Prosimetron

Prosimetron
Prosimetron: termo grego que designa a mistura de prosa e verso.

sábado, 1 de agosto de 2009

Piaf... de Pam Gems / Filipe la Féria


Hoje fomos ver Piaf. Não foi esta a actriz que interpretou Piaf. Foi Wanda Stuart que fez um magnífico papel. Quase que se esquecia que não era Piaf...
Obrigado a quem me levou.

Domingo - 1

Amanhã é domingo
toca o sino
o sino é de ouro
mata-se o touro
o touro é bravo
ataca o fidalgo
o fidalgo é valente
defende a gente
a gente é fraquinha
mata a galinha
para a nossa barriguinha.

Voar era um sonho: a Passarola de Bartolomeu de Gusmão!

No seguimento do post do Luís deixo aqui a Passarola do jesuíta Bartolomeu de Gusmão.
.
Fig. 1 Gravura austríaca de 1709.

Fig. 2 Gravura de 1774




São Vicente, padroeiro de Lisboa


Foto de Mónica Marques (2008)
Estátua de Raul Xavier (esboços de 1949); passou a pedra (1965-67) depois da sua morte ; inaugurada em 1970.

Pois é, pois é... e o seu dia é 22 de Janeiro e não é feriado. Também os Santos podem ser destronados pelo povo. E é o seu padroeiro desde 1173... e a barca e os corvos da lenda ficaram para sempre como símbolo de Lisboa.

ONDE ME APETECIA ESTAR - 21 : Verona



Ontem perguntava-me o nosso MLV -" onde te apetecia estar? " , glosando uma das minhas "rubricas" prosimetrónicas. Não soube responder, até porque estava muito bem onde estava, mas hoje posso dizer que não me importava de estar umas noites deste mês em Verona, a assistir ao Festival de Ópera na magnífica Arena. No programa deste ano, com récitas até 30 de Agosto, cinco populares, no bom sentido, óperas: Tosca, O Barbeiro de Sevilha, Aida, Turandot e Carmen, com encenações de Franco Zefirelli e Hugo De Ana.

O oitavo mês

Do latim Augustus, Agosto é o oitavo mês do calendário gregoriano, e como já perceberam deve-se a César Augusto, imperador romano que não quis ficar atrás do seu tio-avô Júlio César que já tinha um mês em sua honra, Julho. Tentações onomásticas revividas na França revolucionária- Brumário, Pluvial etc. Por outro lado, continuam os calendários hebraicos e chineses com outros nomes para estes dias que vivemos.

Amanhã em Santa Catarina


Integrado no Festival Lisboa na Rua, que começou a 15 de Julho e se prolongará até 30 de Setembro, temos amanhã mais um aliciante concerto num espaço bem aprazível de Lisboa, o Miradouro de Santa Catarina.
Actuará o Quarteto Arabesco, que interpretará obras de Haydn, Mozart e Beethoven. É às 19h. Parece-me um óptimo final de tarde.

Boas férias!

No Outono há mais, mas para quem as começa agora votos de umas boas férias seja na praia ou no campo, cá dentro ou lá fora. O que importa mesmo é sentir aquele dolce far niente...

Um dos diários do século XX



Aposto que não há ninguém aqui no blogue que não o leu, até porque é um dos dez livros mais lidos no mundo, e estou também convicto de que todos se comoveram com estas páginas inesquecíveis. Vem isto a propósito de que a UNESCO revelou há dias que o Diário de Anne Frank, publicado pela primeira vez em 1947, é um dos 35 bens do património documental mundial propostos este ano para o programa Memória do Mundo. É uma excelente escolha.

Citações - 31 : O padre voador

- Benedito Calixto, Bartolomeu de Gusmão, óleo sobre tela, 1902, Museu Paulista da Universidade de São Paulo.

