Prosimetron

Prosimetron
Prosimetron: termo grego que designa a mistura de prosa e verso.

sábado, 23 de agosto de 2008

Gostava de poder voar... de te reencontrar

Gostava de poder voar... de te reencontrar...

Férias em Roma - Roman Holiday - Vacanze Romane

A 27 de Agosto de 1953, estreava-se Roman Holiday no Reino Unido e nos EUA. A efeméride, ainda que antecipada – uma breve ausência a partir de terça-feira a isso obriga –, não poderia deixar de ser assinalada: Férias em Roma de William Wyler é, seguramente, um dos mais belos filmes de toda a história da Sétima Arte e revelou ao público uma das maiores artistas de todos os tempos – Audrey Hepburn.

Uma visita de Estado às principais capitais europeias leva Her Royal Highness, a princesa Anne (Audrey Hepburn), ao último destino deste “goodwill-tour”: Roma. Saturada das contingências protocolares e das inúmeras recepções enfadonhas, Anne decide fugir do palácio em que reside. Sob a influência de um sedativo a que tinha sido sujeita, a princesa acaba por adormecer num banco de um jardim.



Joe Bradley (Gregory Peck), um jornalista americano, depara-se com a misteriosa desconhecida e acolhe-a no seu apartamento. No dia seguinte, Bradley descobre a verdadeira identidade da hóspede. No entanto, a princesa apresenta-se como Anja Smith, aluna de um colégio que simplesmente faz gazeta por um dia. Na expectativa de uma reportagem sensacionalista, Bradley convida Anne (Anja) para um passeio por Roma. A beleza, o esplendor e caos da Cidade Eterna que se opõem agradavelmente à rigidez da corte, fascinam Anne. Na mira permanente de uma mini-máquina fotográfica de Irving (Eddie Albert), jornalista e amigo de Bradley, a princesa pode finalmente encantar-se com as tarefas mais simples e quotidianas com que sempre sonhou: cortar o cabelo, fumar o seu primeiro cigarro e aventurar-se à condução de uma vespa que termina na esquadra da polícia.




A sugestão para o programa do serão não parte de um adido cultural, mas sim do cabeleireiro: na companhia de Bradley e Irving, Anne diverte-se num barco onde os romanos plebeus passam as noites quentes de Verão. A ilusão termina abruptamente quando agentes secretos, à procura da princesa desaparecida, descobrem o paradeiro de Anne. A “pancadaria” entre os agentes e os apoiantes de Anne não se faz esperar, a própria princesa estreia-se, e muito bem, nesta forma de autodefesa menos aristocrática. Anne e Bradley escapam. A despedida junto do palácio revela os sentimentos que Anne e Bradley sentem. O jornalista renuncia à reportagem prevista e a 5000 dólares que a manchete lhe teria valido. Sabendo da impossibilidade de um futuro em comum, Anne e Bradley voltam a ver-se no dia seguinte numa recepção formal pela última vez.

Roman Holiday foi um dos primeiros filmes de Hollywood a realizar fora dos estúdios e exclusivamente nos locais originais em que decorre a narrativa. A legislação fiscal italiana impedia a transferência integral de lucros, gerados na península itálica, para os Estados Unidos. Os custos incorridos in loco compensariam parcialmente os proveitos. Durante as filmagens, a equipa confrontou-se com vários desafios: as temperaturas elevadíssimas, muito próprias do Verão italiano, acompanhavam a situação política escaldante nesse ano (aliás, quer o calor estival, quer a situação política italiana em nada refrescaram ao longo dos últimos 55 anos…). Greves gerais no seguimento das eleições de Maio de 1953, bem como manifestações de militantes dos vários quadrantes políticos (incluindo fascistas), foram obstáculos do dia-a-dia. Por fim, a yellow press, bem situada sobre o estado lamentável do matrimónio de Gregory Peck, muito rapidamente criou um romance entre o actor americano e Audrey. De facto, a grande amizade entre Peck e Hepburn começou em Roma, mas não teve o desenvolvimento desejado pelos papparazzi.


