Prosimetron

Prosimetron
Prosimetron: termo grego que designa a mistura de prosa e verso.

sábado, 9 de maio de 2009

Europa


Capa de António Dacosta.

Europa, sonho futuro!
Europa, manhã por vir,
fronteiras sem cães de guarda,
nações com seu riso franco
abertas de par em par!
Europa sem misérias arrastando seus andrajos,
virás um dia? virá o dia
em que renasças purificada?
Serás um dia o lar comum dos que nasceram
no teu solo devastado?
Saberás renascer, Fénix, das cinzas
em que arda enfim, falsa grandeza,
a glória que teus povos se sonharam
- cada um para si te querendo toda?

Europa, sonho futuro,
se algum dia há-de ser!
Europa que não soubeste
ouvir do fundo dos tempos
a voz na treva clamando
que tua grandeza não era
só do espírito seres pródiga
se do pão eras avara!
Tua grandeza a fizeram
os que nunca perguntaram
a raça por quem serviam.
Tua glória a ganharam
mãos que livres modelaram
teu corpo livre de algemas
num sonho sempre a alcançar!
Europa, ó mundo a criar!
Europa, ó sonho por vir
enquanto à terra não desçam
as vozes que já moldaram
tua figura ideal,
Europa, sonho incriado,
até ao dia em que desça
teu espírito sobre as águas!
Europa sem misérias arrastando seus andrajos,
virás um dia? virá o dia
em que renasças purificada?
Serás um dia o lar comum dos que nasceram
no teu solo devastado?
Renascerás, Fénix, das cinzas
do teu corpo dividido?

Europa, tu virás só quando entre as nações
o ódio não tiver a última palavra,
ao ódio não guiar a mão avara,
à mão não der alento o cavo som de enterro
dos cofres digerindo o sangue do rebanho
- e do rebanho morto, enfim, à luz do dia,
o homem que sonhaste, Europa, seja vida!
Adolfo Casais Monteiro
Início do poema Europa, escrito em 1944 e 1945 e que foi lido aos microfones da BBC, em 13 de Maio de 1945, por António Pedro.

Norman Rockwell, Pintor do Fantástico VI!

O meu fascínio por Norman Rockwell levou-me a colocar mais um trabalho dele e integrei-o na rubrica "pintor do fantástico".
É na verdade fantástico como ele usou as técnicas da action painting para fazer o "seu Pollock".
Norman Rockwell a pintar um "Jackson Pollock", 1961.

O Perito, 1962
Capa do Saturday Evening Post, 13 de Janeiro de 1962, Indianápolis, In The Curtis Publishing Company

Citações - 25 : Sobre a poesia portuguesa

" (...) Uma vez escrevi que havia empatias entre a nova poesia portuguesa e a nova poesia brasileira, mas agora vejo sobretudo diferenças. Uma delas é o mundo.
De Camões a Alberto Pimenta, a poesia portuguesa sempre foi da Ilha de Moçambique a Bagdad, mas nestes anos 2000 quase não sai do bairro. Isso não quer dizer que seja má. Às vezes é mesmo muito boa. Do bairro, aliás, vê-se o mundo.
À noite, entre paparis e chicken korma, deram-me o nome desta crónica. "

- Alexandra Lucas Coelho, Beco dos Navegantes, no PÚBLICO de ontem.

No Dia da Europa - 2

- Este é o Althing, o Parlamento da Islândia, e um dos mais antigos do Mundo.

Provavelmente não fora a crise financeira e subsequentemente a económica, e a Islândia não estaria a ponderar a adesão à União Europeia. O pedido de adesão será votado em breve no Parlamento islandês.
A União Europeia vai assim caminhando para a trintena de estados-membros. Neste dia simbólico exprimo o meu desejo de que a Turquia venha a ser o 30º membro.

No Dia da Europa - 1

" (...) Acontece-me, por vezes, ao voltar de uma dessas curtas tréguas que nos deixa a luta comum, pensar em todos os recantos da Europa que conheço bem. É uma terra magnífica, feita de sacrifícios e de história. Revejo as peregrinações que fiz com todos os homens do Ocidente. As rosas nos claustros de Florença, as tulipas douradas de Cracóvia, o Hradschin com os seus paços mortos, as estátuas contorcidas da ponte Karl sobre o Ultava, os delicados jardins de Salzburgo.
Todas essas flores, essas pedras, essas colinas e essas paisagens onde o tempo dos homens e o tempo da natureza confundiram velhas árvores e monumentos! A minha memória fundiu essas imagens sobrepostas para delas formar um rosto único: o da minha pátria maior. (...) "

- Albert Camus, Terceira carta ( Abril de 1944 ) , in Cartas a um amigo alemão, Editora Livros do Brasil, 1ª edição, Lisboa, Novembro de 2003.