" (...) O fim de Gusmão foi, infelizmente, trágico como o dos seus primeiros balões. Com apenas 39 anos, morria, de doença e inanição, em Toledo, Espanha, numa apressada fuga da Inquisição, que o levou a tomar nome falso. A perseguição não tinha a ver com as suas invenções ( fez outras além do balão, como um dispositivo para drenar água dos barcos, que registou na Holanda) . Nem com uma eventual paixão por uma amante real(...). Havia uma acusação, bem fundamentada, de judaísmo, um libelo bem perigoso numa época em que o Rei gostava de assistir a autos-de-fé. "

- Carlos Fiolhais, no Público de ontem.

Adriana Mater, Amin Maalouf.

A ópera "Adriana Mater" de Amin Maalouf foi o segundo libreto do autor depois de "O Amor de Longe". Kaija Saariaho compôs esta ópera, para uma criação na Bastilha (Paris) em 30 de Março de 2006, com encenação de Peter Sellars e direcção musical de Esa-Pekka Salonen.

A ópera tem 4 personagens: Adriana; Refka, irmã de Adriana; Yonas filho de Adriana; Tsargo o pai de Yonas e violador de Adriana.


(Adriana canta um velho refrão nostálgico)


"ADRIANA:

Quando se fecham os olhos da cidade,
Revelo a minha voz.
Esta voz que colhi
Num jardim de Outono,
Depois deitei nas páginas de um livro;
A minha voz que trouxe do país
Entre lençóis da cor de enxofre;
A minha voz que introduzi no meu corpete,
Sob as pregas do coração.
(...)"


Amin Maalouf, Adriana Mater, Lisboa: Difel, 2007, p.19.

Sol... sol...

Uma parte anda a banhos

Boas férias! (para quem for)


Cliff Richard - Summer holiday

Cuidado com o sol! - 1


Anúncio de Charles Loupot, s.d.

lembrando Frank Capra: Arsenic And Old Lace!

João (Soares) continuo na onda dos seus posts. Adoro este filme acho-o genial!
É um filme de 1944, baseado numa peça de teatro com o mesmo nome. A peça é de Joseph Kesselring e foi adaptado para o cinema por Julius J. Epstein.

The Beatles - Let it be!

Hoje apeteceu-me ouvir isto. Espero que nunca tenha sido colocada esta canção!

sexta-feira, 31 de julho de 2009

A Jovem Vitória


(L'Illustration, Paris, 25 Ago. 1855)

Marselha homenageia Saint-Exupéry


Passam hoje 65 anos sobre o desaparecimento de Saint-Exupéry. A cidade de Marselha organizou uma série de iniciativas para assinalar a data, com destaque para a inauguração da exposição Terre des Hommes, Invitation au Voyage.
Mais informações em: http://www.marseillesaintex.net/

Adivinha


Que é, que é, que tem um dente e chama por toda a gente?

Abel Manta


Abel Manta - Auto-retrato com cachimbo
Óleo sobre tela, ca 1928
Lisboa, col. João Abel Manta



Abel Manta - Jogo de Damas
(Encontram-se representados o próprio artista e a mulher, pintora Clementina Moura)
Óleo sobre tela, 1927
Lisboa, Museu do Chiado



Abel Manta - Rua S. Bernardo
Óleo sobre tela, 1928
Lisboa, col. João Abel Manta

Leonard Cohen - 1970

É uma das minhas preferidas de Leonard Cohen, senão mesmo a preferida, e curiosamente ainda não foi trazida aqui ao blogue. Aqui fica Suzanne, interpretada no Festival da Ilha de Wight no Ano da Graça de 1970.

Quais os limites?

