Prosimetron

Prosimetron
Prosimetron: termo grego que designa a mistura de prosa e verso.

sábado, 28 de março de 2009

Ovo da Páscoa 3, Peter Carl Fabergé.

Este é o penúltimo Ovo de Fabergé que vou colocar pois, vou esperar pelos do Luís Barata.

Gosto do trabalho artístico feito em vidro azul escuro onde está gravado o mapa celeste do dia do nascimento do Tsarevich (príncipe herdeiro).
Este Ovo é sublime e um dos que mais gosto porque adoro o trabalho no vidro. Além disso, é simples, ao contrário do último apresentado.
Um dia destes irei colocar uma peça do Lalique por mim eleita.


Blue Tsarevich Constellation, 1917

O ovo representado na figura da esquerda é o desenho original e o da direita é o inacabado.

O Ovo Azul foi desenhado para ser dado a Alexandra Fyodorovna por Nicolau II. Porém, com a Revolução Russa, nunca chegou às suas mãos. Encontra-se no Fersman Mineralogical Museum, em Moscovo. O Blue Tsaverich Constellation foi descoberto inacabado em 2001.

Já tem este Luís Barata?

http://www.mieks.com/faberge-en/1917-Blue-Constellation-Egg.htm

Uma polémica sobre política cultural?

“Num artigo amplamente divulgado, Manuel Maria Carrilho ataca a política cultural do actual Governo, pondo ênfase no que considera serem as duas prioridades:”Um orçamento capaz” e “uma administração eficaz”. Independentemente do que se possa pensar do que foi a sua actuação como Ministro da Cultura do 1º Governo de Guterres, esta avaliação das políticas da Cultura está claramente desfocada.
…Sempre defendi que uma política de Cultura séria devia centrar-se na formação de uma massa crítica de consumidores informados e com espírito crítico, atendendo a que o nosso défice não é de artistas mas de leitores, espectadores e ouvintes…E como os artistas têm um acesso privilegiado aos media e nenhum PM quer compara uma guerra na Cultura, nenhuma reformo estrutural é feita porque ninguém quer tocar nos direitos adquiridos. E o público, que devia ser o primeiro consultado e o primeiro beneficiário das políticas da cultura, sente-se cada vez mais afastado das obras que o Estado subsidia, cuja pertinência e qualidade ninguém escrutina, a não ser meia dúzia de críticos dos jornais que os políticos lêem….
…Ninguém se lembraria de propor que o objecto da política da Saúde sejam os médicos em vez dos doentes….Porque não alargar a ideia de ‘utente’ à área da Cultura?”
António - Pedro Vasconcelos
semanário "Sol", 27.3.2009
Há muito que defendo, e já o escrevi, que a política cultural do Estado está errada e padece, como muitos outros sectores, de uma concepção de Estado interventor por via do subsídio, que cria fidelidades e conivências. Há muito que defendo que a principal política do Estado na área da Cultura, deve ser na preservação do património histórico e artístico, no apoio à formação de pessoas com potencialidades em vários domínios da criação, nomeadamente através de bolsas de estudo - escrutinadas por pessoas independentes do poder político - e no apoio aos artistas já afirmados pelas suas obras, através da aquisição dessas obras ou da sua difusão junto do público.
Subsidiar artistas plásticos, escritores, compositores, companhias de teatro ou realizadores de cinema para produzirem obras, com critérios mais ou menos obscuros, que a maioria não aprecia, a ninguém interessa ler ou ouvir ou revelam salas de espectáculo às moscas, é criar uma falsa ideia de cultura de que o público se arreda e que não resistirá à passagem do tempo.
É uma opinião, evidentemente.

Pedro e Inês. Nuno Júdice

Para Pedro e Inês apanhei estes lírios.
Pedro e Inês
Desfizeram-se estrelas num azul de queixa;
choraram nebulosas nos fios do crepúsculo,
Para onde fogem os amantes mortos? Em que
eternidade repousam os cansados corpos?
Nuno Júdice, Pedro, lembrando Inês, Lisboa: Publicações D. Quixote, 2009, p. 26. (2ª edição)

Correio interno - 2

Para os que ainda não repararam, chamo a atenção para a inclusão de novas entradas nas "afinidades electivas", a coluna à direita do ecrã onde constam os blogues com que nos sentimos mais próximos ou interessados e são esses novos blogues o COISAS REAIS, que é meu e pelo qual peço desde já a vossa indulgência porque ainda é um bébé, e o Geração de 60 que conta com muitos nomes conhecidos que me agradam e penso que agradarão aos meus caros amigos.

E aproveito para enviar uma saudação à nossa mais recente seguidora, a publicista brasileira Bárbara Lóra, sendo que a partir do perfil dela poderão aceder a um blogue que é seu : o Texto e Contexto. Olá Bárbara!

