Prosimetron

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sábado, 23 de maio de 2009

Um volume de luz

De "O Paciente Inglês/The English Patient" (1996), realizado por Anthony Minghella, com argumento de Anthony Minghella, baseado no romance de Michael Ondaatje. Produção de Saul Zaentz. Música de Gabriel Yared. Nesta cena, Kip (Naveen Andrews) revela a Hana (Juliette Binoche) as pinturas no interior de uma igreja italiana com uma luminosidade e perspectivas únicas.


It's tea time!


Mary Cassatt - «Cup of tea» ou «Portrait of Lydia»
Óleo sobre tela, 1880-1881
Nova Iorque, Metropolitan Museum of Art


Mary Cassatt - «Lady at the tea table»
Óleo sobre tela, 1885
Nova Iorque, Metropolitan Museum of Art


Aproveito o impulso para colocar mais estes dois quadros de Mary Cassatt, ambos relacionados com o chá.
Que tal aproveitarem para beber um chá? Está na hora!

Manifesto da Mulher Futurista, Valentine de Saint-Point!

Hoje recebi este presente: Manifesto da Mulher Futurista de Valentine de Saint-Point.
Anna Jeanne Valentine Desglans de Cassiat-Vercell nasceu em Lyon a 16 de Fevereiro de 1875 e faleceu no Cairo em 28 de Março de 1953.
Este Manifesto foi publicado em França e Itália em 1912 - resposta vigorosa às declarações de Marinetti.

"A Humanidade é mediocre. A maioria das mulheres não é nem superior nem inferior à maioria dos homens. Ambos são iguais. Ambos merecem o mesmo desprezo.
O conjunto da Humanidade nunca foi senão o terreno de cultura, do qual brotaram os génios e os heróis dos dois sexos. Mas, na humanidade, tal como na natureza, existem momentos mais propícios ao florescimento. Nos Verões da humanidade, quando a terra é abrasada pelo sol, abundam os génios e os heróis".

Não sou feminista e estou a achar graça a este livro.


Valentine de Saint-Point, Manifesto da Mulher Futurista, Lisboa: &etc, 2009, p.27

Os teus franceses

Os meus franceses - 70


Georgette Lemaire - «Le temps des cerises»

Esta canção de amor, de 1866-1868, da autoria de Jean-Baptiste Clément e Antoine Renard, tornou-se, depois do massacre de que foram vítimas os comunardos, o símbolo das aspirações da Comuna de Paris.

Quand nous chanterons le temps des cerises
Et gai rossignol et merle moqueur
Seront tous en fête
Les belles auront la folie en tête
Et les amoureux du soleil au cœur.
Quand nous chanterons le temps des cerises
Sifflera bien mieux le merle moqueur.

Mais il est bien court le temps des cerises
Où l'on s'en va deux cueillir en rêvant
Des pendants d'oreilles
Cerises d'amour aux robes pareilles
Tombant sous la feuille en gouttes de sang.
Mais il est bien court le temps des cerises
Pendants de corail qu'on cueille en rêvant.

Quand vous en serez au temps des cerises
Si vous avez peur des chagrins d'amour
Evitez les belles
Moi qui ne crains pas les peines cruelles
Je ne vivrai point sans souffrir un jour.
Quand vous en serez au temps des cerises
Vous aurez aussi des peines d'amour.

J'aimerai toujours le temps des cerises
C'est de ce temps là que je garde au cœur
Une plaie ouverte
Et dame Fortune en m'étant offerte
Ne pourra jamais calmer ma douleur.
J'aimerai toujours le temps des cerises
Et le souvenir que je garde au coeur.

Cópia de um e-mail que recebi!

Cura do Cancro?!

Um médico italiano descobriu algo simples que considera a causa do câncer.
Inicialmente banido da comunidade médica italiana, foi aplaudido de pé na Associação Americana contra o Câncer quando apresentou sua terapia.
O médico observou que todo paciente de câncer tem aftas. Isso já era sabido da comunidade médica, mas sempre foi tratada como uma infecção oportunista por fungos - Candida albicans.
Esse médico achou muito estranho que todos os tipo de câncer tivessem essa característica, ou seja, vários são os tipos de tumores mas têm em comum o aparecimento das famosas aftas no paciente.
Então, pode estar ocorrendo o contrário - pensou ele. A causa do câncer pode ser o fungo. E, para tratar esse fungo, usa-se o medicamento mais simples que a humanidade conhece: bicarbonato de sódio.
Assim ele começou a tratar seus pacientes com bicarbonado de sódio, não apenas ingerível, mas metódicamente controlado sobre os tumores.
Resultados surpreendentes começaram a acontecer. Tumores de pulmão, próstata e intestino desapareciam como num passe de mágica, junto com as Aftas. Desta forma, muitíssimos pacientes de câncer foram curados e hoje comprovam com seus exames os resultados altamente positivos do tratamento.