Lembram-se desta senhora? A espanhola Maria del Carmen Bousada de Lara teve os seus 15 minutos de fama em 2006 quando se tornou a mulher mais velha do mundo a dar à luz, quando já contava 66 anos de idade. Foi nos Estados Unidos, depois de ter falsificado os documentos que atestavam a sua idade, que conseguiu finalmente ser fecundada in vitro.
Em 2007, nasceram os dois filhos, Cristian e Pau, hoje com dois anos de idade.
Como já devem saber os mais atentos às notícias, a alegria de Carmen Bousada foi efémera: morreu de cancro no passado dia 11 de Julho em Barcelona.
Evidentemente, a doença foi um absoluto imprevisto na vida desta mulher, finalmente realizada pela maternidade, mas ainda que não tivesse sido vitimada pela doença, estamos a falar de alguém que quando os filhos estivessem na adolescência estaria a caminho dos 80 anos! Os limites devem ser traçados, e são pela maior parte dos países, mas haverá sempre casos de fraude como este ou de cumplicidades médicas a troco de dinheiro, pelo que é junto das próprias interessadas que algum trabalho psicológico deveria ser feito. E agora, qual o destino destas crianças? Provavelmente a adopção, que espero seja rápida.
Entretanto, fiquei a saber que o "recorde" já não pertence à infeliz Carmen, pois foi batido o ano passado por uma indiana de 70 anos...

Citações - 30 : Uma declaração pouco habitual...

O Expresso da semana passada trazia uma longa entrevista com Teresa Ricou, artista e fundadora do Chapitô, recentemente distinguida pela Fundação Gulbenkian. Uma entrevista bastante interessante, que provavelmente estará on-line no sítio do jornal. Retive uma resposta da Tété ( nome artístico da entrevistada ) que me chamou a atenção:

" (...) Sou boa noutras coisas, mas não lhe posso dizer... Fui conhecida como a melhor cama de Lisboa. Já estou de barriga cheia. Agora quero é continuar a escola no porto de Lisboa, conseguir avançar para o quarto ano da especialidade. Já falei com quatro universidades."

Convenhamos que é pouco habitual uma figura pública fazer tais revelações, mas lá que desperta a curiosidade é inegável.

Walking back to happiness

O cantor norte-americano Bobby Vee, lamentavelmente caído em esquecimento, dá-nos um exemplo de altruísmo: perdeu a sua namorada, todavia pede ao seu sucessor que tome conta do seu (ex) baby. Em 1961, as relações não terminavam em rancor ou raiva ...


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Lisboa: Rua da Assunção

Lembrando Alfred Hitchcock, um dos filmes que gosto: Rebecca!

Depois de ler os post do João (Soares) lembrei-me deste filme que adoro: Rebecca com Laurence Olivier e Joan Fontaine nos principais papéis. Espero que este trailer não tenha sido já colocado!

Pelo Jazz que andava adormecido (4) Didier Lockwood e Stephane Grappelli

Chegou a vez dos instrumentos de corda: Charles Mingus é um dos maiores baixistas mas hoje não o consegui ouvir.
Adoro os dois violinistas que apresento, o Didier pude ouvir ao vivo e o Grapelli não. Como foi difícil a escolha deixo os dois.

Didier Lockwood Trio - Les Valseuses


Stephane Grappelli Plays "How High The Moon"

Amália Rodrigues, um poema!


Lágrima


Cheia de penas me deito
E com mais penas me levanto
Já me ficou no meu peito
O jeito de te querer tanto

Tenho por meu desespero
Dentro de mim o castigo
Eu digo que não te quero
E de noite sonho contigo

Se considero que um dia hei-de morrer
No desespero que tenho de te não ver
Estendo o meu xaile no chão
E deixo-me adormecer

Se eu soubesse que morrendo
Tu me havias de chorar
Por uma lágrima tua
Que alegria me deixaria matar

Amália Rodrigues

quinta-feira, 30 de julho de 2009

1939 - “Paixão Mais Forte” / “Golden Boy”

O filme que lançou William Holden, sob o alto patrocínio de Barbara Stanwyck.


Enredo
Joe Bonaparte (William Holden) é um jovem estudioso num bairro pobre e italiano de Nova Iorque. Adepto do violino, prefere aprimorar a sua arte em vez de se dedicar a um emprego tradicional, vocação em que é apoiado pelo pai (Lee J. Cobb, que interpreta o papel aos 27 anos). Apercebendo-se que a sua vida nunca mais muda a não ser que ganhe dinheiro depressa, Joe decide apostar no seu outro talento, o boxe, apesar da oposição paterna.