Descobri ontem na Feira do Livro estas Cartas a um amigo alemão. Li-as compulsivamente, e só me fizeram engrandecer a opinião que tinha sobre Camus que, além de todos os outros, tem para mim o mérito de ter sido um europeísta convicto.
Achei esta passagem da Terceira Carta muito oportuna para este Dia da Europa. Para mim, a Europa é também a minha pátria maior.

"As Vozes do Jazz" na Rádio Europa Lisboa - esta semana, destaque para a Count Basie Orchestra com Diane Schuur; e Sara Valente

O meu querido amigo Ricardo Belo de Morais também é um homem da rádio, para além dos seus outros interesses na área da comunicação. Aqui fica uma merecida chamada de atenção para o seu programa na Rádio Europa Lisboa.


Jazza-me muito

AS VOZES DO JAZZ

A SEDUÇÃO DAS GRANDES CANÇÕES

SÁBADO, 9 de MAIO, das 20H00 às 24H00

Da energia pura até à sedução do romantismo, as Grandes Canções do Jazz desfilam semanalmente na Europa Lisboa, em quatro horas de música para sublinhar o prazer dos serões de Sábado. Sempre em viagem, dos grandes clássicos às versões, entre as vozes lendárias, os consagrados e as grandes descobertas, passando pelas estreias e os exclusivos.

Na emissão desta semana, entregamos novo destaque à Count Basie Orchestra, enquanto parceira de algumas das maiores vozes de sempre do jazz. Desta vez, encontramos a formação, em 1987, numa celebrada parceria com a voz de Diane Schuur. Dois temas deste registo abrirão, assim, cada uma das horas do nosso programa.

Edição de Ricardo Belo de Morais

Emissão também disponível online em http://www.radioeuropa.fm/ ou através da powerbox da ZON TV Cabo


Primavera, onde andas?


Primavera, S. Botticelli, Galleria degli Uffizi.

Lisboa, o Tejo e tudo

Foi apresentado o projecto do arquitecto Bruno Soares para o Terreiro do Paço renovado, depois das obras, mais das obras, que tem vindo a receber nos últimos anos e que desfearam e intransitaram a mais bela praça portuguesa e a que tem maior área da Europa.


Há novidades marcantes: desde logo o desaparecimento da calçada à portuguesa que ali está só desde os finais do século XIX, porque antes o chão era de terra; o chão lajeado em tom terroso, exactamente a fazer lembrar a cor de terra primitiva; depois a sobre elevação da placa central em cerca de um metro, com degraus; ainda o cais das colunas em forma de meia -lua; a restrição da circulação automóvel, só possível na área junto ao rio, em duas faixas, entre a Ribeira das Naus e Santa Apolónia.


Já está a causar polémica este projecto. Por retirar a calçada à portuguesa, pela sobre elevação da placa central e da própria estátua de D. José que tirará visibilidade ao conjunto, vista do Tejo e junto dos torreões. Mas vai causar mais polémica de certeza. Desde logo porque os portugueses são conservadores, mesmo se politicamente não o forem, e não querem abdicar do Terreiro do Paço como sempre o conheceram e mesmo se o terreiro não é terreiro e não há ali Paço nenhum desde 1755.


Pessoalmente ainda não consigo ter opinião. Porque nada sei de arquitectura, não consigo ter essa perspectiva da sobre elevação da Praça, ainda que pareçam ter razão as críticas. Mas que a mais bela praça da Europa precisa urgentemente voltar a ser a mais bela, isso precisa.

Encontro com o cinema britânico: Albert Finney

Albert Finney nasceu em Salford a 9 de Maio de 1936.

Durante a sua infância e juventude, revela um talento extraordinário em actuações de teatro na sua escola. Seu director aconselha-o a inscrever-se na Royal Academy of Dramatic Arts em Londres. Finney conclui em 1955 os estudos na academia com o prémio Emile Litter Award. A sua presença nos palcos de teatro ingleses rapidamente lhe confere o estatuto de um segundo “Olivier”. A sétima arte parece atrair pouco o jovem actor que recusa o convite para o papel principal em Lawrence of Arabia, e recomenda Peter O’Toole.

