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sábado, 23 de maio de 2026

Postes Angulares de Henri Michaux, traduzidas por Natália Correia

 Comprei um livro que não conhecia e sobre o qual não tinha referências. 

O seu autor é Henri Michaux. O seu título, Postes Angulares. 

Tradução de Natália Correia.

Foi publicado em 1973, uma edição Galeria S. Mamede, em Lisboa.

Escolhi 4 "postes" que me fizeram meditar:


Jamais penetrastes os homens.  Tão pouco verdadeiramente os observaste. Nem sequer os amaste no fundo, ou detestaste. Folheaste-os. Aceita, pois: por eles semelhante folheado, não és mais que um punhado de folhas de um livro. Algumas. (p. 30:1)


Compreendendo, infalivelmente terás compreendido qualquer coisa a mais. Esse excedente, eis aquilo de que não duvidas e de que nada sabes, nada saberás ou quase nada por muito tempo, antes que a época talvez toda a época seja passada, ultrapassada. Será então tarde. Tão tarde! (p. 36:5)


A cobra que no rato se enrosca não procura brincar. Pretende sim - após a ingestão que se segue - responder ao apelo do seu organismo que lhe exige gorduras, prótidos, sais minerais assimiláveis, etc, etc.. Sem dúvida, sem dúvida. Seguramente mais bela, mais comovente, mais digna, mais excitante, mais cerimonial, porventura mais sagrada é a resposta que a cobra dá a si mesma. Seguramente mais «cobra». (p. 37:2) .


Apenas utilizas a vida, ela escoa-se, foge, a vida que só é longa para os que sabem errar, preguiçar. Á beira da morte, o homem de acção, o trabalhador, apercebe-se - tarde de mais - da natural extensão da vida, a que lhe fora dado conhecer se de contínuas intervenções se abstivera. (p. 31:4) 

domingo, 2 de outubro de 2022

Boa noite!

Uma escolha da Maria:
 
Sou fã da Rita Redshoes. Aqui canta um poema de Natália Correia, musicado por Renato Júnior.

segunda-feira, 26 de setembro de 2022

Livro e marcador - 12

 

Foto Maria.

Natália Correia teria feito 99 anos no dia 13 de setembro. Para o ano temos centenário.

terça-feira, 23 de novembro de 2021

Insubmissa

 


A RTP2 passa amanhã e depois, dias 24 e 25, à noite, um documentário sobre Natália Correia, realizado por Joaquim Vieira e com guião deste e de Filipa Martins. As duas partes têm como subtítulos: «Natália na Resistência» e «Natália na Liberdade».

segunda-feira, 28 de março de 2016

Amanhã na BNP


No dia 29 de março de 1966, o agente da Polícia Judiciária Henrique Parente enviou aos seus superiores um relatório onde se lia: «consta estar à venda e em circulação um livro pornográfico, protótipo de desmoralização». O livro em causa era A filosofia na alcova do Marquês de Sade, terceiro livro de uma tal Afrodite, chancela editorial pela qual dava o nome um jovem portuense radicado em Lisboa, Fernando Ribeiro de Mello (1941-1992). Juntando-se ao processo já em preparação contra a anterior edição da Afrodite, a Antologia da Poesia Portuguesa Erótica e Satírica, o relatório do agente Parente marcou o início do segundo processo por edição de obras consideradas obscenas, os quais acabariam por ser julgados no Tribunal Plenário de Lisboa entre 1966 e 1970.


