Prosimetron

Prosimetron
Prosimetron: termo grego que designa a mistura de prosa e verso.

sábado, 7 de março de 2009

Au Train Bleu

Aos meus colegas de blogue e comentadores assíduos


Esta mesa está marcada para hoje, às 20h30
na Gare de Lyon, 1.º andar
Place Louis Armand
75012 PARIS

Convite meu! Têm de ser pontuais!


Agrada-vos a sobremesa? Até já!

http://www.le-train-bleu.com/

Parabéns, MR!

Um pequeno presente dedicado à nossa expert de música francesa. Parabéns!

<

Flores de Março!

Flores de Goa para desejar um feliz dia a MR e Parabéns!
Fragmento de uma montagem que é engraçada, de S. Alonso

Cinenovidades - 29 : Last chance for love

A paixão entre adultos já maduros não é frequente como tema no cinema americano, o que faz deste filme um objecto raro. E confesso que estou com vontade de ver a interacção entre estes dois grandes actores que são Dustin Hoffman e Emma Thompson.

Noomi Rapace

E já que falei do filme Os homens que odeiam as mulheres, aqui fica Noomi Rapace, a actriz de 29 anos que interpretará a heroína da trilogia Millenium, a fascinante Lisbeth Salander. Filha de pai espanhol cantor de flamenco, e de uma dinamarquesa, Noomi é mais conhecida da televisão, embora tenha sido notada no filme Daisy Diamond, de 2007. Presentemente, Noomi interpreta Medeia de Eurípides no Teatro Real de Estocolmo.

Cinenovidades - 28 : Os homens que odeiam mulheres

Era inevitável uma adaptação ao cinema do best-seller planetário de Stieg Larsson, a famosa trilogia Millenium. Estreia já em Maio o primeiro filme: Os homens que odeiam mulheres, que adapta o primeiro volume com o mesmo título. Espero sinceramente que esteja à altura do livro. Aqui fica o trailer.

PENSAMENTO DO DIA

- Jacques-Benigne Bossuet, 1702, Rigaud, Museu do Louvre.

" No Egipto, as bibliotecas eram chamadas « Tesouro dos remédios da alma». De facto, é nelas que se cura a ignorância, a mais perigosa das enfermidades e a origem de todas as outras. "

- Bossuet

Ainda a propósito do filme O Leitor, que nos leva também a reflectir sobre os livros e a leitura, e a montante o que possibilita esta- a literacia. Nesta parte, é brilhante o recurso a Homero, um dos pais fundadores, bem como à oralidade, a transmissão oral, que foi afinal como tudo começou neste nosso mundo.

Um presente para M.R.

Esta criação da marca francesa Xuly.Bët é um acessório ideal para a época presente, pois com ele ilude-se facilmente a crise económica! 100% reciclável, existe sob a forma de pochette e em saco mais volumoso para ir às compras. Que nunca nos falte o sentido de humor, apesar das crises e recessões.
É o meu presente virtual para a nossa M.R. neste dia de aniversário. Parabéns!

1952 : Tango Azul

1952 ano de grandes produções e de grandes colheitas...
Em 1952 nasceu Tango-Azul o primeiro grande sucesso de FRANCK POURCEL.

versão de Montovani

"Ainda se os desfizesse..."


Para MR com um beijinho por este dia especial.

Uma recordação de Infância de Leonardo da Vinci, Sigmund Freud.

Leonardo da Vinci sempre me atraiu por causa da sua versatilidade. Em Roma vi uma exposição das suas máquinas e um filme sobre a sua vida e obra.
Quando vi o livro de Freud intitulado: "Uma Recordação de Infância de Leonardo da Vinci" não pude deixar de o trazer comigo.
Acerca do livro Freud afirma: " é a única coisa bela que escrevi".
Este livro, escrito em 1910, constituiu uma primeira abordagem psicanalítica sobre a criação artística.
A partir da decadência do poderio de Lodovico Moro, Leonardo teve que deixar Milão e partiu para França onde levou uma existência agitada e sem brilho. O humor ter-se-á tornado mais sombrio. Os seus interesses passaram da arte para a ciência, o que deve ter contribuído para alargar o fosso entre si próprio e os seus contemporâneos.
“Quando dissecava cadáveres de cavalos e de seres humanos, construía máquinas voadoras, estudava a nutrição das plantas e a sua reacção aos venenos, afastava-se bastante dos comentadores de Aristóteles e aproximava-se dos desprezados alquimistas”.

