Prosimetron

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terça-feira, 27 de agosto de 2013

Há 1934 anos e 3 dias




Cave canem, cuidado com o cão. Em mosaico no atrium, e numa parede da chamada Casa do Poeta Trágico em Pompeia. Mas o perigo não eram os ladrões, era o Vesúvio, que nesse dia 24 de Agosto do ano 79 incinerou e sepultou Pompeia e os seus milhares de habitantes.

Poemas - 85



" Como se explica, Hípias, que os antigos sábios
Todos se tenham afastado dos negócios públicos? "
Perguntei, porque também eu calei
A minha voz pública de outrora. Cidade,
Perdoa-me a ausência e o rancor,
Perdoa que a minha voz agora
Não nomeie  os teus cais de embarque,
A dor, a miséria, a cúpida opressão.
Ainda amo, neste exílio de paz, a mesma Paz .
Sábia, não sou. Calei-me porque
as memórias minhas e a voz sozinha
também pertencem ao Todo, em harmonia.
Ainda amo a pátria, feita de lugares, parentes,
dos próximos, e do vento, meu semelhante.

- Fiama Hasse Pais Brandão

Números



4 / 42

Com a morte do jovem Bernardo ( Voluntários do Estoril ) ferido no Caramulo e que não resistiu sobe para quatro o número de bombeiros mortos este ano no combate aos incêndios.
O segundo número, quarenta e dois, corresponde aos incendiários detidos pela Polícia Judiciária e que aguardam julgamento.
Ainda há outro número, também na ordem das dezenas, o de feridos, alguns ainda internados, bombeiros e populares que lutaram para apagar as chamas.
Podemos culpar a falta de meios, a falta de limpeza dos acessos e das florestas, mas enquanto o mais sórdido da natureza humana continuar a ajudar a natureza haverá pouco mais que fazer do que lamentar.

Citações



É difícil despedirmo-nos das noites quentes. De uma janela da nossa casa vê-se o farol do cabo da Roca. Cada vez se acende mais cedo. Mas o calor no ar absolve a pressa da luz para desaparecer. Ainda.
As noites da última semana de Agosto são antecedidas por estranhas formações de nuvens, a moverem-se contra as aquarelas lavadas do céu.
Estas são as noites de janelas abertas, em que os sons, os cheiros e as luzes das cercanias se apresentam e nos visitam como os vizinhos que, de facto, são. Sabe bem pertencer a uma comunidade de sentidos. Daqui a pouco partilharemos as primeiras trovoadas inesperadas, traduzidas nas mesmas frases de espanto de sempre, trocadas enquanto esperamos para pagar o pão e o leite. (...)

- Miguel Esteves Cardoso, As noites de Agosto, no PÚBLICO de sábado passado.

Bom dia !

Lendo...

Amos Sewell - Wading pool (The Saturday Evening Post, 27 aug. 1955)

Marinha da Troncalha

Salinas de Aveiro, na marinha da Troncalha, junto ao Canal das Pirâmides. Funciona como eco-museu.
Venda de flor de sal.

Maria Keil

Anúncio na estação de metro do Marquês à exposição Maria Keil, em Cascais.
Não perca esta mostra da obra da artista.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

À descoberta da música portuguesa antiga

Nasceu ou em Alcáçovas ou em Lisboa cerca de 1565 e morreu em 24 de Setembro de 1646 na capital do reino. Sabe-se pouco da sua vida, Foi mestre de capela em Évora e em Lisboa onde ensinou música no Colégio do Claustro da Sé. Foi considerado o melhor músico do seu tempo e considerado, juntamente com o Rei D. João IV, Filipe de Magalhães e Manuel Cardozo, um dos músicos da "época dourada" da polifonia  portuguesa. Embora tenha atravessado o período barroco escreveu música essencialmente ao estilo  e técnica contrapontística da Renascença.


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Boa noite!