Sob a égide do treinador Tom Moody (Adolphe Menjou), a sua carreira de boxeur começa a apresentar resultados. Ao mesmo tempo, conhece a assistente e amante de Moody, Lorna Moon (Barbara Stanwyck). Hesitante entre pai e boxe, Joe começa a retrair-se para não magoar os dedos. Lorna, para ajudar Moody, começa um processo de sedução e convencimento de que o futuro está no boxe, corrompendo os valores do jovem músico / boxeur. Apesar do mote inicial ser puramente interesseiro, Lorna começa a envolver-se emocionalmente, e o feitiço lentamente vira-se contra a feiticeira.

A carreira de Joe vai progredindo, mas não a um ritmo que o satisfaça; passa então para a esfera de outro gestor de carreira, Eddie Fuseli (Joseph Calleia), que se revela um escroque. Em paralelo, descobre que já não consegue tocar o violino, perante a angústia do pai.

A epifania surge quando um dos seus adversários morre no ringue: Joe abandona o boxe, regressa ao violino e conquista os afectos de Lorna.

Notas de produção
Realizado pelo veterano Rouben Mamoulian, o filme é um produto de um dos estúdios mais pequenos de Hollywood, a Columbia Pictures. O argumento é baseado na peça de sucesso de Clifford Odets, do mesmo nome.

A presença de William Holden (que viria a ser considerado pelo AFI o 25º “greatest actor” de cinema) esteve várias vezes por um fio. Em primeiro lugar, porque a Columbia queria utilizar Richard Carlson, mas este estava em palco; em segundo lugar, houve 5,000 candidatos ao papel, e Holden não possuía créditos que o distinguissem (apenas duas aparições não creditadas – Mamoulian e Stanwyck fizeram lobby a seu favor); e em terceiro lugar, porque os produtores, pouco impressionados pelas primeiras filmagens, tentaram afastá-lo (mais uma vez, foi Barbara Stanwyck a intervir para o manter).

Holden trabalhou arduamente para justificar a sua valia: para além de uma semana de treino intensivo de violino e boxe, treinava boxe duas horas e violino uma hora e meia por dia para parecer mais realista. Curiosamente, uma cena de boxe em que ficou inconsciente, altamente realista aos olhos do actor, foi descartada por Mamoulian por… não parecer realista.
Todos os anos, no aniversário do início das filmagens, William Holden enviou flores a Barbara Stanwyck. Em 1978, durante a cerimónia dos Óscares, antes da apresentação do prémio para Melhor Som que era anunciado por Holden e Stanwyck, Holden fez um agradecimento público a Missy por ter lutado por ele (momento já apresentado no Prosimetron).

Reacções

O filme foi nomeado para o Óscar de Melhor Banda Sonora, de Victor Young. Foi um sucesso de crítica e de bilheteira, detendo o estandarte de ser o filme não realizado por Frank Capra de maior sucesso da Columbia por sete anos.

Graham Greene comentou-o da seguinte forma: “Tem um efeito de close-up vigoroso e duro… a verdadeira estrela é Mamoulian. Pode ver-se a qualidade de um realizador pelos seus close-ups, e eu colocaria a cena final de boxe entre as melhores sequências do sonoro.” A mesma cena é elogiada por Frank S. Nugent no “The New York Times”: “É uma cena de comentário social cinemático eloquente e selvagem.” Complementa o seu comentário habilmente: “É um filme interessante, dramático, de bom entretenimento, mas dificilmente se poderia classificar de primeira água.”

Elliot Stein, no “Village Voice”, avança para o elogio de Holden: “William Holden tornou-se uma estrela com este seu primeiro papel real no grande ecrã, neste desempenho tão apelativo.”

Vira casacas... a dança continua

Hoje vi algumas a serem mais uma vez viradas... para não "vomitar" saí...

Amália no Mundo... o Mundo de Amália / Amália in the world... the world of Amália

Brasil, Rio de Janeiro, 1972


Espanha, Madrid, 1968


Japão, Tóquio, 1970 (recordação)

Paris, Olympia, 1985

Uma exposição a não perder!

