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quinta-feira, 22 de agosto de 2024

Uma fotografia

Que resposta ou justificação se pode dar a este menino?

                              

        Fotografia:   HAITHAM IMAD/EPA, Expresso, 22 de agosto 2024


O tempo passa e o acordo é um vazio!

Bom dia a todos!

quarta-feira, 11 de outubro de 2023

Exposição do Expresso em Setúbal

Esta exposição com 12 capas do jornal Expresso está montada na Av. Luísa Todi. A exposição está montada a uma altura estranha: é para ser vista por crianças?
Uma pessoa só passa nas traseiras do banco, com grande dificuldade. Há gente idiota! 
Esta exposição é o que se costuma dizer 'para mostrar trabalho' porque ninguém vai ter pachorra para a ver, nem para arranjar uma dor de costas.

Ver o comentário da Maria a este post, que explica este banquinho.

sexta-feira, 1 de outubro de 2021

Citações


 

(...) sabemos que o amor é essencial. O amor e a amizade. São o tipo de laço que nos amarra ao mundo.

(...) o essencial são as relações .


- De uma recente e imperdível entrevista a Hervé Le Tellier no Expresso.


Para o JAD, com votos de feliz aniversário e um Outubro em grande.



quinta-feira, 26 de novembro de 2020

Publicidade enganosa


Quem leu o texto de Maria João Avilez sabe que aquilo não é uma entrevista. O filho de Francisco Sá Carneiro não quis dar nenhuma entrevista, teve uma pequena conversa com Maria João Avilez que até reproduz afirmações que ele lhe pediu para ela não colocar. Uma vergonha!

quarta-feira, 22 de abril de 2020

terça-feira, 21 de abril de 2020

Pensamento ( s )


(...) Em momentos diferentes da nossa vida , quando não é claro o que podemos fazer ou por onde começar, estendamos a mão a uma vassoura. A vassoura vai sujar-nos as mãos e ensinar-nos, desse modo, uma imensidão de coisas às quais, de outra maneira, dificilmente acederíamos. O poeta Charles Péguy escreveu, com razão, que quando nos recusamos a sujar as mãos no cuidado da vida acabamos rapidamente por ficar sem mãos. É um facto : muitas vezes vivemos sem mãos, perdemos as nossas mãos lá atrás em alguma etapa do caminho, esquecemo-nos do seu significado, da sua função, e, por anos e anos, não temos consciência disso.
A vassoura - e o que ela simboliza - realiza também um providencial movimento de resgate em relação a nós próprios. (...)

- José Tolentino de Mendonça, em crónica publicada no Expresso.

terça-feira, 23 de abril de 2019

Números



Em 2009, venderam-se em Portugal 14,9 milhóes de livros. De então para cá, foi sempre a descer. No ano passado, os portugueses compraram apenas 11,7 milhões de exemplares. Uma redução de 21,5% numa década (...)

- José Mário Silva, in Expresso, 19 de Abril de 2019.

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Pensamento ( s )




(...) Somos todos experiência do inacabado, indagação no incompleto, na dureza e opacidade de pedra que, não raro, é a do tempo que nos cabe viver. E a esperança não nega ou contradiz isso. A esperança é uma gestação espiritual que ocorre precisamente nessas circunstâncias. É a esperança que entreabre, que faz descobrir, para lá das duras condições, possibilidades ainda escondidas. A esperança , se quisermos, é a arte de acolher pacientemente a vida e partir daí para um trabalho incessante de ressignificação ( que é, como sabemos, em grande medida, um trabalho de reconciliação ). A nossa existência, do princípio ao fim, é o resultado de uma aprendizagem da esperança, e só ela é capaz de dialogar com o futuro e de o aproximar.

- José Tolentino Mendonça, O pouco que sabemos da esperança, in Expresso 



Também uma singela homenagem ao Padre Tolentino, novo Prefeito da Biblioteca Vaticana e dos Arquivos Secretos, e elevado a arcebispo pelo Papa Francisco.

terça-feira, 8 de maio de 2018

Citações


(...) Quando Soares cometeu o erro terminal de se candidatar à presidência contra Cavaco, outro erro que lhe custou caro, Sócrates apoiou-o e aproximou-se. Não sei se por calculismo, Soares era o chefe histórico, se por admiração. Ou pelas duas razóes. Nasceu dessa derrota uma amizade que Soares honrou até à morte. Zenha, o grilo falante da consciência, talvez tivesse percebido Sócrates. Ou talvez não. Não interessa. A velha gente que se reuniu em Bad Munstereifel para fundar o socialismo democrático em Portugal não compreenderia a gente novíssima que tomou de assalto todos os partidos e neles se instalou como numa sinecura.

- Clara Ferreira Alves, no Expresso da semana passada .

