Prosimetron

Prosimetron
Prosimetron: termo grego que designa a mistura de prosa e verso.

sábado, 26 de setembro de 2009

Sugestões para o rapto - 1

Luciano Santos


Painel de Cerâmica, Mercado de Alcobaça
Luciano Santos: Vendedores, 1966

O que eu te não digo

O meu desejo era mandar-te prosa
cheia de cor, de brilho, de relevo,
na pequenina folha cor-de-rosa
deste papel vulgar em que te escrevo.

Palavras de ternura? Não me atrevo.
Se penso numa frase carinhosa
arrependo-me logo: - «Não… Não devo…»
E a página sai fria, dolorosa.

Lamentas-te. Bem sei que tens razão.
Quero escrever, falar, e não consigo…
Vê que perturbadora comoção!

E, contudo, tu tens de compreender
o que eu, por mais que faça, te não digo;
o que eu não sou capaz de te escrever.

Virgínia Vitorino

Maçãs de Alcobaça


www.cooperfrutas.com/
«desde o início da sua instalação na região de Alcobaça, que os Monges de Cister reconheceram nestas terras características especiais para o cultivo de maçãs. Esta tradição de séculos, faz com que esta seja conhecida como terra de maçãs e estas estejam impregnadas na cultura das suas gentes.» (http://www.macadealcobaca.pt/new/amaca.asp)

Uma lembrança com algum atraso!

Só hoje consciencializei que morreu José Manuel Rodrigues da Silva! E digo que consciencializei porque devo ter tropeçado pela notícia, em Janeiro, e não reparei... Li alguns escritos seus no Jornal de Letras, jornal por onde andou nos últimos anos desta vida! Passou pelo Diário Popular, Diário de Lisboa e pelo Jornal. Só falei com ele uma ou duas vezes! Embora nem sempre estivesse de acordo com o seu pensamento era um Homem culto!
Adorava Lisboa!

Elementos

Hoje trocava o que vou fazer por um bom banho. O pensamento foi-me recordado por este convite que aqui fica...

Exposição no Museu de Évora até 1 de Novembro!
José M. Rodrigues é um dos grandes Fotógrafos portugueses.

Auto-retrato(s) - 19


Eduardo Luiz - Auto-retrato póstumo, 1984

Este é um dos meus pintores preferidos.

Frase do dia


( Um dos métodos de vacinação contra a gripe A é por spray nasal )


" Não conheço ninguém que tenha tido gripe A, daqui a um mês conhecerei "

- João Vasconcelos Costa, virologista e ex-director do IHMT, em entrevista publicada hoje no Público.

O dandy faz anos

Bryan Ferry, vocalista dos Roxy Music e depois com uma carreira a solo, contribuiu certamente para a " taxa de felicidade" na década de 80. Faz hoje 64 anos.

10 anos passaram


A magnólia estende contra a minha escrita a tua sombra
E eu toco na sombra da magnólia como se pegasse na tua mão.


Daniel Faria, poeta mas não só, deixou-nos em Junho de 1999. Inesperadamente, sem poder terminar o noviciado que havia começado em Singeverga. Ficou a sua poesia e a memória de tudo o mais que fez em tão curta vida.

Parabéns Gal !

Uma das grandes vozes do Brasil, Gal Costa, faz hoje 64 anos. Parabéns!

Para todos um...


http://imagens.topgifs.net/imagens-orkut/dia-sabado/recado-bom-sabado-orkut003.gif

Alegoria a S.Bento e Belém

                                   - Annibale Carracci, Alegoria do Tempo e da Verdade, 1584-85, Royal Collection, Londres.

Na passada quinta-feira vi tantas alegorias que me ficou o gosto. Trouxe esta do grande Carracci à colação, com o voto de que também na política portuguesa o tempo esclareça a verdade...

