Prosimetron

Prosimetron
Prosimetron: termo grego que designa a mistura de prosa e verso.

sábado, 24 de setembro de 2016

Buonasera!

Em uma tarde de Outono

Gustave Caillebotte - Barcos à vela em Argenteuil, 1888

Outono. Em frente ao mar. Escancaro as janelas
Sobre o jardim calado, e as águas miro, absorto.
Outono... Rodopiando, as folhas amarelas
Rolam, caem. Viuvez, velhice, desconforto...

Por que, belo navio, ao clarão das estrelas,
Visitaste este mar inabitado e morto,
Se logo, ao vir do vento, abriste ao vento as velas,
Se logo, ao vir da luz, abandonaste o porto?

A água cantou. Rodeava, aos beijos, os teus flancos
A espuma, desmanchada em riso e flocos brancos...
Mas chegaste com a noite, e fugiste com o sol!

E eu olho o céu deserto, e vejo o oceano triste,
E contemplo o lugar por onde te sumiste,
Banhado no clarão nascente do arrebol...

Olavo Bilac

Esplanadas de Paris - 9


quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Buonasera!


De Lecce

Dos nossos viajantes na Puglia: «Para não ser só praia :) , aqui fica o esplendor do barroco pugliese na cidade de Lecce .»


Canção de Outono

Pintura de Edward Cucuel


Perdoa-me, folha seca,
não posso cuidar de ti.
Vim para amar neste mundo,
e até do amor me perdi.
De que serviu tecer flores
pelas areias do chão
se havia gente dormindo
sobre o próprio coração?

E não pude levantá-la!
Choro pelo que não fiz.
E pela minha fraqueza
é que sou triste e infeliz.
Perdoa-me, folha seca!
Meus olhos sem força estão
velando e rogando aqueles
que não se levantarão...

Tu és folha de outono
voante pelo jardim.
Deixo-te a minha saudade
- a melhor parte de mim.
E vou por este caminho,
certa de que tudo é vão.
Que tudo é menos que o vento,
menos que as folhas do chão...

Cecília Meireles
In: Poesia completa. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2001. Vol. 2

Marcadores de livros - 469

Da esq. para a dir.: Moinho de vento, típico da Mancha; O touro de Osborne; Cerâmica de Talavera.
Marcadores: www.endlesslatitude.com

Os anúncios do touro e do homem da Sandeman que se veem pelos campos espanhóis são hoje património nacional.

Na praia

0004 [332 KB]
O Século Cómico, Lisboa, 22 set. 1919, p. 4

Exposiçao Hestnes Ferreira

A exposição abre amanhã às 12h00, na Lusófona (Campo Grande).

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Buonasera!

No Campo Grande

Agora que começaram as aulas é que resolveram desmanchar uns empedrados frente à Biblioteca Nacional para fazerem algo a bem da cidade. Esperemos que sim, que seja a bem da cidade, mas não imaginam o que têm sido as filas de carros ali. Podiam ter aproveitado os meses de férias para fazer esta pequena obra.
Agora só lá está o carro laranja, mas trabalhadores não se viram durante dois dias; hoje regressaram. Esta obra será para acabar quando?

Duas portas


Paris, set. 2016
Para a Isabel.

Eu sei tudo das coisas que eu sei


terça-feira, 20 de setembro de 2016

Buonasera!


L'ŒIL DE BAUDELAIRE


Imaginar uma exposição que ponha em diálogo os textos do jovem poeta e as obras de arte que ele comenta, é proporcionar ao visitante penetrar nas grandes páginas escritas sobre os Salons de 1845 e de 1846 que são um marco na história da crítica de arte. 
Estão expostas uma centena de pinturas, esculturas e estampas evocadas por Baudelaire.
A exposição explora a paisagem artística dos anos 1840, apresentando à volta dos artistas conhecidos na época – Delacroix, Ingres, Corot, Rousseau ou Chassériau – pintores que o seduziram ou irritaram. A mostra, que abre hoje no Musée de la Vie Romantique, em Paris, e pode ser vista até 29 de janeiro de 2017, permite descobrir a modernidade que molda o poeta face às linguagens artísticas que despontam então em Paris, espelhadas principalmente em Manet.