Para quem se interessar mais pelo assunto não deixem de ver o video.

Lá estão os métodos utilizados para aplicação do bicarbonato de sódio sobre os tumores. Quaisquer tumores podem ser curados com esse tratamento simples e barato.

Neste clicando-se nas bandeirinhas no alto da página, muda-se o idioma

Neste o vídeo o médico italiano mostra a evolução do tratamento até a completa cura em 4 casos:

Parece brincadeira?
Bem que o livro de homeopatia recomenda tratar tumores com borax, que é o remédio homeopático para aftas.

Esperamos que seja uma boa notícia e verdadeira.

Em Bruges - 5


As maçãs do amor...

Daisy Miller, Henry James: uma novela trivial um filme delicioso.

Daisy Miller de Henry James
Num destes dois últimos Verões, não preciso qual, estava na praia com o Diário de Notícias, jornal para ler enquanto tomava café; o jornal trazia de oferta um livrinho de Henry James: Daisy Miller.
Na altura não o li e, agora, numa das minhas viagens de comboio, resolvi repousar os olhos na sua escrita.
O livro narra um conjunto de circunstâncias e viagens enriquecedoras da forma mais trivial que até então lera. Retrata parte de uma família americana em viagem pela Europa. O narrador é um jovem estudante americano que trava conhecimento com a jovem americana Daisy Miller, rica e coquete. Eis aqui um excerto passado em Roma:

“Vamos ficar todo o Inverno se não morrermos de febre; e acho que ficaremos. É muito mais agradável do que pensei; receei que fosse terrivelmente calmo; tinha a certeza que seria muito ocioso. Pensava que andaríamos por aí sempre com um daqueles horríveis velhotes que explicam quadros e coisas. Mas tivemos apenas uma semana disso, e agora estou a divertir-me. Conheço tanta gente, e são todos tão encantadores. A sociedade é extremamente selectiva. Há pessoas de todo o tipo – ingleses, alemães e italianos. Creio que gosto sobretudo dos ingleses. Aprecio o seu estilo de conversação. Mas há americanos encantadores. Nunca vi nada tão hospitaleiro. Todos os dias há qualquer coisa para fazer.”

Henry James, Daisy Miller, (tradução de Maria João Bento) Lisboa: Livros de bolso Europa-América, 2007, p. 57.


Daisy Miller de Peter Bogdanovich é um filme de 1974, com Cybill Shepherd no papel de Daisy Miller e Barry Brown no de Frederick Winterbourne.

Jean Patou: Joy, um dos meus perfumes.

Joy de Jean PatouJean Patou nasceu na Normandia, em 1880, no seio de uma família de peleiros. Trabalhou nesse negócio até 1910, ano em que foi para Paris.
Jean Patou alimentou sonho de se tornar costureiro, acabou por se instalar numa pequena loja que abriu em 1912, e à qual deu o nome de Maison Parry. Com o início da Primeira Guerra viu-se obrigado a parar a sua actividade pois, foi mobilizado em Agosto de 1914, após a invasão da Bélgica pelos alemães. Quando acabou o conflito, voltou a abrir a loja. Introduziu o sportswear feminino com os desenhos de fatos de banho em tecidos mais leves e da saia de ténis. As suas criações foram muito bem aceites em Nova Iorque. Porém, com o crash da Bolsa, em 1929, o mercado americano desapareceu. Nesta fase crítica Jean Patou sobreviveu graças aos seus perfumes. Um dos perfumes que criou foi o Joy, perfume de fragrância floral intenso com notas de rosa e jasmim.
Jasmim

Jean Patou morreu em 1936 mas a sua casa continuou na mão da irmã e do cunhado. O nome Patou permanece, ainda hoje, associado à alta perfumaria, e pelo atelier têm passado nomes como o de Jean Kerléo ou Karl Lagerfeld.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Cinemateca

Cinemateca fila para comprar bilhetes. Boa homenagem a Bénard da Costa

Five O’Clock Tea - 1

de Mary Cassatt


Óleo sobre tela, 1880
Boston, Museum of Fine Arts

No domingo, estive com um livro desta pintora, que é bastante do meu agrado, nas mãos. Só não o comprei por causa do peso e porque reproduzia poucas pinturas com cenas do quotidiano. Este seu quadro é um dos meus preferidos.

Homenagem a João Bénard da Costa (1935-2009).

