Prosimetron

Prosimetron
Prosimetron: termo grego que designa a mistura de prosa e verso.

sábado, 10 de outubro de 2009

Para o fim da noite:Monteverdi: Lamento Della Ninfa!

Claudio Monteverdi - Madrigali (Libro Ottavo) "Lamento Della Ninfa", Dir: Jordi Savall - La Capella Reial de Catalunia.



As imagens não são do meu agrado mas gostei desta versão. Um conselho ouvir de olhos fechados.

Da Capadócia para o Prosimetron

Notícias da Turquia:

Aqui menos calor mas é feérico.
Saudades para todos
Luís!

Passeio por Lisboa 2

Entre arcos, uma janela, Rua da Academia das Ciências, Lisboa
x
A janela entre os arcos


Imagens de Lisboa - 1

Entrada do jardim do Campo Grande, cerca de 1863
Gravura B. Lima, 1863

In: Arquivo Pittoresco, Lisboa, vol. 6, 1863

E para o Luís

Isto:
que mistura ambientes de que sempre gosta.
E por falar em misturas, muito recomendo este CD, que já tem uns anitos.

Goya - 2


Segundo, embora o primeiro só de raspão o tenha sido.
Ainda com o pretexto de Goya, desde que vi esta gravura, há longos anos no Prado, que a considerei como um proveitoso memento para muito genealogista.
O detalhe heráldico de igual modo se não perde. Mas vê-se?
Note-se que uma leitura mais imediata desta escolha temática poderá não ser a mais acertada, isto quanto ao posicionamento de Goya nos seus cultos familiares.

O Justicia de Aragón, instituição homóloga do nosso Provedor de Justiça nesta região autonóma espanhola, editou recentemente uma reprodução, acompanhada do estudo devido, de um documento com teor heráldico e genealógico emitido a pedido e em nome do filho do Pintor, assim revelando dados sobre a sua família.

Poderão ver a notícia em
http://www.eljusticiadearagon.com/index.php?zona=actos&id=74
e um pequeno comentário em
http://www.lukor.com/ciencia/noticias/portada/09052632.htm

Se também somos o que (por outros) fomos, aqui estará mais uma chave para desvendar outras perspectivas da obra daquele que se qualifica como “una seña de identidad de Aragón”-

Não deixa de ser significativo que esta edição surja de instituição que, moderna e dotada de inteira legitimidade democrática, sofregamente se acolhe cumulativamente à legitimidade tradicional da cadeia de Justicias, que, desde que em Portugal reinava D. Sancho I, defenderam os fueros y libertades dos aragoneses, tragicamente pontuada em 1591 pela execução do seu titular de então, Juan de Lanuza. Ou seja, por outra “seña de identidad” da actual expressão da antiga coroa de Aragão no nosso vizinho peninsular.

Remate Para Qualquer Poema

Passeou pelos espelhos dos dias
suas clandestinas alegrias
que mal se reflectiram desertaram

Ruy Belo, Aquele Grande Rio Eufrates, Lisboa: Editorial Presença, 1996, p. 43

Passeio por Lisboa 1

Cortar a monotonia do muro!
Este muro magnetizou-me. É como se fosse uma película que não pude deixar de apanhar.

Muro de uma casa particular junto à Academia das Ciências de Lisboa,
Rua da Academia das Ciências, Lisboa


Um dia bem passado


http://farm3.static.flickr.com/2130/1699058632_b8cfa3edb2_o.jpg


http://www.afn.min-agricultura.pt/portal/dudf/Resource/imagens/sensibilizacao/Veado2.jpg/image_preview

Houve uma época em que, de vez em quando, fazia um passeio na Tapada de Mafra. E digo-vos que vale a pena.

Tapada Nacional de Mafra
Portão do Codeçal
MAFRA

Tel.: 261 817 050
http://www.tapadademafra.pt/

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

50 Anos... já!


E depois não queremos envelhecer...

Castanhas!

Hoje, no Chiado, em Lisboa, comi as primeiras castanhas assadas. Diz o ditado popular que se deve pedir três desejos ... esqueci-me deste rito porque fiquei fascinada com a "sofisticada" embalagem. Sempre comi as castanhas colocando as cascas junto ao fruto assado, o que era incómodo. Desta vez pude deitar as cascas no duplo cone de jornal que me deram. É caso para dizer que civilizado!!
x

Notícias da Turquia

Notícias enviadas da Turquia pelo Luís...


Um dos caravansarais onde durante sécs. as caravanas se abrigavam e repousavam.

Almoço num caravansarai (Palácio de caravanas) em Konya.

Almoço alla turca.

Catálogo do centenário


Capa do catálogo da BnF (2005): foto de Sartre depois de retirado o cigarro.
Não consegui encontrar a foto original.

