Prosimetron: termo grego que designa a mistura de prosa e verso.

sábado, 23 de novembro de 2013

A Barbie no Portugal dos Pequenitos

Num gesto de gentileza e generosidade maior Ana Salazar Silva e Ana Sofia Ferreira dos Santos doaram ao Portugal dos Pequenitos uma coleção de Barbies (300 bonecas). A exposição foi inaugurada a 10 de Julho de 2013 e está dividida por ordem temática: a Barbie e o cinema; a Barbie e a alta costura; a Barbie numa volta pelo mundo; a Barbie e as Eras da História e a Barbie e várias ocasiões (comemorações). Vale a pena visitar esta exposição e o Portugal dos Pequenitos, espaço lúdico-pedagógico, idealizado pelo Professor Bissaya Barreto e construído pelo arquitecto Cassiano Branco, aberto desde 8 de Junho de 1940.

Barbie com flores para a pequenina de JS


Barbie e a alta costura Robert Best


My Fair Lady

Marilyn Monroe no filme "O pecado Mora ao Lado"

Barbie portuguesa
Barbie no Mundo

Portugal dos Pequenitos

Ramalho Ortigão numa casinha portuguesa

A noite

Joaquim Benite encenou a peça para o Grupo de Campolide, em maio de 1979,
e Carlos Paredes compôs a música.

Agora, uma nova encenação da peça por José Carlos Garcia, pode ser vista no Teatro da Trindade, com um bom grupo de atores. Fui vê-la há dois dias e gostei, apesar de achar que podia ser mais condensada.


Acrescento em 24 nov.: A ação decorre na noite de 24 para de 25 de abril de 1974, na redação de um jornal que apoia o regime de então.

Frase da semana



Estes governantes ou saem a tempo ou vão ser corridos à paulada, disse Vasco Lourenço no tal " encontro das esquerdas " na Aula Magna. Eu confesso que estou indeciso entre esta pérola do Lourenço ou uma frase, menos violenta, do fadista Carlos do Carmo no mesmo local e falando sobre Mário Soares : é o nosso rei.

Em qual votam ?

Parabéns, JS!

Anderson Design

Felicidades!

Biografias e afins


Uma entrevista biográfica, desde a infância até à actualidade, a um dos sacerdotes e biblistas católicos portugueses mais conhecidos, conduzida pelo jornalista António Marujo.
O lançamento da obra ocorrerá na Fnac-Colombo, na próxima quarta-feira, às 18h30, com a presença dos autores e apresentação da Irmã Eliete Duarte e de Frei Bento Domingues.

Um quadro por dia



Continua na lista das telas mais caras de sempre esta Les Noces de Pierrette, óleo sobre tela , 1905, de Pablo Picasso, em pleno Período Azul. Estive a ler sobre ela recentemente : a aquisição em 1989, pelo milionário japonês Tomonori Tsurumaki que desembolsou 51 milhões de dólares mas foi sol de pouca dura, pois que ao falir seis anos depois teve de a vender. Só alguns anos mais tarde se soube que fora comprada discretamente pelo oligarca russo Dimitry Rybolovlev, o chamado " rei do potássio " e 119º homem mais rico do mundo. Volta a agora a falar-se dela, por causa do divórcio em curso de Dimitry e Elena que vai ser provavelmente o mais caro da história e que levará à eventual dispersão da notável colecção acumulada pelo casal nas últimas décadas : 2 Monet, vários Van Gogh, e também vários Gauguin, Modigliani etc.
Com um divórcio de cortar à faca, talvez nenhum deles fique com este magnífico Picasso.

Ausência explicada


O prosimetronista mais ausente é também o que tem a melhor justificação : é o nosso João Soares, que está a viver as alegrias da paternidade. Foi recentemente pai de uma bela menina, e espero que vá conseguindo dormir alguma coisa :)

Citações


(...) Quando o como chegar ao poder passa a ser mais importante do que saber o que se pretende fazer com o poder está tudo dito. Esta inversão de prioridades tem um sabor a suicídio - é assim que os partidos se matam a si próprios e matam a sua credibilidade.

