Prosimetron

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sábado, 26 de julho de 2008

O preço das casas - análise do Financial Times

O Financial Times fez recentemente a análise do sobre-aquecimento dos mercados de habitação na Eurozona. A análise aponta o arrefecimento do mercado hipotecário, com o crescimento do crédito à habitação sendo o mais baixo desde a introdução do euro.

Relativamente ao preço das casas e analisando os mapas fornecidos, pode dizer-se que Portugal foi o País mais conservador: é o penúltimo na lista das valorizações (6.5% acumulado de 2003 a 2007) e com pouca volatilidade (a Alemanha, cuja subida de preços no período é de 1.1%, sofreu oscilações significativas nos vários anos).

O artigo e os mapas de apoio podem ser consultados em http://www.ft.com/cms/s/0/4fda2cc8-525a-11dd-9ba7-000077b07658,dwp_uuid=a40e33b6-483c-11dd-a851-000077b07658.html

As capas de James Jean - artista de BD





Brian K. Vaughan - criador de BD



Brian K. Vaughan, argumentista de "Y: The Last Man" e "Buffy the Vampire Slayer, Season 8", foi um dos vencedores dos Eisner na noite passada.
Nascido em 1976 nos EUA, é principalmente conhecido pelo trabalho desenvolvido nas séries supra-mencionadas, bem como em "Ex Machina" e "Runaways" (esta última para a Marvel Comics). O seu primeiro crédito surgiu com "Cable" #43 (Marvel Comics), tendo escrito igualmente para a DC Comics e, mais recentemente, para projectos próprios. Em 2005 fora já galardoado com os Eisner para Melhor Escritor ("Y: The Last Man", "Ultimate X-Men", "Runaways" e "Ex Machina"), e Melhor Nova Série ("Ex Machina")
É um dos argumentistas da série televisiva "Lost" desde a sua terceira temporada.

Prémios Eisner 2008 anunciados


Foram anunciados ontem à noite em San Diego os prémios Eisner 2008, o equivalente aos Óscares da Banda Desenhada.
Entre as vitórias, destaque para Brian K. Vaughan por "Y: The Last Man" (DC/Vertigo) como Melhor Série em Continuação e "Buffy the Vampire Slayer - Season 8" (Dark Horse) como Melhor Nova Série (um ano em cheio, dado que é igualmente o argumentista da série televisiva norte-americana "Lost"); esta última série foi igualmente um dos palmarés arrebatado por Joss Whedon, que arrecadou ainda o prémio para o Melhor Banda Desenhada Digital ("Sugarshock!": http://www.myspace.com/darkhorsepresents?issuenum=1&storynum=2).
Ed Brubaker foi eleito o Melhor Escritor, com "Captain America", "Criminal", "Daredevil" e "Immortal Iron Fist" (todos da Marvel). Os Melhores Artistas foram Pia Guerra e Jose Marzan, Jr., por "Y: The Last Man".

A Melhor Mini-Série foi "The Umbrella Academy" (Dark Horse), de Gerard Way e Gabriel Bá, cuja segunda série foi anunciada na San Diego Comic-Con.

Nota ainda para James Jean, que pelo 5º ano consecutivo arrebata o prémio para Melhor Capas ("Fables" (Vertigo/DC); "The Umbrella Academy" (Dark Horse); "Process Recess 2"; "Superior Showcase 2" (AdHouse) - este ano, padrões desenhados por si vão decorar produtos da marca Prada -, e para Todd Klein, que arrebata o seu 15º prémio (sendo que existiram 16 edições até hoje) por Lettering.

A lista integral pode ser consultada em http://www.comic-con.org/cci/cci_eisners_08win.shtml

sexta-feira, 25 de julho de 2008

O Festival de Salzburgo 2008

“Salzburgo é o coração do coração da Europa”, assim descrevia o escritor e poeta austríaco Hugo von Hofmannsthal a cidade de Salzburgo. Von Hofmannsthal, Richard Strauss e Max Reinhardt fundaram há 88 anos o festival Salzburger Festspiele, highlight absoluto e incontornável no universo cultural. As jornadas começam amanhã.

A edição deste ano guarda a tradição do passado: a trilogia de ópera, teatro e concerto (sinfónico e de Lied) estende-se ao longo do mês de Agosto, numa simbiose musical desde Mozart, o genius loci, à modernidade, e numa convivência cénica, desde interpretações clássicas à experiência avanguardista. A Direcção, by the way muito pouco modesta, orgulha-se de organizar o melhor festival do mundo em que confluem apenas os melhores artistas da actualidade. Talvez seja verdade, ainda que, na minha humilde opinião, o Festival de Munique brilhe por uma oferta incomparavelmente mais rica, quer de intérpretes, quer de obras escolhidas.

Mas claro, Salzburgo é sempre Salzburgo, e o filho ilustre da cidade é o autor da primeira ópera a subir para o palco este domingo: Don Giovanni de Mozart será dirigido por Bertrand de Billy à frente da Orquestra Filarmónica de Viena. Dos cantores destaque-se Dorothea Röschmann que se afirma, mais uma vez, como Donna Elvira após o seu êxito merecido na Wiener Staatsoper em Janeiro de 2007 no mesmo papel.
E Mozart continuará omnipresente, pois a Flauta Mágica, sob a batuta de Riccardo Muti, é um must imprescindível destas jornadas.

Um bom Otello verdiano vive, seguramente, de um elenco de alta qualidade o que, à partida, parece garantido: Carlos Álvarez será o mau da fita (Iago), a ele juntar-se-ão Aleksandrs Antonenko (Otello) e Marina Poplavskaya (Desdemona), valor seguro no mundo da ópera italiana (refira-se a impressionante Elisabetta di Valois na produção do Don Carlo no Royal Opera House de Covent Garden).

Rolando Villazón, em Roméo et Juliette de Gounod, far-nos-á sofrer e chorar com a sua voz e o seu temperamento.
Outras produções incluem Herzog Blaubarts Burg de Bartók e Rusalka de Dvořák.

Tanta emoção será digerível apenas em alternância com concertos e teatro.
Para quatro recitais de Lied, foram convidados Ian Bostridge, Thomas Quasthoff, Christine Schäfer e Matthias Goerne.

O drama, componente forte do festival, leva ao palco, entre outras obras, Crime e Castigo de Dostojewskij, Die Räuber de Friedrich (von) Schiller e, evidentemente, Jedermann de Hugo von Hofmannsthal, peça já menos digerível e apresentada no largo da catedral da cidade.

E assim, de acordo com von Hofmannsthal, Salzburgo é “o coração do coração da Europa”, pelo menos até ao encerramento do festival a 31 de Agosto.

Um pouco mais de sol...

Hoje chovia em Lisboa....

Quase (excerto)

Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...