Qual será a recordação de infância?

Sigmund Freud, Uma Recordação de Infância de Leonardo da Vinci, Lisboa: Relógio de Água, 2007, p. 9

Montserrat Caballé. Bel Canto Coral Il Pirata

Excerto da cena final: bel canto coral Il Pirata: "Oh, s'io potessi..." (Vicenzo Bellini) cantado por Montserrat Caballé, maestro Carlo Felice Cillario e a Orchestre philharmonique de l'ORTF. Na Salle Pleyel, 15 de Outubro de 1966.



Ópera em 2 actos com libretto de Felice Romani

Ravel, por Jean Echenoz

Ravel, um livro maravilhoso que terminei há alguns dias e de que transcrevo uns excertos, narra os últimos dez anos da vida do compositor que faria hoje 134 anos.


«As férias acabaram. Agora está sentado ao piano, em sua casa. Com uma partitura à sua frente, cigarro nos lábios e, como sempre, impecavelmente penteado. Por baixo do roupão de bandas claras e bolso a condizer, traz uma camisa de riscas cinzentas e uma gravata em tons de bronze. Em posição de acorde, a mão esquerda está sobre as teclas do piano enquanto a direita, exibindo uma lapiseira de metal presa entre o indicador e o dedo grande, anota na partitura o que a esquerda acaba de criar. […]
«E a seguir, como acontece sempre que está só, faz a sua refeição virado para a parede, na mesa recuada. Ao devorar a carne, a dentadura faz um ruído de castanholas ou de metralhadora que se repercute na sala apertada. Come e vai reflectindo no que fez. Sempre gostou de autómatos e de máquinas, de visitar fábricas, de paisagens industriais, lembra-se do que viu na Bélgica e na Renânia quando passou por lá num iate de rio há mais de vinte anos, de cidades eriçadas de chaminés que expeliam chamas e fumos vermelhos e azulados, de castelos de fundições, de catedrais incandescentes, de sinfonias de correias, de silvos e sons de martelos, sob um céu escarlate.
«[…] É verdade que existia, por essa altura, uma fábrica que Ravel apreciava especialmente e que ficava junto à ponte de Rueil, a caminho de Vésinet, a fábrica dava-lhe ideias. É isso: está em vias de compor qualquer coisa que se inspira no trabalho em cadeia.
«Em cadeia e repetidamente, a composição é acabada em Outubro […]. Tem plena consciência do que fez, mas não existe estrutura a bem dizer, nem desenvolvimento, nem modelação, só ritmo e arranjos de orquestra. […]
«Mas apesar de ele sentir por essa obra um certo desprezo, não quer dizer que se deva encará-la de ânimo leve. E é preciso que o mundo compreenda também que não se pode divertir à custa do seu andamento. Quando Toscanini vai dirigi-la à sua maneira, duas vezes mais rápido e accelerando, Ravel vai ter com ele, bastante frio, depois do concerto. Não foi com o meu andamento que o senhor tocou o Boléro, fez-lhe ele notar. Toscanini inclina-se para Ravel, tornando ainda mais comprido o rosto e enrugando ainda mais o frontão que lhe faz a vez de testa. Quando toco com o seu andamento, diz, não consigo retirar-lhe o mínimo efeito. Pois bem, replica Ravel, deixe de tocá-lo. O senhor não conhece nada da sua música, há um frémito nos bigodes de Toscanini, foi a melhor forma de o tornar aceitável. Ao voltar a casa, sem dizer nada a ninguém, Ravel escreve a Toscanini. Não se sabe o que ele lhe disse nessa carta.»
Jean Echenoz – Ravel / trad. do francês por Armando da Silva Carvalho. Lisboa: Sextante, 2007, p. 62-65
€13,00

Anna Magnani



Anna Magnani faria hoje 101 anos.
Parabéns porque continua a maravilhar-nos
com o seu génio.

sexta-feira, 6 de março de 2009

O Leitor - 2







«Aproximei-me da estante. Primo Levi, Elie Wiesel, Tadeusz Borowski, Jean Améry – a literatura das vítimas ao lado dos apontamentos autobiográficos de Rudolf Höss, o relato da Hannah Arendt sobre Eichmann em Jerusalém e literatura técnica sobre os campos de concentração.
«- A Hanna lia isto?»
Bernhard Schlink
In: O leitor. 5.ª ed. Porto: Asa, 2009, p. 135

Forrem o estômago, como aconselha Miss Tolstoi!