Bases de copos - 23


O meu manjerico - 4

24 ago. 2013

Atrás, o famoso tomateiro com mais de 160 cm de altura... Imagino que deve ser vulgar, mas para mim é um acontecimento. :)

In memoriam



Em memória de Luís Pereira Sampaio, um homem bom. A sua simpatia, perfeita hospitalidade e fino sentido de humor ficarão na memória de todos os que o conheceram. R.I.P.

domingo, 25 de agosto de 2013

Boa noite!

Parabéns, Elvis Costello!

Bases de copos - 22

Frente e verso de duas bases alemãs.

Pensamento ( s )




 Cada vez, diga-se, pensamos em menos espaços. Os espaços do pensamento estão a desaparecer. No teatro diz-se ( já o ouvimos muitas vezes ) : o teatro não é para pensar. No cinema diz-se: o cinema não é para pensar. Na literatura diz-se : a literatura não é para pensar. Nos jornais: os jornais não são para pensar e etc, e etc. A questão que fica é : então, onde é que se pensa? No quarto, sozinhos? Fechados na casa de banho? Num submarino?
Pensar tornou-se quase sinónimo de incomodar os outros. Como se pensar fosse uma falta de educação. Pensar à frente dos outros, que indiscrição, que falta de pudor! Pensar começa a ser uma actividade que se tolera apenas quando um homem está só e a muitos metros abaixo do solo. Pensar sim, mas no subterrâneo. (...)

- Gonçalo M.Tavares, Onde se pensa?, na VISÃO.

Há 25 anos

Citações



(...) A homofobia, a par do antissemitismo, é hoje característica dos autoritarismos antiocidentais. Usam-na como barreira cultural à influência do Ocidente. Mas nem aos ditadores convém ser claros. O ministro do desporto russo veio logo negar qualquer perseguição da homossexualidade, ao contrário do que acontecera sob a velha opressão comunista: a lei proíbe apenas a " propaganda ". É a legislação típica de uma tirania, em que a indefinição ( o que é " propaganda " ? ) permite tudo aos agentes do poder. Mas é também a medida de um tempo em que as ditaduras tentam passar por democracias e os ditadores fazem questão de ser eleitos. Nunca houve tanta comunicação, e nunca tão pouca gente disse o que pensa.

- Rui Ramos, no EXPRESSO.


Tem toda a razão Rui Ramos ao denunciar, também ele, a singular lei aprovada recentemente no Parlamento Russo por 388 votos a favor, um contra, e uma abstenção. Gostava de saber quem foi o corajoso deputado russo que ousou votar contra...

Os meus franceses - 288


A canção chama-se Wight is Wight e é sobre o mítico festival, que ainda se realiza, na Ilha de Wight.

Wight is Wight
Dylan is Dylan
Wight is Wight
Viva Donovan
C'est comme un soleil
Dans le gris du ciel
Wight is Wight
Hippie, hippie, ...pie
Hippie hippie
Hippie hippie

Ils sont arrivés dans l'île nue
Sans un bagages et les pieds nus
Comme un cyclone inattendu
Comme une fleur avant la saison
Comme une pluie de papillons
A laquelle on a jamais cru

Toi qui a voulu t'emprisonner
As tu le droit de condamner
Celui qui cherche à s'évader
Chacun mène sa vie comme il veut
Tu ne peux plus baisser les yeux
Car aussi vrai que tu es né

Marcadores de livros - 105

Ed. Forways, Lda.

A nossa vinheta

Uma homenagem a um grande poeta da América Latina, que nasceu no fim do século XIX.

O Apaixonado

Luas, marfins, instrumentos e rosas,
Traços de Dúrer, lampiões austeros,
Nove algarismos e o cambiante zero,
Devo fingir que existem essas coisas.
Fingir que no passado aconteceram
Persépolis e Roma e que uma areia
Subtil mediu a sorte dessa ameia
Que os séculos de ferro desfizeram.
Devo fingir as armas e a pira
Da epopeia e os pesados mares
Que corroem da terra os vãos pilares.
Devo fingir que há outros. É mentira.
Só tu existes. Minha desventura,
Minha ventura, inesgotável, pura.

