Prosimetron

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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Boa noite!


2 comentários:

Fernando FIRMINO disse...

Apenas uma breve nota, a propósito da legitimidade por excelência das "letras" de determinadas canções de intervenção, ditadas - ontem, como hoje - pelos renovados e lúcidos valores democráticos.

Se quisermos compreender os mecanismos subjacentes a fenómenos, mais ou menos recentes, como as nebulosas formas de instrumentalização das "novas tecnologias" e dos "paraísos fiscais", podemos tentar descodificar as coordenadas sociopolíticas (e, bem entendido, ideológicas) que, de algum modo, explicam as origens das próprias "cantigas"...

É, curiosamente, em certos contextos espácio-temporais (em princípio, tidos como "improváveis"!) que, por vezes, (re)encontramos as faces cómica, absurda e, sobretudo, provocatória e insultuosa (patentes, por exemplo, em "debates" televisivos eleitorais), inerentes aos comportamentos claramente antidemocráticos e neofascistas. Métodos que vêm de longe!!!...

Grato, desde já, pela paciente atenção, e sem mais comentários, aqui segue uma referência, sem dúvida saborosa, evocativa do "ambiente" característico das vésperas de eleições, realizadas, em tempos idos, numa Vila da Beira Interior:

"Um facto que se passou do século passado [séc. XIX] para este [séc. XX].

Conta-se que, quando havia eleições, o partido do poder fazia tudo para ganhar e podia, normalmente, fazer mais do que a oposição. Quando havia comícios em que era preciso fazer calar agum orador, alguém se servia, em Belmonte do Ti Broa. (...) Era alto, forte e feio. (...) Comia uma broa à refeição, além do mais que viesse.

Um grupo de políticos vestia-o de fraque, e composto como o melhor apresentado no Comício. Marcavam-lhe o lugar atrás do orador que não se queria que falasse. Quando este tentava intervir, o Ti Broa colocava-lhe as mãos nos ombros, calcava. O orador olhava para ele debaixo acima. Davam olhos com olhos e o Ti Broa dizia, com uma voz baixa mas muito forte: - Sente-se!

Todas as vezes que o orador pretendia levantar-se, encontrava a força do Ti Broa sobre os ombros, e este já nem precisava de dizer nada. O orador sentava-se.

Foi com este tipo de intervenção política, e outras mais sofisticadas e apuradas, que se entrou no século XX [no Burgo onde nasceu Pedro Álvares CABRAL]. E muito se terá aprendido!"

[Breve excerto do curioso e meritório "Estudo Monográfico do Concelho de Belmonte" (pág. 222), da autoria de Manuel MARQUES, editado em 2001 pela Câmara Municipal de Belmonte.]

Votos de um tranquilo (e decisivo) fim-de-semana!

MR disse...

Sempre adequadas as suas achegas.
Bom fim de semana!