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Pensamento ( s )



(...) Os editores começaram a publicar o sabor do mês, a jovem promessa, e os críticos a considerar génio todo o autor ignoto que não lhes ameaçasse a sapiência ou preponderância. O mundo editorial povoou-se de nulidades que criaram a sua legião crítica. Aspirantes acreditaram-se consagrados. Aqui ou em Manhattan . E a tecnologia e a rede, democratizando a informação, propondo a indiferenciação algorítmica como método científico, deram o golpe de misericórdia. O Google não quer saber o que distingue um amor de Swann do " Swan Lake ". O conhecimento tornou-se uma ficha bem ou mal tirada .

- Clara Ferreira Alves, in Expresso de há quinze dias .

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Pensamento ( s )



(...) Um exercício que devemos repetir mais vezes é recordar ( voltar a trazer ao coração, literalmente ) os lugares onde experimentamos consolação. Esses lugares, amiúde inesperados, guardam um precioso ensinamento. Se quisesse eu próprio falar de um lugar de consolação recente na minha vida teria de referir o campo de concentração de Westerbork, na Holanda, onde estive em peregrinação o verão passado.Foi nesse epicentro da dor que, ao lado de milhares de outros mártires do século XX, esteve prisioneira Etty Hillesum. Recordo-me de passar um par de horas, deitado sobre a erva, a escutar o vento. Apenas isso. Mas senti uma comunhão profunda com o grito e o perdão que se pode ler quer nos escritos de Etty, quer no destino silencioso de tantas vidas. E, sem que as pudesse deter, as lágrimas lavaram-me o rosto várias vezes. As vezes necessárias para que ficasse limpo.

- José Tolentino de Mendonça, no Expresso do passado Sábado .

sábado, 20 de maio de 2017

De uma entrevista de Pérez-Reverte - 4

Reuters

«[...] convém ter presente uma coisa: não há nada para inventar ou descobrir. O novo é apenas aquilo que já foi esquecido. Nós, os homens modernos, somos tão estúpidos que acreditamos que fazemos coisas novas, mas não. Tudo já foi dito. Quando um escritor lê o teatro de Sófocles, de Eurípedes, de Aristófanes, está tudo ali. O adultério, o enigma, a viagem. Tudo. O que acontece é que, nos distintos momentos da humanidade, os artistas tomam para si os temas eternos e vão-lhes dando uma forma adequada aos eu momento histórico. E assim renovam esses grandes temas. os génios, de uma forma genial. Os medíocres, de forma medíocre. mas os temas essenciais estão sempre aí.»

Arturo Pérez-Reverte, em entrevista ao Expresso, 1 out. 2016
(Estava no monte à espera de ser lida.)

terça-feira, 16 de maio de 2017

Citações : Ainda Fátima


(...) muitos outros fenómenos semelhantes, desde a Senhora da Rocha, aqui em Carnaxide, junto a Lisboa, à Senhora da Lapa, na Beira Alta, e a tantas outras Senhoras, existem sem que nenhum deles se tornasse o que é hoje Fátima em Portugal e no mundo. E a resposta a este - porquê Fátima ? - é que é difícil.
Não fui tocado pela graça da fé em Nossa Senhora de Fátima. Mas vejo e sinto, e quase as invejo, que milhões de pessoas em todo o mundo foram. E vão estrada fora, confiantes,sinceramente confiantes de que esse sacrifício, essa peregrinação lhes traz vida, amor, saúde, bem-estar. Olhá-los como labregos enganados ou farsantes que apenas querem mercadejar é tão pouco que me parece indigno.
Se mais nada existisse senão em 100 anos fazer daquele pedaço de nada o que é hoje o Santuário de Fátima, já seria um grande milagre. Se apenas fosse um negócio, já muitos certamente o teriam copiado.

- Henrique Monteiro, no Expresso do passado Sábado.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Citações



(...) Os argumentos de Le Pen , que exploram de forma inteligente os medos, a ansiedade, a desilusão e a insegurança de grande parte do eleitorado, não resistiram.Caíram por terra e deixaram os próprios dirigentes da Frente Nacional publicamente desiludidos e desmotivados.
Podia ter sido um candidato socialista a assumir o confronto, podia ter sido Mélenchon a tentá-lo, podia até ter sido um conservador católico como Fillon. Mas foi um liberal centrista a protagonizar uma conquista inequívoca, com as suas ideias e argumentos.
Foi uma vitória brutal e desagradável, com expressões como " imbecil " e " idiotices ". Mas esse caminho menos óbvio, o do debate frontal e sem medo, era o único para que o populismo não estava preparado. A esquerda devia agradecer a Macron, em vez de o tentar estupidamente colar a Le Pen. Foi ele que a ridicularizou e mostrou os seus limites e fraquezas a todo o país.

- Ricardo Costa, no Expresso.

Uma polémica ?


