Prosimetron

Prosimetron
Prosimetron: termo grego que designa a mistura de prosa e verso.

sábado, 18 de maio de 2013

Boa noite!

A minha tarde...

Kate Ward Thacker - Literary treasures

Em vez de ter ido ouvir o Jorge Silva Melo, estive a limpar e arrumar livros. Os montes já eram muitos. Agora são alguns... mas não de «tesouros literários». :)

Auto-retrato(s) - 177


Neo Rauch - Rauch, 2005

Amanhã é o último dia para ver uma exposição de Neo Rauch, pintor alemão, nascido em Leipzig, em 1960, no Bozar de Bruxelas. Deve ser belíssima, a avaliar pelo vídeo. abaixo:

Todos os sábados, em Campolide


Onde me apetecia estar


Neste Dia Internacional dos Museus estaria de bom grado em Philadelphia, nos EUA, para conhecer a Fundação Barnes, desde o ano passado em novo edifício no centro da cidade. Criada em 1922, por um médico visionário, o Dr.Barnes, que apostou na arte do seu tempo e a comprou a bom preço...
Graças à intuição do seu fundador, é hoje possível admirar, entre as mais de 2000 peças, 181 Renoirs, 69 Cézannes, 60 Matisses ou 44 Picassos.

Lá fora



Última semana para visitar esta exposição dedicada ao grande poeta francês, amigo dos mais importantes artistas do seu tempo. É no Palais Lumière, em Evian, até 26 de Maio.

Humor pela manhã ...


Antevisão do Conselho de Estado da próxima segunda-feira.

Bom dia !


De um dos discos deste ano, Erasmus van Rotterdam, Eloge de la folie, éd. Alia Vox, 6 cd e mais um livro de 666 páginas, €20.

"O pormenor"

Paolo Veronese, As Bodas de Caná. 1562, Museu do Louvre. 
Fotografia retirada do livro: Paul Cézanne por Élie Faure seguido de O que Ele me Disse... por Joachim Gaschet. 
Lisboa: Sistema Solar, 2012. (Tradução de Aníbal Fernandes)* [p. 102]


Cá temos nós uma pintura. O pormenor, o conjunto, os volumes, os valores, a composição, a emoção, está tudo aqui... Oiça lá! É espantoso!... Nós o que somos?... Feche os olhos, aguarde, não pense em nada. Agora abra-os... Não é?... Não estamos só a ver uma grande ondulação colorida? Uma irisação, cores, uma riqueza de cores. É isto que um quadro deve começar por dar-nos, um calor harmonioso, um abismo onde o olhar penetre, uma surda germinação. Um estado de graça colorida. Todos estes tons nos correm no sangue, não é verdade? Sentimo-nos revigorados. Nascemos no mundo verdadeiro. Tornamo-nos nós próprios, tornamo-nos pintura.... Para se gostar deste quadro temos de começar a bebê-lo assim, a longos tragos. Perder a consciência.

Cézanne numa visita ao Museu do Louvre, in O que Ele me Disse... por Joachim Gaschet.p. 100-102.

Paul Cézanne, Natureza-Morta com Estatueta, 1894-95* [p.143]


Cézanne tinha paixão pelos pintores venezianos como Varonese** e Tintoretto, visitava-os no Louvre e bebia as suas cores. Olhando a Natureza-morta com Estatueta podemos ver as cores de Veronese. Aconselho a leitura do livro pois é apaixonante, é um ensaio de arte, revela as emoções do pintor, o homem que amava a natureza e as cores.
Termino com a seguinte afirmação de Cézanne:
- " Jurei a mim mesmo que vou morrer a pintar." [p. 143]*

** Nasceu em Verona mas viveu em Veneza.

Homenagem ao Museu do Louvre no Dia Internacional dos Museus.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Boa noite!

O novo Patriarca de Lisboa



Será anunciada oficialmente amanhã a escolha de D. Manuel Clemente, actual Bispo do Porto, como novo Arcebispo e Patriarca de Lisboa. Uma excelente escolha.

Altos cachões de espuma...

Um dos poemas do livro Memória de um pintor desconhecido. 
Manuscrito autógrafo de Mário Dionísio.

Jorge Silva Melo lê Memória dum pintor desconhecido

Amanhã, Dia Mundial dos Museus, no Museu Vieira da Silva, às 16h00, com entrada livre.


«É um dos livros mais curiosos que jamais li. Aparentemente seria um livro de poesia, mas poderia ser também um ensaio, um diário, o esboço de um romance, a memória de uma vida, o avesso do grande livro de ensaio que Mário Dionísio concluiu pouco tempo antes, A Paleta e O Mundo. É por isso que é tudo: poesia. E é tão bonita a sua relação com a demorada arte de pintar. É um dos grandes livros de poesia do século XX, li-o desde a primeira hora, aluno que eu era de Mário Dionísio (1916-1993), quando o livro saiu, em 1965.»
Jorge Silva Melo

Esta noite, no Conservatório


A prova de que a lucidez não tem idade

O pai desta criança que fez o exame do 4.º ano no passado dia 7 de Maio deve estar orgulhoso da sua cria.

