Prosimetron

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sábado, 13 de junho de 2009

Directamente da Bélgica para o Prosimetron




E também a nossa Miss Tolstoi não ficou parada, tendo viajado até à Bélgica, de onde teve a amabilidade de nos enviar este mail que vem muito a propósito, depois de há dias aqui se ter falado de Greenway House, a casa de campo da Rainha do Crime. E Miss Tolstoi disse ainda que, se tiver tempo, enviará para o blogue algo sobre o omnipresente ( em Bruxelas, por estes dias ) Magritte.






Vi ontem num jornal belga a seguinte notícia que deve interessar aos prosimetronistas :

Dois inéditos de Agatha Christie

Como a maioria das grandes descobertas, foi um pouco por acaso que duas novas aventuras de Hercule Poirot (detective belga) foram descobertas por aquele que se considera, a si mesmo, como "um fã por excelência", John Curran. Ao decifrar, na casa de campo em Greenway, no Devon, os 73 cadernos de notas "manuscritos terriveis" da grande romancista desaparecida em 1976, no meio das frases, ideias e anotações, John Curran teve a surpresa de encontrar um emaranhado de cenas implicando Hercule Poirot. Por uma razão ainda indeterminada, as duas novelas inéditas não foram transformadas em romance. "The mystery of the dog's ball" e "The capture of Verberus" serão incluídas no livro que John Curran se encontra a escrever "Agatha Christie's secret note books. Fifty years of mystery in the making".
(traduzido de La Libre Belgique, 12 Juin 2009, p. 53)

Dias que começam bem e acabam muito mal

Ontem, foi dia de passeio por uma parte da região saloia : partindo de Belas, passando por Almargem do Bispo, Morelena, até ao Sabugo. Paisagem transformada, muito diferente do que me lembrava. A antiga fábrica da Cergal deu lugar à fábrica de Toddy, e hoje nem cerveja nem leite achocolatado. Abandono puro e simples. Um exemplo entre muitos. Ao fim da tarde, regresso a Belas, com paragem na Casa dos Fofos de Belas para matar saudades. Continuam uma delícia.
Esta manhã, rumei cedo até à Beira Interior, mais propriamente até ao Fundão para ver o meu avô materno. Oitenta e oito anos, já recuperado das maleitas que o assolaram nos últimos meses, mas queixoso: o inevitável uso de fraldas, o abandono por parte da mulher, e a memória que lhe vai faltando... . Uma visita que teve de ser interrompida, por via de tristes notícias que nos chegaram por telemóvel: Uma irmã do meu pai, e o filho, vítimas de um terrível acidente depois de terem visitado a ironicamente chamada Cova do Sonho, uma das belas grutas da Grande Berlenga.

E do Fundão para Lisboa, com destino a Santa Maria para ver a minha tia, já operada a múltiplas fracturas e amputada de dois dedos, mas consciente e preocupada com o filho. Em S.José, o meu querido primo Paulo, que para a semana faz 40 anos, e tem dois filhos pequenos, está entre a vida e a morte nos cuidados intensivos. Grave traumatismo craniano que causou ainda mais graves lesões cerebrais. Terrível imagem de alguém que conhecemos de toda a vida, entubado e sedado. E é claro que o helicóptero chamado tinha de demorar 3 horas a chegar às Berlengas, muito mais lento que o barco do INEM que primeiro o socorreu, mas obviamente sem os meios necessários. Como sempre, a crónica falta de meios é a justificação para tudo. Nem quero pensar no desespero da mulher e dos filhos que esperaram 3 horas pelo helicóptero que trouxe o Paulo para S.José.
Há dias que acabam mesmo muito mal.


Paris : Museu Picasso.

Paris : Museu Picasso. ... para todos um beijo fraterno desenhado por Picasso.

Um manjerico por Lisboa, uma lembrança de Santo António!

“Quando partes, minha q’rida,
És enlevo, engenho ou arte.
Pressinto deixar a vida:
Sinto bem isto ao deixar-te.”

Santo António na sua passagem por Coimbra 2.