O seu desempenho como working-class-hero no filme Saturday night and Sunday morning de Karel Reisz de 1961 é reconhecido pela British Academy na categoria de melhor actor promissor, e marca o início de uma carreira brilhante. Finney alcança um dos seus primeiros triunfos em 1963 na adaptação cinematográfica da obra literária Tom Jones de Fielding, o que lhe vale a primeira nomeação para o Óscar de melhor actor.

É convidado para várias películas, entre elas, Two for the road de Stanley Donen de 1966 ao lado de Audrey Hepburn. Sob a direcção de Sidney Lumet, Finney integra o elenco notável de actores no célebre Murder on the Orient Express de 1974, em que interpreta Hercule Poirot.
No início do anos 80, vêmo-lo em Shoot the Moon de Alan Parker (1982) juntamente com Diane Keaton, em The dresser de Peter Yates (1983) ao lado de Tom Courtenay e Edward Fox, bem como em Under the vulcano de John Huston (1984).




Segue-se uma fase “difusa” de experiências: Finney troca o cinema pelo teatro e vice versa, encena peças e chega a criar uma produtora própria. A partir de meados dos anos 90, volta com regularidade ao grande écran: refira-se, a título de exemplo, The Browning Version (1994), Erin Brockovich (2000), A good year (2006) e Before the devil knows you're dead (2007). Em 2002, representa Winston Churchill na mini-série de TV The gathering storm.

Imagens: Finney em 1966; em Tom Jones (1963); em Two for the road, com Audrey Hepburn (1966); com Churchill em The gathering storm (2002)

Frases para uma vida!

"Quando ela fala sem pensar, ela diz aquilo que pensa"!
Lord St. John of Fawsley

Carlos Gardel

Livros de cozinha - 16


Ainda a propósito das papas Maizena,
sugiro este livro que tem receitas
esplêndidas e fáceis de confeccionar.
Lisboa: Knorr, 2000


Esta ficha de receita Maizena era o modo de
publicitar a farinha na imprensa, há bastantes anos.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Desafios: enigmas criptográficos


Este é fácil. É o título de um livro.

Farinha Maizena!


Da autoria de Michel Droux

Da autoria de Marcellin Auzolle

Da autoria de Rogers

Parece que este ano temos um dia e uma noite dos Museus!


MODINHA

Ah! se eu fosse borboleta,
Violeta!
Por quem ao sol derretera
As minhas asas de cera
E ouro em pó?

Ah! se eu fosse borboleta,
Violeta!
Deixaria a rosa e a dália,
Nuvens, bosques, céu de Itália,
Por ti só.

João de Deus
In: Campo de flores. Lisboa: Bertrand, 1974, vol. 1, p. 61

Onde está o Gato?, Luísa Ducla Soares.

O nonsense do poema de Luísa Ducla Soares agrada-me imenso, daí esta minha escolha:

ONDE ESTÁ O GATO?

Os burros tocam viola.
Os ratos varrem a rua,
As meninas usam barba,
Eu vivo sempre na lua.

Os carapaus têm lã,
As galinhas têm espinhas,
As vacas coca-cola
E chocolates as vinhas.

Os gatos calçam sapatos,
Olha a trança das serpentes,
As moscas falam francês,
Os galos lavam os dentes.

As casas voam no ar,
As nuvens dormem no chão,
Os olhos fazem chichi
E crescem rosas na mão.

Miúdo que estás a ouvir-me,
Pois tens orelhas de rã,
Diz lá o que está errado
Ou faço queixa à mamã.

Luísa Ducla Soares, in Conto estrelas em ti, 17 poetas escrevem para a infância, Coordenação José António Gomes, Porto: Campo das Letras, 2000, p. 8.

Steven Kenny, Pintor do Fantástico V!

Só recentemente descobri Steven Kenny e desde logo gostei da simbiose que ele faz entre o homem e a natureza. Há um nítido paralelismo entre a sua pintura e os surrealistas. Em algumas das suas telas está patente a ligação aos pré-rafaelitas.
http://beinart.org/artists/steven-kenny/

"The Ruff" 2001 oil on canvas 26 x 24 in.

Steven Kenny, "Bird-lady"

2000 oil on linen 36 x 24 in.