Citações - 39 : Vasco Pulido Valente



" (...) Do Presidente da República, o grosso do país quer um «sim» ou um «não». E Cavaco, às vezes, pareceu achar que sim, que o andavam a vigiar ( não desmentiu nada e prometeu um inquérito aos serviços de informação ); e às vezes pareceu achar que não, que não o andavam, de facto, a vigiar, e demitiu Lima, o fidelíssimo Lima, presumível como autor único e provado de « O Misterioso Caso de Belém ». Claro que só se vai saber a verdade na última página. Entretanto, ficaram vários cadáveres pelo caminho. "

- Vasco Pulido Valente, in O Misterioso Caso de Belém, no Público de ontem.

Plano.

Trabalho o poema sobre uma hipótese: o amor
que se despeja no copo da vida, até meio, como se
o pudéssemos beber de um trago. No fundo,
como o vinho turvo, deixa um gosto amargo na
boca. Pergunto onde está a transparência do
vidro, a pureza do líquido inicial, a energia
de quem procura esvaziar a garrafa; e a resposta
são estes cacos que nos cortam as mãos, a mesa
da alma suja de restos, palavras espalhadas
num cansaço de sentidos. Volto, então, à primeira
hipótese. O amor. Mas sem o gastar de uma vez,
esperando que o tempo encha o copo até cima,
para que o possa erguer à luz do teu corpo
e veja, através dele, o teu rosto inteiro.

Nunca são as coisas mais simples que aparecem
quando as esperamos. O que é mais simples,
como o amor, ou o mais evidente dos sorrisos, não se
encontra no curso previsível da vida. Porém, se
nos distraímos do calendário, ou se o acaso dos passos
nos empurrou para fora do caminho habitual,
então as coisas são outras. Nada do que se espera
transforma o que somos se não for isso:
um desvio no olhar; ou a mão que se demora
no teu ombro, forçando uma aproximação
dos lábios.

Nuno Júdice, As Tormentas

Citações - 38 : Eduardo Lourenço



" (...) No essencial, o nosso Portugal à hora americana por fora, como quase toda a Europa, não está tão longe do Portugal do Júlio Dinis como supomos. As forças ou as crenças mais ou menos obscuras que dispunham das vontades ao serviço do ignaro Joãozinho das Perdizes foram substituídas apenas, com mais eficácia, por mecanismos de sedução irresístivel, hipnótica mesmo, ao serviço de poderes nada obscuros. Não se trata da famigerada força ao serviço de deuses benévolos, mas de autênticas realidades demoníacas, senhoras ao mesmo tempo do poder económico, financeiro, político, tecnológico e, sobretudo, mediático, em estado de « gangsterização » planetária.(...) "

- Eduardo Lourenço,in Velada de armas, no Público de ontem.

Ao piano 6.

Edgar Degas, Mademoiselle Dihau au piano, 1888

Óleo sobre tela, 45 x 32.5 cm, Musée d'Orsay

PENSAMENTO DO DIA



" O momento mais feliz da minha vida foi o dia em que acabou a Segunda Guerra Mundial porque não havia nada para trás nem nada para a frente. O chamado ano zero. "

- Heiner Müller


Neste dia de reflexão eleitoral ( que sempre achei que deviam ser dois ) , dou por mim a pensar que é bom as nações terem anos zero. Tivemos o último há 35 anos, se calhar estamos a precisar de outro.

Lengalenga!

Malmequeres junto ao Rio Zêzere
x

Malmequer, bem me quer,
muito, pouco, nada.
Eu gosto de ti do sol e do mar.
E de todos os meninos,
que vejo a brincar.
Malmequer, bem me quer,
muito, pouco, nada.

Ao piano 5.

Gostei imenso desta Lição de Piano por causa das cores, da luz e da atmosfera romântica que o pintor conseguiu colocar na tela. Infelizmente não consegui mais dados sobre o quadro. Mesmo assim, optei por colocá-lo pode ser que alguém o conheça e partilhe o seu conhecimento.
Fancis Day é um pintor americano, muitos dos seus quadros estão em colecções particulares.
x
Francis Day , A lição de piano, 1895
Óleo sobre tela.

