Prosimetron

Prosimetron

sábado, 25 de setembro de 2010

Bom final de tarde

barítono João Veiga (1843-1881)

Hoje também fui até à Rua Anchieta, por onde andaram outros prosimetronistas. Numa caixa de fotografias, onde deixei algumas que também poderia ter comprado, encontrei duas que me acompanharam até casa.
Aqui fica a primeira.

A foto lembrou-me um Edgardo, de Lucia de Lammermoor, uma das óperas imortais de Gaetano Donizzetti.

A foto (162x112 mm), impressa por pigmentos de carbono, de corpo inteiro, representa um actor (pelo menos assim parece, pela maneira de vestir) em pose.
A foto é de um fotografo piemontesino activo, em Turim, no ano de 1869. O estúdio "Marchetti Fotografo" pertencia a ALCIBIADE MARCHETTI, sito na Via S. To[m]maso, 19, Torino.

Foi, contudo enviada de Milão, para Portugal (?), para "Eduardo Coelho" (será o jornalista (?) fundador do Diário de Notícias), conforme se encontra na dedicatória manuscrita no verso da foto:
"Ao Ill.mo Snr. Eduardo Coelho, em signal de sentido reconhecimento e gratidão pelo muito que me tem animado na carreira que encetei.
a) J. A. Ferr.ª da Veiga
Milão 22 de Março 1869"

Quem seria este J. A. Ferreira da Veiga?

Não encontrei rasto nos primeiros livros que procurei. Na Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, vol. 34, procurando no voc. "Veiga", encontrei assinalado um João Veiga, "possuidor de uma bela voz de barítono, foi para Milão, onde estudou a arte teatral com o barítono Corsi. Estreou-se naquela cidade a 20-XII-1879, cantando a Favorita e obtendo um enorme triunfo. [...] Alcançou grande notoridade em toda a Itália, tendo como autores predilectos Donizzetti, Verdi e Manzochi".
Tudo apontava para que fosse o mesmo, excepto a data da estreia, ocorrida 10 anos depois da que se encontra manuscrita na foto.
Mas fiquei sem qualquer dúvida depois de saber, pela mesma Grande Enciclopédia, que "João Veiga" era irmão de José Augusto Ferreira da Veiga, visconde de Arneiro. (Curiosamente este irmão não vem assinalado no "Genneall.pt").
Não tenho dúvidas de que se trata do nosso "barítono" nos seus primeiros tempos de artista, em que ainda usava todo o nome de família.

Passeio pelo Campo Grande





O lago do Campo Grande ao longo dos anos.

Presentemente não há uma esplanada no Jardim do Campo Grande. Havia, pelo menos, três. Deviam reactivar, principalmente, a do lago, como era conhecida.

Leituras no Metro - 23


«A mentalidade dos anos da minha adolescência era a de uma aceitação resignada da pobreza do país, que quase roçava o masoquismo. Recordo a letra cantada pela então célebre Milu (célebre não por cantar bem mas por ser menos feia que a generalidade do que se via à nossa volta), no filme Costa do Castelo, em que a vampe, depois de ter saído de uma casa de gente orgulhosa, rica e "bem", trauteava: "Que saudades que eu já tinha da minha alegre casinha tão modesta como eu!" E continuava: "O meu quarto lembra um ninho e o seu tecto é tão baixinho" que a impedia de nele entrar de pé a levava a pedir humildemente: "Senhor Tecto, por favor deixe-me entrar." Haverá melhor prova do mau gosto pequeno-burguês que era verdadeiramente cultivado pela "situação", pelo regime, e que, um pouco melhorado, ainda hoje mentalmente vigora?»
Lembrei-me da resposta que Salazar deu a um jornalista inglês que, depois de ter dado uma vota pelo país, o foi entrevistar. Quando o jornalista lhe perguntou por que se via tanta gente descalça pelo país ele respondeu-lhe qualquer coisa como: «- É um costume do povo português.» Era um costume porque não havia dinheiro para os sapatos. Nem sequer para as alpergatas, vulgo ténis.
António Pedro de Vasconcelos não está certamente de acordo com Rosado Fernandes quanto à depreciação que este faz de Milu. Há, pelo menos, um fã dela entre os prosimetronistas.

