Prosimetron

Prosimetron
Prosimetron: termo grego que designa a mistura de prosa e verso.

sábado, 23 de outubro de 2010

Uma Rosa

A nossa vinheta contempla uma rosa branca. Bom fim de tarde!
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Kenneth Frazier - Woman with a Rose, 1891-92
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"Kenneth Frazier, born in 1867, was an illustrator who worked in a hybrid of Art Nouveau, Impressionist and Realist styles".

You love the roses - so do I. I wish
The sky would rain down roses, as they rain
From off the shaken bush. Why will it not?
Then all the valley would be pink and white
And soft to tread on. They would fall as light
As feathers, smelling sweet; and it would be
Like sleeping and like waking, all at once!

George Eliot

Em Lisboa

S. Vicente de Fora.

Ainda os Simpsons

A semana que hoje acaba foi certamente uma das mais mediáticas para a família televisiva amarelada que tem mais fãs pelo mundo. Tudo começou com o artigo da edição do passado domingo do Osservatore Romano, o jornal do Vaticano digamos assim, onde um articulista defendia que era uma série que podia ser vista com proveito pelos católicos e mais: que Homer e Bart Simpson são católicos. Foi esta afirmação que deu a volta ao mundo nos últimos dias, com desmentidos norte-americanos (houve quem viesse logo dizer que eles são protestantes, como a maioria dos norte-americanos, e os produtores da série a negarem o catolicismo das personagens) e muitos comentários em jornais e revistas sobre esta inesperada tomada de posição do outrora muito circunspecto órgão noticioso em causa.
Outros media foram mais críticos: o Osservatore, na esta senda actual de modernização e abertura à cultura contemporânea, pode acabar por perder credibilidade...

Em português - 44

Vim para o Fado e Fiquei dos Fado Em Si Bemol. Fado, mas com sonoridades de jazz. Digam de vossa justiça. Actuam hoje, pelas 17h, na Fnac Chiado.


Jeff B.

Cá em casa, o dia começou musicalmente com um cd de Jeff Buckley. Partilho uma: I Know It's Over.

A Arte da tumulária

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Sete danças gregas - 2


Outra dança de Mikis Theodorakis, coreografada por Béjart.
Boa noite!

Frutas - 33


RoyLichtenstein - Still life with crystal bowl

Vivaldi

O terceiro andamento do Outono pelos I Musici, gravação que data de 1988.

A Arte tem limites?

Não, não é uma fotografia de Ariel Sharon tirada no hospital de Tel-Aviv onde ele se encontra em coma desde 2006. É sim uma controversa escultura, em tamanho natural, do artista israelita Noam Braslavsky, que mostra Sharon em coma, embora de olhos abertos, e é uma escultura animada: as mãos movem-se e há simulação de respiração. Não falta sequer o tubo que liga ao soro.
A escultura irá estar exposta na Galeria Kishon, em Tel-Aviv, e pretende ser "uma alegoria à inércia dos políticos israelitas". Vamos ver o que acontece...

Citações - 130



(...) A imortalidade, em Arte, é difícil de prever. Régio e Nemésio nasceram em 1901, há cinquenta anos Régio era imensamente popular, Nemésio conhecido pelas suas conversas na televisão. Quem imaginava, na altura, que a poesia de Régio ia sumir-se num rufo e a de Nemésio se mantém sem uma prega, e cresce?
Eu penso: João Cabral de Melo Neto vai permanecer. E a seguir penso: quem sabe se não estou enganado? Os critérios de avaliação serão completamente diversos, os motivos que levam as pessoas a aderir a uma obra também, o movimento do gosto incessante. Bach levou cento e cinquenta anos esquecido até ser adoptado pelos românticos. Mas será isto importante, será isto realmente importante? Até que ponto todos os livros, de todos os autores, não formam um único , imenso livro, que principiou a ser escrito muito antes de nós e prosseguirá sem fim, interminável?
Perguntas, perguntas. No fundo não me interessam muito: o que eu desejaria era deixar, mais ou menos acabada, a minha casa de palavras, por definição para sempre incompleta. E que o leitor se sentisse justificado e feliz lá dentro, rodeado de vozes que afinal são as suas.


-
António Lobo Antunes
, na Visão.