Marcadores de livros - 468


Frente e reverso de quatro marcadores.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Buonasera!

Acho que esta canção já andou por aqui, se calhar mais do que uma vez, mas it's wonderful, it's wonderful.

De Otranto

Diretamente para o Prosimetron

Boas férias para os dois prosimetronistas que andam de férias pela Puglia. E bons banhos!

Nas montras de Paris - 22

Estes macacos e cadeiras também poderia ter ido parar às «Elegâncias».

Leituras no Metro - 250

Este livro também não estava no monte, mas resolvi relê-lo ao ler Outras cores, cujos continuam a ser saboreados.


Começa assim: «Um dia li um livro e toda a minha vida mudou. Desde a primeira página, sofri com tanta força o poder do livro que senti o meu corpo apartado da cadeira e da mesa a que me sentava. No entanto, ao mesmo tempo que experimentava a sensação de que o meu corpo se afastava de mim, todo o meu ser continuava, mais do que nunca, sentado na cadeira, à mesa, e o livro manifestava todo o seu poder não só na minha alma, mas em tudo o que compunha a minha identidade. Era uma influência tão forte que me parecia que a luz emanada das páginas me atingia como um jorro: o seu brilho cegava toda a minha inteligência, mas, ao mesmo tempo, tornava-a mais cintilante. Fiquei com a certeza de que esta luz iria reconstruir-me, que graças a ela deixaria de percorrer os caminhos já trilhados.»

domingo, 18 de setembro de 2016

Buonasera!

Um falafel em Paris

Eu gosto imenso de falafel, seja no prato, seja numa pita. Ia um dia a passear e dei de caras com este restaurante judeu, na rue Pavée. Ainda era um pouco cedo para almoçar, de modo que continuei a andar, mas voltei para trás  Comprei uma pita com falafel, ali na janela da esquerda, paguei €6,00 e mais tarde comi-a no Jardim das Tulherias. O melhor falafel que já comi, mesmo em Israel.
Dois dias depois, reincidi. 

https://www.yelp.com/biz_photos/pitzman-paris?select=daDGJhvErhajbEzui3djoA


Para a próxima vou experimentar L'As du Fallafel, um restaurante libanês, na rue des Rosiers. Depois darei notícias.

Hoje estava pronta para novo falafel Pitzman. Ou podia ter metido mãos à obra e ter feito uns. Já os fiz e não me saíram mal.

Marcadores de livros - 467

Acho que este é o reverso (mas pode ser o verso) de seis marcadores. A frente é igual sem o retângulo com a indicação do museu e da legenda.


Buona giornata!


sábado, 17 de setembro de 2016

Os meus franceses - 488


Bases de copos - 46


Esta é o reverso da de cima à esq.

Uma cidra Magners e uma imperial Palm Royal.

Marcadores de livros - 466

 Marcadores dos Archives départamentales de l'Yonne, em Auxerre.

Da esq. para a dir., pormenores: Minuta de Antoine Petirjean, notário em Tonnerre, 1559; Selo de Marguerite condessa de Tonnerre, 1292; Plano parcelar da comuna de Cruzy-le-Châtel, 1831; Álbum de recordações de Marguerite Berthier de Sauvigny, 1872.

Da esq. paa a dir., pormenores: Missal, século XIII; Genealogia Noël, final século XVIII; Trabalhos de alunos da classe infantil de Vermont: colagens, 1899; Palno e elevação da porta de En-Bas da cidade de Cravant, 1783.

Agradeço a quem mos enviou.

100 ans... Léo ? Tu t'rappelles ?