O beija-flor


http://www.imotion.com.br/imagens/data/media/24/6968beija_flor.jpg

Acostumei-me a vê-lo todo o dia
De manhãzinha, alegre e prazenteiro,
Beijando as brancas flores de um canteiro
No meu jardim – a pátria da ambrosia.

Pequeno e lindo, só me parecia
Que era da noite o sonho derradeiro…
Vinha trazer às rosas o primeiro
Beijo do Sol, nessa manhã tão fria!

Um dia foi-se e não voltou… Mas quando
A suspirar me ponho, contemplando,
Sombria e triste, o meu jardim risonho…

Digo, a pensar no tempo já passado:
Talvez, ó coração amargurado,
Aquele beija-flor fosse o teu sonho!

Auta de Souza

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Os teus olhos

Olha-me bem, assim. Que o teu olhar
tenha, ao fitar o meu, maior doçura;
que o envolva uma nuvem de ternura
como ninguém o saiba imaginar.

Que seja em tudo semelhante ao mar:
forma-se a onda, avança com bravura,
mas quando avista a areia – que brandura! –
roja-se e canta porque a vai beijar.

Que os teus olhos te fiquem repassados
duma luz de palácios encantados,
ao morrer o luar, de madrugada.

Que eles se vão cerrando lentamente,
numa tinta apagada de poente,
numa tristeza morna, fatigada…

Virgínia Vitorino

Sempre mais para uns do que para outros...


                          - Jo Lansley&Helen Bendon, Love is in the air, fotografia a cores, 1999, col.part.

Mas c' est la vie...

Quotidianos - 15


                                     - Vilhelm Hammershoi, Mulher num interior- Strandgade, 30, 1905, óleo sobre tela.

Para actualizar a minha "quota de quotidianos", optei pelo dinamarquês Hammershoi que penso ainda não ter aparecido aqui no blogue nesta rubrica. Gosto dos interiores dele. Traduzem muitas vezes quotidianos de silêncio e solidão.

Campanhas radicais ... - 2


Aqui está mais um exemplo, desta vez lusitano, de humor político-eleitoral mais radical...

As redes sociais - 3


Afinal, nem todas as estrelas de cinema se renderam às redes sociais da Internet, designadamente ao Facebook. É o caso de George Clooney :

" Preferia que um tipo com mãos muito frias me fizesse um exame à próstata em directo na televisão a ter uma página no Facebook. "

( Há poucos dias, no Festival de Cinema de Toronto )

Atenção ao Fundão



Mesmo os mais arreigados às grandes urbes já perceberam que há muita coisa a acontecer no interior do país. Um caso exemplar é o Imago- Festival Internacional de Cinema Jovem do Fundão, cuja décima edição arranca amanhã e se prolonga até 5 de Outubro. São 140 filmes, concertos e festas que mobilizam a juventude da Cova da Beira.
E, o que não espanta dado que se aproxima a "puberdade" do festival, o tema deste ano é o SEXO, com exibição de clássicos como Garganta Funda e Império dos Sentidos, mas também com muitas obras novas. Em competição, e dada a especificidade fundadora deste festival, estarão 31 curtas cujos realizadores têm todos menos de 35 anos. Tudo acontece na A Moagem- Cidade do Engenho e das Artes.

Mais informações em http://www.imagofilmfest.com/

1939 - "O Feiticeiro de Oz"/"The Wizard of Oz" hoje às 19:30 no São Jorge em Lisboa


"When I first saw The Wizard of Oz it made a writer of me", Salman Rushdie

A primeira aventura da MGM em "Glorious Technicolor", imortalizada por uma vasta iconografia desde Judy Garland e "Over the Rainbow" (a canção que esteve eliminada por ser supérflua e veio a ser considerada a melhor canção de sempre do cinema pelo American Film Institute), ao espantalho (que queria um cérebro), ou o homem de lata (que queria um coração), ou o leão cobarde (que queria coragem), a "there's no place like home", passando por sapatos de rubi, a bruxa verde e má, "I think we're not in Kansas anymore", Munchkins, uma "yellow brick road", papoilas soporíferas, tornados, "tigers and lions and bears", ...



