Prosimetron

Prosimetron
Prosimetron: termo grego que designa a mistura de prosa e verso.

sábado, 23 de janeiro de 2010

In memoriam Jean Simmons


Jean Simmons faleceu ontem em Los Angeles aos 80 anos.

Nascida em Londres a 31 de Janeiro de 1929, foi um dos grandes nomes do cinema dos anos 50 e 60. Participou em cerca de 75 filmes, entre eles, Hamlet ao lado de Laurence Olivier, The Robe, acompanhada de Richard Burton, e The Big Country juntamente com Gregory Peck.

Convite para o chá

Alguns quadros da pintora holandesa Henriette Ronner Knip (1821-1909).
Não consegui localizá-los, apenas consegui estas reproduções.


High Tea.
Col. particular.

Tea time.

Tea party with kittens.

Recordando

Recordando A. H. de Oliveira Marques (1933-2007)

Georgia O' Keeffe e as flores numa quase ausência de cor.

Georgia O'Keeffe salienta-se pelas cores e sensualidade das suas pinturas. Hoje escolhi a vertente quase sem cor que é menos habitual no seu trabalho.
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Carl Van Vechten, fotografia de Georgia O' Keeffe no México

Rosa Branca, 1927

Rosa branca com Íris
Bons Dias, [Ipomoea]


Cartaz de Steinlen.

Franc Chocolatier

Franc Chocolatier

A. S. : Escolhas Pessoais XV

Francisco Manuel de Melo



Personagem multifacetada, poeta-soldado, historiador, diplomata, teórico do Poder (“Aula Política, Cúria Militar”, 1720), hagiógrafo, moralista q. b., viajante por dever, por desgraça (degredo no Brasil) e ofício, Francisco Manuel de Melo (1608-1666) é, dos nossos autores antigos, talvez aquele que – afora Camões – melhor conheceu o mundo da sua época e que, mais alargado horizonte tinha, na sua experiência de vida. Cortesão lisboeta, e de outras cortes, viveu a meninice na Calçada do Combro, tendo alternado, na idade madura, entre o Rossio, onde também morou, e a sua quinta de Alcântara. Pelo meio, as prisões: Torre de Belém, Castelo de S. Jorge e Torre Velha (na Outra-banda) onde compôs uma das suas obras-primas: “Carta de Guia de Casados”, editada em 1651. Precoce, na escrita, fez imprimir, com cerca de 20 anos, em 1628, um pequeno livro, hoje raríssimo, com doze sonetos sobre Inês de Castro, e que foi reeditado, em edição fac-similada em 1960, por “ O Mundo do Livro”.



A sua poesia, se bem que agregue toda uma herança conceptista, tem marca própria e, por vezes, um humor muito vivo, até quando refere as suas desgraças e prisões: “Casinha desprezível mal forrada, / Furna lá dentro mais que inferno escura / Fresta pequena, grade bem segura, / Porta só para entrar, logo fechada;…” Amigo de Francisco de Quevedo, com quem privou na corte de Madrid, de que resta uma carta testemunho (L da 2ª Centúria), enviada por Manuel de Melo, e integrada na obra “Cartas Familiares” – talvez o 1ºconjunto de epistolografia da literatura portuguesa.

    Degredado para o Brasil, por motivos ainda hoje não totalmente esclarecidos, o seu testemunho das terras de Vera Cruz é mínimo, se bem que lá tivesse ficado 5 anos. Deixou-nos um soneto que começa assim:

    “São dadas nove. A luz e o sofrimento

    Me deixam só nesta varanda muda,

    Quando Domingos, que dormindo estuda

    Por um nome que errou, lhe chamo cento.

    Mortos da mesma morte o dia e o vento,

    A noite estava para ser sesuda,

    Que desta negra gente, em festa ruda,

xxxxxxEndoudece o lascivo movimento…”



Da sua vasta bibliografia elejo “Carta de Guia de Casados” de que escolhi um pequeno excerto com pretexto e sugestão de que a leiam ou releiam. Aqui vai:

    “ Dizia um nosso grande cortesão, que havia três castas de casamento no mundo: casamento de Deus, casamento do Diabo, casamento da morte. De Deus, o do mancebo com a moça. Do Diabo, o da Velha com o mancebo. Da morte, o da moça com o Velho. Ele certo tinha razão, porque os casados moços podem viver com alegria. As Velhas casadas com moços vivem em perpétua discórdia. Os velhos casados com as moças apressam a morte, ora pelas desconfianças, ora pelas demasias.”

