Prosimetron

Prosimetron
Prosimetron: termo grego que designa a mistura de prosa e verso.

sábado, 16 de agosto de 2008

A lenda e o mito

Uma das melhores vozes da minha juventude, uma lenda viva que gostávamos de ouvir, ver e imitar na roupa e nos penteados. Morreu em 16 de Agosto de 1977. Para muitos milhões, nos EUA e um pouco por todo o mundo, continua vivo. Teria, a ser verdade, 73 anos.

Jardim Olímpico de Pequim
















































































Aqui ficam algumas imagens do Jardim Olímpico de Pequim, alusivas ao país anfitrião e a alguns dos países participantes dos Jogos de 2008.
Agradeço à Tecla Portela Carreiro o envio destas imagens.

De novo o Baltazar

De novo o Baltazar

As zebras e ... a minha sombra.

As zebras e ... a minha sombra.

Sobre o riso

" (...) O sorriso não é inato em nós. É ambíguo e artificial, contido e dominado. O riso não. Vem das entranhas e é ele que nos domina.

É sinal da nossa fraqueza, da nossa radical incompreensão do mundo e da nossa impotência perante a morte. E da aceitação de tudo isso. Uma pessoa que sabe rir não consegue, por vezes, parar de rir. É como se uma força se apoderasse dela.

Quando alguém é incapaz de dar uma gargalhada, fico desconfiado. As pessoas que não riem são aquelas que só riem nas nossas costas. "



- Paulo Moura, PÚBLICO, 15 de Agosto de 2008

Jardins Históricos de Oeiras

A Câmara Municipal de Oeiras organiza visitas guiadas com animação de época e entrada livre nos:

Jardim do Palácio Marquês de Pombal, Oeiras - dia 23 de Agosto;

Jardim da Cascata da Quinta Real de Caxias - dias 30 de Agosto, 6 e 13 de Setembro.

O horário é das 17h30 às 19h30.
Mais informações: Posto de Turismo de Oeiras- 214 408 781 ou www.cm.-oeiras.pt

Frederico da Prússia: o Anti-Maquiavel


Dos secretários que os príncipes têm junto de si
Há, no mundo, duas espécies de príncipes, a saber: aqueles que vêem tudo pelos próprios olhos e governam directamente os Estados; e aqueles que descansam sobre a boa-fé dos ministros, e que se deixam governar pelos que tomaram ascendência sobre o seu espírito.

Os soberanos da primeira espécie são como a alma dos respectivos Estados: o peso do governo impende sobre eles sós, tal como o mundo sobre o dorso de Atlas; regulam os problemas internos, bem como os estrangeiros; todas as ordenações, todas as leis, todos os éditos, emanam deles, que preenchem, a um tempo, os postos de primeiro magistrado da justiça, de general dos exércitos, de intendente das finanças, e, em geral, tudo o que pode ter relação com a política.

Eles têm, a exemplo de Deus, que se serve de inteligências superiores ao homem para realizar as suas vontades, espíritos penetrantes e laboriosos para executar os seus desígnios, e para cumprir no pormenor o que eles projectaram em grande; os seus ministros não são propriamente mais do que utensílios nas mãos de um sábio e hábil senhor.

Os soberanos da segunda ordem estão como que mergulhados, por falta de génio ou por indolência natural, numa indiferença letárgica, que se assemelha àqueles corpos caídos em desmaio que são chamados à vida por cheiros fortes, espirituosos e balsâmicos. Identicamente, é necessário que um Estado desfalecido por fraqueza do soberano seja sustentado pela sabedoria e vivacidade de um ministro, capaz de suprir aos defeitos do seu senhor. Neste caso, o príncipe não é mais do que o órgão do seu ministro, e não serve senão para representar aos olhos do povo o fantasma vão e a majestade real; e a sua pessoa é tão inútil ao Estado, quanto a do ministro lhe é necessária. Nos soberanos da primeira espécie, a boa escolha dos ministros pode facilitar o seu trabalho, sem, contudo, influir muito na felicidade do povo; nos da segunda espécie, a salvação do povo e a deles depende da boa escolha dos ministros. ...