Homenagem a Amália Rodrigues: Ai Mouraria!



Hoje inaugurou a exposição sobre "Amália no Mundo, o Mundo de Amália" e como não pude lá estar deixo esta homenagem.
O fado da Amália que gosto mais é "Povo que Lavas no Rio", mas julgo que já foi colocado. É muito difícil escolher um fado cantado por ela porque todos encantam. Talvez este fado lhe faça justiça porque ela foi uma Severa.


Dentinho... o rato dentinho

Que terá acontecido a Dentinho?
Atenção: esta é uma mensagem "cifrada"... ainda não é a loucura... nem a gripe A!


Zon-Lusomundo. Direcção de Ascensão Amaral e Jorge Paupério. Vozes: Benedita Cequeira, Rute Pimenta, Jorge Seabra Paupério, Daniel Pinto, Rui Oliveira, Jorge Vasques, Paula Seabra, Pedro Carreira, Fernando Moreira, Mário Santos, Zélia Santos, Raul Constante Pereira, entre outros

Leonard Cohen hoje às 21h00 em Lisboa


Esta gravação é de Outubro de 2008, em Munique, mas serve para recordar o concerto de há um ano em Algés.

1939 – “Vitória Negra” / “Dark Victory”

Bette Davis afirmou em tempos que o seu papel em “Vitória Negra” foi o que mais gostou de interpretar.

Enredo

Judith Traherne (Bette Davis), uma herdeira norte-americana mimada de Long Island, divide o seu tempo entre os seus cavalos (Humphrey Bogart é o mestre dos estábulos) e festas sociais (um dos seus amigos é interpretado por um jovem Ronald Reagan). Começa a ter dores de cabeça fortes e tonturas, que a levam a consultar um médico, o Dr. Frederick Steele (George Brent), em vias de se dedicar exclusivamente à investigação. O veredicto é negro: Judith tem um tumor no cérebro, e terá que ser operada.

No decurso da operação, Frederick percebe que o tumor é intratável e Judith tem uma esperança de vida de menos de um ano. O fim, no entanto, será abrupto: ocorrerá rapidamente após uma perda total da visão.

Para lhe permitir mais alguns meses de felicidade, esconde os resultados: anuncia que a operação foi um sucesso. Apenas a melhor amiga de Judith, Ann (Geraldine Fitzgerald) descobre a verdade, mas aceita manter-se em silêncio. A relação entre médico e paciente evolui para o campo amoroso, e Judith e Frederick decidem casar, com este último numa busca incessante de novos tratamentos para o tumor. Arrumando papéis, Judith descobre múltiplas cartas de especialistas de todo o mundo, dando o caso como perdido. Revoltada por pensar que a decisão de casamento de Frederick se devia a piedade, cancela tudo. Reflectindo, apercebe-se de que deverá tentar passar os seus últimos meses de forma digna e ao lado do homem que ama. Pedindo desculpas a Frederick pelo seu comportamento, os dois casam e vão viver para Vermont.

Uns meses depois, Judith está no jardim a plantar flores com Ann quando comenta a estranheza de o sol estar tão quente e o céu a escurecer tão depressa… Dentro de casa, Frederick está a fazer as malas para um simpósio médico, nova tentativa de encontrar uma cura. Judith ajuda-o a fazer as malas e despede-se dele; reentra em casa, despede-se da amiga, da governanta e dos cães e sobe as escadas para o quarto.

Notas de produção

Realizado por Edmond Goulding e produzido por Hal B. Wallis, o gigante da Warner Bros., o filme é o que os americanos chamam um “tear-jerker”, ou seja, de sacar dos lenços do princípio ao fim; Graças à música de Max Steiner, podemos inclui-lo na categoria dos melodramas.

O argumento, de Casey Robinson, é baseado numa peça homónima de George Brewer e Bertram Bloch, de 1934, que fora um fracasso. David O. Selznick, havia adquirido os direitos e tentou realizar o filme com Greta Garbo em 1935, mas esta preferiu fazer “Anna Karenina”. Com a atenção completamente devotada a “E Tudo o Vento Levou”, o produtor acabou por abandonar o projecto.

