Prosimetron

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sábado, 15 de janeiro de 2011

Os meus franceses - 120


Stromae, pseudónimo de Paul Van Haver, nascido em 1985 em Bruxelas, de pai ruandês, é um autor-compositor-intérprete belga. Talvez ficasse melhor na secção «Os meus belgas» do Luís...
Alors on danse! Boa noite!

O candidato Coelho

O candidato presidencial José Manuel Coelho, que já pode ser considerado o nosso maior entertainer político, substituindo o calejado Alberto João, visitou ontem o Palácio de Belém, informou-se e depois declarou aos jornalistas que há despesismo na Presidência da República, concluindo com esta frase: " A Presidência da República Portuguesa fica mais cara do que a Casa Real Espanhola."
Deve ter sido das coisas mais acertadas que já sairam desta boca.

Ainda o Irão...

Paulo Coelho foi publicado no Irão durante uma dúzia de anos, mas agora acabou-se. Os seus livros passaram a ser proibidos, sem que tenha havido uma qualquer explicação oficial.
Ainda não vi esta associação feita em lado nenhum, mas terá alguma coisa a ver com a recente biografia sobre si publicada e onde foram desvendados episódios pouco conhecidos do seu agitado passado ( doença mental, drogas, seitas e vida amorosa atribulada) ? Parece-me bastante plausível...

Mahalia

A rainha do Gospel, Mahalia Jackson (1911-1972), uma das vozes do Séc.XX.

E já que se falou de Marcello Mastroianni...


Este quadro esteve exposto no Museu de Roma, em Trastevere (Roma), em Jun.-Jul. 2010, na mostra Il Cinema Italiano al Tempo della Dolce Vita. Infelizmente, não apontei o nome do autor.

Lá fora - 94 : Moebius

Está patente na Fondation Cartier, em Paris, a primeira grande exposição organizada na capital francesa sobre Jean Giraud (1938-), um dos maiores artistas da Nona Arte das últimas décadas e que assinou dezenas de álbuns com os pseudónimos Gir e o famoso Moebius.
São 300 pranchas de BD, telas e desenhos para filmes que demonstram o enorme talento de Giraud.
Por cá, "dilui-se", mas em Paris reconhece-se a autonomia da Banda Desenhada.




Moebius-Transe-Forme, na Fondation Cartier pour l'art contemporain, Paris, até 13 de Março.

LENDO O JORNAL AO FIM-DE-SEMANA


Mary Cassatt - Mulher a ler
Óleo sobre tela, 1878–1879
Omaha (Nebraska), Joslyn Art Museum


pântano. cobra. destino. há palavras que soam como um tiro.
há rios que matam como quem escreve a sua morte.
que fazer, então?
soletrar o latim das mãos.
repor o gesto em sua respectiva sombra.
entreagr-se a uma dor auspiciosa. inalterável.
exemplum:
uma vez foi Inverno neste poema.
portanto nunca mais deixou de o ser e ainda ontem lhe senti o frio.
pequeno Aristóteles.
rasguemos porém o falso conforto da palavra. sua ferida nómada.
outros animais, de cio em riste, lhe vêm rasgar pela noite
a exilada filosofia.
trata-se de uma questão de informação.
vorazes linhas com o calor branco das notícias percorrem os dedos
até ao limite máximo da luz:
no campo de El Bureij as mulheres correm para ir às compras.
(ooh, pequeníssimo Aristóteles…)
é aqui, nesta fenda do coração, que celebramos a perfeição dos crimes.
porque não vens a minha casa contemplar a aparência
tomar um copo?

José Oliveira (1959-)
In: Melancolismos. Lisboa: Inapa, 1989, p. 53

Biografias, autobiografias e afins - 91


Jules Léotard ( 1842-1870), foi o primeiro rei do trapézio, um artista idolatrado no seu tempo, especialmente pelas mulheres, facto a que não seria alheia a sua forma física e os trajes bem justinhos ao corpo...
Apesar da morte prematura, aos 28 anos, teve ainda tempo de escrever umas memórias, agora reeditadas na fantástica colecção le Temps retrouvé.


