Prosimetron

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sábado, 25 de dezembro de 2010

Boa noite!

O amor carnal
Barthélemy l'Anglais
De proprietatibus rerum / Livre des propriétés des choses
Tradutor : Jean Corbichon, cerca de 1410
BNF, Manuscrits occidentaux, Français 9141, folio 171v°

Vinheta : Iluminura de Natal

Michele da Genova : Natività
Lille, Musée des Beaux-Arts, inv. PL 709

Adoro letras ornamentadas e iluminadas. Até ao século XV ainda não se aplicava a regra do "alfabeto falante" que gradualmente se vai impondo.
Para hoje escolhi uma representação da Natividade saída da oficina de um Miguel originário de Génova, no século XV.

Discos de Natal - I


Aqui está um disco em que se podem escutar as árias que de Lisboa a São Petersburgo encantaram o público da nossa mais famosa cantora lírica do séc. XVIII.
Uma experiência de Os Músicos do Tejo, sob a direcção de Marcos Magalhães e Marta Araújo e com voz da soprano Joana Seabra.

Livros de cozinha - 39


S. João da Pesqueira: Associação Bagos d'Ouro, 2010

Não conhecia este livro que estava no meu sapatinho. Foi uma boa surpresa.
Com uma belíssima apresentação gráfica, é uma colectânea de receitas dos chefes dos principais restaurantes portugueses. Escolhi uma de Juta Nobre, de um restaurante onde já tenho ido. Mas nunca lá experimentei nem a garoupa, nem a panacotta.


Desculpem esta digitalização, mas o scanner não deu para mais.

Chegada a Belém

Aqui está uma obra que me foi recordada por um dos livros de Natal.

Pieter Bruegel (o velho), Le Recensement à Bethléem, 1566

Bruxelles, Musèes royaux des Beaux-arts


Este foi ainda um outro livro, de que falarei mais tarde.

Livros de Natal - II

O Pai Natal enviou-me também este belo presente. L'Art au XVIe siècle, obra de Stefano Zuffi, com tradução de Dominique Férault, publicada pelas Éditions Hazan, 2005. Obra especializada dividida em 3 partes: os temas principais, os lugares e os artistas; complementado por dois anexos: uma cronologia e um índice dos artistas.



Por ele fiquei a conhecer esta representação "delicada" da noite de Natal, pintada por Hans Baldung Grien, em 1520, que se conserva em München, Alte Pinakothek.

Boa noite!


Para Miss Tolstoi, obviamente!

