Prosimetron

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quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

A vida é um jogo entre o o real e o imaginário. A arte ao serviço da publicidade!

"DDB Berlin has altered some world famous paintings. They used works of Dali, Bosh and Magritte. They kept the artists’ specific style but changed the theme to the new Polo BlueMotion. This Polo Bluemotion has an ‘absurdly low consumption’ according to Volkswagen. You can find this low consumption in the paintings. I personally love this style, it’s some amazing artwork!"
(Retirado da Internet)
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Detalhe


A vida é um jogo entre o real e o imaginário. Neste trabalho o que mais me despertou a atenção foi o tabuleiro de xadrez e a mensagem que na infância todos sonhámos deitar ao mar na esperança que alguém lesse os nossos pensamentos.

A arte colocada ao serviço da publicidade, a História utilizada como veículo de uma corrente do pensamento.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Para JPD


http://www.chefesdecozinha.com/img/editions/56/4/ameixa_delvas4_1.JPG
O aspecto não é o mais convidativo, mas foi o que hoje encontrei. E são oferecidas com todo o gosto.
Boa noite!

Ainda Luise Rainer

Uma sequência de The Good Earth, o filme de 1937 que lhe valeu o segundo Óscar. Com dedicatória especial ao Filipe, naturalmente.

Poemas - 27

- Busto em mármore que é uma das raríssimas representações, além das moedas, de Antínoo, o amante deificado do Imperador Adriano. Data de 130-138 a.C., e pertencia até há um mês a Clarence Day, o falecido grande coleccionador de arte antiga dos EUA. Foi vendido na Sotheby's de NY a um coleccionador europeu por 17,8 milhões de euros, ultrapassando largamente a base de licitação: 1,5-2,5 milhões de euros.

PRANTO DE ADRIANO IMPERADOR


Nunca o silêncio dirá
da dor que cinjo
como o império que sirvo
e a que resisto.


Nem de tão grande amor
dirão meus versos
toda a grandeza. E os rios
mares que chorei.


Serás sempre o meu deus
pátria e destino.
Roma é vertigem só;
a vida instante.


Teu sacerdote ó Antinoos
sou: eterno e amante.


- João Mattos e Silva, in Intemporal, Antologia, desenhos de Luís Silva Moreira, Universitária Editora, 1ªedição, 2003.

Pequenos monstros do nosso tempo... - 8

Este senhor, Hashim Thaci, actual primeiro-ministro do Kosovo, é considerado pelo Conselho da Europa como o principal responsável por uma rede de tráfico de órgãos de prisioneiros sérvios durante as guerras da Ex-Jugoslávia. Já todos sabíamos que as diversas partes beligerantes se financiaram de todas as maneiras que puderam, recorrendo a todos os tráficos disponíveis, mas este senhor, que nega os factos, leva o prémio...
Ontem, como devem ter visto nos telejornais, também um médico foi acusado de cumplicidade nesta sórdida história. O que faz todo o sentido, já que os órgãos não saem por si mesmos...

O Exilado de Cabo Verde

Só há dias é que soube que este nosso concidadão, Manuel Dias Loureiro, está a viver em Cabo Verde. Por cá, não se encontra um único bem penhorável, lá é o dono do maior resort da Ilha do Sal. Puxando pela memória, lembrei-me que no centro do "CASO BPN" estava uma coisa chamada Banco Insular de Cabo Verde, será coincidência? Uma vida verdadeiramente off-shore...

Beckham na Coreia do Norte...

Bend It Like Beckham/Joga como Beckham, filme britânico mas com raízes culturais diversas como podem ver no trailer ou se lembrarão os que o viram, foi o primeiro filme ocidental, embora com partes censuradas, a ser exibido na televisão da Coreia do Norte. Ao menos, foi uma comédia, e não um filme de guerra...

Em português - 69

Sozinho, mais um belíssimo tema de Caetano.
Onde está você agora?-a pensar em ABN, que provavelmente não lerá estas linhas.