(Post retirado do blogue oarrumadinho.clix.pt)

Livros de cozinha - 71

Porto: Civilização, 2013

As primeiras receitas são sobre Londres. E o local inspirador é o Reform Club - clube fundado em 1836, em Pall Mall, e cuja sede abriu em 1841 -, onde Phileas Fogg, personagem de A volta ao mundo em 80 dias, toma as suas refeições. 

«Em 1872, a casa número sete de Saville Row, Burlington Gardens [...], era habitada por Phileas Fogg, esquire. membro dos mais singulares e dignos de reparo do Reform Club de Londres [...].
«Phileas Fogg era membro do Reform Club e nada mais. [...]
«[...] Bastava-lhe um criado. Almoçando e jantando no clube a horas cronometricamente determinadas, na mesma sala, à mesma mesa, sem banquetear os colegas, sem convidar estranhos para a sua mesa, só se recolhia a casa, para se deitar. [...] Ao almoço e ao jantar eram as cozinhas, a despensa, a copa, o mercado habitual do clube, que forneciam á sua mesa os suculentos manjares, eram os criados do clube, personagens de grave aspeto, trajando casaca preta, calçando sapatos palmilhados de baetilha, que o serviam em porcelana escolhida e sobre uma preciosa toalha de linho de Saxe; eram os cristais do clube, de caprichoso modelado, que continham o seu xerez, o seu porto, o seu clarete com mistura de avenca e cinamomo; era, finalmente, o gelo do clube - trazido com imensas despesas dos lagos da América - que conservava os líquidos que ingeria em estado de agradável frescura. 
«[...] No seu quarto [Passepartout] descobriu [...] um cartaz posto por cima do relógio com o programa do serviço quotidiano. Compreendia - desde as oito da manhã, hora regulamentar a que Phileas Fogg se levantava, até às onze e meia, hora a que saía para ir almoçar ao Reform Club [...].
«Phileas Fogg saíra de casa de Saville Row às onze e meia e, depois de ter posto quinhentas e cinco vezes o pé direito diante do pé esquerdo e quinhentas e setenta e seis vezes o pé esquerdo diante do pé direito chegou ao Reform Club, vasto edifício, construído em Pall Mall, que não custou menos de três milhões.
«Phileas Fogg dirigiu-se logo para a sala de jantar, cujas nove janelas deitavam para um jardim povoado de frondosas árvores já douradas pelo sopro do Outono. Ali ocupou o lugar à mesa que lhe era habitual e onde o esperava o seu talher. Compunha-se o almoço de um hors-d’oeuvre,, de peixe cozido temperado com um molho de primeira qualidade, de rosbife em sangue guarnecido de cogumelos, de empada recheada de pedacinhos ruibarbo e groselhas verdes e, enfim, de um pedaço de queijo Chester – tudo acompanhado de algumas chávenas de chá excelente, de propósito escolhido para a despensa do Reform Club.»
Jules Verne - A volta ao mundo em 80 dias. Lisboa: Bertrand, 2010, p. 7-19. (11/17)
1841
A cozinha. Gravura de W. Radclyffe, 1841
Gravura e il. de Alphonse de Neuville (1835-1885) e Léon Benett (1838-1917)
Na noite do almoço descrito, Phileas Fogg passa o dia todo no clube. Já depois do jantar, comentando as notícias do dia e durante um jogo de whist, Phileas Fogg aposta sobre a possibilidade de se poder realizar a volta ao mundo em 80 dias. E...

Inspirando-se neste almoço, a refeição proposta no livro, é preparada por três cozinheiros: Sybil Kapoor prepara-nos Cavala grelhada com relish de groselha; Alexis Soyer, Ketchup de cogumelos por cima de bife mal passado; e David Loftus, Charlotte de ruibarbo com groselha. Eis a ementa do almoço londrino deste livro.

17 de Maio de 1990



Foi apenas em 17 de Maio de 1990 (embora só colocada em vigor em 1992) que a Assembleia Geral da Organização Mundial de Saúde retirou a homossexualidade da sua lista de doenças mentais. Um grande passo, na dignidade humana!
Não julguem que era um mito. Uma vez ao telefone, um médico [R. de la F.] dizia: .... "ele é maluco, não podem votar nele. A Organização Mundial de Saúde diz que a Homossexualidade é uma doença." Eu não acreditava no que estava a ouvir. Mas, infelizmente isso aconteceu e acontecia. (Estávamos em 1986).