Com e sem cigarro


No seguimento de comentários ao selo de Audrey Hepburn.

Audrey Hepburn, num selo alemão de 2001!

Para o Filipe que também gosta muito da Audrey Hepburn, encontrei este selo quando procurava o de D. Maria II

Selo alemão de 2001
Este selo foi vendido no leiloeiro Selzmann, em Dusseldorf, por 135 mil euros, valor recorde para um selo com menos dez anos de idade.

Verdes Anos


"clique" na imagem...

Espero que o Sol brilhe!

Debates a propósito do filme


Le Monde diplomatique - edição portuguesa promove um ciclo de três debates (coord. de José Mapril), a seguir à exibição de Welcome, no cinema King (Lisboa), com início às 21h30:

Ilegalidade, fronteiras e imigração na Europa
com José Mapril (CRIA), Lorenzo Bordonaro (CRIA) e Victor Pereira (IHC)
6.ª feira, 9 Out.

Trabalho (in)formal e (in)documentação
com José Nuno Matos (ICS) e Rahul Kumar (ICS)
4.ª feira, 14 Out.

As políticas da (in)documentação
com José Tolentino Mendonça (escritor) e Lídia Fernandes (SOLIM)
6.ª feira, 23 Out.

Procissão: Corpus Christi- Amadeo de Souza Cardoso

Os ritos de um povo visto pelo vanguardismo.
x
Amadeo de Souza-Cardoso, Procissão: Corpus Christi, 1913
x
Óleo sobre madeira, 29 x 50,8 cm, Centro de Arte Moderna (Lisboa).

Poemas da minha infância 3: Poema de Sete Faces !

POEMA DE SETE FACES

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
é serio, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.

Carlos Drummond de Andrade

http://www.passeiweb.com/na_ponta_lingua/livros/resumos_comentarios/a/alguma_poesia

Cromos - 9

Dia Mundial dos Correios: o primeiro selo português

Dia 9 de Outubro é o dia Mundial dos Correios. Para comemorar a efeméride procurei o primeiro selo postal português que foi emitido no primeiro dia de Julho de 1853. O selo tem a efígie da rainha Dona Maria II.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Que os deuses nos sorriam sempre


Luís enviou, da Turquia, com um sorriso para todos, esta imagem do Museu que estava a visitar. Não tenho mais informações. Mas aqui fica o voto!

Boa viagem sempre debaixo do sorriso protector!

Esta Lisboa que eu amo


Bilhete postal circulado em 31.07.1905
Rua dos ...

Antalya


Os nossos amigos já lá chegaram. A temperatura é apenas de 31 graus!
Vão ter muito que contar no próximo jantar!

Saudação fraterna

Para o JP


Era para chamar a este post saudação REPUBLICANA, respondendo assim às piadas fraternais. Mas gostei mais de lhe chamar saudação fraternal. Então, aqui fica mais um quadro do Prado, do começo do século XVI e o autor é...

JP


http://fotos.imagensporfavor.com/img/pics/glitters/b/bem-vindo-12846.gif

8 de Outubro


Suponho que começar é sempre o mais difícil, embora o que há a dizer seja também mais evidente.

Antes do mais, efusivas saudações a todos os que por aqui passam, em especial aos meus novos colegas, não esquecendo a antiga “equipa” dos comentadores frequentes (para quando um programa de pontos, Luís?). Se alguns (a maior parte) conheço pessoalmente, a todos, de algum modo, o Prosimetron me habilitou a perscrutar (mais na moda diria esmiuçar), gostos e opiniões.

Espero, nos meus limites de variada ordem, pelo menos não maçar (muito). E, sem desmentir a veracidade da última parte da apresentação que me fez o Luís, sempre notarei que o último empurrão para a minha entrada foi dado por um republicano, assim desmentindo qualquer suspeita de “chapelada” (republicana) ou “fornada de pares” (monárquica) em futuro referendo que aqui se organize... J

Em suma, aqui estou, muito obrigado a todos, desde logo pela honrosa companhia, e desculpem desde já qualquer coisinha...

A imagem: pois, não ia começar já por algo heráldico, não é? Este é um dos meus quadros preferidos e, numa das suas leituras, pode simbolizar bem o início destes trabalhos... ;)

BEIJA-FLOR

Sacode as asas inquietas
Cheias de inquieto fulgor.
Rainha das borboletas,
Sacode as asas inquietas.
Beija as rosas e as violetas,
Irado beija-flor.
Sacode as asas inquietas
Cheias de inquieto fulgor.

Teu fulvo pólen doirado
Matize e colore as plantas.
Seja um pincel inspirado
Teu fulvo pólen doirado.
Que o vergel mais variado
Fique, se o voo levantas.
Teu fulvo pólen doirado
Matize e colore as plantas.