Entretanto, Bette Davis insistia com Jack L. Warner para comprar os direitos do filme; o produtor resistia, achando que não havia público para ver uma mulher a cegar. As bilheteiras provaram o seu engano – veio a ser o melhor resultado de bilheteira de Bette Davis até à data. O filme marca a segunda de quatro colaborações entre Bette Davis e Edmond Goulding; marca igualmente a oitava colaboração com George Brent.

Nos bastidores, Davis sofria uma depressão pelo colapso do seu casamento, tendo pedido a Hal B. Wallis para sair do projecto alegando estar doente. O produtor terá respondido: “Já vi os rushes; continue doente!”. Em paralelo, George Brent acabava de se divorciar de Ruth Chatterton; as estrelas do filme encontraram refúgio nos braços um do outro, começando um romance que duraria mais um ano.

Reacções

O filme foi nomeado para três Óscares da Academia, nomeadamente Melhor Filme, Melhor Actriz (Bette Davis) e Melhor Banda Sonora (Max Steiner), não tendo conquistado nenhuma das estatuetas. Para Davis, foi a terceira nomeação para os Óscares em cinco anos; foi a segunda do que viriam a ser cinco nomeações consecutivas.

A crítica de cinema Pauline Kael chamou ao filme “um clássico kitsch”. O site “Rotten Tomatoes” utilizou o epíteto “Soberbo”. A “TimeOut” de Londres presenteou-o com “[Bette Davis] e [o realizador Edmund] Goulding quase transformam o novelesco em estilo; um Rolls-Royce do mundo lacrimejante.” A “Variety” chamou-lhe “drama intenso” e “uma oferta bem produzida [com] Bette Davis num papel poderoso e impressionante.”

Frank S. Nugent no “New York Times” apresentou a crítica porventura mais redonda: “Uma visão completamente cínica descartaria tudo como um desvario emocional, uma peça sem alma destinada a simplórios por um dramaturgo e afins bem versados nos usos da cegueira e outras improvisações sobre ‘A Dama das Camélias’. Mas é impossível ser-se assim tão cínico. O ambiente é demasiado pungente, os desempenhos demasiado honestos e os artesãos do filme demasiado hábeis. Miss Davis, naturalmente, dominou – e bem – o seu filme, mas Miss Fitzgerald acrescenta um retrato sensível e tocante da amiga e George Brent, como o cirurgião é – atrevemo-nos? – surpreendentemente contido e maduro. Desta vez temos de correr o risco de nos chamarem "softy": não despacharemos “Vitória Negra” com um esgar auto-defensivo”.

Real na praia

No começo do século XX era Cascais. Hoje é na Caparica...

D. Carlos - Praia de Cascais
aguarela, 1906
Lisboa, Casa-Museu Anastácio Gonçalves

Desafio: será a História um instrumento de controlo?

Um/a comentador/a escreveu um comentário que achei interessante. Resolvi colocar o desafio a todos.

Aqui está o comentário:

"A História não passa de um instrumento de controlo. Há milénios que somos mantidos no escuro sobre a verdade: somos nós os autômatos e os deuses - outros autômatos - nos dão corda todas as noites - se chama "sonho" - para nos fruir durante o dia".

Escher, “Relatividade”, uma ilustração sobre a teoria de Einstein,
Escher brinca com a relação Tempo-Espaço.

70 anos do “Annus Mirabilis” de Hollywood


No meio cinéfilo (e porventura cinematográfico), 1939 é conhecido não como o ano que marcou o início da Segunda Guerra Mundial, mas como o “Annus Mirabilis” do cinema: os filmes desse ano ficaram na história e granjearam um prestígio para a indústria que não se repetiu até hoje.

Em Nova Iorque, a Academia (Academy of Motion Picture Arts and Sciences) tem em exibição “Hollywood’s Greatest Year: The Best Picture Nominees of 1939”. Nesse ano, como aliás vai voltar a acontecer em 2010, houve 10 nomeados para o Óscar de Melhor Filme.