Correio interno - 1

Está então assente que o convívio de celebração do 1º Aniversário do Prosimetron ocorrerá no dia 19 de Abril, que é um domingo. Está ainda por definir se será almoço ou jantar, a decidir também de acordo com as condições climatéricas.
Não se esqueçam de marcar a data nas vossas agendas, telemóveis, pda's, computadores e etc.
A administração agradece sugestões de locais para a comezaina, de preferência à beira-rio.

Grandes Livros na RTP2

Estreou ontem com Os Maias a série documental Grandes Livros, exibida às sextas no segundo canal da televisão pública. Cada episódio, à volta de um livro, é feito com base em imagens de arquivo, entrevistas, recriações sobre o autor, e conta com a narração de Diogo Infante. Os guiões são de Alexandre Borges e a produção é da Companhia das Ideias.
Alguns dos doze livros escolhidos são O Delfim, Os Lusíadas, Amor de Perdição, Peregrinação, Sermão de S.António aos Peixes.
Depois da exibição televisiva, a série será editada em dvd. Antes da exibição de cada programa, será feita no dia anterior ( quintas-feiras) uma tertúlia no El Corte Inglés.

Os paraísos fiscais - 2

Já estamos habituados ou vamo-nos habituando ao estilo muito particular de Nicolas Sarkozy, sendo que há dias "sobrou" para Andorra. O voluntarioso presidente francês ameaçou renunciar ao título de co-príncipe de Andorra se este principado, que é um paraíso fiscal no coração da Europa, não alterar a sua legislação bancária.
O Principado de Andorra continua a figurar na lista negra dos países não cooperantes com a OCDE.
Como se vê, não é só nas Caraíbas que o segredo é a alma do negócio...

Cinenovidades - 35 : Nicole e Woody Allen


Ainda se sabe pouco sobre o próximo filme de Woody Allen, que será rodado em Londres e terá como actriz principal Nicole Kidman. Mas já se sabe que há outros nomes famosos no elenco: Anthony Hopkins, António Banderas, Naomi Watts e a estrela recente Freida Pinto ( a actriz de Quem quer ser bilionário? ) . Promete.

Biografias, autobiografias e afins - 27

" (...) A discussão começou com a exposição do ministro das Finanças do projecto elaborado. Pinheiro de Azevedo interrompia frequentemente Silva Lopes, o que levou o primeiro-tenente Judas a intervir no sentido de deixar o ministro expor o projecto. A dada altura, Vasco Gonçalves levantou-se e veio ao outro extremo da comprida mesa, onde estávamos sentados, para desculpar Pinheiro de Azevedo, explicando o seu nervosismo por julgar que teria sido seguido por um carro, com a intenção provável de atentarem contra a sua vida. Mas pouco depois disseram-nos que não valia a pena continuar a expor o projecto, porque o Conselho da Revolução decidira nacionalizar a banca. A reunião continuou com pessoas a sair e a entrar, não nos tendo sido dado voltar a usar da palavra.
Fez-se intervalo e aproveitei para abordar Melo Antunes, que não dissera uma palavra, com a cabeça entre as mãos (...) e replicou: « Isto é a nave dos loucos» "

Este é um excerto das memórias do Prof.Jacinto Nunes, um dos maiores economistas portugueses do séc.XX, e o único homem até hoje a ter sido Governador do Banco de Portugal, Presidente da Caixa Geral de Depósitos, e Ministro das Finanças. Um livro que nos dá desde a sua visão dos "anos surreais" de 74-76, às conversas mantidas com Salazar ainda no Antigo Regime.

- Memórias soltas, Manuel Jacinto Nunes, Aletheia Editores, 2009.

Ainda D. Nuno Álvares Pereira

" (...) Até agora, não dei conta de qualquer actividade relevante programada a propósito da santificação do Condestável. Apenas têm surgido algumas iniciativas isoladas e dispersas, oriundas maioritamente de instituições e personalidades relacionadas com a defesa da monarquia e de responsáveis religiosos.
A elevação do Condestável à dignidade dos altares da Igreja Católica pelo Vaticano não pode ser ignorada por Portugal. Este acontecimento, de tanta relevância e expressão pública a nível mundial, na comunidade de centenas de milhões de católicos, pode e deve ser aproveitado com a finalidade de acentuar perante os portugueses a condição de D. Nuno como grande figura nacional, cuja actuação contribuiu decisivamente para a formação e consolidação da nação que ainda hoje somos, em momentos particularmente difíceis e com a independência da pátria em grande perigo.
O que fariam outros países, como a Espanha, a França, os EUA, o Brasil a uma das suas figuras históricas, perante uma distinção idêntica?
Seria bom para a nossa auto-estima, tão abalada que ela tem andado, apesar das coisas positivas que muitos dos nossos compatriotas vão fazendo- algumas de repercussão internacional-, se os meios de comunicação públicos e privados debatessem abertamente a figura de Nuno Álvares no seu tempo, o período em que viveu e de que foi um dos principais protagonistas, as suas atitudes positivas e negativas, os valores que animavam os portugueses de então, enfim, todos os aspectos que contribuíram para desenhar o seu perfil histórico, sejam eles de aplaudir ou de reprovar.
Neste contexto, o Estado português não poderá abster-se. (...) "

- José Loureiro dos Santos, in PÚBLICO de 27/03/2009.

