Prosimetron

Prosimetron
Prosimetron: termo grego que designa a mistura de prosa e verso.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Yves Montand - ''A bicyclette'' (Olympia, 1981)

Bob Marley: Get up, stand up!

Bob Marley - Get up, stand up (Live)



Robert Nesta Marley, mais conhecido como Bob Marley nasceu em Saint Ann,a 6 de Fevereiro de 1945 — Miami, e faleceu a 11 de Maio de 1981. Bob cantor, guitarrista e compositor jamaicano, foi o mais conhecido músico de reggae de todos os tempos.

Sobre o Café, o tabaco e o álcool, Honoré de Balzac!

Hoje, antes de vir para casa, passei na Feira do Livro da Estação do Oriente e encontrei este livro: Sobre o café, o tabaco e o álcool, de Honoré de Balzac.
Hoje em dia, as pessoas procuram tudo o que é saudável para manter a longevidade e esquecem- se dos pequenos prazeres. Honoré de Balzac , romancista francês, nasceu em Tours, a 20 de Maio de 1799 e faleceu em Paris, a 18 de Agosto de 1850.
I Apresentação da questão.

" «Todo o excesso que atinge as mucosas abrevia a vida» (...) Uma fracção qualquer da força humana é dirigida para a satisfação de uma necessidade; resulta daí esta sensação, que varia conforme os temperamentos e conforme os climas, a que damos o nome de prazer. Os nossos órgãos são os ministros dos nossos prazeres. Quase todos possuem uma dupla função: assimilar substâncias, incorporá-las em nós, depois devolvê-las, no todo ou em parte, sob uma forma qualquer, ao receptáculo comum, a terra, ou à atmosfera, o depósito em que todas as criaturas colocam as suas forças neo-criativas. Estas parcas palavras resumem a química da vida humana. Os cientistas não rejeitam esta fórmula. (...)
A alimentação define a geração
Cuidai para que este axioma seja gravado em letras douradas nas vossas salas de jantar.
(continua)
Honoré de Balzac, Sobre o café, o tabaco e o álcool, Notas do século XIX sobre os pequenos prazeres de ontem e de hoje, Lisboa: Padrões Culturais, 2008, p.7-12.

O novo Tintin

Há cerca de um mês, escrevi aqui no blogue sobre o Tintin de Steven Spielberg, embora não se soubesse ( ou pelo menos, não tinha sido revelado ) quem interpretaria o intrépido repórter. Agora já se sabe que o novo Tintin é Jamie Bell, o jovem actor britânico que foi revelado em 2000 pelo filme Billy Elliot.
Já se sabe também que o primeiro álbum a ser adaptado é O Segredo do Licorne, aliás um dos meus preferidos, e que do elenco do primeiro filme constará também Daniel Craig.

Lá fora - 18 : Toulon

Esta é uma retrospectiva das obras marítimas ( 1948-1966 ) de Charles Lapicque (1898-1988) , um engenheiro apaixonado pelo mar, pela brisa, pela cor.
Está patente até 28 de Setembro de 2009, no Musée national de la Marine, Toulon.

Crónicas Sul-Americanas : 3 - Viña del Mar

- Viña del Mar
- Praia Caleta Abarca, mesmo ao lado do Sheraton. Foto de Manuel Soler.

- Sheraton Miramar, foi a nossa "casa" em Viña del Mar.


Chegámos a Viña del Mar no dia 31 de Janeiro. Já tinha ouvido falar desta bela segunda cidade do Chile, até pelos festivais que nela são organizados, e sabia que era uma importante cidade turística, mas desconhecia a sua diversidade arquitectónica ( é possível ver vários "castelos" árabes, onde residem famílias de ascendência síria, libanesa ou palestiniana) , bem como a fabulosa Quinta Vergara, que é o que subsiste de uma enorme propriedade que deu origem à cidade, que é verdadeiramente encantadora e onde se realizam concertos de verão.
A diversidade étnica dos povoadores da cidade levou a que possam ser vistas pela cidade igrejas e templos dos mais variados, coexistindo diversas religiões de forma tranquila.
E depois de ver a cidade, o merecido descanso: tanto na piscina do hotel, bebendo margaritas e mojitos ( lembram-se Helena e Maria João ? ) , como na praia logo ao lado do hotel, Caleta Abarca, uma das melhores da cidade.
Mas desengane-se quem esteja à espera de águas quentes, já que a temperatura da água em Viña del Mar ronda apenas os 15º C, pois que é afectada pela Corrente de Humboldt.