Em Coimbra, Frei Fernando travou conhecimento com os frades Menores do Eremitério de Santo Antão dos Olivais que professavam votos de pobreza. Pediu autorização para se mudar para este Eremitério e mudou então o nome para António em homenagem ao santo Antão, do latim Antonius.
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Igreja de Santo António dos Olivais, Coimbra (?)
Tomada de hábito de Fernando de Bulhões (Frei António de Lisboa)
A sua formação é, em parte, feita com os Crúzios: Cónegos Regrantes de Santo Agostinho e com os frades Menores que o fazem abraçar o ideal franciscano: da pobreza, da austeridade, da humildade, do jejum e da oração.
O acontecimento decisivo para a mudança terá sido quando, em 1220, regressaram os restos mortais de cinco mártires franciscanos que tinham estado algum tempo no "conventinho". Berardo, Otão, Pedro, Acúrsio, Adjuto e Vital tinham estado em S. Antão dos Olivais antes de partir para Marrocos na tentativa de acabar com a perseguição que Miralmuminiom Abu Jacub exercia sobre os cristãos.

Os Mártires de Marrocos, Igreja de Santa Cruz, Coimbra
Os cinco mártires Franciscanos que Fernando conheceu e que o sensibilizaram para a vida Franciscana...

No local onde hoje se ergue a Igreja de Santo António dos Olivais, situava-se o eremitério humilde dedicado a Santo Antão que D. Urraca, mulher de D. Afonso II, doou em 1217 aos Franciscanos.

Fachada principal da Igreja de Santo António dos Olivais, Coimbra

Notas - retiradas de um panfleto da Comunidade Franciscana de Santo António dos Olivais em colaboração com a Casa Municipal da Cultura.

Fernando Pessoa "Agir é repousar" - Em sua memória!

Hoje, faz 121 anos que nasceu Fernando Pessoa o poeta português que mais estimo. Em sua memória ficam estas imagens:



Hoje é também dia de Santo António, adormece Lisboa depois da festa. Para todos os Prosimetristas um dia cheio de luz!

"Agir é repousar"

Bernardo Soares, O Livro do Desassossego, Lisboa: Assírio & Alvim, 1998, p.134.

Dos Almanaques - 7


http://idontlikemondays.files.wordpress.com/2008/01/tres-cravos.jpg

NUM CRAVO

Prende esse cravo no peito,
Vê se consegues, assim,
Prendê-lo com tanto jeito
Como me prendes a mim…

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Paris : Centre Pompidou

Wassily Kandinsky, Parc de Saint-Cloud, 1906

Paris : Centre Pompidou

Niki de Saint Phalle, Crucifixion, 1963

Esplanadas de Lisboa - 3

Na Lisboa antiga
Chaminés do Palácio (Lg. de São domingos, 11)
"(...) é um dos poucos sítios recém-abertos onde a comida é uma surpresa todos os dias, sim, mas também porque o sítio - uma espécie de claustro no meio do edifício da Sociedade Histórica da Independência de Portugal, mesmo no centro da azáfama do centro da cidade - é pouco menos do que fabuloso"
Cantina das Freiras (Tv. do Ferragial, 1, à R. Vitor Cordon)
"Associação Católica Internacional ao Serviço da Juventude Feminina (ufaa!). Custa mais a dizer o nome desta esplanada e self-service do que a subir os três andares que nos levam quase até ao céu. Daqui vê-se o rio em doses massivas e come-se como na casa da avó. O espaço de esplanada é pequeno e enche-se facilmente em dias de sol abundante"

Junto ao rio
Cafetaria Quadrante (C. C. de Belém, Pr. do Império)
Fica no Jardim das OLiveira, entre árvores centenárias e espelhos de água. Mesmo em frente, o rio, os Descobrimentos e a Torre de Belém..."