O Leitor - 1


«Hanna? A mulher sentada no banco era a Hanna? Cabelos grisalhos, um rosto com profundos sulcos verticais na testa, nas faces, á volta da boca, e um corpo pesado. Trazia um tenso vestido azul claro, demasiado apertado no peito, barriga e ancas. As mãos estavam pousadas no colo e seguravam um livro. Não estava a ler. Observara, por cima dos seus óculos de ler, uma mulher que deitava migalhas de pão a alguns pardais. Depois, notou que estava a ser observada e virou a cara para mim.
«Vi a expectativa no seu rosto, vi-o resplandecer de alegria ao reconhecer-me, vi os seus olhos percorrerem o meu rosto ao aproximar-me, vi os seus olhos procurarem, perguntarem, ficarem inseguros, e vi apagar-se o resplendor no seu rosto. Quando cheguei perto dela, fez um sorriso amável, cansado. – Cresceste, miúdo. – Sentei-me ao seu lado e ela agarrou-me na mão.
«Antigamente eu gostava muito do seu cheiro. Cheirava sempre a fresco: a lavada de fresco ou a roupa lavada de fresco ou a suor fresco. Por vezes punha perfume, não sei qual, e também esse aroma era como tudo o resto: fresco. Debaixo desse aroma fresco havia ainda um outro, um cheiro mais denso, mais obscuro, áspero. Muitas vezes a farejei como um animal curioso, começava no pescoço e nos ombros, que cheiravam a acabados de lavar, sorvia o cheiro fresco a suor entre os seios, que se misturava nos sovacos com o outro cheiro, encontrava esse outro cheiro, denso e obscuro, quase puro, na cintura e na barriga e num colorido aromático entre as pernas, que me excitava; também cheirava as suas pernas e os seus pés […].
«Agora, estava sentado ao lado de Hanna e cheirava-me a velha. Não sei de onde vem esse cheiro que conheço de avós e de velhas tias e que paira como uma maldição nos quartos e corredores dos asilos de idosos. A Hanna era demasiado nova para ele. [...]
«Tinha-me reecontrado com a Hanna estava ela sentada num banco, e era uma velha. Tinha o aspecto de uma velha e cheirava a velha. Não tomara atenção à sua voz. A voz continuava muito jovem.»
Bernhard Schlink
In: O leitor. 5.ª ed. Porto: Asa, 2009, p. 128-129, 133

Acabei de ler o livro hoje. Tem sido a minha leitura de metro nos últimos dias. Até hoje, o filme agradava-me mais, pela sua subtileza. Mas as últimas 20 páginas do livro são comoventes - abalaram-me mais que o filme. E o filme mexeu comigo.

Parabéns !

Porque hoje faz 65 anos Dame Kiri Te Kanawa, aqui fica esta sua interpretação de Dove sono, das Bodas de Fígaro do grande Wolfgang Amadeus. Parabéns !

O amor é azul

Este tema foi cantado originalmente em francês (L' amor est bleu) pela primeira vez em 1967, por Vicky Leandros, concorrente luxemburguesa ao Festival Eurovisão. Não ganhou, mas foi um grande sucesso. Sucesso que se tornou ainda maior quando ainda nesse ano, Paul Mauriat compôs uma versão instrumental- Love is blue, que se tornou um êxito internacional. É um dos grandes clássicos do easy listening ou música de elevador, e ouvi-a durante muitos anos sem qualquer problema. Até 1999, quando vi pela primeira vez o episódio n.º21 (A Room with no view) da segunda série de Millennium, onde esta versão de Mauriat é omnipresente. Hoje em dia, quando a ouço, normalmente em espaços comerciais ou anúncios, não consigo deixar de me arrepiar. É paradoxal que esta inocente canção esteja para mim, e não só, associada à obrigação de conformidade, de ser comum ("ordinary" na língua inglesa) como era imposto no sinistro episódio daquela série da Fox.

Arroz Amargo




Realizado por Giuseppe de Santis em 1949.

«Percorrido por um erotismo exuberante onde domina Silvana Mangano, a mais sensual mondadeira que as águas do Pó banharam, Riso Amaro foi um filme escândalo no seu tempo, tendo sido proibido em Portugal duas semanas após a estreia em 1951, tal o tumulto que levantou.» (do programa da Cinemateca)
Deslumbrante Silvana Mangano!