Mário de Sá-Carneiro

Ainda a bandeira: Guerra Junqueiro


Cada vez que me cruzo com a ideia da bandeira nacional, cousa que me foi incontornável enquanto vasculhava Ourique, irrito-me com o verde-rubro. Vou outrossim recuperar um tema do nosso Ilustre editor, de 11 de Junho, com a discussão da bandeira. Estando de acordo que uma discussão pública seria um disparate (como o foi em 1910-1911), gostava bastante de regressar aos motivos da bandeira de 1139-1910.


"O Campo azul e branco permanece indelével. É o firmamento o mar o luar, o sonho
dos nossos olhos o êxtase eterno das nossas almas.

Os castelos continuam em pé inabaláveis, de ouro de glória, num fundo de sangue ardente e generoso ...

A cruz do calvário, as das cinco chagas essa não morre, é o abraço divino, o abraço imortal...

A coroa do Rei, coroa de vergonhas, já o não envilece, o não vislumbra. No brasão dos sete castelos e das quinas erga-se de novo a esfera armilar da nossa glória...

E ao símbolo augusto do nosso génio ardente e aventuroso, coroemo-lo enfim de cinco estrelas em diadema dos cinco astros de luz vermelha e verde [ ...] dessa manhã heróica da rotunda."

Guerra Junqueiro, citado em "Do Azul-Branco ao Verde-Rubro. A Simbólica da Bandeira Nacional", de Nuno Severiano Teixeira, 1991

A bandeira representada é a imagem preconizada por Guerra Junqueiro, capturada em formato digital no Flags of the World. A minha sugestão seria algo diferente; por exemplo, livrava-me claramente das estrelas do compromisso da "manhã heróica [ainda não estava publicado Vasco Pulido Valente] da rotunda". Seria algo assim:


Ou assim

Underdogs



A comédia Underdogs, em cartaz nos cinemas alemães desde ontem, teve uma estreia, no mínimo, curiosa. No passado dia 21 de Julho, foi apresentada, pela primeira vez, num estabelecimento prisional de Berlim, mais concretamente em Moabit que viveu o seu “auge” na década de 70 no contexto terrorista das Brigadas Vermelhas Alemãs. Num ambiente naturalmente pouco cinéfilo, faltou o glamour próprio de uma estreia. Contudo, a ausência de estrelas e estrelinhas ou de uma after-party excêntrica foi compensada pela atenção que a comunicação social dedicou a este acontecimento.

O realizador Jan-Hinrik Drevs fez-se acompanhar de alguns actores e do protagonista principal, um cão labrador de 2 anos e de nome Klaus. 50 detidos sentiram-se privilegiados ao assistir à exibição do filme, projectado para um écran provisório. E à semelhança de uma estreia “normal”, ouviram-se os bravos (e os assobios também).

A narrativa de Underdogs é baseada em experiências realizadas em prisões norte-americanas. Os estabelecimentos adquirem cachorros que deverão contribuir para a reinserção social dos detidos. Estes, por sua vez, “adoptam” as criaturas com a finalidade de as educar e treinar para futuros cães-guia de cegos. A responsabilidade de tal tarefa e o afecto que eventualmente se desenvolve entre homem e animal poderão ser ingredientes úteis à ressocialização posterior.

Sugestionado por estes projectos, Drevs pôs mãos à obra, e o resultado é Underdogs: O leading man da película é o detido Mosk, homem introvertido e pouco afável, que se prepara para uma competição de desporto “intra-muros”. Quando lhe é atribuído o “piqueno” Klaus, a indignação é grande, e Mosk trata Klaus simplesmente pelo nome Hund (cão). Mas à medida que a história vai decorrendo, Mosk descobre o seu lado social e afectivo, acabando por baptizar o cachorro pelo nome de Grappa, pois Mosk sonha em viajar à Itália num futuro longínquo.

“O filme tocou-me”, assim o diz Ralph, “residente” em Moabit e um dos 50 espectadores contemplados. O assistente social Bernd mostra-se impressionado pela sensibilidade que o filme transmite. “Uma prisão é um local frio, e se um cão for capaz de suscitar sentimentos nos detidos, então a mensagem do filme é notável.”

Por último: o nome Klaus não se deve a um acaso. O labrador, na sua vida real elemento do agregado familiar de Drevs, é homónimo do actor Klaus – Klaus Kinski. No entanto, Klaus “porta-se bem melhor do que Kinski”, assim afirma Drevs

25 de Julho, dia da independência de Portugal: o papel de Ali ibn Yusuf


Celebra-se hoje, 25 de Julho, a batalha de Ourique de 1139. Esta data é reconhecida como sendo a data da fundação do Reino de Portugal, que consequentemente faz hoje 869 anos; nasciam igualmente as quinas azuis e os besantes de prata que ainda hoje constam da bandeira nacional.

Muito se ficou a dever ao emir Ali ibn Yusuf, por omissão. Este senhor era o governante dos Almorávidas, a dinastia berbere muçulmana que ocupava grande parte do noroeste de África e da Península Ibérica. Líder considerado fraco, é hoje entendido que ocupava o seu tempo em oração e jejum à medida que o Império Mouro se desmoronava.

A sua inércia levou a múltiplas e sustentadas revoltas, das quais a Portuguesa terá sido porventura umas das suas menores preocupações:

1 - Em Córdova, na Península, as múltiplas taifas ibéricas decorrentes da desagregação do Califato de Córdova (chegaram a ser 34) e re-agregadas pelo seu pai na sequência do pedido de auxílio contra Afonso VI de Castela, reclamam a independência: em 1119, começa a revolta do Al-Andalus.

2 - No coração do emirato, na actual zona de Marrocos, nasce uma revolta de índole religiosa: Ibn Tumart, um jovem mendigo berbere enfezado e deformado, foi em peregrinação a Meca e Bagdad. Discordando de elementos ensinados nas escolas religiosas, criou uma clivagem religiosa fundamentalista que vem apresentar ao emir, em Fez. Rejeitado, refugia-se nas montanhas do Atlas onde cria o movimento dos Almôadas (na década de 1120), que exorta os muçulmanos a regressar ao verdadeiro Corão. Começa a guerrear os Almorávidas e morre em 1128, na sequência de uma pesada derrota. Sucede-lhe um argelino, Abd al-Mu'min, que a partir de 1130 começa a arrasar o poder Almorávida de Ali ibn Yusuf.

3 - E a norte da península, os governantes cristãos vão corroendo as orlas do emirato: de 1118 em diante, com a tomada de Zaragoza, Afonso I de Aragão vai conquistando territórios; em 1135, Afonso VII, com a acumulação das coroas de Castela e Leão, auto-designa-se Imperador da Hispânia; em 1139, começam as cruzadas de Afonso VII e é a vez do jovem Afonso Henriques, Príncipe de Portugal, primo e vassalo de Afonso VII, aproveitar genialmente a fraqueza dos seus inimigos mouros para lhes inflingir uma derrota suficiente para se proclamar Rei de Portugal (no que só viria a ser reconhecido pelo seu primo em 1143 e por Roma em 1179).