Lá fora - 93 : Sexo en piedra





Dizem os arqueólogos, designadamente os espanhóis que organizaram esta exposição, que os homens do Paleolítico não desconheciam o prazer sexual, nem o erotismo, nem eram adeptos apenas de uma posição sexual. Uma dimensão da condição humana que arqueólogos de várias gerações tentaram silenciar ou diminuir a importância, começa a ser vista com outros olhos.


Sexo en piedra
, no Centro Arqueologico de Altamira, Santillana del Mar, perto de Santander, até 23 de Fevereiro.

Luise Rainer

Em ambiente de sublime elegância arquitectónica, talvez a residência nº 54 de Eaton Square em Belgravia passasse despercebida, não fosse uma simples descrição à entrada informar o seguinte: ”Vivien Leigh 1913 – 1967, Actress, lived here”. Esta particularidade, já em si digna de veneração absoluta, junta-se a outra circunstância excepcional: a residente actual desta moradia londrina chama-se Luise Rainer, ganhou o Óscar na categoria de melhor actriz por duas vezes consecutivas e, acima de tudo, celebra hoje 101 anos de existência terrestre. Há um ano, João Soares fez a merecida referência à actriz centenária.

Luise Rainer nasce em Düsseldorf a 12 de Janeiro de 1910. Opõe-se à resistência do seu pai e abandona sua família, de origem judia, aos 16 anos rumo a Berlim. A primeira audição diante de Max Reinhardt, um dos mais importantes realizadores da República de Weimar, culmina num fracasso desastroso, pois a inexperiência de Luise revela-se naturalmente incompatível com o grau de exigência que o papel de Lulu de Frank Wedekind, escolhido pela jovem, requer. Luise consegue, no entanto, o seu primeiro trabalho em palco poucos meses depois em Krefeld. Seguem-se interpretações em Düsseldorf e Viena, onde reencontra Max Reinhardt no conceituado Theater in der Josefstadt. Luise Rainer brilha em peças de Shakespeare e Pirandello.

Na capital austríaca, é descoberta em 1935 por “um assistente qualquer” de um certo americano, chamado Louis B. Mayer - assim nos conta Rainer. Contratada pela MGM, atinge um apogeu, único e quase impossível à luz dos dias de hoje: com apenas 27 anos, conclui três películas e recebe dois Óscares na categoria de melhor actriz em The Great Ziegfeld sob a direcção de Robert Z. Leonard, ao lado de William Powell e Myrna Loy, bem como em The Good Earth, baseado na obra homónima de Pearl S. Buck. Neste segundo filme da autoria de Sidney Franklin, encarna o papel de uma mulher do campo chinesa de modo tão convincente que a esposa de Tschiang Kai-Scheck pensa tratar-se de uma conterrânea sua, pelo que passa a oferecer todos os anos um presente de Natal a Luise Rainer. Em dois anos consecutivos, 1936 e 1937, Luise alcança o maior galardão – facto inédito que viria a ser repetido apenas por Katherine Hepburn trinta anos depois. O mundo dos superlativos acolhe uma nova estrela que se junta a deusas como Greta Garbo, Joan Crawford ou Norma Shearer.

Mas, voltando a Vivien Leigh, tudo o vento levou: Luise Rainer não se conforma com a vivência em Hollywood que se reduz a dinheiro e festas no entender da actriz. O espírito de rebeldia e um matrimónio difícil com Clifford Odets motivam Rainer a abandonar Hollywood. Louis B. Mayer tê-la-á ameaçado com as palavras: “Nós criámo-la, vamos também destruí-la”, ao que Rainer terá ripostado: “Foi Deus quem me criou”. Seguem-se ainda The Emperor’s Candlesticks e The Great Waltz, e a carreira acaba. Luise cai em esquecimento, em esquecimento total, mesmo no seu país natal.


A história de Luise Rainer que sempre se recusou a adoptar um nome artístico apesar das insistências de Mayer, é a história de oportunidades perdidas. O papel principal em “Por quem os sinos dobram” cabe a Ingrid Bergmann, e não a Rainer. O primeiro sucesso de Tennessee Williams na Broadway, The Glass Menagerie, podia contar com a presença de Rainer – a actriz rejeita a sua participação. E em 1960, Federico Fellini implora-lhe o desempenho em La Dolce Vita. Mas Rainer prefere desperdiçar um come-back a rodar cenas de amor ousadas com Marcello Mastroianni.

