Prosimetron

Prosimetron
Prosimetron: termo grego que designa a mistura de prosa e verso.

sábado, 11 de outubro de 2014

Outras canções de Patrick Modiano

Por altura da saída do seu primeiro romance La place de l'Étoile, Modiano foi desafiado por um amigo, Hughes de Courson, antigo colega de liceu, a escrever letras para canções de Françoise Hardy.


Esta letra foi feita para a música de Jeux interdits, de Narciso Yepes.

Escreveu também duas canções para Régine  «L'amour á contre-coeur» e «Sur le taboggan», «Les oiseux reviennent» para o belga Henri Seroka e «À tous petits petons» para Myriam Anissinov, que não consegui encontrar no YouTube.


Boa noite!

O chá das cinco - 74

Fotos de Cindy Miller Hopkins

Vamos ter um, mas não tão variado. :(

Quem é o autor da letra desta canção?


Bom dia!

Logo coloco mais umas para vos dar as boas noites. :)

Perugino, mestre de Rafael


Marcadores de livros - 187


Com um agradecimento ao ofertante. :)

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Os meus franceses - 358

"No sé si me explico"





A leitura de uma entrevista dada por Patrick Modiano ao El Pais, em 2009, e agora repescada por aquele jornal, ajuda-nos a conhecer melhor o escritor de momento. Reparem nesta descrição da forma como trabalha:

Patrick Modiano es muy alto, muy amable, algo torpe y muy tímido. Duda al hablar, le cuesta acabar las frases y su muletilla favorita es "no sé si me explico". Vive en una vieja casa a la espalda del Jardín de Luxemburgo, no muy lejos del barrio donde pasó parte de su infancia: todo un síntoma de su relación con el tiempo y la memoria. El cuarto desde el que escribe es una habitación semicircular, tapizada de libros con una ventana también muy alta que da a un jardincito interior. Hay un diván arrugado en el que se sienta a leer cuando no trabaja. Escribe dos o tres horas al día sentado a una mesa colocada frente a la ventana y al jardín. Nunca más. Asegura que si hiciera caso a su carácter, terminaría sus novelas de un tirón, sin detenerse, pero que se obliga a refrenarse y a parar cuando han pasado esas dos horas a fin de mantener una tensión que sólo él percibe pero que, según él, es esencial para que la obra culmine.

Pacotes de açúcar - 92

É ma coleção de cinco, mas só tenho um.

No Dia Mundial da Saúde Mental.

Brinquedos suecos de madeira

No Muséé des Arts Décoratifs, em Paris, está esta exposição de brinquedos de madeira que deve ser uma beleza.

Veleiro, 1890-1920
Carro de corrida, 1928

Canoa, ca 1930-1940
Cavalo Rida-Ranka, 1940-1950

«Le bois fait des objets essentiels, des objets de toujours»
Roland Barthes - Mythologies, 1957

Patrick Modiano: edições em Portugal


«Avec ce Prix, j’ai la même impression qu’au moment où j’ai commencé à écrire, celle de m’introduire dans un milieu en compagnie de personnes qu’on admire, comme Borges.» 
Pierre Modiano, quando em 2010 recebeu o Prémio Mundial da Fondation Simone et Cino del Duca, que integra o Institut de France.

Ao contrário do que já tem acontecido com outros Nobel, Patrick Modiano tem alguns livros traduzidos em Portugal, de que só li, há muitos anos, os dois primeiros. Está na hora de ler (alguns d)os outros e talvez reler estes dois.
Penso que este prémio que lhe vai trazer novos leitores de mais de um livro.

Lisboa: Relógio de Água, 1987

«Tinha começado por trabalhar em boîtes russas, depois no Langer, um restaurante dos Campos Elíseos, depois no Hotel Castille, na rue Cambon [...].« (p. 15)

Hotel Castille

«Tirou do bolso uma caixinha redonda de metal, que me estendeu.
«-Quer uma pastilha Valda?» (p.170)


E onde fica a Rua das Lojas Escuras? Em Roma e chama-se Via delle Botteghe Oscure.

Lisboa: Dom Quixote, 1988
Lisboa: Dom Quixote, 1994
Porto: Asa, 1998
Porto: Asa, 2009
Porto: Asa, 2011

Caixa do correio - 36

Recebi-os há pouco numa carta, e referem-se ao Campeonato do Mundo de Andebol de 1970.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Os meus franceses - 357

Retrato do escritor francês do momento


Começa com um café no quai Malaquais...

Regresso a Amesterdão...