Minha Casinha

Que saudades eu já tinha
da minha alegre casinha
tão modesta como eu.
Como é bom, meu Deus, morar
assim num primeiro andar
a contar vindo do céu.

O meu quarto lembra um ninho
e o seu tecto é tão baixinho
que eu, ao ir para me deitar,
abro a porta em tom discreto,
digo sempre: «Senhor tecto,
por favor deixe-me entrar.»

Tudo podem ter os nobres
ou os ricos de algum dia,
mas quase sempre o lar dos pobres
tem mais alegria.

De manhã salto da cama
e ao som dos pregões de Alfama
trato de me levantar,
porque o sol, meu namorado,
rompe as frestas no telhado
e a sorrir vem-me acordar.

Corro então toda ladina
na casa pequenina,
bem dizendo, eu sou cristão,
“deitar cedo e cedo erguer
dá saúde e faz crescer”
diz o povo e tem razão.

Tudo podem ter os nobres
ou os ricos de algum dia,
mas quase sempre o lar dos pobres
tem mais alegria.

Letra de Silva Tavares; música de António Melo

Colecção de cromos: Sylvie Vartan


Em 1965, a revista "Artistas de Cinema" escrevia o seguinte sobre Sylvie Vartan:

"Apenas com 20 anos, a intérprete de “La plus belle pour aller danser” é não só uma grande estrela da canção, mas uma das mais prometedoras estrelas de cinema de amanhã.
Ela enfrentou pela primeira vez as câmaras em “À procura do ídolo” (Cherchez l’idole) onde cantava uma melodia romântica, mostrando um rosto apaixonado de expressão sensual profundamente sentida. A sua esplêndida fotogenia ficou a partir desse momento credenciada, e não tardou a assinar um contrato para fazer “Patate”, baseado na célebre peça de Marcel Achard, e onde contracena com Jean Marais e Mike Marshal. François Truffaut convidou-a também para ser a estrela do seu próximo filme.
Sylvie gosta de viajar sozinha no seu “Austin” - e apenas abre excepção quando é a companhia de sua mãe, de Johnny Hallyday ou de seu irmão, Eddie, que pode ter sem problemas ..."

E a propósito de Paris...

«Pensar e fumar são duas operações idênticas que consistem em atirar pequenas nuvens ao vento.» (Eça de Queirós)


http://3.bp.blogspot.com/_B9Tc4zLbsRQ/R1c1WK1h-oI/AAAAAAAAAYg/DG5vQ7i_3-M/s400/cigarros.jpg
O Paris na terceira coluna em cima; o Três Vintes e o meu Português Suave. Não me lembro da marca Curdos.
E também houve a marca Paris em Espanha e uns franceses Parisiennes. Existirão ainda?

Cartaz de AleardoVilla.

Cartaz de Raymond Savignac.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Fado

Hoje vi um programa na RTP 1 sobre o Fado, a história do fado, de Carlos do Carmo com vários convidados entre eles o musicólogo Rui Nery. Deixo aqui a imagem que mais me impressionou e que é uma viagem pelas memórias de infância.

Fado Malhoa, Amália Rodrigues

Boa noite!

Aline - Christophe!

Para MR e Luís por me fazerem lembrar Christophe. Não sei se esta música já foi colocada. Les Marionettes é a minha canção favorita, essa sei que já aqui foi contemplada!

A propósito de cigarros


«Cigarros são a forma perfeita de prazer: elegantes e insatisfatórios.»
Oscar Wilde

Novidades - 145 : A arma delas...

O veneno foi, durante séculos, a forma de dar morte mais associada às mulheres e por elas efectivamente mais praticada. Todos conhecemos os vários estratagemas: os aneis ocos que dissimuladamente vertiam o "pózinho" na bebida, as ervas assassinas juntas à comida, ou até as luvas perfumadas e envenenadas...
Este ensaio é precisamente uma história das grandes envenenadoras.