Leituras no Metro - 26


«Dá ao teu espírito o hábito da dúvida e ao teu coração o da tolerância.»
Lichtenberg
In: Aforismos. Lisboa: Estampa, 2010, p. 19

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Alegre, hoje com a Visão

Não sei se tem algum significado político, mas a Visão de hoje ofereceu um livro de Manuel Alegre: de poesia, "Livro do Português errante" e de prosa, " A terceira rosa". Mas também não me interessa muito. Sou apreciador de Alegre desde sempre, como poeta e como prosador. Sobretudo como poeta (mesmo contra os que o acham um poeta menor). A política fica de fora dos meus gostos literários e das minhas eleições afectivas.

Poema do eterno retorno

Há o teu rosto dentro de teu rosto: único e múltiplo.
As tuas mãos de outrora nas tuas mãos de agora
há o primeiro amor que é sempre o último
antes do tempo ou só depois da hora.

E vinhas de tão longe. E era tão fundo.
Eu conheço-te. E era por mim. E era por ti. Era por dois.
E havia na tua voz o princípio do mundo.
E era antes da Terra. E era depois.

Concerto Paul Bowles


Museu do Oriente
6.ª feira, 23 Outubro, 21h00


Este concerto, incluído na comemoração do centenário de Paul Bowles (Do You Bowles), pretende dar a conhecer ao público obras significativas do percurso musical de Paul Bowles, escritor e compositor norte-americano, residente a maior parte da sua vida em Tânger, Marrocos.
António Rosado, pianista, apresenta a première em Portugal das Seven Latin-American Pieces, obra gravada, em 1994, por outro famoso pianista, Bennett Lerner.
A executora do espólio musical do autor, Irene Herrmann, pianista e Anabela Duarte, cantora, interpretam uma série de canções espanholas e americanas com textos de Garcia Lorca e Tennessee Williams, como é o caso de The Blue Mountain Songs, porventura o ciclo de canções mais conhecido do compositor.
Para finalizar e com o objectivo de celebrar a música marroquina gravada por Paul Bowles, Richard Horovitz executa algumas das composições do filme Um Chá no Deserto, de Bernardo Bertolucci, plenas de sabor norte-africano e intensidade dramática, em esplendorosa apresentação multimédia.
http://www.museudooriente.pt/1108/concerto-paul-bowles.htm

La boucle retrouvée



Il retrouve dans sa mémoire
La boucle de cheveux châtains
T'en souviens-il à n'y point croire
De nos deux étranges destins

Du boulevard de la Chapelle
Du joli Montmartre et d'Auteuil
Je me souviens murmure-t-elle
Du jour où j'ai franchi ton seuil

Il y tomba comme un automne
La boucle de mon souvenir
Et notre destin qui t'étonne
Se joint au jour qui va finir

Guillaume Apollinaire
In: Calligrammes

A 4 mãos

E que mãos: o russo Boris Berezovsky e a francesa Brigitte Engerer. Tocam o Adagio de A Bela Adormecida de Tchaikovski, na transcrição para quatro mãos feita por Rachmaninoff.

Auto-retrato(s) - 62

Salvador Dalí, Auto-retrato com pescoço Rafaelesco, 1921-22, óleo sobre tela, 41,5x53cm, Fundação Gala-Salvador Dalí, Figueras, Espanha. Oferecido ao Estado espanhol.


Um mês depois de ter fugido de Viena, para se salvar dos nazis, Freud é visitado em Londres pelo seu amigo Stefan Zweig, que traz consigo um pintor chamado Salvador Dalí que há muito desejava conhecer o fundador da Psicanálise.
Foi durante essa conversa a três que Freud teceu esta consideração sobre a sua relação com a Pintura:

" In classic paintings I look for the subconscious, in surrealist paintings for the conscious."

Um quadro por dia - 102 : Ainda as castanhas...

Paul Cézanne, Os castanheiros em Jas de Bouffan, 1885-86, óleo sobre tela, Minneapolis Institute of Arts, EUA.


(...) Já há castanhas gordas, de Trás-os-Montes. Mas ainda não apetece assá-las. Já se vendem castanhas assadas na rua. Mas ainda se consegue resistir-lhes e adiá-las. Ainda não há água-pé, nem da má. Ainda não veio o frio de fazer água-pé-sequer ainda o de fazer marmelada, embora já tenhamos marmelada da boa, a compor-se ao sol. (...)

Excerto da crónica O primeiro Outono, de Miguel Esteves Cardoso, no Público de ontem.

