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quinta-feira, 25 de maio de 2017
quinta-feira, 5 de maio de 2016
No Dia da Espiga
Il. Alice Rey Colaço
Las Espigas
El trigal se ha entregado a la muerte.
Ya las hoces cortan las espigas.
Cabecean los chopos hablando
con el alma sutil de la brisa.
El trigal sólo quiere silencio.
Se cuajó con el sol, y suspira
por el amplio elemento en que moran
los ensueños despiertos. El día.
ya maduro de luz y sonido,
por los montes azules declina.
¿Qué misterioso pensamiento
conmueve a las espigas?
¿Qué ritmo de tristeza soñadora
los trigales agita...?
¡Parecen las espigas viejos pájaros
que no pueden volar!
Son cabecitas,
que tienen el cerebro de oro puro
y expresiones tranquilas.
Todas piensan lo mismo,
todas llevan
un secreto profundo que meditan.
Arrancan a la tierra su oro vivo
y cual dulces abejas del sol, liban
el rayo abrasador con que se visten
para formar el alma de la harina.
¡Oh, qué alegre tristeza me causáis,
dulcísimas espigas!
Venís de las edades más profundas,
cantasteis en la Biblia,
y tocáis cuando os rozan los silencios
un concierto de liras.
Brotáis para alimento de los hombres.
¡Pero mirad las blancas margaritas
y los lirios que nacen porque sí!
¡Momias de oro sobre las campiñas!
La flor silvestre nace para el sueño
y vosotras nacéis para la vida.
Federico García Lorca
quinta-feira, 14 de maio de 2015
No Dia da Espiga
O teu riso
Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas
não me tires o teu riso.
Não me tires a rosa,
a flor de espiga que desfias,
a água que de súbito jorra na tua alegria,
a repentina onda de prata que em ti nasce.
A minha luta é dura e regresso
por vezes com os olhos
cansados de terem visto
a terra que não muda,
mas quando o teu riso entra
sobe ao céu à minha procura
e abre-me todas
as portas da vida.
Meu amor, na hora
mais obscura desfia
o teu riso, e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso será para as minhas mãos
como uma espada fresca.
Perto do mar no outono,
o teu riso deve erguer
a sua cascata de espuma,
e na primavera, amor,
quero o teu riso como
a flor que eu esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.
Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
curvas da ilha,
ri-te deste rapaz
desajeitado que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando os meus passos se forem,
quando os meus passos voltarem,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas o teu riso nunca
porque sem ele morreria.
Pablo Neruda
quinta-feira, 29 de maio de 2014
Dia da Espiga
A ESPIGA
Mira el signo sutil que los dedos del viento
hacen al agitar el tallo que se inclina
y se alza en una rítmica virtud de movimiento.
Con el áureo pincel de la flor de la harina
trazan sobre la tela azul del firmamento
el misterio inmortal de la tierra divina
y el alma de las cosas que da su sacramento
en una interminable frescura matutina.
Pues en la paz del campo la faz de Dios asoma.
De las floridas urnas místico incienso aroma
el vasto altar en donde triunfa la azul sonrisa;
aún verde está y cubierto de flores el madero,
bajo sus ramas llenas de amor pace el cordero
y en la espiga de oro y luz duerme la misa.
Rubén Darío
quinta-feira, 9 de maio de 2013
Ainda no Dia da Espiga
Quem tem trigo d' Ascensão
Todo o ano terá pão
E eu irei hoje substituir, como manda a tradição, o ramo do ano passado pelo deste ano.
quinta-feira, 2 de junho de 2011
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Hoje era dia de ir às hortas

Retiro do Manuel dos Passarinhos, na Calçada do Poço dos Mouros.
Foto Joshua Benoliel (1873-1932), início século XX.Lisboa, Arq. Fot. CML PT/AMLSB/AF/JBN/000970

Antigo Retiro do Quebra-Bilhas, no Campo Grande.
Este foi o último a fechar em Lisboa. Encerrou talvez há três anos.
Foto de Eduardo Portugal, 1941
Lisboa, Arq. Fot. CML PT/AMLSB/AF/POR/059498