O objectivo é recordar alguns desses grandes filmes, uns nomeados para prémios outros não, umas duas dúzias, como se de ovos se tratasse:
1. “E Tudo o Vento Levou”, de David O. Selznick (se houve filme de produtor e não de realizador, foi este), baseado no romance épico de Margaret Mitchell;
2. “Mulheres” / “The Women”, de George Cukor, o realizador de mulheres – por definição e excelência neste filme;
3. “O Feiticeiro de Oz”, a primeira extravagância Technicolor da MGM, com Judy Garland;
4. “Cavalgada Heróica” / “Stagecoach”, de John Ford, com John Wayne;
5. “Vitória Negra” / “Dark Victory”, com Bette Davis num dos seus maiores sucessos de bilheteira;
6. “Ninotchka” – “Garbo laughs!
7. “O Patinho Feio”, de Walt Disney, Óscar de Melhor Filme de Animação;
8. “O Monte dos Vendavais” / “Wuthering Heights”, de William Wyler (outra obra de produtor, desta feita Samuel Goldwyn);
9. “O Bailado da Saudade” / “The Story of Vernon and Irene Castle”, a última aparição de Fred Astaire e Ginger Rogers em “glorious black & white”;
10. “Peço a Palavra” / “Mr. Smith Goes to Washington”, com Jimmy Stewart sob a batuta de Frank Capra;
11. “A Pousada da Jamaica”, de Alfred Hitchcock, baseado no romance de Daphne du Maurier;
12. “Intermezzo”, o primeiro filme de Ingrid Bergman na América;
13. “Gunga Din”, com Cary Grant;
14. “Adeus Mr. Chips” / “Goodbye Mr. Chips”, com Robert Donat (que venceu o Óscar de Melhor Actor);
15. “Paixão Mais Forte” / “Golden Boy”, que introduziu William Holden, ao lado de Barbara Stanwyck;
16. “Vida Nova” / “Dodge City”, o western com Errol Flynn e Olivia de Havilland;
17. “A Cidade Turbulenta” / “Destry Rides Again”, com Marlene Dietrich e James Stewart;
18. “Beau Geste”, Gary Cooper
19. “De Braço Dado” / “Babes in Arms”, de Busby Berkeley e com Mickey Rooney e Judy Garland;
20. “A Ama Velha” / “The Old Maid”, com as rivais Bette Davis e Miriam Hopkins;
21. “Paraíso Infernal” / “Only Angels Have Wings”, de Howard Hawks;
22. “Heróis Esquecidos” / “The Roaring Twenties”, com James Cagney e Humphrey Bogart;
23. “Sons of Liberty”, um short com Claude Rains e Gale Sondergaard, que venceria o Óscar para Melhor Curta-Metragem (duas bobines);
24. “União de Aço” / “Union Pacific”, de Cecil B. De Mille.

Excessivo? Para quem pensou “bem, esta lista deve incluir todos os filmes feitos em Hollywood neste ano”, ficam a faltar vários filmes de grande êxito neste ano: “Jesse James”, com Tyrone Power e Henry Fonda, novamente Fonda em “A Grande Esperança”, de John Ford, fazendo de Abraham Lincoln, “The Rains Came”, com Charles Laughton e Myrna Loy, “Juarez”, com Paul Muni e Bette Davis, “Isabel de Inglaterra”/“The Private Lives of Elizabeth and Essex”, novamente Davis, desta vez com Errol Flynn, “Tarzan Finds a Son”, com Johnny Weissmuller, “Another Thin Man”, nova deliciosa comédia de Nick & Nora, com William Powell e Myrna Loy, “Old Glory”, da Warner, dois dos nomeados para Melhor Filme (“Of Mice and Men” e “Love Affair”)… enfim, “a dream factory” esteve em plena utilização!