Números - 29

( Chiswick, Londres)


1000/80


Um divertido post infra sobre literatura pimba e Maria Filomena Mónica lembrou-me este número que tinha anotado no meu "caderno do blogue": para cada 1000 exemplares de um livro, são abatidas 80 árvores adultas.
E se algumas são sacrificadas todos os dias em prol da humanidade ( pelo menos a que lê ), outras são verdadeiramente assassinadas...

Bom dia!

Acordei com esta Segunda Valsa da Segunda Jazz Suite de D.Shostakovich na cabeça. E por uma razão muito simples: revi a noite passada o último filme de Kubrick, Eyes Wide Shut, a adaptação para a NY contemporânea da Traumnovelle de Arthur Schnitzler.
E esta é realmente uma peça musical hipnótica. Tal como Tom Cruise em dia sim é um actor razoável.

Pena





Palácio da Pena, 16 Out. 2010.

Leituras no Metro - 25


Retrato de Lichtenberg.
Desenho de Johann Ludwig Strecker, gravado por J.C. Krueger.
«Toda a alma humana comporta uma porção de indolência que a inclina a fazer o que é fácil.»
Lichtenberg
In: Aforismos. Lisboa: Estampa, 2010, p. 17

Uma Exposição...

Fui à Fundação Calouste Gulbenkian ver a exposição Res Publica Face a Face, 1910-2010. Encantaram-me as diferentes abordagens. É uma exposição original e, em alguns aspectos, provocadora. Das exposições sobre o centenário da República quevisitei foi a que rotulei de mais inovadora. Isto é, não é a mera narração dos acontecimentos mas, sim, vários olhares de artistas portugueses e estrangeiros. O seu espólio é constituído por ilustrações, livros, cerâmica, quadros, instalações, fotografia, espaços com video-projecções... e espero não me ter esquecido de nada.
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Escolhi três aspectos que me deliciaram. O primeiro, reporta-se à escrita, o segundo à imagem e à música e o terceiro à arte de Rafael Bordalo Pinheiro. Vi um quadro de Paula Rêgo que gostei e um tríptico denominado Banquete (no Estado Novo) mas, a minha máquina morreu sem energia e não fotografei.
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Afago, de Silvia Moreira, um canção hebraica de embalar na voz de Ruth Rosengarten, linguagem gestual de Liliana Alves. Parece uma dança de embalar e é bela! Tentei encontrar no Youtube mas nada...



De André Romão - Modelo para uma Escultura Retórica (Nota: a escrita encontra-se com um risco/traço sobre as letras deixando livre, o que aqui pus a vermelho)

PARA CONDUZIR O MEU POVO
AO OLIMPO DO BELO DIVINO, ONDE
DE FONTES PERENEMENTE JOVENS
BROTA O VERDADEIRO COMO TUDO
O QUE É BOM, AINDA NÃO TENHO HABILIDADE
SUFICIENTE. MAS APRENDI A USAR
A ESPADA
E PARA JÁ DE NADA MAIS
PRECISO.
A NOVA ALIANÇA DOS ESPÍRITOS
NÃO PODE VIVER NO AR. A SAGRADA
TEOCRACIA DO BELO TEM DE HABITAR
NUM ESTADO LIVRE E ESSE PRECISA DE
ESPAÇO NA TERRA E NÓS CONQUISTAREMOS
ESSE ESPAÇO
COM CERTEZA

André Romão, Modelo para Escultura Retórica
O Estado a partilha de Hyperion, 2009


Rafael Bordalo Pinheiro, Les Murs ont des Oreilles


Gostei imenso desta orelha, floreira, c. 1884-1905, Museu da Cerâmica.

"As paredes têm ouvidos" é uma frase intemporal.


Informações retiradas na exposição que vai estar aberta ao público até 16 de Janeiro de 2011. Lisboa.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Aurélio da Paz dos Reis na Cinemateca


Lisboa, 5 de Outubro de 1910, foto de Aurélio da Paz dos Reis.

Uma exposição com algumas maravilhosas fotografias de Aurélio da Paz dos Reis (1862-1931) pode ser vista no Espaço 39 Degraus, da Cinemateca Portuguesa.
Rua Barata Salgueiro, 39
2.ª a 6.ª , das 12h30 às 00h30
sábados, das 14h30 às 00h30

Sete danças gregas - 1


Ramon Flowers e Ion Garnika Lopez, do Ballet Béjart, dançam uma das Sete danças gregas, de Mikis Theodorakis.
Boa noite!