O argumento da película, que nos faz recordar It happened one night de Frank Capra (1934) com a dupla Gable/Colbert, projectava para o grande écran um acontecimento bem real, no sentido duplo: a princesa Margarida acabara de anunciar o seu noivado com o fotógrafo Anthony Armstrong-Jones.
Não obstante esta publicidade, Roman Holiday ficou atrás das expectativas da Paramount: em Dezembro de 1953, as receitas cifravam-se em 3 milhões de dólares, em vez dos 5 milhões previstos.

No entanto, a aura que este filme transmitiu e continua a transmitir sobrepõe-se aos factos financeiros. Roman Holiday é um dos filmes mais recordados dos anos 50. E claro, esta homenagem à Cidade Eterna proporcionou ao mundo Audrey Hepburn.

Após algumas películas e o estrondoso sucesso como Gigi na Broadway, Audrey entrava definitivamente no Olimpo dos grandes nomes da Sétima Arte. Em todo o mundo, o público rendia-se a Hepburn. Audrey era o ídolo para milhões de raparigas e sinónimo de beleza e elegância. A concordância entre Audrey e princess Anne é completa: a postura aristocrática, a delicadeza e a vulnerabilidade criam uma identidade perfeita entre actriz e o papel.

A aceitação geral deste novo tipo feminino era naturalmente garantida. Naturalmente, na medida em que os pin-up sex symbols dos anos 50 necessitavam de um contraste autêntico. A Europa “encarregou-se” de cumprir esta tarefa. Lembremo-nos da fragilidade da italiana Pier Angeli ou da francesa Leslie Caron. Contudo, na nossa memória ficou, em lugar insuperável, a belga Audrey Hepburn.
"The most exciting thing, since Garbo and our own Hepburn, Katherine" , eis o entusiasmo de Sam Goldwyn. Aos 24 anos, este "most exciting thing", viria a ganhar o Óscar de melhor actriz.

Uma rosa real

- rosa Petit Trianon
-Retrato de Maria Antonieta por Mme Vigée-Lebrun,1783

A rosa Petit Trianon foi criada em 2005 pela famosa casa Meilland, os maiores especialistas em rosas do mundo, pretendendo ser uma perfeita réplica daquela que Maria Antonieta segura na mão no famoso retrato pintado por Élisabeth Vigée-Lebrun. A madrinha da rosa foi Élisabeth de Feydeau, autora de Jean-Louis Fargeon, parfumeur de Marie-Antoinette.

Frases do Bardo - 2

" A primeira coisa a fazer é matar todos os advogados " ( Henrique VI )


- in 101 Citações de William Shakespeare, org. André Vasques, Garrido Editores, 2003.

Crónicas de Clarice - 5

ESCREVER AO SABOR DA PENA ( 14 de Março de 1970 )

Esta frase me ficou na memória e nem sequer sei de onde ela veio. Para começar, não se usa mais pena. E depois, sobretudo, escrever à máquina, ou com o que seja, não é um sabor. Não, não estou me referindo a procurar escrever bem : isso vem por si mesmo. Estou falando de procurar em si próprio a nebulosa que aos poucos se condensa, aos poucos se concretiza, aos poucos sobe à tona- até vir como num parto a primeira palavra que a exprima.


- Clarice Lispector, A DESCOBERTA DO MUNDO, Nova Fronteira, 1984.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Safari : por-do-sol

Safari : pôr-do-sol É com este fim de dia que está a terminar o safari de hoje. Saudades para todos.

Olhares - 2

Olhares - 2 Gostas da minha permanente?

Olhares

Olhares

Uma nova revista - STANDPOINT

Ainda tentei ver se conseguia comprar os dois primeiros números, mas não tive sorte. Assim, apenas tive acesso à nova revista britânica STANDPOINT no seu terceiro número, à venda nas melhores lojas de revistas. Esta nova publicação está para a intelectualidade britânica de direita como a PROSPECT está para a de esquerda, e parece poder vir a ter o mesmo nível da sua rival.
Este terceiro número tem como artigos de fundo a dependência crescente da internet, o Dalai Lama , o declínio da televisão, e a eterna temática do Sionismo/Anti-Sionismo.