Noutros pontos da cidade
Fontana Park Hotel (R. Engenheiro Vieira da Silva, 2, Saldanha)
"Uma esplanada sem vista e com paredes pretas? Sim, é do melhor que há quando se quer relaxar ao fim de um dia de trabalho. Afunde-se num dos sofás brancos ou nas poltronas de verga, e desfrute de um belo sushi ou de um cocktail"
Gulbenkian (Av. de Berna , 45A)
"A esplanada da Gulbenkian fica enfiada no meio do verde. Há um lago, e patos, e pombos excessivamente amigáveis. As cadeiras e as mesas já pedem reforma, mas ainda vão dando para o gasto. A oferta gastronómica varia entre massas, saladas frias, sandes ou bolos"

Palavras aos pedaços

Separação é quando um pedaço seu se muda para um outro lugar.
Saudade é uma dor que brinca de esconde-esconde dentro da gente.
Desencontro é um trem que viaja rápido sem chegar a lugar algum.
Encontro é um susto que vem embrulhado com fita e papel de presente.
Beijar é um eclipse que acontece no céu da boca.
Pessoas são planetas solitários numa galáxia humana.
Recordar é um filme mal editado projetado por trás das pálpebras.
Esquecer é um coração no cérebro que pára de bater.
Silêncio é uma palavra enforcada pela língua.
Egoísmo é conjugar a primeira pessoa do seu próprio universo singular.
Mudança é um livro novinho em folha que você ainda não leu.
Partida é um blecaute por dentro sem interruptor.
Chegada é quando todas as luzes da alma se acendem de uma vez.
Esperar é um segundo que pode durar uma eternidade inteira.
Amor é um terremoto que acontece só debaixo de nosso telhado.
Ódio é todo o amor que você sente do lado avesso.
Paixão é uma fogueira de São João que arde no peito.
Solidão é quando você descobre a existência do outro.
Medo é uma coragem que tem timidez de ser.
Sonho é uma vontade que floresce fora da estação.
Liberdade é uma prisão sem grades com vista para o mar.
Viver é uma revoada de pássaros que faz você querer ter asas também.
Morrer é tão estranho que a gente finge que é normal.
Amigos são pessoas que passam e fixam residência.
Desconhecido é aquilo que você está doido para conhecer.
Felicidade é um pequeno circo escondido dentro de nós.
Tristeza é a alegria que se finge de morta.
Alegria é a vida que de repente ressuscita!

Fábio Fabrício Fabretti

Memória viva


Uma fotografia em memória de Anne Frank que faria hoje 80 anos.

60 anos de uma nação: 1973


Os dois Estados alemães, a RFA e RDA, são integrados nas Nações Unidas. A Assembleia-Geral da ONU pronuncia-se a favor da adesão a 18 de Setembro. As delegações de ambos os países, com os números 133 e 134, encontram-se uma a seguir à outra na sala da Assembleia. A representação da RDA na organização supra-nacional consolida o reconhecimento internacional da Alemanha Oriental como país soberano. Poucos meses antes, o Reino Unido e a França tinham estabelecido relações diplomáticas com Berlim Oriental.


Na guerra do Yom-Kippur perspectiva-se uma vitória de Israel. Em retaliação ao desfecho provável do conflito, é decidido um embargo de fornecimento de petróleo por parte de vários Estados árabes. Países pró-israelitas, incluíndo a Alemanha Ocidental, são o alvo do boicote. O mundo ocidental, desprevenido, sofre o primeiro choque petrolífero que resulta na maior recessão económica global desde 1945. O governo federal em Bona decreta um conjunto de medidas, entre elas, limites de velocidades drásticos nas estradas alemãs e a total proibição de circulação nas autoestradas durante quatro domingos entre 25 de Novembro e 16 de Dezembro. A confiança incondicional num progresso económico eterno começa a quebrar.



No universo da moda, reinam as calças de ganga. Longe vão os tempos em que as senhoras se definiam através de um guarda-roupa delicado e feminino. O hippismo deixou os seus rastos naturalmente também no vestuário: cores marcantes, tecidos leves e muito florais. Os sapatos, quer femininos, quer masculinos, falam por si....

- CONTINUAÇÃO NA PRÓXIMA SEGUNDA-FEIRA -


Imagens: selo da RFA comemorativo da integração na ONU; estradas sem trânsito em Dezembro de 73; tendências da moda

Paris

Paris

Santo António na sua passagem por Coimbra 1.