Lá fora - 25 : Mãe e filho em Paris

Foi inaugurada no passado dia 6 a exposição Valadon-Utrillo, sobre este par inabitual na história da pintura: uma mãe e um filho, tão dotados um quanto o outro. E uma relação tempestuosa, ou não tivesse Susanne Valadon sido modelo ( depois de uma queda do trapézio que a fez abandonar o circo, sua primeira paixão ) de Renoir, Degas e outros, e depois amante e aluna deles até se tornar ela própria uma pintora admirada. Como escapar a uma mãe com uma personalidade tão forte? Maurice Utrillo fê-lo através da pintura, tornando-se o grande pintor de Montmartre- são dele muitas das imagens que imediatamente associamos ao famoso bairro de Paris.

- Pinacothèque de Paris, até 15 de Setembro.

O violino de Julia Fischer

A jovem e bela violinista alemã Julia Fischer acaba de lançar mais um disco, tendo escolhido desta vez os concertos de Bach. E toca-os com a prestigiada Academy of Saint Martin in the fields. É uma edição da Decca.
Mas para começar o dia, deixo-vos o Capricho n.º 16 de Paganini, tocado como encore num concerto em Turim em que Fischer actuou com a Orquestra Sinfónica da RAI.

Lá fora - 24 : Mucha no Belvedere


Está patente em Viena, no Unteres Belvedere, o "Belvedere de baixo" , uma grande retrospectiva de Alfons Mucha, o grande mestre da Arte Nova de origem checa. São 250 quadros, desenhos, esboços, cartazes, livros, jóias e móveis.
E é sempre uma oportunidade para ver ou rever os palácios do Príncipe Eugénio, verdadeiras jóias do Barroco austríaco.
Até 1 de Junho de 2009.

Um quadro por dia - 1

- Saint Georges et le dragon, Robert Combas, 1994.

Esta selecção de quadros funcionará pelo método das "associações livres", pelo que os quadros aqui trazidos terão a ver com um acontecimento, uma leitura, ou uma música ouvida de véspera ou no próprio dia. Será pintura relacionada com a espuma dos meus dias.
Outro conjunto de quadros a apresentar em breve terá outro critério, e chamar-lhe-ei os quadros da minha vida.
Passando ao quadro de hoje, pintado por Robert Combas, um dos pais da "figuração livre", em 1994 num grande formato ( 212x270cm ) , trouxe-o por dois motivos: porque me impressionou ver este velho tema da pintura europeia continuar a ser usado, e por outro motivo mais prosaico- o quadro vai a leilão na próxima semana.

PENSAMENTO DO DIA


" Nous vivons dans un monde dur et cruel, mais il y a aussi des univers de tendresse et de générosité. Si on ne donne pas, on ne reçoit rien. "
- Philippe Labro, em entrevista recente.

D. Manuel II, rei de Portugal, data do seu nascimento.


A Rainha D. Amélia tendo ao colo D. Manuel e ao lado D. Luís Filipe [1890]. fot. Bobone

Fui à Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, vol. 16, p. 165, e indica-se que o nascimento do último rei de Portugal ocorreu, no Palácio de Belém, em Lisboa, a 19 de Março de 1889.
Conferi a Nobreza de Portugal e do Brasil, com direcção, coordenação e compilação de Afonso Eduardo Martins Zúquete, no seu volume II, p. 161 e a data apresentada já é 9 do mesmo dia e ano.
Fiquei na dúvida, será 9 ou 19. Qual das obras publicada pela mesma casa editorial e com as mesmas pessoas responsáveis pela biografia estaria certa?
Lembrei-me de conferir um dos melhores sítios da Web para a Geneologia Portuguesa [geneall.net ] a que recorro muitas e muitas vezes. E lá aparece 19 de Março de 1889.

Transcrevo:

"D. Manuel II, rei de Portugal / * Lisboa, Lisboa 19.03.1889 + Fulwell Park, Twickenham, Inglaterra 02.07.1932
Pais
Pai: D. Carlos I, rei de Portugal * 28.09.1863
Mãe: Amélie d' Orléans, princesse de France * 28.09.1865
Casamentos Sigmaringen 04.09.1913 /Augusta Viktoria, Prinzessin von Hohenzollern-Sigmaringen * 19.08.1890".

Fiquei aparentemente descansado.

Tendo em casa uma colecção do famoso Almanach de Gotha resolvi ver o que é que lá estava.
No ano de 1889 (p. 60), ainda só se indica como descendentes dos duques de Bragança, (dado que ainda apresenta como Rei, D. Luís) "Louis-Philippe-Marie-Charles-Amelio-Ferdinand-Victor-Emmanuel-Antoine-Laurent-Michel-Raphael-Gabriel-Gonzaque [sic]-Xavier-François d'Assise-Bénoit de Bragance-Orléan-Savoye-et-Saxe-Cobourg-Gotha, prince de Beira".
Fui ao volume seguinte, 1890 (p.61) e indica, como 2.º filho:
"Pr. Manuel, né le 15 novembre 1889".
A mesma data é confirmada no Almanach de 1909 (p.66), já como Rei.