«Quem consegue pensar em “Johnny Guitar” sem pensar em João Johnny Bénard (que sobre este filme mil vezes disse “Porque era ele, porque sou eu”)?»
Alexandre Lucas Coelho in Público 21 de Maio, 2009.


Peggy Lee - Johnny Guitar (1954)



Johnny Guitar filme de Nicholas Ray, 1954

60 anos de uma nação: 1958


Cerca de seis milhões de alemães passam as suas férias no estrangeiro. A Itália, destino favorito, atrai pela proximidade geográfica, a culinária, a cultura, pelo bom tempo e pelas praias. No entanto, outros países, entre eles, a Grécia ou o Egipto, tornam-se cada vez mais procurados. De carro, comboio, barco ou de avião, os alemães consolidam a sua posição como campeões mundiais no turismo.
Elvis Presley pisa solo alemão em Bremerhaven a 1 de Outubro, onde é recebido por milhares de fãs. É destacado para o 32º regimento da 3ª divisão blindada americana em Friedberg (próximo de Frankfurt). Até completar o seu serviço militar em Março de 1960, vive em Bad Nauheim, juntamente com seu pai e sua avó. Durante a sua presença na Alemanha, conhece Priscilla, sua futura esposa.
Nikita Chruschtschow considera o estatuto actual da cidade de Berlim um absurdo. Acusa os Aliados ocidentais de terem quebrado os acordos da Conferência de Potsdam ao integrar a Alemanha Ocidental na Nato. Exige a retirada das tropas aliadas da zona ocidental dentro de seis meses, ameaçando com uma maior presença soviética na Alemanha Oriental.
Os Aliados ocidentais não cedem às exigências de Moscovo. O ultimato passa sem qualquer intervenção por parte da União Soviética. A crise de Berlim parece atenuada, está agendada uma conferência em Genebra em Maio do ano seguinte.


Imagens: Viagem à Itália; Elvis Presley; Nikita Chruschtschow

- CONTINUAÇÃO NA PRÓXIMA SEGUNDA-FEIRA -

As crónicas de João Bénard da Costa

recolhidas em livro


Lisboa: Assírio e Alvim, 2003


Lisboa: Assírio e Alvim, 2007


Lisboa: Assírio e Alvim, 2007

A Cinemateca Portuguesa deveria recolher em livro as magníficas "folhas de sala" que João Bénard da Costa escreveu para apresentação de inúmeros filmes exibidos nas suas salas, ao longo de vários anos.

Em Bruges - 4



O cisne
«Muitos bons viajantes, como o cisne, emigram para viver. Mas esse mesmo cisne, que não presta para comer o desperdiçado do homem pela sua beleza e graça, o cisne, digo, tão comum na Itália antigamente e de que Virgílio tanto fala, hoje, é lá muito raro. Debalde se buscariam agora essas alvas frotas, que argenteavam com suas velas as águas do Mincio, os pauis de Mântua, chorando Faetonte à sombra das suas irmãs ou no seu voo sublime, canoros levando aos astros o teu nome, ó Varo.
«Este canto, que toda a Antiguidade cita, será mera fábula? Os órgãos músicos, tão desenvolvidos no cisne, ter-lhe-ão sido sempre inúteis? Não funcionariam eles em ditosa liberdade, quando o seu dono gozava de uma atmosfera mais quente, passando a maior parte do ano no doce clima da Grécia e da Ausónia? Inclino-me a crê-lo. O cisne, obrigado a ir para o Norte, onde os seus amores ainda acham o segredo e a paz, sacrificou o seu canto, adoptou o acento bárbaro ou calou-se. A musa expirou: a ave sobreviveu.»

Jules Michelet
In: A ave / trad. F. L. Lopes. Lisboa: Nova Livr. Internacional, 1876, p. 47

Sonho de uma Noite de Verão, William Shakespeare.

Ao ler Lewis Carrol no País das Maravilhas cruzei-me com O Sonho de uma Noite de Verão e por associação de ideias resolvi colocar este excerto.

Sonho de uma Noite de Verão
O duque de Teseu, ao cabo das atribulações nocturnas dos amantes na floresta, exprime aqui a voz do cepticismo racionalista, ao passo que a sua futura esposa, Hipólita, defende os poderes do sonho e da imaginação.