Pironettes et collants blancs. Mémoires de Jules Léotard le premier des trapézistes.1860
, col. le Temps retrouvé, Mercure de France, 116 p., €12.


Mais uma curiosidade estatística-
Nesta rubrica, que já leva quase uma centena de obras recenseadas, acabo de ver qual a mais visitada até hoje: a biografia não autorizada de Carla Bruni, de que aqui falei em Setembro, com 900 e tal visualizações. L' air du temps...

Mi ricordo, si, io mi ricordo

Para o Luís juntar à sua rubrica de números: "1 000 000 DE CIGARROS".

Foto retirada daqui

1 000 000 DE CIGARROS
«E, agora para variar, vamos acender outro belo cigarro. É absurdo. Pensando bem, mais ou menos a cinquenta cigarros por dia durante cinquenta anos, faz quase um milhão de cigarros. O bastante para escurecer o céu de Roma. Mas porquê? Já se sabe que faz mal: apesar disso continua-se. Servirá para preencher os vazios?
Contudo, embora admitindo que faz mal, não posso com os americanos. Têm de parar com essa. O que querem eles? Meter-nos num ghetto, a nós fumadores? Deixem que cada um viva e morra como quiser. Pronto: faz mesmo mal.»

*Marcello Mastroianni, Eu Lembro-me, Sim, Bem Me Lembro, Lisboa: Teorema, 1997, p.39 (trad. José Colaço Barreiros)





" Mi ricordo, si, io mi ricordo foi filmado em Setembro de 1996, no norte de Portugal, onde Marcello Mastroianni estava a rodar um filme. O grande actor ainda pôde ver todo o material; foi ele que escolheu o título. Este livro é a sua transcrição." (p.5)*
Nota - Mi Ricordo, si, io mi Ricordo foi realizado por Anna Maria Tatò, durante a rodagem de Viagem ao Princípio do Mundo, de Manuel de Oliveira.

Cá está!

Lisboa: mais uma biblioteca pró galheiro

A LUSA distribuiu há dois dias uma notícia intitulada «Câmara Municipal reestrutura Bedeteca». Só que não há nenhuma reestrutuação, mas sim a diluição da Bedeteca na Biblioteca Municipal dos Olivais, passando aquela a ser uma secção de livros de banda desenhada nesta. Diferente, muito diferente.
«"É preciso racionalizar e não se pode perder espaço e recursos. É uma questão de articular funcionalidades. A equipa [da Bedeteca] mantém-se e as actividades também na medida das disponibilidades financeiras"», disse Francisco Motta Veiga, director municipal de Cultura da CML. Que equipa é que se mantém?
«A Bedeteca Municipal de Lisboa foi inaugurada a 23 de Abril de 1996 no Palácio do Contador-Mor, nos Olivais, onde está sedeada também a Biblioteca Municipal daquela freguesia. Durante quase uma década, a estrutura funcionou como um centro cultural dedicado à banda desenhada, ilustração e cartoon, com uma valência de preservação documental e outra de divulgação e apoio a esta expressão artística, com lançamentos editoriais e exposições.»
À frente da Bedeteca de Lisboa esteve João Paulo Cotrim, desde a sua criação até 2002.
«A Bedeteca, que possui cerca de 8000 volumes, apoiou a edição de novos autores de banda desenhada, realizou exposições, encontros de promoção de leitura e o Salão Lisboa de Banda Desenhada e Ilustração, tendo sido elogiada, sobretudo na viragem do século, por ter impulsionado novos valores da BD contemporânea.
«"A Bedeteca está reduzida a um conjunto de estantes numa sala, perdeu-se a componente de preservação da memória e o estímulo à produção", lamentou João Paulo Cotrim à agência Lusa.
Para o antigo director da Bedeteca, a integração do organismo como um serviço especializado da Biblioteca Municipal dos Olivais é "um desrespeito pelos mais de dez anos de trabalho da casa". "Nunca se produziram tantos ensaios e reflexões sobre a banda desenhada, ilustração e cartoon como naquele período. Havia gente a pensar e a escrever sobre exposições e autores", disse João Paulo Cotrim.