Fernando de Bulhões - Cónego Regrante de S. Agostinho
Fernando Martins Bulhões nasceu cerca de 1195 em Lisboa. Aos 7/8 anos começou a estudar na escola anexa à Catedral de Santa Maria de Lisboa. Aos 15 anos ingressou no Mosteiro de São Vicente de Fora, dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho. Mais tarde, pediu transferência para o Mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra.
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A partir deste momento Fernando Bulhões estava no centro político, cultural e social do país. Mudou-se para um Mosteiro que tinha contactos bastante frequentes (pelo menos para a época) com o Mosteiro de S. Vitor de Paris, e que tinha uma riquíssima biblioteca. Aqui Fernando tinha as condições mais que propícias para completar o processo educativo intelectual e desenvolver a oratória, que iniciara em Lisboa.
Foi desta forma que em 1218 ou 1219 se tornou sacerdote. Pensa-se que terá sido aqui que Fernando iniciou a elaboração duma importante obra que escreveu: "Os Sermões Dominicais"
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Notas retiradas de um panfleto da Comunidade Franciscana de Santo António dos Olivais em colaboração com a Casa Municipal da Cultura de Coimbra.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Museu de Montmartre

Espero visitar este museu que não conheço. Ele ocupa uma casa onde tiveram ateliers, ao longo dos anos, vários artistas, como Renoir, Émile-Othon Friesz, Raoul Dufy, Émile Bernard, Suzanne Valadon, André Utter e Maurice Utrillo.
Neste momento podem-se viistar as seguintes exposições:
Aux Grandes Heures de Montmartre - Peintres, Bals et Cabarets

Jean Marais l'éternel retourSa vie, sa carrière, ses multiples talents, Montmartre...

www.museedemontmartre.fr/

Paris: fonte Wallace

Paris: fonte Wallace recordando o Rossio (Lisboa) e o post de Luis Barata.

Torre de João Sem Medo


Não tem a ver com o livro de José Gomes Ferreira.
Hoje, quando ia a caminho da Pinacoteca de Paris, dei de caras com a Torre de Jean Sans Peur. Fica na Rue Étienne Marcel e é o único testemunho intacto de aruitectura civil e fortificada da Idade Média em Paris.

A minha esplanada : Noobai

Parece-me que o nosso MLV ainda não falou do Noobai, presentemente uma das minhas esplanadas preferidas de Lisboa. Boas comidas e boas bebidas ( desde logo o sumo de manga com gengibre ou a limonada suiça ) , e naturalmente uma vista deslumbrante sobre o rio.

Noobai (que em crioulo quer dizer " nós vamos " ) , Miradouro do Adamastor ( do lado direito da escultura, descendo umas escadinhas ) , Santa Catarina, Lisboa.

Uns em Paris, outro na Jordânia

- Amã, capital da Jordânia

Temos recebido notícias de Paris dos nossos queridos M.R. e JAD, mas ainda não do nosso João Soares que está a visitar o Reino Hachemita da Jordânia, se bem que talvez o acesso à internet seja mais complicado na antiga Transjordânia. Um abraço para os três viajantes!

Ring of fire

E depois duma "actuação" no Chiado, aqui fica esta no Festival de Jazz de Montreux de 1994, evidentemente com o Ring of fire.

CENAS PORTUGUESAS -12 : Johnny Cash no Chiado

Gosto bastante de Johnny Cash, e em particular do seu grande tema Ring of fire, que ouvi há dias onde menos esperava: servindo de música de fundo para uma actuação de artistas do fogo ( desculpem-me, mas esqueci o nome técnico ) junto à estátua do velho Chiado, estando eu a tomar um café na esplanada da Brasileira do Chiado ( Olá MLV ! ) .
Evidentemente, o artista, como sabem os que que passam regularmente pelo citado espaço, tinha tudo menos a elegância cool de Johnny Cash mas ao menos sabia o que fazia. A minha surpresa foi estar à espera de uma "banda sonora" eventualmente mais consentânea com a indumentária do jovem artista- hardrock, heavy metal ou coisas do género, e ao invés ouvir o inesquecível Johnny Cash. A escolha da música foi o que valeu ao artista a minha moedinha, mais até do que a performance em si.