HIPÓLITA- Estranho, meu Teseu, o que os amantes dizem.
TESEU – Mais estranho que certo. Nunca creio
Contos de fadas, fábulas antigas.
Loucos e amantes têm cabeça quente,,
Formando fantasias envolventes
Mais do que a fria razão compreende.
O lunático, o amante e o poeta
São todos feitos de imaginação.
Um vê mais demónios do que há no inferno:
Esse é louco. O amante, todo emoção,
Vê a beleza de Helena em toda a fronte.
Os olhos do poeta, em alvo postos,
Vão do céu à terra e da terra ao céu;
E como a imaginação arquitecta
O desconhecido, a pena do poeta
Dá-lhe formas, e confere ao que é nada
Uma existência própria e dá-lhe um nome.
Tais artes tem a imaginação forte
Que, se puder sentir uma alegria,
Ela incluirá quem traz essa alegria;
Ou à noite, se o medo imaginar,
Fará dum arbusto um urso a espreitar!
HIPÓLITA – Mas contada toda a história da noite.
Suas mentes, tão alteradas todas,
Atestam mais que imagens fantasistas,
E cresce em substância qualquer coisa;
Seja o que for, estranho e admirável.
[…]
OBERON – Agora até alvorada,
Vá pela casa cada fada
A melhor noiva escolher,
Sua cama abençoar;
E o filho que lhe nascer
Com tudo de bom fadar.
E serão os três casais
Ao amor sempre leais
E os sinais da natureza,
Que desfeiam a beleza
Mancha ou lábio leporino
Ou cicatriz do destino,
Nunca seus filhos terão.
Prestai então atenção:
Cada fada vá voando
Cada quarto abençoado
Neste palácio amoroso;
Sempre descanse feliz.
Que se faça o que se diz.
Vão todas, sem excepção:
Pela alvorada voltarão. (V,1)

William Shakespeare, Sonho de uma Noite de Verão, trad. Maria Cândida Zamith, Porto: Campo das Letras, 2002, p.136

William Shakespeare's "A Midsummer Night's Dream" - 1968 film Directed by Peter Hall
This clip starts with Act 2, scene 2, line 35 (Pelican edition) to end of scene, line 156 (Hermia awakes and ends speech with "Either death, or you, I'll find immediately."

Mulher com Colar de Pérolas no Camarote, Mary Cassatt!

Hoje quando abri o google conheci esta pintora americana. Mary nasceu em Allegheny, a 22 de Maio, de 1844 e faleceu em Château de Beaufresne perto de Paris, em 1926.
Estudou arte na Academia de Artes da Pensilvânia, Filadélfia. Viveu em França, conheceu os impressionistas Manet, Monet, Morisot, Renoir, Pissarro e Degas com quem casou.
O quadro tem uma luz fantástica!
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Mary Cassatt, Mulher com Colar de Pérolas no Camarote, 1879
Óleo sobre tela 81.3 x 59.7 cm, Philadelphia Museum of Art.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

A Ascensão de Cristo: duas perspectivas!

Ascensão de Cristo: episódio importante na vida dos Cristãos. Duas visões artísticas do momento sagrado. Um pintor português quinhentista e um pintor espanhol surrealista foram as minhas opções para retratar este episódio.
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"Depois levou-os até junto de Betânia e, erguendo as mãos, abençoou-os. Enquanto os abençoava, separou-se deles, e elevava-se ao Céu" Lucas 24.50-51 (Nova Biblía dos Capuchinhos)
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Após 40 dias da Páscoa, dá-se a festa da coroação de Cristo como Rei dos reis e Senhor dos senhores. Cristo torna-se Rei do universo.
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Ascensão de Cristo, Fernão Gomes (1548-1612), oficina Portuguesa. Último quartel do século XVI, c. 1590

Pintura a óleo sobre madeira, Alt. 335 x larg. 123 cm
Provém da Sé do Funchal, Museu Arte Sacra do Funchal

Ascensão de Cristo, Salvador Dalí (1904-1989), 1958

A ESPIGA

Oh! ih! oh! ai!
Esta bonita cantiga
É cantada alegremente
Por toda a população
Oh! ih! oh! ai!
Até eu já canto a espiga
E por isso toda a gente
Vai gramá-la que nem pão.

I
Com o vinho dos pichéis
Embebedam-se as moçoilas,
E sem meias nem ceroilas
Aparecem os Maneis.

Depois deitam-se nos prados,
De barriga para o ar,
E entre as canas dos valados
Ouve a gente murmurar:

Maria, muda a água às azeitonas!
Cachopa, tu não chupes na cereja!
E as uvas lá da quinta me abandonas
Vai à fava, que eu então vou à craqueja.

II
Quando vão pelos caminhos
Ao voltar da romaria,
Os marotos dão beijinhos
Dão beijinhos na Maria.

E de noite ao pé do poço
O Manel que tem cantiga
Com beijocas no pescoço
Diz assim assim à rapariga:

Maria, muda a água às azeitonas!
Cachopa, tu não chupes na cereja!
E as uvas lá da quinta me abandonas
Vai à fava, que eu então vou à craqueja.