Histoires d' empoisonneuses d' hier et d' aujourd'hui, Bernardette de Castelbajac, éditions Michel de Maule, Julho de 2010, 219p, 17€.

Os meus belgas - 3 : Art Sullivan

Tout Est Dans Tout, do inesperado (esteve mais de 20 anos sem cantar regularmente) e homónimo álbum de 2006, desta estrela dos anos 70 que em Novembro fará 60 anos.

1910 - 20


Primeira imagem da marca.

O tabaco mais conhecido: Gauloises caporal.

Os Gauloises celebram este ano o seu centenário, já que os cigarros sem filtro desta marca apareceram em 1910. E só 40 anos mais tarde, os cigarros com filtro.
O fabrico destes cigarros existia desde 1876, com o nome de Hongroises, os quais em 1910 deram origem aos Gauloises.




Jacques Prévert, Jean-Paul Sartre ou Albert Camus encontravam-se entre os fumadores desta marca de cigarros.
Eu também fui uma grande fumadora de Gauloises. E de Gitanes.

Leituras no Metro - 22

«[...] corrupção; e esta, como sabemos, é só para quem tem vocação.»

Rosado Fernandes
In: Memórias de um rústico erudito. 3.ª ed. Lisboa: Cotovia, imp. 2007, p. 66

Aos filatelistas


A exposição mundial de filatelia «Portugal 2010», comemorativa dos 100 anos da implantação da República em Portugal, organizada pelos CTT e pela Federação Portuguesa de Filatelia, realiza-se entre 1 e 10 de Outubro próximo, na Feira Internacional de Lisboa (FIL), no Parque das Nações, em Lisboa.
Serão exibidos cerca de um milhão de selos de todo o mundo, incluindo uma série dedicada ao Centenário da República, correspondendo a 600 colecções filatélicas de 77 países, raridades e algumas jóias do mundo dos selos.

2.ª a 6.ª, das 10h00 às 19h00
sábados, domingos e feriados, das 10h00 às 20h00

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

A arte do retrato - 2

Mary Cassatt, Child With The Straw Hat, 1886, óleo sobre tela, 50x60, National Gallery of Art, Washington.

Também este retrato, mais uma bela tela desta impressionista norte-americana já apresentada nestas páginas pelas senhoras do Prosimetron, veio ter comigo pela literatura.
Foi na obra-prima de Dan Simmons, Carrion Comfort, que li este Verão e sem conseguir parar.
E no sítio da National Gallery, proprietária de quase 60 obras de Cassatt, encontrei outros quadros que irão aqui aparecer certamente. Deliciosos instantâneos do quotidiano mais prosaico como reza o descritivo deste blogue.

Concordo com ela

Para o nosso J.P., que anda desaparecido, este Anjo Heráldico atribuído a Diogo Pires, o Moço.
Uma bela escultura em calcário, datada do séc.XVI (1518-20) e que está no Machado de Castro, Coimbra.

Bethânia

Com Anos Dourados.

Colecção de cromos: George Peppard


Em 1965, a revista "Artistas de Cinema" escrevia o seguinte sobre George Peppard:

"Filho de George Peppard Sr., que morreu em 1951, e de Vernelle Rorher, uma cantora de ópera, o jovem galã louro de "Boneca de luxo", "Os vitoriosos" e "A conquista do Oeste", nasceu em Detroit (E.U.A.) a 1 de Outubro.
Muito novo ainda, estudou piano, mas os seus entusiasmos pela música depressa cederam o lugar ao futebol. Estudante aplicado, frequentou o liceu na sua terra natal, ingressando a seguir no Instituto de Carnegie, onde recebeu em 1955 o seu diploma de formatura. Entretanto, apaixonava-se pelo teatro, representando Shakespeare e autores gregos clássicos. Já era então um homem consciente dos seus deveres - desposando Helen Davies, de quem tem hoje dois filhos, um rapaz e uma rapariga. Meticuloso e decidido, ingressou no Actor's Studio com a certeza de que doutra maneira não poderia triunfar rapidamente. As suas previsões não saíram erradas - e, no espaço de quatro anos, conquistou uma posição cimeira que outros levaram décadas a alcançar."