Ali ibn Yusuf morreu em 1142; o seu filho e sucessor morreu 4 anos depois ao cair de uma duna, após uma batalha em território argelino contra os Almôadas; a dinastia Almorávida extinguiu-se em 1147.

Simultaneamente, a vitória de D. Afonso Henriques, porventura peça menor no xadrez Almorávida, foi a pedra de fundação da Nação das Descobertas.

Muitos parabéns!

PS - Curiosamente, hoje é feriado em Espanha e é o "Día da Pátria Galega" na Galiza

Memória de Adriano no Museu Britânico

Adriano, Musei Capitolini, Roma


Abriu ontem no Museu Britânico, em Londres, uma exposição dedicada ao Imperador Romano Adriano (que o Luís, no encalce de Maquiavel, tinha já abordado num desafio aos leitores a 21 de Abril sobre os cinco grandes imperadores romanos).

Com um império que se estendeu por grande parte da Europa, do Norte de África e do Médio Oriente, Adriano governou de 117 a 138. Sob os motes "Life-Love-Legacy: Hadrian - Empire and Conflict", a exposição aborda os feitos militares, a paixão pela arquitectura (a ele se deve o Panteão, em Roma), a brutalidade da repressão enquanto governante e a vida pessoal. A exposição reune peças de 28 museus de todo o mundo e descobertas arqueológicas recentes.

O site do Museu Britânico apresenta vários vídeos sobre Adriano:

http://www.britishmuseum.org/whats_on/all_current_exhibitions/hadrian.aspx

A revista norte-americana "Time" terá um artigo sobre a exposição na próxima semana, sob o título "When Hadrian Ruled the World".

A exposição decorre até 26 de Outubro (uma boa razão para ir à Europa...).

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Curto intervalo

Estarei a banhos durante os próximos sete dias. E offline, para aproveitar em pleno e pôr as leituras em dia. Até já.

A ver em Nápoles

Retrospectiva das últimas cinco décadas de produção de Georg Baselitz , que agrupa 12o obras- pinturas, desenhos e esculturas.
Até 15 de Setembro no Museo d'Arte Contemporanea Donnaregina, Nápoles.

ATEÍSMO PORTUGUÊS

No passado sábado foi formalizada a A.A.P.- Associação Ateísta Portuguesa , visando " responder às manifestações religiosas e pseudo-científicas com uma abordagem científica, racionalista e humanista."
Conta desde já com uma centena de associados, entre anónimos e figuras públicas.
Na blogosfera esta nova agremiação tem suscitado muito interesse e celeuma, nos media tradicionais parece-me que nem por isso. Ou será impressão minha?

PENSAMENTO DO DIA

Duas coisas indicam fraqueza: calar-se quando é preciso falar, e falar quando é preciso calar-se.

- Provérbio persa

Sobre a Casa dos Bicos e a Fundação Saramago

-foto : DR

" (...) Como surgiu a hipótese de a fundação poder vir a ocupar aquele espaço?
- Foi uma proposta do presidente da Câmara, António Costa, com a cumplicidade e a presença do ministro da Cultura, José António Pinto Ribeiro. A nós, a José Saramago e a mim, quase nos caíu o queixo de surpresa. Ainda agora não acreditamos...(...) "

- Pilar del Río entrevistada por Sara Belo Luís, VISÃO , 24 de Julho de 2008, p.24

Confesso que a mim também me caíu o queixo e ainda não acredito. Especialmente que seja a depauperada Câmara de Lisboa a pagar as obras. Creio que os muitos credores do município ainda devem estar em estado de choque, especialmente os das pequenas e médias dívidas.

Que Diria Sócrates?


( Via Canal Hermes )


QUE DIRIA SÓCRATES?

Filósofos respondem às suas perguntas sobre o amor, o nada e tudo o resto

Org. Alexander George

Filosofia Aberta, 18

Este livro é uma prova admirável de como a filosofia está cada vez mais viva e actual. Nele o leitor encontrará formuladas e respondidas muitas das questões filosóficas que certamente já se lhe colocaram nas situações mais banais e inesperadas da sua vida: questões acerca do que é certo ou errado fazer em determinadas situações, acerca da morte, do valor da vida, da natureza da arte, do amor, do sexo, da guerra, da verdade, da tolerância, da linguagem e muitas outras. Trata-se de questões que centenas de pessoas comuns dirigiram a distintos filósofos profissionais, através do já mundialmente célebre sítio da Internet AskPhilosophers.org, e às quais eles procuram responder de forma muito simples e acessível, mostrando que os filósofos não são aqueles seres esquivos e solitários que quase só falam uns para os outros, como se vivessem num mundo à parte. Tal como Sócrates, também aqui os filósofos saem para a rua e discutem directamente com o cidadão comum, desafiando-o a pensar melhor e a rever as suas ideias.

Que Diria Sócrates? é um livro inteligente e estimulante, que dificilmente deixará decepcionados, tanto o leitor comum como o candidato a filósofo, amador ou profissional. Em especial, os professores de filosofia podem encontrar aqui um manancial de exemplos vivos e actuais de muitos dos problemas filosóficos discutidos nas suas aulas.

Em Que Diria Sócrates? são abordados problemas filosóficos tão diferentes como:

  • Se todas as vidas terminam com a morte, como pode a vida ter algum valor?
  • O tolerante deve tolerar a intolerância?
  • Não existe má arte?
  • É moralmente errado lucrar com os erros ou estupidez das outras pessoas?
  • É moralmente errado dizer às crianças que o Pai Natal existe?
  • Estarei moralmente obrigado a dizer à minha parceira (ou parceiro) sexual se fantasio com outra pessoa quando estou a fazer amor com ela (ou ele)?
  • O valor da vida de um indivíduo diminui à medida que a idade dele aumenta? Não é verdade que a maior parte das pessoas escolheria salvar um indivíduo de dois anos do que um de sessenta? Há alguma justificação para esta escolha?
  • Qual a diferença entre um terrorista e um combatente pela liberdade?