Frederico da Prússia, O Anti-Maquiavel, tradução de Carlos Eduardo Soveral, Guimarães Editores, Fevereiro 2000

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

O cisne negro

O cisne negro

DSC02787

DSC02783

Companheiros, não direi que aborrecido

Companheiros, não direi que aborrecido
não estou com o que tenho visto e ouvido:
queixas de dona que os guardadores têm ferido.

Ela me diz que não há lei nem sentido
no muro que pelos três foi construído;
se um solta a rédea outro a aperta mais esbaforido.

Do que entre eles se passa não duvido:
gentil como um carroceiro é um arguido,
e os outros como a real manada fazem ruído.

Mas ouvi, guardadores, sei com quem lido,
e loucos sereis se eu não for entendido:
é raro que o que guarda nunca acabe adormecido.

Jamais vi dona tão fiel ao marido
que quando não vale o seu jogo ou prurido
não seja má para os que a tirem do caminho escolhido.

Se um bom equipamento lhe é subtraído
rouba o que mais perto tem do seu sentido;
se não pode ter cavalo, obtém palafrém luzido.

Nenhum de vós me fará um desmentido:
quando a um doente o bom vinho é proibido
deve beber água antes que a sede o estenda ao comprido.

Qualquer um bebe água antes que a sede o estenda ao comprido.
Guilherme IX de Aquitânia, Poesia;

tradução e introdução por Arnaldo Saraiva, Assírio&Alvim, 2008

Verão de 1964



Nesta “onda” de recordações musicais de outras eras, tem faltado a música italiana. Um erro gravíssimo, pois a música ligeira dos anos 50 e 60 vivia dos grandi successi.

Não querendo desvirtuar o “objecto social” deste blogue, não resisto contudo a partilhar esta canção com os estimados leitores: um grande êxito de 1964 em que o Festival de Sanremo produziu “obras” notáveis. A vencedora aparece fugazmente logo no início do video, bem acompanhada de dois ícones da música francesa ... Reconhecê-los-ão certamente...

Santa Maria Assunta - a catedral de Spoleto

O mundo católico celebra hoje o feriado de Nossa Senhora da Assunção. Em Itália, este dia é conhecido por Ferragosto. Muitas são as localidades que assinalam a solenidade com procissões magníficas.
Ferragosto é também sinónimo de Verão e de férias. A Itália pára por uns dias.

Uma das mais belas igrejas de Itália, dedicada precisamente à Nossa Senhora da Assunção, situa-se em Spoleto (Úmbria): la Cattedrale di Santa Maria Assunta.
Após a destruição da antiga igreja por Frederico Barbarossa em 1155, rapidamente se iniciaram as obras para a edificação do novo Duomo românico que foi consagrado à Virgem em 1198 por papa Inocêncio III.
A fachada com oito rosetas vitrais, belíssimo exemplo da simplicidade românica, destaca-se pelo mosaico central de 1207 da autoria de Solsternus, representando Cristo com Nossa Senhora e S. João.
As profundas alterações do interior no estilo barroco, a que escapou apenas a abside, foram ordenadas pelo papa Urbano VIII em 1638. Graças a intervenções recentes, foi restaurada uma preciosidade dos primórdios da pintura italiana: um magnífico crucifixo pintado por Alberto Sotio (1187) que marca o início de uma vida artística própria na Úmbria.


O ex-libris da catedral é, seguramente, o ciclo da vida de Nossa Senhora na abside da igreja, da autoria de Fra Filippo Lippi e datada de 1467-69. A Anunciação, pintada integralmente por Lippi, é o primeiro de vários frescos que representam a vida de Maria, coroada no último fresco por Deus, mostrando ainda um arco-íris de santos e de personagens do Antigo Testamento. Discípulos de Lippi terão concluído a obra após a morte do mestre em 1469.