Enredo

A jovem Dorothy Gale (Judy Garland) vive com os tios numa quinta no Kansas, sonhando com um lugar "para lá do arco-íris". Um tornado atinge a casa e Dorothy vê-se (juntamente com a casa e o seu cão Toto) transportada para num mundo de fantasia chamado Oz, aterrando literalmente em cima da temível Bruxa Má do Leste. Querendo regressar a casa, é aconselhada pela Bruxa Boa do Norte, Glinda (Billie Burke) a seguir a estrada dos tijolos amarelos para se dirigir à Cidade Esmeralda, onde o Feiticeiro de Oz a poderá ajudar.

Pelo caminho, encontra um Espantalho (Ray Bolger), um Homem de Lata (Jack Haley), e um Leão Cobarde (Bert Lahr), que se lhe juntam com as suas esperanças específicas (respectivamente, obter um cérebro, um coração e coragem). A viagem é atribulada, com Dorothy a ser alvo de perseguição por parte da Bruxa Má do Oeste (Margaret Hamilton) que quer recuperar os sapatos de rubi da sua irmã, que Glinda lhe oferecera.

Apesar das dificuldades, Dorothy chega à Cidade Esmeralda, onde se defronta com o poderoso Feiticeiro de Oz (Frank Morgan)...


Notas de Produção

Todas as cenas em Oz foram filmadas em 3-strip Technicolor ("Glorious Technicolor!"; as cenas passadas no Kansas são a preto e branco (sépia). Louis B. Mayer tinha resistido à modernice da cor, apenas cedendo a experimentar o novo meio depois do enorme sucesso financeiro de "A Branca de Neve e os Sete Anões", dois anos antes.

O argumento baseia-se nas aventuras escritas por Frank L. Baum, e contou com inúmeras versões e contribuidores; aliás, é um filme de múltiplas contribuições e substituições: o Homem de Lata originalmente era Ray Bolger, que pediu para ser o Espantalho; o candidato seguinte foi Buddy Ebsen, que sofreu uma violenta alergia ao pó de alumínio e teve que ser hospitalizado, sendo substituído por Jack Haley; a bruxa má era originalmente Gale Sondergaard -- não querendo fazer um papel que exigia que parecesse feia, foi substituída por Margaret Hamilton. Também a realização teve vários timoneiros: Norman Taurog foi o primeiro homem do leme, sendo substituído ao fim de algumas semanas por Richard Thorpe. Também este foi considerado pouco adequado e entra em cena George Cukor, mas apenas por alguns dias: dado o compromisso de que iria filmar "E Tudo o Vento Levou", é substituído por Victor Fleming (que foi quem acabou por filmar o épico sulista) e este é finalmente substituído por King Vidor para filmar as cenas finais de "O Feiticeiro de Oz".

As filmagens decorreram de Outubro de 1938 a Março de 1939, marcadas por múltiplas dificuldades. Para além da dança das cadeiras na realização, encontrar mais de cem actores para interpretarem os diminutos Munchkins não foi fácil, nem aplicar maquilhagem a tão vasto elenco; as cenas perigosas fizeram vítimas, incluindo queimaduras graves em Margaret Hamilton.

A pós-produção foi lenta e obteve um produto final com cerca de duas horas -- depois de vários testes de audiência, cortaram-se números de dança e reprises musicais. Uma das canções que esteve quase a não constar do filme foi "Over the Rainbow". Os produtores consideravam que as cenas no Kansas já estavam muito longas e o que interessava era manter as cenas a cores (além de que era degradante ter Judy Garland a cantar... num celeiro). No final, a intervenção de Victor Fleming e dos produtores Mervyn LeRoy e Arthur Freed fez com que a canção permanecesse.