Ainda assim, a história de Luise Rainer é também a história de uma personalidade que, embora ignorada pelo vasto público, se cruza com os grandes nomes do século passado: Rainer é admirada por Albert Einstein. Rainer apoia Ernest Hemingway durante a Guerra Civil de Espanha. E Rainer ajuda Bertolt Brecht a emigrar para os Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial. Mais de quatro décadas deste percurso por um mundo conturbado são acompanhadas do segundo marido, o publicista suíço Robert Knittel, o grande amor da sua vida.


Na memória efémera da Sétima Arte, esta grande senhora permanecerá talvez como Anna Held em The Great Ziegfeld que, recém-divorciada, telefona ao seu ex-marido (William Powell), congratulando-o pelo novo matrimónio com Billie Burke (Myrna Loy) – e o espectador vê uma lágrima no olhar de Anna. Tal momento inesquecível conferiu a Rainer a alcunha de “Viennese Teardrop”, muito embora as suas origens sejam alemãs.
E algumas biografias destacarão a força e intransigência de Rainer que, em detrimento próprio, se opôs ao sistema e establishment de Hollywood. Numa entrevista ao Frankfurter Allgemeine Zeitung em 2008, a actriz não poderia ser mais explícita: considera abominável a primazia do visual dos artistas, em constante submissão aos papéis a interpretar. Nenhum cirurgião estético pôs mãos em Luise Rainer, assim afirma a centenária. Aos vermos o seu rosto enrugado, mas repleto de ternura e alegria, não nos restam dúvidas …

Museo de la Imprenta y de la Obra Gráfica


Fica no Monasterio de El Puig (Valência) e é o mais importante de Espanha. Mostra o papel que Valência teve na introdução do papel e no desenvolvimento da tipografia em Espanha. Na Sala Gutenberg apresenta com fidelidade uma tipografia do século XV.

Para o Jad.

Trava-línguas

O tempo pergunta ao tempo
Quanto tempo o tempo tem.
O tempo responde ao tempo
Que o tempo tem tanto tempo
Quanto tempo o tempo tem.

Está escrito entre os tapetes rolantes da Estação do Metro Marquês de Pombal, em Lisboa. Mas, por vezes, vamos tão sem tempo que nem tempo temos para lhe prestar atenção.

Leituras no Metro - 38


http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/4/47/Salle_lecture_bibliotheque_Institut_de_France.JPG
Sala de leitura da Biblioteca do Instituto de França.

«À côté de l’imposante et si belle Bibliothèque Mazarine, avec laquelle elle comunique par une porte dérobée, la Bibliothèque de l’Institut de France possède un charme tout à elle, qui tient à son atmosphère de cénacle. Elle est en effet réservée aux membres de l’Institut, et on n’y entre qu’en montrant patte blanche. J’étais là pour consulter les archives de Berthe Morisot,confiées par ses héritiers au musée Marmottan, qui dépend de l’Institut. On m’apporte des boîtes en carton, contenant des lettres, classées avec soin dans des chemises de couleur: à travers témoignages et récits intimes, l avie de Berthe Morisot. Je découvre une centaine de lettres de famille, de parents ou d’amis, […]. J’y trouve quelquer télegrammes sur papier bleu et même une carte postale de reuth, disait l’image. […]
«Lettres sur papiers d’école ou de grand papetier, déchirées d’un cahier ou pliées en quatre, letttres de vacances ou de voyages, letttres de tous les jours, lettres tristes, lettres drôles, lettres pour distraire de l’ennui ou de la maladie, lettres d’invitation ou de remerciements, de faire-part, de voeux ou de condoléances […]. Elles rendent un écho de cês viés, dont le centre et le coeur fut Berthe Morisot. […]