Rudolf Schlichter, pintor do fantástico!

Rudolf Schlichter Poder cego, 1935-37, óleo sobre tela, 79x100,
Berlim, Berlinische Galerie, Landesmuseum für Moderne Kunst, Photographie und Architektur

Rudolf Schlichter nasceu em Calw, em 1890 (Alemanha). Foi considerado um dos maiores representantes da “Neue Sachlichkeit” (Nova Objectividade). Combateu na I Guerra Mundial. No fim da guerra, em 1919, mudou-se para Berlim e juntou-se ao Partido Comunista Alemão. Integrou o movimento dadaísta em 1920 e ilustrou alguns periódicos. Em 1925 participou no "Neue Sachlichkeit" no Mannheim Kunsthalle. Quando Hitler tomou o poder as suas actividades foram alvo de perseguições e, em 1939, as autoridades Nazis baniram-no não podendo expor os seus trabalhos.
O seu estúdio foi destruído pelo bombardeamento em 1942. No fim da guerra os seus trabalhos enquadravam-se no movimento surrealista. Morreu em Munique em 1955.
Rudolf Schlichter pintou o “Poder Cego” no apogeu do Nacional-Socialismo na Alemanha. O quadro está intelectualmente associado a uma história do escritor Ernst Jünger, de quem o pintor foi protegido até à sua morte. “Sobre as Falésias de Mármore” é muitas vezes visto como contendo alusões enigmáticas e uma premonição profética dos horrores do Terceiro Reich. O “Poder Cego” é uma alegoria da destruição. O conflito militar é personificado por Marte, deus da guerra, que apesar da sua poderosa estatura aparenta estar indefeso devido à sua viseira caída, por outras palavras, “cego”. O campo de visão é restrito, está protegido das distracções e do pensamento: pode cumprir a sua missão destruidora sem escrúpulos. O aspecto fantástico reside no paradoxo da insígnia brilhante do guerreiro, que parece não estar de acordo com os gestos marciais no seu todo: o desenho sublinha um cientista ou um artista, mais do que um destruidor. Matar tornou-se cada vez mais uma ocupação científica, o controlo remoto das máquinas.

Carnaval no Prosimetron - 6 : República Dominicana





O Carnaval dominicano não é tão famoso como o brasileiro, mas é provavelmente o mais antigo das Américas, sendo festejado desde o século XVI. Actualmente, decorre durante todo o mês de Fevereiro com paradas, festas e competições, culminando no dia 27, dia da Independência. Se era já um grande acontecimento, tornou-se definitivamente o maior a partir de 1844, ano do nascimento da República Dominicana, dado o facto deste ter ocorrido num dia 27 de Fevereiro, passando o Carnaval a englobar também os festejos do Dia da Independência.
Todo o país se envolve, cada cidade competindo para ter o melhor Carnaval, sendo certo que é o de Santo Domingo, a capital do país, que atrai mais visitantes.

Eduardo Viana

Este grande pintor português faleceu em 21 de Fevereiro de 1967.


K4, quadrado azul
Óleo sobre tela, 1916
Lisboa, FCGulbenkian-CAM



A revolta das bonecas
Óleo sobre tela, 1916
Lisboa, Museu do Chiado

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Paris pela mão de Gaultier

Numa das recentes edições da Visão Viagens, o visionário francês da moda convida a um périplo por uma Paris diferente, digamos que pela Paris profunda. Fiquem também a pertencer à galeria dos grandes conhecedores da Cidade-Luz:

“Há 17 anos que tenho uma casa na minha zona favorita de Paris – perto de Pigalle, no 9º bairro. Agora à medida que as pessoas descobrem as suas pérolas arquitectónicas e a sua cultura, tornou-se tão popular que até ganhou um diminutivo próprio – SoPi, derivado de Sul de Pigalle.
(…) Mas há também uma atmosfera muito animada, e estão a abrir hotéis muito interessantes. Podemos ficar no Amour – nome muito apropriado mas engraçado, um pouco como o Costes.
(…) Menos dispendioso é o Arvor Saint Georges… O proprietário aprecia o estilo anos 60 e os quartos são principalmente brancos com rasgos de cor.
(…) A padaria Rose, anglo-francesa, onde vou muitas vezes tem bolos fantásticos, tal como a famosa e antiga pastelaria Les Petits Mitrons, na Rue Lepic. Poucas pessoas se apercebem de que esta zona foi tão famosa para os artistas como o foi a Margem Esquerda, mas muitos anos antes. (…) Ainda hoje podemos sentir essa atmosfera quando caminhamos por ruas como a Rue de Notre Dame de Lorette, onde Delacroix, em tempos, teve um estúdio e onde Gauguin nasceu. A Rue de la Tour des Dames e a Place Saint Georges são lugares fantásticos para deambular. A Fundação Dosne-Thiers, uma biblioteca e museu de artefactos napoleónicos, é uma bela mansão com salas enormes, algo delapidadas mas ainda elegantes. O meu museu preferido é o Musée de l’Erotisme, que esperaríamos encontrar em Pigalle: é inspirador e divertido e alguns dos objectos são tão invulgares que se tornam hilariantes. Depois temos também o Musée de la Vie Romantique, que tem menos a ver com romance e mais com o Romantismo e os artistas do movimento romântico local. Também há o encantador Musée Gustave-Moreau, na casa onde este viveu. E adoro também o pouco conhecido museu de cera Grévin. As figuras de cera propriamente ditas são horríveis – na minha, pareço Picasso, mas sem o génio – mas a Sala dos Espelhos, criada nos anos 20, dá-nos uma experiência autenticamente art deco de selva de feira popular com luzes e cores que mudam, animais e aranhas que surgem de repente, e sons da selva. Quando estiver com fome, dirija-se à Casa Olympe, um pequeno restaurante com alguns dos melhores pratos caseiros franceses country-style.
(…) Se adora art nouveau, Mollard é uma brasserie com fabulosas peças de cerâmica originais de Edouard Niermans. Também gosto da famosa brasserie Vaudeville, perto da Bolsa, com decoração e atmosfera dos anos 20. É agradável caminhar na espaçosa Avenue Trudaine e há um óptimo mercado na Rue dês Martyrs, onde se misturam excelentes produtos naturais com bancas de antiguidades e de livros em segunda mão. No coração de Pigalle, Montmartre é outra área onde adoro passear. É o ponto mais alto de Paris e tem vistas fabulosas, semelhantes apenas às que se contemplam do terraço do meu quartel-general na Rue Saint Martin, que fica diante do Sacré Coeur. Continua a haver lixo turístico e falsos artistas, mas alguns jovens pintores e designers muito interessantes têm-se instalado nas ruelas em torno da Place du Tertre. Aqui poderá encontrar excelentes lojas vintage como Chez Mamie e pequenas brasseries, elegantes mais tradicionais como Les Deux Moulins, que pudemos ver no filme Amélie.
(…) Mas o Divan du Monde é um pequeno auditório que apresenta boas sessões de jazz aos domingos. Depois temos os clubes. O meu favorito é o Lily la Tigresse, um clube de strip clássico do SoPi. Mas se quiser ver mesmo de onde deriva a minha inspiração, visite o grande mercado no Boulevard Rochechouart, perto dos armazéns Tati. É uma colorida colisão de culturas e ambientes, mais ou menos como combinar rendas finas e tecidos baratos. Esta é a minha Paris…".