Lisboa: Bedeteca, 1998
«João Fazenda, Isidro Ferrer e Lorenzo Mattotti foram alguns autores da banda desenhada portuguesa e estrangeira que a Bedeteca editou e ajudou a divulgar.»

Lisboa: Assírio & Alvim: CML, 1998-2000. 2 vols.
Foi também desse tempo a publicação de uma História de Lisboa, em 2 volumes, da autoria de A. H. de Oliveira Marques e de Filipe Abranches. Esta obra teve tradução e edição em França e em Itália.

Ao café


Alexander Deineka (1899-1969) - Mulher lendo, 1934


Bruxelles: Castermann, 2010
Este livro faz parte de uma colecção de guias de viagem que propõe a descoberta de uma cidade através de um ilustrador e de um personagem da BD.
Os itinerários, organizados por zona da cidade e por temas, vão-nos dando a conhecer a história e historietas da cidade, os seus locais principais, bem como alguns restaurantes e cafés emblemáticos.
Como sou fã de Schuiten, de Bruxelas e de guias, folheei este que adorei e recomendo.

Em português - 70

Uma diva dos anos 20 e 30, Lina Demoel. Para todas as Marias, que em Portugal são realmente muitas.

Auto-retrato(s) - 79

Peter Paul Rubens, Auto-retrato com Isabella Brant no Honeysuckle Bower, 1609, óleo sobre tela, 178x136,5cm , Alte Pinakothek, Munique.

Um auto-retrato de felicidade conjugal: O pintor com a sua bela primeira mulher, Isabella Brant, modelo de vários artistas flamengos. Felicidade brutalmente interrompida pela morte de Isabella, aos 36 anos, de peste bubónica.

Há 100 anos




«Em 15 de Janeiro de 1911, António José de Almeida funda em Lisboa o jornal República. Este, depois da fragmentação do Partido Republicano Português, seria o órgão de imprensa do Partido Evolucionista, permanecendo durante o salazarismo como o principal órgão afecto à Oposição.»
(Fundação Mário Soares - http://www.fmsoares.pt/aeb/crono/id?id=00811)

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

In Memoriam - Yukio Mishima

Yukio Mishima (Kimitake Hiraoka) nasceu a 14 de Janeiro de 1925 em Tóquio

Yukio Mishima
(wikipedia)

Yukio Mishima’s Death Poem

A small night storm blows
Saying ‘falling is the essence of a flower’
Preceding those who hesitate

Yukio Mishima

Boa noite!


Jan Blockx (1851-1912) - Vlaamse Dans = Flemish Dance

Bom passeio, Jad!


Charles-Louis Girault (1851–1932) - Arco triunfal do Palácio do Cinquentenário, 1906 (Bruxelas, Parque do Cinquentenário)

BÉLGICA

Bélgica dos canais de labor perseverante,
Que a usura das cousas, tempo afora,
Tempo adiante,
Fez para agora e para jamais
Canais de infinita, enternecida poesia…

Bélgica dos canais, Bélgica de cujos canais
Saiu ao mar mais de uma ingénua vela branca…
Mais de uma vela nova… mais de uma vela virgem…

Bélgica das velas brancas e virgens!

Bélgica dos velhos paços municipais,
Húmidos da nostalgia
De um nobre passado irrevocável.

Bélgica dos pintores flamengos.
Bélgica onde Verlaine escreveu Sagesse.

Bélgica das beguines,
Das humildes beguines de mãos postas, em prece,
Sob os toucados de linho simbólicos.
Bélgica de Malines.
Bélgica de Bruges-a-morta…
Bélgica dos carrilhões católicos.

Bélgica dos poetas iniciadores.
Bélgica de Maeterlinck
(La Mort de Tintagiles, Pelléas et Mélisande.)
Bélgica de Verhaeren e dos campos alucinados da Flandres.

Bélgica das velas ingénuas e virgens.