Leituras no Metro - 21



«Recordo-a [à Tia Inácia] com saudade, pois no fim de cada visita pedia-lhe sempre que me ajudasse, invocando sem vergonha a sovinice do meu pai, totalmente inventada por mim, o que levava a Tia Inácia a dar-me dez escudos,com que eu, logo à saída, ia comprar, na tabacaria da rua, uns cigarros de tabaco louro que então existiam, de marca De Reske, juntamente com livros de aventuras da colecção de Emílio Salgari, cujos tigres, piratas e bandidos prendiam a minha um pouco solitária imaginação.»
Rosado Fernandes
In: Memórias de um rústico erudito. 3.ª ed. Lisboa: Cotovia, imp. 2007, p. 59

Estou a gostar de ler este livro, embora ache o título odioso.

Um dia destes é posto à venda...


Lisboa: Ed. Nelson de Matos, 2010
€18,00

«O sargento Getúlio Bezerra é um homem rude e ignorante, um polícia militar que vai transportar, através do sertão de Sergipe, um preso político inimigo de seu chefe, o coronel Acrísio Antunes. Pelo caminho vai recordando e monologando o seu passado de aventuras e violência.
«Durante o percurso, na companhia do colega Amaro, Getúlio é informado que uma mudança de cenário político o obriga a abandonar a missão. Não acredita. E decide seguir até ao fim as ordens do chefe, custe o que custar. “Eu vou levar esse traste arrastado ou espetado, […] e chegando lá apresento ele”.
«Romance inovador, nele João Ubaldo demonstra o seu génio incomparável, a sua excepcional capacidade para manejar as palavras e criar uma nova linguagem, forçando-as a transmitir novos significados e novas emoções.» (da nota de imprensa da editora)

Canção de Outono



CANÇÃO DE OUTONO

Perdoa-me, folha seca,
não posso cuidar de ti.
Vim para amar neste mundo,
e até do amor me perdi.

De que serviu tecer flores
pelas areias do chão,
se havia gente dormindo
sobre o própro coração?

E não pude levantá-la!
Choro pelo que não fiz.
E pela minha fraqueza
é que sou triste e infeliz.
Perdoa-me, folha seca!
Meus olhos sem força estão
velando e rogando áqueles
que não se levantarão...

Tu és a folha de outono
voante pelo jardim.
Deixo-te a minha saudade
- a melhor parte de mim.
Certa de que tudo é vão.
Que tudo é menos que o vento,
menos que as folhas do chão...

Cecília Meirelles

(retirado do Pensador)

Autumn Leaves - Nat King Cole


quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Os meus franceses - 108


Para APS.

Boa noite!

E a noite começa a chegar mais cedo. No Prosimetron chega com uma canção de Schubert, Die Junge Nonne, interpretada por Dame Janet Baker com acompanhamento de Murray Perahia.

O Outono na Baviera


A comprovar e sublinhar o que o Luís Barata referiu sobre a beleza da Baviera no Outono... A imagem foi captada em Oberstdorf.

Um quadro por dia - 87

Wassily Kandinsky (1866-1944), Outono na Baviera,1908, óleo sobre tela, 33x45cm, Centre Georges Pompidou, França.

Cá, ainda não se deu por ele. É bonita a Baviera no Outono, Filipe?
Também Kandinsky, jurista tornado pintor, viveu na Baviera no final do século XIX durante alguns anos, depois voltando à Rússia natal onde se desiludiu com o novo regime, e mais tarde regressando à Alemanha onde seguiu os caminhos da abstração que o tornaram mundialmente famoso.

Cinenovidades - 142 : Assalto ao Santa Maria

Estreia amanhã este Assalto ao Santa Maria, de Francisco Manso, filmado naquele que é hoje um navio-museu: o Gil Eanes. Um episódio que abanou o sorumbático Estado Novo.