As perguntas foram seleccionadas entre milhares enviadas para o popular sítio da Internet AskPhilosophers.org. Usando não apenas os seus conhecimentos sobre as ideias e os argumentos avançados por pensadores como Aristóteles, Camus, Locke e Sócrates, mas também as suas próprias reflexões, reputados filósofos contemporâneos enfrentam problemas difíceis num estilo acessível, pessoal e até divertido. São problemas tão antigos e intemporais como a existência de Deus e o sentido da vida, mas também temas quentes da actualidade como a eutanásia, a guerra e a manipulação genética. Tratando de problemas reais, formulados por pessoas reais de todo o mundo – médicos, advogados, pessoas sem qualquer educação formal, pessoas idosas e até crianças – Que Diria Sócrates? dirige-se a quem procura esclarecimento e orientação para pensar criticamente sobre as nossas vidas e o mundo em que vivemos. Concorde-se ou não com as respostas – por vezes os próprios filósofos dão respostas discordantes entre si -, este livro recorda-nos as famosas palavras de Sócrates «uma vida examinada não merece ser vivida» e, ao fazê-lo, encoraja-nos a pensar melhor e mais filosoficamente.

«Ao contrário do que sucede em outras áreas, a filosofia não requer equipamento, instrumentos, laboratórios, ou trabalho de campo. O investimento inicial necessário em filosofia não podia ser mais baixo. Habitamos um mundo estranho, somos, nós próprios, criaturas peculiares, e as nossas relações com esse mundo e uns com os outros são, amiúde, de uma perplexidade misteriosa. A matéria de que a filosofia se alimenta está em todo o lado.»

ALEXANDER GEORGE

Alexander George doutorou-se na Universidade de Harvard e é professor de Filosofia no Amherst College, Massachussets. É o criador do popular sítio AskPhilosophers.org.

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quarta-feira, 23 de julho de 2008

5.ªs à Noite nos Museus - NOVO PROJECTO DO INSTITUTO DOS MUSEUS E DA CONSERVAÇÃO - IMC

O Projecto 5ªs à Noite nos Museus. Verão 2008 tem o objectivo de oferecer nas noites de Verão, às 5.ªs feiras, de uma forma lúdica, descontraída e pedagógica, vivências em espaços museológicos, através de actividades culturais diversificadas que visam atrair novos públicos, fidelizando os já existentes, mas também captar turistas em visita à cidade de Lisboa.

A par da oferta educativa de Verão dirigida a crianças e jovens, com este programa o IMC organiza um projecto-piloto com os Museus Nacionais de Arte Antiga, Arqueologia, Azulejo e Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves, que se desdobra numa programação cultural diversificada com desconto de 50% na entrada e extensão do horário de funcionamento dos museus até às 23h00.

Destaque para esta semana:

Museu Nacional do Azulejo


Rua da Madre de Deus, 4 1900-312 Lisboa


24 de Julho

18h30 – História de Ícaro, leitura dramatizada, junto ao painel de Rogério Ribeiro, na exposição " Presenças da Azulejaria e Cerâmica Contemporâneas" no Museu Nacional do Azulejo (1980-2000)

19h30 – Breves visitas comentadas à colecção do museu.

21h00 – Concerto de Jazz e Bossa Nova pelos Fab Five, alunos do Hot Clube de Portugal.

Loja Livraria aberta até às 23h00.

Consulte a programação em http://www.imc-ip.pt/

Como chegar: Autocarros 718, 742, 794, 28, 759

HOJE À NOITE NO ESTORIL

Na Igreja dos Salesianos, no Estoril, apresenta-se hoje a Camerata Lysy, dirigida por Alberto Lysy, e que conta com o clarinetista Darko Briek. Serão tocadas obras de Haendel, Mozart, Weber, Haydn, Bruch, Dvorak e Mendelssohn.
Ás 21.30 . Concerto integrado no 34º Festival do Estoril mare nostrum 2008

Pintar a solidão - 4

-Gerard ter Borch, Homme à cheval vu de dos, 1634,
óleo sobre tela, Museum of Fine Arts, Boston, Juliana Cheney
Edwards Collection.

Esta tela de Gerard ter Borch é completamente heterodoxa face aos cânones do séc.XVII. A figura principal, um mercenário, é representado de costas, a cavalo , e aquilo que se oferece ao espectador em grande plano é a parte posterior do cavalo...
E é uma tela sobre ainda outra solidão- a solidão dos mercenários, aqueles que lutam por quem os contrata, indiferentes às causas ou justeza das guerras. Não esqueçamos que durante séculos, por toda a Europa, existiram exércitos de mercenários que complementavam os exércitos regulares nacionais. Mercenários que, entre guerras, vagueavam como a figura do quadro.

A CULTURA À DISTÂNCIA DE UM CLIQUE

A cultura à distância de um clique

A EGEAC – Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural implementou os sites dos equipamentos culturais que estão sob a sua gestão. O objectivo é que a cultura esteja, cada vez mais, ao alcance de todos.

Em http://www.egeac.pt/ encontram-se os links directos para a página web do Castelo de São Jorge, Padrão dos Descobrimentos, Museu do Fado, Museu da Marioneta, Teatro São Luiz e Teatro Maria Matos. A partir daqui, é possível navegar e ficar a conhecer, de perto, cada um destes equipamentos.

Com um simples clique podem fazer-se reservas, conhecer os espectáculos, exposições, concertos e programação em geral, entre outras informações úteis sobre cada um dos espaços culturais.

Os conteúdos das páginas são disponibilizados em português e inglês, tornando possível uma maior divulgação dos espaços junto de um público mais alargado.

Para descobrir e navegar em:

http://www.castelosaojorge.egeac.pt/

http://www.padraodescobrimentos.egeac.pt/

http://www.museudofado.egeac.pt/

http://www.museudamarioneta.egeac.pt/

http://www.teatrosaoluiz.egeac.pt/

http://www.teatromariamatos.egeac.pt/

Festival do Chá a 26 de Julho

Aqui fica o programa do Festival do Chá, com um agradecimento à minha amiga Helena Pais Costa que mo fez chegar.

Festival da Arte do Chá Oriental


No próximo dia 26 de Julho, Portugal irá receber pela primeira vez um Festival de Chá. "Todos os dias são bons dias – A Arte do Chá Oriental" é um evento original que nos traz novas abordagens da Ásia e onde terá a oportunidade de aprender a Arte de fazer e degustar Chá com Chunzhi Jin, um professor convidado do Instituto de Cultura e Artes do Chá Shan Ru, apreciar variadas peças de arte relacionadas com o chá, assistir a um concerto de música tradicional chinesa e aprender meditação com uma Mestra Budista de Taiwan (Budismo Zen Chinês), a Venerável Mestra Manchien (Responsável e Membro do Conselho de Directores da Fo Guang Shan na Europa e Secretária Geral da BLIA).

Pretende-se com este evento cultivar a mente através das diferentes aprendizagens abordadas, promover um maior contacto com a Natureza e divulgar os diferentes chás típicos de Taiwan.

Recomendações:
Vista roupas largas e confortáveis. Aconselha-se também o uso de meias.
O material necessário para fazer o Chá e o próprio Chá serão fornecidos pela Organização.
Tem tradução para Português.