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Carnaval no Prosimetron 5 - Mardi Gras

Noutras paragens e noutras culturas, o Carnaval é conhecido como "Mardi Gras" (expressão francesa que significa terça-feira gorda); curiosamente, é a expressão adoptada nos países anglo-saxónicos. As minhas viagens já me permitiram ver duas destas festividades carnavalescas sob uma égide anglo-saxónica.
Em Nova Orleães, no estado da Louisiana (EUA), a tradição foi trazida pelos colonos franceses, fazendo parte integral dos festejos da cidade desde 1748. Hoje a festividade é sinónimo da cidade para os norte-americanos, com cerca de meio milhão de visitantes por ano.

Máscara e contas com as cores do "Mardi Gras" de New Orleans

O French Quarter em New Orleans



Em Sydney (Austrália), o "Mardi Gras" foi celebrado pela primeira vez em 1978, sendo o seu nome completo "Sydney Gay & Lesbian Mardi Gras", configurando simultaneamente uma parada de "gay pride". Cerca de um milhão de pessoas assiste à parada, considerada pela revista Condé Nast uma das melhores dez paradas de máscaras do mundo.


Parada de "Mardi Gras" em Sydney


Festa de "Mardi Gras" pós-parada em Sydney

Naturalmente, ambos os eventos servem de plataforma política, tendo New Orleans sido palco de críticas à actuação governamental pós-Katrina, e Sydney um manifesto a favor dos direitos das minorias.

PENSAMENTO DO DIA

" Não há triunfo exterior que não implique um longo percurso de derrotas íntimas. "

- Fernando Namora

Crónicas Sul-Americanas : 2 - Passeando pelo Chile

Uma das grandes surpresas que tive no Chile foi a importância da indústria vinícola. Já sabia que os vinhos chilenos eram bons, mas desconhecia até que ponto e qual a dimensão deste sector na economia chilena. E além dos vinhos que fomos provando durante os dias no Chile, tivemos oportunidade de passar por duas grandes zonas de produção, Vales e Casablanca. E foi realmente impressionante ver a quantidade de empresas vinícolas, enotecas, pousadas com enotecas, etc, num país que tem 225 empresas vinícolas, e onde se dão variadas castas: Merlot, Cabernet Sauvignon, Chardonnay.
Segundo nos explicaram, as razões para esta abundância vinícola prendem-se com as condições geológicas e geográficas ( tendo o Chile, protegido pelo Oceano Pacífico de um lado e pelo Deserto de Atacama do outro, escapado à terrível filoxera, e depois desta vendido vinhedos para todo o mundo) .
Naturalmente, vimos várias vinhas da Concha y Toro, a maior empresa vinícola do país, que juntamente com o Barão Philippe de Rotschild, produz o melhor vinho chileno, Almaviva, que é também considerado um dos cinco melhores vinhos do mundo.
Infelizmente, não provei o Almaviva,que tem um preço proibitivo, mas recomendo vivamente os vinhos chilenos.

Han Shan poeta chinês!

Com o corpo coberto por uma veste sem tecido
e os pés calçados de pêlos de tartaruga,
Com o meu arco de corno de lebre na mão,
preparo-me para atirar sobre o demónio da Ignorância.

Han Shan (Século IX) in Rosa do Mundo - 2001 Poemas para o Futuro

(tradução de António Graça de Abreu)

Gatos e Políticos

Júlio César (100 a.C-44 a.C)
Ave César, Ave Catus!
“Desde criança que odiava gatos, talvez por os achar demasiado livres e soberanos. Soberania só reconhecia a sua.Dos seres humanos como dos animais exigia obediência cega, fidelidade extrema e um infinito espírito de sacrifício".

José Jorge Letria, Amados gatos, Lisboa: Oficina do Livro, 2006, p. 161

Cardeal Armand Jean Du Plessis de Richelieu (1585 - 1642)
"Os gatos partilhavam com Richelieu uma ampla ala do palácio, e era ali que passeavam juntos, que trocavam carícias e que discutiam intrigas e conspirações palacianas".

José Jorge Letria, Amados gatos, Lisboa: Oficina do Livro, 2006, p. 89.
Vladimir Ilitch Ulianov (1870-1924)

O gato de Vladimir Ilitch

"Indiferente a tudo e a todos, mas principalmente ao peso quase litúrgico do ritual, o gato continuava a ronronar, demonstrando que a política não tinha para ele o menor interesse. Conhecia dos homens o suficiente para não gostar dela".