Reacções

O filme foi um sucesso moderado, conseguindo um pequeno lucro face aos custos de produção (na altura, USD 3 milhões de receitas contra USD 2.8 milhões de custos). Só quando se fez a reedição em 1949 é que os lucros dispararam.

O filme passou a integrar grande número de Top 10 Best Movies, tendo a sua iconografia entrado no dia-a-dia.

O filme foi considerado "culturally significant" pela Biblioteca do Congresso dos EUA, que o seleccionou para preservação no National Film Registry em 1989. Em 1998, o AFI considerou-o o 6º melhor filme americano de sempre. Em Junho de 2007, a UNESCO seleccionou o fime para integrar o Memory of the World Register. Em Junho de 2008, o AFI considerou-o o melhor filme americano na categoria de Fantasy.

A canção "Over the Rainbow" conquistou o Óscar para Melhor Canção, tendo sido considerada em 2004 a melhor canção de sempre do cinema pelo American Film Institute. A banda sonora também conquistou o Óscar de 1939. A banda sonora foi considerada a melhor de sempre pelo "The Observer".

O recipiente do prémio Booker of Bookers, Salman Rushdie, escreveu para o British Film Institute um ensaio sobre o filme e a sua influência na cultura popular em que interpreta a força das crianças na resolução de problemas face à incapacidade dos adultos que me pareceu muito inteligente.

Judy Garland conquistou o Óscar para Melhor Actriz ou Actor Juvenil.

Três citações mereceram eleição no "AFI's 100 Years…100 Movie Quotes" em 2005:
- "Toto, I have a feeling we're not in Kansas anymore" (4ª)
- "There's no place like home" (23ª)
- "I'll get you, my pretty, and your little dog, too" (99ª)

Os sapatos de rubi também fizeram história: em 1970, num leilão da MGM, um par vendeu-se por USD 15.000. Outro leilão, em 2000, obteve USD 666.000. Mais recentemente, um par foi furtado do Judy Garland Museum, em Minnesota.

A 23 de Setembro de 2009, vários cinemas nos EUA exibiram o filme em homenagem ao seu 70º aniversário, numa versão de alta definição. O Cinema São Jorge, em Lisboa, exibe hoje o filme às 19:30 -- desconheço a versão.

Planeando a viagem do rapto


Planning the Grand Tour [Planeando a Grande Viagem],
Emil Brack
Colecção Privada

O Rapto de Ganymedes

Hoje 25 de Setembro será que vou ser raptado por Júpiter?... mas já não sou Ganymedes... mas antes velho como Júpiter!

Imagem roubada em flickr com a legenda castelhana "Estuche de bronce para espejo de origen etrusco procedente de Palestrina"... infelizmente não tem mais indicações. Vou tentar descobrir.

PP. 25.09; 10:17 Julgo que todos sabem onde vive Júpiter! Espero que não me desejem Boa Viagem. Este post está relacionado com o anterior e a Ilha de Orfeu.

Mais uma versão...

Como sabem esta é a música que eu quero que os meus amigos escutem quando eu partir para a minha Ilha de Orfeu...

Um amigo enviou ontem esta música. Fiquei com uma dúvida? será a minha morte... Só o futuro o dirá.
Agora para rir: OBRIGADO! Adoro a Cavalleria Rusticana...

Junquilhos

Nessa tarde mimosa de saudade
Em que eu te vi partir, ó meu amor,
Levaste-me a minh'alma apaixonada
Nas folhas perfumadas duma flor.

E como a alma, dessa florzita,
Que é minha, por ti palpita amante!
Oh alma doce, pequenina e branca,
Conserva o teu perfume estonteante!

