Prosimetron

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sábado, 16 de janeiro de 2010

E querem correr com este...

O PSD conseguiu tirá-lo da TVI, agora o PS, numa manobra muito mais insidiosa usando a saída de António Vitorino da RTP, está a ver se corre com Marcelo Rebelo de Sousa da estação pública. Será que o PS não arranja mesmo ninguém para substituir Vitorino ou prefere não substituir para assim se ver livre dos "sermões dominicais", goste-se ou não do estilo mas sempre com enormes audiências, do Prof.Marcelo?

Assumiu-se

Por associação de ideias com "coroas", lá me lembrei de uma das notícias políticas do dia: Manuel Alegre assumiu-se finalmente como candidato presidencial. Vamos ver como descalça o PS a bota...

Música nova

Revelei uma música que me surpeendeu na madrugada de um grupo de jovens. Hoje, uma nova composição, O Viajante, agora da autoria de Pedro de Castro (música), Luís Roquette (palavras) e as vozes de ambos e de Tito Franco de Sousa. É música que vai nascendo, se vai conhecendo e em breve será apreciada por muito mais gente.

Do top da melancolia...

Esta Dust in the Wind que os Kansas gravaram em 77 está de certeza num lugar cimeiro do Top da Melancolia. Fica aqui como exorcismo ( Por falar em exorcismo, agora que passou a quadra natalícia está na altura de regressar às Coisas do Inferno... ).

O chá das cinco - 1


Frederick Carl Frieseke (1874-1939) - Tea time in Giverny
Óleo sobre tela, 1911
Giverny, Musée d'Art Américain

Gostariam de tomar hoje um chá no jardim? «Pelo sonho é que vamos»...

Os meus tabacos




O meu serão de ontem - 5

Conheci ontem, num simpático jantar no Bairro Alto, a escritora e jornalista brasileira Ângela Dutra de Menezes, autora do best-seller O português que nos pariu. E das mãos dela recebi precisamente a nova edição do livro, também a cargo da editora Record, que conta com um novo prefácio e textos inéditos.
Obrigado Ângela!

Imperdível em Paris

Um dos acontecimentos mais significativos no que respeita à arte contemporânea na Cidade-Luz é sem dúvida a exposição de Christian Boltanski no Grand-Palais. Pensarmos na nossa morte e contemplarmos todas as suas implicações- desde logo tudo o que deixamos no mundo atrás de nós( tanta roupa, tantos objectos etc)- é o desafio de Boltanski. Estou curioso para saber como reagimos ao ouvirmos os nossos batimentos cardíacos transmitidos por toda a enorme nave do Grand-Palais. Não sei se não será melhor visitar esta logo pela manhã para ser melhor digerida...
- Personnes, Grand-Palais, até 21 de Fevereiro, €4.

Cinenovidades - 95 : Gainsbourg em filme

O políticamente correcto no tocante ao fumo tem excessos que me tiram do sério,e nem sequer sou fumador, sendo o mais recente episódio a decisão da autoridade reguladora francesa da publicidade de proibir o cartaz supra de promoção do filme sobre Serge Gainsbourg.
Não porque ele esteja a fumar, pois não está, mas porque está a exalar fumo de cigarro... Estalou a polémica, naturalmente, com os reguladores a dizerem que apenas estão a aplicar a lei e vários juristas a discordarem da interpretação em causa.
Entretanto, aqui fica o trailer do filme onde há muito fumo, como não podia deixar de ser.

Exorcizando-a...

É que temos visto tanta...

Citações - 57 : A memória da fome

Pierre Mignard, - Madame de Maintenon, 1694, óleo sobre tela, Versalhes. E o arminho não está neste quadro por acaso...


Qui a souffert de la faim une seule fois dans sa vie s' en souvient jusqu'à son dernier jour.

