Prosimetron

Prosimetron
Prosimetron: termo grego que designa a mistura de prosa e verso.

sábado, 28 de dezembro de 2013

Boa noite!

"Representações no Feminino"

"Representações no Feminino" (Colecção Telo de Morais) é uma exposição que está patente na Galeria de Exposições Temporárias do Museu Municipal de Coimbra/Edifício Chiado. Reúne um elenco importante de pintores portugueses do início do século XX. 

Uma das minhas escolhas recaiu  na tela de
António Tomás da Conceição Silva, Santa Maria Madalena 1917(?)

Que 2014 seja o ano por excelência da MULHER. (Desculpem-me os prosimetronistas masculinos)

São João Evangelista


Esta é a folha de abertura do livro de juramentos que a inquisição preparou (com uma parte de cada um dos quatro evangelhos) em 1604.
Lisboa, Torre do Tombo, Casa Forte, Tribunal do Santo Ofício, CG 187

Livros sobre bailado - 6

Paris: Albin Michel, 2013

Um dos presentes de Natal foi este livro, espécie de catálogo da exposição que vi há tempos na Ópera Garnier, em Paris.
Três séculos de história do bailado da Ópera de Paris, contada pelos maiores especialistas e profusamente ilustrada. Do «Luís XIV e o ballet de corte» a Rudolf Nureyev e das pontas e do  tutu aos «Décors do século XX». Por aqui passaram os maiores coreógrafos do mundo, de Perrot a Cherkaoui, de Lifar a Roland Petit e Maurice Béjart, Balanchine e Jerome Robbins; os maiores compositores, de Rameau a Messiaen; os maiores artistas, de Chagall a De Chirico, de Cocteau a Christian Lacroix, passando por Picasso e Claude Lévêque; e, claro, os maiores bailarinos: Taglioni, Carlotta Zambelli, Yvette Chauviré, Carolyn Carlson, etc. E também os dois espaços de dança, as duas óperas: Garnier e Bastilha. 

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Boa noite!

Acasos felizes- MNMC

Após a azáfama do Natal, o silêncio, da casa vazia, faz sentir que a magia acabou. Perante a maleita, há que tomar analgésicos. O remédio prescrito foi uma visita renovada ao Museu Nacional de Machado de Castro, à sala da pintura.
Ao chegar ao museu vi que havia uma exposição temporária de "louça ratinha" pratos de faiança de baixo custo, produzida em larga escala em meados do século XIX, para alimentar os "ratinhos", beirões que migravam sazonalmente para o Alentejo. 

Na entrada do museu espera-nos um Menino Jesus, século XVIII, da escola de Machado de Castro

A exposição "Pratos Ratinhos" é constituída pelo legado de José Alberto Reis Pereira da colecção de seu pai Júlio Maria dos Reis Pereira, (pintor Júlio/ poeta Saúl Dias) 

Prato de faiança de Coimbra, 1830-1860  Prato de faiança de Coimbra 1750-1800

Acasos felizes, na procura da cura encontrei a pessoa de um dos livros que recebi este Natal:
 Júlio- Saúl Dias, o universo da invenção.


Levava comigo o livro para folhear durante uma pausa para café no Loggia.

Nos canteiros 
riem as flores
e tu passas, entre elas,
também a rir.

Em volta, tudo ri,
e eu sinto-me possuído desse riso.
Cerro os olhos.
Receio que me cegue a luz do Paraíso.
                                           (Riso, p. 197)

Maria João Fernandes, Júlio- Saúl Dias, o universo da invenção. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1984, p. 112

Para terminar a visita aqui fica um detalhe da Senhora da Rosa, 
pintura portuguesa do século XV 

Boa tarde!:)

Pensamento ( s )