Retiro A Perna de Pau, junto ao apeadeiro do Areeiro, na antiga Estrada de Sacavém.
Foto Paulo Guedes (1886-1947)
Lisboa, Arq. Fot. CML PT/AMLSB/AF/PAG/000251
No Dia da Espiga, a Lisboa popular ia passar o dia nos retiros e nas hortas - uns quintalões nos arredores da cidade -, com o pretexto de colher a espiga, o ramo de oliveira, papoilas e malmequeres, para formar o ramo. Comiam nas casas de pasto que existiam nesses locais, e os menos abonados levavam o farnel pendurado num pau, transportado ao ombro. Jogavam junquilho ou malha, tocavam guitarra e cantavam o fado.
E o que se comia nessas casas de pasto? A lista era curta: peixe frito, chouriço com ovos e pastéis de bacalhau, regados com tinto; quadrados de marmelada para a sobremesa.
Mas, no Manuel dos Passarinhos, o petisco devia ser grandes tachadas de passarinhos fritos... Ainda me lembro de ver na montra de algumas tascas da Baixa, umas panelas com passarinhos. Para não falar das iscas - com elas e sem. Mas isto talvez fique para um próximo post.
E o que se comia nessas casas de pasto? A lista era curta: peixe frito, chouriço com ovos e pastéis de bacalhau, regados com tinto; quadrados de marmelada para a sobremesa.
Mas, no Manuel dos Passarinhos, o petisco devia ser grandes tachadas de passarinhos fritos... Ainda me lembro de ver na montra de algumas tascas da Baixa, umas panelas com passarinhos. Para não falar das iscas - com elas e sem. Mas isto talvez fique para um próximo post.
Dia da Ascenção / Dia da Espiga (o sagrado)
Quarenta dias depois da Ressurreição, Jesus levou, de novo, os seus discípulos ao Monte das Oliveiras e elevou-se aos céus.
Dizem que foi ao meio-dia.
E segundo antigas crenças ao meio-dia tudo pára (ou parava): as águas nos rios e ribeiros não corriam, os animais não andavam, as folhas cruzavam-se, etc..., etc... E por isso as pessoas não trabalhavam neste dia.
Curiosamente este ano existe, por outros motivos, tolerância de ponto.
E nesse dia (e se possível a essa hora) apanhava-se o ramo de espiga.
Dizem que foi ao meio-dia.
E segundo antigas crenças ao meio-dia tudo pára (ou parava): as águas nos rios e ribeiros não corriam, os animais não andavam, as folhas cruzavam-se, etc..., etc... E por isso as pessoas não trabalhavam neste dia.
Curiosamente este ano existe, por outros motivos, tolerância de ponto.
E nesse dia (e se possível a essa hora) apanhava-se o ramo de espiga.
Greguerías - 8