Frases do Bardo- 1

" O mal que os homens praticam sobrevive-lhes " ( Júlio César )

-in 101 Citações de William Shakespeare, org. André Vasques, Garrido Editores, 2003.

Salmo que o amor interrompe

Rezo-te, na noite que os anjos obscuros
do crepúsculo mancham de culpa e remorso, ó
deus que as nuvens ocultam ! E, num intervalo
da treva, peço-te a palavra que floriu
nas primaveras, morreu nos invernos, e se gastou
nos lábios de uma antiga eternidade. Ouço-a,
no entanto, nesse canto que as estações
esqueceram: verso perene, abrigando aves
e flores, de onde os teus dedos colheram um breve
murmúrio. Mas esqueço-a nos olhos que me
fixam quando o amor se demora, entre risos,
e um silêncio súbito me revela o teu corpo.


- Nuno Júdice, AS REGRAS DA PERSPECTIVA, Quetzal Editores,1990.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Punk

Punk

Vendo os Jogos

Hoje, depois de ter liderado os ensaios, Nelson Évora conquistou a medalha de ouro no triplo salto. O campeão mundial passa a ser também campeão olímpico. Amanhã subirá ao pódio para receber a merecida medalha, a segunda para Portugal nestes Jogos que já levantaram alguma celeuma cá no burgo.
Do que tenho visto, saliento os velocistas jamaicanos, o glorioso Michael Phelps e o cubano Robles, espantoso nos 110 metros com barreiras.
E como havia dito a alguns amigos, que se mostraram incrédulos, a China lidera em conquista de medalhas.

Parabéns Brick Bradford !

Brick Bradford, personagem da banda desenhada norte-americana, faz hoje 75 anos. Nasceu em 1933 pela mão do argumentista William Ritt e do desenhador Clarence Gray, e foi o primeiro herói das strips a ter como cerne das suas aventuras as viagens pelo tempo. Foi uma das minhas personagens preferidas quando começei a ler banda desenhada, desde logo no saudoso Mundo de Aventuras.

PENSAMENTO DO DIA

Nobody's perfect until you fall in love with him.

- Aimee Mullins

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

137 anos depois...



137 anos depois...



Portugal está perdido.

O país perdeu a inteligência e a consciência moral.
Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada.
Os carácteres corrompidos.
A prática da vida tem por única direcção a conveniência.
Não há princípio que não seja desmentido.
Não há instituição que não seja escarnecida.
Ninguém se respeita.
Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos.
Ninguém crê na honestidade dos homens públicos.
Alguns agiotas felizes exploram.
A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia.
O povo está na miséria.
Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente.
O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo.
A certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências.
Diz-se por toda a parte, o país está perdido.

Eça de Queirós
Lisboa, 1871


O hotel-paquete




O Belvédére du Rayon-Vert, na avenida de la Côte Vermeille, em Cerbère, França, foi construído no estilo art deco entre 1928 e 1932 segundo o desenho do arquitecto de Perpignan, Leon Baille, e foi um lugar mítico nos anos 30 para quem viajava entre França e Espanha, pois Cerbère está junto á fronteira espanhola. Dispunha de uma sala de cinema e de court de ténis no terraço. O seu declínio, depois de ter alojado Mistinguett, cabeças coroadas e estrelas de cinema, começou com a guerra civil de Espanha e continuou depois com a ocupação alemã.
Hoje está nas mãos de um particular, e uma parte foi convertida em apartamentos.
Classificado como monument historique desde 1987. É visitável.


Filofelicidade


" Que ninguém hesite em se dedicar à filosofia sobretudo quando se é jovem, nem se canse de fazê-lo em mesmo em idade já avançada, porque nunca se é demasiado jovem ou demasiado velho para alcançar a saúde do espírito."
- Epicuro, Carta sobre a felicidade

Dia de S.Bernardo

Bernardo de Claraval, abade de Claraval ( Clairvaux ), santo ( canonizado em 18 de Junho de 1174), e Doutor da Igreja ( por Pio VIII em 1830), nasceu em Dijon no ano de 1090 e morreu em Claraval no dia 20 de Agosto de 1153.
Foi o grande reformador da Ordem de Cister, fundador de uma das suas maiores abadias, Clairvaux, e uma das personalidades mais influentes do séc.XII.
A data da sua morte é feriado municipal em Alcobaça- lugar da maior abadia cisterciense portuguesa, e também em Alcobaça,Estado da Bahia, Brasil.