(...) No calor o nosso corpo afasta-se de nós, afasta-se do centro. Está para ali à minha frente ou ao meu lado. No frio, pelo contrário, o corpo torna-se aquilo que eu quero proteger e aquilo que me protege. Por isso é que nos apertamos muito no inverno, no exterior. Temos de fazer duas ações opostas ao mesmo tempo. Proteger e ser protegido. No inverno, o corpo ocupa menos espaço.
De facto, é impossível exigir reflexão a um povo que viva debaixo do sol e do calor permanentes. Acima de trinta graus de temperatura, filosofar é perder a vida e o exterior. Abaixo de oito graus, não pensar é não ter cabeça.
É assim mesmo, como se fosse uma fórmula meio química meio existencial : o homem só pensa em determinados assuntos e com certa profundidade quando avança pela cidade com temperaturas abaixo de oito, sete, seis graus.
Cada cidadão, enrolado no seu casaco, caminha com o rosto de quem reflete longamente sobre o essencial. Em Lisboa, em dezembro, pensa-se mais - isso é evidente.

- Gonçalo M.Tavares, na VISÃO desta semana.

Humor pela manhã



Sensação que afectará muito boa gente :)

Atlas dos lugares malditos

Paris: Arthaud, 2013

Não vi este livro, mas deve ter algum interesse. Olivier Le Carrer guia-nosa pelos lugares mais terríficos do mundo, em 60 mapas, desde o Triângulo das Bermudas à floresta dos suicidados de Aokaigahara, no Japão. 

Doçuras do Natal

O Stollen - ótimo, lavra de HMJ - e uns 'rebuçados' de figo e amêndoa - que saíram das mãos de outra amiga, MMC.

A Sopa dourada.

Albino Aroso (1923-2013)

Faleceu ontem um homem que muito fez, em Portugal, em prol do Planeamento Familiar e da Saúde Materno-Infantil.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Boa noite!

Fiel companhia



Direi mesmo imprescindível companhia nos últimos dois dias. Um Natal chuvoso e ventoso como não se via há algum tempo, pareceu-me. E a região de Lisboa nem foi das mais afectadas. Triste pensar em tantas famílias sem electricidade na Consoada. E a 26 uma manhã soalheira, pelo menos em Lisboa.

Bom dia !



Do álbum póstumo, justamente chamado Post Mortem, de Guillaume Depardieu. Um artista completo, desaparecido demasiado cedo.

Dançar a vida - 3

«O casal de bailarinos Anna Marie Holmes e David Holmes já pertencia à companhia [London Festival Ballet]. Não importava qual o teatro ou país, de cada vez que dançavam o pas de deux 'Águas da Primavera' o teatro vinha abaixo com aplausos estrondosos que se prolongavam interminavelmente. De efeito acrobático e algo circense, esse pas de deux era o emblema do par. São Carlos  [em 1964] não foi exceção.»
Jorge Salavisa - Dançar a vida. Alfragide: Dom Quixote, 2012, p. 127

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

I saw Mommy kissing Santa Claus

Cromos - 21

Feliz Natal!

A Natividade na arte veneziana

 
Lorenzo Lotto (1480 – ca. 1556), um dos principais representantes da arte veneziana do início do século XVI,  pintou exclusivamente motivos de arte sacra e retratos. As suas primeiras obras testemunham uma forte influência de Giovanni Bellini, seus quadros de períodos mais tardios contêm uma espiritualidade alicerçada na religiosidade profunda que Lotto viveu durante a sua vida.
Exerceu em várias cidades italianas, e foram poucas as estadas de longa duração na Serenissima, dominada sobretudo por Tiziano. Durante uma permanência mais prolongada em Veneza a partir de 1526, Lotto concluiu a Natividade ou A Adoração dos Pastores, da qual vemos este pormenor na primeira imagem: o Menino Jesus, deitado na manjedoura, agita os bracinhos para acariciar um cordeiro.   
Nada se sabe sobre quem requisitou esta obra. Com muita probabilidade, trata-se de uma encomenda particular para um palácio, em vez de uma encomenda destinada para uma igreja ou outro local público. Com muita segurança, os mecenas encontram-se retratados nos rostos dos pastores.
A todos, um Santo Natal. 
 