José Jorge Letria, Amados gatos, Lisboa: Oficina do Livro, 2006, p. 45

Primeiro Manifesto do Futurismo

«Foi na Itália que lançámos este manifesto de transtornadora e incendiária violência, com o qual fundamos hoje o Futurismo [...].»

Marinetti apresentou o Manifesto do Futurismo em Milão, no dia 19 de Fevereiro de 1909, sendo nesse dia publicado no jornal parisiense Le Figaro, que saía com data do dia seguinte. Em Portugal, saiu no Diário dos Açores, de Ponta Delgada, em 5 de Agosto do mesmo ano (segundo informação de Pedro da Sileira em O que soubemos logo em 1909 do Futurismo).

«as nossas primeiras vontades:
«1. Queremos cantar o amor ao perigo, o hábito da energia e da temeridade.
«2. Os elementos essenciais da nossa poesia serão a coragem, a audácia e a revolta.
«3. Como a literatura até hoje enalteceu a imobilidade pensativa, o êxtase e o sono, queremos exaltar o movimento agressivo, a insónia febril, o passo de ginástica, o salto perigoso, a bofetada e o murro.
«4. Declaramos que o esplendor do mundo se enriqueceu com uma beleza nova: a beleza da velocidade. Um carro de corridas, com a sua caixa ornamentada por tubagens que parecem grossas serpentes de hálito explosivo... um automóvel rugidor, com ar de correr sobre metralha, é mais belo do que a Vitória de Samotrácia.
«5. Queremos cantar o homem que agarra no volante com um eixo ideal que atravessa a Terra, ela própria lançada no circuito da sua órbita.
«6. O poeta tem de se multiplicar com calor, centelha e prodigalidade, para aumentar o fervor entusiasta dos elementos primordiais.
«7. Só na luta ainda há beleza. Não existe obra-prima sem um carácter agressivo. A poesia deve ser uma ssalto violento contra as forças desconhecidas, para as intimar a deitar-se perante o homem.
«8. Estamos no promontório extremo dos séculos!... Para que serve olhar para trás de nós, desde que tenhamos de forçar os batentes misteriosos do Impossível? O Tempo e o Espaço morreram ontem. Já vivemos no absoluto, uma vez que já criámos a eterna e omnipresente velocidade.
«9. Queremos glorificar a guerra - única higiene do mundo -, o militarismo, o patriotismo, o gesto destruidor dos anarquistas, as belas Ideias que matam, o desprezo pela Mulher.
«10. Queremos demolir os museus, as bibliotecas, combater o moralismo e todas as cobardias oportunistas e utilitárias.
«11. Vamos cantar as grandes multidões agitadas pelo trabalho, pelo prazer e pela revolta; as ressacas multicolores e polifónicas das revoluções nas capitais modernas; a vibração noturna dos arsenais e dos estaleiros sob as suas violentas luas eléctricas; as estações gulosas, engolidoras de serpentes que fumegam; as oficinas penduradas nas nuvens pelos cordéis dos seus fumos; as pontes com saltos de ginasta lançadas sobre a cutilaria diabólica dos rios soalheiros; oa paquetes aventureiros que farejam o horizonte; as locomotivas de grande peitoril que campeiam nos carris como enormes cavalos de aço com longos tibos a afzer de rédeas, e o deslizante voo dos aeroplanos cujo hélice dá estalos de bandeira e tem aplausos de multidão entusiasta.» (Primeiro Manifesto do Futurismo)
In: F.T. Marinetti - O Futurismo. Lisboa: Hiena, 1995


Este centenário vai ser celebrado em Milão:

Ver em: http://www.stelline.it/01_calendario_evento.asp?IDAttivita=49

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Sombra(s) : uma exposição a ver... em Madrid

Uma antiga fábula de Plínio o velho (séc. I) situa a origem da pintura em Coríntio, onde uma jovem pintou o contorno da sombra do seu amante, projectada pela luz de uma vela, numa parede.

Joseph Wright of Derby (1734-1797)
A donzela coríntia (1782-1784)
Óleo sobre tela
Washington, National Gallery of Art.