Mas afinal, nasceu a 9, ou a 19 de Março, ou a 15 de Novembro de 1889?

Fui consultar (e já são 03:49 h) uma obra preciosa da autoria de A. M. de Freitas, Annuario da Côrte Portugueza para 1895, Lisboa, M. Gomes Editor, 1894, e na p. 89, e lá consta o "infante D. Manuel Maria Filippe Carlos Amelio Fernando Victor Manuel Antonio Lourenço Miguel Rafael Gabriel Gonzaga Xavier Francisco de Assis Benedicto, Duque de Beja e de Saxe, nascido em Lisboa a 15 de novembro de 1889".

Por descargo de consciência agarrei na História de Portugal, (que é quase uma crónica, dada a sua extensão) da autoria de Joaquim Veríssimo Serrão, e na p. 492, do seu X.º volume, para além de indicar várias variantes no nome do Rei (Manuel Maria Filipe Carlos Amélio Luís Miguel Rafael Gonzaga Xavier Francisco de Assis Eugénio, indica, como data de nascimento, 9 de Março de 1889.

São 4:10 horas, vou dormir! Amanhã, passarei por S. Vicente de Fora... Estou com curiosidade sobre a data que se encontra no Tumulo.

5.01 Andei buscando uma foto para ilustrar este post. Fui ao Rocha Martins, D. Carlos : Historia do seu reinado, Lisboa, ed. autor, 1926. Encontrei a foto que desejava (p. 168). Na pág. 174 narra a chegada do Imperador D. Pedro II, a Lisboa, a 7 de Dezembro de 1889, escrevendo "Ignorava ainda o nascimento de D. Manuel, vindo ao mundo no mesmo dia em que o tinham destronado.[= 15 de Novembro]"... Aqui estava a confirmação da data do velho Almanach de Gotha

P.S. 20:58 - Passei pela FNAC Chiado e verifiquei que a 2.ª edição "corrigida e aumentada" da Obra de Veríssimo Serrão corrige a data do nascimento para 15 de Novembro.

2009.03.30, 13.36: O Annuario do Commercio / Almanach Commercial de Lisboa para 1891, p. 111, indica ainda uma nova data: "22 de novembro de 1889".

Nelson Algren



Nelson Algren nasceu em Detroit a 28 de Março de 1909, tendo falecido em Nova Iorque a 9 de Maio de 1981. Mudou-se com três anos para Chicago, cidade a que ficou ligado e cujo submundo virá a retratar nos seus livros.
Jornalista e romancista, serviu como soldado na 2.ª Guerra Mundial, teve problemas com o FBI pela sua militância política e protagonizou um caso amoroso com Simone de Beauvoir que o retrata como Lewis Brogan no seu romance Os Mandarins (1957).
O homem do braço de ouro (1949), o seu romance mais conhecido, ganhou o National Book Award e foi adaptado ao cinema por Otto Preminger, em 1955.

Santa Teresa de Ávila

Santa Teresa de Ávila, ou Santa Teresa de Jesus, nasceu em Gotarrendura (Ávila, Espanha) a 28 de Março de 1515, tendo falecido em Alba de Tormes, a 4 de Outubro de 1582. Ficou famosa pelas suas obras místicas e pela reforma da Ordem do Carmelo.


Bernini - O êxtase de Santa Teresa, 1647-1652
Roma, Igreja Santa Maria da Vitória


VIVO SEM VIVER EM MIM

Vivo sem viver em mim
e tão alta vida espero,
que morro por não morrer
.

Vivo já fora de mim,
depois que morro de amor,
porque vivo no Senhor,
que me quis só para si.
Meu coração lhe ofereci
pondo nele este dizer:
Que morro por não morrer.
Esta divina prisão
do amor em que hoje vivo,
tornou Deus o meu cativo
e livre meu coração.
E causa em mim tal paixão
Deus meu prisioneiro ver,
que morro por não morrer.
Ai, que longa é esta vida!,
que duros estes desterros!,
esta prisão, estes ferros
em que a alma está metida!
Só esperar a saída
causa em mim tanto sofrer,
que morro por não morrer.
Ai, que vida tão amarga,
Sem se gozar o Senhor!,
Porque, se é doce o amor,
Não é a esperança larga.
tire-me Deus esta carga,
pesada a mais não poder,
que morro por não morrer.
Somente com a confiança
vivo de que hei-de morrer,
porque, morrendo, o viver
me assegura minha esp’rança.
Oh morte que a vida alcança,
não tardes em me aparecer,
que morro por não morrer.
Olha que o amor é forte:
vida, não sejas molesta;
pra ganhar-te só te resta
perder-te, sem que me importe.
Venha já a doce morte,
venha já ela a correr,
que morro por não morrer.
A vida no alto activa,
que é a vida verdadeira,
até que seta não nos queira,
não se goza estando viva.
Não me sejas, morte, esquiva;
Só pla morte hei-de viver,
que morro por não morrer.
Como, vida, presenteá-lo,
o meu Deus que vive em mim,
se não perdendo-te a ti,
pra melhor poder gozá-lo?
Quero, morrendo, alcançá-lo,
pois só dele é meu querer:
que morro por não morrer.