Dos sete livros que lança no seu ano de arranque, a Afrodite verá os seis primeiros consecutivamente proibidos, algo inédito na história da censura do Estado Novo, que em 1966 cumpria 40 anos. Em setembro desse ano, o censor Joaquim Palhares não hesitava: a Afrodite constituía uma «insólita ofensiva de corrupção» que era necessário expurgar. Tal como acontecera em França com Jean-Jacques Pauvert pela edição do mesmo Sade, nos Estados Unidos com a Grove Press pelas edições de Henry Miller ou em Inglaterra com a Penguin pela edição de O Amante de Lady Chatterley de D. H. Lawrence, em Portugal a Afrodite e o seu editor viram-se na vanguarda de uma batalha internacional pela liberdade de publicar textos de relevância literária considerados «obscenos» pelos poderes censórios oficiais. Não tendo obtido as vitórias que os seus congéneres franceses e americanos conquistaram, nem conseguindo mudar o curso da rígida máquina censória do Estado Novo, Ribeiro de Mello adquiriu, ainda assim, graças a esses dois processos, uma fama de editor «rebelde», «marginal» e «contrário», que lhe garantiu um sólido proveito assim que o regime mudou para o consulado de Marcello Caetano em 1968: gerindo com mestria o equilíbrio entre as folgas que a «primavera marcelista» parecia conceder e a permanência de uma censura sofisticada e implacável, a Afrodite atingiu o zénite como pequeno projeto editorial alternativo entre 1968 e 1974, publicando livros notáveis e, através da figura do seu proprietário, oferecendo apresentações que se tornaram lendárias, verdadeiras performances do «Dali de Lisboa», animando o cinzentismo da «feira cabisbaixa» que era a capital a caminho da Revolução.
Este colóquio, organizado por Pedro Piedade Marques, autor da obra Editor contra: Fernando Ribeiro de Mello e a Afrodite, será, portanto, um percurso pelos livros do «editor contra» Fernando Ribeiro de Mello, durante a última década da Censura em Portugal. Contará ainda com a presença do jornalista João Paulo Guerra e de João Pedro George, autor da biografia de Luiz Pacheco, Puta que os pariu, e do ensaio O que é um escritor maldito?.
No início de 2017, comissariada por Pedro Piedade Marques, a BNP acolherá uma exposição sobre a atividade da editora Afrodite e do seu editor, Fernando Ribeiro de Mello.
(Do site da BNP)

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Grandes Aventuras...

Não comprei todos os livros da coleção de 16 volumes comemorativos dos 500 Anos da Biblioteca da Universidade de Coimbra, focada pela Isabel, mas adquiri alguns como o que aqui trago.

Êste romance infantil ensina as crianças a tornarem melhor o mundo de amanhã. 

***
A nova tinha corrido a cidade inteira e chegado aos ouvidos do rei. Sabia que "um pequeno herói" , como lhe chamava o povo, vinha desafiá-lo no seu trono. E riu perdidamente com a ideia singular do miúdo atrevido.
(...)
- Não pretendo desafiá-lo, senhor - começou pausadamente - mas apenas cumprir a missão de que a Providência me encarregou: dar ao povo o que é dêle, aquilo que Vossa Magestade consome em banquetes e festas...

Natália Correia, Grandes Aventuras de um Pequeno Herói. Porto: Edições Astra, Porto sd., p. 75 e 77.

Edição Fac-simile comemorativa dos 500 Anos da Biblioteca da Universidade de Coimbra. Editora a Bela e o Monstro, 2013. Público

terça-feira, 29 de outubro de 2013

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Biografias e afins

Na passada sexta-feira, Natália Correia teria feito 90 anos, pelo que é muito oportuna esta nova obra de Fernando Dacosta sobre o bar Botequim, ainda para mais agora que passam 20 anos sobre a morte da escritora. Sei que alguns prosimetronistas também frequentaram o celebrado espaço na Graça. Será que quererão partilhar algumas lembranças com os mais novos?

( É uma edição Casa das Letras )

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Pequeno grande livro

A Constituição em miniatura (6 x 4 cm)


João Cutileiro, Natália Correia na Assembleia da República


Cidadania 

Buquê de ruídos úteis o dia.
O tom mais púrpura
do avião sobressai
locomovida rosa pública.

Entre os edifícios a acácia
de antigamente ainda ousa
trazer ao cimo a folhagem
sua dor de apertada coisa.

Um solo de saxofone excresce
mensagem que a morte adia
aflito pássaro que enrouquece
a garganta da telefonia.

Em cada bolso do cimento
uma lenta aranha de gás
manipula o dividendo
 de um suicídio lilás.

 Natália Correia, in "O Vinho e a Lira" [Citador]

sexta-feira, 8 de março de 2013

Dia 8 de Março - Unidade


Leonard Campbell Taylor, Far away Thoughts
UNIDADE

Glorificado 
certo ou mentido
é um conceito
o meu intento interrompido.


Martirizado 
nu ou vestido 
o homem é 
o meu intento continuado. 


Natália Correia In Poemas 
(retirado do Banco de Poesia da Casa Fernando Pessoa)

sexta-feira, 14 de setembro de 2012