«Contarelos» de Irene Lisboa


Lisboa: Sá da Costa, 1926

«Está esquecida esta grande escritora da resistência que se chamou Irene Lisboa e tem chamado a atenção de um crítico ou outro das nossas letras, mas que não há meio de vir a primeiro plano, como tem direito.
«Natural da Murguinheira, perto da Arruda dos Vinhos, nasceu em 1892, filha de um magistrado que ascenderia a juiz do Supremo Tribunal de Justiça; mas nascera fora da legalidade e o complexo não mais a deixaria. Professora primária, o seu talento de escritora manifestava-se desde o livro de estreia, revestia-se da capa de um livro para crianças, mas os «13 contarelos» são bem obra para adultos e dão-nos a garra e o talento narrativo de Irene Lisboa. Publicados em 1926, tinha a autora 34 anos. Não é bem ainda aquela prosa firme, sentida, com laivos de mágoa a ressumar, que virá em Um dia e outro dia, Outono havias de vir, mas os encantos de Lisboa, uma espécie de saudosismo de quem nasceu quando era publicado o Só, mostram-se nesse voluminho que parece para os miúdos e prende os adutos.
«Título simples, desprendido, quase familiar, numa parceria que o era na vida também, já que Irene Lisboa ficaria presa a Ilda Moreira até ao final da sua vida. Reza o título «13 contarelos que IRENE escreveu e Ilda ilustrou para a gente nova».
«É um voluminho de 178 páginas, as últimas das quais não numeradas e que foi composto e impresso, segundo reza o cólofon «na tipografia da Escola Normal de Lisboa»., mostrando-nos que a autora ficara sempre presa à escola onde se formara. E nos mostra também o apetrechamento desta, em 1926. Anos depois, essa mesma escola formadora de professores seria encerrada durante vários amos, como se o País não precisasse de professores. Recorria-se às regentes escolares, algumas das quais mal saberiam «ler, escrever e contar», quanto na filosofia de Salazar bastava ao comum dos cidadãos.
«Irene Lisboa, na poesia, na prosa, no ensaio pedagógico, marcava lugar de destaque. Por isso mesmo passaria a ocultar-se, sob dois pseudónimos: o de João de Falco, na literatura, e o de Manuel Soares, no sector da pedagogia. Colaboradora da Seara Nova, da Presença e de O Diabo, seria o bastante para recear represálias. E João Falco que apareceria com frequência na Seara Nova subscrevia livros como Um dia e outro dia, Outono havias de vir, Solidão, Começa uma vida e Folhas volantes.
«Mais contos viriam com Lisboa e quem cá vive e Esta cidade, um e outro farrapos ou momentos de vida arrancados à cidade, à sua luz e ao seu sentir humano.
«Mas a ensaísta e a pedagoga subscrevia Froebel e Montessori, O primeiro ensino e A iniciação ao cálculo.
«13 contarelos é o livro de estreia. Mas o que atingiu mais alto e mais revela os processos de Irene Lisboa e a sua arte de nos narrar a vida, suas alegrias momentâneas, as decepções e amargos de boca, é talvez Uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma.
«Escritora esquecida das novas gerações, morreu em 1958. Literariamente bem merecia ser lembrada por qualquer editor.»
Raúl Rêgo
In: Diário Popular, Lisboa, 19 Fev. 1981, supl. Letras e Artes, p. I

Entretanto, a Imprensa Nacional e a Presença editaram algumas obras de Irene Lisboa que nasceu no dia de Natal, há 112 anos.

Para c.a. e a sua Casa Improvável.

Um boneco de gengibre


para HMJ.

Cioran para APS


Paris: éd. de l'Herne, 2009

E já agora aproveito para informar que, em 17 Fev. 2011, sairá:


Paris: Seuil, 2011

E outros se seguirão, certamente, no ano do centenário do nascimento do escritor.

Para JP


Diapason, n.º 586.

Se este ano se comemoraram os 150 do nascimento de Mahler, em 2011 será evocado o centenário da sua morte.

Os Cadernos de Pickwick


Lisboa: Tinta-da-China, 2010

«Happy, happy Christmas, that can win us back to the delusions of our childish days; that can recall to the old man the pleasures of his youth; that can transport the sailor and the traveller, thousands of miles away, back to his own fire-side and his quiet home!»
Charles Dickens - The Pickwick Papers, 1836

Para MLV, um livro muito divertido, agora em tradução integral.

Para JS

Philippe Jaroussky: «Caldo sangue»


Para Ana, Filipe e JMS.

A chegada do Pai Natal


D. Fernando II - A chegada do Pai Natal
Água-forte, 1848
Lisboa, Palácio da Ajuda


Para o Luís. Também não me importava de ter esta água-forte. :)

Jardins - 10


Botticelli - Cristo no Monte das Oliveiras, ca 1500
Granada, Catedral

LE JARDIN DES OLIVIERS

«Au cours de leur ministère, Jésus et ses disciples avaient pris l'habitude de dormir à la belle étoile. Après la Cène, ils se retirèrent près du village de Gethsémani, un mont (ou jardin) des Oliviers. Le Christ s'éloigna "d'un jet de pierre" des autres, et se mit à prier. Connaissant le sort qui l'attendait, il vécut une sorte d'agonie préalable, suant des gouttes de sang, s'adressant ainsi à Dieu le Père: "S'il est possible, Père, que cette coupe s'éloigne de moi; cependant, que votre volonté soit faite, et non la mienne."
«À deux reprises, il vint réveiller les disciples endormis, leur demandant de veiller et de prier avec lui. Une troisième fois, il les tira du sommeil, en leur disant cette fois: "Levez-vous, voici qu'approche celui qui me livre."
«Deux aspects de l'épisode sont communément représentés: le Christ en prière à quelques pas des disciples endormis; ou, penché sur eux, en train de les réveiller. Dans tous les cas, c'est un sentiment de profonde angoisse que les artistes ont cherché à exprimer.»
Régis Debray
In: Le Nouveau Testament à travers 100 chefs-d'oeuvre de la peinture. Paris: Presses de la Renaissance, 2003, p. 134-135

Para Jad - um dia veremos este quadro.