ONDE ME APETECIA ESTAR - 42 : Com Joyce DiDonato

Em Paris, para às 20h estar no Théâtre des Champs-Elysées a ouvir Joyce DiDonato, a espectacular mezzo-soprano nascida em Kansas City, cantar trechos de Mozart, Rossini, Berlioz e Offenbach.
Até lá, é Handel que ela canta no Prosimetron.


Lettera amorosa


Vincent van Gogh - Íris, 1890

«Merci d'être, sans jamais te casser, iris, ma fleur de gravité. Tu élèves au bord des eaux des affections miraculeuses, tu ne pèses pas sur les mourants que tu veilles, tu éteins des plaies sur lesquelles le temps n'a pas d'action, tu ne conduis pas à une maison consternante, tu permets que toutes les fenêtres refléctées ne fassent qu'un seul visage de passion, tu accompagnes le retour du jour sur les vertes avenues libres.»
René Char - Lettera amorosa

A arte do retrato - 1

Piero della Francesca (1422-1492), Sigismondo Malatesta, 1450, óleo sobre madeira, Louvre.

Sigismondo Malatesta ( 1417-1468), Senhor de Rimini, deve ter sido o retratado mais tenebroso a cargo de Della Francesca. Um dos mais temidos e eficazes de toda a legião de condottieri que dominou a península italiana durante a Renascença, foi um homem temido também fora dos campos de guerra: matou duas das suas mulheres, alegadamente dormiu com a sua filha e tentou sodomizar o filho. Curiosamente, ele que chegou ser Capitão-General dos Exércitos Papais, acabou excomungado pelo Papa Pio II. Não, como seria de esperar, pela sua tumultuosa vida familiar, mas por heresia...

Citações - 117 : Robert de Montesquiou

James Abbott McNeill Whistler (1834-1903), Arrangement in black and gold, Comte Robert de Montesquiou, 1891-92, óleo sobre tela, The Frick Collection, Nova Iorque.


Je suis le souverain des choses transitoires.

Escreveu Robert de Montesquiou-Fezensac ( 1855-1921), mais conhecido como Robert de Montesquiou, membro de uma das famílias da chamada nobreza imemorial com dezenas de antepassados ilustres, numa fotografia que enviou ao seu amigo Marcel Proust.
Proust que, tal como fez com tantos outros dos seus amigos, "parasitou" a vida de Robert como matéria literária para a Recherche: foi Robert de Montesquiou um dos inspiradores da personagem Barão de Charlus.
Robert de Montesquiou, dandy, coleccionador, esteta e escritor, foi sobretudo um guru para a geração fin-de-siècle, já que mesmo em vida a sua produção literária foi pouco considerada, tanto a poesia como os romances. Hoje, ninguém o lê.
No entanto, devemos-lhe muito. Foi a sua fortuna que apoiou financeiramente Mallarmé, Verlaine, Debussy, Fauré e outros. Apostas que fez e que ficam a seu crédito.
Quando pensei em "ilustrar" esta citação, ocorreu-me naturalmente o retrato que melhor se conhece dele, a enorme tela pintada por Giovanni Boldini e que domina uma parede no Museu D' Orsay ( pelo menos dominava na última vez que lá estive ), mas acabei por escolher este retrato pintado por um seu amigo, o norte-americano James Whistler.
A personalidade e o estilo de vida de Robert de Montesquiou não tiveram só tradução literária em Proust, já que inspiraram outros escritores: Huysmans à cabeça, que se baseou nele para criar Jean Des Esseintes, protagonista de À Rebours, um dos livros que mais perturbou a minha adolescência.

Ivor Gurney

Uma peça de 1924 do compositor inglês Ivor Gurney (1890-1937) que apenas teve estreia mundial em 2007.

Salazar em discurso directo - 2

Considero uma desgraça para a Europa que o nazismo se imponha por toda a parte com a sua virulência e rigidez de alguns dos seus princípios. Para os que têm da Civilização uma noção moral, será um franco retrocesso.