Manuel Bandeira
In: Poesias completas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1940, p. 86-87

Justiça

Lucas Cranach - Justiça

Joos van Cleve

Joos van Cleve (ca 1480/1490-1540) - Jesus beija João
Bruxelas, MRBA

Quotidianos - 53


Renoir - Les pécheuses de moules à Berneval, 1879
Merion (Pensilvânia), The Barnes Foundation
X
De certeza que alguém vai hoje comer moules. Só se as não encontrar.

Leituras no Metro - 39


2.ª ed. Alfragide: Asa, 2010
Este livro, cuja 1.ª ed. saiu em 2006, deve ter tido agora nova edição devido à publicação, entre nós, de Bibliotecas cheias de fantasmas, de Jacques Bonnet. É o livro mais citado por ele. E percebe-se porquê. Acabei de o ler. E já o passei a alguém que o vai ler. Mas gostei mais das Bibliotecas...


Lisboa: Vega, 1996

Lisboa: Clube Português do Livro e do Disco, 1974

Lisboa: Ed. Associados, ca 1970

«Muitas vezes me perguntei porque conservo livros que só num futuro remoto me poderiam ajudar, títulos afastados dos percursos literários mais habituais, aqueles que uma vez li e não voltarão a abrir as suas páginas durante muitos anos. Talvez nunca mais! Mas como desfazer-me, por exemplo, de O apelo da selva, sem apagar um dos poucos marcos da minha infância, ou de Zorba, o Grego, que com um pranto selou a minha adolescência. De 25.ª hora, e de tantos outros há anos relegados para as prateleiras mais altas, íntegros, no entanto, e mudos, na sagrada fidelidade que nos adjudicamos.
«Amiúde é mais difícil desfazermo-nos de um livro do que obtê-lo. Ligam-se a nós num pacto de necessidade e de esquecimento, como se fossem testemunhas de um momento das nossas vidas ao qual não regressaremos. Mas enquanto aí permanecerem, presumimos tê-los juntado. Vi que muita gente coloca a data, o dia, o mês e o ano da leitura; traçam um discreto calendário. Outros escrevem o seu nome na primeira página, antes de os emprestarem, anotam numa agenda o destinatário e acrescentam-lhe a data. Vi volumes carimbados como os das bibliotecas públicas ou com um delicado cartão do seu proprietário no seu interior. Ninguém quer extraviar um livro. Preferimos perder um anel, um relógio, o chapéu-de-chuva, do que o livro cujas páginas não mais leremos mas que conservam, na sonoridade do seu título, uma antiga e talvez perdida emoção. [...]
«Nós, leitores, espiamos a biblioteca dos amigos, nem que seja apenas para nos distrairmos. Às vezs, para descobrir um livro que gostaríamos de ler e não possuímos, outras para saber o que comeu o animal que temos diante de nós. Deixamos um colega sentado na sala e no regresso encontramo-lo invariavelmente de pé a farejar os nossos livros.» (p. 15-16)


A 25.ª Hora, adaptação cinematográfica (1967) de Henri Verneuil, com Anthony Quinn e Virna Lisi.

Li estes três livros, o segundo depois de ver o filme. O apelo da selva ofereci-o e reli-o há pouco, nesta edição.
O primeiro livro de Virgil Gheorghiu que li foi O homem que viajou sozinho (que adorei) tendo de seguida lido mais dois ou três que, então, estavam traduzidos. Lá continuam na estante e nunca mais os reli.
Pertenço à categoria dos que quando emprestam um livro «escrevem o seu nome na primeira página», melhor, na folha de rosto, a lápis.
Quanto a perder livros, perdi poucos, pouquíssimos, o último dos quais - Filipe III, de António de Oliveira - deixei-o, há anos, no comboio entre Moscovo e S. Petersburgo. E fiquei tristíssima.
Também «farejo» os livros dos amigos. Gosto de saber o que lêem. :)

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Rir é o melhor remédio - 6


Vinheta



Quase, quase a terminar o dia certo, mas ainda coincide a troca de vinheta com a efeméride que achei bem evocar.
A carta de Zola decerto que a cada um despertará múltiplas perspectivas. Podia mencionar a intervenção cívica como virtude, a maleita dos preconceitos, a natureza precária da justiça humana, eu sei lá.
Mas escolhi-a apenas como símbolo do que foi a imprensa e provavelmente já não é, neste turbilhão vertiginoso que a cada dois minutos nos serve nova especulação ou uma outra, em "notícia" requentada.