Canção da revista Pistotira

DIA DA ESPIGA

Coro
Oh! ih! oh! ai!
Esta vida é uma cantiga,
E este dia d’alegria,
Vale um ano de aflição.
Oh! ih! oh! ai!
Porque este dia da espiga
É o arauto do Dia,
Em que o trigo há-de dar pão.

I
A Espiga
Jorra o vinho dos pichéis
Para os lábios das moçoilas,
Mais vermelhas que papoilas
Co’ as larachas dos Maneis.

Há merendas pelos prados,
Gargalhadas pelo ar,
E à beirinha dos valados
Ouve a gente murmurar:

Refrão
Maria, são teus olhos azeitonas!
Cachopa, são teus lábios qual cereja!
E os teus seios, cachos d’uvas que abandonas
À vindima desta boca que os deseja!...

II
A Espiga
Tomam todos os caminhos
Um sabor de romaria,
E até mesmo os pobrezinhos
Fingem ter certa alegria…

E, na volta, já sentindo
Que foi tudo um sonho em vão,
Inda há ecos, repetindo
Pelo espaço esta canção:

Refrão
Maria, são teus olhos azeitonas!
Cachopa, são teus lábios qual cereja!
E os teus seios, cachos d’uvas que abandonas
À vindima desta boca que os deseja!...

Canção da revista Cabaz de Morangos

Novidades - 50 : Da abdicação

Este é um tema que sempre me fascinou: a abdicação. Não as abdicações forçadas pela razão de Estado em confronto com o amor ( Eduardo VIII de Inglaterra e em parte Leopoldo III dos Belgas ) ou mais ou menos constrangidas por guerras, mas sim as abdicações mais complexas, mais enigmáticas. Desde logo, a de Carlos V. O historiador Jacques Le Brun dedica-se a este segundo tipo de abdicações neste seu mais recente ensaio, e naturalmente analisa as surpreendentes abdicações do imperador romano Diocleciano, de Filipe V de Espanha e a do já por mim mencionado imperador romano-germânico Carlos de Habsburgo.
As explicações por vezes avançadas como senilidade precoce, cansaço do poder ou procura espiritual não explicam por completo alguns destes casos.
Se calhar o maior acto de exercício do poder absoluto é renunciar ao exercício desse poder, especialmente quando se está no auge da glória.

- Le pouvoir d' abdiquer. Essai sur la déchéance volontaire, Jacques Le Brun, Gallimard, 278p., Abril de 2009, 21€50.

As nossas 7 plantas em risco

- Álcar do Algarve ( Tuberaria major )
- Diabelha do Almograve ( Plantago almogravensis )

- Diabelha do Algarve ( Plantago algarbiensis )


- Miosótis-das-praias ( Omphalodes kuzinskyanae )



- Narciso do Mondego ( Narcisus scaberulus )




- Linaria ricardoi





- Corriola do Espichel ( Convolvulus fernandesii )


Estas sete espécies de plantas só existem em Portugal, e estão classificadas como em "perigo crítico de extinção" de acordo com o Plano Nacional de Conservação da Flora em Perigo.
Conhecia algumas, outras não, mas acho-as belas e seria uma pena que desaparecessem. No meio de tantos milhões que o Estado gasta, será assim tão difícil garantir que estas espécies subsistam entre nós?










Passear no Tejo

- fotografia de António Veloso.

Todos os dias, às 15h, partem do Terreiro do Paço barcos que fazem um cruzeiro de duas horas e meia no Tejo. O passeio custa 20 euros, e há descontos para titulares do cartão Lisboa card, crianças, reformados e sócios do ACP e do INATEL.

Descoberto o mistério

Por vezes escrever uma linha num livro pode ter investigações que demoraram semanas até encontrar a solução.
Ao percorrer o Flos Santorum, impresso em Lisboa, por Hermão de Campos, em 1513, encontrei uma imagem semelhante à representada para S. Nicolau, mas desta vez aparentemente só com um personagem na tina (embora esta esteja cortada). Figurava a ilustrar a traslação de Santo Ildefonso, como se pode observar pela imagem seguinte:

Começou nova pista e se fosse uma trasladação o representado. Olhei para o calendário inscrito naquela folha e havia a invocação de duas trasladações: S. Bernardo e S. Domingos. Analizei a lengenda áurea de cada um destes santos. Não consegui enquadrar nada com eventual com eventual presença de uma bispo e a descoberta de um corpo (Como acontece no caso de Santo Ildefonso).
Voltei a ler a vida de S. Nicolau. E fez-se luz!
As Relíquias de São Nicolau foram trasladadas de Mira para Bari em 1087, sendo guardado e festejado esse facto a 9 de Maio no calendários mais antigos e, ainda hoje, na Igreja eslava assim como em Bari (capital da Apúlia, Itália).
Fui à investigação que tinha feito em outros livros de horas de finais do século XV e começo do século XVI. Quando aparece alguma liturgia nesse dia 9 de Maio é a da trasladação de S. Nicolau.
Este livro de horas português (1501) é até agora, na minha investigação, o primeiro que reserva esse dia para "S. Gregório Nazanzeno" ou "S. Gregório Nazianzo", bispo.
Desculpem se vos "chaguei"... mas o desafio de vos explicar e pedir ajuda... ajudou-me a encontrar a solução.

Culinária árabe

A quinta edição do Festival Islâmico de Mértola, a decorrer até 24 de Maio, proporciona ao visitante, segundo a Câmara Municipal, "quatro dias mágicos". Através de exposições e colóquios, estão em destaque "os sons, os cheiros, as tradições e a vivência dos povos do outro lado do Mediterrâneo”.

No âmbito deste festival, terá lugar a apresentação do livro "Cozinha Árabe - história e receitas" da autoria de M. Margarida Pereira-Müller, editado pela Colares Editora. Os muitos interesses e o background multicultural de Margarida Pereira-Müller que acompanha este blogue, reflectem-se neste livro que segue o exemplo de publicações anteriores, dedicadas às culinárias alemã e austríaca.

Dia 24, pelas 11.30h , no Edifício da Biblioteca de Mértola

A lenda de S. Nicolau


Segundo alguns existem três significados para as figurinhas representadas junto da imagem de S. Nicolau (festejado a 6 de Dezembro).

A lenda mais conhecida seria a de ter livrado da prostituição três filhas de um comerciante falido, dando a cada uma delas o dote necessário para o casamento. Por isso aparecem três "moedas/besantes/sacos" de ouro sobre o livro (lenda ocidental), donde terá vindo a lenda que o liga ao Pai-Natal.

A segunda lenda é que teria ressuscitado três crianças assassinadas por um açougueiro, que as teria cortado aos pedaços e jogadas dentro de um barril para serem servidas como carne salgada. Por isso aparecem as três figuras, nuas, levantando-se de dentro do barril (lenda bizantina).

A terceira lenda coloca S. Nicolau como defensor dos injustiçados e oprimidos. A lenda tem dois momentos; num primeiro momento terá impedido que três inocentes fossem injustamente executados pelo Governador Eustáquio, acabando este por reconhecer que os condenara por suborno. Assistiram ao milagre três oficiais que mais tarde são condenados, também injustamente à morte. S. Nicolau apareceu, durante um sonho, ao Imperador Constantino e terá provado a inocência dos três oficias, sendo, por isso, postos em liberdade. O Imperador interrogou os prisioneiros e eles disseram-lhe que tinham evocado o bispo Nicolau para provar a sua inocência. O Imperador pediu bispo que rezasse pela paz do Mundo (lenda Russa).

Na gravurazinha que pretendo identificar aparecem três figuras saindo de um barril/tina o que ajuda a ligação ao milagre de ressurreição.

Qual é o Santo que é comemorado no mês de Maio, que seja bispo, e esteja ligado a uma ressurreição???

Morreu João Bénard da Costa

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1381942

Dia da Espiga: O Sagrado e o Profano.

O Dia da espiga ou Quinta-feira da espiga é celebrado no dia da Quinta-feira da Ascensão com um passeio matinal, em que se colhe espigas de vários cereais, flores campestres e raminhos de oliveira para formar um ramo, a que se chama de espiga. Segundo a tradição o ramo deve ser colocado por detrás da porta de entrada, e só deve ser substituído por um novo no dia da espiga do ano seguinte. As várias plantas que compõem a espiga têm um valor simbólico profano e um valor religioso. Crê-se que esta celebração tenha origem nas antigas tradições pagãs e esteja ligada à tradição dos Maios e das Maias.


O dia da espiga era também o "dia da hora" e considerado "o dia mais santo do ano", um dia em que não se devia trabalhar. Era chamado o dia da hora porque havia uma hora, o meio-dia, em que em que tudo parava, "as águas dos ribeiros não correm, o leite não coalha, o pão não leveda e as folhas se cruzam". Era nessa hora que se colhiam as plantas para fazer o ramo da espiga e também se colhiam as ervas medicinais. Em dias de trovoadas queimava-se um pouco da espiga no fogo da lareira para afastar os raios.
A simbologia por detrás das plantas que formam o ramo de espiga: Espiga – pão; Malmequer – ouro e prata; Papoila – amor e vida; Oliveira – azeite e paz; Videira – vinho e alegria e Alecrim – saúde e força.