Post de Alberto Soares

1910 - 4

Django Reinhardt, um dos maiores guitarristas de jazz, nasce na Bélgica
em 23 Jan. 1910, vindo a falecer em França 43 anos mais tarde.

In Memoriam - Professor Doutor A.H. de Oliveira Marques!

In Memoriam é dedicado ao historiador Senhor Professor Doutor A. H. Oliveira Marques que nasceu a 23 de Agosto de 1933, em S. Pedro do Estoril, e pereceu, em Lisboa, a 23 de Janeiro de 2007.
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Para o recordar deixo um livro que me marcou nos tempos da Faculdade. Ontem, na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, estive a manuseá-lo e deliciei-me com ele. A minha visão não é a mesma de outrora. No entanto, a frescura do texto continua mesmo com o passar dos anos.
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Capa: Reprodução do desenho do «Cancioneiro da Ajuda», Fl 231.
(3ª edição 1974)


"Regista a história o que se veste, onde se vive, às vezes o que se come. Mais dificilmente narra como se ama. A intensidade e a forma do afecto só aqui e além, a muito custo se vislumbram, num levantar fortuito da cortina do pudor ou da muralha natural".
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A.H. Oliveira Marques, A Sociedade Medieval Portuguesa, Aspectos da Vida Quotidiana, 1ª ed., Lisboa: Livraria Sá da Costa, 1964, [ilustrações desenhos Vítor André e Capa de Sebastião Rodrigues], p.117.
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Soube que está no prelo uma nova edição pela Esfera do Livro.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Bon soir!




Paris


Especialmente para o grupo de prosimetronistas que viajou esta manhã para Paris, aqui vão algumas sugestões para ver, comprar e degustar... na cidade-luz.
Amanhã é o último dia para aproveitar os saldos da Hermés, numa iniciativa inédita saquela marca francesa que abre ao público, sem convites, a possibilidade de adquirir roupas, sapatos e acessórios com reduções até 70%. Os famosos lenços estão a metade do preço.
Na hora de pensar num restaurante, experimentem o Chartier. Não é fácil encontrá-lo uma vez que fica escondido no interior de um pequeno prédio da rue du Faubourg Montmartre (nº 7). Surgido no final do séc. XIX, este restaurante serve o mesmo cardápio desde a sua inauguração. Se os preços ainda se mantiverem, as entradas variam entre 2 e 5 euros. Os pratos principais entre 8 e 11. O tradicional cozido Pot au feu por 11 euros. Sobremesas entre os 2 e os 3 euros. E um vinho tinto por 3,20 euros. Inacreditável para o que se pratica em Paris ao nível da restauração.

Tudo acaba

A nossa vinheta!

Alfred Stieglitz, (1864-1946) As mãos de Georgia O’Keeffe, fotografia de 1918.
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Museu Internacional da Fotografia e Filme George Eastman House( da antiga col.Georgia O'Keefe), Nova Iorque
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Georgia Totto O'Keeffe nasceu em 1887, em Sun Prairie, Wisconsin, e morreu em Santa Fé, Novo México, em 1986. Notabilizou-se como pintora.
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Alfred Stieglitz (1864-1946) ajudou-a a lançar-se no mundo da arte expondo os seus trabalhos em Nova Iorque onde era promotor e galerista de arte de Vanguarda. Acabaria por casar com ela.
As Mãos fotografadas são a melhor homenagem prestada à pintora e mulher. Georgia O'keeffe foi também, musa para uma larga colecção de fotografias.

Os meus franceses - 89

Durante uns dias «Os meus franceses» vão ser dedicados à Java, música que adoro.

Cinenovidades - 100 : Mais Clooney

Estreou ontem nas nossas salas o Up In the Air, e na próxima semana estreia este The Men Who Stare at Goats, outro filme protagonizado por George Clooney, mas desta vez a fazer o que também faz muito bem: de idiota. É uma comédia negra baseada, acreditem ou não, numa história verídica. E não foram só os americanos, também os soviéticos durante décadas tiveram uma divisão de Estudos Paranormais nas Forças Armadas... E se calhar mais alguns ...

Dante ... 2 retratos e um excerto!

Giotto (c. 1267 – 1337), Dante Alighieri, na capela do palácio Bargello, Florença


Luca Signorelli, (c. 1445 – 1523) Dante Alighieri, detalhe "affresco della cappella di San Brizio, Duomo, Orvieto".

Canto X (excerto da Divina Comédia - II Purgatorio)


(...)