Na igreja, encontra-se o túmulo de Lippi (um monge!), construído pelo filho, Filippino, por encomenda de Lorenzo de' Medici. Porém, os restos mortais do grande mestre desapareceram misteriosamente. Narram as más-linguas que Lippi terá levado uma vida bem divertida na companhia do universo feminino de Spoleto. A família de uma das raparigas, "vítima da desgraça", ter-se-á vingado retirando o corpo do pintor...

A bela praça em redor da igreja é todos os anos palco do Festival dei due Mondi que o compositor Giancarlo Menotti organizou em 1958 pela primeira vez.

Última nota: os leitores cinéfilos reconhecerão certamente estas imagens. Em 1962, Louis Malle juntou Brigitte Bardot e Marcello Mastroianni no seu filme La vie privée. Spoleto foi o local escolhido para as cenas finais desta película.




Fotos de Spoleto da autoria de Massimo Mantellini e Nina Volare

Aqui vai mais uma foto ...

Aqui vai mais uma foto de algumas das minhas companhias de férias. Saudades.

Ne me quites pas

Voltando às canções numa belíssima língua que as novas gerações não conhecem e tem sonoridades únicas, Jacques Brell, para R, que deixou o anonimato estrito,que as conhece e aprecia

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Saudades...


Vamos a ver se chega... estou a usar o telemóvel. Envio um abraço para todos e votos de boas-férias. O pequenino é o Baltazar, nasceu na Páscoa.

Audeguy - 5

Ulysse

Si de tous les héros antiques Ulysse est celui qui nous touche encore plus profondément, c'est qu'il est le héros de la ruse, c'est-à-dire du détour, de l' oblique, de l'intelligence technique, de l' esquive. Il doit sa survie á ces douceurs : Achille, lui, est mort depuis longtemps, là- bas, à Troie.

- Stéphane Audeguy, Petit éloge de la douceur , Gallimard, 2007.

No próximo sábado


A partir das 19h23 do próximo sábado, dia 16 de Agosto, a Lua ficará parcialmente na sombra da Terra até às 00h57. O Sol, a Terra e a Lua estarão perfeitamente alinhados. Será o último eclipse de 2008.

Ainda sobre o Cáucaso


" (...) E o problema é que, parafraseando uma célebre autoridade marítima algarvia, sabe-se sempre como começa uma pequena guerra, nunca se sabe é como é que ela acaba.(...) "
- Pedro Camacho, VISÃO , 14 de Agosto de 2008

O que estou a ler

Ando a ler a mais recente colecção de ensaios de Umberto Eco, À reculons, comme une écrevisse- Guerres chaudes et populisme médiatique, publicado pela Grasset. São ensaios escritos entre 2000 e 2005 e versam em grande parte sobre as novas guerras, o impacto do 11 de Setembro e a crescente mediatização das guerras.Mas também encontramos ensaios sobre Dan Brown, o Terceiro Segredo, o relativismo cultural ou sobre o uso público dos crucifixos.
Aqui fica um " cheirinho " da introdução :

" (...) Il était déjá clairement apparu qu' avec la chute du mur de Berlin on marchait à reculons, au moment où la géographie politique de l' Europe et de l' Asie était radicalement modifiée. Les éditeurs d' atlas avaient dû mettre au pilon toutes leurs réserves, rendues obsolètes parce qu' y figuraient l' URSS, la Yougoslavie, l' Allemagne de l' Est et autres monstruosités; ils avaient dû s' inspirer des atlas publiés avant 1914, avec leur Serbie, leur Monténégro et ainsi de suite. "

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Mais uma voz esquecida

" Morremos e ressuscitamos em cada hora, porque as sementes germinam na terra, porque as estrelas cintilam no céu, porque as árvores se cobrem de folhas na Primavera, porque a esperança é uma rosa com tantas pétalas quantos os dias da nossa vida. "

- Fernanda de Castro , Ao Fim da Memória, II vol. (1939-1987) , Verbo, 1987, 70.