Rembrandt, Retrato de uma Jovem, 1654


Regresso a Amesterdão com o livro de Daniel Silva: O Caso Rembrandt.


A história do livro será sobre esta tela?
É possível que seja, até por causa da descrição e das medidas indicadas no livro. Mas é mera suposição. 
Porém, o que importa é a viagem de regresso a Amesterdão que ele me levou a fazer e com prazer.


Gabriel perguntou pela composição.
- Estilisticamente, é semelhante aos seus outros retratos a três quartos desse período. O modelo é uma rapariga de vinte e muitos ou trinta e poucos anos. Atraente. Tem um xaile de seda adornado com jóias e pouco mais. Há ali qualquer coisa de íntimo. É óbvio que ela conseguiu tocar Rembrandt. Ele trabalhou com um pincel muitíssimo carregado e a uma velocidade considerável. Em determinados sítios parece que estava a pintar alla prima, com tinta sobre uma superfície húmida.
- E sabemos quem ela é?
- Não há nada que a identifique especificamente, mas o Comité Rembrandt e eu concordamos que é a amante de Rembrandt.
- Hendrickje Stoffels?
Isherwood assentiu com a cabeça.
- A data do quadro é significativa, pois foi no mesmo ano em que Hendrickje deu à luz a filha de Rembrandt. [1654, escrito noutra passagem do livro].

Daniel Silva, O Caso Rembrandt. (Tradução de Vasco Telles de Menezes). Lisboa: Bertrand, 20114 p. 45.


Da Casa Rembrandt









Uma sugestão, vejam o filme: A Ronda da Noite, de Peter Greenway

Nobel da Literatura 2014 : Modiano



O francês Patrick Modiano ( 1945 - ), " pour l' art de la mémoire avec lequel il a evoqué les destinées humaines les plus incompréhensibles ".

De salientar ser um europeu e que não é um ilustre desconhecido ...

A arte do retrato - 152


François Xavier Dupré, Jean de La Valette, collection des musées nationaux, Château de Trianon.


Este belo retrato do 49º Grão-Mestre da Ordem de Malta, o francês Jean-Parisot de La Valette, escolhi-o como pequena homenagem aos 50 anos da independência de Malta . E o nome do retratado foi dado à nova capital, La Valette, construída após o Grande Cerco de 1565 em que os cavaleiros de Malta e os civis malteses resistiram heroicamente durante semanas às enormes forças do sultão otomano Mustafá Paxá até receberem a decisiva ajuda da armada espanhola.
Durante quase 300 anos, a Ordem de Malta manteve a soberania sobre as ilhas que lhe foram oferecidas pelo Imperador Carlos V em 1530, não resistindo porém a Napoleão que em 1798 conquistou Malta em dois dias. Do domínio francês passou ao domínio britânico, alcançando finalmente a independência em 1964.

Uma descoberta interessante


A musicóloga  Silvie Buisson, especialista no compositor Jean Philippe Rameau, cuja morte há 250 anos se recorda este ano, fez uma descoberta muito interessante: é da sua autoria a célebre canção infantil Frère Jacques, até agora considerada da tradição popular de autoria anónima.

 
Fazendo uma pesquisa na Biblioteca Nacional de França, encontrou entre outras de “cânones”, uma partitura da autoria de Rameau e por ele assinada, com a música da célebre canção. No manuscrito havia, a confirmar essa autoria, uma anotação do advogado Jacques Joseph Marie Decroix (1742-1826), grande amante do compositor e compilador das suas obras.

 
Outra prova é o testemunho de Louis Joseph Francoeur, violonista de l'Opéra de Paris na época em que Rameu estava activo. Também na Bnf, Bouissou encontrou um exemplar do seu livro Diapason général de tous les instruments à vents (1772) quie continha folhas munuscritas quatro “cânones” de Rameau entre as quais Frère Jacques.
A letra da canção escrita pelo grande compositor é ligeiramente diferente da hoje cantada. Estes os versos:

Frère Jacques, Frère Jacques, 
Levez-vous ! Levez-vous ! 
Sonnez les matines, Sonnez les matines, 
Bing, Bong, Bong ! »

Pensamento ( s )



(...) Estamos no grupo dos 30 ou 40 países mais ricos do mundo, com mais história, participação nas grandes evoluções, revoluções, movimentos. Mas atrás de nós existem 150 países nos quais nunca pensamos. Achamos que temos direito à ciência inglesa, à saúde sueca, aos salários holandeses e não temos nada disso ... Isto traduz-se na vida política, nas expectativas dos sindicatos, do patronato, das organizações, das empresas (...)