Além disso, esta lista restringe-se apenas a Hollywood ; se incluísse os filmes do resto do mundo, haveria que acrescentar os filmes de “O Santo” com George Sanders, “A História dos Crisântemos Tardios”, de Mizoguchi, “A Regra do Jogo”, de Jean Renoir, “O Espia Negro”, de Michael Powell com Conrad Veidt, …

Sarkozy e a Princesa de Clèves


Não sei se já conhecem a polémica, que começou em 2007, mas acho que tem todo o interesse pelo enquadramento geral: as relações entre o poder e a arte. Ainda em 2007, Nicolas Sarkozy declarou que não considerava que La Princesse de Clèves fosse considerado uma obra que devesse ser lida pelos candidatos ao concurso de attaché d' administration, uma das vias para o ingresso na administração pública francesa, houve reacções e ele calou-se. No ano passado, o Presidente-Rei voltou ao ataque considerando o livro "obsoleto".
Evidentemente, é a opinião dele, que vale o que vale, e neste particular vale pouco, mas ainda assim causou "ondas de choque ", até porque conhecendo-se o temperamento dele seria de admitir que banisse a obra-prima de Madame de La Fayette da esfera pública.
Ora, a verdade é que aconteceu precisamente o contrário do que se esperava: uns por antisarkozysmo começaram a comprar e a ler o livro, e outros por mera curiosidade fizeram-no também. E o resultado foi que as várias editoras que o publicam viram as vendas aumentar de forma surpreendente: um exemplo é o da Livre de Poche, cuja edição vemos acima, que de 6000 exemplares vendidos em 2007 passou para 20.000 em 2008...
Paralelamente, é hoje possível ver em Paris pins e autocolantes onde se lê Je lis La Princesse de Clèves.
Eu gosto bastante desta pequena obra-prima da literatura sentimental, porque a corte dos Valois é um período fascinante da história francesa, e sobretudo porque o francês do séc.XVII é magnífico ( pensem nas maravilhosas cartas da Sevigné por exemplo ) .
Dei por mim a pensar o que aconteceria se o nosso Cavaco Silva se pronunciasse declarando obsoletas as Viagens na minha terra...


18 de Setembro de 2009


Neste dia será estreado, em Lisboa, o último filme de João Pedro Rodrigues. "Morrer como um homem". E mais não digo!

Panteão Nacional - Amália no Mundo - O Mundo de Amália.




Neste preciso momento continuam os trabalhos de montagem da Exposição que vai abrir mais logo, pelas 18.30, no Panteão Nacional, em Lisboa, evocativa dos 10 anos da morte de Amália Rodrigues (6 de Outubro de 1999).
A Exposição estará patente até 15 de Novembro.... vestidos, jóias, documentos e fotografias. Uma exposição a ver!

Requiem... não por Camões, mas pelas "horas"... por hoje



João Domingos Bomtempo - Requiem à memória de Camões, Paris 1819
Juste Judex (excerto)
Américantiga Coro e Orquestra de Câmara
Dir. Ricardo Bernardes
09 de Junho de 2006

E a 10.ª estrela usa...


Cartaz da Emp. Técnica Publicitária, ca 1917
Coloquei este cartaz, por sugestão de J., a qual me pareceu excelente...


... porque eu, inicialmente, tinha escolhido esta estrela alentejana.

Canções inglesas - 8

A minha música preferida dos Bee Gees - New York mining desaster !

A minha música preferida dos Bee Gees. Tropecei nela quando passei pelo VH1 Classic.
Um bom dia para todos!

Até onde um sapato nos pode levar...crinolinas!

Até onde um sapato desenhado com humor no século XXI nos pode levar...
As crinolinas usadas no século XVIII e ainda XIX faziam com que as mulheres usassem elegantes vestidos rodados. Para saber a sua história veja este site.
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Estes sapatos são uma crinolina perfeita !
Ser bela e elegante a quanto obrigava!
Exposição de crinolinas em 2008 e 2009 no Musée Galliera, em Paris: “Sous l’Empire des Crinolines (1852-1870)”
O que se encontra debaixo do vestido!



Crinolina com cauda!
A facilidade do vestir (!)
Seria cómodo sentar?
Anca