Prosimetron

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sexta-feira, 17 de abril de 2015

O cavaleiro das mãos irresistíveis


Era Sancho um acabado cavaleiro,
Mas nesta occasião fatal, de nada
As equestres manhas lhe serviram:
Chapou-se-lhe o cavalo, e o pobre moço
Violentissimamente ei-lo cuspido
Sobre os brutos calhaus duma pedreira,
Onde os amigos foram encontrá-lo
Exânime, no chão, com um pé estroncado,
Co’as mãos escalavradas e co’a fronte
Amassada, a sangrar por duas gaivas.
Perto dali ficava a nobre casa
De Dom Guterre Lopes que, apiedado
Por tal desgraça, recolheu o f’rido
E o ajudou a deitar na própria cama,
Enquanto a creadagem, de corrida,
Abalava à procura de Heitor Pires,
Ervanário, carcunda e feiticeiro,
E que além disso, entre Mondego e Douro,
Tinha fama de ser o mais sabido
Algebrista da terra portuguesa.
Quando os sentidos recobrou
Dom Sancho, Já o grotesco
Heitor se fora embora
Depois de lhe encanar o pé dorido
E de lhe haver bandado subtilmente
Cabeça e mãos com alvas ligaduras.


Nunca gostei da poesia de Eugénio de Castro, nem da música de Rui Coelho. :(


3 comentários:

APS disse...

Eu também não: com muitos ouropéis, académica demais, balofa...
Mas foi um acto democrático, lembrar o poeta..:-)
Bom dia!

MR disse...

:))
Bom dia!

ana disse...

Gostei deste poema.
Boa noite. :))