Resolver este problema não passa, porém, por criar novos partidos. Ninguém garante que as promessas de virtudes novas não desemboquem a prazo nos vícios antigos. A solução não está também na sua autorreforma. É uma ilusão pensar que os partidos alguma vez vão tomar a iniciativa de mudar. Ultrapassar este impasse obriga a um choque político. Um choque vindo de fora para dentro. Um choque que só uma mudança do sistema eleitoral pode proporcionar. Um choque que permita aos cidadãos votarem em pessoas e não apenas em partidos. Um choque que leve os partidos a escolherem candidatos pela qualidade e não pelo clientelismo. Um choque que obrigue os deputados a responderem perante o cidadão que o elege e não apenas perante o partido que o escolhe. Fazer isto é fazer uma revolução que desagrada aos partidos. Por isso, nenhum deles propõe a mudança do regime eleitoral. Por isso também, os cidadãos pensam o que pensam dos partidos.

- Luís Marques Mendes, O novo partido, na VISÃO desta semana.

Bom dia !



A islandesa, de ascendência italiana, Emiliana Torrini.

No aeroporto

John Atherton - Boys at airport (Saturday Evening Post, 30 mar. 1946)

Quando eu era pequena, um dos meus passeios preferidos era ir ao aeroporto ver a chegada e a partida dos aviões, da varanda que ficava frente ao restaurante-bar. E como era lindo este restaurante, obra do arq. Keil Amaral,onde eu tomava sempre um garoto.


quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Marcadores de livros - 127

Mais um marcador com íman. Desta vez com a máquina de escrever, com teclado ídiche, de Isaac Bashevis Singer. Comprei-o no Museu Nobel, em Estocolmo, há muitos anos.

«If you keep saying things are going to be bad, you have a good chance of being a prophet.»
Isaac Bashevis Singer

Bom dia !


Aventine, do novo álbum homónimo da dinamarquesa Agnes Obel.

Humor pela manhã


Lá fora - 185





Uma pequena exposição, e também gosto delas assim, patente na Malmaison e que tenho pena de não ver. É a reconstrução do que foi a vida de Napoleão e Josefina na sua primeira casa, o palacete da rue de Chantereine ( depois rue de la Victoire, quando começaram as vitórias de Napoleão... ) e o seu precioso recheio. Trata-se realmente de um pequeno palacete ( 280 metros quadrados habitáveis ) construído no último quartel do século XVIII, dois pisos e telhado de ardósia com desenho do arquitecto Perrard de Montreuil, e que pertence no final do século XIX à bailarina Julie Careau, separada já do marido o famoso actor Talma. Josefina, já viúva do general-visconde de Beauharnais e recém libertada da prisão onde estava condenada à morte, um dos milhares salvos pela morte de Robespierre, nada tem devido ao sequestro dos seus bens e aluga a casa de Julie.
Começa uma nova época de ouro na vida desta casa, com Josefina a mobilá-lo com o melhor que havia de pintura e mobiliário e novidades tão interessantes como o seu quarto de dormir com as paredes cheias de espelhos... Tudo pago, ou emprestado, pelo seu amante Barras, um dos homens fortes do Directório.
É numa das festas dadas por Josefina que a dona da casa conhece um jovem general chamado Napoleão Bonaparte, oriundo da provinciana Córsega, deslumbrado pelo fausto de Paris e pelos encantos da viúva Beauharnais ( que ele julga muito rica dada a casa... ).  Bonaparte e Josefina casam a 9 de Março de 1796, e instalam-se em casa dela, que se torna rapidamente uma casa de conspirações ( desde logo o golpe de estado do 18 de Brumário que acaba com o regime do Directório ) . O resto é sabido : Bonaparte vai ganhando batalha atrás de batalha, tanto assim que a rua muda de nome para rue de la Victoire, e passa de cônsul a Primeiro Cônsul e depois Imperador.
O palacete torna-se pequeno naturalmente, e passa a ser uma residência de outros Bonaparte, depois de uns primos de Josefina, até que Napoleão, sempre generoso, o oferece a um dos seus amigos e generais mais leais : o jovem coronel, depois general, Lefebvre-Desnouettes. Mas o mobiliário e as obras de arte mais preciosas são retiradas para residências de Estado : Tulherias, Rambouillet e para as reservas do Mobilier Impérial  ( e são estas peças que estão agora expostas na Malmaison ).
O fim do Primeiro Império traz a desgraça do novo dono da casa, que morre afogado quando ia a caminho do exílio para os EUA. A sua viúva vê-se forçada a alugar a casa, que se torna primeiro um estabelecimento hidrotermal, as Néothermes, e depois um colégio interno para rapazes, até que é vendida em 1857 ao promotor imobiliário Joseph Goubie, um dos que faz fortuna com a nova Paris querida por outro imperador, Napoleão III, sobrinho de Napoleão e neto de Josefina. O palacete é demolido, a rua de Chantereine desaparece para dar lugar à actual rua de Châteaudun. Sobram as maquetes, as plantas, as reconstruções virtuais, e o catálogo.