«Aqui convém que a gente use alguma arte»,
começou o meu guia, «ao encostar-se
aqui e ali, ao lado que se aparte».
E isto fez nossos passos retardar-se
e, tanto que, antes o minguar da lua
o seu leito alcançou por aninhar-se,
que a saída da fenda se conclua:
mas quando fomos no ar livre libertos,
lá o monte unido atrás recua,
eu já cansado e nós os dois incertos
da nossa via, fomos ter um plano
mais só do que as estradas por desertos.


Dante Alighieri, A Divina Comédia, Lisboa: Bertrand, 2006, p.217 (Trad. Vasco Graça Moura, O Purgatório: 33 desenhos de Júlio Pomar e 10 retratos de Dante)

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Bon voyage!


...aos próximos viajantes.


E como sugestão eclética, a Conciergerie, onde um pode peregrinar no r/c e os demais no primeiro andar, todos os objectos de devoção igualados pelo rasoir national.

Para os últimos, será azado lembrar o pseudo-epitáfio do alegadamente Incorruptível: Passant, ne pleure pas mon sort... ;)


Divirtam-se!

Coisas do céu... 16

Herri met de Bles (c. 1510-1555 ?), O Paraíso, 1541-1550


Óleo sobre madeira, 46.6 × 45.5 cm, Bonnefantenmuseum, Maastricht, Holanda
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Canto I

Do homem primeiro canta, empírea Musa,
A rebeldia — e o fruto, que, vedado,
Com seu mortal sabor nos trouxe ao Mundo
A morte e todo o mal na perda do Éden,
Até que Homem maior pôde remir-nos
E a dita celestial dar-nos de novo
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Do Orebe ou do Sinai no oculto cimo
Estarás tu, que ali auxílios deste
Ao pastor que primeiro aos escolhidos
Ensinou como do confuso Caos
Se ergueram no princípio o Céu e a Terra?
Ou mais te agrada Sião e a clara Síloe
Que mana ao pé do oráculo do Eterno?
Lá donde estás, invoco o teu socorro
Para este canto meu que hoje aventuro,
Decidido a galgar com vôo inteiro
Muito por cima da montanha Aônia,
De assuntos ocupado que inda o Mundo
Tratados não ouviu em prosa ou verso.
(...)

John Milton, Paraíso Perdido, tradução de António José de Lima Leitão (1787-1856), retirado do site: http://www.ebooksbrasil.org/eLibris/paraisoperdido.html#1

Lá fora - 65 : Os Camondo



Aqueles que foram chamados os Rothschild do Oriente, poderosa dinastia financeira que se integrou em França e deu muito ao país de acolhimento ( ao Louvre, ao Museu d' Orsay, ao Museu Guimet etc, criando até um museu dedicado à memória de um filho que perdeu a vida na Primeira Guerra ) foi quase extinta pelos horrores da Segunda Guerra Mundial.
Toda a generosidade dos Camondo durante séculos não impediu que acabassem em Auschwitz e Birkenau...

Mas sobrevivem as obras coleccionadas por esta família de adoradores da arte, agora reunidas no Museu do Judaísmo de Paris.


- La splendeur des Camondo, musée d' Art et d' Histoire du judaisme ( Rue du Temple, 71 ), Paris.
Até 7 de Março. Há um catálogo publicado pela Skira/Flammarion.


PENSAMENTO DO DIA


Ser feliz é continuar a desejar o que se tem.

- Spinoza

Cinenovidades - 99 : Staten Island

Estreia hoje nas nossas salas, com o título Não há crimes perfeitos, este Staten Island onde se entrecruzam dramas familiares, a Máfia e a sorte... Os protagonistas são Ethan Hawke, Vincent D' Onofrio, Seymour Cassel e Julianne Nicholson.

Em época de saldos...







Será que alguém vai aproveitar os atractivos saldos parisienses de Inverno e comprar na Steiger Bottier, um dos mais famosos ateliers de chaussures da Cidade-Luz ? E desta vez aqui no Prosimetron, é para a menina e para o menino...



Café Haiti

O tremor de terra no Haiti causou alarme a um habitante na Gafanha de Aquém, porque confundiu o local com um café com o mesmo nome que existe na aldeia, de onde já saíram donativos para quem sobreviveu ao tremor de terra.