Contos de Orkény - 2

OS NOSSOS FILHOS

Era uma vez uma viúva velhinha e essa viúva tinha dois belos filhos. Um, o mais velho, empregou-se num navio cuja primeira viagem o levou ao oceano Pacífico. O que lhe aconteceu, ninguém pode dizer, porque desapareceu no mar sem deixar vestígios.
O mais novo ficou em casa. Mas uma vez, quando a sua mãe o mandou comprar vermicida ( à farmácia, que é a sétima casa a seguir à sua), nunca mais voltou. Também ele desapareceu para sempre.
Esta é a realidade dos factos. Mas nos contos as viúvas costumam ter três filhos. É sempre o terceiro que consegue o seu lugar ao sol.


- István Orkény, Histórias de 1 minuto, vol.1, Introdução, selecção e tradução do húngaro de Piroska Felkai, Ed.Cavalo de Ferro, 2004.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Vale Abraão

Esta tarde vi pela terceira vez Vale Abraão. É realmente um dos filmes de Manoel de Oliveira de que mais gosto. A bela Leonor Silveira compõe em estado de graça a inquietante Ema Cardiano, uma Bovary à moda do Douro. Bem secundada por Luís Miguel Cintra, Diogo Dória, João Perry, Glória de Matos e Rui de Carvalho, e até nas curtas mas interessantes participações de Nuno Vieira de Almeida e Miguel Guilherme. O cenário é um dos mais belos do país- o Douro vinhateiro, das míticas quintas, dos árduos socalcos. As palavras, como tantas vezes na obra de Oliveira, são de Agustina e tiradas como esta- "O Fernando Osório estava arruinado. Mas para ele estar arruinado era estar enterrado em ouro até aos joelhos em vez de nadar nele." - não se esquecem facilmente.
Também não se esquece a sequência final do filme, uma das mais belas de todo o cinema português.

Este Agosto...

Este Agosto... Este Agosto nao está grande coisa. Temperatura do ar 25 c da agua 26. Vamos para a água aquecer...

Sigüenza-Vila Viçosa e a Tecla


A minha querida amiga Tecla Portela Carreiro continua a contribuir para as boas relações entre os dois vizinhos ibéricos. Aqui a vemos, em recente cerimónia, a ser presenteada pelo contributo dado à geminação entre Siguenza e Vila Viçosa. Aguardo a publicação do texto da Tecla, que ocorrerá em Vila Viçosa.

E outras

E outras

Apresento mais uma das minhas companhias

Apresento mais uma das minhas companhias

CENAS PORTUGUESAS : 6 - Um passeio matinal

-fotografia de Luísa Branco

Uma vez que não pude ir deambular pelos Jardins do Imaginário, fiz o meu passeio matinal mais perto. Primeira paragem: Rossio- a azáfama costumeira, ampliada pelos turistas de Agosto. Nas àguas-furtadas do Nº40, os pombos, aproveitando um vidro partido, entram e saiem como se lá morassem, e se calhar moram mesmo.A seguir, o Terreiro do Paço-efectivamente uma das mais belas praças da Europa, especialmente numa manhã de sol como a de hoje. Os turistas aguardam, ordeiramente, na paragem do eléctrico turístico, aquele encarnado com os dizeres "Sightseeing". Muitos fotografam e fazem-se fotografar. Há quem passeie pela praça de segway- penso que foi hoje a primeira vez que reparei nisso.Páro depois no Cais das Colunas- continua desaparecido "em combate", armazenado algures. Lá continua um enorme fosso, e uma grua e uns operários. O metro está concluído. Que será agora ? . Termino o passeio tomando uma bica numa renovada pastelaria no Cais do Sodré . E ponho-me a caminho de casa.