 
Natività, Lorenzo Lotto, Pinacoteca Tosio Martinengo di Brescia

Bom dia !


segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Boa noite!

Música para uma noite tristonha



Jan Lisiecki tem 18 anos, é canadiano de origem polaca, já muitos
prémios e considerado um fenómeno musical.

Números



16 000

O número de contribuintes que declararam rendimentos falsos, num valor de 400 milhões de euros, e que foram detectados em 2013 graças ao cruzamento de dados fiscais e pagamentos com cartões.


Lá fora - 189





Auguste Perret. Huit chefs-d'oeuvre, uma exposição dedicada a um dos grandes mestres do betão armado, focada sobre oito das suas grandes obras e patente precisamente numa delas : o Palais d' Iéna, em Paris.

Até 19 de Fevereiro.

Cromos - 20


Dançar a vida - 2

«Clara [Saint] telefonou-me para Lisboa para saber novidades e para me contar que havia um bailarino do Kirov que estava a causar furor em Paris. Não se falava de outra coisa, nunca se vira um bailarino assim [...].
«Fui com ela e com Floris [Alexander] ao Palais Garnier vê-lo dançar. Tenho de confessar que fiquei deveras impressionado com a presença cénica, beleza e técnica de Rudolf Nureyev [...]. No entanto, nem por sombras destronava o meu bailarino preferido, Yuri Soloviev, casado com outra das minhas bailarinas russas favoritas, Alla Sizova.
«Ainda hoje o nome de Soloviev desperta grande entusiasmo em todos os que tiveram a felicidade de o ver dançar. Conhecido pelo seu estilo elegante, pela limpidez da sua técnica prodigiosa e pelo seu poder de elevação, foi graças a este último atributo técnico que ficou carinhosamente conhecido por "Cosmonuata Yuri", clara alusão ao cosmonauta Yuri Gagarin, primeiro homem a viajar no espaço. Por razões ainda por desvendar, Soloviev ter-se-á suicidado em 1977 na sua dacha perto da então cidade de Leninegrado.» 
Jorge Salavisa - Dançar a vida. Alfragide: Dom Quisote, 2012, p. 79-80

Bom dia !



Escrita por Brel, recusada por Brigitte Bardot, cantada e como por Greco.

Citações



(...) Outra boa notícia que até parece um presente de Natal é existir um Tribunal Constitucional que, apesar de todas as pressões internas e externas, num sentido e no outro, continua a fazer o que lhe compete e se espera dele : interpretar e decidir livremente sobre a constitucionalidade das leis. Há um mês foi o Governo a sorrir, quando passaram no TC as 40 horas na função pública, agora são as oposições que exultam com o chumbo da " convergência " das pensões. Dentro e fora do país, muita gente parece apostada em transformar Portugal num Estado de Direito relativo, mas as decisões do TC, ignorando pressões e insultos, servem e honram a democracia portuguesa.

- Fernando Madrinha, no Expresso do passado sábado.

Assino por baixo, convencido como estou que a designação pela AR dos juízes do TC não tem impedido estes, como outros titulares no passado, de fazerem um trabalho sério e isento. E continuo a achar curioso como alguns dos que criticam o TC português se calam bem caladinhos quando a Europa inteira, a comunitária quero eu dizer, fica suspensa à espera de certas decisões do Tribunal Constitucional alemão...



domingo, 22 de dezembro de 2013

Boa noite!

A dança árabe do eterno bailado de Natal.

Machado de Castro a preencher a nova vinheta

 
Muitas das postagens dos últimos dias, em torno da época natalícia, destacaram muito merecidamente obras de autores portugueses. Uma pequeníssima parte, a mais importante no entanto, do presépio da Basílica da Estrela da autoria de Machado de Castro, datado de 1782, preencherá a nossa vinheta durante a semana do Natal.

