Prosimetron

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domingo, 7 de março de 2010

Miss Prússia 2010: a jovem Luise

A jovem soberana descobre a sua paixão pela literatura no período entre 1797 e 1804, também conhecido por “anos calmos” (“stille Jahre”) da vida de Luise. Sua amiga, Marie von Kleist, desperta este interesse, e Heinrich von Kleist, sobrinho de Marie, conta com o apoio da corte prussiana. O acontecimento político mais significativo durante estes anos ocorre em 1802, quando o Czar Alexandre I da Rússia encontra os reis da Prússia numa visita de carácter não oficial em Memel. Algumas crónicas da época destacam o fascínio de Luise por Alexandre que terá ultrapassado a simples admiração pelos feitos políticos do jovem russo …

Os “anos calmos” terminam em 1804: a conjuntura geoestratégica conduz a Prússia a abandonar a política de neutralidade, seguida até então, e a aderir à coligação anti-francesa, constituída pela Inglaterra, Rússia e a Áustria. Frederico Guilherme III, pouco receptivo a conflitos bélicos, hesita, enquanto Luise se pronuncia claramente a favor desta liga e impõe que Karl August Freiherr von Hardenberg assuma a responsabilidade pelos assuntos da diplomacia. A nova constelação política deverá permitir reformas na Prússia que continua a revestir-se do sistema absolutista de Frederico II e se vê em desvantagem militar em comparação com a França.



Seguem-se tempos difíceis. A vitória de Napoleão na batalha de Austerlitz obriga a Prússia a abdicar de territórios a oeste do Elbe e na Polónia. A demissão de Hardenberg surge como consequência, instruída por Napoleão. E Luise? A rainha, frágil de saúde, recupera forças durante uma estada nas termas de Bad Pyrmont e regressa a Berlim no Outono de 1806, onde se torna a figura crucial nos desenvolvimentos políticos e nas relações com a França: como patriota incondicional, apoia as aspirações bélicas do príncipe Louis Ferdinand contra o agressor francês. A sua aproximação do exército e do povo confere-lhe uma grande popularidade, muito superior à admiração que os súbditos prestam ao próprio rei, acusado de pouca determinação em enfrentar o adversário.

A situação política e militar agrava-se dramaticamente em Outubro de 1806: Napoleão ignora o ultimato prussiano que exigia a retirada das tropas francesas da Alemanha, e as batalhas de Jena e Auerstädt a 14 de Outubro resultam numa terrível derrota da Prússia. Luise que acompanhava o decurso do confronto a partir dos quartéis nos campos de batalha, consegue a fuga para Berlim, donde parte para Königsberg juntamente com o seu marido e seus filhos. Se a rainha exercia uma influência subtil nas decisões políticas antes da guerra, a soberana figura agora como elemento decisivo no destino do seu país, pois Frederico Guilherme estaria totalmente perdido e desorientado sem o apoio da sua esposa.
Napoleão chega triunfante a Berlim a 27 de Outubro. E não se priva de iniciar uma propaganda caluniadora contra o principal inimigo: Luise, rainha da Prússia.

Cont.

Imagens: retrato de Luise; Alexandre I; Luise e Frederico Guilherme III nos jardins do palácio de Charlottenburg (Berlim) em 1799; Napoleão em Berlim

1 comentário:

ana disse...

Interessante... Grande mulher.:)