ONDE ME APETECIA ESTAR - 5 : Jardins de l' Imaginaire





Apetecia-me começar o dia a deambular por este belo Jardim do Imaginário, no Périgord, perto das históricas grutas de Lascaux. É uma criação da paisagista norte-americana Kathryn Gustafson, vencedora do concurso lançado em 1991 pelo Município de Terrasson-la-Villedieu. Infelizmente só são permitidas visitas guiadas, pelo que não há grande margem para deambulações solitárias.

PENSAMENTO ( S )

Notre époque sera marquée par le romantisme des apatrides. Dejá se forme l' image d' un univers où plus personne n' aura droit de cité. Dans tout citoyen d' aujourd'hui gît un météque futur.
- Emil Cioran, Syllogismes de l' amertume

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Foi abandonado pela mãe.

Foi abandonado pela mãe.

Uma demissão agradável

O presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, anunciou a sua demissão num discurso transmitido pela televisão. Menos um candidato a ditador.

Para quem vai a Paris...

Aqui ficam as exposições a não perder para quem for a Paris este Verão :



- Napoléon - Symboles des pouvoirs sous l' Empire : A arte oficial do Primeiro Império e o seu impacto na Europa do séc.XIX. No Musée des Arts Decoratifs, até 5 de Outubro.



- Les soldats de l'éternité : Depois de terem estado em Londres, chegaram a Paris os soldados de terracota do Imperador Qin. Na Pinacothéque de Paris, até 14 de Setembro.



- A qui appartenaient ces tableaux ? : São apresentados 53 quadros espoliados pelos Nazis durante a Segunda Guerra Mundial, de Ingres a Cezanne e Matisse. No Musée d' Art et d' Histoire du Judaísme, até 28 de Setembro.





Dedicado em especial ao F. e à X. que brevemente estarão em Paris.

A nova arquitectura de Pequim

- O Centro Nacional para as Artes Performativas, desenhado pelo
arquitecto francês Paul Andreu, e mais conhecido como o Ovo.


-A nova sede da China Central Television, um arranha-céus em forma
de fita de Mobius desenhado por Rem Koolhaas e Ole Scheeren




- O Estádio Nacional de Pequim, desenhado pelos arquitectos suiços
Jacques Herzog e Pierre de Meuron, mais conhecido como o Ninho.


GUIDO RENI

Sugestionado pelo lindíssimo post do João Soares sobre Caravaggio, revi um livro dedicado à escola de pintura de Bologna com referências a Guido Reni, influenciado na sua obra por Caravaggio.

Guido Reni nasceu a 4 de Novembro de 1575 em Calvenzano. Filho do músico Daniele Reni, rapidamente revelou um talento extraordinário na pintura, pelo que, aos nove anos, iniciou a sua aprendizagem junto do artista flamengo Denys Calvaert em Bologna. Em 1595, aderiu à Accademia degli Incamminati da autoria da família Carracci. Ainda nesse ano, foi-lhe encomendada a “Coroação de Nossa Senhora e quatro Santos” para a igreja de S. Bernardo em Bologna.

As obras do jovem Reni inspiram-se no maneirismo, distinguindo-se por estruturas claras e lineares e recordando, por vezes, a arte flamenga.

Por volta de 1600, foi para Roma. A arte de Caravaggio impressionou e influenciou Reni. A título de exemplo, refira-se a Crucificação de S. Pedro de 1604/5 (Roma, Pinacoteca Vaticana). Ao longo dos anos, abandonou contudo a linha claro-escura a favor de tons mais intensos. Historiadores de Arte situam este estilo entre o Neo-Maneirismo e o Barroco.

O vasto património artístico de Reni inclui frescos e quadros, entre eles, o fresco Aurora (Casino Rospigliosi-Pallavicini, Roma), os quadros S. Matteo e l'Angelo (Roma, Pinacoteca Vaticana), O Rapto de Deinaeira por Nessus (Paris, Louvre) ou vários quadros representando S. Sebastião.