Assim começa a exposição La Sombra, patente no Museu Thyssen-Bornemisza (Madrid, Espanha), até 17 de Maio de 2009. Tendo como fio condutor a sombra na pintura, a exposição patenteia quadros relevantes do Renascimento, Barroco, Romantismo, Simbolismo e Impressionismo.
A sombra como resultado da interposição de um corpo sólido e opaco entre uma fonte de luz e a superficie de projecção.
A mostra continua na Fundación Caja Madrid com os Realismos modermos, o Surrealismo e a Arte Pop, não esquecendo a fotografia e o cinema.



Jan van Eyck (c. 1390-1441)
Díptico de la Anunciación, c. 1433-1435
Óleo sobre tabla. 38,8 x 23,2 cm (tabla izquierda); 39 x 24 cm (tabla derecha)
Museo Thyssen-Bornemisza, Madrid

Carnaval no Prosimetron

CARNEVALE DI VENEZIA - Il Ballo Del Doge 2008

Carnaval no Prosimetron

CARNEVALE DI VENEZIA - Il Ballo del Doge 2007

Peças com estilo

Duas sugestões para iluminações contemporâneas - esta que parte do tecto foi produzida pelo atelier londrino O'Hare and D'Jafer...
... e esta que lembra uma cobra também é um candeeiro que é comercializado numa caixa de pizza. Por isso se chama Pizzakobra. A luz parte da cabeça da cobra e só necessita de um simples toque para que o sensor em stand by seja accionado. A ideia partiu de Ron Arad Associates, igualmente em Londres.
Muito mais que um objecto de design, a Arwa-Twinflex é uma torneira misturadora amiga do ambiente, pois permite poupar água e reduzir o nível mais alto da sua temperatura e a flexibilidade dos seus tubos coloridos possibilitam ainda projectar o jacto de a água para onde for necessário. Foi concebida por designers suíços, no atelier AI AG (Zurique).

Fazedores de sonhos


Eles são apaixonados pelo fantástico, estudam as técnicas de construção da alta costura dos anos 50, gostam de ilustração e de cor. Misturam tudo isto e criam roupa. Eles são o João Branco e o Luís Sanchez, mais conhecidos por Storytailors, a dupla de criadores de moda de momento. Acreditam que o público tem sonhos mas não sabe o que fazer com eles. Por isso dão uma ajudinha!! As colecções dos Storytailors surgem a partir de histórias estruturadas em capítulos povoadas por personagens híbridas, misteriosas e cheias de fantasia, como o caso da Rainha das Rosas nascida da Rainha de Copas de Alice no País das Maravilhas mas associada de forma assumidamente surreal à Rainha Santa Isabel como admite esta dupla. E a origem da marca também se explica: a palavra Storytailors constitui um jogo a partir da palavra storyteller e define a essência das criações do João e do Luís. 'Story' representa a apropriação romântica dos símbolos e das histórias; tailors relaciona-se com o nosso gosto pela confecção, o nosso respeito e a nossa admiração pela história da moda. Recortamos histórias e recosemo-las com as nossas próprias linhas…”. Vale a pena conhecer o que os Storytailors estão a fazer e o seu mundo de sonho mora na Calçada do Ferragial, 8, em Lisboa. Para aguçar o apetite recomenda-se passagem por www.storytailors.pt. Não se vão arrepender.

Crónicas Sul-Americanas : 1 - Santiago do Chile

- Bandeira da República do Chile.
- Bandeira da cidade de Santiago, capital do Chile.

- Vista de Santiago do Chile, mas não de minha autoria.