Cinemateca Portuguesa
3.ª feira, 10 Março, 19h00

Breve Apontamento: Władysław Szpilman!

A sonata de Chopin que ontem coloquei era de um sobrevivente judeu. Todos conhecem a sua história que foi eternizada pelo filme: "O Pinanista".

Władysław Szpilman nasceu em Sosnowiec a 5 de Dezembro de 1911 e faleceu em Varsóvia, a 6 de Julho de 2000.

Nascido numa família judaica, trabalhou em Varsóvia como pianista para a rádio polaca até a invasão da Polónia pela Alemanha em 1939. Viveu no gueto de Varsóvia e continuou a trabalhar ali como pianista num restaurante. Conseguiu escapar ao campo de concentração e sobreviveu escondido até a guerra acabar.
Depois da guerra terminar escreveu a s suas memórias: “Morte de uma Cidade” que foi tema do filme O Pianista de Roman Polanski, em 2002, com Adrien Brody no papel de Szpilman, que lhe deu o Oscar de melhor actor naquele ano.

Frase sempre actual !








Calle de las Huertas


Esta é a rua principal do Bairro das Musas ou das Letras,
onde se encontra a Casa-Museu Lope de Vega e viveram
Quevedo e outros escritores espanhóis. Perto, estão a
calle de Lope de Vega, calle de Cervantes, calle de Quevedo,
calle de Echegaray, etc.
Não conhecia e gostei imenso.






Há inscrições ao longo de toda a rua, e nalgumas pedonais
circundantes, com excertos de poemas ou referências aos
escritores que habitaram na zona.
Estas fotos são apenas um pequeno exemplo.







Também ao longo da rua se encontram colocadas
placas com explicações várias sobre os escritores
que viveram em determinado edifício ou de que há
uma citação no pavimento.

Elegâncias - 15

Continuando a passear pela Calle de Serrano...
Na Loewe



Wladyslaw Szpilman, Chopin!

Nocturno en do sostenido menor de Chopin, Wladyslaw Szpilman


DIA
Uma noite, esteve a ponto de se dar uma catástrofe. A culpa era de Golda. Ela tinha levado o seu filho com ela. Uma criança de mama com poucos meses. O bebé começou a chorar, colocando assim a vida de todos em perigo. Golda tentou acalmá-lo, e adormecê-lo. Em vão. Então , os outros, aos quais Golda também se tinha juntado, voltaram-se para Schmuel e disseram-lhe: « Fá-lo calar-se. Trata dele, tu cuja profissão é degolar pintos. Saberás fazê-lo sem que ele sofra muito». E Schmuel rendeu-se à razão: a vida de um bebé contra a vida de todos. Ele agarrou na criança. No escuro, os seus dedos tacteantes tinham procurado o pescoço. E tinha-se feito silêncio no céu e sobre a terra. Só os cães continuavam a ladrar, ao longe.

Elle Wiesel - Dia, Lisboa: Texto Editora, 1961, p.74

quinta-feira, 5 de março de 2009

Neo-realismo : Cinemateca Portuguesa

ANNA MAGNANI
Começou o ciclo do neo-realismo. O primeiro filme, que MR aqui divulgou, passou hoje, quinta-feira, pelas 21.30. Roma, Cidade Aberta (voltaremos a ele, em post futuro).
A grande heroína deste filme e deste ciclo será Anna Magnani, que hoje aqui recordamos, nas suas últimas imagens em filme e a atribuição do Óscar, o primeiro atribuído a uma actriz italiana.

Roma: Piazza Santa Maria in Trastevere (1972).


21 de Março de 1956

Berlim inaugura monumento em memória dos judeus mortos (2005)!

O post do Luís Barata levou-me a procurar este monumento em memória das vítimas do holocausto. Quando estive em Berlim ainda não estava concluído, com pena minha. Deixo aqui dois excertos que saíram no Público aquando da inauguração.

