Prosimetron

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quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Os meus franceses - 583

Este disco em que Alexandre Tharaud e os seus amigos prestam homenagem a Barbara (falecida há vinte anos) saiu em setembro passado.




Do Outro Lado do Espelho

James Whistler - Sinfonia em branco, nº 2: A menina vestida de branco, 1864
Londres, Tate Britain
George Romney - Sra. Russell e Filho, 1786-1787 
Col. Roger Seelig
Jorge Varanda - Sem título, 1990
Lisboa, Museu Calouste Gulbenkian – Coleção Moderna
Eduardo Luiz - A Mão de Alice, 1983
Col. Maria Isabel Alves da Silva

Do Outro Lado do Espelho, título que remete intencionalmente para o mundo de Alice Liddell, a heroína de Lewis Carroll, é uma exposição temática, que tem o espelho como foco principal.
«Os espelhos são objetos muito interessantes devido à sua capacidade de nos transportar a outras dimensões, conduzindo-nos por vezes a horizontes de espiritualidade, ilusão ou até de pesadelo.
Os artistas recorrem aos espelhos com diferentes propósitos, ora para revelar ora para disfarçar aspetos das cenas que representam, já que eles oferecem infinitas possibilidades visuais, incluindo a mais óbvia: o reflexo fiel da realidade.
Mas, embora a primeira finalidade do espelho seja efetivamente a representação fiel das aparências, refletindo uma visão coerente do mundo, nem sempre os artistas o utilizaram como tal, preferindo favorecer a ambiguidade e a fragmentação, de acordo com os efeitos pretendidos, que muitas vezes são de ordem filosófica, em detrimento da representação mimética da realidade.» (Do site.)
Uma exposição, comissariada por Maria Rosa Figueiredo e Leonor Nazaré, dividida nos seguintes núcleos: «Quem sou eu?»: O espelho identitário; O espelho alegórico; A mulher em frente ao espelho: A projeção do desejo; Espelhos que revelam e espelhos que mentem; e O espelho masculino: autorretratos e outras experiências. Vale bem uma visita.


Marcadores de livros - 893

Marcador e postal que vêm com a edição espanhola da tradução de Elegias de Londres, de Alberto de Lacerda. Uma linda edição.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

25 canções de Bob Dylan que merecem o Nobel - 24


Pensamento ( s )



(...) Um exercício que devemos repetir mais vezes é recordar ( voltar a trazer ao coração, literalmente ) os lugares onde experimentamos consolação. Esses lugares, amiúde inesperados, guardam um precioso ensinamento. Se quisesse eu próprio falar de um lugar de consolação recente na minha vida teria de referir o campo de concentração de Westerbork, na Holanda, onde estive em peregrinação o verão passado.Foi nesse epicentro da dor que, ao lado de milhares de outros mártires do século XX, esteve prisioneira Etty Hillesum. Recordo-me de passar um par de horas, deitado sobre a erva, a escutar o vento. Apenas isso. Mas senti uma comunhão profunda com o grito e o perdão que se pode ler quer nos escritos de Etty, quer no destino silencioso de tantas vidas. E, sem que as pudesse deter, as lágrimas lavaram-me o rosto várias vezes. As vezes necessárias para que ficasse limpo.

- José Tolentino de Mendonça, no Expresso do passado Sábado .

Um quadro por dia - 388


Se é difícil viver no Haiti, não será menos difícil ser artista haitiano. Não por acaso a maior parte vive nos EUA ou na Europa . Edouard Duval-Carrié ( 1954- ) vive em Miami, e é dele este Canis boinem, um acrílico sobre tela, 196x166cm, de 1996.

Bom dia !

Marcadores de livros - 892

Angela Conner - Estátua do general De Gaulle.
Paris, Musée des Invalides

No tempo em que se vendiam jornais...

Capa de Arthur Getz, 22 nov. 1958

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Boa noite!

Uma canção de 1970.

Marcadores de livros - 891


Obrigada, Luís!