Quando fores velha, emurchecida e triste,
Recorda ao meu amor, com teu perfume
A paixão que deixou e qu'inda existe...

Ai, dize-lhe que se lembre dessa tarde,
Que venha aquecer-se ao brando lume
Dos meus olhos que morrem de saudade!

Florbela Espanca, in "A Mensageira das Violetas"

Provérbios

Setembro que enche o celeiro, dá triunfo ao rendeiro.

Setembro que enche o celeiro, salva o rendeiro.

Auto-retrato(s) - 18


Edward Hopper - Self-portrait, 1906
museumsyndicate.com


Edward Hopper - Self-portrait, 1925-1930
Nova Iorque, Whitney Museum of American Art

Dois dos vários desenhos e pinturas em que Hopper - que tão bem retratou a solidão americana - se auto-representou com realismo.
(Depois de uma referência da Ana a este pintor, de que gosto bastante.)

O desejo de um dia Feliz

Parabéns Ivo!

Pavarotti E lucevan le stelle, "Tosca", III acto.



E lucevan le stelle,
e olezzava la terra
stridea l'uscio dell'orto
e un passo sfiorava la rena.
Entrava ella fragrante,
mi cadea fra le braccia.

O dolci baci, o languide carezze,
mentr'io fremente le belle forme disciogliea dai veli!
Svanì per sempre il sogno mio d'amore.
L'ora è fuggita, e muoio disperato!
E non ho amato mai tanto la vita!

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Palácio da Ajuda...

... Ensemble de Jazz da Escola Superior de Música de Lisboa

E assim terminou a última Quinta-feira à noite... nos Museus, em Lisboa!

Fragmento de um conto de Florbela Espanca

Florbela Espanca no Parque dos Poetas , em Oeiras.
No seguimento do post do Luís coloco este excerto de Florbela Espanca.
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O Inventor

"(...) Das folhas arrancadas aos cadernos de contas e aos livros, faz espectaculosos chapéus armados de almirante, constrói frotas poderosíssimas, que põe a navegar no mar largo duma grande barrica, onde a professora guarda a sua provisão de água com que, ao cair da ardente tarde alentejana. mata a sede às violetas e aos lírios do seu pequeno jardim de padre-cura.
Adormece, abraçado a um barco de cortiça e velas de pano-cru, que o pai lhe deu num dia de anos. Os presentes de Ataxerxes fá-lo-iam sorrir de desdém perante a dádiva principesca.
Já homenzinho, nas noites longas de Inverno, acocorado à chaminé onde o madeiro crepita, lê embevecido, horas a fio, todo o Júlio Verne, histórias de piratas e corsários; o navio-fantasma enfeitiça-o; os naufrágios heróicos entusiasmam-no; foi durante anos todos os capitães de navios naufragados, morrendo no seu posto, aos vivas a Portugal!"

Florbela Espanca, as máscaras do destino, Lisboa: Bertrand, 1979, p. 125

Palácio da Ajuda...

Iryna Brazhnik

Prenez du chocolat!


3.bp.blogspot.com/.../s400/chocolats_1.jpg

Para um amigo como agradecimento.

Henri Fantin-Latour, Amores-perfeitos, 1903,
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(amarelos símbolo da luz e da sabedoria)
Óleo sobre tela, 22.9 x 28.3 cm

Ao piano 4.

Richard Whitney nasceu em 1946, em New Hampshire. Foi designado pela Sotheby’s "as a living master of the classical tradition". Resolvi colocar este pintor que conheci há pouco tempo nesta rubrica "Ao Piano". Whitney tem retratos interessantes.
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Richard Whitney, Thomas Carter Family

http://pt.wikipedia.org/wiki/Hiper-realismo
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O hiper-realismo surgiu no final da década de 1960, sobretudo em Nova York e na Califórnia, Estados Unidos. Esta corrente vai ao encontro do realismo também conhecido como realismo fotográfico ou fotorealismo, contrariando as direcções abertas pelo minimalismo e pelas pesquisas formais da arte abstracta. Hopper é o hiper-realista que gosto mais mas não encontrei nenhum quadro dele com este tema.