Intervalando as leituras de férias, reli o segundo volume das belas memórias de Fernanda de Castro, mulher de cultura e cidadã hoje praticamente esquecida. Das comoventes páginas sobre a morte do seu marido, António Ferro, até ao surpreendente convívio com Natália Correia e José Carlos Ary dos Santos, fica-nos um fascinante retrato do que foi a vida desta poetisa, dramaturga, tradutora e romancista.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Mont Saint-Michel

O Mont Saint-Michel celebra este ano o seu 1300º aniversário. Em 708, Aubert, Bispo de Avranches, terá mandado construir um santuário por devoção ao arcanjo S. Miguel, sobre o Mont Tombe.

Durante o século X, monges da ordem de S. Bento passaram a residir na abadia que, situada no topo do monte, de acordo com a tradição beneditina, percorreu várias fases de construção: o interior românico da igreja foi enriquecido por um coro gótico e uma torre que, com o seu estilo gótico flamboyant, coroa o enorme rochedo.
As edificações da aldeia à volta da abadia pouco alteraram o seu visual exterior desde o século XIV (exceptuando, evidentemente, os “adornos” assustadores, próprios da gastronomia e da industria turística do século XXI…).

O jogo das marés que, ora separam, ora ligam o Mont Saint–Michel do / ao continente, tornou este destino de peregrinação num local mítico para a cristandade da Idade Média: aqui acabava a terra, a abadia representava o espelho terrestre de uma Jerusalém celeste.

A forte edificação serviu de ponto estratégico militar ao longo dos 13 séculos, em particular contra os ingleses durante a Guerra dos Cem Anos.

Hoje em dia, os inimigos não são de índole bélica. Os milhares de turistas que diariamente “invadem” o rochedo e a poluição que uma infra-estrutura turística acarreta são responsáveis pela transformação do Mont Saint-Michel num Disneyland em miniatura.

Outro perigo que assusta os cerca de 20 habitantes da aldeia, não incluindo os seis monges e as seis religiosas que aqui vivem: o braço do mar que garante a “independência” do Mont Saint-Michel corre risco de ficar assoreado. Obras de engenharia de grande envergadura estão em curso para salvaguardar a existência deste fenómeno único que, ainda que muito cobiçado pela Bretanha, é pertença oficial da Normandia.

Les marionnettes



O (a) comentador (a) anónimo (a) que recordou Christophe manifesta ter um excelente gosto.
Les marionnettes, bem ao estilo yé-yé francês dos mid-sixties, disputa o primeiro lugar com Aline.

Sobre Caravaggio e uma recomendação


Sobre um post de Caravaggio em meados de Julho, Jad tinha recomendado a leitura do livro de Jonathan Harr "The Lost Painting - The Quest for a Caravaggio Masterpiece". Terminei hoje de o ler -- e lê-se como quem observa uma pintura barroca no meio de um thriller. Muito bom! Muito obrigado pela recomendação.

Thomas Mann


O grande escritor alemão, galardoado em 1929 com o Prémio Nobel da Literatura, com o seu livro mais aplaudido e conhecido, “ Os Boddenbrooks”, morreu em Zurique em 12 de Agosto de 1955, tendo nascido em Lübeck, em 6 de Junho de 1875. Exilado na Suíça quando da ascensão ao poder de Hitler, tendo-lhe, e sua mulher e filhos, sido retirada a cidadania alemã, acabou por se fixar nos EUA, onde ensinou em Princeton, naturalizando-se norte-americano, e de onde saiu de novo para a Suíça com as perseguições aos emigrantes pelo MacCarthismo. “A Montanha Mágica”, “As Confissões de Félix Krull", “José e os seus irmãos”, “Tonio Kröger” e “A Morte em Veneza” são, com “Os Buddenbroocks”, as suas obras mais conhecidas. A sua mãe, Júlia da Silva Bruhns, era brasileira, de Angra dos Reis.