Uma história de Confiança

Lisboa: Tinta da China, 2017 

Fundada em 1894 na cidade de Braga, a Saboaria e Perfumaria Confiança permanece ativa ainda hoje. O seu espólio de embalagens e rótulos apresenta uma excepcional qualidade gráfica, abordando diversos temas culturais, históricos e sociais em gamas de produtos de uso quotidiano. Foi uma das indústrias pioneiras em Portugal a tomar consciência de que uma cuidada apresentação dos produtos aliada à implementação de um conceito de marca seria sinónimo de sucesso. 
Uma história de Confiança relata a história da fábrica Confiança desde a sua fundação até ao presente. Um livro, que começou por ser uma tese de doutoramento, profusamente ilustrado, com fotografias, documentos e uma seleção alargada de rótulos de produtos. 
Para a Sandra, que gosta de sabonetes e faz hoje anos.


Um dia feliz!

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Os meus franceses - 582

Onde me apetecia estar - 150



Na Cidade do Cabo, África do Sul, para conhecer o recentemente inaugurado Zeitz - Museum of Contemporary Art Africa, o maior museu construído no continente africano nas últimas décadas e que reaproveitou antigos silos para cereais situados na zona portuária da cidade. São cem salas distribuídas por nove pisos, numa parceria entre a W&A Waterfront, dona dos terrenos, e o empresário e coleccionador alemão Jochen Zeit, que cedeu em permanência a sua colecção particular.

A arte do retrato - 232


Os novos retratos oficiais que assinalam as Bodas de Platina de Isabel II e Filipe de Edimburgo, pelo fotógrafo britânico Matt Holyoak. 70 anos de casamento hoje feitos, o mais longo da monarquia britânica.  Estar aos noventas com esta vitalidade e lucidez é de invejar, com trono ou sem trono :)

Um quadro por dia - 387


Olivier Debré ( 1920-1999 ) , Petit Lysne gris, 1974.

Lysne é o nome da propriedade da família Astrup, que fundou o Museu Astrup Fearnley em Oslo, e foi durante anos um dos refúgios do artista . A tela foi vendida em França há dois meses .

Humor pela manhã



A minha não anda desligada, mas bastante lenta. Já nem tento perceber porquê .

Bom dia !

Uma exposição sobre Barbara


A Philharmonie de Paris acolhe uma grande exposição sobre a cantora Barbara até 28 de janeiro de 2018. Desde a sua infância aos seus maiores sucessos, passando pelas suas amizades e vida amorosa, o percurso acaba num jardim, símbolo da necessidade que a artista, doente, teve em se retirar do mundo para escrever as memórias que ficaram inacabadas.


Marcadores de livros - 890

Puzzle de cinco marcadores.

Gracias, Justa!

domingo, 19 de novembro de 2017

25 canções de Bob Dylan que merecem o Nobel - 23

Not Dark Yet (1997)

Para David Caviglioli é impossível falar do álbum Time Out of Mind» sem falar de «Not Dark Yet», considerada como uma obra-prima do Dylan tardio. O texto parece um poema de um morto-vivo, ainda não morto, mas também não verdadeiramente vivo. «Feel like my soul has turned into steel», canta o velho, tremendo, antes de concluir o refrão com estas palavras geladas: «It’s not dark yet, but it’s getting there.» Por detrás de Dylan, a instrumentação lenta e pesada de Daniel Lanois bate sobre Dylan, como uma marcha fúnebre. 

No estádio

George Hughes - «Futebol americano: Yale contra Harvard», 19 nov. 1960

Marcadores de livros - 889

De um jarrão com pássaros.
Japão, séc. XVII

Ser moderno: O MoMA em Paris

Uma grande variedade de cartazes anuncia esta exposição que se encontra na Fundação Louis Vuitton e que dizem ser a exposição-acontecimento de 2017 em Paris.
Esta exposição compõe-se de cerca de 200 obras-primas de Alexander Calder, Jasper Johns, Ernst Ludwig Kirchner, Frank Stella, Yvonne Rainer, pouco conhecidas dos museus franceses, bem como obras-primas de pintores bem conhecidos dos franceses (e não só), como Marcel Duchamp, Paul Cézanne, René Magritte ou Paul Signac.


sábado, 18 de novembro de 2017

Boa noite!

Pedro Infante, uma glória do cinema mexicano dos anos 50, faria hoje 100 anos, segundo nos lembra o Google.