Love is a burning thing...

PENSAMENTO DO DIA


" Quando um ditador delirante tem condições para realizar socialmente o seu delírio, não vai para o manicómio, mas é a sociedade que se torna um manicómio, às vezes quase imperceptívelmente. "
- José Gil, in Em busca da identidade- o desnorte, p.17.

Uma reflexão aplicável a várias ditaduras do século XX, e certamente a algumas do século XXI. O que é a Coreia do Norte senão um gigantesco manicómio gerido por um ditador delirante?

Novidades - 52 : Das línguas

Mais um volume da bela colecção Dictionnaire amoureux, sendo este dedicado às línguas e ao amor por estas. O autor é o erudito Claude Hagège, professor do Collège de France.

- Dictionnaire amoureux des Langues, Claude Hagège, Plon/Odile Jacob, 735p, 25€.

Dia de Corpo de Deus

- O Papa Urbano IV
- Igreja de Santa Cristina, Bolsena, Itália.

- Santa Juliana de Cornillon ou de Liége


Hoje é feriado em grande parte do mundo cristão, especialmente nos países de influência católica.
Mas quantos dos que beneficiam desta "pausa" conhecem a sua origem? Poucos. Mesmo muitos dos que hoje irão à missa- até porque é obrigatória, ou integrarão as procissões que se realizam, desconhecem tal origem, embora conheçam o significado deste dia dedicado à Eucaristia.
As ilustrações que estão supra representam os três factores que levaram à instituição da solenidade do Corpo de Deus, celebrada sempre na quinta-feira seguinte ao domingo da Santíssima Trindade: - Santa Juliana de Cornillon, cujas visões abriram o caminho, - O milagre eucarístico de Bolsena, ocorrido na Igreja de Santa Cristina dessa cidade italiana e cujas provas estão hoje na Catedral de Orvieto, - O Papa Urbano IV, que foi o pontífice que influenciado pelos dois factores anteriores instituíu a solenidade do Corpo de Deus em 1262.

Chocolate e churros, alguém quer?


60 anos de uma nação: 1972

Jesus Christ Superstar da autoria de Andrew Lloyd Webber e Tim Rice conquista a Alemanha Ocidental. O musical estreia-se em Münster donde parte para uma digressão pelas principais cidades alemãs durante o Verão. A resposta de Webber e Rice ao movimento hippie norte-americano “Jesus People” alcança um enorme sucesso.

Os dois Estados alemães assinam o chamado Grundlagenvertrag (Tratado Básico). No documento é manifesto o compromisso que foi possível alcançar: a RDA prossegue com as suas aspirações de ser reconhecida como Estado autónomo, a RFA sublinha o desejo de não desistir de uma reunificação. O tratado estabelece que as relações entre ambos os países se regem pelo Direito Internacional, no entanto, os governos dos dois Estados recusam reconhecer-se mutuamente como nações plenamente soberanas e independentes. Em vez de embaixadas, são instituídas representações permanentes nas capitais Bona e Berlim Oriental.
As disposições deste tratado melhoram o relacionamento inter-alemão nos campos da cultura e da cooperação tecnológica. Facilitam ainda viagens de familiares de leste para oeste e vice versa.

A cidade de Munique, anfitriã dos XX jogos olímpicos, recebe milhares de desportistas e turistas em finais de Agosto. A Alemanha Ocidental pretende apresentar-se à comunidade internacional como país livre e hospitaleiro. As últimas olimpíadas a ter lugar em solo germânico tinham ocorrido em Berlim em 1936 durante o regime de Hitler. “Jogos alegres”, eis o mote do comité olímpico desta edição. De facto, as jornadas parecem correr num ambiente cosmopolita e descontraído. Mas mudam de rumo a 8 de Setembro: na madrugada desse dia, a aldeia olímpica é tomada de assalto por oito terroristas árabes que matam imediatamente dois membros da equipa israelita. 9 desportistas são tidos como reféns. O grupo terrorista “Setembro negro”reivindica a libertação de 200 detidos árabes em Israel, bem como dos terroristas alemães Andreas Baader e Ulrike Meinhof. Impõe às autoridades alemãs que sejam disponibilizados dois helicópteros na base de Fürstenfeldbruck próximo de Munique.