- Françoise d' Aubigné

Françoise d' Aubigné, mais conhecida na História como Madame de Maintenon, último amor e segunda mulher ( ainda que mercê de um casamento secreto ) do Rei-Sol, sabia do que falava: aos 12 anos já órfã de pai ( este ex-governador de uma ilha caribenha caído em desgraça) chega a mendigar nas ruas de La Rochelle até que é colocada num convento graças ao apoio de uma tia, Madame de Neuillant. Os anos dourados de Versalhes vieram muito depois.

2010 : Ano Internacional da Biodiversidade

Começou oficialmente em Berlim no passado dia 11 o Ano Internacional da Biodiversidade, sob a égide das Nações Unidas, visando alertar a comunidade internacional para a continuada extinção de espécies.
No que respeita a Portugal, podemos congratular-nos com o que tem sido feito relativamente ao lince ibérico: já existem 16 animais no Centro de Reprodução em Cativeiro, em Silves, e começará em breve mais uma campanha de reprodução com a participação de um centro espanhol para evitar perigosas consaguinidades.
Espero ir ver os linces de Silves em breve.

Biografias, autobiografias e afins - 59


Jean Sévillia já se tinha ocupado muito bem de Zita de Bourbon-Parma, a última imperatriz da Áustria-rainha da Hungria, e agora foi a vez do marido desta, o último imperador da Áustria e rei da Hungria, Carlos de Habsburgo ( 1887-1922 ), precocemente falecido na ilha da Madeira onde o casal e a numerosa prole viviam em condições modestíssimas.
E parece que há muitas revelações sobre a vida de Carlos da Áustria, designadamente sobre o seu papel na I Guerra Mundial, tendo o autor tido acesso a fontes inéditas.
- Le dernier empereur, Charles d' Autriche, 1887-1922, Jean Sévillia, Perrin, €20.

Os meus sítios - 5


Já existia o blogue, que está nas nossas Afinidades Electivas, e desde há três dias existe o sítio do Jornal de Letras, com vários blogues associados e muitas ligações e colaboradores interessantes.

1909

A 16 de Janeiro de 1909 nascia Ethel Merman, grande senhora dos palcos da Broadway e para quem foram escritas canções eternas, desde logo por Cole Porter. Aqui a vemos, aos 70 anos, cantando uma delas: Anything Goes.



Cinenovidades - 94 : Invictus

O livro de John Carlin, súmula das entrevistas feitas a Nelson Mandela, já está à venda entre nós, mas o filme, protagonizado por Morgan Freeman e Matt Damon, só estreia dia 28 de Janeiro. O tema é um dos golpes de mestre do sábio Mandela: aproveitar a final da Taça do Mundo de Râguebi de 1995 para unir o país...


Istambul 2010


A cidade do dia vai ser certamente Istambul, que começa hoje o seu programa de actividades como Capital Europeia da Cultura. A cidade, que já de si tem muito para ver, vai contar este ano com dois museus novos, sendo que um deles é bastante inovador: será o Museu da Inocência, inspirado no imaginário do romance homónimo do nobelizado Orhan Pamuk.
Teremos acesso à tradução portuguesa em Fevereiro, pela mão da Presença.

À volta de "Baroja".

Do gato desenhado por Almada Negreiros partiu-se à procura de Pio Baroja.
O escritor nasceu em San Sebastian, em 1872 e morreu em 1956. Baroja integrou-se no movimento de escritores espanhóis da "Geração de 98". A sua obra foi influenciada, entre outros, pelos filósofos Nietzsche e Schopenhaeur e pela atmosfera das guerras: Grande Guerra, Guerra Civil espanhola e II Guerra Mundial.
Durante a guerra civil conheceu Ernest Hemingway, correspondente de guerra, tornou-se seu amigo e irá, segundo alguns autores, influenciar o escritor americano.
No final da vida, já doente, Pio Baroja recebeu Ernest Hemingway como se pode ver na fotografia.

Ernest Hemingway e Pio Baroja, Outubro de 1956 (pouco antes de morrer)

Colecção Fotográfica de Ernest Hemingway , John F. Kennedy Presidential Library and Museum, Boston.

Um excerto retirado do livro "Mari Belcha y otros cuentos" revela o pessimismo que caracterizava Barojo.