Boas Festas - 12


O que estará junto da árvore para cada um de vós? O que quer que seja, está acompanhado dos melhores votos de um bom dia de Natal.
Bom Natal a todos, com algumas (boas) lembranças.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Händel : Messias


Missale Carthusiense. - Paris, Thielman Kerver,9.08.1520, fol:k2v

Livros de Natal - I

Christiane Stukenbrock e Barbara Topper apresentam-nos 1000 obras-primas da pintura Europeia (sécs. XIV-XIX) por ordem alfabética dos pintores. É acompanhado com cerca de 20 estudos complementares que fazem o contexto das obras e dos artistas. Um Glossário complementa a obra.

Dele escolhi, porque apropriada, esta adoração dos pastores, obra de Lorenzo di Credi, que se conserva em Florença, na Galleria degli Uffizi.

Toada de Natal


Carl Larson (1853–1919) - A véspera de Natal
Aguarela, 1904-1905
Estocolmo, Museu National

Um pássaro a cantar na laguna estagnada
Frutos no capitel de uma coluna exangue
É assim que o Natal se pousa na alma
É assim que o Natal tem um gosto a laranja

Do gira-discos sobe um concerto de Bach
Que importa que lá fora o vento se levante
É assim que o Natal habita a nossa casa
É assim que o Natal desperta a nossa infância

Mas penso no que seja a noite de hoje em Praga
Vais a dizer a Jesus E dizes Vietname
É assim que o Natal nos dilacera a carne
É assim que o Natal nos aprece um alfange

E ficamos os dois de mãos entrelaçadas
E filtramos a luz e a sombra deste instante
É assim que o Natal nos vai enchendo a taça
É assim que o Natal nos aperta a garganta

1968

David Mourão-Ferreira
In: Cancioneiro de Natal. Lisboa: Verbo, 1971, p. 39-40

Boas festas de Miss Tolstoi



Miss Tolstoi pediu para transmitir a todos os votos de Boas-Festas. Como gosta de artesanato enviou este presépio feito de palha de milho (artesanato do Brasil).

Presépio de Júlia Ramalho


Em casa de agnóstica...

Um caderno de receitas


Um dos primeiros presentes de Natal que recebi foi este caderno de receitas, inaugurado com uma receita de «Migas de bacalhau» que vou experimentar um dia destes, depois das Festas. Vinha acompanhado de um cartão de Boas Festas, um dos quatro ou cinco que recebi.
Claro que vou dar uso ao caderno. Para já, copiando para lá uma quantidade de papelinhos que andam espalhados e que, por vezes, desaparecem.

Aqui está um lindo Sol

Quotidianos - 51

Boa tarde!

Tudo serve para desejar uma quadra Feliz!

Boas Festas - 11

Neva em Londres


Harold Gilman (1876-1919) - A London street in the snow, 1917

LONDON SNOW

When men were all asleep the snow came flying,
In large white flakes falling on the city brown,
Stealthily and perpetually settling and loosely lying,
Hushing the latest traffic of the drowsy town;
Deadening, muffling, stifling its murmurs failing;
Lazily and incessantly floating down and down:
Silently sifting and veiling road, roof and railing;
Hiding difference, making unevenness even,
Into angles and crevices softly drifting and sailing.
All night it fell, and when full inches seven
It lay in the depth of its uncompacted lightness,
The clouds blew off from a high and frosty heaven;
And all woke earlier for the unaccustomed brightness
Of the winter dawning, the strange unheavenly glare:
The eye marvelled—marvelled at the dazzling whiteness;
The ear hearkened to the stillness of the solemn air;
No sound of wheel rumbling nor of foot falling,
And the busy morning cries came thin and spare.
Then boys I heard, as they went to school, calling,
They gathered up the crystal manna to freeze
Their tongues with tasting, their hands with snowballing;
Or rioted in a drift, plunging up to the knees;
Or peering up from under the white-mossed wonder,
‘O look at the trees!’ they cried, ‘O look at the trees!’
With lessened load a few carts creak and blunder,
Following along the white deserted way,
A country company long dispersed asunder:
When now already the sun, in pale display
Standing by Paul’s high dome, spread forth below
His sparkling beams, and awoke the stir of the day.
For now doors open, and war is waged with the snow;
And trains of sombre men, past tale of number,
Tread long brown paths, as toward their toil they go:
But even for them awhile no cares encumber
Their minds diverted; the daily word is unspoken,
The daily thoughts of labour and sorrow slumber
At the sight of the beauty that greets them, for the charm they have broken.