Jorge Luis Borges, in "História da Noite"
Tradução de Fernando Pinto do Amaral

(do Citador)

sábado, 24 de agosto de 2013

Os meus franceses - 287

Léo Ferré faria hoje 97 anos.

Boa noite!

Bases de copos - 21


É só escolher...


A casa de Conan Doyle


A casa do criador de Sherlock Holmes, em Undershaw, esteve em risco. 


Onde me apetecia estar






A 1100 metros de altitude, na 47ª edição do Festival de La Chaise-Dieu, um dos mais antigos certames musicais de França e que está entre os 10 primeiros da Europa. O cenário principal continua a ser a bela abadia gótica de Saint Robert de la Chaise-Dieu, e este ano o tema é a ligação entre a música e a água, com evocações de compositores e os seus rios ( Schumann e Wagner para o Reno, mas também o barroco David Perez, de quem o nosso João Mattos e Silva falou há dias, para o Tejo ). Os intérpretes são sempre os melhores, dos veteranos como o Misha Maisky até às novas gerações.

De 21 de Agosto a 1 de Setembro.    www.chaise-dieu.com

Citações



(...) Na verdade, a introdução do euro que, em teoria, deveria promover a rápida convergência das economias e a harmonização social no espaço da União Económica e Monetária, produziu, na última década, o efeito exatamente contrário. Acentuou as divergências de competitividade, os desequilíbrios macroeconómicos e a fragilidade das economias periféricas. De facto, criou mesmo uma divisão Norte-Sul dentro da zona euro, agravando tensões e ressentimentos que põem em causa o relativo equilíbrio geopolítico europeu. Se esta outra fronteira, que agora se insinua, se tornasse real, então tudo seria ainda muito mais difícil. Na Europa e no outro lado do Mediterrâneo.

- Luís Amado, na VISÃO desta semana, p.15.

Novidades


" Será possível escrever uma História da Literatura Portuguesa anterior a 1900 que inclua as mulheres? Ou, dito de outro modo : será possível falar de escritoras antes da contemporaneidade? "

Uma das interrogações de Vanda Anastácio, organizadora desta interessante antologia publicada na Relógio D'Água.

Humor pela manhã



Uma das amizades mais improváveis de François Mitterrand foi seguramente a de Jean d'Ormesson,  aristocrata, grande escritor, grande conversador. Para se ter uma ideia da confiança recíproca apesar de tudo o que os dividia, basta dizer que foi ele quem Mitterrand escolheu ter consigo nas suas últimas horas no Palácio do Eliseu, das 9 às 11h da manhã do dia de Maio de 1995 em que se deu a posse de Chirac.
E é o escritor quem conta esta deliciosa história, que além do mais pode ser pedagógica se algum leitor vier a ocupar algum alto cargo :

Il y a une histoire de Mitterrand que j'adore. Un camarade socialiste lui dit : " Je t' ai toujours tutoyé, ça ne te gêne pas que je continue? " Et Mitterrand lui aurait répondu : " Mais c' est tout naturel, faites comme vous voulez ! "


Bom dia !

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Bases de copos - 20

Frente e verso.

Boa noite!

Parabéns a Rita Pavone que faz hoje 68 anos.

Á descoberta da música portuguesa antiga

Canção de Amigo do rei Dom Dinis, cuja música também lhe é atribuída, cantada pelo Grupo de Câmara de Compostela. ( Cancioneiro da Biblioteca Nacional 566, Cancioneiro da Vaticana 169).
Tirado de MPMP.


Adivinha


Qual é a casa do prosimetronista que dentro em breve vai ter dois residentes iguaizinhos a estes?