Cabo da Roca




16 Out. 2010

Frase do ano




«Hoje vamos falar de literatura pimba. Comecemos pela Maria Filomena Mónica.»
Contaram-me hoje que um certo professor universitário disse esta pérola numa aula. Podem imaginar o que me ri. Ainda me estou a rir.

Sai este mês



Trad. de Mário Cruz, João Cruz.

«Toda a escola literária moderna do século XX provém de Hamsun. Foram todos seus discípulos: Thomas Mann e Arthur Schnitzler... até mesmo Fitzgerald e Hemingway.» (Isaac Bashevis Singer)

6.ª feira na BNP

Um quadro por dia - 101

Gustave Moreau (1826-1898), Cântico dos Cânticos, A Sulamita, aguarela sobre papel, 19x37cm,Musée Gustave Moreau, Paris.

Os teus rebentos são um pomar de romãzeiras
com frutos deliciosos,
com alfenas e nardos,
nardo e açafrão,
cálamo e canela,
com toda a espécie de árvores de
incenso,
mirra e aloés,
com todos os bálsamos escolhidos.

(Cântico dos Cânticos, 4:13,14, Nova Bíblia dos Capuchinhos, 1.ªed., Novembro de 1998)

Nunca visitei o Museu Gustave Moreau em Paris. Mas tomei nota.

Uma boa surpresa

Numa livraria próxima do Chiado encontrei este livro de João Mattos e Silva.


Momento XV
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Revejo-me num espelho sem contorno,
sem nada.
O mar silencioso dá-me sempre igual
uma alma inacabada.
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João Mattos e Silva, Sem Contorno, Lisboa: Edições Excelsior, 1968, p. 9

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Boa noite!

As primeiras castanhas

Hoje, no Chiado, provei as primeiras castanhas. Os vendedores disseram-me que estavam a iniciar a época e que era a primeira cliente. Achei uma delícia porque um dos senhores, depois de me vender as castanhas, benzeu-se. Desejo uma boa temporada!
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Vendedores de castanhas, Chiado, Lisboa
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Solidão


"Somos sozinhos no mundo, sem garantia contra nada. Em alguma hora, nos deparamos conosco mesmos, deslocados, sós, à toa. E a consciência disso não aplaca dor alguma. Reconhecer a proporção da nossa solidão não a torna mais aturável. Ela continua infundada, irremediável, inconsolável. Sempre solidão, até que a morte nos separe."


Fábio Fabrício Fabretti

(escritor brasileiro,Maringá, 1979-)


do romance no prelo "Matadouro

Leituras no Metro - 24


Lisboa: Tinta-da-China, 2009

Ando a ler este livro há já um tempo, intervalado com outros. Hoje de manhã li este pedaço que não posso deixar de transcrever:
«Permitam-me um pequeno parêntesis, ao mesmo tempo burlesco e significativo: não posso deixar de referir o episódio caricato do Pedro da Silveira ter sido preso por uma acusação que nunca se soube qual era; o que se dizia é que ele, conversando connosco no Bar Jade, teria afirmado que o Afonso de Albuquerque era homossexual. Eu fui chamado para dizer o que estávamos a fazer, nessa noite, nas Capelas. Disse que estava a ler A Tabacaria, de Álvaro de Campos, e tive de ditá-la integralmente para um polícia escrivão, que não pertencia à PIDE - era antes o chefe da PSP.»
Mário Barradas
«"Magistério de influências": em defesa da democracia». In: A oposição ao salazarismo em São Miguel e em outras ilhas açorianas (1950-1974). Lisboa: Tinta-da-China, 2009, p. 113-114
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Imaginem o tempo que o Mário Barradas lá deve ter estado a ditar A Tabacaria, à velocidade a que os polícias costuma(va)m escrever... E o polícia nunca mais se esqueceu d'A Tabacaria. :-)
Hei-de voltar a este livro.

Novidades - 152 : O caso BPP


É o aguardado livro de Luís Miguel Henrique, que foi o mais mediático advogado dos clientes do BPP, e de Daniel Lobo Antunes. Muita informação sobre o caso, mas também sobre toda a trajectória profissional de João Rendeiro,o fundador do banco, que dá pano para mangas...
Uma edição da Prime Books.

Citações - 129 : Do Amor...


(...) Não há nenhum ser humano saudável incapaz de se apaixonar. Apesar de ainda haver um discurso que separa a biologia do comportamento, os dois estão associados. Muitas vezes é o facto psicológico de acharmos aquela pessoa interessante que depois nos vai levar a alterações químicas que podem fazer com que tenhamos mais interesse na pessoa. Mas geralmente começa pela atração física. Outras vezes surge a atração pela convivência. Pessoas que se calhar nem despertariam a nossa atenção, mas que, pela convivência, começam a despertar algo em nós. (...)