Declaração conjunta dos Presidentes da Estónia, Letónia, Lituânia e Polónia sobre a guerra Rússia-Geórgia

É de 9 de Agosto e talvez toda a gente no hemisfério Norte já tenha lido, mas... aqueles que esquecem as lições da História estão condenados a repetir os seus erros. Começa com "We, the leaders of the former captive nations..."


Joint statement on Georgia-Russia War by Presidents of Poland, Estonia, Latvia & Lithuania

August 9, 2008
Georgia Update, a Service of the Government of Georgia

We, the leaders of the former captive nations from Eastern Europe and current members of the European Union and NATO– Estonia, Latvia, Lithuania and Poland – are extremely concerned about the actions of the Russian Federation against Georgia.

We strongly condemn the actions by the Russian military forces against the sovereign and independent country of Georgia.

Following the unilateral military actions of the Russian military forces, we will use all means available to us as Presidents to ensure that aggression against a small country in Europe will not be passed over in silence or with meaningless statements equating the victims with the victimizers. To this end we intend to urge our governments to take the following positions in discussions and to raise these concerns in the European Union and the North Atlantic Council:

- Can the current Russian authorities be called adequate strategic partners of the EU;
- Can the family of European democratic countries pursue a mutually beneficial dialogue with a country that uses heavy military armour against an independent country;
- It is pointlessness to continue a “visa facilitation” program with a country that does not meet even the minimal requirements set by the EU and which uses visa facilitation to issue Russian Federation passports to foreigners and then abuses this EU given privilege to claim intervention rights such as "we are protecting Russian citizens" in South Ossetia.

- The actions of the Russian Federation in Georgia should influence the talks with the Russian Federation, including negotiations on the new Partnership and Cooperation Agreement.

We underline the obvious bankruptcy of Russian “peacekeeping operations” in its immediate neighbourhood. The Russian Federation has overstepped a red-line in keeping the peace and stability in the conflict zone and in protecting Russian citizens outside its own borders.

The EU and NATO must take the initiative and stand-up against the spread of imperialist and revisionist policy in the East of Europe. New international peacekeeping forces should be created as the current setting proved to be ineffective.

We regret that not granting of the NATO’s Membership Action Plan (MAP) to Georgia was seen as a green light for agression in the region.

We believe that the EU and NATO as the key organizations for European and Transatlantic stability and security should play a leading and crucial role in securing freedom, security and prosperity of countries not only in the EU but also in the neighboring European area.

It a litmus-test for the credibility of the EU and NATO to solve the conflict in its immediate neighborhood and to prove for all EU and NATO members, aspirant countries and democratic partners that it is worth being members and partners of these organizations.

This Declaration is open for the accession by the leaders of other democratic countries.

President of the Republic of Estonia Toomas Hendrik Ilves
President of the Republic of Latvia Valdis Zatlers
President of the Republic of Lithuania Valdas Adamkus
President of the Republic of Poland Lech Kaczyński

(reproduzido de http://georgiandaily.com/index.php?option=com_content&task=view&id=5572&Itemid=65)

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

A Austrália e as Olímpiadas


A Austrália tem um orgulho tremendo no seu desempenho olímpico. Toda a gente fala sobre os jogos, todos conhecem os campeões (ou candidatos a) e todos seguem os desportos. Este ano, como os Jogos decorrem deste lado do Mundo, há écrans por todo lado (pelo menos em Sydney e Melbourne) onde a população se aglomera para ver as provas.
Os primeiros indícios da obsessão começaram com pequenas conversas entre amigos, em torno a factos. Se se fizer uma distribuição de medalhas de ouro (ou total de medalhas) dos Jogos de 2004 em proporção da população, a Austrália é o #3 (a seguir às Bahamas, o que muito aborrece os Australianos, e à Noruega). A seguir aos gigantes (EUA, China e Rússia), quem obteve mais medalhas em Atenas em 2004? Resposta: A Austrália. Para além da Grécia, que outra nação participou em todos os Jogos Olímpicos de Verão da era moderna? Resposta: A Austrália. E assim por diante.
Neste momento, hora de almoço, os meus colegas estão alegremente a almoçar e a contabilizar medalhas em natação (a sua modalidade de eleição).
PS - Quando perguntei aos jovens analistas se sabiam que havia uma guerra na Europa, todos me responderam imediatamente que sim, debatendo que a cobertura da BBC era melhor do que a do Sydney Morning Herald e começaram a discutir a guerra entre a Rússia e a Geórgia -- por cinco minutos. Depois houve mais uma prova de natação.