Boa noite!

Citações - 147

- Wall Street, pois claro.


(...) No nosso contexto, o que chamamos "nervosismo dos mercados" é um conjunto de especuladores financeiros, alguns com fortes ligações a bancos europeus, dominados pela vertigem de ganhar rios de dinheiro apostando na bancarrota do nosso país e ganhando tanto mais quanto mais provável for esse desfecho. (...)

- Boaventura de Sousa Santos, O que está em causa, na Visão hoje posta à venda.

Nem costumo concordar muito com o Prof.Boaventura, mas cada vez me irrita mais este endeusamento dos mercados.

Rock and Roll Hall of Fame- 1

Começando pelas senhoras, e só uma foi um dos três escolhidos para entrarem este ano para o Rock and Roll Hall of Fame, aqui está Darlene Love, uma carreira longa desde os Sixties na música, no cinema e na Broadway. Como já passou o Natal- são dela algumas das melhores Christmas songs das últimas décadas, aqui está algo bem mais agitado...

Um quadro por dia - 127

Felix Valotton(1865-1925), Coucher de soleil à Grâce, ciel orangé et violet, óleo sobre tela, col.partic.


Este belíssimo pôr do sol mudou de mãos há um mês, vendido na Sotheby's de Zurique pelo preço recorde para este pintor de 1,8 milhões de euros.

O chá das cinco - 18


Lilla Cabot Perry (1848-1933) - Uma chávena de chá
Los Angeles County Museum of Art

Auto-retrato(s) - 78


Lilla Cabot Perry (1848-1933) - Auto-retrato, 1892
Califórnia, Bakersfield Museum of Art


Lilla Cabot Perry nasceu em Boston em 13 de Janeiro.

A vida é um jogo entre o o real e o imaginário. A arte ao serviço da publicidade!

"DDB Berlin has altered some world famous paintings. They used works of Dali, Bosh and Magritte. They kept the artists’ specific style but changed the theme to the new Polo BlueMotion. This Polo Bluemotion has an ‘absurdly low consumption’ according to Volkswagen. You can find this low consumption in the paintings. I personally love this style, it’s some amazing artwork!"
(Retirado da Internet)
x

Detalhe


A vida é um jogo entre o real e o imaginário. Neste trabalho o que mais me despertou a atenção foi o tabuleiro de xadrez e a mensagem que na infância todos sonhámos deitar ao mar na esperança que alguém lesse os nossos pensamentos.

A arte colocada ao serviço da publicidade, a História utilizada como veículo de uma corrente do pensamento.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Para JPD


http://www.chefesdecozinha.com/img/editions/56/4/ameixa_delvas4_1.JPG
O aspecto não é o mais convidativo, mas foi o que hoje encontrei. E são oferecidas com todo o gosto.
Boa noite!

Ainda Luise Rainer

Uma sequência de The Good Earth, o filme de 1937 que lhe valeu o segundo Óscar. Com dedicatória especial ao Filipe, naturalmente.

Poemas - 27

- Busto em mármore que é uma das raríssimas representações, além das moedas, de Antínoo, o amante deificado do Imperador Adriano. Data de 130-138 A.C., e pertencia até há um mês a Clarence Day, o falecido grande coleccionador de arte antiga dos EUA. Foi vendido na Sotheby's de NY a um coleccionador europeu por 17,8 milhões de euros, ultrapassando largamente a base de licitação: 1,5-2,5 milhões de euros.

PRANTO DE ADRIANO IMPERADOR


Nunca o silêncio dirá
da dor que cinjo
como o império que sirvo
e a que resisto.