A manobra de resgate por parte da polícia alemã falha em todos os aspectos: durante um tiroteio interminável, morrem um polícia, cinco terroristas e todos os reféns israelitas.
A organização dos jogos olímpicos decide, no entanto, prosseguir com os jornadas no dia seguinte.
Imagens: Jesus Christ Superstar; assinatura do Tratado Básico entre a RFA e RDA; jogos olímpicos em Munique

Retrato Jean Baptiste Greuze!

Jean Baptiste Greuze, "Lamentando a passagem do tempo"

1775, (79x61cm)

Jean Baptiste Greuze é um pintor francês ligado ao estilo rococó, um estilo que não é dos meus preferidos, embora existam retratos lindíssimos. Neste quadro o que me apaixona prende-se com o conceito: a passagem do tempo.
A escolha deste lamento da passagem do tempo deve-se também à presença das flores deixadas ao acaso (?) em cima da mesa. Na mão esquerda a rapariga segura um relógio de bolso e o seu olhar é vazio. O espaço cénico desenrola-se num quarto, numa mansão, onde a pouca luz incide sobre a roupagem da cama e ilumina o rosto da rapariga.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Termino o dia mais rico - III


Afinal os Magos que foram avisados do nascimento de Jesus, graças a uma estrela que os guiou, só foram baptizados com os nomes de Gaspar, Melchior (=Belchior) e Baltazar no século IX, no Liber Pontificalis de Andreas Agnellus de Ravenna.
Gaston Duchet-Suchaux & Michel Pastoureau, La Bible et les saints, Paris, Flammarion, p. 224-225

Na Biblía, Mateus, II.1-2
Tendo, pois, Jesus nascido em Belém de Judá, no tempo do rei Herodes, eis que magos vieram do oriente a Jerusalém. Perguntaram eles: Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no oriente e viemos adorá-lo.

Paris: Casanova ou Dom Giovanni?

Paris, Le Louvre des Antiquares, Paul Noujaim Galerie

Versailles: Fastes de Cour et Cérémonies Royales

Portugal também está presente com as suas jóias da Coroa. Espero que estas voltem...

Esplanadas de Lisboa - 3


Na Lisboa antiga
Fabrico Infinito (R. D. Pedro V, 74)
"Não é mais do que um relvado sem grande vista mas, por estar no meio da cidade, não tem confusões. A esplanada fica nas traseiras da loja e galeria Fabrico Infinito e inclui a primeira carpacceria de Lisboa. Se gosta de carpaccio, perfeito"
Chapitô (Costa do Castelo, 1)
"(...) Estacionar é o fim do mundo, por isso não vai querer apanhar uma camada de nervos antes de visitar esta esplanada. Lisboa estende-se aos seus pés enquanto bebe uma cerveja ou come um chouriço assado. Nas noites de 4ª a domingo há sempre qualquer coisa para se entreter, de fado a música jazz"
Na zona nobre
São Carlos (Teatro Nacional de S. Carlos, R. Serpa Pinto)
"Fica mesmo na praça do teatro, num sítio recatado e relativamente tranquilo. É particularmente agradável ao final da tarde, quando o sol já não bate em força"
Claustro Esplanada S. Roque (Museu de S. Roque, Lg. Trindade Coelho)
"(...) Uma das novidades é a esplanada interior, rodeada por claustros espelhados. Um pequeno lago, canas de uma decoração minimalista dão o toque final a este espaço refrescante..."
Noutros pontos da cidade
Torricado (Pç. de Touros do Campo Pequeno)
"A táctica é simples: se vir um puff desocupado agarre-se a ele com unhas e dentes. É que esta esplanada anda tão concorrida que qualquer lugar livre é um milagre, sobretudo ao fim-de-semana. O espaço é descontraído e tem vista para a Av. João XXI que não sendo idílica, tolera-se"
Azul Profundo (Pq. das Nações junto ao Oceanário)
"O atendimento não leva cinco estrelas porque ter de ser o cliente a acartar com os tabuleiros é chato, por isso mais vale concentrar-se naquilo que dá nome à esplanada que vale mesmo a pena: o azul do rio ali à volta. E as tostas. E o acesso à internet, que dá sempre jeito"

Paris: colares da moda

Paris: colares da moda. São três colares!