Primeiro conclave papal na Capela Sistina

Tentazioni di Cristo, 1481 - 1482, Sandro Botticelli, Capela Sistina, Vaticano
Punizione dei Ribelli, 1481 - 1482, Sandro Botticelli, Capela Sistina, Vaticano

Prove di Mosè, 1481 - 1482, Sandro Botticelli, Capela Sistina, Vaticano

O primeiro conclave papal na Capela Sistina teve lugar de 6 a 11 de Agosto de 1492. O conclave terminou com a eleição de Rodrigo Bórgia, sob o nome Alexandre VI, com votos comprados (simony, em inglês).

Na capela, a inspiração da arte sobre temas divinos estava representada por Botticelli (com os três frescos supra-reproduzidos), Perugino e Ghirlandaio, entre outros. Claramente não foi suficiente para inspirar os trinta e dois cardeais presentes. Faltariam 16 anos (já com Júlio II na cadeira de S. Pedro) para os pincéis de Michelangelo Buonarroti começarem a dotar a capela dos intensos azuis vivos, da expressividade dos rostos, das inspiracionais ilustrações das mensagens sacras... talvez se a beleza deste 'Juízo Final' já lá estivesse o resultado do primeiro conclave tivesse sido distinto.

Il Giudizio Universale, 1536 - 1541 , Michelangelo Buonarroti, Capela Sistina, Vaticano

Vou deixar Lisboa...


... e estas são algumas das minhas companhias no resto do mês de Agosto...

Guerra

I
Nem a guerra do Cristo nem nenhuma
Outra guerra eu aceito ou me parece
Dialecticamente inevitável



II
Falta-me a necessária
Respiração terrena

Desapareço nem rápido
Nem Lentamente

A tua voz sou eu
Estrangulado


Alberto de Lacerda, Oferenda, II, Lisboa, INCM, 1994, pp. 69 e 181

Ali e Nino

"Ali e Nino" foi publicado pela primeira vez em 1937 em Viena. O nom de plume do seu autor é Kurban Said, mas ninguém tem a certeza sobre quem foi Kurban Said - talvez Lev Nussimbaum? Talvez a baronesa austríaca Elfriede von Ehrenfels? De qualquer modo, não é sobre este mistério (fascinante, admito) mas sobre o enredo que hoje regresso a "Ali e Nino". O romance narra o enamoramento e posterior relacionamento entre Ali, um aristocrata muçulmano do Azerbeijão (cultura asiática), e Nino, uma jovem cristã da Georgia (cultura europeia). Tem lugar no início do Século XX, com o decorrer do massacre Arménio, a Grande Guerra e a revolução soviética como panos de fundo (e de cena), com as reacções, raivas e disputas entre nações, raças e culturas muito reminiscentes do que vemos hoje, cem anos volvidos.

HERVE VILARD : Capri c'est fini

1965

Anos Sessenta e Setenta - Uma família francesa

Pai: Jacques Dutronc - Il est cinq heures Paris s'éveille


Mãe: Francoise Hardy - Tout les garçons et les filles


Filho: Thomas Dutronc - J'aime plus Paris

domingo, 10 de agosto de 2008

Apprendrons-nous un jour?





A resposta a esta questão é claramente um não ... Os recentes acontecimentos no Cáucaso são a prova.


Companheiros, farei um poema excelente


Companheiros, farei um poema excelente:
terá mais de louco que de inteligente;
misturará amor, prazer e fogo adolescente.