Pio Baroja, Mari Belcha y otros cuentos, Madrid: Ediciones de la Torre, 1988, p.63
x
Pio Baroja pertencia a uma família de pessoas notáveis. Ricardo Baroja, seu irmão era pintor, gravador e ilustrador.

Ricardo Baroja (1871-1953), irmão do escritor, O Piropo



Outro Baroja que se notabilizou foi o sobrinho, Júlio Caro Baroja, antropólogo, historiador e linguística que num dos seus trabalhos analisou o recurso antropológico das lendas históricas na literatura de cordel.

Luís Taruja Ferreira, num artigo sobre a figura de D. Inês de Castro na literatura de cordel, século XVIII, transpôs as ideias de Júlio Baroja para uma das lendas portuguesas mais belas - o amor de Pedro por Inês. As duas personagens ter-se-ão popularizado, citando o linguísta, por serem:

"Seres que se movem num tempo e num espaço pouco definidos e que são interessantes por razões meramente individuais, psicológicas mais que sociais e culturais".

Julio Caro Baroja, Ensayo sobre la Literatura de Cordel, Madrid: Ediciones Istmo, 1990, p.143

Luís Tarujo Ferreira, “Para uma Revisitação da Figura de Inês de Castro, o contributo dos folhetos de cordel do século XVIII”, Revista da Faculdade de Letras – Línguas e Literaturas, II, Série, vol. XXIII, Porto, 2006 [2008],pp 127-161.
http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/5641.pdf

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Jogos heráldicos



Satisfazendo, nos limites do ora possível, a curiosidade de MR e de Miss Tolstoi.


A respeito de jogos heráldicos, reproduzo a capa de livro publicado já há alguns anos sobre jogos de cartas e do género da Glória, com esta temática, de Philippe Palasi e prefaciado por Pastoureau.

Para os muito interessados :) e mais abonados, segue este link, onde se vende um baralho de cartas de finais do século XVII.

Para os demais, esta página da Biblioteca Nacional francesa, com algumas imagens e um pequeno texto do citado Philippe Palasi.


Declaração de (relativo des)interesse próprio: o drama destes jogos é o de serem directo resultado da heráldica de papel, aquela que, seca, catalogada e exposta, como em herbário, certamente afasta a maioria das pessoas. Mas, ainda assim, especificamente focada nas elites dos séculos XVII a XIX e acompanhando as suas mutações, mesmo esta perspectiva normativizada diz-nos alguma coisa sobre essas gentes e as suas (auto)-representações.

Um gato num dia de chuva!


Um gato faz sempre sorrir mesmo num dia de chuva! Nunca mais passa esta chuva....

Macau em 1923




O Liberal, Macau, 1923

Almoço em Cantão


Carl Mydans (1907-2004) - People eating at a back alley cafe in Canton
Foi assim o almoço do Jad hoje em Cantão? Não me parece...

Um quadro por dia - 37

Este quadro do dia foi obviamente inspirado pelo post do nosso JP sobre a nobre iniciativa do College of Arms. O retratado é naturalmente Sua Majestade Henri I do Haiti, que antes tinha sido o Presidente Henri Christophe. E nem se pense que Christophe foi o primeiro a sonhar com uma monarquia haitiana, já que antes dele Jacques Dessalines já se tinha feito coroar como Jacques I, Imperador do Haiti...
Até se pode dizer que Christophe foi modesto na titulatura, embora não tenha sido modesto na construção: mandou erigir 8 palácios e 6 castelos, com a nota curiosa de um dos palácios se chamar Sans-Souci e outro ser o Palácio das 365 Portas, o que estimula realmente a imaginação.

Agora a minha curiosidade é outra: Será que há algum prosimetronista candidato à compra do Armorial Haitiano ? ...

1971 : George Harrison

A 15 de Janeiro de 1971 foi lançada esta My Sweet Lord, um grande sucesso do ex-Beatle.

Bom dia, Miss Tolstoi!