Nem de propósito...

 Depois de ontem aqui se ter falado de L' air du temps, uma das míticas criações de perfumes da Casa Nina Ricci, eis que surge na imprensa o anúncio ao novo perfume Ricci. Chama-se Ricci Ricci, e foi criado pelos perfumistas Aurélien Guichard e Jacques Huclier, da Casa Givaudan. Ainda não o cheirei, mas o frasco é fantástico. Está resolvido o dilema do presente para o aniversário da minha mãe no próximo dia 7. Não lhe digam. 

O porno de Isabella Rossellini

Não se trata do que à primeira vista o título poderia levar a pensar, mas sim das fantásticas curtas-metragens concebidas e protagonizadas por Isabella Rossellini sobre o comportamento sexual animal, dos insectos aos lagostins, dos caracóis às estrelas-do-mar. Uma impressionante diversidade de técnicas, órgãos e funções descritas na série de seu nome Green Porno. Estão disponíveis todas em http://www.sundancechannel.com/, e vale a pena ir ver.

Citações - 37 : Gonçalo M.Tavares


" (...) Ajoelham-se, agradecendo as investigações médicas que anunciam para o futuro novas curas e, ainda ajoelhados, agradecem a força que as religiões antigas ainda trazem. Como se, sempre de joelhos, fizessem apenas uma rotação. Primeiro, o corpo virado para o futuro; depois, o corpo virado para o antigo.
Este século, meu caro, não é apenas o da tecnologia- é o século da Clínica Religiosa e da Igreja Médica. "

- Gonçalo M.Tavares, in O século e a fé, na Visão de hoje.

Vale a pena ler na íntegra esta crónica sobre os cruzamentos entre a Fé e a Tecnologia.

Novidades - 73 : Dinis Machado



Sai já em Outubro, Blackpot, uma novela policial inédita de Dinis Machado. A edição é da Assírio&Alvim.

[Foi nesse instante]

Foi nesse instante
que acima do ponto terrestre
se levantou
um enorme sinal de interrogação.

Vladimir Maiakovski

Cinenovidades - 62 : Taking Woodstock

Não podia ser mais oportuno este filme de Ang Lee, já que se celebram este ano os 40 anos do mítico concerto de Woodstock. No entanto, este filme, Taking Woodstock, não é um filme directamente sobre o Festival, mas antes sobre o jovem Elliot Teichberg, que foi vital na logística do grande acontecimento musical, já que foi ele que arranjou os terrenos onde tudo aconteceu. É a vida de Teichberg, e o que esta mudou com a realização do concerto, que é o centro do filme.
Estreou entre nós na semana passada, mas ainda não o consegui ver. Talvez domingo.

Dois poemas de Virgínia Vitorino



publicados na revista Contemporânea, n.ºs 6 e 10.



«Tenho pela mentira um horror quase físico. Sinto-a à distância e agora... neste mesmo momento... sinto-a vaguear, asquerosa e suja, em volta da minha alma que vibra no orgulho de ser pura. Se os outros me não conhecem, eu conheço-me, e tenho orgulho, um incomensurável orgulho em mim!» (6 Set. 1930)
Florbela Espanca - Diário do último ano / pref. Natália Correia. Lisboa: Bertrand, 1981

Sábado é em Alcobaça


Este sábado, pelas 17h, no Mosteiro de Alcobaça, é inaugurada a exposição Face a Face- Florbela Espanca/Virgínia Vitorino. Duas mulheres que fizeram a diferença nas primeiras décadas do séc.XX.

Menina

Uma das inesquecíveis canções escritas por Ary dos Santos e a deslumbrante voz de Tonicha. Ganhou o Festival da Canção de 1971 e foi à Eurovisão, que já era a cores.
Para todas as meninas que estão à janela. Menina de andar de linho, com um ribeiro à cintura...