Por vilão tende o que entendê-lo não tente,
quem no seu coração o não guarda ou sente:
duro é perder o amor quando o achámos tão ardente.

Dois cavalos tenho para montar contente,
qual deles o mais ladino e o mais valente,
mas não posso ter os dois, que um o outro não consente.

Seu eu os domasse a meu modo eficiente,
manteria o equipamento imponente,
pois montaria melhor que qualquer outro vivente.

Um foi cavalo montês do melhor dente,
mas tão arredio foi tão longamente,
tão feroz e selvagem, que montá-lo é imprudente.

Outro em Confolens se fez experiente;
de algum mais belo nunca ninguém foi ciente;
nem por ouro ou por prata o trocaria, é evidente.

Potro ainda, a seu dono o dei de presente,
com a condição de, por cada ano ausente,
eu o poder usar mais de um século livremente.

Cavaleiros, dai-me um bom conselho urgente.
Uma escolha me embaraça de repente:
não sei se optar por Inês ou Arsénia é diferente.

De Grimel, bens e castelo, sou tenente,
e por Niol me imporei a toda a gente.
Ambas as terras juraram servir-me fielmente.


Guilherme IX de Aquitânia, Poesia;

tradução e introdução por Arnaldo Saraiva, Assírio&Alvim, 2008

ABBA : Summer night city

Até Amanhã. Uma boa noite de verão na cidade...

Wembley, 1979

Verão de 1966




Seguindo os exemplos do João Mattos e Silva e do Jad que nos têm proporcionado canções maravilhosas dos tempos áureos da música ligeira, aqui um pequeno contributo francês: uma das mais belas baladas, em minha humilde opinião, que foi êxito many years ago, no longínquo ano de 1966.

Aos nossos amigos do hemisfério sul resta apenas desejar Merry Christmas!

NINA SCHENK CONDESSA DE STAUFFENBERG: o atentado e as suas consequências

Claus von Stauffenberg é executado às 0.15h do dia 21 de Julho de 1944, poucas horas após o fracasso do atentado. Hitler sobrevive com ferimentos ligeiros e recebe Mussolini ainda no dia do golpe, para manifestar ao povo alemão que está em plena capacidade de continuar à frente do Terceiro Reich (ver imagem).

Cabe à mãe de Claus, Karoline von Stauffenberg, transmitir a horrenda notícia da morte do filho à sua nora Nina. Em Lautlingen (Sul da Alemanha), onde os von Stauffenberg passam o Verão num palácio, pertença antiga da família, Nina é confrontada com os acontecimentos de forma inesperada. À dor pela perda do marido juntam-se a angústia e o medo das consequências para os filhos.

Na perspectiva de hoje, talvez duas alternativas se afigurem a Nina: ou se decide pela fuga imediata, antes de a Gestapo a encontrar, ou aceita a situação e permanece em Lautlingen. Opta por ficar e enfrentar o seu destino.

Aos filhos mais velhos, Berthold e Heimeran, dá a triste notícia da morte do pai. Antevendo os interrogatórios pela Gestapo, Nina acrescenta o seguinte: “O vosso pai errou, por isso foi fuzilado”. O luto pelo falecimento do pai mistura-se com a tremenda dificuldade de entender o porquê de Claus von Stauffenberg, herói aos olhos dos filhos, ter cometido um erro tão grave.
Tal afirmação deveria proteger os filhos: ao admitir à Gestapo que o pai fora executado por culpa própria, talvez os quatro escapassem às piores represálias. Nina “ensina” outra frase aos filhos que, muito rapidamente após o atentado, corre a Alemanha: “A Providência salvou o nosso querido Führer”.
À volta de todo o desespero, há, contudo, uma boa nova: Berthold e Heimeran terão em breve um irmão (ou irmã). Vida e morte parecem fiéis companheiros nestes dias.