Notícia avançada há 30 minutos pela TSF

Novidades - 110 : A Joana e os maníacos

É hoje lançado este livro de Joana Amaral Dias, mais conhecida como política do que como psicóloga clínica que também é. Foi uma encomenda da Esfera dos Livros no sentido de corresponder a obras similares existentes noutros países.
E a Joana estudou e descreve nesta obra oito "casos clínicos" da nossa história: de Pombal e D.Maria I a Fernando Pessoa e João César Monteiro, passando por Antero e pela marquesa de Jácome Correia. Daquilo que li ( na net ) antevejo a possibilidade de alguma polémica...
Tenho é pena que tenha sido estudado apenas um contemporâneo, o João C.Monteiro, que ainda "observei" ao vivo, e sobretudo nenhum político vivo - será que não há nenhum maníaco de qualidade na política portuguesa dos nossos dias?

Novidades - 109 : Música em Portugal

É apresentada hoje, às 19h, no São Carlos, a Enciclopédia da Música em Portugal no século XX, dirigida pela Prof. Salwa Castelo-Branco.
É uma edição conjunta do Círculo de Leitores e da Temas&Debates.

Lá fora - 64 : Os Jantares de Estado

A exposição patente no Museu Maxim's de Paris mostra a história dos banquetes de Estado, as grandes refeições em honra de ilustres visitantes estrangeiros, designadamente chefes de Estado, através dos menús sempre primorosamente ilustrados ( Mucha, Jules Chéret etc) da colecção Sacré, a maior colecção privada francesa. Acompanhamos a história deste ritual político-gastronómico que evoluiu com os tempos: das duas ou três horas e quase uma vintena de pratos até à Primeira Guerra, passando pelos sete pratos dos deprimidos anos 30 até ao encurtado repasto de 40 minutos e 4-5 pratos da era Sarkozy, mas sempre com o melhor da tradição culinária francesa.

- À la table des présidents, Musée Maxim's ( Rue Royale, 3 ), até 28 de Fevereiro.

Novidades - 108 : Rodney Smith


















Rodney Smith é um dos grandes nomes da fotografia norte-americana do século XX, e os seus 40 anos de fotografia são celebrados num livro intitulado The End, que reúne toda a sua produção em preto e branco: vida urbana, desporto, jardins italianos e a vida dos ricos.
É uma edição limitada ( 1000 cópias ) com o preço de 750 dólares.

Do Malí para o mundo

A voz doce de Inna Modja aquece estes dias de Inverno.

Frase da semana...

A Playstation é um veneno capitalista, com jogos que ensinam a matar.

- Hugo Chávez


Bem sei que há um certo risco em escolher uma frase de Chávez como frase da semana, até porque já hoje mesmo ouvi umas "lindas" declarações do grande estadista venezuelano sobre a presença dos norte-americanos no Haiti. Esta é mais uma "pérola" do amigo Hugo, se bem que tenho que reconhecer que os conteúdos de alguns jogos são preocupantes. Mas a responsabilidade primeira e principal é dos paizinhos...

Novidades - 107 : Há 102 anos


Jean Pailler, francês lusófilo, volta a debruçar-se sobre a nossa história, escolhendo desta vez o Regicídio de 1908.
- A Tragédia da Rua do Arsenal, Jean Pailler, Planeta, 2010, €15.

1910 - 3


Um filme de 1910, feito por Thomas Edison.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Um quadro por dia - 38

François de Troy, - Le Déjeuner d' huîtres, 1735, Óleo sobre tela, Museu Condé ( Castelo de Chantilly ).
- Neste detalhe da tela é bem visível a rolha "voadora"...

Esta tela de François de Troy, encomendada por Luís XV para a sua sala de jantar privada de Versalhes, tem uma particularidade histórica: é a primeira aparição do champanhe na pintura. Criado no século XVII, o vinho de Champagne é a bebida de eleição das elites do século XVIII, acompanhando as mais refinadas iguarias ( no caso, ostras ) e presente obviamente na mesa do rei.

Cinenovidades - 98 : O novo Woody Allen

- Nesta foto das filmagens, Woody conversa com Freida Pinto.

A estreia internacional deste You Will Meet A Tall Dark Stranger ocorrerá apenas no Outono, mas o elenco é de deixar qualquer um a salivar: Anthony Hopkins, Antonio Banderas, Josh Brolin, Naomi Watts, Gemma Jones, Freida Pinto, Lucy Punch e Carla Bruni.
A história de uma família e os dilemas sentimentais dos respectivos membros. E Allen voltou a filmar em Londres. Trailer é que ainda não há.

Outro jovem infante

Após o post do Luís outro infante. Este está no ambiente da época!
O Infante D. Manuel aos 12 anos de idade
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(autor desconhecido segundo informação do próprio livro).
"Portugal um século de imagens", Lisboa: DN, 1999