( colhida na recém-publicada biografia de Salazar por Filipe Ribeiro de Menezes )



E nem todos os que gostam de animais são boas pessoas... (Filmado por Eva Braun)

Bom dia!




Aqui, na minha zona...

http://4.bp.blogspot.com/_91ZZwEuXgLM/SwMWT_0nL1I/AAAAAAAAAAY/F_30m5xgtyc/s1600/outono.jpg

«Outubro quente traz o diabo no ventre.»

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Boa noite!


Columbano - Convite à valsa
Óleo sobre cartão, 1880
Lisboa, Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves


Estou, na Cinemateca, a ver...


Estóicos


Robert Houpels (1877-1943)
x
Deixa-te ficar comigo à beira do rio.
Entardeceu. Não procures o vulgar brilho da beleza
nem a sedução da mocidade.
Se te falarem dos deuses, finge entender.
E se chamarem poeta ao dono do circo,
concorda gravemente.
x
Luís Filipe Castro Mendes (1950-)
In: Os dias inventados. Lisboa: Gótica, 2001, p. 79
x
(Já aqui coloquei outros poemas do nosso próximo embaixador na UNESCO.)

Da minha biblioteca - 10

Falou-se há dias de Agatha Christie e lembrei-me de mostrar esta curiosidade: Agatha Christie e o Fantasma do Bosque Sagrado, escrito em 2004 pela Luísa Monteiro de Sá e que aproveita as estadias da Rainha do Crime em Portugal, mais propriamente no Palace do Bussaco que ela adorava e onde ficou pela última vez em 1965, acompanhada do marido, o Prof. Mallowan, que aproveitava sempre para ir até Conímbriga.

Parabéns, Maria Teresa Horta!


Foto Graça Sarsfield.

Poema sobre a recusa

Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado
nem na polpa dos meus dedos
se ter formado o afago
sem termos sido a cidade
nem termos rasgado pedras
sem descobrirmos a cor
nem o interior da erva.

Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado
minha raiva de ternura
meu ódio de conhecer-te
minha alegria profunda.

Maria Teresa Horta

O Prémio Máxima Vida Literária foi ontem atribuído a Maria Teresa Horta pelo livro Poesia Reunida.
Poesia Reunida, prefaciado por Maria João Reynaud, reúne toda a obra poética publicada de Maria Teresa Horta, acrescida de algumas obras inéditas, como o livro Feiticeiras - uma cantata, musicada pelo compositor António Chagas Rosa, que ganhou a Victoire de la Musique, em França, em 2007.



A Dom Quixote anuncia a publicação, no início do próximo ano, do romance de Maria Teresa Horta, Luzes de Leonor, sobre a marquesa de Alorna.

Little Richard

Esta Good Golly Miss Molly veio de encontro a mim há dias num policial que estava a ler ( Wednesday's Child, do Peter Robinson, um dos melhores contemporâneos ingleses, com enredo à roda do mal absoluto dos nossos dias: a pedofilia) e decidi procurar um vídeo no YouTube. Apareceu-me esta interpretação numa gala dedicada a Muhammad Ali.

A crise não é mesmo para todos...

A Louis Vuitton comunicou à imprensa que a partir desta semana fechará as suas lojas francesas uma hora mais cedo para não entrar em ruptura de stocks até ao Natal...
De imediato, fizeram-se ajustamentos de agenda em Luanda e noutras capitais igualmente plutocráticas. Tempus fugit...

Novidades - 144 : O sexo dos Papas

Está à venda entre nós, desde a passada sexta-feira, mais um polémico livro de Eric Frattini, desta vez à volta da vida sexual dos Papas. Não será surpresa para ninguém que, comparados com os de outros séculos, os sumos pontífices dos séc.XX e XXI são uns exemplos de castidade...
Não será também surpresa que com esta obra o autor continuará impedido de entrar na Biblioteca do Vaticano.
E no ranking há um nome que se "destaca" como o papa mais depravado da História. Trata-se de Bento IX, e não vou aqui dizer porquê...