Santa Teresa d’Ávila
In: Antologia da poesia espanhola do Siglo de Oro / trad. José Bento. Lisboa: Assírio & Alvim, 1993, vol. 1, p. 123-124

sexta-feira, 27 de março de 2009

A Ceia dos Cardeais


Esta é a capa da hoje já rara 1.ª edição de A Ceia dos Cardeaes, que é posterior à estreia, que efectivamente ocorreu no Teatro D. Amélia, a 24 de Março de 1902.
É uma das poucas peças de Teatro que "representei". Esta já mais crescidinho e que ainda hoje sei muitas das tiradas... Fiz de Cardeal Rufo. Os meus companheiros, os Cardeais de Montmorency e Gonzaga, aguardam, na Ilha de Orpheu, a minha chegada para uma nova representação.

...
Não matei em duelo o Sol, pelas alturas,
Só para não deixar Salamanca às escuras!

....
Atirei-me d'um salto, e em rápidos instantes
Sozinho contra vinte e tantos estudantes,
Contra uma Faculdade inteira, expondo a vida,
A capa ao vento, a espada em punho, a pluma erguida,
Talhei, ensanguentei, feri, n'uma violência...

Assim! Assim!

...

E se não os matei a todos, em verdade,
Foi p'ra não se fechar a Universidade!

"Como é diferente o amor em Portugal"



[...]
Nem a frase subtil, nem o duelo sangrento...
É o amor coração... É o amor sentimento...
Uma lágrima... Um beijo... Uns sinos a tocar...
Um parzinho que ajoelha e que se vai casar...
Tão simples tudo! Amor que de rosas se inflora...
Em sendo triste, canta, em sendo alegre, chora!
O amor simplicidade, o amor delicadeza...
Ai, como sabe amar, a gente portuguesa!
Tecer de sol um beijo, e desde tenra idade
Ir n’esse beijo unindo o amor e a amizade,
N’uma ternura casta e n’uma estima sã,
Sem saber distinguir entre a noiva e a irmã...
Fazer vibrar o amor em cordas misteriosas,
Como se em comunhão se entendessem as rosas,
Como se todo o amor fosse um amor somente...
Ai, como é diferente! Ai, como é diferente!

(Cardeal Gonzaga em A ceia dos cardeais, de Júlio Dantas.)

A peça foi estreada no Teatro D. Amélia (actual S. Luís) no dia 24 de Março de 1902.
Retirei este excerto da internet. O Jad, que adora esta peça, pode dar seguimento a este post. Resolvi colocá-lo por hoje ser Dia Mundial do Teatro e por ter falado de Júlio Dantas esta tarde.

Gil Vicente: Compilacam de todalas obras


Infelizmente o exemplar da Copilacam de todalas obras de Gil Vicente que se conserva na Biblioteca Nacional Portuguesa e que se encontra disponivel em edição digitalizada [http://purl.pt/11494/3/P15.html] não está completo. O que apresentam como folha de rosto (e que a nossa colega de Blogue ANA seguiu) não passa da "cortina / portada" do "LIVRO PRIMEYRO"...
Aliás, como a nossa colega informa, na folha de rosto encontram-se as referências ao lugar de edição, impressor e taxa, que nessa "portada / cortina" não aparecem...
Recorri à Biblioteca que o Ministério das Finanças depositou em Vila Viçosa, à guarda da Fundação da Casa de Bragança, para reproduzir, a partir de um livro que pertenceu à colecção de D. Manuel II, último rei de Portugal e distinto bibliófilo, o verdadeiro rosto dessa raríssima edição de 1562.
Já agora, a edição original tem [IV]+ CCLXII folhas [= 4 + 262 f.], o que faz um total de 532 pp. (É que ao exemplar da BnP também falta o "quinto liuro"...) Seria bom que a BnP colocasse um exemplar completo, mesmo tendo de recorrer a outra instituição...

Homenagem ao dia do teatro: a obra de Gil Vicente.

Gil Vicente
(1465? — 1536)
Copilaçam de todalas obras de Gil Vicente, a qual se reparte em cinco liuros. O primeyro he de todas suas cousas de deuaçam. O segundo as comedias. O terceyro as tragicomedias. No quarto as farsas. No quinto as obras meudas. - Lixboa : em casa de Ioam Aluarez, 1562]. BN- CCXLIX f. : il. ; 2º (28 cm) http://purl.pt/11494 . No rosto "Vendem se a cruzado em papel, em casa de Francisco Fernandez, na rua noua".

A Cotovia-dos-bosques!