Já que se falou dele...

Gosto muito de Maria Teresa de Noronha, uma das mais belas vozes do fado. Aqui fica o seu Fado Hilário ( de Augusto Hilário da Costa ) .

A poesia e a Tela - 2.

Jean-Honoré Fragonard, A carta de Amor, ca. 1770
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Óleo sobre tela, 83.2 x 67 cm, The Jules Bache Collection, 1949
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Respiro o teu corpo:
sabe a lua-de-água
ao amanhecer,
sabe a cal molhada,
sabe a luz mordida,
sabe a brisa nua,
ao sangue dos rios,
sabe a rosa louca,
ao cair da noite
sabe a pedra amarga,
sabe à minha boca.

Eugénio de Andrade

As médias...

Foi revelado ontem um estudo segundo o qual cada português bebe, em média, 71 litros de cerveja por ano. Ouvi a notícia na televisão, e a repórter que andou a colher opiniões sobre o dito estudo, mostrou-se perplexa no fim da peça uma vez que as opiniões colhidas não pareciam ser muito consentâneas com os resultados do dito estudo. Perplexidade que eu também partilho. Dentro dos meus círculos familiar e de amizade, esta " média " falha redondamente. Alguém anda a beber muita cerveja por nós...

Cenas Portuguesas - 13


- Fotografia de J.R. Santos.

Ontem à tarde fui ao Chiado. Apesar de ser habitué, já não passava por lá há alguns dias. Fui surpreendido por um enorme caos sonoro, proveniente de duas fontes: junto à esplanada da Brasileira, decorriam praxes aos caloiros, que estavam no estado habitual da coisa e ostentavam t-shirts com a palavra "Geo". Fiquei sem saber se eram caloiros de Geografia ou Geologia. Mais acima, passava uma caravana da CDU com, obviamente, altifalantes ligados e aquela música que usam há anos e imediatamente reconhecemos.
Fiquei-me pela Brasileira, a observar por instantes as praxes. Apesar dos "tormentos", os caloiros sorriam.
Dei por mim a pensar que agora que ultrapássamos há meses a barreira histórica dos 500.000 desempregados ( os que estão inscritos nos Centros de Emprego, os "desempregados oficiais", já que, como todos sabemos, há muito emprego informal no nosso país ), e vamos a caminho dos 600.000 com dezenas de milhares de licenciados desempregados, é difícil sorrir neste país. Talvez só mesmo os caloiros consigam.

Uma bonita surpresa


Nestes tempos de correio electrónico, Facebook, Twitter, MSN e chats, começa a ser raro recebermos correspondência personalizada. É claro que ainda encontramos nas nossas caixas de correio convites para isto e para aquilo, revistas e jornais que assinamos, publicidade e propaganda ( especialmente em período de campanha eleitoral ) , e as inevitáveis contas... Mas já é menos frequente sermos destinatários de cartas de amor, poemas de amigos ou postais de viagem, uma vez que a tecnologia proporciona tudo isto em tempo real.
Assim, foi agradável abrir ao fim da tarde de ontem a minha caixa de correio e nela descobrir um inesperado postal que havia cobiçado aqui no Prosimetron. Muito obrigado a quem mo enviou. Já está na minha caixa dos postais, que é também uma caixa de amizade.

Ao piano 3.

Também não me lembrava de ter visto este quadro. Embora tenha visto Mademoiselle Gachet noutro quadro e situação ou no belíssimo filme: "Van Gogh" de Maurice Pialat, recriação dos últimos dias de vida do pintor que fui ver à Cinemateca, numa das minhas estadias em Lisboa.
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Vincent Van Gogh, Mademoiselle Gachet at Piano. 1890.
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Óleo sobre tela. Kunstmuseum Basel, Basel, Switzerland