Fomos uma nação importante, demos novos mundos ao mundo, parecíamos uma grande potência mas na realidade nunca o fomos. É verdade que participamos no concerto das nações desenvolvidas, mas os portugueses fazem uma leitura muito narcisíca desse tempo, transpondo-o para o presente: " Já fomos grandes e agora ... " Este raciocínio tem consequências terríveis para a nossa vida quotidiana. É uma espécie de disfunção permanente.

(... ) A sociedade portuguesa não estava preparada para a crise económica porque viveu inebriada com o crédito fácil, o consumo fácil. Não percebeu que estava a ficar dependente. Mas pior que a dependência é a dívida. E quem tem dívidas que não pode pagar fica escravo.


- Excertos duma notável entrevista concedida por António Barreto ao Jornal de Letras de 1/14 de Outubro.

Onde me apetecia estar - 81



Um dia eu fui ver o túmulo de Dante, em Ravena. Era um pouco como túmulo do soldado desconhecido, aberto à curiosidade dos turistas e simplesmente guardado numa capela franciscana, como num quarto com porta para a rua. Não havia qualquer grandeza naquela maneira de arrumar um corpo ou as cinzas dum imortal.
Dante talvez nem estivesse lá.

- Agustina Bessa-Luís, in Caderno de Significados, Guimarães, 2013.

Há muito que me apetece ir a Ravena, capital efémera do Império Romano, cidade dos belos mosaicos bizantinos e também última morada do maior poeta italiano.

Humor pela manhã



É verdade, posso comprovar ! :)

Bom dia !





 A abertura de Zampa ou a Noiva de Mármore, de Louis Joseph Hérold.

Leituras no Metro - 183

Lisboa: Asa, 2013

Não se sabe quem é a autora deste diário escrito entre 20 de abril e 22 de junho de 1945, apenas que tinha 30 anos na época, trabalhava numa editora que encerra nestes primeiros dias. 
Berlim é então uma cidade em ruínas, onde ainda caiem bombas, as pessoas vão para as filas de racionamento arranjar comida, vivem entre as suas casas e os abrigos... É neste período que o exército russo entra na cidade, a saqueia e viola frequentemente as mulheres, entre as quais a autora e suas vizinhas.
«Percorri o caminho ao lado do elétrico. Subir não podia, pois não possuo o titulo de escalão III. O elétrico ia quase vazio, contei oito passageiros na carruagem. Havia centenas de pessoas que seguiam a seu lado debaixo de chuva torrencial, se bem que o pudessem apanhar sem problema, pois ele tem de seguir viagem. Mas não: a ordem como princípio. Está profundamente entranhada em nós, e nós obedecemos.» (21 abr., p. 24)

http://www.planfor.fr/compra,bulbos-crocos-precio-barato-final-de-temporada,B623,ES
http://boasnoticias.pt/noticias_Tempo-dos-milagres-A-Floresta-dos-lilases_11583.html

«No caminho para casa, introduzi-me no jardim abandonado do professor K.; por detrás das ruínas negras da casa, colhi crocos e lilases. Levei alguns para Frau Golz, que também habitava no meu antigo prédio. Sentámo-nos em frente uma da outra junto da mesa de cobre e conversámos. Quer dizer, falávamos aos gritos a fim de sobrepor a voz ao tiroteio recentemente iniciado. Frau Golz pronunciava com voz abatida: "As flores, as maravilhosas flores..." Ao mesmo tempo corriam-lhe lágrimas pelo rosto. Também eu me sentia horrorizada. Agora, a beleza faz-nos sofrer. Estamos rodeados pela morte.» (21 abr., p. 25)

O livro viu a luz do dia graças a C. W. Ceram (pseudónimo de Kurt W. Marek) que conheceu a autora e a convenceu a deixá-lo publicar: «neste livro é descrita a verdade, nada mais do que a verdade.»
«A leitura desperta os mais variados sentimentos, facto que se relaciona diretamente com a personalidade da autora. Nos momentos mais terríveis surge a frieza com a qual ele os descreve; até que, consternados, percebemos que não teve lugar qualquer objetivação artística [...], mas a frieza tem de se expandir, porque os sentimentos estavam congelados... congelados de horror.» (p. 301)

C. W. Ceram é um escritor alemão, cujo livro mais conhecido deve ser Deuses, túmulos e sábios, que li há muitos anos.

Paul Durand-Ruel: le pari de l'Impressonisme

Renoir - Dance à Bougival
Boston, Museum of Fine Arts

O Museu do Luxemburgo, em Paris, apresenta, a partir de hoje, a primeira exposição consagrada a Paul Durand-Ruel, o maior comerciante de arte do século XIX, que descobriu os impressionistas e inventou o mercado de arte moderna.
À volta de Cézanne, Renoir ou Monet, o percurso reúne 80 obras-primas do Impressionismo e mostra o momento em que uma vanguarda artística é reconhecida internacionalmente, sob o impulso dum comerciante apaixonado pelas obras que transaciona.
A exposição pode ser vista até 8 de fevereiro de 2015.