Robert Bridges (1844-1930)

Um quadro por dia - 121

Duccio di Buoninsegna (1255-1319), Natividade, 1308-11, têmpera sobre madeira, National Gallery of Art, Washington.

Enquanto o outro pai da pintura europeia, Cimabue (e depois também o discípulo deste, um rapaz genial chamado Giotto ), "reinava" em Florença, era Duccio o primeiro pintor de Siena. E eram ambos os maiores pintores do seu tempo, fazendo definitivamente a transição da arte bizantina para uma pintura mais realista.
Como acontece com tantos outros "pintores antigos", hoje em dia não é em Itália ( embora ainda estejam algumas obras ) que se podem ver as grandes criações de Duccio, mas sim nos Estados Unidos entre Washington e Nova Iorque.
Há algum tempo que tinha escolhido esta visão ducciana da Natividade, mas só recentemente decidi que ela viria sem os paineis laterais, os dos profetas "anunciadores" Ezequiel e Isaías. Fica explicado, antes que venha alguma "repreensão". Boas Festas!

E ainda falta um mês...

A frase de ontem que fica para a história:

"para serem mais honestos do que eu, têm que nascer duas vezes"
Cavaco Silva

Um canto de Natal

Menos presente do que gostaria, aqui ficam igualmente os meus votos de Boas Festas, como prelúdio para um ano tão complicado e partindo já de um outro que não deixa grandes saudades.





Al veure despuntar el major lluminar en la nit més ditxosa,
els ocellets cantant a festejar-lo van amb sa veu melindrosa.
Al ver despuntar el mayor resplandor en la noche más dichosa
los pajaritos van a cantarle con su melosa voz

L'àliga imperial pels aires va voltant, cantant amb melodia,
dient: 'Jesús és nat per treure'ns de pecat i dar-nos l'Alegria'.
El águila imperial va por los aires, cantando con melodía,
diciendo: Jesús ha nacido para librarnos del pecado y darnos la Alegría

Respon-li lo pardal: 'Esta nit és Nadal, és nit de gran contento'.
El verdum i el lluer diuen, cantant també: 'Oh, que alegria sento!'
Le responde el gorrión: Esta noche es Navidad, es noche de gran contento.
El verderón y el lúngano dicen, cantando también: ¡Oh, qué alegría siento!

Cantava el passerell: 'Oh, que formós i que bell és l'Infant de Maria!'.
I lo alegre tord: 'Vençuda n'és la mort, ja neix la Vida mia'.
Cantaba el pardillo: ¡Oh, qué hermoso y qué bello es el Hijo de María!
Y el tordo alegre: Vencida ha sido la muerte, ya nace mi Vida

Cantava el rossinyol: 'Hermós és com un sol, brillant com una estrella'.
La cotxa i lo bitxac festegen el manyac i sa Mare donzella.
Cantaba el ruiseñor: Es hermoso como un sol, brillante como una estrella.
El colirrojo y la tarabilla celebran la criatura y su Madre doncella

La garsa, griva i gaig diuen: 'Ja ve lo maig'. Respon la cadernera:
'Tot arbre reverdeix, tota planta floreix, com si tot fos primavera'.
La graza, el zorzal y el arrendajo dicen: Ya viene el mayo. Responde el jilguero:
Todo árbol reverdece, toda planta florece, como si todo fuese primavera

Natal é encontrar Paz e Amor

Suor Angélica é uma das minhas óperas, que recordo, com saudade, pelo Natal...
Este post foi-me lembrado pelo Arpose que evocou a passagem do nascimento de Puccini, a 22 de Dezembro.