Poderia ser a vinheta de hoje!

O que se escuta....



http://www.youtube.com/embed/UeemHj99iBI

Este é o combate evocado por Cavaco Silva.
Prestem atenção por favor aos comentários que se escutam, entre outros "... José Mourinho da Coca"

Cavaco Silva e São Jorge

Cavaco Silva está com uma crise de Misticismo. Depois de ter invocado Fátima, no dia 15 invocou São Jorge. Transcrevo a notícia, sem qualquer comentário de minha autoria.
«O Presidente da República este ontem em Monção (Alto Minho) e fez referência ao "combate" local entre São Jorge e o "dragão" Coca, que acontecia naquela localidade no dia do Corpo de Deus - e que este ano vai realizar-se no domingo seguinte (2 de junho), devido à suspensão daquele feriado.
"Faço votos muito fortes para que São Jorge, que nos acompanhou ao longo da nossa história nas grandes batalhas, seja o vencedor. Porque São Jorge vencedor significa abundância e felicidade. E nós bem precisamos de boas notícias", disse o Presidente da República. "Bem precisamos que um São Jorge qualquer nos diga que os tempos futuros serão melhores. De mais felicidade, de mais bem-estar para a nossa população", prosseguiu.»
 
 
Se o São Jorge for desta qualidade... estamos salvos. Ainda, por cima, se tiver a data de 1925 e for da cunhagem verdadeira, de Londres. É que a Royal Mint fez algumas recunhagens (não muito oficiais) em 1949, 1950 e 1951... E quem tem um dos verdadeiros (chama-lhe seu)... Eu cá não tenho, infelizmente.

Revelado o terceiro segredo de Cavaco - II

Face a tantos comentários e criticas Cavaco Silva resolveu explicar como é que surgiu aquele comentário que tem sido glosado como o "terceiro segredo de Cavaco" ou a "sétima aparição versus sétima avaliação". A Explicação vem hoje (dia 16 de Maio de 2013) transcrita, entre "aspas", para não haver dúvidas, no Diário de Notícias, p. 12:
Cavaco Silva explicou a referência de terça-feira à Nossa Senhora de Fátima. "Quando, no dia 13 de maio, surgiu a notícia de que finalmente a 7.ª avaliação tinha sido mandada para trás das costas e que estava aberto o caminho para a extensão das maturidades, a minha mulher disse-me: 'Ó meu caro - ela [Maria Cavaco Silva] trata-me de outra forma - isto é com certeza influência de Nossa Senhora de Fátima, porque hoje é dia 13'. Foi essa a razão" .
 
 

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Boa noite!

Esta canção faz parte da banda sonora do Grande Gatsby.

Portugueses que brilham lá fora

Nuno Júdice tem 64 anos
Nuno Júdice foi galardoado com o prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero-Americana. Parabéns!


«O poeta português Nuno Júdice ganhou hoje o 22.º prémio Rainha Sofia de poesia ibero-americana, sucedendo assim a Ernesto Cardenal, da Nicarágua, a quem tinha sido atribuído o galardão no ano passado, de acordo com o "El País". »

Ler mais: http://expresso.sapo.pt/nuno-judice-ganha-premio-rainha-sofia=f807465#ixzz2TTd1x9Jo



(...) O poema é esta
casa abandonada, o rosto
belíssimo de imagens mortas.

Nuno Júdice                                      Fotografia do Expresso on-line

Na contracapa do livro: Obra Poética (1972-1985). Lisboa, Quetzal, 1999.

Olha abóbora!

Yayoi Kusama ( 1929- ), Pumpkin, técnica mista com papier mâché pintado .

Já escrevi aqui em tempos sobre esta japonesa multifacetada ( pintura, escultura, colagens, performances, instalações, cinema etc ), que percorreu as várias correntes artísticas da segunda metade do século passado e continua a criar ainda hoje, agora já no seu país de origem e internada por sua livre vontade num asilo psiquiátrico.
Esta peça vai hoje à praça no Dorotheum de Viena, com uma base de licitação de 70 000 a 100 000 euros.

Citações



(...) Tabacaria é o título do mais belo poema português escrito no século XX, mas confesso que pensava que as tabacarias - esses espaços sem metafísica - eram um ícone mental do passado. No ano da graça do Senhor de 2013 não é assim. À medida que endurece a crise, as tabacarias voltam a apinhar-se de gente, como se fossem o salva-vidas disponível em toda a extensão do naufrágio. Entrar hoje numa tabacaria é arriscar-se ao que diz o verso de Pessoa : " Ver a realidade cair de repente em cima de nós. "

- José Tolentino Mendonça, in O Ano do Pensamento Mágico, no Expresso do passado sábado.