Horário: 26/07/08 (Sábado)
(A) 13:00 - 15:00
(B) 15:30 - 17:30
(C) 18:00 - 20:00

Local: Sala de Conferências
Cidade Universitária de Lisboa.
Metro: Cidade Universitária.
Tel.91999 2563 96187 9968

Tahar Ben Jelloun: Dois poemas

Tahar Ben Jelloun, escritor marroquino, nasceu em Fez em 1944 e vive em Paris desde 1971. Pode saber-se mais sobre ele em:
http://www.taharbenjelloun.org/

Un lac
ou un cri
un ciel
mourant dans le visage
un amour
nu
dans les matins des miroirs

***

Dans mon pays
on ne prête pas,
on partage
Un plat rendu
n'est jamais vide;
du pain
quelques fèvres
ou une pincée de sel.


(In: Le discours du chameau... Paris, Gallimard, 2007, p. 235, 262)

terça-feira, 22 de julho de 2008

Sobre o Irão, o Iraque e o Afeganistão

Aqui ficam dois notáveis artigos sobre os teatros de guerra no Iraque e no Afeganistão, bem como o que se anda a preparar, espero que assim não seja, para o Irão :


http://www.tomdispatch.com/post/174957/william_astore_generation_warfighters

HOJE À NOITE

Concerto Prémio de Excelência Operaplus 2007, com a mezzo-soprano Raphaela Mangan e o barítono Kittinant Chinsamran ,acompanhados ao piano por Maarten Hillenius .
Obras de Haendel, Schumann, Fauré e Bellini.
Centro Cultural de Cascais, pelas 21.30 .

Mestres cantores do século XX: Hermann Prey


O barítono Hermann Prey faleceu a 22 de Julho de 1998. A assinalar esta efeméride, foi lançado um CD sob o título Hermann Prey – Die Lieder meines Vaters (Hermann Prey – Os Lieder do meu pai) da Deutsche Grammophon, uma belíssima colecção de obras, escolhidas pelo filho Florian Prey.

Hermann Prey nasce em Berlim a 11 de Julho de 1929. Em 1948, inicia os seus estudos de canto na Escola Superior de Música de Berlim. Tem o seu primeiro recital de Lied em 1950. Seguem-se gravações para a rádio, até ganhar o concurso Meistersinger em 1952. Nesta competição, patrocinada pelas tropas aliadas americanas, participam 2800 jovens entre 18 e 25 anos. Prey alcança o primeiro lugar, o que lhe proporciona uma bolsa de 190 dólares e uma digressão de duas semanas pelas Estados Unidos.

Em 1953, é convidado a integrar a companhia residente da Ópera Estadual de Hamburgo, da qual viria a fazer parte até 1960, para depois se transferir para a Ópera de Munique. Realiza a sua primeira digressão pela Inglaterra em 1955, onde é acompanhado por Gerald Moore ao piano.

O salto decisivo dá-se em 1957, quando Prey canta o Fígaro do Barbeiro de Sevilha na Wiener Staatsoper. A partir daí, a carreira internacional é imparável. O espólio de interpretações é inesgotável, reproduzi-lo é impossível. Apenas alguns highlights:
Estreia-se no festival de Salzburgo em A mulher silenciosa de Strauss em 1959; estreia-se no Met de Nova Iorque em 1960 como Wolfram von Eschenbach no Tannhäuser, encenado por Wieland Wagner; em 1964, também no Met, representa um dos muitos Papagenos da sua vida; é o primeiro cantor alemão a ser convidado para o papel principal do Barbeiro de Rossini no Scala de Milão em 1969, sob a batuta de Claudio Abbado.

Até aos anos 90, marca presença nas principais casas, trabalhando com Herbert von Karajan, Karl Böhm ou James Levine, num vasto repertório com obras de Mozart, Lortzing, Rossini, Donizetti, Schubert, Schumann, Brahms, Wagner, Strauss ou Orff.

Hermann Prey morreu em sua casa, nos arredores de Munique, a 22 de Julho de 1998 devido a uma paragem cardíaca.

O belo timbre e a sonoridade requintadíssima da sua voz tornaram Prey num dos maiores barítonos do século passado. Muitos registos televisivos, entre eles, as actuações com o grande tenor e seu amigo Fritz Wunderlich, deixam à posteridade o testemunho de um homem bem na vida.

A sua grande paixão foi o Lied. O CD Die Lieder meines Vaters é uma homenagem digna a Prey.

O TIO JOÃO ( VANIA )


Vou ver este sábado.

Finalmente

Após 13 anos a viver foragido da Justiça , foi capturado num autocarro em Belgrado o antigo líder sérvio Radovan Karadzic, acusado de genocídio durante a guerra na Bósnia. Era quem faltava julgar para, pelo menos simbolicamente, se encerrar um negro capítulo da história dos Balcãs.
Psiquiatra e poeta, Karadzic é o símbolo vivo da liderança sérvia responsável pelos mais terríveis massacres ocorridos na Europa depois da IIª Guerra Mundial.

António Lobo Antunes recebe Prémio Camões

O escritor António Lobo Antunes vai receber o Prémio Camões na próxima sexta-feira, dia 25, às 18h30, nos claustros do Mosteiro dos Jerónimos. O Prémio, o mais importante para autores de língua portuguesa, atribuído ao romancista em Março de 2007, pelo conjunto da sua obra, vai ser entregue no âmbito da Cimeira da CPLP pelo Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, e pelo Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva.

Instituído em 1988, pelos governos de Portugal e do Brasil, o Prémio Camões é anualmente outorgado a autores cuja obra contribua para o enriquecimento do património literário e cultural da língua portuguesa.

O júri da 19ª edição do Prémio, constituído por Fernando J.B. Martinho e Maria de Fátima Marinho (Portugal), Letícia Malard e Domicio Proença Filho (Brasil), João Melo (Angola) e Francisco Noa (Moçambique), justificou, na altura, a distinção a Lobo Antunes pela "mestria em lidar com a língua portuguesa, aliada à mestria em descortinar os recessos mais inconfessáveis do ser humano, transformando-o num exemplo de autor lúcido e crítico da actualidade literária".