Zinaida Serebryakova (1884-1967) - At breakfast
Óleo sobre tela, 1914
Moscovo, Galeria Tetryakov
Bom pequeno-almoço a todos!

A. S.: Escolhas Pessoais XIV

Drummond de Andrade


Retrato de Drummond de Andrade, por Portinari

Carlos Flávio Drummond de Andrade (1902-1987) é conhecido, sobretudo, como um dos grandes poetas brasileiros do séc. XX, mas foi também um contista notável - “Contos de Aprendiz”- e autor de crónicas memoráveis.

Homem, aparentemente, simples, mas de grande sabedoria poética (“Não faças versos sobre acontecimentos […] Penetra fundamente no reino das palavras”), autor de poemas de grande dramatismo expressivo (“A morte do Leiteiro”, “Caso do Vestido” e “Desaparecimento de Luísa Porto”) que alternam, inesperados, com versos de intenso humor negro:

          A SANTA

        Sem nariz e fazia milagres.

        Levávamos alimentos esmolas

        Deixávamos tudo na porta

        Petrificados.

        Por que Deus é horrendo em seu amor?

Os seus contos, de saboroso humor minimalista, articulam de uma forma analítica o espanto provinciano (Itabira, onde nasceu) perante a ”perfeição” citadina (Belo Horizonte, para onde foi estudar) – vista pelos olhos de uma criança -, por exemplo em “O Sorvete”; ou dão lugar aos sentimentos infantis, extremados, na sua pureza original (“Salvação da Alma”). Mas a seriedade do tom destas pequenas narrativas, com o seu inesperado final, faz lembrar um menino sisudo, educado e compenetrado dos seus deveres (e não esqueçamos que Drummond foi um eficiente e cumpridor funcionário público …) que, quando menos se espera faz uma malandrice… Este humor, por vezes ácido, é também uma herança do “modernismo brasileiro” que Manuel Bandeira, por exemplo, conservou até ao fim.

Carlos Drummond de Andrade foi também um tradutor exemplar de autores franceses: Laclos, Moliére, Balzac, Proust e Mauriac. E Lorca. Os seus versos que, às vezes, parecem excessivamente prosaicos, têm uma musicalidade muito própria e chegaram (algumas composições) a ser musicadas por Vila-Lobos: “Viagem de Família” e “Cantiga do Viúvo”.

A preocupação social, a solidão (“Nesta cidade do Rio, / de dois milhões de habitantes, / estou sozinho no quarto, / estou sozinho na América…”) e o amor, quer na sua fase inicial - mais optimista -, quer na final, com notas mais dramáticas (“Deus me deu um amor no tempo da madureza, / quando os frutos ou não são colhidos ou sabem a verme…”), para lá dum cristianismo discreto, mas muito presente, são temas estruturantes na sua obra. Lapidarmente, Otto Maria Carpeaux disse que a obra poética de Drummond era um “acordo raro de certa ingenuidade rústica com a mais rigorosa disciplina intelectual.”


Desenho de A. Rodin

De Carlos Drummond de Andrade escolhi:

        O QUARTO EM DESORDEM

      Na curva perigosa dos cinquenta

      Derrapei neste amor. Que dor! que pétala

      Sensível e secreta me atormenta

      E me provoca à síntese da flor

      Que não sabe como é feita: amor,

      Na quinta essência da palavra, e mudo

      De natural silêncio já não cabe

      em tanto gesto de colher e amar

      a nuvem que de ambígua se dilui

      nesse objecto mais vago do que nuvem

      e mais defeso, corpo! corpo, corpo,

      verdade tão final, sede tão vária,

      e esse cavalo solto pela cama,

xxxxxxxxxxxxxxxXa passear o peito de quem ama.

Post de Alberto Soares.