Em 1614 voltou para Bologna onde viria a falecer a 18 de Agosto de 1642.


Imagens: S. Matteo e l'Angelo, Pinacoteca Vaticana, Roma; Beatrice Cenci, Galleria Nazionale d'Arte Antica Palazzo Barberini; San Michele Arcangelo, Chiesa dei Cappuccini, Roma

Etiqueta para o séc.XXI

À medida que os tempos mudam, vão mudando também algumas regras da etiqueta social, ou pelo menos adaptando-se às novas mentalidades e até às novas tecnologias. Um bom manual da nova etiqueta é este Party Confidential: New Etiquette for Fabulous Entertaining, escrito por Lara Shriftman e Elizabeth Harrison.

Petits Morceaux de Bonheur: 5 - Dove dark chocolate

"You can't soar with eagles when you're running with ducks."

Dove dark chocolate

Um passeio pela feira da ladra de Rozelle


Este Domingo fui passear à feira da ladra de Sydney (uma das), em Rozelle. Tinha um par de amigos a vender coisas de que já não precisavam, e fui lá dar apoio moral (não que precisassem). Acabei por encontrar "The MGM Story", com pequenas narrativas de todos os filmes feitos no estúdio até finais dos anos 70, e que combina a vertente artística com o mecanismo económico da empresa (o despedimento das estrelas de outrora quando se tornam menos lucrativa é descrito de uma forma bastante crua). Encontrei também uma edição de meados dos anos 80 de "The International Book of Comics", uma narrativa da história da banda desenhada. Foi um passeio simpático num dia de Sol de Inverno e uma leitura curiosa ao pôr-do-sol.

Gloria Swanson e o sonoro: Indiscreet


Um dos meus filmes deste fim-de-semana foi "Indiscreet", de Leo McCarey (o mesmo realizador que virá a estar ao leme de "Duck Soup" dos irmãos Marx, "The Bells of St. Mary's", com Ingrid Bergman, e "An Affair to Remember", com Cary Grant e Deborah Kerr).

Jerry (Gloria Swanson) livra-se do seu noivo infiel na noite de Ano Novo; conhece e apaixona-se por um escritor, e tudo parece ir pelo melhor até uma visita da irmã, acompanhada pelo seu noivo -- o mesmo de quem Jerry se livrara. O enredo, embora simpático, é secundário face à presença cativante de Swanson: a estrela actua, fala, canta e seduz "the people in the dark, out there in the dark" de uma forma de tal modo convincente e rica que é difícil perceber como foi possível entrar na obscuridade.

Aliás, a transição de Swanson para o sonoro fora um sucesso, com uma nomeação para os Óscares em 1929 na sua estreia com "The Trespasser"; "Indiscreet" é bem recebido pela crítica; mas os sucessos de bilheteira não vieram... só voltarão, por uma derradeira vez, em 1950.

domingo, 17 de agosto de 2008

DEXTER

Acabei de ver o nono episódio da segunda temporada de Dexter, e a adrenalina ainda corre. É verdade que é uma série moralmente ambígua, mas tão bem escrita e representada que é fácil esquecer a controvérsia acerca da moralidade da personagem principal, tão bem desempenhada por Michael C.Hall que já conhecíamos de Five feet under .
Dexter Morgan é capaz de ser o serial-killer mais simpático da história da televisão. A primeira temporada já está disponível em dvd, e alguns dos livros já foram traduzidos para português.
Quem não quer esperar pelas demais traduções sempre pode comprar os originais em qualquer grande livraria.

Alfonsina y el Mar

Para o dia 23...

Hoje e sempre... com saudade

Hoje estive com um computador nas mãos, durante alguns minutos. Onde estou não é fácil. Só via telemóvel e nem sempre é fácil comunicar. Só devo voltar a ter um computador depois do dia 25 de Agosto. Aqui deixo uma música que me acompanhou... Que me irá acompanhar... Que saudade... Lembranças para todos.

Verão de 1962



A 17 de Agosto de 1962, o conjunto britânico The Tornados lançava o seu tema instrumental Telstar para o mercado discográfico, um mês após o satélite Telstar ter entrado em órbita.