Recorde-se que toda a obra de António Lobo Antunes está editada na Dom Quixote que, este ano, publicará o seu novo romance – O Arquipélago da Insónia.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Para a história do Cinema

Esta madrugada, ao ser-me difícil adormecer, faço zapping e vou parar ao TCM ( para quem não sabe é o canal por cabo do Ted Turner, Turner Classic Movies ) , onde vejo um Mickey Rooney muito velhinho a ser entrevistado. Resolvo ficar. Trata-se do documentário When the lion roars , sobre a história da MGM- Metro Goldwyn Mayer, o grande estúdio de Hollywood.
A dado passo, depoimento da actriz Eleanor Boardman sobre Greta Garbo : " She was extremely selfish, beautiful and strange ". Não é nenhuma novidade, mas vindo de quem conheceu e trabalhou com a diva sueca, tem mais veracidade.
O capítulo seguinte é sobre Irving Thalberg, o grande administrador e alma da MGM nos anos 30. Sobre ele vemos imagens de arquivo onde é elogiado pelo genial Groucho Marx. Seguem-se imagens de A NIGHT AT THE OPERA, talvez o melhor filme dos Irmãos Marx, e seguramente uma das melhores comédias de todos os tempos.
Sobre a inesperada morte de Irving Thalberg aos 37 anos depõe Helen Hayes : " He died of genius ". De génio e de aturar Louis B. Mayer, dizem outros depoentes.
E nesse dia de Setembro de 1936 Hollywood inteira parou. Pela primeira vez na sua história.
Foi o fim de uma época na MGM. E com a morte de Thalberg termina também a primeira parte do documentário.
E eu adormeço finalmente.

Da Pérsia actual

Respondendo à provocação do João apenas direi que as barbaridades na Pérsia, hoje Irão, continuam muito tempo depois de Alexandre, como se vê no texto abaixo, que me foi comunicado pelo Dr.João Paiva da Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género, a quem agradeço.



Adultério

Irão condena nove à morte por apedrejamento

Oito mulheres e um homem foram condenados à morte por apedrejamento no Irão após terem sido acusados de adultério e outras condutas de natureza sexual consideradas crime no país, segundo informações da advogada e activista iraniana de direitos humanos, Shadi Sadr

«Os veredictos foram aprovados e eles podem ser executados a qualquer momento» , disse Sadr, da Rede de Advogados Voluntários, que representa as mulheres no caso.

Os advogados de defesa fizeram um apelo para impedir que as sentenças sejam cumpridas.

Existe uma moratória nos apedrejamentos desde 2002, mas há relatos de que pelo menos três pessoas tenham sido mortas dessa maneira desde então.

A última morte por apedrejamento oficialmente registada no Irão provocou críticas de organizações de defesa dos direitos humanos e da União Europeia.

As oito mulheres condenadas, com idades entre 27 e 43 anos, foram acusadas de prostituição, incesto e adultério, de acordo com a Reuters.

O homem, um professor de música de 50 anos, foi condenado por ter relações sexuais com uma estudante.

No sistema de lei islâmico aplicado pelo Irão, o adultério é punido com morte por apedrejamento.

Em teoria a morte por apedrejamento aplica-se a homens e mulheres, mas as advogadas dizem que na prática são mais as mulheres do que os homens a receberem a punição porque em geral são menos instruídas e mal representadas nos tribunais.

Sob o código penal iraniano, os homens condenados por adultério devem ser enterrados até a cintura antes de ser apedrejados. As mulheres são enterradas até a altura do peito. As pedras não devem ser grandes o suficiente para matar a pessoa de forma instantânea.

Sadr pediu apoio à comunidade internacional na sua campanha e disse já ter recebido apoio de organizações de direitos humanos.

Pintar a solidão - 3

- Pieter Brueghel o Antigo, O Misantropo, 1568
Museo Nazionale di Capodimonte, Napóles

Aqui vemos retratada outra solidão procurada, a do misantropo. A solidão daquele que vira costas ao mundo, insensível tanto às belezas que o rodeiam como a quem lhe tira as riquezas...

Ainda Alexandre

"Alexandre o Grande", Museu Britânico, Londres


Na expectativa das referências bibliográficas do Luís ("Fogo do Céu" e "O Jovem Persa" da Mary Renault? Ou mesmo Plutarco?), não resisto a umas pitadas sobre esse Alexandre "Magno". Eu confesso-me desde já como um devoto do Alexandre-mito.

No entanto, o meu gene provocateur impele-me a ir buscar as 2.000 cruxificações dos residentes de Tiro, o genocídio (incluindo os velhos e os doentes) da campanha da Índia ou o homicídio de leais conselheiros quando emergiam intrigas - e dos seus familiares, por muito leais que fossem, para evitar vinganças. Passariam quase dois milénios até Maquiavel passar a escrito esses princípios da governação no seu "O Príncipe". Até a prática dos casamentos entre Gregos e Persas, lida como uma forma gentil de gerar a amizade entre os povos, está hoje mais do que documentada como sendo a forma mais eficaz de neutralizar um povo, por absorção e ocupação das terras (vejam-se o Kosovo por parte da Albânia ou a Catalunha pelos Castelhanos). Aliás, não é à toa que os Iranianos ainda se referem a Alexandre como "o demónio", cujo objectivo era a destruição da cultura persa.

Enquanto devoto, porém, tendo a considerar como menores as barbaridades supra-indicadas. Termino com um extracto do testamento desse Alexandre III da Macedónia, segundo Diodorus,
  • The completion of a pyre to Hephaestion;
  • The building of "a thousand warships, larger than triremes, in Phoenicia, Syria, Cilicia, and Cyprus for the campaign against the Carthaginians and the other who live along the coast of Libya and Iberia and the adjoining coastal regions as far as Sicily";
  • The building of a road in northern Africa as far as the Pillars of Heracles with ports and shipyards along it;
  • The erection of great temples in Delos, Delphi, Dodona, Dium, Amphipolis, Cyrnus and Ilium;
  • The construction of a monumental tomb for his father Philip, "to match the greatest of the pyramids of Egypt";
  • The establishment of cities and the "transplant of populations from Asia to Europe and in the opposite direction from Europe to Asia, in order to bring the largest continent to common unity and to friendship by means of intermarriage and family ties."
São prioridades curiosas -- a mescla do pessoal com o político e o religioso, a inevitável pergunta pequenina de "E se Alexandre tivesse vivido mais tempo, como seria hoje a Península Ibérica?"

domingo, 20 de julho de 2008

Ainda Leonard Cohen

Ainda na "ressaca" do fabuloso concerto de ontem, comprei hoje este documentário sobre o tributo a Leonard Cohen "Came So Far For Beauty " realizado na Sydney Opera House em 2005.
Nessa memorável homenagem a Cohen actuaram , entre outros, Nick Cave, Rufus Wainwright, os U2 e o próprio Cohen. O dvd inclui ainda notáveis entrevistas .
Vende-se pelo menos na FNAC, passe a publicidade.

ALEXANDRE

As datas da História quanto mais distantes mais incertas são. No entanto, aceita-se como boa a tradição de que Alexandre Magno nasceu no dia 2o de Julho do ano 356 A.C. em Pella, Macedónia, filho de Filipe II da Macedónia e de Olímpia.
Este " semi-deus ", aluno de Aristóteles, e cuja mãe lhe afirmava a sua descendência de Hércules e Aquiles, fascinou e fascina os homens pela sua curta e deslumbrante vida. Quantas biografias, romances, filmes e peças sobre este arquétipo de Senhor do Mundo.E que efémero império, logo partilhado pelos seus generais após a sua inesperada morte na Índia. Júlio César e Napoleão tinham adoração por ele e com ele se queriam comparar. Ainda hoje há quem procure o seu túmulo, escondido nas areias do Egipto, país que também conquistou e onde foi venerado como um deus. Encontrar a última morada de Alexandre ainda é um dos grandes desafios da arqueologia.
Voltarei a Alexandre com indicações bibliográficas.