http://lua.weblog.com.pt/arquivo/espiga.bmp
«O mais maravilhoso da espiga é como leva bem feita a trança.»
Ramón Gómez de la Serna
In: Greguerías / trad. Jorge Silva Melo. Lisboa: Assírio & Alvim, 1998
Para APS e HMJ.
quinta-feira, 21 de maio de 2009
A ESPIGA
Oh! ih! oh! ai!
Esta bonita cantiga
É cantada alegremente
Por toda a população
Oh! ih! oh! ai!
Até eu já canto a espiga
E por isso toda a gente
Vai gramá-la que nem pão.
I
Com o vinho dos pichéis
Embebedam-se as moçoilas,
E sem meias nem ceroilas
Aparecem os Maneis.
Depois deitam-se nos prados,
De barriga para o ar,
E entre as canas dos valados
Ouve a gente murmurar:
Maria, muda a água às azeitonas!
Cachopa, tu não chupes na cereja!
E as uvas lá da quinta me abandonas
Vai à fava, que eu então vou à craqueja.
II
Quando vão pelos caminhos
Ao voltar da romaria,
Os marotos dão beijinhos
Dão beijinhos na Maria.
E de noite ao pé do poço
O Manel que tem cantiga
Com beijocas no pescoço
Diz assim assim à rapariga:
Maria, muda a água às azeitonas!
Cachopa, tu não chupes na cereja!
E as uvas lá da quinta me abandonas
Vai à fava, que eu então vou à craqueja.
Canção da revista Pistotira
Esta bonita cantiga
É cantada alegremente
Por toda a população
Oh! ih! oh! ai!
Até eu já canto a espiga
E por isso toda a gente
Vai gramá-la que nem pão.
I
Com o vinho dos pichéis
Embebedam-se as moçoilas,
E sem meias nem ceroilas
Aparecem os Maneis.
Depois deitam-se nos prados,
De barriga para o ar,
E entre as canas dos valados
Ouve a gente murmurar:
Maria, muda a água às azeitonas!
Cachopa, tu não chupes na cereja!
E as uvas lá da quinta me abandonas
Vai à fava, que eu então vou à craqueja.
II
Quando vão pelos caminhos
Ao voltar da romaria,
Os marotos dão beijinhos
Dão beijinhos na Maria.
E de noite ao pé do poço
O Manel que tem cantiga
Com beijocas no pescoço
Diz assim assim à rapariga:
Maria, muda a água às azeitonas!
Cachopa, tu não chupes na cereja!
E as uvas lá da quinta me abandonas
Vai à fava, que eu então vou à craqueja.
Canção da revista Pistotira
DIA DA ESPIGA
Coro
Oh! ih! oh! ai!
Esta vida é uma cantiga,
E este dia d’alegria,
Vale um ano de aflição.
Oh! ih! oh! ai!
Porque este dia da espiga
É o arauto do Dia,
Em que o trigo há-de dar pão.
I
A Espiga
Jorra o vinho dos pichéis
Para os lábios das moçoilas,
Mais vermelhas que papoilas
Co’ as larachas dos Maneis.
Há merendas pelos prados,
Gargalhadas pelo ar,
E à beirinha dos valados
Ouve a gente murmurar:
Refrão
Maria, são teus olhos azeitonas!
Cachopa, são teus lábios qual cereja!
E os teus seios, cachos d’uvas que abandonas
À vindima desta boca que os deseja!...
II
A Espiga
Tomam todos os caminhos
Um sabor de romaria,
E até mesmo os pobrezinhos
Fingem ter certa alegria…
E, na volta, já sentindo
Que foi tudo um sonho em vão,
Inda há ecos, repetindo
Pelo espaço esta canção:
Refrão
Maria, são teus olhos azeitonas!
Cachopa, são teus lábios qual cereja!
E os teus seios, cachos d’uvas que abandonas
À vindima desta boca que os deseja!...
Canção da revista Cabaz de Morangos
Oh! ih! oh! ai!
Esta vida é uma cantiga,
E este dia d’alegria,
Vale um ano de aflição.
Oh! ih! oh! ai!
Porque este dia da espiga
É o arauto do Dia,
Em que o trigo há-de dar pão.
I
A Espiga
Jorra o vinho dos pichéis
Para os lábios das moçoilas,
Mais vermelhas que papoilas
Co’ as larachas dos Maneis.
Há merendas pelos prados,
Gargalhadas pelo ar,
E à beirinha dos valados
Ouve a gente murmurar:
Refrão
Maria, são teus olhos azeitonas!
Cachopa, são teus lábios qual cereja!
E os teus seios, cachos d’uvas que abandonas
À vindima desta boca que os deseja!...
II
A Espiga
Tomam todos os caminhos
Um sabor de romaria,
E até mesmo os pobrezinhos
Fingem ter certa alegria…
E, na volta, já sentindo
Que foi tudo um sonho em vão,
Inda há ecos, repetindo
Pelo espaço esta canção:
Refrão
Maria, são teus olhos azeitonas!
Cachopa, são teus lábios qual cereja!
E os teus seios, cachos d’uvas que abandonas
À vindima desta boca que os deseja!...
Canção da revista Cabaz de Morangos
Dia da Espiga: O Sagrado e o Profano.
O Dia da espiga ou Quinta-feira da espiga é celebrado no dia da Quinta-feira da Ascensão com um passeio matinal, em que se colhe espigas de vários cereais, flores campestres e raminhos de oliveira para formar um ramo, a que se chama de espiga. Segundo a tradição o ramo deve ser colocado por detrás da porta de entrada, e só deve ser substituído por um novo no dia da espiga do ano seguinte. As várias plantas que compõem a espiga têm um valor simbólico profano e um valor religioso. Crê-se que esta celebração tenha origem nas antigas tradições pagãs e esteja ligada à tradição dos Maios e das Maias. 
O dia da espiga era também o "dia da hora" e considerado "o dia mais santo do ano", um dia em que não se devia trabalhar. Era chamado o dia da hora porque havia uma hora, o meio-dia, em que em que tudo parava, "as águas dos ribeiros não correm, o leite não coalha, o pão não leveda e as folhas se cruzam". Era nessa hora que se colhiam as plantas para fazer o ramo da espiga e também se colhiam as ervas medicinais. Em dias de trovoadas queimava-se um pouco da espiga no fogo da lareira para afastar os raios.

A simbologia por detrás das plantas que formam o ramo de espiga: Espiga – pão; Malmequer – ouro e prata; Papoila – amor e vida; Oliveira – azeite e paz; Videira – vinho e alegria e Alecrim – saúde e força.
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