Saltita, as flores beijando,
Ó alma do meu jardim!
Mel e perfumes sugando,
Saltita, as flores beijando.
E quando fores voando
Que não te esqueças de mim.
Saltita, as flores beijando
Ó alma do meu jardim!

Como eu seria ditoso
Se fosse como tu és!
Sendo brilhante e formoso,
Como eu seria ditoso!
Mandava ao diabo o gozo
Da Musa dos triolets
Como eu seria ditoso
Se fosse como tu és!

Quando te vejo entre flores
Duvido se és flor também…
Tenho ciúmes traidores
Quando te vejo entre flores.
Ó ave dos meus amores,
Tens o matiz que elas têm;
Quando te vejo entre flores
Duvido se és flor também!

Olha as aves de rapina,
Vê que não te façam mal.
Avezinha peregrina,
Olha as aves de rapina.
Porque essa malta assassina
Bem pode ser-te fatal.
Olha as aves de rapina,
Vê que não te façam mal.

Rebrilha e fulge e cintila,
Ave de eterna beleza!
Bebe o mel que a flor destila;
Rebrilha e fulge e cintila.
És a brilhante pupila
Dos olhos da Natureza!
Rebrilha e fulge e cintila,
Ave de eterna beleza!

Ó que destino galante:
Perpetuamente beijar!
Beijo aqui, beijo adiante,
Ó que destino galante!
Ser eternamente amante,
- Que os beijos fazem amar -
Ó que destino galante:
Perpetuamente beijar!

Filinto de Almeida (1857-1945)

Retirei estes versos de A Ilustração, revista do século XIX. E não pude deixar de me lembrar de umas palavras de Antero numa carta a Oliveira Martins: «O Sáragga está resolvido a não publicar versos senão poucos [...]: isto, pelo carácter banal que a versalhada imprime a todos os jornais literários portugueses [...]. Os versos são a praga da literatura portuguesa.» (Antero de Quental - Cartas / org. Ana Maria Almeida Martins. Lisboa: Imp. Nac.-Casa da Moeda, vol. 2, p. 45)
Se não fosse beija-flor...

Escutas em Belém!


Como podem confirmar!

Diferente!!!

Boa viagem!


Vale Zelve, Capadócia. Foto de Ali Kabas.


Goreme, Capadócia

Um centro de mesa original no Museu Britânico!

Deliciei-me com esta peça que é um centro de mesa com autómato. A peça executada por Hans Schlottheim foi oferecida ao Museu Britânico, em 1866, por Octavius Morgan.
O galeão representado é de 1585 e serviu para anunciar os banquetes na corte britânica. No início ouvia-se uma música tocada por um órgão e o galeão começava a deslizar sobre a mesa, quando parava: os canhões disparavam automáticamente iluminando a sala. O Galeão tem um relógio que pode ser visto na primeira fotografia. Não há dúvida que era uma bela forma de dar início a um banquete.

Pormenor do relógio e do navio (centro de mesa)

Peça vista de perfil


Pormenor das peças. Os canhões disparam ilumiando a sala

Pormenor do automatismo


As referências da peça foram tiradas das legendas que a acompanham.

Um leitor e um transmissor

Para Alberto Soares

Roger van der Weyden: S. Ivo (c. 1450)
óleo, 45 x 35 cm,
London: National Gallery

Se confiar em mim, ofereço-me para colocar toda a poesia escolhida e não só.
Um abraço amigo!

(Ainda estou muito longe para Mercúrio... apenas tento...ler)

A minha memória está um farrapo!


Rogier van der WEYDEN, [verso de um quadro],(c. 1440)
óleo, 33,7 x 23,5 cm
London: Courtauld Institute Galleries

Rogier van der WEYDEN (1400-1464 ?)


Um tipo sofria de amnésia e procurou o médico:
- Doutor, estou com uma terrível amnésia.
- Desde quando?
- Desde quando, o quê, doutor?

Uma fruta paradisíaca acompanhada de Eugénio de Andrade.

Ofereceram-me dióspiros que, para além de parecer um fruto paradísiaco, é uma das minhas frutas outonais de eleição. Lembrei-me de Eugénio de Andrade e é desta forma que ofereço virtualmente um dióspiro...


No fim do verão

No fim do verão as crianças voltam,
correm no molhe, correm no vento.
Tive medo que não voltassem.
Porque as crianças às vezes não
regressam. Não se sabe porquê
mas também elas
morrem.
Elas, frutos solares:
laranjas romãs
dióspiros. Sumarentas
no outono. A que vive dentro de mim
também voltou; continua a correr
nos meus dias. Sinto os seus olhos
rirem; seus olhos
pequenos brilhar como pregos
cromados. Sinto os seus dedos
cantar como a chuva.
A criança voltou. Corre no vento.