Petrarca nasceu em 20 de Julho de 1304

Um soneto de Petraca

Come 'l candido pie' per l'erba fresca
i dolci passi onestamente move,
vertù che 'ntorno i fiori apra e rinove
de le tenere piante sue par ch'èsca.

Amor, che solo i cor leggiadri invesca
né degna di provar sua forza altrove,
da' begli occhi un piacer sí caldo piove,
che'i' non curo altro bem né bramo altr'èsca.

E co l'andar e col soave sguardo
s'accordan le dolcissime parole,
e l'atto mansueto, umile e tardo.

Di tai quattro faville, e non già sole,
nasce 'l gran foco, di ch'io vivo et ardo,
che son fatto un augel notturno al sole.


Na tradução de Vasco Graça Moura:

Quando na erva fresca alvo pé vai
e doce passo honestamente move,
virtude que abra as flores e as renove
dir-se-ia que das ternas plantas sai.

Amor, que os corações ledos atrai,
nem noutro lado a sua força prove,
de olhos belos prazer tão quente chove,
que outro bem ou manjar não me distrai.

E com andar e olhar de doce gosto
cada dito dulcíssimo se afoite
e o porte manso, humilde e bem composto.

E em quatro chamas, tais, juntas, se acoite
este mor fogo em que ardo e vivo posto,
tal como ao sol um pássaro da noite.


(in: As Rimas de Petrarca, Lisboa, Bertrand, 2003, p. 470-471)

Segredos de M. [Sugestão para ouvir]

Não digam a ninguém: M. está a ouvir

Disco de 2007.

[...]
I know she is coming
I know she will look
And that is the longing
And this is the book

(Do Prólogo, Book of longing, NY, Orange Mountain Music, 2007)

Cohen [escrito]


Ao fim da tarde... com o som dos discos por fundo... um livro a ler ou a reler.

Happy birthday, Diana Rigg!




A geração televisiva dos anos 60 recordar-se-à de Diana Rigg no seu papel de Emma Peel na lendária série The Avengers (Os Vingadores). Em qualquer circunstância, por mais perigosa e vertiginosa que parecesse, a agente inglesa conservava a sua elegância e o seu atletismo para, juntamente com Patrick Macnee, combater o inimigo. A justiça era-lhe sempre benevolente, os últimos instantes de cada capítulo garantiam ao espectador o sorriso e umas observações very snob da eterna Miss of Cool.

Em 1964, Diana era parte integrante da Royal Shakespeare Company quando foi “recrutada” para a série. Durante três anos e em 51 capítulos, Emma Peel destacava-se quer pelo sucesso na luta do bem contra o mal quer pelo guarda-roupa avanguardista dos Swinging Sixties, da autoria de John Baker e Alan Hughes.

Rompeu com os Vingadores para se dedicar ao cinema. Em 1969, representa a Contessa Teresa di Vicenzo em 007 – On her majesty’s secret service, a única película do agente secreto com passagem por Portugal. Foi mais do que um simples Bond Girl acessório, e a George Lazenby no papel de 007 não restava mais nada do que sucumbir à postura nonchalante de Diana.

Outras participações no grande écran juntaram Diana Rigg a actores como Charlton Heston, John Gielgud e Vincent Price. Regressou entretanto ao teatro, onde se afirmou como valor seguro em personagens complexas, tais como Fedra ou Medea (sua interpretação no Wyndham’s Theatre londrino em Dezembro de 1993 é memorável!). Desde 1994, tem o direito de se intitular com a honra de “Dame” Diana Rigg.

Em 1998, era a vez de Uma Thurman a seguir as pisadas de Diana como Emma Peel no filme The Avengers. Com todo o respeito por Thurman, o desafio e a herança eram demasiado surchargés. Com efeito, só Diana é capaz de nos encantar com o seu eyeliner inconfundível, num automóvel descapotável a percorrer os condados ingleses.

Diana Rigg faz hoje 70 anos. Happy birthday!

Natalie Wood

Natalie Wood nasceu a 20 de Julho de 1938 em San Francisco. Faria hoje 70 anos.

Natalia Nikolaevna Zakharenko, filha de imigrantes russos, estreou-se no grande écran com apenas 4 anos em Happy Land de Irving Pichel. Dois anos depois, Pichel juntou Claudette Colbert, Orson Welles e Natalie no filme Tomorrow is forever. Natalie, no seu papel de órfã alemã refugiada e com um sotaque genuinamente germânico, evidenciou o seu talento de tal forma que Orson exclamou: “She was so good, she frightened me”.

A sua participação noutras películas, tais como Miracle on 34th street com Maureen O’Hara (1947), The Ghost and Mrs. Muir (1947) com Gene Tierney e Rex Harrison (película apresentada pelo João Soares), ou The Blue Veil (1951) com Jane Wyman e Charles Laughton, valeram à jovem Natalie um cachet de 1000 dólares por semana.

Em 1955, Natalie representa “Judy” ao lado de James Dean no clássico Rebel without a cause e torna-se assim num dos maiores ídolos de cinema da década de 50. A sua beleza e postura graciosa, sobretudo os seus olhos castanhos maravilhosos, são os seus atributos inconfundíveis, por vezes sinónimos de uma fragilidade e vulnerabilidade de que Natalie se afastaria muito dificilmente nos seus futuros papéis.

Enquanto a imprensa cor-de-rosa se dedicava à relação com Robert Wagner (com quem Wood casaria por duas vezes, em 1957 e 1972), o público e os críticos mostravam-se, de modo geral, impressionados com o percurso da carreira de Natalie. Refira-se a sua interpretação em Kings go forth com Frank Sinatra e Tony Curtis (1957) , em Marjorie Morningstar ao lado de Gene Kelly (1958) ou Splendor in the grass de Elia Kazan ao lado de Warren Beatty (1961).
Alcança o seu maior triunfo como Maria na adaptação do musical West Side Story sob a realização de Robert Wise em 1961. Tal como viria a acontecer com Audrey Hepburn em My Fair Lady, o desempenho vocal ficaria a cargo de Marnie Nixon (e não de Natalie).

Após vários sucessos em filmes como Gypsy (1962), Love with the proper stranger ao lado do seu querido Steve McQueen (1963) e Bob and Caroline and Ted and Alice de Paul Mazursky (1969), Wood decide “ser ser mãe em primeiro lugar, e actriz em segundo”. Raras são assim as suas aparições nos anos setenta, à excepção da sua participação televisiva em From Here to eternity de Buzz Kulik, baseada na obra de James Jones, e da sua interpretação de Maggie em Cat on a hot tin roof na Broadway.