Uma boa surpresa na madrugada

Numa volta pelo Facebook entrei em diálogo no chat com um jovem amigo que me disse que estava a ouvir o último trabalho do seu grupo, para mim desconhecido. Fiquei a saber que se chama TR3MOÇOS e é composto por Joana Abreu, Pedro Castro, Gonçalo Duarte, Frederico Catalão e Gonçalo Almeida, que são compositores e intérpretes. Quís ouvir. E gostei imenso: da música, da letra, da voz lindíssima da Joana, da interpretação, do som, dos músicos. Vale a pena ouvir EUROPE, o seu último trabalho e quem quiser ouvir mais é ir ao Youtube,

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Tolerância ou intolerância?

Igreja da Santíssima Trindade, Fátima



A Igreja da Santíssima Trindade, em Fátima, acordou, no domingo passado, 10 de Janeiro, com as seguintes palavras: "Islão", "Lua", "Sol", "Muçulman" e "Mesquita".
Será alguma vez possível o diálogo entre o islamismo e o cristianismo?

In memoriam Petra Schürmann

Petra Schürmann será um nome pouco conhecido junto do público português. Oriunda de Mönchen-Gladbach, contava 21 anos quando foi eleita Miss World 1956 em Londres – até hoje, a única alemã que alcançou este título. Recebeu um cheque de 500 libras e um automóvel.
A vida da estudante de Filosofia, Filologia e Geografia da Universidade de Colónia mudou radicalmente a partir desse momento: tornou-se uma das mais conhecidas e queridas locutoras da televisão alemã.

A ex-Miss World e seu marido, o médico Gerhard Freund, marcaram o jet-set de Munique durante várias décadas. O momento mais difícil de Schürmann foi a morte da sua filha, Alexandra, em Junho de 2001, vítima de um acidente de viação numa autoestrada, causado por um condutor em contramão.

Petra Schürmann
nunca recuperou deste choque. Aos 74 anos, faleceu ontem após doença prolongada.

Logo Google chinês hoje



É dedicado às invenções chinesas.

Haiti


O drama é tão grande que até tenho algum pudor em tratar do que, especialmente em comparação, é mera trivialidade.

Mas estando a atenção (agora e por ora) focada neste pobre país caribenho, coloquei acima as armas do Rei do Haiti, Henri I, que em 1811 (quatro décadas antes de Napoleão III e cento e sessenta anos, mais ou menos, antes de Bokassa) passou de Presidente da República a monarca da semi-ilha.

Na mesma altura estabeleceu armas para a Rainha e demais Família Real, bem como para a sua Corte. Nas armas reais, a influência napoleónica é gritante, não só na semelhança gráfica entre a águia de um e a fénix de outro, como na expressa utilização de simbologia secundária criada pelo Corso, no caso do Rei as estrelas do campo (usadas, em França, para decorar o chefe das armas dos duques, hipotetica alusão às armas familiares dos Bonaparte), no caso da Rainha, estas estrelas sendo substituídas pelas abelhas hipoteticamente atribuídas aos Merovíngios (e usadas no Império galo nos chefes das armas dos Princípes Grandes- Dignitários).

Os lemas são também bastante curiosos, como por exemplo o do Príncipe herdeiro: “Les jeux de l’enfance annoncent les grands hommes”.

A titulatura desta Corte, que durou menos de uma década, foi alvo de remoques, centrados nos famosos Duque “de Marmelade” e Conde “de Limonade”. Não faltou também quem notasse que, longe de corresponderem aos comes e bebes em questão, estes títulos diziam respeito a topónimos. Nem quem, em França, reconhecesse que o venerando título de Duque “de Bouillon” poderia também significar Duque do Caldo.

Um armorial contendo estes ordenamentos acabou na biblioteca do College of Arms, corporação dos oficiais de armas da coroa inglesa, tendo sido publicado há poucos anos pelo mesmo (a imagem, em rigor, é a respectiva capa).

Verifiquei agora no respectivo site que o produto da venda irá ser aplicado no socorro e no apoio à reconstrução do Haiti. Não estando em crer que a monarquia de Henri I tenha sido excessivamente benéfica para o país, sempre é alguma coisa que a heráldica pela mesma criada há duzentos anos venha, por interposto editor, a contribuir com algumas libras para melhorar a sorte dos haitianos deste século XXI.