Josephine et Napoléon, l' hôtel de la rue Chantereine, até 6 de Janeiro no Musée National des Châteaux de Malmaison et de Bois-Préau.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Os meus franceses - 306

Leituras no Metro - 144

Alfragide: Leya, 2014
€3,90

Ontem comprei esta pequena agenda para 2014 com citações de António Lobo Antunes, extraídas dos seus Livros de crónicas. Escolhi a do dia 20 de novembro: «E havia Bach, parecido com a estátua do Marquês de Pombal nos caracóis postiços e nos duplos queixos, a fitar-me um pouco de lado numa severidade de estadista.»


Duas exposições a visitar na Biblioteca Nacional

Visitei duas exposições na Biblioteca Nacional de Portugal e ambas me encheram os olhos e o pensamento.
Livros de Horas: o imaginário da devoção privada.
Esta exposição integra 25 Livros de Horas manuscritos em diálogo com exemplares impressos, estando maioritariamente estruturada de acordo com as principais secções (e respectivos programas iconográficos) que constituem esta tipologia de livro: Calendário, Perícopes evangélicas, Horas da Cruz, Horas do Espírito Santo, Horas da Piedade e do Sacramento, Horas da Virgem, Orações várias, Salmos Penitenciais e Ofício dos Defuntos. BNP 

Escolhi este pequeno Livro de Horas que pertenceu a D. Leonor, mulher de D. João II. Gostaria muito de o ter na minha pequena biblioteca. 

As Três Marias, atribuído ao Mestre do Livro de Orações de Dresden (?), escola flamenga, 
1476-1500. (94 x 67 mm)
«Letra gótica - calendário segundo o uso de Bruges. Horas da Virgem segundo o uso de Roma» [legenda] 


Antes de Lineu: o mundo das plantas impresso na coleção da BNP 
A moderna taxonomia assenta no trabalho de sistematização levado a cabo no séc. XVIII por Lineu (1707-1778) que constitui, ainda hoje, um marco na história da ciência, e da botânica em particular, ao ponto de se poder falar no antes e no depois de Lineu. Já desde o séc. XVI, porém, que outros, como o português Garcia d’ Orta, desenvolviam esforços pioneiros de recolha e sistematização do conhecimento botânico.*





Em 2013 completam-se 450 anos sobre a impressão de um dos mais importantes livros científicos, entre aqueles que foram produzidos no séc. XVI, no que às plantas diz respeito: Os Coloquios dos simples, e drogas e cousas medicinais da India, de Garcia d’Orta (Goa, 1563)*. BNP.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Boa noite!

Poemas - 86


MEMENTO MORI

                                        Death is not in life
                                         ( Wittgenstein )

Eu vi morrer três pessoas:
a uma acompanhei até ao fim,
no que seria talvez o que lhe restava da vida
ou porventura o que lhe sobrava de morte;
outra morreu quando eu dormia,
longe do hospital:
e tive que atravessar pela madrugada
uma cidade estrangeira
para chegar à sua morte;
e meu Pai, enquanto eu ia
comprar-lhe uma garrafa de oxigénio;
que nunca soube a quem serviu depois.

Nós nunca vemos ninguém morrer,
porque morrer é por dentro de cada um,
como talvez tudo o que tenha algum sentido,
como talvez o amor.

O que verdadeiramente importa
é opaco ao nosso olhar
e cada prova que vivemos
é só e única:
morrer ou ver morrer

e o amor também.


- Luís Filipe de Castro Mendes, na Relâmpago # 27, Outubro de 2010


( Na morte de Doris Lessing )

Humor pela manhã


Lá fora - 184 : Etruscos em Paris





Os etruscos não resistiram ao crescimento de Roma, e a sua civilização termina no ano 264 a.C. com a batalha que destrói Vulci, a última cidade-estado que ainda resistia. Mas sobrevivem pelo esforço da arqueologia, com 250 preciosos objectos expostos no Museu Maillol em Paris.

Etrusques, un hymne à la vie, até 9 de Fevereiro de 2014 no Musée Maillol.