A nossa vinheta : Natal de 2010


O Natal de 2010 fica marcado pelo maior nevão natalício desde que existem aviões. Os principais aeroportos da Europa encontraram-se fechados nos últimos dias. Gente cheia de presentes retida e acampada nos Aeroportos.

Feliz Natal

Natal também é Ricky Martin

A 24 de Dezembro de 1971 nasceu em San Juan, Porto Rico, Enrique José Martín Morales que dá pelo nome de Ricky Martin.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Um Santo Natal


Recordando a essência do Natal, num quadro de Murillo, desejo a todos, prosimetristas e leitores deste blogue, um Santo Natal, com Paz e Amor.

Biografias, autobiografias e afins - 90


Achei muito interessante esta biografia do pai do Hino, que foi muito mais do que isso, tanto como compositor como na pintura que exerceu muito tempo e com grande sucesso. E há coisas novas que se descobrem sobre A.Keil nesta obra escrita pelo historiador Rui Ramos, e publicada pela D.Quixote.

Boas-Festas



Aproveito esta original representação da noite de Natal, incluída na Bíblia Moralizada de Nápoles (séc. XIV), fol. 139 v.º, hoje conservada na Bnf, em Paris, para desejar a todos uma quadra com saúde e fraternidade.

Bom Natal

Bom Natal!
x
Campanário da igreja de Santa Maria do Olival, Tomar

Benvenuto Tisi detto Il Garofalo (1476?-1559)
Madonna con bambino, 1510
Olio su tavola, 31 x 25 cm ,originale, Collezione Galleria d'Arte Studiolo - Milano

Natal

Não tivesses tu simplicidade, como poderia
acontecer-te o que agora a noite enche de luz?
Vê, o Deus que sobre os povos em ira ardia
torna-se manso e em ti ao mundo vem Jesus.

Terias imaginado maior esse Menino?

O que á a grandeza? Através de toda a medida
pela qual Ele passa, se traça o Seu vertical destino.
Nem mesmo um astro tem uma rota assim erguida.
Vês, estes reis, são grandes, imponentes,

diante de ti depositam presentes

que tomam por tesouros sem par,
e talvez te assombre a oferenda que aí está:
mas para as pregas dos teus panos dirige teu olhar,
vê como Ele tudo supera já.

Todo o âmbar que se envia para a distância

Todas as jóias de ouro e especiarias do ar,
que turvando-se nos sentidos se vêm envolver:
tudo isto rapidamente veio a terminar,
e por fim todos se vieram a arrepender.

Mas, hás-de ver, Ele enche de alegria toda a ânsia.

Rainer Maria Rilke, A Vida de Maria, (Tradução e prefácio de Maria Teresa Dias Furtado), Lisboa: Portugália Editora, 2008, p.67.

7.ª Antífona de O

O Emmanuel,
Rex et legifer noster,
exspectatio gentium,
et Salvador earum:
Veni ad salvandum nos, Domine Deus noster

Cinenovidades - 161 : Mammuth

A vida para além da reforma. Ou: há vida para além da reforma? Este Mammuth de Benoît Delépine e Gustave Kervern, protagonizado por Gérard Depardieu, já está em exibição nas nossas salas.

Crónicas de Clarice - 14

ANUNCIAÇÃO

Tenho em casa uma pintura do italiano Savelli-depois compreendi muito bem quando soube que ele fora convidado para fazer vitrais no Vaticano.

Por mais que olhe o quadro não me canso dele. Pelo contrário, ele me renova.

Nele, Maria está sentada perto de uma janela e vê-se pelo volume do seu ventre que está grávida. O arcanjo, de pé ao seu lado, olha-a. E ela, como se mal suportasse o que lhe fora anunciado como destino seu e destino para a humanidade futura através dela, Maria aperta a garganta com a mão, em surpresa e angústia.

O anjo, que veio pela janela, é quase humano: só suas longas asas é que lembram que ele pode se transladar sem ser pelos pés. As asas são muito humanas: carnudas, e seu rosto é o rosto de um homem.

É a mais bela e cruciante verdade do mundo.