É esta segunda "modalidade", a atração pela convivência, que explica os "romances" e "paixonetas" que surgem em concursos televisivos como o Big Brother e sucedâneos. Quando não é apenas pelo simples facto de que está provado que os espectadores expulsam mais dificilmente concorrentes que supostamente estão envolvidos amorosamente...
Vem isto a propósito de um comentário da nossa M.R. sobre a Casa dos Segredos que recentemente vi, durante algum tempo, na TVI. Mas voltarei a este programa.

Em português - 43 : Uma tarde em Itapuã

Parece que já não é tão idílica, pelos muitos frequentadores, como quando celebrada por Vinicius e Toquinho, mas eu ainda passaria de bom grado uma tarde na praia de Itapuã, sobretudo no Inverno português.

Frutas - 32


Klimt - Macieira, 1912
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«A maçã amadurece no cimo da árvore, no ramo mais alto, onde os homens dela se esqueceram.»
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«Mas realmente não a esqueceram: só não a podiam alcançar.»
Safo
In: O desejo / trad. Serafim Ferreira. Lisboa: Teorema, 2003, p. 67
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Maçã menina
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No alto do ramo,
alta no ramo mais alto,
uma tão rosa maçã:
esqueceram-na os apanhadores
de fruta. Esqueceram-na?
Não! Mãos não tiveram
para a colher.
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No alto do ramo,
alta no ramo mais alto,
uma tão rosa maçã
mulher:
esqueceram-na os apanhadores
de fruta. Esqueceram-na?
Não! Mãos não tiveram
para a colher
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Safo
In: Líricas em fragmentos / trad. Pedro Alvim. Lisboa: Vega, 1991, p. 99
Nota do tradutor: em redondo, o poema em tradução o mais fiel possível; e em itálico, uma versão.

Os impostos e 2011...

( Surripiado ao Corta-Fitas )

Para que dúvidas não existam...

( Do Gládio, via Estado Sentido )

Até a RAI...

Voltamos a Itália, onde a televisão está cada vez mais sensacionalista, imitando o pior que há nos EUA. Neste caso, é a própria RAI: Neste vídeo, a mulher que está sentada à mesa é Concetta Serrano, mãe de uma rapariga de 15 anos que estava desaparecida. E ela, em directo, é informada, com a colaboração das autoridades (!) que foi encontrado o cadáver da sua filha e que o seu cunhado acabara de confessar o crime.

Em Queluz

São hoje reabertos, depois do restauro patrocinado pelo World Monuments Fund e outros mecenas, pelas 16h, os Jogos de Água dos jardins do Palácio de Queluz.
Há que aproveitar, para conhecer ou rever, enquanto duram estes dias prazenteiros.

Números - 28

84.000.000

É o número de cidadãos europeus em risco de pobreza, de acordo com Laszlo Andor, o comissário europeu para o Emprego e Assuntos Sociais.

Bom dia!


Para começar o dia, continuamos com Melina Mercouri, desta vez num dueto com o enteado, Joe Dassin.
Adoro a música grega!

Inaugura hoje


O Museu Nacional do Azulejo inaugura a exposição temporária Cerâmica Portuguesa da Monarquia à República. Comissariada por João Pedro Monteiro, apresenta 180 peças, de faiança, porcelana e azulejo, produzidas entre a década de 1870 e os anos da 1.ª República, permitindo documentar a forma como a produção cerâmica, de autor e industrial, acompanhou a evolução do gosto na transição do século XIX para o século XX e, ao nível iconográfico, a mudança de Regime.
Mais informações em: http://mnazulejo.imc-ip.pt
Até 13 Fev. 2011
Museu do Azulejo
Lisboa
Bastião dos Pescadores, Buda, Budapeste, Hungria


Não basta abrir a janela

Não basta abrir a janela
Para ver os campos e o rio.
Não é bastante não ser cego
Para ver as árvores e as flores.
É preciso também não ter filosofia nenhuma.
Com filosofia não há árvores: há ideias apenas.
Há só cada um de nós, como uma cave.
Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora;
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela.

4-1923

Alberto Caeiro, “Poemas Inconjuntos”,. Fernando Pessoa. (Nota explicativa e notas de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1946 (10ª ed. 1993), p. 75.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Boa noite!