«La première boîte contient les lettres de Berthe Morisot, celles qu’elle a adress+es à son mari, à sa mère, à ses soeurs […]. Son écriture élégante et nerveuse, n’a jamais change. D’un petir format, elle est aussi sobre et efficace, aussi peu emphatique que son coup de pinceau.
«La dernière boîte contient les letters que sa fille a reçues à sa mort. Dans les autres, j’ai pu lire celles que Berthe Morisot a reçues le long de sa vie, du moins celles qui ont échappé à la destruction du temps. La ronde des écritures n’en finissait pas de danser sous mes yeux. Chaque personne était là, vivant, á travers les mots qu’il écrivait; chaque écriture est un portrait.
«Yves Morisot écrit comme une petite fille appliquée, en appuyant les lettres sur du papier quadrille. […] Edma, comme un oiseau […].
«Puvis de Chavannes choisit un papier à lettres monogrammé. Il rédige à l’encre noire, comme il peint, avec une élégance austère, de longues lettres compliquées.

«Mary Cassatt a une écriture pointue; elle use et abuse des paraphes, la barre de ses T traverse la page et ses M majuscules ont l’air d’avoir des jambes en plus. Un style hardi et conquérant vous saute aux yeux.

«La signature de Renoir - «Ami Renoir» - et son style simple, chaud, font abttre le coeur. […]

«Claude Monet use et abuse du papier à letters à l’envers; il faut lire d’abord la page droite et revenir sur la page gauche, comme dans un livre japonais, bien qu’il écriev quand meme de gauche à droite. […]

«L’écriture de Mallarmé, aussi fine qu’un idéogramme, se pose en courts billets, en quatrains, en quelques mots exquis. Ce sont les envelopes, on le sait, qui lui demandent le plus grand soin.»
Dominique Bona - Berthe Morisot. Paris: Grasset, 2002, p.363-367. (Le livre de poche; 15347)

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Boa noite!


Porque é um dos mais belos discos e já há um tempo que não o ouvia.

Esta ilustre elvense...


... deve ter comido muitas ameixas de Elvas. Quem é?

Frutas - 41


http://docealto.pt/
Ontem fui comprar uma caixa de ameixas para oferecer. Não resisti a comprar também umas ameixinhas para mim,

bem como umas peras cristalizadas.

E estava lá abóbora a sorrir-me, mas não, de abóbora cristalizada, não gosto. Não era para mim. :)

Já marchou meia dose de ameixas e de peras. Hoje vai desaparecer a restante. :)

Ainda Ferreira Fernandes e o caso de Nova Iorque

Já é legal ameaçar de morte os 'gays'? - Opinião - DN

Lagerfeld/Pirelli

Karl Lagerfeld, Baco e duas bacantes, fotografia p/b.


Já aqui tinha referido que Lagerfeld, além de ser um dos mais reputados estilistas das últimas décadas,renovador da Casa Chanel, é um talentoso artista fotográfico. Prova disso é ter sido escolhido pela Pirelli, marca que patrocina um dos mais famosos calendários dos nossos tempos, para fotografar a edição de 2011 do citado calendário. Assim, e ao contrário do que costuma acontecer, o calendário Pirelli 2011 é para os meninos e para as meninas...

Honra a Berentz

Christian Berentz (Hamburgo, 1658- Roma, 1722 ), Natureza morta com cristais, pêssegos, figos, bolos e jasmins, 1698, 40x51cm, col.part.

Há uns dias atrás, referi-me ao grande Flegel como o rei das naturezas mortas, mas na verdade trata-se de um "trono" que tem de ser partilhado, no meu ver, com Berentz, já que este pintou algumas das mais belas telas deste género pictórico. Esta não é das mais espectaculares, embora se trate de uma natureza morta "rica", mas gosto dela desde logo pelos frutos escolhidos que são dos meus preferidos.
Quem quiser ver mais algumas deslumbrantes telas deste pintor alemão, apenas tem que procurar o seu nome no canto superior esquerdo desta página e elas aparecerão, desde logo as escolhidas pela nossa M.R. .

