontecera com cartas de Kafka à noiva Felice Bauer nos anos 80), encontra-se agora em exposição temporária no Museu de Literatura Moderna dessa mesma localidade alemã, próxima de Estugarda e cidade natal de Friedrich von Schiller. Intitulada “Briefe an Ottla” (cartas a Ottla), a exposição mostra os registos preciosos que compreendem o período de 1909 a 1924, ano do falecimento de Kafka, e representam um testemunho único do relacionamento com a irmã preferida.
Conforme consta de uma correspondência dirigida a Felice Bauer, Ottla era a “melhor amiga” de Praga, e o diário do escritor que documenta conversas havidas com Ottla prova o carinho especial entre os dois irmãos. Em oposição ao pai, Franz apoiou Ottla na decisão de gerir uma pequena exploração agrícola na Boémia, e de casar com um checo católico.

Ottilie (Ottla) Kafka nasceu a 29 de Outubro de 1892 em Praga. Foi deportada para Auschwitz em 1943 onde viria a falecer.

Lá fora - 115: O jovem Ribera



Trinta e duas telas de Juan Josep de Ribera ( 1591-1652 ) realizadas em Itália durante as primeiras décadas de vivência do pintor valenciano em solo italiano, primeiro em Roma e depois em Nápoles onde acabou por morrer, constituem esta mostra patente no Prado até 31 de Julho, de terça a domingo.

Uma mulher com...

http://ww1.rtp.pt/programas-rtp/index.php?p_id=2320&e_id=&c_id=1&dif=radio
Oiçam Ana Gomes hoje no Conselho Superior, na Antena 1.

Lembrando Orlando Ribeiro

Bom dia !

Boa noite!


Dolores Duran nasceu no Rio de Janeiro em 7 de Junho de 1930 e faleceu, na mesma cidade, aos 29 anos.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Quotidianos - 70

Jan Steen - Na taberna
Óleo sobre tela, ca 1660
Amesterdão, Rijksmuseum

«Na taberna ou se bebe, ou se come, ou se joga.»
(Provérbio veneziano)

Auto-retrato(s) - 118

Leonora Carrington, Auto-retrato, 1938, óleo sobre tela, 65x81,3cm, Metropolitan Museum of Art, Nova Iorque.

A nossa Ana já deu aqui notícia do falecimento desta que foi uma das poucas pintoras surrealistas no passado dia 25 de Maio, aos 94 anos, no México onde vivia desde 1942. Eu aproveito para mostrar o auto-retrato dela que é mais conhecido.

Em português - 111 : Expensive Soul

Ditados para hoje

A seguir a mim virá, quem de mim bom fará!
Só se conhece o vilão, depois de lhe colocar o poder [o pau] na mão!

Biografias, autobiografias e afins - 104

Mireille Lesage biografou a última duquesa soberana da Bretanha, rainha de França pelo casamento, e uma força política de pleno direito no seu tempo.

Anne de Bretagne, Mireille Lesage, Télémaque, 350p., €15, 2011.

Tiago Sousa- Walden Pond's Monk



Do novo álbum do compositor/intérprete português Tiago Sousa.

Também da época...

... são as sandálias, embora o tempo se mantenha instável. Cumprindo um "fetiche" prosimetrónico, aqui fica mais um modelito. Da Casa Dior, em corda, couro e plumas. €1200.

Amanhã na Gulbenkian

José Sócrates, ontem à noite. Há realmente imagens que valem por mil palavras...

Mais frutas

Émile Munier ( 1840-1895 ), Rapariga com cesto de laranjas, 1889, óleo sobre tela, col.part.

Afinal, a laranja é fruta da época...

domingo, 5 de junho de 2011

Hoje

Câmara Municipal de Tomar, Tomar

Bom Domingo!

Um quadro por dia - 176

William Hogarth, The Polling, 1755, óleo sobre tela, Sir John Soane's Museum, Londres.

Um quadro sobre uma eleição para um dia eleitoral...