Retrospetiva de J. F. Millet

L'Angélus, 1857-1859
Paris, Musée d'Orsay

L'Angélus é um dos quadros mais conhecidos da arte ocidental. Paradoxalmente, o conjunto da obra de Jean-François Millet está hoje esquecido. A retrospetiva que se pode ver até dia 22 de janeiro de 2018, em Lille, pretende dar a descobrir a obra deste pintor.


Marcadores de livros - 888



Obrigada, Jad!

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Boa noite!

Marcadores de livros - 887

Verso e reverso.


William Morris e companhia: o movimento Arts and Crafts na Grã-Bretanha

William Morris. Foto de Emery Walker, ca 1887


Esta exposição oferece a oportunidade de explorar e apreciar as múltiplas facetas do desenhador, artesão, poeta, ensaísta e revolucionário William Morris, assim como das principais figuras do movimento Arts and Crafts. Esta nova geração de arquitetos, ilustradores, artistas e impressores partilhava a preocupação dos efeitos da industrialização, tanto do ponto de vista social e laboral como  os efeitos que teria no artesanato tradicional britânico.
Esta exposição encontra-se na Fundação Juan March, em Madrid, até 21 de janeiro de 2018.

Capa do catálogo.



quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Boa noite!

O documentário Ben Gurion: Epílogo, de Yariv Mozer, baseado numa entrevista feita ao antigo primeiro-ministro de Israel em 1968, passa no 10.º Ciclo de Cinema Israelita que começa hoje e termina no dia 22. Eu gostei muito.

Este vídeo é a história por detrás da feitura desse filme.


Tesouros da Biblioteca da Assembleia da República

Continuando a mostrar os seus tesouros, a Biblioteca da Assembleia da República, agora chamada (numa homenagem ao seu criador) Biblioteca Passos Manuel, traz-nos a partir de hoje Um olhar sobre as Ordenações.

Marcadores de livros - 886



Leituras no Metro - 293

Lisboa: Parsifal, 2017

Há uns meses, vi este romance numa livraria e fiquei com vontade de o ler. É sobre o assassinato do comunista Manuel Domingues, em 1951. Lembro-me de ouvir falar muitas vezes deste assunto quando era miúda.
Manuel Domingues foi um operário vidreiro da Marinha Grande. um dos fundadores do PCP naquela vila e um dos organizadores da greve do 18 de Janeiro de 1934. Depois da greve, fugiu para Espanha, estudou na Escola Leninista de Moscovo, combateu do lado republicano na Guerra Civil de Espanha e esteve na Resistência em França. No final de 1944 voltou a Portugal e entrou na clandestinidade. Já aqui tinha estado entre 1937 e 1938, integrando a direção do PCP, encabeçada por Pavlov. A partir de 1945 fez parte do Comité Central. Em 1949 entrou em dissidência com o partido, devido à expulsão de uns militantes da Marinha Grande, o que veio a revelar-se o motor para o seu assassinato no pinhal de Belas, em maio de 1951. O PCP acusou-o de provocador e de estar feito com a PIDE.
Ao que me lembro, o seu processo da PIDE desapareceu após o 25 de Abril. Carlos Ademar baseou-se no processo da Polícia Judiciária para escrever este livro.
Este livro (cujos personagens têm nomes levemente distorcidos dos reais) não é um grande romance, mas gostei de o ler porque percebi alguns meandros desta história.

Manuel Domingues pouco antes da sua morte.
Diário de Lisboa, 5 maio 1951

«No início da tarde de 5 de maio de 1951. Num apartamento pequeno e triste localizado na […] Damaia, sentada num banco de cozinha, Mariana lia o Diário de Lisboa daquele dia. Sobre a mesa à sua frente, além de uma máquina de escrever, repousava o Diário de Notícias da véspera, que nada de relevante lhe trouxera, como, aliás, os que comprara nos dias anteriores. A mulher andava preocupada com o desaparecimento de Miguel e procurava alguma explicação nos jornais, falta de outras fontes. 
«[…] Desde 18 de abril que não sabia de Miguel, dia em que pela última vez entrou naquela casa para a visitar, bem como ao filho. 
«[…) Mariana tinha uma convicção forte: aquele desaparecimento misterioso não podia deixar de ter algum tipo de ligação ao estado de espírito deprimido em que Miguel se encontrava. […) No partido as coisas não corriam bem e era uma situação que se arrastava desde os primeiros meses de 1949.» (p. 38-39)