Natal com Fernando Farinha

O filme "O miúdo da bica", realizado por Constantino Esteves em 1963, narra a história da carreira de Fernando Farinha. O fadista é naturalmente o protagonista desta película, e um dos grandes sucessos enquadra-se nesta altura festiva: É Natal!
 

Boas Festas!

Aos prosimetronistas e a todos que nos visitam deixo também  o desejo de um

FELIZ NATAL
e
UM ESPLENDOROSO ANO NOVO

Gerard David (Flemish painter, 1460-1523) Virgin and Child with Bowl of Milk, c.1520, 
Musées Royaux des Beaux-Arts, Brussels

Citações



01.06.06

Nas despedidas há sempre um impulso de rejeição. É a denegação da dor do abandono.
É assim nas gares, nos aeroportos, nos cemitérios. Há mesmo quem nunca vá a despedidas e funerais.
Conviemos em acabar dentro de mais um mês.
As Novas Cartas Portuguesas foram nove meses. Uma gestação juvenil, a termo.
Será isto um prematuro frustre?
Mas o tempo é de estufas, gravidezes assistidas, remoção de maternidades.
Pressa e demora do que nasce em Portugal. Do  que ainda nos nasce.
En su sitio, como se diz das bandarilhas bem cravadas. Ferros para fora.
Detesto despedidas.
Cold feet, que é como os ingleses designam a parestesia do medo que vem subindo.
E ainda ( me ) falta todo o material escolar. Da literacia e da discalculia.
E dos dislates e alguns acertos no Palácio das Madres.
E do Crato, a luminescente ausência da avó materna, que tentei recuperar no Amante do Crato.

Uma certa tenebrosidade nos céus do British Quintal. Uma luz cinzenta, abafada, sem água. Torna-se penoso ter de regar tantas vezes, carregar a mangueira em braços através da casa para chegar aos canteiros da frente.
Mas vale a pena.
Pela manhã seguinte há uma ridência nas folhas e flores, uma iridescência verde que contraria o cenho de calor do céu fosco,  branco-sujo. (...)

- Maria Velho da Costa, in O Livro do Meio - romance epistolar ( escrito a quatro mãos com Armando Silva Carvalho ), Caminho, 2006.

E assim assinalo a atribuição do Prémio Vida Literária ( APE ) a Maria Velho da Costa. Uma justíssima escolha.

Natal ... doce


É seguramente o do hotel Intercontinental Le Grand, em Paris, com a sua árvore de Natal composta de 8000 macarons Ladurée. Quatro metros para comer com os olhos...

Humor pela manhã



(...) Uma das reacções mais belas que pude escutar foi a da deputada do PSD, Teresa Leal Coelho, que, na hora da morte de Mandela, sublinhou o orgulho que sentia por o ex-Presidente da África do Sul ter casado com uma pessoa de língua oficial portuguesa. Partem os grandes homens e resta-nos a recordação das suas maiores façanhas. Mas Teresa Leal Coelho não tem razões para lamentar durante muito tempo a partida de um grande homem: todos os homens da minha família casaram com mulheres cujo idioma é o português, menos o meu primo Serafim, que casou com uma belga, e por isso não tem a mesma estatura moral que o resto dos Pereiras. Mas, a todos os outros, o matrimónio conferiu perfil de grand estadista.

- Ricardo Araújo Pereira, na VISÃO.

Pensamento ( s )


O problema do nosso tempo é que o futuro não é o que costumava ser.

- Paul Valéry

Um quadro por dia


A Adoração dos Pastores, 1669, óleo sobre tela, 150x184cm, MNAA, Lisboa, da grande Josefa de Óbidos, com votos de Boas Festas para todos os prosimetronistas e suas famílias, sem esquecer todos os amigos que passam por estas páginas.

Bom dia !

Ler na cama

P. J. Crook - Sunday reading in bed

Marcadores de livros - 136


Agora que a RTP está a passar uma série sobre Os Anos do Rock, ao domingo, à noite.