Novidades - 183


Depois de, em comentário, Miss Tolstoi ter chamado à colação Diana de Cadaval, não posso deixar de lhe dedicar este post sobre a mais recente obra da jovem duquesa ( que gosta de ser chamada Princesa Diana, o que me complica um bocado os nervos mas é outra história... ), que versa desta feita sobre uma rainha de Portugal que tem um recorde singular: ter sido casada com dois reis de Portugal (D. Afonso VI, e o irmão deste, D.Pedro II ).
É uma edição da Esfera dos Livros, e o lançamento ocorrerá no Museu de Arte Antiga no próximo dia 8 de Junho.

Bom dia !



Espero que este dia termine assim, e amanhã comece uma nova era...
Como disse ontem a alguns prosimetronistas, já nem posso ver ou ouvir o homem, tal como acontecia no estertor do Cavaquismo.

Novidades - 182

Este mais recente livro de Ruth Fiori conta a história de cerca de 200 monumentos parisienses que mudaram de lugar ao longo do tempos, do séc.XVIII até aos nossos dias. Desde transportes mais simples com uma célebre fonte que foi mudada 500m de um local para outro, até casos mais complicados como o Hôtel de Massa que foi levado pedra por pedra dos Campos Elísios para a rue do Faubourg Saint-Jacques, ou a estátua de Francisco I que estava no Hôtel de Ville e foi parar ao Havre...
Imperdível para os apaixonados por Paris...

Paris déplacé, Ruth Fiori, Parigramme, 278p, 250 ilust., €29.

sábado, 4 de junho de 2011

Baile de tarde

Ramón Casas - Baile de tarde
Óleo sobre tela, 1896
Barcelona, Cercle del Liceu

Frutas - 49


Estêvão Silva (1844–1891) - Natureza-morta, Figos e maracujá
Óleo sobre madeira
São Paulo, col. Therezinha Pinotti

Estreei-me hoje nos figos - deliciosos!!!

Um belo discurso. Parabéns, Eduardo Souto Moura!

Exmo. Sr. Presidente dos EUA, Presidente do Júri, elementos do Júri, meus Amigos, minhas Senhoras e meus Senhores,
Só quando recebi o convite dizendo “Eduardo Souto de Moura of Portugal” é que acreditei que tinha ganho o Pritzker 2011. Não posso esconder que fiquei feliz, por mim, pela minha família, colaboradores, amigos e clientes. Em nome de todos, os meus sinceros agradecimentos.
Aprendi a desenhar na Escola Italiana do Porto, cidade onde nasci, e no liceu decidi ser arquitecto. Não é que tivesse alguma paixão especial pela disciplina, mas na crise agnóstica dos 15 anos, duvidei se Deus devia ter descansado ao 7º dia. É que, pensando bem, ficou por fazer uma geografia como a de Delfos, a Acrópole para receber o Parténon ou secar um pântano no Illinois, onde a Farnsworth pudesse ficar.
Em 1975 depois da Revolução dos Cravos, comecei a trabalhar com o Arqº Siza Vieira. Não só pela arquitectura, mas sobretudo pela pessoa em si, foi uma experiência excepcional que ainda hoje continuo a fazer com o mesmo prazer. Saí do seu escritório nos anos 80, para ser arquitecto. Foi difícil começar, mas usar a sua “linguagem” parecia-me uma traição e mesmo que o quisesse, não o conseguia fazer, por pudor.
Depois da Revolução, e restabelecida a Democracia, abriu-se a oportunidade de redesenhar um país, onde faltavam escolas, hospitais, outros equipamentos, e sobretudo meio milhão de casas. Não era certamente o Pós-Modernismo, na altura em voga, que nos poderia resolver a questão. Construir meio milhão de casas, com frontões e colunas seria uma perda de energia, pois a ditadura já o tinha ensaiado. O Pós-Modernismo chegou a Portugal, sem quase termos passado pelo Movimento Moderno. É essa a ironia do nosso destino: “antes de o ser já o éramos”.
Do que precisávamos era de uma linguagem clara, simples e pragmática para reconstruir um país, uma cultura, e ninguém melhor que o proibido Movimento Moderno poderia responder a esse desafio. Não era só um problema ideológico, mas sobretudo de coerência entre material, sistema construtivo e linguagem. Se “arquitectura é a vontade de uma época traduzida num espaço”, Mies van der Rohe abriu-nos as portas na redefinição da disciplina tão massacrada até aí, pela linguística, semiótica, sociologia e outras ciências afins. O importante é que a arquitectura fosse “construção”, assim com urgência, nos pedia o país.
Com dez séculos de História, Portugal encontra-se hoje numa grande crise social e económica, como já aconteceu em vários períodos anteriores. Hoje, como ontem, a solução para a arquitectura portuguesa é emigrar. Como dizia Paul Claudel: “Le Portugal est un pays en voyage, de temps en temps il touche l’Europe”. Resta-nos a “mudança”, como quer dizer a palavra “crise” em grego. Resta-nos decifrar o significado dos dois caracteres chineses que compõem a palavra “crise”: o primeiro significa “perigo”, o segundo “oportunidade”. Em África e noutras economias emergentes não nos faltarão oportunidades, o futuro é já aí. “Trabalhar na transmutação, na transformação, na metamorfose é obra própria nossa.” (Herberto Hélder)
Muito obrigado.