"I was born in Peekskill, New York in 1962. I spent most of my childhood exploring the nearby woods, and this early exposure to plants and animals figures dominantly in my paintings today. I combine the human figure with elements from nature to comment on our interactions with the environment, and also symbolically allude to the dynamics of human nature in general." Steven Kenny

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Trio KIRK LIGHTSEY + MARIA VIANA 8 MAIO - OEIRAS




DIA 8 MAIO ÀS 21H30 NO AUDITÓRIO MUNICIPAL EUNICE MUÑOZ

bilhetes a €5

kirk lightsey - piano

sangoma everett - bateria

nelson cascais - contrabaixo

convidada maria viana

e ainda ...extra programa a presença de MARIA ANADON


KIRK LIGHTSEY
LIGHTSEY nasceu em Detroit em 15 de Fevereiro , 1937. Com o apoio da família , começou os estudos com Johnston Flanagan .Teve depois Glady's Wade Dillard,,professora entre outros de Barry Harris , Alice McCloud e Tommy Flanagan.
Na Cass Technical High School ,Hugh Lawson e Paul Chambers apresentaram Kirk ao jazz. e juntos tocaram na orquestra que incluía Ron Carter e Kiane Zawadi. Em 1954 Lightsey ganhou uma bolsa de estudo para clarineta na Universidade Wayne mas aos 18 anos optou por tornar-se profissional.
Nesta altura Kightsey também trabalhou com Yusef Lateef, Melba Liston e Ernestine Anderson.
Depois de cumprida a recruta ( 1960 )regressou a Detroit e formou um dueto com Cecil McBee. Nessa época Kirk também tocou para a Motown e arranjou tempo para estudar com o pianista clássico Boris Maximovich , sendo , no entanto primordialmente influenciado pelos mestres Hank Jones e Tommy Flannagan.
Kirk Lightsey define-se como " pianista de Detroit incorporando a "...iluminação de Bud Powell , o estilo de Art Tatum ,e um sentimento bebop ."


CENAS PORTUGUESAS - 11 : O Brasil em Portugal


Hoje, pelas 12h, uma jovem beldade com ar tropical atravessava à minha frente a passadeira existente no cruzamento da Rua Castilho com a Rua Joaquim António de Aguiar. Os condutores dos automóveis parados observavam-na com um olhar guloso, e o mesmo faziam os transeuntes homens que cruzavam a dita passadeira. Tudo em silêncio. O silêncio só foi interrompido já do lado da Joaquim A. de Aguiar quando se ouviu - "Oi gatinha ! ", palavras ditas no açucarado português do Brasil por um jovem também com ar tropical. Ela seguiu o seu caminho, imperturbada.
Achei graça à cena, a este pedaço do Brasil em Portugal mediante um piropo inócuo e bem mais agradável ao ouvido do que os que às vezes ouvimos proferidos por alguns dos nossos compatriotas.

Pedro Namora, Setúbal e o PPM


Se a candidatura de Pedro Namora à Câmara de Setúbal pelo PPM tivesse sido divulgada no dia 1 de Abril, ninguém teria acreditado. Mas é verdade: o antigo casapiano que se tornou famoso pelo processo Casa Pia e que nunca escondeu ser militante comunista, irá tentar conquistar Setúbal contra o seu partido de toda a vida, o PCP.
Dizendo-se revoltado contra o apoio dado pelos comunistas à recandidatura da actual presidente setubalense Maria das Dores Meira, Namora entregou há dias o cartão de militante do PCP, e assumiu no seu blogue a candidatura nas listas do PPM.
Ainda eu costumo dizer que a política portuguesa é muito cinzenta...

Bubbly

Experimentei ontem um novo restaurante em Lisboa e fiquei fã: Chama-se "bubbly", é na Rua da Barroca 106 (Bairro Alto) e quer o ambiente, quer a cozinha, quer o serviço foram excelentes. As ostras de Setúbal mataram saudades das ostras do outro lado do mundo e o cherne estava simultaneamente criativo e superlativo. Recomendo.


Tem presença na blogosfera em http://restaurante-bubbly.blogspot.com/

Joan Baez - It Ain't Me, Babe (Live 1965)!

Numa viagem às memórias, o que é belo serve para alimentar o dia e trazer o sol!