Eugénio de Andrade, Sal da Língua Porto, Fundação Eugénio de Andrade, 1995

A Procissão - Sara Affonso

O poema "A procissão" de António Lopes Ribeiro foi escrito para o quadro de Sarah Affonso com o mesmo título.
x
Sarah Affonso, A Procissão

Fundação Calouste Gulbenkian, Centro de Arte Moderna

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Um poema para o fim da noite: O Caos do Sonho

O Caos do Sonho

Estou deitado no sonho não perturbes
o caos que me constrói
Afasta a tua mão

das pálpebras molhadas
Debaixo delas passa a água das imagens

Gastão Cruz, in "Órgão de Luzes"

Novidades prosimetrónicas

O Prosimetron passará, a partir de amanhã segundo creio, a contar com mais um colaborador. Trata-se do JP, que já vem abrilhantando regularmente o blogue com os seus pertinentes e sempre divertidos comentários. Não me alongarei em apresentações, já que se trata de alguém que é conhecido pessoalmente por quase todos nós, e que me dá a honra de ser meu amigo há duas décadas. E, como é hábito neste blogue, passe a imodéstia, os interesses e os conhecimentos do JP são muitos e variados como se verá. Só me resta acrescentar que há ainda outro motivo de contentamento no que me diz respeito: Sempre é mais um monárquico no blogue... :)

Rádio Amália



Como os mais atentos às coisas da comunicação se devem ter apercebido, começou ontem uma nova rádio, a Rádio Amália ( 92 FM ) dedicada ao fado. Foi revelado que a breve trecho a estação contará com fadistas a cantar em estúdio. Veremos se o projecto tem pernas para andar.

Os limites da arte - 6

- A designer Catarina Pestana com uma fotografia da sua peça.

Tivemos recentemente entre nós um caso que se adequa na perfeição ao espírito desta rubrica: A Coca-Cola patrocinou um concurso de design em que as peças seriam exibidas na ExperimentaDesign deste ano, comissariada como habitualmente por Guta Moura Guedes. A designer Catarina Pestana concorreu com uma peça, que vemos supra, composta por um manequim feminino usando luvas de boxe, uma máquina fotográfica e um vibrador colocado entre as pernas, vestindo ainda uma t-shirt a dizer Coca Cola Light gosta de mim.
Não tendo a multinacional de refrigerantes gostado da peça, cujo título é o sugestivo Light my fire, a mesma foi excluída da bienal, com protestos da autora que entendeu que a recusa da peça configura um caso de censura artística.
No entanto, houve um final feliz- Joe Berardo comprou a peça e anunciou que irá exibi-la oportunamente.

Veneno é no Freeport...


- Naja

Está patente no Centro de Exposições do Freeport, Alcochete, uma exposição de animais venenosos com cerca de 27 espécies, das serpentes às aranhas, passando pelo monstro de gila e algumas rãs.
Além dos animais propriamente ditos, existem paineis informativos, fotos e vídeos que demonstram os efeitos dos vários venenos no corpo humano, mas também os benefícios de alguns designadamente na produção de medicamentos.
- Veneno, até 10 de Janeiro de 2010, Freeport Alcochete, aberta aos fins-de-semana e feriados, das 12h às 18h.

Das autárquicas - 2

" (...) O meu travesseiro sabe as memórias infelizes que eu guardo das passagens de Pedro Santana Lopes pela Câmara de Lisboa. Mas a verdade é que o oiço propor várias coisas que me parecem tão evidentes quanto necessárias e simples: repor o trânsito normal na zona do Cais do Sodré/Terreiro do Paço; manter o aeroporto da Portela em Lisboa; impedir a terceira travessia rodoviária do Tejo; não aceitar a expansão do terminal de contentores de Alcântara. Não oiço nada disto à candidatura de António Costa. E aí está o dilema instalado: votar em pessoas ou votar em programas? "

- Miguel Sousa Tavares, no Expresso de sábado passado.

Citações - 42 : Henrique Raposo




" (...) como o poder nunca se senta em duas cadeiras, este semipresidencialismo gera sempre ódio entre Belém e São Bento. Soares, em Belém, foi um PM versão caixeiro-viajante. Eanes andou em guerra com todos os PM da época. Sampaio dissolveu uma assembleia dominada pelos adversários do PS. Cavaco e Sócrates andam a jogar poker com as escutas.
Ora, tudo isto tem um efeito político perverso: como andamos sempre a discutir estas intrigas palacianas, acabamos por desprezar os reais problemas do país. Enquanto estivermos a falar sobre este circo institucional, o endividamento e o desemprego vão continuar a aumentar. Estes problemas não podem ser demitidos. Ninguém demite a realidade. Ou melhor, a III República consegue demitir a realidade. Aliás, não faz mais nada.
Obrigado, PM. Obrigado, PR. "

- Henrique Raposo, no Expresso de sábado passado.