É ao autor deste livro que Maria Filomena Mónica se atira como gato a bofe no Expresso do passado Sábado , e se o tom e o conteúdo podem ser aqui e ali excessivos, as últimas frases do artigo merecem reflexão :

(...) Os docentes que, em vez de se apresentarem como intelectuais especializados numa certa disciplina, se armam em guias morais e activistas políticos, estão ipso facto a abandonar a função para que foram contratados. Não é assunto menor. Ao impedir que os alunos pensem livremente, os novos mandarins estão a cometer um crime. 

As reacções nas redes sociais não se fizeram esperar, contra e a favor da autora, pelo que talvez surjam outros desenvolvimentos ...

terça-feira, 18 de abril de 2017

Citações

Pietá Rondanini, mármore, 195cm, Castello Sforzesco, Milão.

(...) Até poucos dias da sua morte, Miguel Ângelo trabalhou noutra pietá, a chamada Pietá Rondanini. Ele tinha-a começado 12 anos antes e abandonado. Em 1563 volta a ela com um gesto inesperado : quebra o corpo de Cristo que havia esculpido para refazê-lo agora a partir do próprio corpo da mãe, em comovente fusão, a ponto de ser impossível dizer qual dos dois transporta o corpo do outro. O tom daquela pedra é humaníssimo, dolentíssimo, inexplicável. É o contrário da impassibilidade da primeira pietá. Mas não temos de escolher : uma e outra são maneiras possíveis de confessar a fé pascal.

- José Tolentino Mendonça, no Expresso.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Pensamento ( s )



(...) No prefácio a " Je me suis beaucoup promené " ( 1995 ), que inclui duas jubilosas visitas a Portugal, Déon sugere que a viagem é a ocupação natural de um céptico. Um céptico não tem de ser um eremita : se anda pelo mundo é para o conhecer bem, para o gozar enquanto pode e depois para lhe escrever um obituário memorável.

- Pedro Mexia, no Expresso do passado Sábado.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Citações



(...) do pudor reverencial com que alguma esquerda ainda hesita em classificar Estaline como aquilo que ele, sobretudo, foi : um assassino sádico e irracional. De facto, a grande diferença é que Hitler foi um psicopata e um assassino de massas, mas em obediência a um programa político anunciado no Mein Kampf e que os alemães sufragaram, enquanto que Estaline foi um assassino sem causa, que se arvorou como grande líder sobre o heroísmo dos russos e aquilo a que Pasternak um dia chamou " a nossa maldita capacidade de resistência ao sofrimento " . Mas até nos pormenores reveladores ele não ficou atrás de Hitler : também perseguiu e matou judeus, ciganos e homossexuais. O grande problema moral que Estalina coloca a uma certa esquerda é que a biografia de Montefiore não revela nada que não se soubesse já há muito tempo. E, durante todo esse tempo, duas gerações de intelectuais e militantes de esquerda não quiseram ver a verdade que bradava aos céus. A jornalista francesa Dominique Desanti, ex-militante do PCF, conta essa história num livro justamente chamado " Les Staliniens " , publicado há mais de 30 anos. Já toda a gente sabia tudo, então : Sartre, Picasso, Aragon, Moravia e tantos outros. Todos sabiam e todos calaram. Aos que estão vivos, talvez lhes faça bem recordarem.

- Miguel Sousa Tavares, no Expresso do passado Sábado .

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Citações



(...) Um traficante de sangue é um canalha. Uma hierarquia do tráfico de sangue é constituída por canalhas. E os amigos dos traficantes de sangue canalhas são. Não enterremos este assunto como enterramos tudo, na primeira página dos jornais .

- Clara Ferreira Alves, no Expresso do passado Sábado .

Fez-me confusão na altura, como terá feito a muita gente, a contratação de José Sócrates ( sempre ele ... ) pela Octapharma, a poderosa multinacional monopolista do sangue em Portugal por via de concursos públicos . Agora, 180 milhões de euros depois e com os concursos sob suspeita, já percebo melhor . Uns vampiros mesmo, que até o sangue dos portugueses não deixaram em paz ...

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Pensamento ( s )


( Jean-Yves Piton, Dans le regard de l'autre )


(...) Escolhemos passar ao lado e ignorar. Olhamos, mas não vemos nem queremos ver. O consumo ( e também o há nas relações interpessoais, não apenas no que respeita aos bens ) supõe, pelo contrário, a supressão de toda a distância. À sua maneira é também uma forma de ignorar o outro, mas agora pelo movimento invasor, pela devoração e pela posse. Usamos os outros em função das nossas necessidades : verdadeiramente não os encontramos. Por isso, é tão importante reconhecer que só a atenção dota o olhar de uma significação ética. Só somos justos com aqueles que miramos demoradamente, num exercício que coloca a hospitalidade como condição do conhecimento. Ou mesmo como condição do resgate. Não é por acaso que Simone Weil, que ao tema dedicou uma agudíssima reflexão, escreveu que " o que nos salva é o olhar " .

- José Tolentino Mendonça, no Expresso do passado Sábado .