A situação em que Nina se encontra deve ser inimaginável: pensa e repensa sobre qual a melhor estratégia a seguir no inevitável confronto com a Gestapo. A incerteza sobre o futuro dos filhos apavora-a. Nina conhece o procedimento “habitual” do regime em relação aos filhos de adversários políticos: ou são deportados para um campo de concentração ou entregues para adopção. Nina está consciente de que o aparato nazi fará todas as diligências para exterminar a “estirpe” dos von Stauffenberg. A ideologia nazi impõe a chamada Sippenhaft, ou seja, a extinção de toda uma família de que provém o opositor ao regime. De facto, a 3 de Agosto de 1944, Heinrich Himmler, o Reichsführer da SS, viria a anunciar que “a família Stauffenberg será extinta até ao último membro.”

As horas intermináveis são abruptamente interrompidas quando, na madrugada de 23 de Julho, a Gestapo bate à porta. Nina despede-se dos seus filhos, sem saber se alguma vez voltará a vê-los.

A condessa permanece, durante oito dias, numa prisão em Rottweil, a trinta quilómetros de Lautlingen. Segue depois para Berlim, onde é detida numa prisão próxima de Alexanderplatz. As condições são “indescritíveis”, recorda Nina que, detida por motivos políticos, permanece em prisão solitária durante algumas semanas. As poucas condescendências com que pode contar devem-se à sua gravidez. Nina sai da prisão apenas para se submeter a vários interrogatórios na central da Gestapo na Prinz-Albrecht-Strasse.

A Gestapo tenta obter informações sobre outros conspiradores ou planos subversivos. Nina desempenha, de forma convincente, o papel de mulher doméstica, nunca envolvida em questões políticas. Afirma nunca ter tido conhecimento das intenções do seu marido.

Ao fim de três semanas, conclui a Gestapo que Nina em nada está relacionada com o atentado.

Mas o martírio continuaria. Sem saber o paradeiro dos seus filhos, da sua mãe e da sua sogra, Nina von Stauffenberg é deportada para o campo de concentração de Ravensbrück em finais de Agosto de 1944.

To be continued



Nota: ao referir a deportação da condessa, não tenciono de todo criar algum “suspense”, como se de um romance policial se tratasse. As circunstâncias em que a condessa se encontrava são naturalmente demasiado sérias para tal propósito. Em meu entender, seria excessivamente extenso o relato do martírio de Nina num único post.

Mi Buenos Aires querido!

Buenos Aires... onde eu fui feliz! Que saudades!

Placido Domingo e Daniel Barenboim recordam Gardel

Feliz Natal!


Hoje tive um excelente brunch de Natal.

Passei o fim-de-semana com amigos em Melbourne e como parte das festividades eles fizeram um brunch de Natal, com decorações a rigor, Judy Garland a cantar "Have Yourself a Merry Little Christmas", tartes de ricota e mil outros ingredientes que nem me atreveria a descrever, biscoitos, scones, árvore, "Miracle on 34th Street", breakfast tortillas, Mimosas, "It's a Wonderful Life", champanhe, Bing Crosby a cantar "White Christmas", meias penduradas na chaminé... e 5º lá fora. Os comes e bebes foram sensacionais, com a maestria do chef Ryan a ocupar-lhe grande parte do dia e da noite de ontem e da madrugada de hoje, e com resultados gabados por todos.

Deste lado do mundo vive-se o ambiente dos Natais do hemisfério norte -- e os estrangeiros residentes aculturam-se trazendo o Natal para os momentos mais adequados. Este ano já vou na minha segunda festa de Natal! A primeira foi bávara, em Sydney, no mês passado. Desta feita, foi um mote Sulista norte-americano, com um alegre grupo de norte-americanos, ingleses, australianos ... e um português.


Ho! Ho! Ho!

Mário Cesariny : Há uma hora, há uma hora certa

Um poema dito

Video feito por Mariana Cruz para a Biblioteca Municipal Oeiras no âmbito do Estágio do Curso Multimédia (Escola Secundaria Quinta do Marquês)

Nat King Cole : Aquellos ojos verdes

Plácido Domingo : QUIEREME MUCHO