Chegou o "i"

O "i" chegou hoje às bancas. Trata-se do novo diário que nas palavras do seu director, Martim Avillez Figueiredo, assume-se como "a nova marca de informação de Portugal". Por isso este jornal quer brindar os seus leitores de forma diferente dando-lhes a ler "o que interessa, o que de melhor e mais relevante se passa no mundo". E para marcar essa diferença o "i" começou por desarrumar e voltar a organizar a clássica estrutura editorial de um jornal assentando apenas em quatro áreas: Opinião, em espaço de reflexão; Radar, onde concentra o que mais importante se passa; Zoom, onde se analisam diversos temas que vão desde a política à investigação económica passando pelas grandes questões que dividem a sociedade; Mais, a secção das novidades em matéria de cultura ou desporto...
Com uma equipa muito jovem mas também profissionais de reconhecido mérito (dos 32 colunistas encontram-se um Prémio Nobel e cinco Pulitzer), o "i" apresenta o formato ideal para ser transportado e lido de 2ª a sábado no metro, enquanto se espera pelo autocarro, no meio do trânsito ou à mesa de uma esplanada. O projecto pertence ao Grupo Lena (Sojormedia). Uma rápida vista de olhos pelo "i" transmitiu-me uma agradável surpresa pela forma como ele lida e apresenta a informação. As maiores felicidades para o "i".

Posicionamento para as eleições europeias


Uma ferramenta curiosa, alegadamente para transmitir claridade à escolha do voto...

Parabéns !

Aqui fica este Happy Birthday cantado pelos lendários The Beatles. É para a Clara Cabral-Boeder, que ontem fez anos. Parabéns!

" Mistérios de Lisboa"

- Avenida 5 de Outubro, Lisboa. Foto tirada do Estado Sentido.

Quem diria que a Avenida 5 de Outubro é propensa a "mistérios " ? Pois é verdade. Querem saber mais ? Não conto, porque perdia a graça e eu gosto de segredos. E até sei guardá-los.

P.S. - Aviso já que não fiquei biruta devido ao pó das obras. Fiquem descansados os colegas e leitores do Prosimetron.

Livros de cozinha - 15



Três folhetos da Colecção Doméstica, de Branca de Miraflor. Teve pelo menos 23 números e vendia-se a 2$50. Nos anos 50 do século XX.
Das 200 maneiras de cozinhar peixe, retirei:
«Bacalhau em bifes à Águia de Oiro - Deita-se na água o bacalhau; estando bem livre de sal, corta-se em postas muito delgadas, junta-se-lhe manteiga de vaca, rodas delgadinhas de cebola, cobre-se com uma camada de manteiga de vaca, rodas de alho e pimenta moída; tapa-se bem a vazilha, leva-se ao lume, ferve até estar tudo cozido e de bom sabor.»
Em tempos fiz uma receita semelhante de bacalhau, só que levava azeite em vez de manteiga. Era uma delícia!

John Lennon, Keith Richards, Eric Clapton and Mitch Mitchel

Uma verdadeira surpresa, não sabia que este grupo de guitarristas tinha tocado junto!

Se pudéssemos ver mais longe que o nosso conhecimento alcança, Rainer Maria Rilke

Oitava Carta
Se pudéssemos ver mais longe que o nosso conhecimento alcança e olhássemos para além das ameias dos nossos pressentimentos, talvez suportássemos então as nossas tristezas com mais confiança do que as nossas alegrias. Pois tristezas são momentos em que qualquer coisa nova e desconhecida entra dentro de nós; as nossas emoções emudecem, perturbadas e tímidas, tudo entre nós se recolhe, instaura-se o silêncio, e o novo, que ninguém conhece, desloca-se para o seu centro e cala-se. (…) Mas o medo do inexplicável não empobreceu apenas a existência do indivíduo, cerceou também as relações entre uma pessoa e outra, como se as retirasse do leito do rio das possibilidades infinitas e as levasse para o terreno baldio das margens onde nada acontece.
(…)
O seu, Rainer Maria Rilke

Rainer Maria Rilke, Cartas a um Jovem Poeta, Lisboa: Contexto, 2000, p.70, 73-74.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Novidades - 47 : Da lingerie


Deve ser interessante esta história do vestuário íntimo desde a Antiguidade até aos nossos dias.
- Histoire de la lingerie, Chantal Thomass e Catherine Ormen, éditions Perrin, 288p, 19,80 €. , 2009.

Maluda - Geometria, Depuração e Silêncio

- Lisboa L, óleo sobre tela, 1996, colecção particular.