60 anos de uma nação: 1957

O Estado do Saarland, geograficamente rodeado pela França, Alemanha e o Luxemburgo, volta, pela quarta vez na sua história, a integrar a Alemanha. Saarbrücken, capital da região e situada junto do rio Saar, é palco da cerimónia oficial em que Konrad Adenauer afirma tratar-se do “mais belo dia” da sua vida. Os habitantes do Saarland, sob domínio francês desde 1945, pronunciaram-se num referendo em 1955 a favor da junção com a Alemanha Ocidental.

O Ministro da Economia, Ludwig Erhard, celebra o seu 60º aniversário. Por ocasião desta data importante, publica o seu livro “Wohlstand für alle”. O título significa, traduzido à letra, “bem-estar para todos” e foi copiado de “La conquête du pain” do anarquista russo Peter Kropotkin. Erhard, o pai do Wirtschaftswunder (milagre económico) alemão, reúne discursos e palestras neste livro em que defende a liberdade económica do indivíduo como ponto de partida para o bem-estar económico de uma sociedade em geral.


O escândalo à volta de Rosemarie Nitribitt preenche as manchetes dos principais jornais alemães. Nitribitt, call-girl de luxo de Frankfurt, é encontrada assassinada em sua casa em Outubro. Tinha apenas 24 anos. As circunstâncias do crime nunca serão desvendadas. Como Nitribitt se relacionava com as mais altas individualidades da política e economia, suspeita-se que o caso foi deliberadamente abafado.

Imagens: Ludwig Erhard; Rosemarie Nitribitt

PASSADO, PRESENTE, FUTURO

Só o passado verdadeiramente nos pertence.
O presente…. O presente não existe:
Le moment où je parle est déjà loin de moi.
O futuro diz o povo que a Deus pertence.
A Deus… Ora, adeus!

Manuel Bandeira
In: Estrêla da tarde. Rio de Janeiro: Livr. José Olympio, 1963, p. 31

Que Santo será este, festejado no mês de Maio?


Como todos sabem os Livros de Horas são precedidos por um Almanaque e por um Calendário Eclesiástico. Nele se inscrevem os diferentes Santos que são sufragados pela Igreja em cada dia do ano. Os mais importantes costumam ser representados nas miniaturas que ilustram as folhas do calendário.
Esta folha que vos apresento (em que estão inscritos os santos cujo dia festivo vai de 20 de Novembro - dia de São Estêvão -, a dia 10 de Dezembro - dia de Santa Eulália -) encontra-se adornada (lado esquerdo) por Santa Catarina - observância a 25 de Novembro -, Santa Bárbara - observância a 4 de Dezembro -, e São Nicolau - observância a 6 de Dezembro, todos representados com os atributos próprios.


Já nesta folha, referente aos dias 3 a 30 de Maio, aparece adornada por S. João (porta latina) e por um Santo Bispo representado pela mesma imagem que vai ser utilizada para S. Nicolau.
Quem será este Santo?
Bispos festejados, nos finais do século XV, entre 7 e 30 de Maio (e digo 7, porque a primeira imagem refere-se ao dia 6) são os seguintes:
dia 9 - S. Gregório Nazianzo, bispo
dia 20 - S. Bernardino de Sena, bispo e confessor
dia 26 - S. Agostinho de Cantuária, bispo
dia 28 - S. Germano de Paris, bispo e confessor

Não me repugna que o representado seja Santo Agostinho, 1.º bispo de Cantuária, e as três figurinhas simbolizassem os convertidos ingleses.

Algum leitor deste blogue tem alguma sugestão melhor?

Em Bruges - 3

Lewis Carroll, o teatro e os Pré-Rafaelitas. 3

Lewis Carroll era um amante do teatro e da arte. Depois de ver a peça de Shakespeare Henrique VIII, interpretada por Charles Kean e Ellen Tree, escreveu no seu diário:

Foi como que um delicioso sonho acordado poesia da mais bela. Eis a verdadeira finalidade, a genuína função do teatro: elevar o espírito acima de si próprio, libertá-lo da mesquinhez das preocupações do dia-a-dia...”
Charles Ken e Ellen Tree, dois actores vitorianos excelentes intérpretes de Shakespeare
Carroll apaixonou-se pelos pré-rafaelitas e conviveu com eles. Salientam-se nas suas relações Sir John Everett Millais , William Hunt, Richard Dadd e Joseph Noel Paton. Este último pintou um quadro que o fascinou:

Joseph Noel Paton, O Sonho de uma noite de Verão: A discussão e Reconciliação de Oberon e Titânia (1847)

Também o pintor Richard Dadd alimentou a sua fértil imaginação. Como personagens destes dois quadros podem encontrar-se fadas, duendes, pequenos seres e uma atmosfera de fantasia e doçura tão do agrado de Carroll.