Novidades - 166 : Das calças


Há já uns séculos que as calças são o traje masculino por excelência, e nalguns casos ( a França desde a ordonnance de 1800, e ainda hoje em dia muitos países do Mundo Islâmico ) a própria lei proibia as mulheres de as usarem.
Apesar do facto de que à medida que o séc.XIX avançava, algumas mulheres reclamarem também o seu uso, desde logo George Sand ou Rosa Bonheur, a verdade é que até às primeiras décadas do séc.XX as mulheres que usavam calças eram apenas as ligadas a três minorias: feministas, desportistas e lésbicas.
A "democratização" das calças só acontece depois da Segunda Guerra Mundial, numa longa evolução que a autora entende não poder ser dissociada da la liberté de l'individu et l' égalité des sexes.
Une histoire politique du pantalon, Christine Bard, éd.du Seuil, 392 p, €20.

1986 : Pet Shop Boys

Foi com esta West End Girls que em 1986, embora o tema tenha sido originalmente gravado em 1984 e regravado depois do contrato com a poderosa EMI, os Pet Shop Boys tiveram o seu primeiro número 1 do top britânico, continuando depois a sua bem sucedida carreira pelo final dos anos 80 e 90 como bem se lembrará quem, como eu, cresceu com eles.

Cozinhar com glamour!

Para a MR e Filipe Nicolau uma fotografia prosaica e, por isso, uma das mais extraordinárias que vi de Audrey Hepburn o achado foi do blogue substante. Uma das comentadoras que visitou o Prosimetron no meu último poste e que não conhecia. Vale a pena espreitar.
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Cozinhar com glamour, Audrey Hepburn, (fotografia s/data)

Poemas - 26

Adeus, de Eugénio de Andrade.

Adeus, d'Eugénio de Andrade from blocsdelletres on Vimeo.

Novidade numismática

Já que infra falei de selos, agora é a vez das moedas a propósito de mais um país que aderiu ao euro. Trata-se da Estónia, e a partir do dia 1 deste mês começou a circular a primeira emissão de euros deste país báltico. Em Lisboa, já vi à venda os habituais conjuntos nas casas da especialidade.

Evocação de Genet

Uma das mais inspiradas iniciativas que em 2010 lembraram o centenário do nascimento de Jean Genet foi, para mim, este cd que conta com as vozes de Jeanne Moreau, dizendo, e de Étienne Daho, cantando, adaptando um poema-chave de Genet, O Condenado À Morte, escrito por ele em 1942 quando estava preso em Fresnes. E não se pode esquecer que foi H.Martin quem musicou o texto.


segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Caravaggio, São Jerónimo, 1607, óleo sobre tela, 117x157cm, Museu de São João, La Valetta, Malta.

O museu vazio

Depois de uma viagem tão maçadora ( as curvas da estrada deram-nos um nó à barriga ), chegámos ao museu e ele estava vazio. Pelo menos assim dizia a mulher que levava as couves e que foi buscar a chave do museu para nos mostrar.
Era verdade. Todas as peças tinham sido levadas para um armazém "da cidade", o museu ia fazer obras; mas as obras não havia maneira de começarem, isso está aí assim há um ror de anos, dizia a mulher. Abriu a porta e afastou-se para nos deixar entrar.
O museu precisava mesmo das obras. O vento entrava pelas fendas das paredes, rebentadas de humidade. O chão rangia e cedia aos passos. Os ratos fugiam no escuro.
Esquecida na última sala, só uma pequena tela a desfazer-se: um São Jerónimo a segurar uma caveira zelava pelo velho museu vazio.


- Pedro Eiras, na INÚTIL, nº2, 2010, p.27.

Em português - 68

Neste blogue que conta com vários admiradores de Carmen Miranda, com uma dúzia de posts a atestá-lo como tive agora mesmo ocasião de confirmar, há que ter cuidado para evitar repetições de temas cantados pela Diva Tropical. Esta Tic-Tac Do Meu Coração ( do filme Springtime in the Rockies, de 1942 ) penso que é a primeira vez que aparece nestas páginas, e aparece pela seguinte razão: a eterna Carmen vai ser homenageada em Março pelos Correios dos Estados Unidos com a emissão de um selo tal como já aconteceu com outras vedetas cinematográficas. Apesar das minhas aquisições filatélicas terem diminuído por várias razões, aqui está um caso em que vou fazer o possível por ter este selo. E se calhar não vou ser o único...