Cada ser humano recebe a anunciação: e, grávido de alma, leva a mão à garganta em susto e angústia. Como se houvesse para cada um, em algum momento da vida, a anunciação de que há uma missão a cumprir.

A missão não é leve: cada homem é responsável pelo mundo inteiro.

(21 de Dezembro de 1968)

- Clarice Lispector, in A DESCOBERTA DO MUNDO,2ªed, Rio de Janeiro, Nova Fronteira,1984.

Citações - 144



Não é nenhuma novidade, mas é mesmo no Natal que a dor insuportável da ausência dos outros mais nos aflige.
- Alfredo Saramago (1938-2008)
Durante anos, foi meu "guru" para o bem-comer e o bem-beber e é uma figura de que me lembro nesta quadra, embora não o tenha conhecido pessoalmente. Mas os livros permanecem.

50 anos

Peanuts, as imortais criações de Charles Schulz, cumpriram este ano meio século de vida. Sou fã, como milhões de pessoas de várias gerações. Aqui fica o Natal deles:


FELIZ NATAL

Boas Festas - 10



Quem queria estar aqui? Sonhem!

Neva em Bruxelas


http://lestroarmonico.unblog.fr/files/2008/03/27.jpg
Bruxelas, 2008

LA NEIGE

La neige tombe, indiscontinûment,
Comme une lente et longue et pauvre laine,
Parmi la morne et longue et pauvre plaine,
Froide d'amour, chaude de haine.

La neige tombe, infiniment,
Comme un moment -
Monotone - dans un moment ;
La neige choit, la neige tombe,
Monotone, sur les maisons
Et les granges et leurs cloisons ;
La neige tombe et tombe
Myriadaire, au cimetière, au creux des tombes.

Le tablier des mauvaises saisons,
Violemment, là-haut, est dénoué ;
Le tablier des maux est secoué
A coups de vent, sur les hameaux des horizons.

Le gel descend, au fond des os,
Et la misère, au fond des clos,
La neige et la misère, au fond des âmes ;
La neige lourde et diaphane,
Au fond des âtres froids et des âmes sans flamme,
Qui se fanent, dans les cabanes.

Aux carrefours des chemins tors,
Les villages sont seuls, comme la mort ;
Les grands arbres, cristallisés de gel,
Au long de leur cortège par la neige,
Entrecroisent leurs branchages de sel.

Les vieux moulins, où la mousse blanche s'agrège,
Apparaissent, comme des pièges,
Tout à coup droits, sur une butte ;
En bas, les toits et les auvents
Dans la bourrasque, à contre vent,
Depuis Novembre, luttent ;
Tandis qu'infiniment la neige lourde et pleine
Choit, par la morne et longue et pauvre plaine.

Ainsi s'en va la neige au loin,
En chaque sente, en chaque coin,
Toujours la neige et son suaire,
La neige pâle et inféconde,
En folles loques vagabondes,
Par à travers l'hiver illimité monde.

Émile Verhaeren

Os meus franceses - 116


Recebi hoje (ontem) mais um presente de Natal que vai aumentar a minha colecção de franceses, e não só.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Um maravilhoso presente de Natal

Recebi hoje um presente de Natal fabuloso: um CD intitulado "Three baroque tenors", em que o tenor inglês Ian Bostridge (Londres, 25 de Dezembro de 1964) canta árias de compositores barrocos, muitos dos quais as compuseram propositadamente para os três maiores tenores da sua época, John Beard (1717-1791) Francesco Borosini (1688-1750) e Annibale Pio Fabri(1697-1760) como Handel, Caldara, Arne, Scarlatii, Conti, Jonh Galliard e Vivaldi.
Um agradecimento público a quem me fez a oferta e para todos um "aperitivo" deste CD.


A arte do retrato - 14

Cecil Beaton, HM Queen Elizabeth II with admiral boat cloak, 1968.

Beaton foi sem dúvida um dos melhores fotógrafos do século passado, e um dos que melhor fotografou Isabel II. Estas fotografias de 1968, com pose mais casual e a inesperada capa de almirante que S.M. ao princípio não queria usar, são das minhas preferidas.
Foto que agradece um presente natalício hoje recebido, após entertaining lunch.