Cotovia-dos-bosques

A Cotovia-dos-bosques, ou Lullula arborea em latim, é uma pequena cotovia de plumagem castanha, cauda curta e poupa vestigial. Habita uma grande diversidade de bosques e florestas pouco densos por toda a Europa temperada e mediterrânica. A Cotovia-dos-bosques é principalmente sedentária, sendo migradora na parte Norte e Oriental da sua área de distribuição europeia. As aves do Sul da Escandinávia, Europa Central, Rússia e Turquía migram para Sul e para Sudoeste durante o Inverno.
O canto da Cotovia-dos-bosques é dos mais melodiosos de entre todas aves europeias. Canta durante a noite ou de manhã, normalmente em voo ondulante, e a mais de 100 metros de altura.

A Cotovia-dos-bosques prefere sempre os locais com árvores.

«The Vicious Circle»


Natalie Ascencios - A Vicious Circle
Legenda: 1. Dorothy Parker; 2. Robert Benchley; 3. Matilda; 4. Franklin Pierce Adams; 5. Robert Sherwood; 6. Harpo Marx; 7. Alexander Woollcott; 8. Harold Ross; 9. George S. Kaufman; 10. Heywood Broun; 11. Marc Connelly; 12. Edna Ferber

«[…] a famosa “távola redonda” do Hotel Algonquin, também chamada “o círculo vicioso”, nasce quase por acaso. Em Junho de 1919, Dorothy [Parker] recebe um convite para almoçar nesse hotel para festejar o regresso da guerra de Alexander Woolcott, crítico teatral do New Yok Times. Em torno de várias mesas sentam-se nesse dia pouco menos de quarenta pessoas […].
«A távola redonda do Algonquin nasce assim nos anos do primeiro pós-guerra e é o primeiro exemplo desse radicalismo chique que não apenas em Nova Iorque, mas também na Europa, conjugará, ilusoriamente ou não, dinheiro e espírito, engenho e empenho. O hotel encontra-se perto da zona dos teatros e é por isso frequentado por actores até célebres, como Douglas Fairbanks ou John Barrymore, que gostam de jantar na sala chamada “Rose Room”. Os escritores, por outro lado, preferem reunir-se noutra sala, a chamada “Pergola Room” (hoje “Oak Room”), talvez pelas suas pinturas a fresco com vistas do golfo de Nápoles. Os nomes de quem participa nesses encontros hoje dizem pouco, sobretudo fora de Nova Iorque.» São eles: Edmund Wilson, Marc Connelly, Robert Sherwood, Frank Sullivan, Charles MacArthur, Herman Mankiewicz, Harpo Marx, Donald O. Stewart, Murdock Pemberton, William Faulkner e Dorothy Parker. E a ideia da mesa redonda foi do director do hotel, Frank Case.

(Corrado Augias – Os segredos de Nova Iorque. Lisboa: Cavalo de Ferro, 2008, p. 266, 269)

MACBETH de Verdi

É a ópera que irá estar de 4 de Abril a 8 de Maio na Opéra Bastille, em Paris. Para os que não podem ir até lá, como é o meu caso, fica uma bela ária cantada por Maria Callas num concerto em Hamburgo há precisamente 50 anos. Inultrapassável.

Onde não me apetecia estar ...

Esta fotografia de parte da fachada foi a melhor que consegui do antigo palácio presidencial de Hilla ou Al-Hillah, um dos muitos palácios do ditador iraquiano Saddam Hussein. Pois bem, o antigo palácio é hoje um hotel- o Presidential Palace Resort Al-Hillah, e uma das ofertas especiais é a possibilidade de dormir no antigo quarto de Saddam Hussein por 140 euros/ noite, com pequeno almoço.
Mas o que mais me surpreendeu foi saber qual o alvo preferencial desta opção de dormida. Não é destinado nem a historiadores, nem a antigos soldados americanos, ou a saudosistas do regime deposto, mas sim a luas de mel. É verdade, o antigo quarto de Saddam é oferecido preferencialmente a casais em lua de mel. De gustibus non disputandum?

Conhecem Antony and the Johnsons ?

Esta You are my sister já tem uns anitos mas é fantástica, e aqui é interpretada ao vivo com as vozes adicionais de CocoRosie. Dedico-a à minha querida irmã, que hoje faz anos.

Ainda o Dalai-Lama e a África do Sul



Escrevi há dias sobre a recusa da África do Sul em conceder um visto de entrada ao Dalai-Lama para que este participasse numa conferência sobre paz mundial. Foi ontem divulgado o cancelamento de tal conferência após a polémica que suscitou a dita recusa de visto. Acho bem. Não me parece útil falar de paz no mundo quando se proíbe alguém de participar, de fazer ouvir a sua voz. Mais vale o ensurdecedor silêncio.