MONUMENTO
«(…) Concebido pelo arquitecto Peter Eisenman, o monumento [aos judeus vítimas do nacional-socialismo] é como uma floresta de 2711 blocos de betão antracite, que ocupa uma área de 19 mil metros quadrados [qualquer coisa como um estádio de futebol] entre a Porta de Brandeburgo e o Reichtag, a dois passos do bunker onde Adolf Hitler se suicidou a 30 de Abril de 1945. Impossível encontrar localização mais simbólica. (…)»
Helena Ferro de Gouveia, Frankfurt, in Público de TR 10 MAI 05
Berlim inaugura monumento em memória dos judeus mortos, Helena Ferro de Gouveia, Frankfurt, In Público de 10/5/05.
O monumento, lancinante de sobriedade, demonstra que "não existe nenhum recalcamento do crime que faz parte da identidade alemã", na análise de Wolfgang Thierse, presidente do Parlamento (Bundestag), que hoje fará a inauguração oficial. Distantes, com uma precisão prussiana, 95 centímetros uns dos outros, os pilares não permitem que duas pessoas caminhem lado a lado no interior do monumento lado a lado. O objectivo é levar o visitante a avançar sozinho, a experimentar " o que significa a solidão, a impotência , o desespero", explica Wolfgang Thierse. A sentir a desorientação das vítimas do Holocausto.

Despertar de Eugénio de Andrade e Chagall!

Russian Village under the Moon, 1911


Oil on canvasBayerische Staatsgemäldesammlungen, Munich, Germany
Escolhi esta tela por ser significativa da sua fase cubista.

The Poet with the Birds - 1911

Oil on canvas28 3/4 x 39 1/4 inchesMinneapolis Institute of Arts, Minnesota


DESPERTAR


É um pássaro, é uma rosa,
é o mar que me acorda?
Pássaro ou rosa ou mar,
tudo é ardor, tudo é amor.
Acordar é ser rosa na rosa,
canto na ave, água no mar.

Eugénio de Andrade, Antologia Breve, Porto: fundação Eugénio de Andrade, 1997, p. 40

A gastronomia em livros

- Uma muito ilustrada história da alimentação desde os tempos pré-históricos até à actualidade. Editada pela University of California Press.
- Quem come o quê, onde e porquê, são as perguntas respondidas neste atlas da comida, que conta com muitos mapas e gráficos. Escrito por Erik Millstone e Tim Lang.

- É um best-seller internacional esta obra conjunta do grande chef Pierre Gagnaire e do físico-quimíco heterodoxo Hervé This. A ciência e a gastronomia. Uma edição da Flammarion.


Aqui ficam três referências, umas mais recentes do que outras, sobre gastronomia, da análise histórica às tendências actuais. Todos disponíveis na Amazon, onde é possível ver partes do "miolo" das obras.

A lembrar também

Neste ano de Darwin, há que lembrar também Galileu Galilei, designadamente por se cumprirem este ano 400 anos da invenção do telescópio para fins astronómicos. Foi em 1609, que Galileu aperfeiçoou e utilizou na observação do céu uma luneta que lhe tinha chegado da Holanda, permitindo tal instrumento observar os corpos celestes como nunca antes. Graças ao seu telescópio, Galileu descobriu as manchas solares, as fases de Vénus e as crateras lunares.

Petição - Fábrica Faianças Artísticas Bordalo Pinheiro







Salvar a fábrica Bordalo Pinheiro

Carta Aberta a Sua Exa. O Primeiro Ministro

Em 1884, Bordalo Pinheiro funda uma fábrica de cerâmica artística, que pretende exemplar, nas Caldas da Rainha. Aí, aquele que muitos consideram o maior artista português do séc. XIX desenha, inventa, modela e pinta milhares de peças que concretizam, excedem e amplificam toda uma tradição, definindo um estilo que ainda hoje, tantos anos volvidos, todos identificamos imediatamente. Mais de cem anos após a sua morte, a fábrica herdeira do seu saber continua a produzir esta obra genial.

As notícias recentes e inquietantes sobre o futuro da Fábrica de Faianças Artísticas Bordalo Pinheiro obrigam-nos neste momento a manifestar-nos publicamente. Por preocupação com um património histórico único e em defesa da obra de um artista que desde finais do séc. XIX integra o imaginário nacional.