Nem de tão grande amor
dirão meus versos
toda a grandeza. E os rios
mares que chorei.


Serás sempre o meu deus
pátria e destino.
Roma é vertigem só;
a vida instante.


Teu sacerdote ó Antinoos
sou: eterno e amante.


- João Mattos e Silva, in Intemporal, Antologia, desenhos de Luís Silva Moreira, Universitária Editora, 1ªedição, 2003.

Pequenos monstros do nosso tempo... - 8

Este senhor, Hashim Thaci, actual primeiro-ministro do Kosovo, é considerado pelo Conselho da Europa como o principal responsável por uma rede de tráfico de órgãos de prisioneiros sérvios durante as guerras da Ex-Jugoslávia. Já todos sabíamos que as diversas partes beligerantes se financiaram de todas as maneiras que puderam, recorrendo a todos os tráficos disponíveis, mas este senhor, que nega os factos, leva o prémio...
Ontem, como devem ter visto nos telejornais, também um médico foi acusado de cumplicidade nesta sórdida história. O que faz todo o sentido, já que os órgãos não saem por si mesmos...

O Exilado de Cabo Verde

Só há dias é que soube que este nosso concidadão, Manuel Dias Loureiro, está a viver em Cabo Verde. Por cá, não se encontra um único bem penhorável, lá é o dono do maior resort da Ilha do Sal. Puxando pela memória, lembrei-me que no centro do "CASO BPN" estava uma coisa chamada Banco Insular de Cabo Verde, será coincidência? Uma vida verdadeiramente off-shore...

Beckham na Coreia do Norte...

Bend It Like Beckham/Joga como Beckham, filme britânico mas com raízes culturais diversas como podem ver no trailer ou se lembrarão os que o viram, foi o primeiro filme ocidental, embora com partes censuradas, a ser exibido na televisão da Coreia do Norte. Ao menos, foi uma comédia, e não um filme de guerra...

Em português - 69

Sozinho, mais um belíssimo tema de Caetano.
Onde está você agora?-a pensar em ABN, que provavelmente não lerá estas linhas.


Lá fora - 93 : Sexo en piedra





Dizem os arqueólogos, designadamente os espanhóis que organizaram esta exposição, que os homens do Paleolítico não desconheciam o prazer sexual, nem o erotismo, nem eram adeptos apenas de uma posição sexual. Uma dimensão da condição humana que arqueólogos de várias gerações tentaram silenciar ou diminuir a importância, começa a ser vista com outros olhos.


Sexo en piedra
, no Centro Arqueologico de Altamira, Santillana del Mar, perto de Santander, até 23 de Fevereiro.

Luise Rainer

Em ambiente de sublime elegância arquitectónica, talvez a residência nº 54 de Eaton Square em Belgravia passasse despercebida, não fosse uma simples descrição à entrada informar o seguinte: ”Vivien Leigh 1913 – 1967, Actress, lived here”. Esta particularidade, já em si digna de veneração absoluta, junta-se a outra circunstância excepcional: a residente actual desta moradia londrina chama-se Luise Rainer, ganhou o Óscar na categoria de melhor actriz por duas vezes consecutivas e, acima de tudo, celebra hoje 101 anos de existência terrestre. Há um ano, João Soares fez a merecida referência à actriz centenária.

Luise Rainer nasce em Düsseldorf a 12 de Janeiro de 1910. Opõe-se à resistência do seu pai e abandona sua família, de origem judia, aos 16 anos rumo a Berlim. A primeira audição diante de Max Reinhardt, um dos mais importantes realizadores da República de Weimar, culmina num fracasso desastroso, pois a inexperiência de Luise revela-se naturalmente incompatível com o grau de exigência que o papel de Lulu de Frank Wedekind, escolhido pela jovem, requer. Luise consegue, no entanto, o seu primeiro trabalho em palco poucos meses depois em Krefeld. Seguem-se interpretações em Düsseldorf e Viena, onde reencontra Max Reinhardt no conceituado Theater in der Josefstadt. Luise Rainer brilha em peças de Shakespeare e Pirandello.