Hoje é o Dia Mundial do Teatro

Hoje há vários motivos de interesse para passar pelo Teatro Nacional D.Maria II, palco principal em Lisboa das comemorações do Dia Mundial do Teatro:
A VISITA - Entre as 11 e as 15h é possível visitar os Espaços do D.Maria II.
FOTOBIOGRAFIAS DO SÉC.XX - Às 16h no Salão Nobre, lançamento de biografias de Vasco Santana, por Luís Trindade, e Amélia Rey-Colaço, por Júlia Leitão de Barros. (Ed.Círculo de Leitores) .
QUE TEATRO NACIONAL PARA O SÉC.XXI - Às 17h30 no Salão Nobre, debate com a presença de Stephen Wilmer ( professor do Trinity College e historiador de teatro) , Maria João Brilhante ( Presidente do Conselho de Administração do D.Maria II ) , e Diogo Infante ( Director Artístico do D.Maria II ) , e a moderação de Ana Sousa Dias.
ESTA NOITE IMPROVISA-SE - Às 21h30 na Sala Garrett, peça de Luigi Pirandello, com encenação de Jorge Silva Melo, co-produção Artistas Unidos e D.Maria II.
A NOITE - Às 21h45 na Sala Estúdio, a partir de Al Berto, encenação de João Brites, criação Teatro o bando em co-produção com o D.Maria II.
Entrada livre.

Dorothy Parker:

«the brightest girl in New York»
Edmund Wilson


«Os vossos nomes ficarão para sempre escritos no meu coração. A propósito, meu querido, como é que te chamas?»
Dorothy Parker, a propósito da sua frenética vida amorosa.

Elegâncias - 22



Estes magníficos modelos foram-me enviados pelo Luís Barata.
Os vermelhinhos - atenção, Miss Tolstoi! - é como andar em pontas...

Mudança da hora no dia 29 de Março

Mudança da hora no dia 29 de Março de 2009
Na madrugada do dia 29 de Março (domingo), a Hora Legal muda do regime de Inverno para o regime de Verão.
- Em Portugal continental e na Região Autónoma da Madeira, à 1:00 hora da manhã adiantamos o relógio de 60 minutos, passando para as 2:00 horas da manhã.
- Na Região Autónoma dos Açores a mudança será feita à meia-noite (00:00) de Domingo, dia 29 de Março, passando para a 1:00 hora da manhã, do mesmo dia.
Ver a legislação.
http://www.oal.ul.pt/index.php?link=lesl
http://www.oal.ul.pt/index.php?link=destaque&id=137

Ovo da Páscoa 2, Peter Carl Fabergé.

A minha segunda proposta é este ovo de:
Ovo Equestre de Alexandre III, 1910


Kremlin Armoury Museum Moscow
altura 15,5 cm

Este ovo foi um presente de Nicolau II a Maria Fyodorovna e foi feito em São Petersburgo.

Auto-retrato. Lucian Freud!

Escolhi este auto-retrato de Lucian Freud por me parecer sui generis. Escondido, no meio da planta gigante, vislumbra-se o busto do pintor que sugere a sensação de som.
Interior com Planta, Ouvindo o Reflexo
Auto-retrato, 1967/68
Óleo sobre tela, 121,8x121,8 cm, colecção particular*
*Sebastian Smee - Lucian Freud, Alemanha: Taschen, 2008, p. 33.

quinta-feira, 26 de março de 2009

A saudação mais actual...

Com um agradecimento à Tecla Portela Carreiro, que tem toda a razão quando diz que é preciso manter o sentido de humor nestes tempos em que vivemos.

De Igual para igual

Os amigos.
Esses estranhos que nós amamos
e nos amam
olhamos para eles e são sempre
adolescentes, assustados e sós
sem nenhum sentido práticos
em grande noção da ameaça ou da renúncia
que sobre a luz incide
descuidados e intensos no seu exagero
de temporalidade pura.

Um dia acordamos tristes da sua tristeza
pois o fortuito significado dos campos
explica por outras palavras
aquilo que tornava os olhos incomparáveis.

Mas a impressão maior é a da alegria
de uma maneira que nem se consegue
e por isso ténue, misteriosa:
talvez seja assim todo o amor.

José Tolentino de Mendonça
(1965 - )

A Hora do Planeta

Sábado, 28 de Março às 20h30
apague as luzes para diminuir o efeito de estufa.
Eu, se estiver em casa, fá-lo-ei; se não estiver, estarão apagadas.

Paris Match: 60 anos


Conversas com Lisboa

Um dia vou construir um castelo....




A felicidade exige valentia.


Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não
esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo, e posso evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios,
incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos
problemas e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um 'não'. É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

Pedras no caminho?
Guardo todas,um dia vou construir um castelo...

Fernando Pessoa - 120 anos





Dos meus presentes - 3

" (...) A curta-metragem, porém, nunca deixou de existir ao longo da história do cinema. Especializou-se em diferentes categorias ou géneros: o filme burlesco, o filme documental, o filme pedagógico, industrial, amador, etc. É também, em muitos casos, a via de acesso à profissão, por vezes prolongada pela realização de longas-metragens. A curta-metragem permite experimentar novas formas e escapar aos condicionalismos narrativos ou institucionais. Em geral, está menos sujeita do que a longa-metragem às regras da rentabilidade económica, enquanto que no caso do filme de encomenda este condicionalismo é mais forte. "

- Dicionário teórico e crítico do cinema, Jacques Aumont e Michel Marie, edições texto&grafia, Janeiro de 2009.