Num momento em que a vida desta empresa conhece piores dias e quando se perspectiva a venda desta fábrica, apelamos a uma intervenção do Estado, qualquer que seja o seu futuro, no sentido de:

- salvaguardar que o espólio do artista Bordalo Pinheiro (moldes, desenhos e peças originais) se mantenha na fábrica e seja a matriz de uma nova estratégia de qualidade e afirmação da marca Bordalo Pinheiro;

- aprofundar a inventariação, estudo, preservação e divulgação deste espólio, promovendo o reconhecimento de uma faceta menos consagrada deste artista;

- salvar uma fábrica única pela sua história e pelo saber especializado daqueles que aí trabalham, assegurando a transmissão deste na formação de futuras gerações, de modo a fazer também desta empresa um lugar de ensino;

- estimular, simultaneamente, a renovação da marca Bordalo Pinheiro, envolvendo nomes prestigiados e novos valores do design e das artes;

- contribuir para a definição de uma estratégia que reposicione a marca Bordalo Pinheiro num segmento de mercado de excelência, a nível nacional e internacional, investindo na sua divulgação, marketing e distribuição.

Os autores desta carta apelam pois ao Estado para que, neste momento crítico, olhe para a singularidade desta situação e, nós próprios, não nos demitindo das nossas responsabilidades enquanto cidadãos, disponibilizamo-nos para contribuir para essa reflexão.

Autores:

Raquel Henriques da Silva, Professora de História da Arte, FCSH Universidade Nova Lisboa.

Joana Vasconcelos, Artista Plástica.

Elsa Rebelo, Coordenadora do Atelier Artístico da Fábrica Bordalo Pinheiro

Henrique Cayatte, Designer, Presidente do Centro Português de Design.

Bárbara Coutinho, Directora do MUDE. Museu do Design e da Moda

Catarina Portas, Empresária A Vida Portuguesa

Lúcia Marques, Curadora Independente

Carmo Afonso, Advogada

ASSINE A CARTA ABERTA ATRAVÉS DO SEGUINTE ENDEREÇO:

http://www.petitiononline.com/Bordalo/petition.html

Eu já assinei.


PENSAMENTO DO DIA

- Honoré de Balzac, Auguste Rodin.

" O homem morre pela primeira vez na idade em que perde o entusiasmo."

- Honoré de Balzac

Continuam " Os Miseráveis"


É um tema que me tem vindo a interessar nos últimos anos, este das sequelas literárias, tanto na vertente literária como na jurídica. E parece ter chegado ao fim um dos casos mais combativos, o que se prende com a continuação de "Os Miseráveis" de Victor Hugo por François Ceresa. Logo em 2001, com a publicação do primeiro romance que continua a saga da família de Jean Valjean, Cosette ou le Temps des Illusions, foi processado o autor e a editora Plon por Pierre Hugo, trineto do genial escritor francês.
Chegou agora ao fim a saga judicial, com uma decisão final que deu razão à editora.
Entretanto, foi publicado mais um volume- Marius ou le fugitif. Não li nenhuma destas sequelas, não por qualquer questão de princípio, antes pelo contrário, mas apenas por falta de disponibilidade. Lembro-me, no entanto, que as recensões que li eram favoráveis a Ceresa.
Enquanto que se tem posto a questão um pouco por todo o mundo ocidental, por cá não tenho notícia de nenhum caso. Ou estive distraído?


Também lá estamos

Desde Janeiro que está na Antárctida uma expedição científica portuguesa, composta por 9 investigadores que além de estudarem o permafrost ( solo permanentemente gelado ) , também se vão dedicar às adaptações das espécies animais às alterações climáticas.
Infelizmente, Portugal ainda não assinou o Tratado da Antárctida, instrumento internacional destinado a proteger o continente gelado e instituído em 1959. Pode ser que seja este ano. Sempre seria uma data redonda...

Biografias, autobiografias e afins - 20

Alexander Waugh biografou uma das mais conhecidas famílias judias de Viena, os famosos Wittgenstein. Uma das mais conhecidas e uma das mais ricas de todo o Império Austro-Húngaro. O livro foca essencialmente a geração dos pais e irmãos de Ludwig, o conhecido filósofo.
Karl Wittgenstein, grande magnata, mas também amigo e patrono de Brahms e de Klimt, teve mais sete filhos além de Ludwig, três dos quais suicidaram-se, e um quarto, Paul Wittgenstein, perdeu um braço o que não o impediu de ser um pianista bem sucedido ( para ele Ravel escreveu o Concerto para a mão esquerda ) .
Foi a enorme riqueza da família que possibilitou a sua sobrevivência ao Nazismo, tendo vários membros da família conseguido sair para os Estados Unidos depois de pagarem elevadas somas aos nazis.
Riqueza que não prejudicou nem beneficiou Ludwig Wittgenstein: ainda jovem, tinha renunciado à sua parte a favor dos restantes irmãos dizendo que - "Já têm tanto dinheiro que mais algum não lhes fará mal."