Notas:

  • Para qualquer interessado, será útil a leitura do capítulo dedicado ao Haiti em Heraldry and the Heralds, de Rodney Dennis.
  • O chefe, trocado em miúdos, é o terço superior do escudo. Em francês, língua heráldica por excelência, ocorre feliz ambiguidade com cabeça.

25 anos de "Like a Virgin" como #1 de vendas (?)

Ouvi hoje na rádio que se celebram hoje 25 anos da chegada ao #1 das tabelas de vendas "Like a Virgin", de Madonna (não encontrei prova documental de suporte, mas...). Nos prémios MTV, a cantora apareceu vestida de noiva (como no vídeo), tendo no final rebolado no palco revelando a roupa interior, o que para a altura foi um escândalo. Se quem se escandalizou soubesse o que estava para vir... Eis o vídeo, cortesia do Youtube.

Será que?

Com esta alternância sol-chuva será que ainda vamos ter um destes? Nem era preciso ser tão brilhante como o da foto.

Clube Literário do Porto: 15 de Janeiro - 15:00h



:: Dia 15 Sexta-feira

Piano-bar

15h00

INOVAÇÃO E CRIATIVIDADE NA CULTURA

NA GALIZA E NO NORTE DE PORTUGAL

Organizado pela Fundación do Centro de Estudos Eurorrexionias (CEER), www.fceer.org

15:00h

Apresentação do projecto Lecturas Compartidas na Eurorrexión

Intervenção do coordenador do Club de Lectura virtual Eurorrexional

15:30h Debate: Inovação e criatividade na cultura na Galiza e no Norte de Portugal.

15:50 Leitura de poemas de Uxio Novoneyra (autor homenageado nas Letras Galegas 2010).

Informação do autor: http://www.uxionovoneyra.com/


Clube Literário do Porto
Rua Nova da Alfândega, n.º 22
4050-430 Porto
T. 222 089 228
Fax. 222 089 230
Email: clubeliterario@fla.pt
URL: www.clubeliterariodoporto.co.pt

Sincronicidades...


Falava-se aqui ontem do Sr.Zézé Camarinha, conhecido macho man lusitano, e eis que ele nos aparece por todos os lados: a nova campanha do Wall Street Institute é feita à volta dele, com anúncios nos multibancos, transportes e outdoors. E até há um site: http://www.talktozeze.com.

ONDE ME APETECIA ESTAR- 28 : Tanto mar...

Provavelmente não aguentaria os onze meses a bordo, mas não me importava nada de fazer parte do percurso de circum-navegação que o navio-escola Sagres vai iniciar no próximo dia 19. Vai ser a terceira volta ao mundo do navio ( as duas primeiras foram em 78/79 e 83/84 ), com paragens em dezenas de países e participações em regatas e outros eventos. Será certamente uma viagem inesquecível para os cadetes da Escola Naval que participam.

Étienne Daho

Porque hoje é o dia dele, nascido a 14 de Janeiro de 1956, em Oran (Argélia). E continua a trabalhar muito como actor, cantor, produtor e compositor ( tem no currículo canções escritas para Jane Birkin, Sylvie Vartan e outras vedetas francesas).

E festejamos Daho com esta história de amor franco-portuguesa com um título bem luso...

Poesia de Inverno II - Sophia de Mello Breyner Andresen.

II

Pinças assépticas
Colocam palavras envergonhadas
Na linha de papel
Na prateleira das bibliotecas

III

Quem ousaria dizer:

Seda nácar rosa

Porque ninguém teceu com as suas mãos a seda – em longos
dias em compridos fusos e com finos sedosos dedos

E ninguém colheu a margem da manhã rosa – leve e pesada
faca de doçura.

Pois o rio já não é sagrado e por isso nem sequer é rio

E o universo não brota das mãos de um deus do gesto e do
Sopro de um deus da alegria e da veemência de um deus

IV

Meu coração busca as palavras do estio
Busca o estio prometido nas palavras

Sophia de Mello Breyner Andresen, Obra Poética III, Lisboa: Caminho, 1991, p.86

Um dos meus ídolos 2.