The Tornados foram assim o primeiro conjunto do Reino Unido (antes dos Beatles!) a conquistar o número 1 dos U.S. Bilboard Hot 100. Um êxito a recordar através de um vídeo que, sob ponto de vista de qualidade, me pareceu a melhor escolha. O autor deste vídeo na youtube deu o seu consentimento expresso para a divulgação. Enjoy!

Bush igual a si mesmo

O presidente George W. Bush continua a viver num mundo paralelo:


http://thinkprogress.org/2008/08/10/bush-i-dont-see-america-having-problems/

Seis obras primas na Frick Collection

- Hans Holbein, Retrato de Thomas More

Para os privilegiados que possam visitar Nova Iorque até dia 28 de Agosto, está disponível um verdadeiro acontecimento na prestigiada Frick Collection : Poderão ver seis obras primas que desde 1915 têm estado inacessíveis ao público- Além do Retrato de Thomas More que figura supra, também o Retrato de Thomas Cromwell , inimigo do primeiro e também retratado por Holbein; de Bellini o São Francisco no Deserto; de Ticiano também dois retratos, Pietro Aretino , e O homem de capa vermelha. A sexta obra prima é o São Jerónimo de El Greco.

A razão desta exposição muito temporária- começou a 13 deste mês- prende-se com a reconstrução da antiga sala de estar da mansão, hoje Museu Frick, onde têm estado expostos os seis quadros agora apresentados e que para lá voltarão, findas as obras.


PENSAMENTO DO DIA


Pour persévérer à vivre libre, on doit se résoudre à faire beaucoup pleurer les autres; mais faire couler les larmes d'autrui n' a jamais empêché personne de pleurnicher sur soi.


- Gabriel Matzneff, Ivre de vin perdu

Margarida Rebelo Pinto, Vénus e Marte

Penso que vou citar pela primeira vez a Margarida das nossas letras, mas não posso deixar de o fazer ao ter lido uma das suas respostas ao inquérito de Verão do Público da passada sexta feira. Ao ser lhe pedido que enumerasse três diferenças essenciais sobre os homens e as mulheres, Margarida Rebelo Pinto respondeu, para mim, de uma forma notável :

" Uma mulher acredita sempre que um homem a ama, um homem quase nunca acredita que uma mulher o ama.
Uma mulher deseja quem ama. Um homem ama quem deseja.
Uma mulher sai de casa quando está farta do marido. O marido sai de casa quando arranja outra."

NINA SCHENK CONDESSA DE STAUFFENBERG: deportação e libertação


Em Dezembro de 1938, Himmler ordena a construção do campo de concentração de Ravensbrück em Bradenburgo que é concluída por presos do campo de concentração de Sachsenhausen dentro de poucas semanas.
A partir de Maio de 1939, chegam os transportes com milhares de mulheres: judias, ciganas, prostitutas, membros da resistência, religiosas, testemunhas de Jeová – a ideologia nazi “encarrega-se” de justificar as detenções. Ravensbrück viria a ser o maior campo de concentração para mulheres durante o Terceiro Reich.
Muitos são os transportes provenientes de França. Juliette Gréco ou Elisabeth Pelletier de Chambre, esposa de Philippe de Rothschild (membro da resistência francesa), são deportadas para este recinto.
Em 1944, é decidido o extermínio sistemático nas câmaras de gás. Ravensbrück - um lugar sem retorno.

Nina von Stauffenberg é detida por motivos políticos durante cinco meses em prisão solitária. Continua a desconhecer o paradeiro dos seus filhos. Devido à sua gravidez, “tem direito” a uma alimentação ligeiramente melhor. Testemunhas de Jeová que Nina recorda como “muito amáveis” dão-lhe as refeições. Através de uma pequena janela na sua cela, assiste às cenas horrendas de massacres e de humilhações das detidas.

Entre os transportes de mulheres mais recentes encontra-se Anna von Lerchenfeld. A terrível notícia de que a própria mãe é presa em Ravensbrück atinge Nina profundamente. A poucos metros de distância, mãe e filha nunca viriam a cruzar-se: a Direcção do campo impede deliberadamente um encontro entre as duas.