- The House of Wittgenstein, a Family at War, Alexander Waugh.

Os limites da arte ( ? ) - 1


Começo com a recente polémica à volta dos britânicos irmãos Chapman e das aguarelas de Hitler. Como é sabido, Hitler pintou centenas de aguarelas até trocar a pintura pela política com os resultados que conhecemos. Os iconoclastas Jake e Dino Chapman compraram num leilão onze aguarelas pintadas por Hitler e trabalharam sobre elas, acrescentando-lhes soldados mortos, pontes destruídas, arco-irís e formas geométricas coloridas. Deram-lhes o título colectivo de March of the Banal (Marcha do Banal ) .
Este conjunto de aguarelas "transformadas" pelos Chapman foi exposto e vendido na recente 35ª FIAC-Feira Internacional de Arte Contemporânea de Paris a coleccionadores privados europeus por 815.000 euros, no meio de intensa controvérsia.
Para além da propriedade material de uma obra de arte, existe o direito moral ou intelectual do artista que é normalmente exercido pelos seus descendentes ou por um executor de testamento. Mas no caso de Hitler, deve o seu direito de autor ser protegido? E se fosse outro o artista?
O que nos remete para o título que escolhi- os limites da arte. Quem os define? Devem existir sequer? Ou arte é tudo o que o mercado compra?

Amanhã no Museu do Oriente

Amanhã, 6 de Março, continua o ciclo de palestras Os Escritores e o Oriente sendo a vez de Jacinto Lucas Pires falar sobre o tema.

- Museu do Oriente, 18h, entrada livre.

Lá fora - 19 : Angers

Já aqui falei de René d' Anjou a propósito de recente biografia escrita por Jean Favier, e hoje volto a este apreciado monarca até porque 2009 também é o ano dele, já que se comemoram os 600 anos do nascimento deste soberano ilustrado, mecenas e também autor : Traité de la forme et devis comme on fait des tournois, e um romance de amor cortês- Le livre du coeur d' amour épris.
Comemorações que decorrem nas duas capitais de René: Angers e Aix-en-Provence.
Em Angers, os eventos começaram logo no passado mês de Janeiro, com o tema: Le roi René, dans les pas d' un prince atypique, chevalier des arts-1409-2009, e à volta dos torneios, a caça, os livros e a própria mitologia deste soberano angevino.

Carrilho da Graça. Arquitectos III

O terceiro arquitecto da minha escolha recai num arquitecto português, João Luís Carrilho da Graça e a sua obra de reconstrução do Mosteiro de Santa Maria de Flor da Rosa (Crato).

Fundado em 1356, o Mosteiro da Ordem do Hospital de Flor da Rosa constitui um dos mais emblemáticos exemplos de Mosteiro fortificado existentes no nosso país. A sua igreja mantém o essencial da arquitectura gótica original, de nave única, com o arco do cruzeiro de dimensões invulgares, o abobadamento em ogiva e as grandes massas despidas, com aberturas apenas nos registos superiores. No entanto, sofreu várias alterações, sobretudo nos séculos XI e XVII. Todo o edifício possui altas paredes ameadas, em granito aparelhado. Da primitiva traça conserva algumas torres com portas e janelas ogivais, frestas em arco aguçado, impostas e colunelos; a feição actual do edifício é fruto das obras efectuadas na década de 40 do Séc. XX.

Em 1995, parte do conjunto foi adaptado a Pousada da Enatur. O excelente trabalho de Carrilho da Graça, a meu ver, faz deste espaço uma beleza indescritível. A ruptura com o velho edifício é feita de forma natural, simples e minimalista que realça a beleza histórica do mosteiro-fortaleza.


As obras mais conhecidas do arquitecto são: o Pavilhão do Conhecimento dos Mares (Expo 98), Escola Superior de Comunicação Social (Lisboa), pelo qual recebeu o prémio Secil, em 1996; a Igreja de São Paulo (Macau), o Convento de Jesus (Setúbal) e o Convento de São Francisco (Coimbra), o Théâtre & Auditorium de Poitiers, acabou por restaurar o edifício do Museu do Oriente (Lisboa) e tem como projectos quase terminados a Escola Superior de Música de Lisboa e a Igreja de Santo António (Portalegre). Em 2008 devido à coerência e harmonia patente na sua obra recebeu o prémio Fernando Pessoa.