Em guisa de intróito, e antes de passar às impressões de viagem propriamente ditas, achei por bem relatar esta peripécia ocorrida comigo ainda no Aeroporto da Portela: Já na fila do check-in fui surpreendido por uma terrível constatação- tinha-me esquecido em casa do indispensável passaporte! Podem imaginar a aflição, ir até casa, desligar alarme e fechaduras, procurar o dito e voltar novamente para o aeroporto, tudo isto agravado por um entorse que tinha sofrido dois dias antes.
Mas lá apresentei o passaporte e fiquei pronto para começar a viagem. E foi então, a propósito do sucedido, que a minha amiga e companheira de viagem Helena P.Costa teve esta frase que me motivou a escrever este relato: " E se o aeroporto fosse em Alcochete ? ".
Assim, dei por mim a bendizer o facto de morar relativamente perto do nosso aeroporto nacional e a pensar que não tenho grande pressa que o aeroporto seja deslocalizado...
Bem sei dos inconvenientes de ter um aeroporto no centro de uma cidade, mas acreditem que há vantagens.
Depois de uma longa viagem, Lisboa-Madrid e Madrid-Santiago do Chile, começou o périplo chileno pela capital - Santiago. Fomos recebidos com uma temperatura de 30º C que tirou quaisquer dúvidas de que estávamos no Verão, e no Verão sul-americano.
Lembro-me de uma cidade limpa, muito limpa mesmo, apesar de nela viver muita gente, muito mais do que em Lisboa..., e povoada de arranha-céus como se vê na foto supra, estando em construção duas torres, uma com 60 e outra com 70 pisos.
Estava à espera de um centro histórico, com resquícios dos tempos coloniais, mas o que há é muito pouco comparado com outras cidades com passados semelhantes.
Outra surpresa foram os chilenos: estava à espera de ver mais traços índios nas feições dos transeuntes, como ocorre em outras cidades sul-americanas, mas a verdade é que apenas 13% da população chilena descende das três grandes tribos indígenas ( Mapuches, Aymaras e Rapa Nui- estes os habitantes da Ilha da Páscoa ou Rapa Nui ) , ao passo que 57% descende de espanhóis e 30% de outros países europeus.
Por outro lado, confirmou-se o que pensava : muita iconografia dos pais fundadores do país, como é habitual em países jovens e haveríamos de ver noutras paragens da viagem.

Poesia e Livros: Manuel António Pina.

Giuseppe Arcimboldo (1527 -1593), o Bibliotecário
“THE HOUSE OF LIFE”

Como Rossetti resgatando a dádiva de amor
verso a verso ao corrupto corpo
dee Elizabeth Eleanor, o escritor
é um ladrão de túmulos. E é um morto

dormindo um sonho alheio, o do livro,
que a si mesmo se sonha digerindo
sua carne e seu sangue e dirigindo
a sua mão e o seu livre arbítrio.

Quem construiu a sua casa? Quem semeou
a sua vida, quem a colherá?
Nem a sua morte lhe pertence, roubou-a
a outro e outro lha roubará.

Toma, come, leitor: este é o seu corpo,
a inabitada casa do livro,
também tu estás, como ele, morto,
e também não fazes sentido.

Manuel António Pina (1943), Os Livros in Poemário: Lisboa, Assírio & Alvim, 2009

Artistas e gatos 6. Jacopo Bassano!

Jacopo Bassano (1510 - 1592)
Jacopo Bassano foi um pintor renascentista veneziano que foi discípulo de Ticiano.
"O Gato de Jacopo Bassano
Cristo, sempre atento aos vícios e outros excessos terrenos, surpreendeu uma noite o pintor Jacopo Bassano enquanto retocava a tela, e disse-lhe com uma voz cuja doçura não excluía o leve ferrete da reprovação:
- Apesar da minha bíblica humildade, devo dizer-te qe me incomoda o facto de, nos teus quadros, rivalizar com a minha presença divina a imagem do teu gato".

José Jorge Letria, Amados gatos, Lisboa: Oficina do Livro, 2006, p. 21

Carnaval no Prosimetron

CARNEVALE DI VENEZIA - BALLO DEL DOGE 2006

O livro dos amigos

O homem compreende tudo, menos o que é inteiramente simples.