Jazz no Estoril


Humor pela manhã ...



É impressão minha ou acalmaram mesmo os ânimos de quem manda na sinistra Coreia do Norte? Deve ser o peso das medalhas que não os deixa chegar aos mísseis...

Bom dia !


Do novo álbum, Panamerican, do percussionista francês Stéphane Huchard muito influenciado pelos ritmos latino-caribenhos.

O Grande Gatsby

Primeira versão do romance de F. Scott Fitzgerald, feita por Elliott Nugent, em 1949.
Segunda versão cinematográfica de Jack Clayton, em 1974, com Robert Redford e Mia Farrow. 


Em 2000, Robert Markowitz adapta o romance para a televisão com Toby Stephens  e Mira Sorvino.

Hoje estreia a adaptação que Baz Luhrmann fez este ano, com Leonardo di Caprio e Carey Mulligan. 

"Leva-me os olhos, gaivota"

Roman garden painting, detail, first century A.D. Casa del Bracciale d’Oro, Pompeii

XXX

Leva-me os olhos, gaivota,
e deixa-os cair lá longe naquela ilha sem rota...

Lá...
      onde os cravos e os jasmins
nunca se repetem nos jardins...

Lá...
      onde nunca a mesma aranha tece a mesma teia
na mesma escuridão das mesmas casas...

Lá...
      onde toda a noite canta uma sereia
... e a lua tem asas...

Lá...

José Gomes Ferreira, "Areia" (1938) in Poesia II. Lisboa: Portugália, 1972, p. 42.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Boa noite!

Às 19h45...

Três prosimetronistas vão comer um bifinho ao Café Império, enquanto vêem o jogo. :)

Felicidades! 

Revelado o terceiro segredo de Cavaco


Andavam Aníbal e Maria a passear o rebanho, não na Cova de Iria, mas no Poço de Boliqueime, quando viram dois clarões como se fossem relâmpagos. Nesse momento, viram em cima de uma azinheira uma Senhora vestida de branco e mais brilhante do que o Sol. Que disse: "Não tenhais medo." E Maria: "Donde é Vossemecê?" O rebanho não se surpreendeu, já se habituara a ver Maria muito afoita de conversa. O Aníbal é que não percebia nada, porque enquanto a prima via, ouvia e falava com a Senhora, ele só via mas não ouvia. A primita segredou-lhe ao ouvido e então ele virou-se para o rebanho [leitor, por favor, leia os telexes da Lusa para ver que não é o cronista que endoidou] e disse: "Penso que a sétima avaliação foi uma inspiração da Nossa Senhora de Fátima. É o que a minha mulher diz." O rebanho ficou espantado: 1) porque não sabia que os primos se tinham casado; 2) porque aquilo era a primeira aparição e não a sétima avaliação; 3) não entendia como a Angela Merkel (os rebanhos são muito prosaicos e o que veem, veem) se aguentava em cima da pequena azinheira. Havia um quarto espanto: como é que o Aníbal para confirmar que pensa, diz o que a Maria lhe diz? Mas o rebanho estava era preocupado com os cortes - em tempos de troika, até os três pastorinhos passam a dois - e com aquele "não tenhais medo" da gorda da azinheira que lhes cheirava a ameaça. Ruminava, o rebanho: isto nem com o Milagre do Sol em Outubro vai lá... 

Ferreira Fernandes
Diário de Notícias, Lisboa, 15 maio 2013

Não dá para acreditar!!!

Fotos curiosas -1

Aventuras (maravilhosas) de João Sem Medo

A Assembleia da República vai amanhã evocar José Gomes Ferreira, por ocasião dos 50 anos da publicação das Aventuras de João Sem Medo em livro. E já agora pelos 80 anos da publicação em folhetim, em O Senhor Doutor. Saiu nesta revista infantil entre abril e setembro de 1933, com ilustrações de Ofélia Marques e sob o título de «As maravilhosas aventuras de João Sem Medo». Na primeira edição , em livro, chamou-se Aventuras maravilhosas de João Sem Medo e, posteriormente, apenas Aventuras de João Sem Medo.
N.º 1 d'O Senhor Doutor, dirigido por Carlos Ribeiro.
As quatro primeiras ilustrações de Ofélia Marques, de um total de 25, publicadas em O Senhor Doutor, entre 8 e 29 de abril de 1933. Não entendo por que nunca se fez uma edição em livro com estas ilustrações.
Lisboa: Portugália, 1963
Capa de João da Câmara Leme 
4.ª ed. Lisboa: Diabril, 1975
10.ª ed. Lisboa: Moraes, 1979
17.ª ed. Lisboa: Dom Quixote, 1991
19.ª ed. Lisboa: Dom Quixote, 1999
1.ª ed. Lisboa: Dom Quixote, 2008. (Booket)