A exposição Maluda " Geometria, Depuração e Silêncio" é inaugurada no próximo sábado, dia 9 de Maio, pelas 16h, na Galeria Municipal de Sintra, e estará patente até 21 de Junho.

Certezas!!!

julgo que a única maneira que vos leva a ver este vídeo, é fazerem um "clique" sobre este link

ONDE ME APETECIA ESTAR - 17 : Pico

- Ilha do Pico, Açores.
Das ilhas açorianas só conheço S.Miguel e a Terceira. Falei há pouco com os meus pais que chegaram ontem ao Faial, e hoje foram conhecer o Pico. Gostava de lá estar.

"Saulo, Saulo, porque me persegues ? "

- Conversão de S. Paulo, Caravaggio, 1600.

Meu caro " Saulo" :

Escrevo-lhe porque tenho a certeza que me lê. Desde que fui alertado pela Zon há umas horas atrás, tenho estado a matutar : em que é que a minha pacata, anónima e anódina existência o incomoda tanto para se dar ao trabalho de fazer estas "brincadeiras" ? Que mal lhe fiz ?
Admito que tenha algum parti pris contra a minha pessoa cuja causa desconheço e que funda esta sua persistência, mas sinceramente gostaria de saber o que o faz correr.
Não leve a mal, mas como se diz nos States - get a life !

P.S. - Espero que aprecie Caravaggio. Eu gosto muito.

"Os búzios saídos do mar", Emília Matos e Silva.

Para M., histórias do fundo mar de Emília Matos e Silva. Espero que ouça o silêncio sereno do mar.

"Os búzios saídos do mar, representam a minha natureza feminina, de mulher e de mãe". Emília Matos e Silva



Emília Matos e Silva começou a estudar desenho com o pintor e ilustrador Álvaro Duarte de Almeida no ano lectivo de 1965/66.
Entrou para a Escola Superior de Belas Artes de Lisboa no ano de 1966/67.
No ano lectivo de 1969/70 estuda desenho de modelo no "Atelier de La Grande Chaumiére" e gravura na "Academie Goetz", em Paris.
Termina em Julho de 1973 o Curso Complementar de Pintura, da Escola Superior de Belas Artes de Lisboa.
Faz o Curso "Les Techniques de la Gravure Moderne", sob a orientação de S.W.Hayter, no Atelier 17, em Paris, como bolseira da Direcção Geral dos Assuntos Culturais, no ano de 1973/74.

Ontem fiz esta compra...


O n.º 1 desta revista saiu em 1949, dirigido por Mário de Aguiar.

Na Rua Jardim do Regedor


Lisboa.

Pacotes de açúcar - 3


Oito maneiras de pedir um café. Ainda falta: normal, em chávena fria, italiana, pingado, garoto, garoto claro, garoto escuro, etc.

Ainda Norman Rockwell, Retrato de Judy Garland.

Obrigada MR pelo envio deste belíssimo retrato de Judy Garland pintado por Norman Rockwell em 1969.
Judy Garland, 1969

Romance de D. Pedro e Dona Inês, Natália Correia.

Emília Matos e Silva, Inês de Portugal, 1998

"Inês aguarda ansiosa a chegado do seu amado. Na mão direita uma rosa vermelha que simboliza não só o fogo da sua paixão e o eterno amor que os unia, mas também o seu sangue derramado". Emília Matos e Silva


ROMANCE DE D. PEDRO E DONA INÊS

Era seu colo de neve
tocado daquela graça
do contorno mais breve
onde o infinito se enlaça.

Morta, em sua fronte uma constelação
era presságio do ritual macabro
duma coroação.
O que bebera em sua carne a claridade
que dos deuses escorre para a mais pura taça
partiu com mãos de tempestade
apressando com ira
e com desgraça
a fatalidade que os ungira.

E só parou quando mudo no espanto
onde o enlevo da morte se adivinha
o fim do mundo ficou esperando
aos pés da mais fantástica rainha.

Natália Correia, “Poemas” in Antologia Poética, Lisboa, 2002, p. 55-56 (Organizada por Fernando Pinto do Amaral)

terça-feira, 5 de maio de 2009

Lembrando Vasco Granja


A 2.ª série desta revista, dirigida por Vasco Granja,
começou a publicar-se em 10 de Abril de 1979,
tendo o n.º 32, o último, saído em 13 de Novembro de 1979.
Era propriedade da Livraria Internacional.