Natalie Wood
não tinha ainda concluído o seu último filme Brainstorm quando, durante um passeio de barco juntamente com Robert Wagner e Christopher Walken, morre afogada em circunstâncias misteriosas a 29 de Novembro de 1981.

Natalie ganhou três Golden Globe Awards e foi nomeada para o Óscar de melhor actriz por três vezes.
O desaparecimento precoce de Natalie deixou uma grande lacuna no estrelato de Hollywood.
We all miss you very much!

NINA SCHENK CONDESSA DE STAUFFENBERG: introdução



A 20 de Julho de 1944, um grupo de oficiais à volta de Claus Schenk Conde de Stauffenberg e de Henning von Treschkow levaria a cabo a “Operação Valquíria”, tentando pôr fim à vida de Hitler e derrubar o regime. O fracasso do atentado marcou o fim trágico da resistência contra o Führer . Às 0.15 h de 21 de Julho, von Stauffenberg e mais três dos conjurados foram executados por fuzilamento. À excepção de poucos oficiais envolvidos na operação, todos os outros militares, e muitos dos seus familiares, viriam a ser condenados à morte nos dias seguintes. 110 pessoas terão perdido a vida.

A Alemanha iniciou o confronto crítico com o capítulo mais negro da sua história na segunda metade da década de 60. O período entre 1933 e 1945 permaneceu um tabu quase absoluto durante os anos 50 em que o país concentrava todos os seus esforços na recuperação económica. O Wirtschaftswunder (milagre económico) servia de pretexto para abafar uma discussão aberta sobre a agressão alemã durante a Segunda Guerra Mundial e o extermínio de seis milhões de judeus, entre outros fenómenos horrendos do Terceiro Reich.

A geração de Maio de 68 quebrou esse tabu e exigiu explicações aos seus pais e avós. As vítimas da resistência tornaram-se, pouco a pouco, conhecidas da consciência pública, entre elas, evidentemente, von Stauffenberg. Contudo, a discussão estava longe de ser unânime: von Stauffenberg e seus ajudantes, heróis para uns, eram traidores para outros. A título de exemplo, refira-se que a opinião pública alemã estava profundamente dividida em 1969 quanto à “idoneidade” de Willy Brandt: teria um adversário do regime nazi, eventualmente “estigmatizado” como “traidor à pátria”, legitimidade suficiente para o cargo de um chanceler?

Hoje em dia, os movimentos de resistência são abordagem obrigatória nas aulas de história. A enorme oferta de literatura, de filmes ou documentários televisivos dos últimos 30 anos sensibilizou a Alemanha para a importância de prestar o tributo devido às vítimas e a reconhecer a coragem inimaginável com que estas personalidades seguiram os seus ideais e princípios.

Quase desconhecida continua, no entanto, a vida dos familiares desses heróis, tais como o percurso de Nina Schenk Condessa de Stauffenberg, esposa do oficial.
Konstanze von Schulthess, filha mais nova de Nina e Claus, publicou há poucos meses uma biografia sobre a sua mãe. Konstanze, nascida a 27 de Janeiro de 1945 em prisão, recorreu às longas conversas havidas com sua mãe, a documentos secretos e outras fontes do fórum familiar. De forma impressionante e comovente, narra os dias e os meses após o atentado, a angústia de uma mãe que, separada dos seus quatro filhos, é retida provisoriamente numa prisão e depois deportada para o campo de concentração de Ravensbrück.
Ficou, assim, um testemunho histórico notável para a posteridade.

Alguns excertos desse livro, intercalados com a biografia de Nina, serão tema de uma "mini-série", dedicada a esta senhora extraordinária e fascinante. Ao longo dos próximos domingos, a vida de Nina Schenk Condessa de Stauffenberg será partilhada com os caros leitores.

20 de Julho de 1944

"É tempo que se faça algo agora. No entanto, aquele que ousar fazer algo, terá de ter consciência de poder vir a entrar para História alemã como traidor. Mas se omitir o acto, seria um traidor perante a sua própria consciência."
Claus Schenk Conde de Stauffenberg

Imagem: von Stauffenberg com os seus filhos Franz Ludwig e Heimeran

Leonard Cohen: Lisboa, 19 de Julho de 2008



Esta noite, durante quase três horas, o mito transformou-se em realidade. Leonard Cohen cantou e encantou não só as gerações mais velhas, como as menos velhas e as mais jovens. Vimos de tudo e todos cantavam e tomavam ritmo ao som das palavras (ditas e escritas por Cohen) e da música. A temperatura estava ideal. A lua complementava o cenário. Cohen estava jovem como sempre.


No meio de tanta gente não consegui identificar Miss Tolstoi... espero que tenha gostado tanto como eu!
Obrigado M.

O video não é de Lisboa...

YouTube: YalaBeniYalaYar

José Luís Peixoto


José Luís Peixoto é um autor Português, nascido em Galveias, Portalegre, em Setembro de 1974, que se destaca na prosa e na poesia. O seu primeiro romance, "Nenhum Olhar", foi publicado em 2000 e recebeu o Prémio Literário José Saramago (foi referenciado há uns tempos pela "Monocle" como uma obra a ler). Em 2001, a primeira publicação de poesia com "A Criança em Ruínas". Em 2002, publica "Uma Casa na Escuridão" em prosa e o acompanhante "A Casa, a Escuridão" em poesia. Em 2006, "Cemitério de Pianos" trasladou os leitores para Benfica; em 2007, "Cal" foi uma das minhas últimas leituras em Portugal: narra a participação de um português na maratona dos Jogos Olímpicos de 1912, ao som e ritmo do que passa pela cabeça do atleta enquanto corre a prova, com outras narrativas em paralelo. De todas as suas obras, "Morreste-me" foi a que mais me marcou, pela inevitabilidade e a emoção passadas a papel. Autor de letras para música e dramaturgo, o seu "Quando o Inverno Chegar" foi encenado no São Luís; curiosamente, no dia em que fui a sala estava meio cheia, seria por não se saber? Talvez. Reparei recentemente que publicou uma nova obra de poesia, "Gaveta de Papéis"; fico na expectativa de a ler.

Temas recorrentes na sua obra incluem a secura da paisagem alentejana, a morte, a solidão, o resurgimento da vida, a generosidade. O fantástico é outra das ferramentas que usa habilmente. Uma das grandes virtudes que retiro da leitura das suas obras é, a meu ver, a grata redescoberta da riqueza e unicidade do português enquanto forma de expressão. Não trouxe nenhum dos seus livros comigo. Agora, tenho pena.