Não podia terminar o dia sem evocar Melina Mercouri - mulher que admiro por variadíssimas razões. Faria hoje 90 anos.


Paris: Stock, 1973. (Le livre de poche; 3521)

«Mon plus grand amour , c'est la Grèce. C'est la mer grecque, les collines grecques, la lumière du ciel grec. Mais c'est mon amour pour la Grèce qui m'interdir d'y revenir pour le moment. Parce que mes yeux ne pourraient pas regarder une Grèce enchainée, une Grèce humiliée sous une dictature.
«Je veux raconter comment det amour a grandi en moi. raconter ma jeunesse, mon histoire. Je veux vous parler des gens que j'ai connus, amis et ennemis. Avec les moyens qui sont les miens, je veux parler de la politique grecque, des efforts inlassables du peuple grec pour secouer le joug des puissances étrangères. [...]»
Assim começa a sua autobiografia, Je suis née grecque, publicada em 1971, quando a actriz se encontrava exilada. Um livro que li há muitos anos e de que gostei.

Para APS, que me alertou para a efeméride, no Arpose.

Fado do castanheiro - Maria Teresa de Noronha


Citações - 128 : Belmiro, nós e os impostos...

(...) Suspeito que Belmiro de Azevedo, enquanto pessoa singular-não estou a falar das suas empresas-, pague menos impostos do que eu. (...)

Frase do actor Miguel Guilherme, em entrevista no Sol da passada sexta-feira.

E eu tenho a certeza que o Miguel Guilherme tem razão. Ao contrário de mim e dos demais cidadãos comuns, que temos todos os bens sujeitos a registo em nosso nome ( casas, carros etc ), Belmiro de Azevedo, à semelhança de muitos outros milionários portugueses e estrangeiros, quase nada tem em seu nome. A maior parte do seu património, mobiliário e imobiliário, está em nome de sociedades, quase sempre holdings, que têm um estatuto fiscal mais favorável.

Da minha biblioteca - 12

Antes ainda de conhecer-lhe a poesia, foi este livro que me fez fixar o seu nome: Alfredo Margarido (1928-2010), que morreu faz amanhã uma semana, de enfarte.
E é um livro muito interessante.

Em português - 42

Letra (como habitualmente) de valter hugo mãe e música de Paulo Praça, que é quem canta. E são os dois filhos e habitantes de Vila do Conde mais famosos nesta altura.

Portugal : 100 anos


"Vendilhão" de cebolas. Ponta Delgada. Açores

"El Rey de Oros"


Nada Malanima
Festival de San Remo, 1972

... No quiero ya rey de oros,
el oro no compra todo,
quiero encontrar un amor,
que sepa darme calor,
si alguien oro me ofrece
lo venceré con la espada ...

E muitas das canções do festival de San Remo voltaram ao ouvido, ontem, despois de ver um filme!

Em português - 41

Uma canção para 2011... Zé Povinho, da inesquecível Laura Alves, com o célebre refrão Equilibra-te Ó Zé...


Ainda o Orçamento...

É um tsunami fiscal indiscriminado.

Disse ontem Bagão Félix, que até nem é pessoa dada a exageros de linguagem como sabemos.

Um quadro por dia - 100

Luca Giordano (1632-1705), O Bom Samaritano, 1685, óleo sobre tela, Museu de Belas Artes de Rouen, França.



É para ver: Ela aproxima-se dele e discutem, sabe-se agora que por causa de ele ter furado a fila para comprar bilhetes, há troca de palavras e ele dá-lhe um murro que a atira ao chão. Ela, enfermeira de origem romena de 32 anos, entra em coma e acabará por morrer.
Mas tão chocante como a morte dela é a indiferença de quem passa nesta estação de metro de Roma onde tudo isto aconteceu. Passam muitos, apenas dois ou três se acercam, e entretanto o tempo esgota-se fatalmente.
O rapaz foi posteriormente apanhado, aliás vê-se no vídeo que houve um homem que o interpelou logo a seguir ao ocorrido, e agora há muita indignação pública e ameaças de processos pelo crime de omissão de auxílio a quem for identificado nestas imagens.
Vi ontem, como talvez tenham visto também, estas imagens num telejornal e estragaram-me o jantar.
Fui procurá-las na internet, juntamente com uma tela sobre uma das mais belas parábolas do Novo Testamento: O Bom Samaritano.