Franz Grillparzer (1791 - 1872)

Trad.: José A. Palma Caetano

Carnaval no Prosimetron

CARNEVALE DI VENEZIA - BALLO DEL DOGE 2005

Reedição da obra de Nuno Bragança

Portugal na Grande Guerra

A vida das formigas - 3

«No mundo das formigas, os voos nupciais, em que os machos encontram e fecundam duma vez para sempre as fêmeas, têm menos aparato e são mais económicos [do que nas abelhas]. Como convém ao aspecto humilde do insecto, assemelham-se a casamentos de aldeãos. No entanto, sendo muitas vezes realizadas no mesmo dia por todos os formigueiros dum cantão – no intuito da fecundação cruzada – provocam uma certa efervescência, sobretudo à superfície dos formigueiros, onde as obreiras, inquietas e excitadas, conduzem para fora do ninho e acompanham – como para encorajá-las ou despedir-se delas, e tão longe quanto podem – as fêmeas que vão cumprir o seu perigoso dever, e que nunca mais verão; porque para as formigas […] o amor tem quase o mesmo rosto de que a morte. Nenhum dos machos sobreviverá, e entre mil virgens que abriram voo para o céu, duas ou três, no máximo, realizarão o seu destino e conhecerão as misérias que vamos descrever.
«Aliás, uma polícia previdente e bem organizada vigia as entradas e proximidades do ninho e não consente que todas as fêmeas partam definitivamente. A cidade não deve ficar privada de mais jovens e vazia de possibilidades de porvir. Agarrando-lhes as patas, o guarda do formigueiro retém à força aquelas que se encontram no tecto da colónia e que um fado misterioso assinalara, arrancando-lhes as asas e recondu-las para os subterrâneos onde ficarão prisioneiras até ao fim da vida.»
Maurice Maeterlinck – A vida das formigas. 4.ª ed. Lisboa: Clássica Ed., 1950, p. 47-48

Aqui termina esta rúbrica. Para mais, ler o livro.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Bem-vindos!


Abel Manta - Largo de Camões (Lisboa)
Óleo sobre tela, 1964
Lisboa, col. João Abel Manta



A Brasileira, quando era só casa de venda de café.

Di Cavalcanti: Pierrete!

Para MR que gosta de Emiliano Di Cavalcanti (1897- 1976). Pierrete, 1922

Di Cavalcanti começou a fazer ilustrações para a Revista Fon depois da morte do seu pai, em 1914. Estudou Direito e frequentou ao mesmo tempo que estudava o atelier do impressionista George Elpons e torna-se amigo de Mário e Oswald de Andrade, poeta, romancista, crítico de arte e professor universitário. Di Cavalcanti foi também um intelectual bem informado sobre as vanguardas artísticas de seu tempo. Em 1921 foi convidado a ilustrar o livro "Balada do Cárcere de Reading", de Oscar Wilde. Em 1923, viajou para a Europa para estudar e conviveu com grandes mestres da pintura, como Picasso, Braque, Matisse e Léger. Di Cavalcanti também teve influências de Paul Gauguin, de Delacroix e dos muralistas mexicanos. O contacto que teve com o cubismo de Picasso, o expressionismo e outras correntes artísticas de vanguarda, contribuiu para aumentar sua disposição em quebrar paradigmas e inovar na sua arte.

Carnaval no Prosimetron 3/III baile de máscaras e rostos

Os bailes de máscaras proliferam em Veneza.
Hotel Casanova Jantar dançante, Veneza
Rostos no Carnaval de Veneza 1 e 2. A folia veste-se de século XVIII
Hotel Ca'Sagredo, salão de baile. Veneza

O livro dos amigos

Na política não há nada que se deva considerar impossível, porque um homem ousado pode conseguir tudo.

Wenzel Anton Graf Kaunitz (1711 -1794)

Trad.: José A. Palma Caetano

Poesia com Máscaras, Álvaro de Campos!

Pierrot em Veneza e a Máscara de Álvaro de Campos.

Todos usamos uma máscara não é preciso ser Carnaval!
*******
Depus a máscara e vi-me ao espelho.
Era a criança de há quantos anos.
Não tinha mudado nada...
É essa a vantagem de saber tirar a máscara.
É-se sempre a criança,
O passado que foi
A criança.
Depus a máscara e tornei a pô-la.
Assim é melhor,
Assim sem a máscara.
E volto à personalidade como a um términus de linha

Álvaro de Campos, POESIAS, Editorial Nova Ática.