Bom dia !



A inglesa Micky Green.

Leituras no Metro - 143

Hotel Florida

Estou a reler as memórias de Maria Casarès porque aconteceu ter lido há dias um texto sobre Résidence privilégiée ( Paris: Fayard, 1980) e a leitura do mesmo ter coincidido com a data do centenário do nascimento de Camus.
O livro começa com o regresso-visita de Maria Casarès a Madrid, em 1976. Galega, ela recorda a primeira vez que foi a Madrid no final de 1930, início de 1931. Desta visita ela só recorda dois locais: o hotel Florida, na praça del Callao, já aqui referido no Prosimetron, destruído nos anos 60 do século passado para aí ser edificado o imóvel dos Preciados, e o Cárcel Modelo, onde o pai – Santiago Casares Quiroga – estava preso. O Cárcel Model era na zona da Moncloa onde hoje se encontra o Ministério do Ar.
Cárcel Modelo

«La Cárcel Modelo était comme son nom l’indique une prison modèle. J’y passais, en comptant l’allant et retour, toutes mes matinées, et ce qui la différenciait pour moi de l’hôtel Florida, c’est que là, il n’y avait pas d’ascenseur.
«Les prisonniers politiques occuaient le premier étage où l’on accédait para un large et impressionnant escalier. Les cellules se multipliaient le long d’un couloirs d’enceinte, toujours égales à ells-mêmes, avec une grille, toujours la meme, qui séparait la chamber du prisonnier d’un petir parloir qui lui était destine et où familiers et amis s’entassaient aux heures de visite. Apès une petite douane préliminaire passée á l’entrée, les prisonniers avaient le droite de recevoir des livres et des colis. Ils avaient le droit aussi, si je ne me trompe, de se rencontrer les uns ls autres à certaines heures […]. Parfois je suivais ma mére dans son tour des parloirs, pour saluer les compagnons de mon père dont beaucoup formeraient bientôt le gouvernement de la seconde République Espagnole, et remettre en main propre à Niceto Alcalá Zamora, futur président, des bonshommes en chocolate, afin de satisfaire la gourmandise et de réjouir un véritable amour qu’il avait pour les enfants.» (p. 19-20). Uns anos depois estavam todos a caminho do exílio, na Europa e na América.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Quatro canções para Doris Lessing

Doris Lessing faleceu ontem.

Um quadro por dia


Toil, Glitter, Grime and Wealth on a Flowing Tide, ( 1883, Tate Britain ) a tela  mais famosa de William Lionel Wyllie ( 1851-1931 ), e uma das mais precisas representações da vida portuária britânica na era vitoriana.

Parabéns, Mickey

Esteve para se chamar Mortimer, mas ficou conhecido por Mickey. Faz hoje 85 anos.

Paula Rego em Amarante


 Em apenas dois meses, a exposição de Paula Rego no Museu Amadeo de Souza-Cardoso foi visitada por 2.748 pessoas. Sem dúvida, uma grande afluência que está a levar a organização do evento a equacionar a hipótese de estender a mostra até 12 de janeiro. Uma boa notícia à qual dedico a vinheta da semana.

Mês das teclas no Conservatório Nacional


O Quinto Poder

Já estreou em Portugal o filme sobre WikiLeaks e Assange.

domingo, 17 de novembro de 2013

Boa noite!

Uma canção maravilhosa com 46 anos. 

Memórias: 21 de Novembro de 1963

A Ópera Estadual da Baviera (Bayerische Staatsoper) em Munique reabriu as portas ao público a 21 de Novembro de 1963. Um bombardeamento em Outubro de 1943 destruíra quase todo o edifício. Reconstruída na sua imponente estrutura neoclassicista, a Ópera Estadual ressuscitou com um cerimónia festiva que contava com nomes do jet-set internacional de então, entre eles, a Princesa Soraia e Herbert von Karajan e sua esposa Eliette, que assistiram à ópera A mulher sem sombra de R. Strauss.
Num acto solene, decorrido hoje, comemoraram-se as cinco décadas de actividade musical de uma das mais conceituadas casas de ópera. Entre os convidados que encheram o interior da sala principal, coroada por um lustre de 7 metros de altitude e 6 metros de diâmetro, encontravam-se Dame Gwyneth Jones, Inge Borkh (96 anos!) e René Kollo. Jonas Kaufmann e Nina Stemme interpretaram obras de Wagner e R. Strauss.