Para uma viagem à Índia

Cavernas de Ajanta


Os nossos globetroters têm viajado por todo o mundo. Deixo-lhes aqui uma sugestão para uma viagem à Índia.

Uma das entradas

Perto da antiga cidade de Aurangabad, no estado de Maharashtra, cuja cuja capital é Bombaim, ficam as trinta cavernas de Ajanta, talhadas na rocha por artesãos que apenas usaram martelos e cinzéis. Também pintaram paredes e abóbodas utilizando aplicações de gesso, com a técnica de têmpera. A maioria das pinturas tem mais de 1.500 anos.



Pintura mural com passos da vida de Buda

A caverna mais antiga data do Século II antes de Cristo. Algumas dessas cavernas são Viharas, mosteiros que tinham celas para os monges, onde nalgumas delas se podem ver camas talhadas na pedra, com almofadas.
As restantes são Chaitya-Grihas, ou templos, que pela sua estrutura e concepção arquitectónica parecem as precursoras das catedrais cristãs. No lugar do altar-mor dos templos católicos figuram estátuas de Buda.



Templo
Estão classificadas pela Unesco como Património da Humanidade.



Esculturas

10 de Janeiro de 1911: Decreto do descanso semanal

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Operários da panificação manifestam-se no Terreiro do Paço, em Lisboa, regozijando-se pelo decreto do Governo que estabelece a semana de seis dias de trabalho.
«Respondendo a uma das principais exigências dos trabalhadores, o Governo Provisório, pelo ministro do Interior, António José de Almeida, decreta o descanso semanal, "sempre de vinte e quatro horas seguidas" e, em princípio, ao domingo. O mesmo diploma determinou que "Pela índole especial dos seus misteres, ficam exceptuados os que trabalham nos jornais, cinematógrafos, circos, exposições e quaisquer casas de espectáculos públicos." Em outras actividades, foi previsto o trabalho por turnos. Uma das inovações desta legislação consistia na intervenção fiscalizadora dos trabalhadores e das associações de classe e juntas de paróquia, competindo aos municípios a respectiva regulamentação. A aprovação deste decreto provocou uma crise no Governo, levando mesmo à demissão de António José de Almeida, por ter visto recusado o diploma em que era estabelecido o regime das oito horas de trabalho - sendo, aliás, estas matérias remetidas para futura discussão na Assembleia Constituinte.»

Lamartine Babo


Um dos presentes que este ano me veio de terras brasileiras, foi um CD de Lamartine Babo (1904-1963), compositor e poeta, para além de actor, cantor e radialista. Como nasceu a 10 de Janeiro, no Rio de Janeiro, aqui fica uma sua canção (do Carnaval de 1955), na voz de Castro Barbosa (1905-1975), tal como interpretada no disco que me chegou.
Bom dia!

Leituras no Metro - 37


Cruz Quebrada: Casa das Letras, 2007

«Daniel Barenboim, o grande pianista e maestro disse: um menino prodígio é uma criança dotada, com uns pais muito ambiciosos.» (p. 51)

«E como a forma exacta da sua morte não tinha sido registada, Mira continuava a morrer um grande número de mortes no nosso espírito e a passar por um grande número de ressurreições para morrer outra vez e outra...» (Vladimir Nabokov)