Na capital austríaca, é descoberta em 1935 por “um assistente qualquer” de um certo americano, chamado Louis B. Mayer - assim nos conta Rainer. Contratada pela MGM, atinge um apogeu, único e quase impossível à luz dos dias de hoje: com apenas 27 anos, conclui três películas e recebe dois Óscares na categoria de melhor actriz em The Great Ziegfeld sob a direcção de Robert Z. Leonard, ao lado de William Powell e Myrna Loy, bem como em The Good Earth, baseado na obra homónima de Pearl S. Buck. Neste segundo filme da autoria de Sidney Franklin, encarna o papel de uma mulher do campo chinesa de modo tão convincente que a esposa de Tschiang Kai-Scheck pensa tratar-se de uma conterrânea sua, pelo que passa a oferecer todos os anos um presente de Natal a Luise Rainer. Em dois anos consecutivos, 1936 e 1937, Luise alcança o maior galardão – facto inédito que viria a ser repetido apenas por Katherine Hepburn trinta anos depois. O mundo dos superlativos acolhe uma nova estrela que se junta a deusas como Greta Garbo, Joan Crawford ou Norma Shearer.

Mas, voltando a Vivien Leigh, tudo o vento levou: Luise Rainer não se conforma com a vivência em Hollywood que se reduz a dinheiro e festas no entender da actriz. O espírito de rebeldia e um matrimónio difícil com Clifford Odets motivam Rainer a abandonar Hollywood. Louis B. Mayer tê-la-á ameaçado com as palavras: “Nós criámo-la, vamos também destruí-la”, ao que Rainer terá ripostado: “Foi Deus quem me criou”. Seguem-se ainda The Emperor’s Candlesticks e The Great Waltz, e a carreira acaba. Luise cai em esquecimento, em esquecimento total, mesmo no seu país natal.


A história de Luise Rainer que sempre se recusou a adoptar um nome artístico apesar das insistências de Mayer, é a história de oportunidades perdidas. O papel principal em “Por quem os sinos dobram” cabe a Ingrid Bergmann, e não a Rainer. O primeiro sucesso de Tennessee Williams na Broadway, The Glass Menagerie, podia contar com a presença de Rainer – a actriz rejeita a sua participação. E em 1960, Federico Fellini implora-lhe o desempenho em La Dolce Vita. Mas Rainer prefere desperdiçar um come-back a rodar cenas de amor ousadas com Marcello Mastroianni.

Ainda assim, a história de Luise Rainer é também a história de uma personalidade que, embora ignorada pelo vasto público, se cruza com os grandes nomes do século passado: Rainer é admirada por Albert Einstein. Rainer apoia Ernest Hemingway durante a Guerra Civil de Espanha. E Rainer ajuda Bertolt Brecht a emigrar para os Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial. Mais de quatro décadas deste percurso por um mundo conturbado são acompanhadas do segundo marido, o publicista suíço Robert Knittel, o grande amor da sua vida.


Na memória efémera da Sétima Arte, esta grande senhora permanecerá talvez como Anna Held em The Great Ziegfeld que, recém-divorciada, telefona ao seu ex-marido (William Powell), congratulando-o pelo novo matrimónio com Billie Burke (Myrna Loy) – e o espectador vê uma lágrima no olhar de Anna. Tal momento inesquecível conferiu a Rainer a alcunha de “Viennese Teardrop”, muito embora as suas origens sejam alemãs.
E algumas biografias destacarão a força e intransigência de Rainer que, em detrimento próprio, se opôs ao sistema e establishment de Hollywood. Numa entrevista ao Frankfurter Allgemeine Zeitung em 2008, a actriz não poderia ser mais explícita: considera abominável a primazia do visual dos artistas, em constante submissão aos papéis a interpretar. Nenhum cirurgião estético pôs mãos em Luise Rainer, assim afirma a centenária. Aos vermos o seu rosto enrugado, mas repleto de ternura e alegria, não nos restam dúvidas …

Museo de la Imprenta y de la Obra Gráfica


Fica no Monasterio de El Puig (Valência) e é o mais importante de Espanha. Mostra o papel que Valência teve na introdução do papel e no desenvolvimento da tipografia em Espanha. Na Sala Gutenberg apresenta com fidelidade uma tipografia do século XV.