Sobre Durand-Ruel, Pierre Assouline escreveu a sua biografia e foram publicadas no mês passado,  em Paris, as suas memórias:
Paris: Gallimard, 2004. (Folio) 
€9,00
Paris: Flammarion, 2014
€32,00

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Boa noite!

Para juntar às elegâncias de MR



In memoriam Siegfried Lenz


Siegfried Lenz, escritor alemão não muito conhecido junto do público português, faleceu ontem aos 88 anos. Oriundo da antiga Prússia Oriental que se encontrava sob o domínio alemão até 1945, desertou da marinha alemã em 1944, tendo fugido para a Dinamarca. Integrou o célebre movimento “Gruppe 47”, um grupo de autores que pretendia dar um novo rumo literário após a catástrofe nazi. Apoiou Willy Brandt na década de 70 na política externa de aproximação e reconciliação com o povo polaco.

Considerado um dos mais importantes representantes da literatura do pós-guerra, ao lado de Heinrich Böll e Günter Grass, Siegfied Lenz centrou, como tema principal da sua obra, o indivíduo em conflito com a sociedade e contribuiu significativamente para a tentativa de confrontar o público alemão com a história mais recente de 1933 a 1945. O seu livro “Die Deutschstunde” de 1968 é hoje em dia uma das referências da literatura alemã.      

PS: Infelizmente, a falta de disponibilidade não me permite escrever mais sobre esta grande figura.

Um livro autobiográfico de Keith Richards para a infância

Barcarena: Jacarandá, 2014
€11,90

Keith Richards é uma lenda da música e considerado um dos melhores guitarristas do mundo. Porém, muito antes de existir uma banda chamada Rolling Stones, havia um rapaz e o seu avô Gus. Este sabia tocar piano e fazer vibrar as cordas de um violino. Mas, mais importante do que isso, ele sabia dedilhar uma guitarra. 
Gus & Eu enaltece o momento mágico em que Gus oferece a Keith a sua primeira guitarra, fomentando  no neto um amor eterno pela música. 
Esta história inspiradora lança um olhar único sobre a infância de um dos membros fundadores dos Rolling Stones e revela uma ligação especial entre um avô e um neto. 
Estou com vontade de ler este livro de Keith Richards, 70 anos e avô de cinco netos. Será que ele está a motivar interesse ou amor pela música em algum deles? Esperemos que sim.

Lisboa: Theoria, 2011
Keith Richards publicou, penso que em 2010, as suas memórias, já traduzidas em português, e que dizem ser bastante interessantes. Estão numa lista a ler.

Niki de Saint Phalle no Grand Palais


Vintage Festival abre hoje

De hoje até dia 12, a FIL, no Parque das Nações, volta a receber o Vintage Festival, com um forte crescimento, reflexo da procura e do interesse crescente em produtos e vivências vintage.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Os meus franceses - 356


Viver em Lisboa é como estar na Sardenha


Viver em Lisboa é tão bom como estar na Sardenha, ou no Nordeste de Inglaterra. E morar no Norte é como estar na província japonesa de Hokkaido.
Estas são algumas conclusões de um estudo elaborado pela OCDE que mediu vários indicadores de bem-estar em 362 regiões do mundo para as comparar tendo em conta aspetos como a segurança, educação ou poluição.
Em Portugal foram estudadas sete regiões, que o estudo avaliou por indicadores que pretendiam medir o bem-estar das populações em fatores como emprego, segurança, saúde, habitação, educação, ou ambiente, e são regiões em Espanha, Itália, Irlanda e Japão que mais se aparentam com as portuguesas.
No caso de Lisboa, por exemplo, há muitas coisas que se parecem com a Sardenha – os níveis de segurança, educação, saúde, ou baixos níveis de emprego.
Já os Açores e a Madeira apresentam resultados mais díspares: se por um lado estas ilhas são similares às Canárias, a Madeira é parecida com a região de Izmir (a terceira maior cidade da Turquia).