Há já bastante tempo que andava para ler este livro. Foi agora.
Sérgio Varella Cid nasceu na Rua do Salitre, 78, em Lisboa, a 5 de Outubro de 1935. Filho de músicos, muito dotado para o piano, começa a dar concertos miúdo ainda.
Pianista notável, vive em Londres, depois no Brasil. Jogador, crivado de dívidas, deita mão de todos os expedientes, até falsificando jóias. No Rio de Janeiro, conhece Hosmany Ramos (um cirurgião plástico, assistente de Ivo Pitanguy), do submundo brasileiro (chega a ser preso por tráfico de droga e é acusado de ter morto a própria mulher). Sérgio Varella Cid começa a contrabandear automóveis (Cadillac, Mercedes,...), simula roubos para extorquir dinheiros às companhias de seguros. Saiu de sua casa, em São Paulo (Rua Cuba, 161), com dois homens, num dia no final de Junho de 1981, e nunca mais apareceu. Duas pessoas afirmam tê-lo visto mais tarde, de relance, uma num aeroporto. Seria mesmo ele?
O que leva um pianista de fama internacional, um sedutor e uma inteligência superior (nas palavras de todos o que o conheceram), a envolver-se com marginais?
«Bem vistas as coisas, para lá dos concertos e recitais, realmente acontecidos e recenseados nos jornais e nos programas, mais os casamentos, mais os filhos, esta não é uma narrativa de factos incontestáveis e solidamente documentados. A maior parte deste quase romance biográfico não é mais do que um relatório de opiniões, um desfiar de palpites e de versões que se encontram e desencontram aqui e ali. Inclusivamente nas cartas do próprio Sérgio. » (p. 385)


Rua do Salitre, 78
A casa parece hoje abandonada.

«- Esteve aqui o Heifetz.
«- Quem?
«- E o Prokofiev.
«- Porra! O Prokofiev esteve aqui?
«- E o Arrau e o Michelangeli e o Menhuin...
«- O Stravinski?
«- Muito provavelmente... o Oistrakh...
«- Estás a pintar!
«Continuávamos a falar baixo.
«- Mas quem passa aqui não sabe, não sonha...
«- O Backhaus, o Rubinstein, o Cortot...» (p. 57)

A casa merecia uma lápide a recordar todos estes visitantes.

mirror...

Ikkyu Sojun (1391-1481) era um monge japonês, poeta, escritor, músico e mestre Zen do século XV. Os seus poemas têm uma beleza simples e profunda! (alterado às 19:52h)

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mirror facing a mirror
nowhere else
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Ikkyu Sojun, Crow with No Mouth, Copper Canyon Press, 1989, p. 3o
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Leonard Campbell Taylor (1874-1969), O Pequeno Corredor, 1952


Retirado daqui.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Boa noite!


Parabéns a Joan Baez que faz hoje 70 anos.

Defender os interesses de uma minoria.

Mário Silva : Biblioteca (2000)
óleo sobre tela

Estávamos felizes [...] por podermos comparar as reacções das nossas visitas ocasionais, diante de um espectáculo que as surpreende. Depois dos «oh!» e dos «ah!», chegam infalivelmente as mesmas perguntas: «Quantos livros é que tem?» «Leu-os a todos?» «Como é que encontra aqueles de que precisa?», etc. A nós, o que nos espanta, quando entramos na casa de alguém, é a ausência de livros, ou o aspecto ético da Biblioteca de um confrade, ou então ver os volumes perfeitamente arrumados, às vezes protegidos por vidraças, e que sabem estarem ali apenas para impressionar.
No fim do serão, com a ajuda da vodca, pusemo-nos a imaginar uma associação dos proprietários de bibliotecas com mais de 20 000 títulos - precisamente o número que comportava a biblioteca do Professor Ermanno Finzi-Contini, no romance de Giorgio Bassani [
O Jardim dos Finzi-Contini] -, associação que se encarregaria de defender os interesses desta nossa ignorada minoria.
Jacques Bonnet, bibliotecas cheias de fantasmas, Lisboa, Quetzal, 2010, p. 19

Descobrir um livro ou ser descoberto por um livro


Andam-se anos e anos em busca de livros. Fazem-se investigações e viagens às principais bibliotecas de todo o mundo. Julgamos que inventariamos tudo... Somos, ao fim de mais de uma dezena de anos de investigação, surpreendido por mais um ou outro livro que aparece sem se esperar.
Um livro que conseguiu estar esquecido cinco séculos! Um livro que nem sequer fantasma era. Porque para ser fantasma era preciso que tivesse sido indicado ou referenciado em uma bibliografia ou em uma catalogação.
Se não se conhece, se não triunfou, é porque não faz falta ou porque não é importante. Seria uma primeira premissa a vir ao nosso pensamento.
Mas o livro só se torna importante depois de conhecido, depois de estudado e divulgado o conhecimento que em si se encontra fechado.
Um livro cerrado não traz cultura!