David Bowie é outro britânico que faz parte dos meus ídolos. Já aqui falei dele como músico e actor mas, hoje, trago um excerto de um filme em que o achei magnífico. O charme e a elegância, nos seus primórdios extravagante, encantaram-me.



Merry Christmas Mr. Lawrence é um filme de Nagisa Oshima, produzido por Jeremy Thomas e com a música belíssima de Sakamoto Ryuichi. David Bowie é soldado britânico preso num campo de prisioneiros japonês, durante a II Guerra Mundial.




Auto-retrato(s) - 42


Zinaida Serebryakova (1884-1967) - Self-portrait at the dressing table
Óleo sobre tela, 1909
Moscovo, Galeria Tetryakov

Um país dois Sistemas


É mesmo uma realidade. O China Daily publicou estas duas notícias em primeira página . Quando falei no assunto com a guia dizia-me... não será uma notícia falsa. "Isso" não existe... Mas o China Daily só se arranja em alguns, poucos, hotéis....
(= Jad)

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Um dos meus quadros de Inverno - 6

Gosto do surrealista Paul Delvaux que já foi focado no Prosimetron. Há muito tempo guardei a imagem desta tela por a considerar bonita. Coloco-a como sendo uma história passada no Inverno mas, poderia ser uma história de Outono.
Desejo que o Inverno venha agora com algum sol e alguma luz.
Não consegui saber mais dados desta tela. Alguém sabe?
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Paul Delvaux

«A fama que vem de longe...»

Só se fosse a fama, porque o proveito... Bah!!!...



Também aquece nos dias frios.

O Laço Branco


O Laço Branco (Das weisse Band) de Michael Haneke estreia amanhã nas nossas salas de cinema. A narrativa do filme decorre em 1913 e 1914, numa pequena aldeia em Mecklenburg, algures no Norte de Alemanha. À primeira vista, voltamos aos “bons velhos tempos”, na sua autenticidade reforçados pela opção de Haneke de realizar toda a película a preto e branco. A partir da perspectiva do jovem professor desta localidade, é retratada a vida austera dos principais protagonistas, entre eles o médico, o pastor protestante e sua família. As estruturas, “bem” definidas, transportam-nos para uma época em que a mulher se submete ao homem, e as crianças se sujeitam a uma educação de rigor e disciplina prussianos.

No entanto, a “pseudo”-nostalgia e inocência não correspondem à mensagem que Haneke costuma transmitir aos seus espectadores. E O Laço Branco não foge à regra: A aldeia pitoresca e seus habitantes estão a ser alvos de crimes misteriosos. À medida que a acção se desenvolve, confrontamo-nos com os suspeitos principais destes actos - um grupo de crianças, aparentemente inocentes…


O filme orgulha-se de ter conquistado vários prémios, tais como, a Palma de Ouro de Cannes 2009 e os European Film Awards nas categorias de melhor filme, melhor realizador e melhor argumento. Os 145 minutos constituem uma obra-prima em meu entender: dificilmente ficamos indiferentes ao espelho de uma sociedade em que deliberadamente prevalecem a ordem desmesurada, a tortura e a obediência incondicional, por vezes entendidas como expressão necessária do protestantismo vivido – e, por isso, “desculpáveis”. Das weisse Band é um contributo impressionante de Haneke - por vezes difícil de digerir nalgumas passagens -, ao explicar-nos uma das razões que conduziu à ascensão do Terceiro Reich.
Destacam-se as interpretações magníficas e convincentes dos jovens actores.

Google ameaça abandonar a China


«A Google admitiu hoje a hipótese de fechar o site e os escritórios na China, depois de um ataque de hackers a contas Gmail de utilizadores defensores dos direitos humanos no país.»

Ouvi hoje de manhã na TSF, mas não tive tempo de colocar nada, agora que o Prosimetron anda muito chinês (não disse pró-chinês).