A sua fé ajuda Nina a suportar melhor esta angústia bem como o afastamento dos filhos: “Entregamo-nos na mão de Deus, e isso já em si é uma grande ajuda” refere Nina.
A condessa conta com outro apoio precioso na pessoa da sua cunhada, Melitta von Stauffenberg. A mulher de Alexander von Stauffenberg, detida logo após o atentado, é libertada pelo facto de ser aviadora, o que é de interesse estratégico para o regime. A troca de correspondência com Melitta representa o único contacto que Nina tem com o mundo exterior.
Finalmente, através de Melitta, Nina vem a saber que os seus quatros filhos se encontram bem de saúde, num lar infantil em Bad Sachsa.

Em Janeiro de 1945, Nina recebe ordens de preparar os seus poucos pertences. Acompanhada da Gestapo, sai do campo sem conhecer o destino. São-lhe oferecidos alguns acessórios para bebés e um cobertor. No meio de todo o desespero, nasce a esperança de poder vir a dar à luz.
De comboio, parte primeiro para a pequena localidade de Seeläsgen (hoje Przełazy, Polónia). Segue para Frankfurt an der Oder, onde, após uma breve passagem por um campo de refugiados, é internada numa clínica. É-lhe atribuído um quarto individual, algo com que Nina não sonhava, tendo em conta as condições vividas em Ravensbrück poucos dias antes. A vigilância permanente pela SS torna-se suportável nestas circunstâncias.
A 27 de Janeiro de 1945, nasce a filha mais nova, Konstanze.



A partir de Fevereiro desse ano, a situação na Alemanha é caótica. A guerra está perdida, os Aliados entram em território alemão. A população alemã tenta fugir às tropas estrangeiras, em particular aos tanques do Exército Vermelho que se aproximam de Leste. Nina e sua filha, sob constante vigilância, são submetidas a uma verdadeira odisseia. Percorrem várias cidades até chegar a Potsdam. São internadas num hospital, quer a mãe quer a filha encontram-se em estado de saúde frágil. A 12 de Abril de 1945, Konstanze é baptizada - pela terceira vez, pois nem a mãe nem o sacerdote que assiste ao baptizado sabem que Konstanze tinha sido baptizada anteriormente, “à cautela”, por uma freira e um padre.

Também neste hospital, recebe Nina a triste notícia do falecimento da sua mãe: Anna von Lerchenfeld tinha sido deportada de Ravensbrück em direcção a Leste. Vítima de tifo, morreu no campo de concentração de Stutthof a 6 de Fevereiro de 1945.

A odisseia continua: com a capitulação da Alemanha à vista, Nina é entregue à guarda da SS ou Gestapo à revelia. Existe algum plano para ela e a filha? Quem dava as instruções? Quem decidiria sobre o seu destino?



Nina percorre novamente várias cidades em direcção à Baviera e Baden-Württemberg. A 8 de Maio de 1945, a Alemanha declara a sua capitulação. O agente da SS que acompanha Nina e Konstanze terá receio das represálias e retaliações que as tropas americanas poderão vir a exercer sobre ele, pois apenas assim é explicável a atitude de deixar Nina e a filha fugir.


Fim da Segunda Guerra Mundial, pelo menos na Europa. O Terceiro Reich e o regime nazi são derrotados. Os quatro exércitos aliados repartem entre si o território alemão.
È neste contexto, já de liberdade, que Nina procura seus quatro filhos com a ajuda de familiares e amigos.
Em Junho de 1945, Nina encontra finalmente os seus filhos sãos e salvos em Lautlingen. Decorrido quase um ano após o atentado, o martírio de Nina termina.


To be continued




Imagens: Juliette Gréco; Melitta von Stauffenberg; libertação do campo de concentração de Ravensbrück em Abril de 1945; célebre foto que mostra um soldado soviético a içar a bandeira soviética em Berlim; Nina e os seus cinco filhos em Lautlingen, Verão de 1947