E no último mês de Dezembro vieram ao meu encontro mais dois livros de portugueses, impressos fora de Portugal, durante o século XVI. Infelizmente, ainda não consegui encontrar o momento próprios para os estudar.

Recebi, como prenda de Reis, o livro de Jacques Bonnet, Bibliotecas cheias de fantasmas com um cartão:

Caro Jad,
Aqui fica uma biblioteca cheia de fantasmas, mas dos bons, daqueles de que gostamos, dos que não nos assombram. E quando o fazem, não tem a ver com a sombra, mas com a luz.

Votos de um Bom 2011,
Miss Tolstoi

Lisboa, 6 de Janeiro de 2011.

Por não ter passado pelo local onde o livro me aguardava, só agora chegou!
Obrigado. Votos de Bom Ano!

Para Vítor Alves


https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhVTO67cEsDF4ocsqE9iFGfARYxEcm6bMUFMxlyMoYL4qnSYXugvsoY5jUQST4mtuJ9uBkQuWtStKPQSKK0ryufYj4APpFuY4qGRkep6OxgqUzfiwiOah0J9EY5bs5_t9gzq6UFe5MNwPNP/s400/IMG_6382.jpg

Um quadro por dia - 126

Alfredo Keil, A Carta, 1874, óleo sobre tela, 92x73cm, Museu do Chiado, Lisboa.


Preciso de escrever uma, séria, mas há vários dias que não passo das primeiras linhas. Se não é da chuva, é do Sol como nesta tarde que está bonita e convida à rua.
Não tenho qualquer dúvida que a procrastinação é um dos meus maiores defeitos.

Os meus belgas - 4 : Lara Fabian

Nascida na Bélgica, mas com uma carreira internacional ( e até já dupla nacionalidade: canadiana ) e gravações em várias línguas, inclusive a nossa. Esta Toutes Les Femmes En Moi, foi escrita por ela em 2009.
Lara Fabian faz hoje 41 anos. Parabéns!

Novidades - 165


Não há que recear: não é um livro para linguistas ou só para linguistas. É antes uma interessante reflexão sobre o futuro do inglês como língua franca, antecedida de uma parte histórica que analisa as outras línguas francas ( do aramaico ao latim, passando pelo fenício e pelo grego ) que precederam a língua de Shakespeare mas não foram tão bem sucedidas como esta que é hoje falada em todos os continentes, também a segunda língua mais aprendida no mundo e indubitavelmente a língua da ciência, do comércio ( e da finança) e da cultura.
O autor, reputado especialista em História das Línguas, não é, porém, optimista quanto ao futuro da língua inglesa. É que se 1000 milhões de pessoas falam inglês, apenas 330 milhões o fazem como língua materna e este é um número que não crescerá significativamente nos próximos anos.
Falta de crescimento que se deverá sobretudo a duas causas: a expansão dos nacionalismos, mesmo em ex-colónias britânicas, que levou a que países como o Sri Lanka ou a Tanzânia tivessem escolhido como línguas nacionais o Sinhala e o Swahili respectivamente; e a evolução tecnológica que, com o aperfeiçoamento do software de tradução, levará a médio-longo prazo à desnecessidade do conhecimento universal do inglês.
Daí, o título da obra: a última língua franca.


The Last Lingua Franca: English Until The Return of Babel
, Nicholas Ostler, Walker&Company, 368p, 2010.

Sudão

É o país do dia, mas por razões que podem levar à amputação de parte do seu território. Conforme estabelecido nos acordos de paz que puseram fim a uma cruenta guerra civil, realiza-se hoje um referendo que poderá levar à constituição de um novo estado: o Sudão do Sul, de maioria cristã por oposição ao Norte fortemente islamizado e dominado pela mão de ferro do Presidente Omar Bashir. Até agora, tudo está a correr bem nas votações conforme ouvi na TSF, e espero que assim aconteça até ao fim. Mas a auto-determinação dos sudaneses do Sul pode ser um terrível precedente para outras regiões do continente africano.