Richard Dadd, O Golpe de Mestre do lenhador Mágico

Os textos que criou foram influenciados pela arte, a fotografia e o teatro.

Stphen Lovett Stoffel, Lewis Carroll no país das maravilhas, Lisboa: Quimera, 2003, (tradução de Margarida Viegas) p. 46 a 54.

AH, A MÚSICA, Ruy Belo!

AH, A MÚSICA

Quem terá deixado esquecida
esta música ouvida num canto da rua?
Ninguém de quem passa nela repara
No entanto - é ela - faltava
no dia de chuva
no meu dia de chuva?
Meu seria decerto este dia
pois por mais precário que eu seja
nenhuma chuva fora podia
cair se acaso em mim não caísse
Cai chuva e há música em meu coração
Era mera ilusão o dia de chuva

Ruy Belo, Todos os Poemas, Lisboa:Assírio & Alvim, Poemário 2009

E do poema para a música. Quem ainda se lembra dos Supertramp?
Supertramp - It's Raining Again

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Moules Marinière

Adoro! Aqui fica a receita...

Main Dish: How To Make Moules Mariniere

Novidades - 49 : Canibalismo em 1870

O mais recente romance de Jean Teulé parte de um caso verídico: No dia 16 de Agosto de 1870, o jovem Alain de Monéys vai à feira de Hautefaye para aí fazer compras. Acabou sendo linchado pela multidão, queimado e devorado. Um jovem inocente, vítima de vários equívocos, que não escapou ao terrível Verão de 1870, onde a par da Guerra Franco-Prussiana se viveu uma intensa seca.

- Mangez-le si vous voulez, Jean Teulé, Julliard, 129p, 17€, Maio de 2009.

Conhecem Krystle Warren ?

A andrógina Krystle Warren que se tornou conhecida fazendo as primeiras partes dos concertos de Ben Harper, lançou agora o seu primeiro álbum, Circles.

60 anos de uma nação: 1956

As atenções na feira industrial de Hannover concentram-se nas inovações de um meio de comunicação revolucionário - a televisão. No entanto, apenas 681.000 lares alemães dispõem de um aparelho em finais de 1956. Preços elevados e problemas na cobertura de rede continuam a dar preferência ao rádio. O cinema regista, em contrapartida, um ano record de espectadores com 817 milhões de bilhetes vendidos. Os alemães “invadem” as salas de cinema para se deslumbrar, quer com as grandes produções internacionais, quer com os filmes nacionais: o cinema alemão “fabrica” em massa películas para vários gostos. Os grandes nomes dos anos 50, praticamente desconhecidos em Portugal, são Ruth Leuwerik, O. W. Fischer, Sonja Ziemann ou Dieter Borsche. A Áustria e a Suíça lançam para o estrelato internacional artistas como Romy Schneider ou Maximilian e Maria Schell.
O boom económico parece imparável. O desemprego cai de 5,6% para 4,4%. O marco subvalorizado reforça as exportações. Os sindicatos exigem uma redução do horário de trabalho semanal. É lançado o slogan “Samstags gehört der Vati mir” (trad. ao sábado, o pai é meu). A indústria têxtil introduz, como primeiro sector de actividade, o horário de 45 horas por semana. A construção civil e a indústria metalúrgica seguem o exemplo, o que significa uma redução notável de 9 horas por semana para os operários.

A mulher mais bela do mundo chama-se Petra Schürmann, é alemã, oriunda de Mönchen-Gladbach e conta 21 jubilosas primaveras. A estudante de Filosofia, Filologia e Geografia da Universidade de Colónia alcança o título Miss World 1956 em Londres. Como prémio, recebe um cheque de 500 libras e um automóvel.
Com o crescimento económico e uma maior riqueza gerada, renasce o desejo da senhora alemã num guarda-roupa moderno. As tendências da moda, ditadas por estilistas franceses e italianos, prevêem linhas femininas e elegantes. O new look vai ao encontro das exigências tanto da senhora adulta como das raparigas jovens que, com o vestuário adequado, acompanham os ritmos do Rock’n Roll.

Imagens: cartaz do filme "Immer wenn der Tag beginnt", um "clássico" do cinema alemão dos anos 50; slogan sindical; Petra Schürmann; tendências da moda feminina no final dos anos 50 (primeira foto da autoria de Rico Puhlmann)