25 anos do incêndio do Chiado


Entre as 15h00 de amanhã, sábado, e as 24h00 de domingo a Baixa-Chiado vai sofrer alguns condicionamentos de trânsito devido a um conjunto de iniciativas comemorativas dos 25 anos do incêndio do Chiado. Exposições de fotografias, visita à obra dos Terraços do Carmo, lançamentos de livros e até um exercício de simulacro de incêndio vão animar aquela zona de Lisboa, recordando assim uma grande tragédia ocorrida a 25 de agosto de 1988 que destruiu oito hectares de área, 18 edifícios, desalojou cinco famílias (no total de 21 pessoas), deixou duas mil desempregadas, fez dois mortos (um residente e um bombeiro) e mais de meia centena de feridos. Como curiosidade, refira-se que os jornalistas do extinto jornal O Século - que funcionava na Rua Augusta - fizeram a edição dedicada ao incêndio à luz de velas e de petromax. 

Internet e tristeza

Andamos mais pelas redes sociais e pela blogosfera quando estamos tristes? E sentimo-nos pior depois de ir ao Facebook? Como não tenho Facebook não sei se isso realmente acontece, ficar mais triste por lá andar e ler os posts dos amigos. Quanto a navegar pela blogosfera, isso faço-o por vários motivos; profissionais, por curiosidade, pelo acaso... Mas não me lembro de o fazer mais intensamente pelo facto de estar triste. Ficarei atento, nas próximas vezes. Não sei se com os meus colegas de blogue e com os nossos leitores se passa o mesmo, mas gostaria de saber. Vem isto a propósito de mais um estudo divulgado por um grupo de investigadores da Universidade do Michigan, que diz que o uso das redes nos torna mais infelizes. Será?

O lírio

Lírios de Louis Van Houtte

THE LILY

The modest Rose puts forth a thorn,
The humble sheep a threat'ning horn:
While the Lily white shall in love delight,
Nor a thorn nor a threat stain her beauty bright.

William Blake

Prémio criado na América

http://asphs.net/prizes/ahdeoliveiramarques.html

CALL FOR SUBMISSIONS:  The Oliveira Marques Prize for Best Article on Portuguese History Published in 2012

Nunca se é profeta na própria terra.

http://www.scielo.oces.mctes.pt/scielo.php?pid=S1645-64322007000200014&script=sci_arttext

A google faz uma chamada de atenção para A. H. de Oliveira Marques


"Palavra perfeita"

PALAVRA

Rasa ao chão te olho caída.
A chuva por ti entrou,
e a neve em ti se afundou.
Ventos te trazem despida.

Tens no olhar a luz parada,
como quem está vivo e actua.
Mas não segues sol nem lua.
Estrela nenhuma é tocada.

No que a meu sangue respeita,
estás de todo o elemento
saturada e satisfeita.

Sim, para ti tem de existir 
uma palavra perfeita.

Gerrit Acterberg (1905-1962), in Uma Migalha na Saia do Universo, Antologia da Poesia Neerlandesa do Século Vinte. Lisboa: Assírio e Alvim, 1997 (Selecção e introdução de Gerrit Komrij, trad. de Fernando Venâncio ) Edição bilingue, p.75.

A morte só nos retira o convívio


É extraordinário sabermos todos que devemos morrer... e vivermos todos como se tivéssemos a certeza de viver para sempre.
Francesco Guicciardini 1483-1540, historiador Florentino

Sim, a morte é um contra-senso. A morte não é natural. O natural é viver e querer viver. Mas enquanto houver um pessoa que nos recorde... então não morremos ainda!

A 6 de Janeiro de 2007, A. H. de Oliveira Marques, historiador português, tomou a decisão de se deixar operar ao coração, depois de ver, pela enésima vez, o filme Il Gattopardo, de Luchino Visconti (1963).



Morreu no começo da operação, a 20 de Janeiro de 2007, em consequência da anestesia, embora a morte física só tivesse sido declarada a 23 de Janeiro. Faria hoje 80 anos