Em Beaune, a biblioteca Gaspard-Monge apresenta até 29 de outubro uma exposição intitulada 100 ans... Léo ? Tu t'rappelles ? qe evoca a carreira de Léo Ferré, nascido no Mónaco a 24 de agosto de 1916, tendo falecido na Toscânia a 14 de julho de 1993.  compositor e cantor anarquista é um dos maiores expoentes da música do século XX.

Entretanto saiu uma biografa de Léo Ferré, da autoria de Pascal Boniface.

Paris: La Découverte, 2016
https://fr.calameo.com/read/000215022c747678a6a22




sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Boa noite!

Marcadores de livros - 465

Verso e reverso de um marcador das Feiras do Livro de 2014.

Até dia 18 de setembro está a decorrer a de Ourense.

Obrigada, Justa.

Leituras no Metro - 249

Lisboa: Tinta da China, 2016

Meio intelectual, meio de esquerda reúne cerca de 80 crónicas de António Prata, um brasileiro nascido em 1977 que escreve na Folha de São Paulo, mas já foi cronista de O Estado de S. Paulo e da revista Capricho.
Estou a devorar estas crónicas, sempre divertidas. Um livro que não estava nos meus planos de leitura.

«Eu sou meio intelectual, meio de esquerda, por isso frequento bares meio ruins. Não sei se você sabe, mas nós, meio intelectuais, meio de esquerda, nos julgamos a vanguarda do proletariado, há mais de cento e cinquenta anos. […] No bar ruim que ando frequentando ultimamente o proletariado atende por Betão – é o garçom, que cumprimento com um tapinha nas costas, acreditando resolver aí quinhentos anos de história.» (in «Bar ruim é lindo, bicho», p. 41).

«Estou feliz e satisfeito. Se não tivesse que revisa esta crónica, até abriria uma cerveja: acabei de eliminar o último montinho da casa, o maior que me acompanhava há mais de um ano. Não sei se você, disciplinado leitor, também sofre desse mal - o montinho -, mas a minha vida é uma inútil e etern guerra contra eles.» (in «Caos e celulose», p. 71).
Eu sofro. E tenho passado uns dias de férias a lutar contra eles. São uns dos grandes infernos da minha vida: os montinhos.

«É inegável a simpatia da bicicleta. [...] Se Cervantes escrevesse hoje, Rocinente não seria pele e osso, mas quadro, guidão e pneus.» (in «Bicicleta!», p. 77).





BALADA DAS MENINAS DE BICICLETA

Meninas de bicicleta
Que fagueiras pedalais
Quero ser vosso poeta!
Ó transitórias estátuas
Esfuziantes de azul
Louras com peles mulatas
Princesas da zona sul:
As vossas jovens figuras
Retesadas nos selins
Me prendem, com serem puras
Em redondilhas afins.
Que lindas são vossas quilhas
Quando as praias abordais!
E as nervosas panturrilhas
Na rotação dos pedais:
Que douradas maravilhas!
Bicicletai, meninada
Aos ventos do Arpoador
Solta a flâmula agitada
Das cabeleiras em flor
Uma correndo à gandaia
Outra com jeito de séria
Mostrando as pernas sem saia
Feitas da mesma matéria.
Permanecei! vós que sois
O que o mundo não tem mais
Juventude de maiôs
Sobre máquinas da paz
Enxames de namoradas
Ao sol de Copacabana
Centauresas transpiradas
Que o leque do mar abana!
A vós o canto que inflama
Os meus trint'anos, meninas
Velozes massas em chama
Explodindo em vitaminas.
Bem haja a vossa saúde
À humanidade inquieta
Vós cuja ardente virtude
Preservais muito amiúde
Com um selim de bicicleta
Vós que levais tantas raças
Nos corpos firmes e crus:
Meninas, soltai as alças
Bicicletai seios nus!
No vosso rastro persiste
O mesmo eterno poeta
Um poeta - essa coisa triste
Escravizada à beleza
Que em vosso rastro persiste,
Levando a sua tristeza
No quadro da bicicleta.

Rio de Janeiro, 1946
Vinicius de Moraes

quinta-feira, 15 de setembro de 2016