Mais franceses: Greg Zlap



Um excelente uso da  harmónica!

Citações - 171


(...) Tivemos campanhas autistas  e infantilizantes, discursos paupérrimos, lideranças rascas ou limitadas. Mas pior: assiste-se a uma ausência total de equipas que, à falta de melhores líderes, nos dessem uma pista sobre os nomes ( nomeadamente para as Finanças ) que vão conduzir  os nossos destinos colectivos. Foi tudo demasiado mau.
E, no entanto, não podemos demitir-nos. Desta vez, votaremos por palpite. E usaremos a nossa intuição, de povo sábio e antigo, para descortinar qual será o mal menor. Como quase sempre, acabaremos por acertar.

- Filipe Luís, Cara ou coroa, na Visão.

Leonard Cohen

O Prémio Príncipe das Astúrias 2011 foi atribuído a Leonard Cohen.



Take This Waltz
(after Lorca)

Now in Vienna there's ten pretty women
There's a shoulder where Death comes to cry
There's a lobby with nine hundred windows
There's a tree where the doves go to die
There's a piece that was torn from the morning
And it hangs in the Gallery of Frost
Ay, Ay, Ay, Ay
Take this waltz, take this waltz
Take this waltz with the clamp on its jaws

Oh I want you, I want you, I want you
On a chair with a dead magazine
In the cave at the tip of the lily
In some hallways where love's never been
On a bed where the moon has been sweating
In a cry filled with footsteps and sand
Ay, Ay, Ay, Ay
Take this waltz, take this waltz
Take its broken waist in your hand

This waltz, this waltz, this waltz, this waltz
With its very own breath of brandy and Death
Dragging its tail in the sea

There's a concert hall in Vienna
Where your mouth had a thousand reviews
There's a bar where the boys have stopped talking
They've been sentenced to death by the blues
Ah, but who is it climbs to your picture
With a garland of freshly cut tears?
Ay, Ay, Ay, Ay
Take this waltz, take this waltz
Take this waltz it's been dying for years

There's an attic where children are playing
Where I've got to lie down with you soon
In a dream of Hungarian lanterns
In the mist of some sweet afternoon
And I'll see what you've chained to your sorrow
All your sheep and your lilies of snow
Ay, Ay, Ay, Ay
Take this waltz, take this waltz
With its "I'll never forget you, you know!"

This waltz, this waltz, this waltz, this waltz ...

And I'll dance with you in Vienna
I'll be wearing a river's disguise
The hyacinth wild on my shoulder,
My mouth on the dew of your thighs
And I'll bury my soul in a scrapbook,
With the photographs there, and the moths
And I'll yield to the flood of your beauty
My cheap violin and my cross
And you'll carry me down on your dancing
To the pools that you lift on your wrist
Oh my love, Oh my love
Take this waltz, take this waltz
It's yours now. It's all that there is.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Boa tarde!

Jan Fyt (1611-1661) - Cogumelos
Óleo sobre madeira
Bruxelas, Musées Royaux des Beaux-Arts

Com um agradecimento a HMJ e a APS.