Homenagem ao dia de Portugal!

Um desafio simples.
Escolhi esta personalidade para homenagear Portugal, quem é?

60 anos de uma nação: 1971

Uma onda de consternação atravessa a Alemanha Ocidental: o semanário Stern publica o artigo “Wir haben abgetrieben” (trad. abortámos), em que 374 mulheres confessam ter voluntariamente interrompido a gravidez – entre elas, nomes conhecidos como os das actrizes Romy Schneider e Senta Berger, mas também mulheres anónimas de todas as camadas sociais. Alice Schwarzer, defensora incontornável da causa feminista alemã, lidera esta iniciativa e exige a anulação do § 218 do Código Penal que penaliza o aborto. Segue-se um debate público, profundamente dividido entre as opiniões a favor e contra a despenalização: os slogans dos diferentes quadrantes vão desde A minha barriga só a mim pertence a Aborto é homicídio. A coligação entre os sociais-democratas e o partido neo-liberal viria a reformar o código três anos mais tarde. Tal reforma viria, no entanto, a ser chumbada pelo Tribunal Constitucional (Bundesverfassungsgericht).

O Prémio Nobel da Paz de 1971 é atribuído a Willy Brandt. O comité norueguês distingue o chanceler alemão com o prémio “por pôr em prática a 'Ostpolitik', na República Federal da Alemanha, que estabeleceu uma nova atitude em relação aos países de leste, e, em especial, à República Democrática Alemã" . Já durante o seu cargo de Ministro dos Negócios Estrangeiros, Brandt iniciara a reconciliação com os vizinhos de leste. Levara a cabo os tratados com a União Soviética, a RDA e a Checoslováquia, assinados em anos anteriores, o que viria a atenuar a tensão da Guerra Fria. Símbolo mais emblemático deste empenho fora a visita de Brandt ao monumento às vítimas do Ghetto de Varsóvia um ano antes. A política de “normalização” (Entspannungspolitik) sob a iniciativa de Brandt viria a marcar o fio condutor da política externa da Alemanha Ocidental durante toda a década.
“Se no balanço da minha actuação constar que eu ajudei a abrir caminho para um novo senso de realidade na Alemanha, então eu terei cumprido uma das esperanças da minha vida", assim discursa Brandt na cerimónia oficial em Oslo.

Imagens: capa do semanário Stern; Brandt ao receber o Prémio Nobel da Paz

Suzanne Valadon, modelo

Suzanne Valadon, nascida Marie-Clémentine Valadon, antes de se tornar pintora, foi modelo de Puvis de Chavannes, Renoir, Steinlein, Henner, Zandomeneghi, Anais, Toulouse-Lautrec, etc.
Escolhi três quadros em que ela é retratada:


Pierre-Auguste Renoir – Dance à Bougival [Suzanne Valadon e Paul Lhote]
Óleo sobre tela, 1883.
Boston, Museum of Fine Arts



Pierre-Auguste Renoir – La Natte
Óleo sobre tela, 1887
Baden, Museum Langmatt
http://www.langmatt.ch/


Toulouse-Lautrec – A Ressaca
Desenho, ca 1888

Suzanne Valadon, pintora

Está uma exposição de Suzanne Valadon e de seu filho, Maurice Utrillo, na Pinacothèque de Paris.


Les deux chats
Óleo sobre tela, 1918
Paris, col. Raymond Subes



La chambre bleue
Óleo sobre tela, 1923
Paris, Centre Pompidou


La femme aux bas blancs
Óleo sobre tela, 1924
Nancy, Musée des Beaux-Arts