Para o Jad.

Trava-línguas

O tempo pergunta ao tempo
Quanto tempo o tempo tem.
O tempo responde ao tempo
Que o tempo tem tanto tempo
Quanto tempo o tempo tem.

Está escrito entre os tapetes rolantes da Estação do Metro Marquês de Pombal, em Lisboa. Mas, por vezes, vamos tão sem tempo que nem tempo temos para lhe prestar atenção.

Leituras no Metro - 38


http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/4/47/Salle_lecture_bibliotheque_Institut_de_France.JPG
Sala de leitura da Biblioteca do Instituto de França.

«À côté de l’imposante et si belle Bibliothèque Mazarine, avec laquelle elle comunique par une porte dérobée, la Bibliothèque de l’Institut de France possède un charme tout à elle, qui tient à son atmosphère de cénacle. Elle est en effet réservée aux membres de l’Institut, et on n’y entre qu’en montrant patte blanche. J’étais là pour consulter les archives de Berthe Morisot,confiées par ses héritiers au musée Marmottan, qui dépend de l’Institut. On m’apporte des boîtes en carton, contenant des lettres, classées avec soin dans des chemises de couleur: à travers témoignages et récits intimes, l avie de Berthe Morisot. Je découvre une centaine de lettres de famille, de parents ou d’amis, […]. J’y trouve quelquer télegrammes sur papier bleu et même une carte postale de reuth, disait l’image. […]
«Lettres sur papiers d’école ou de grand papetier, déchirées d’un cahier ou pliées en quatre, letttres de vacances ou de voyages, letttres de tous les jours, lettres tristes, lettres drôles, lettres pour distraire de l’ennui ou de la maladie, lettres d’invitation ou de remerciements, de faire-part, de voeux ou de condoléances […]. Elles rendent un écho de cês viés, dont le centre et le coeur fut Berthe Morisot. […]

«La première boîte contient les lettres de Berthe Morisot, celles qu’elle a adress+es à son mari, à sa mère, à ses soeurs […]. Son écriture élégante et nerveuse, n’a jamais change. D’un petir format, elle est aussi sobre et efficace, aussi peu emphatique que son coup de pinceau.
«La dernière boîte contient les letters que sa fille a reçues à sa mort. Dans les autres, j’ai pu lire celles que Berthe Morisot a reçues le long de sa vie, du moins celles qui ont échappé à la destruction du temps. La ronde des écritures n’en finissait pas de danser sous mes yeux. Chaque personne était là, vivant, á travers les mots qu’il écrivait; chaque écriture est un portrait.
«Yves Morisot écrit comme une petite fille appliquée, en appuyant les lettres sur du papier quadrille. […] Edma, comme un oiseau […].
«Puvis de Chavannes choisit un papier à lettres monogrammé. Il rédige à l’encre noire, comme il peint, avec une élégance austère, de longues lettres compliquées.

«Mary Cassatt a une écriture pointue; elle use et abuse des paraphes, la barre de ses T traverse la page et ses M majuscules ont l’air d’avoir des jambes en plus. Un style hardi et conquérant vous saute aux yeux.

«La signature de Renoir - «Ami Renoir» - et son style simple, chaud, font abttre le coeur. […]

«Claude Monet use et abuse du papier à letters à l’envers; il faut lire d’abord la page droite et revenir sur la page gauche, comme dans un livre japonais, bien qu’il écriev quand meme de gauche à droite. […]

«L’écriture de Mallarmé, aussi fine qu’un idéogramme, se pose en courts billets, en quatrains, en quelques mots exquis. Ce sont les envelopes, on le sait, qui lui demandent le plus grand soin.»
Dominique Bona - Berthe Morisot. Paris: Grasset, 2002, p.363-367. (Le livre de poche; 15347)