Gosto de curtas-metragens. Escolhi esta de uns escassos 7 minutos, carregada de prémios, para ilustrar mais este presente de aniversário. Peço desculpa pela falta de legendagem.

Sábado e Domingo - 2 : 13ª Edição do STOCKMARKET

Quem gosta de grandes marcas a bons preços deve ir este fim-de-semana até à antiga FIL, agora Pavilhão do Rio do Centro de Congressos de Lisboa, desde logo no eléctrico 15, e espreitar os grandes descontos desta 13ª edição do Stockmarket. Uma hipótese de comprar Tommy, Roberto Cavalli, Carolina Herrera, Guess, ou Miguel Vieira a preços bastante mais acessíveis.
Sábado- das 10 às 20h, Domingo- das 12 às 20h. Bilhetes a vários preços, crianças e séniores entram gratuitamente.

Sábado e Domingo - 1 : 18ª Ladra Alternativa

E a Ladra Alternativa chega à sua 18ª edição, no sítio do costume- o Centro Cultural Dr.Magalhães Lima, ao Largo do Salvador, Alfama, Lisboa. Como sempre, é possível encontrar objectos invulgares e originais, artesanato urbano, e animação. E tudo de origem nacional.
Das 1o às 19 h, com entrada livre.

Citações - 18 : Ainda os paraísos fiscais

" (...) acho que é preciso começar por acabar com a economia mundial clandestina. Muitos dos escândalos a que estamos a assistir são puros casos de polícia! E, depois, é preciso acordar os reguladores que dormem. Ou criar novos reguladores que actuem. A grande finança internacional vive hoje sem regras, sem fiscalização e sem sanções. É a lei da selva.
Por isso não me parece nada conveniente, numa primeira fase, extinguir os off-shores e os paraísos fiscais. É lá que estão e actuam os ilegais e os clandestinos. É preciso ir apanhar os lobos no seu covil. "

- Diogo Freitas do Amaral, in VISÃO de 26/03/2009.

Assim termina o muito interessante artigo de Freitas do Amaral publicado na VISÃO desta semana, e que vale a pena ler na íntegra já que oferece uma excelente análise do estado a que chegámos e das suas causas ( capitalismo desregulado, gestores gananciosos, autoridades financeiras passivas ) .

Prémio D.Dinis 2009


Um dos maiores especialistas portugueses de Estudos Literários, Vítor Aguiar e Silva, foi distinguido com a atribuição por unanimidade do Prémio D.Dinis, criado pela Fundação da Casa de Mateus, pelo seu livro A Lira Dourada e a Tuba Canora: Novos Ensaios Camonianos, editado pela Livros Cotovia.

Coisas do Direito - 8 : Uma boa notícia


Mais um estado norte-americano aboliu a pena de morte. Agora foi o Novo México pela mão do seu governador, o democrata Bill Richardson.A pena mais grave aplicável neste estado da União passa a ser a prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional.
Uma boa notícia num país onde em alguns estados ainda se executam doentes mentais, jovens adultos, e adultos que cometeram crimes quando eram menores. Ao contrário do que muita gente pensa, trata-se de um país com enormes contrastes nos catálogos penais estaduais e cometer um crime num estado ou noutro pode ser a diferença entre perder a liberdade ou a vida.

A HISTÓRIA DE UMA HISTÓRIA

Era uma vez uma história

acabava antes de começar
e começava depois do fim

os seu heróis entravam nela
depois de terem morrido
e abandonavam-na
antes de nascerem

os eus heróis falavam
de um certo mundo de um certo céu
diziam toda a espécie de coisas

só não diziam
o que eles próprios não sabiam
que eram apenas heróis de uma história

de uma história que acaba
antes de começar

e começa antes de acabar

Vasco Popa
In: Ted Hughes – O fazer da poesia / trad. Hélder Moura Pereira. Lisboa: Assírio & Alvim, 2002, p. 129

Abri este livro porque li no jornal que Nicholas Hughes, filho de Ted Hughes e Sílvia Plath, se suicidou no dia 16 passado.

Ovo da Páscoa 1, Peter Carl Fabergé.

Irei apresentar alguns ovos de Fabergé que mais aprecio.
O primeiro ovo que escolhi é de 1899 e chama-se:
Imperial Pansy Egg,

Cleveland, Museum of Art, Colecção particular

Peter Carl Fabergé (Karl Gustavoich Faberge) criou o primeiro ovo da Páscoa, em 1885, para o Czar Alexandre III, oferecer a sua mulher, Maria Feodorovna Romanova a (Princesa Maria Sofia Frederica Dagmar da Dinamarca) como presente da Páscoa.
Os ovos decoradíssimos contêm no interior jóias surpresa.