( É uma edição da Bertrand )

Cinenovidades - 141 : O Italiano

Kad Merad é Dino Fabrizzi, vendedor de Maseratis em Nice e sempre a trautear Toto Cutugno, embora na verdade o seu nome seja Mourad Ben Souad, argelino de nascimento...
A promessa que faz ao seu pai, muito doente, de fazer o Ramadão é o início de grandes peripécias familiares e profissionais...
Esta comédia de Olivier Baroux sobre as identidades culturais e a miscigenação estreou-se em Julho nas salas francesas. Gostava de saber como foi recebida em Itália...

Reabriu


Reabriu a casa de Natália, o famoso Botequim no Largo da Graça. Restaurado, tendo-se mantido o balcão original e até o letreiro dos anos 70 à porta.
Além dos concertos das quintas à noite, bebe-se e come-se ( "queijo picante da Beira Baixa, prego em bolo de caco, filetes de biqueirão em escabeche, croc madame " ).

Aberto de segunda a domingo, das 9 às 00.30h.



Sugiro uma visita prosimetrónica, uns para conhecerem e outros para matarem saudades.

Um quadro por dia - 86


Lucian Freud, Girl with roses, 1947-48, óleo sobre tela, 106x75,6cm, British Council Collection.


É uma primeiras telas de Freud este retrato da sua primeira mulher, Kitty Garman, que ele viria a retratar novamente nos anos seguintes.
A mão sobre o baixo ventre é uma indicação do estado interessante de Kitty.

Para agradecer umas fotografias que ontem me chegaram às mãos.

Novidades - 143


O livro está aí, bastante crítico, dizem as recensões, quanto à actual governação, e o autor não é reconduzido como embaixador na UNESCO.
Carrilho diz que soube pela Lusa, sem qualquer aviso prévio oficial, o MNE já respondeu dizendo que há um ano que ele sabia que ia haver rotação de embaixadores.
Perante versões tão díspares, o melhor é aguardar...
O substituto está à altura: Luís Filipe Castro Mendes. Já não é mau.

1963 : Bobby Vinton


A partir de 21 de Setembro, Bobby Vinton dominaria durante 3 semanas a tabela de singles norte-americana com esta Blue Velvet. Uma love song que muitos anos depois outra geração ficaria a conhecer através do filme homónimo de David Lynch, protagonizado por Dennis Hopper, Isabella Rossellini e um muito jovem Kyle MacLachlan.

Esta noite, na Alameda

Para quem gostar de tunas e serenatas académicas, há uma varanda amiga à disposição.

Salazar em discurso directo - 1


Mussolini é um grande homem, mas não é impunemente que é da terra de César e de Maquiavel...

(colhida na recém-publicada biografia escrita por Filipe Ribeiro de Menezes)

Colecção de cromos: Claudia Cardinale

Em 1965, a revista "Artistas de Cinema" escrevia o seguinte sobre Claudia Cardinale:

"Claudia - a mais bela italiana jamais conquistada para o cinema mundial, superando Gina e Sofia pela sua maravilhosa e saudável alegria de viver, começou a sua carreira a partir de pequenos papéis. "Gangsters falhados" e "Escada acima, escada abaixo" mal a deixavam ver a exibir pouco mais do que o seu belo e inigualável sorriso. Nesse período, Claudia esteve entre nós, como artista convidada do Carnaval do Estoril, mas ninguém deu pela sua presença. Em "Rocco e os seus irmãos" ou em "Austerlitz" aparece ainda episodicamente na tela. Mas vem "A rapariga da mala" e de um só golpe, é a consagração na Itália, que a França confirma chamando-a para uma série de grandes filmes, como "A noviça", "Bel António", e "Os leões são cobardes" desconhecidos lamentavelmente do nosso público. "O Leopardo", "Cartouche" e "A rapariga do Bube" permitem, contudo, compreender o assombroso êxito de Claudia. "

Bom dia!


A flor da piteira, 4 Set. 2010.