Prosimetron

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terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Boa noite!


2 comentários:

Fernando FIRMINO disse...

Perante estes dias festivos - durante os quais, apesar das gravíssimas circunstâncias, decorrentes das catastróficas tempestades, as entidades governamentais preferem apelar à "tolerância" de atitudes imbecis de mimetismo primário, que constituem a negação das diversas formas de originalidade cultural europeia e o verdadeiro conceito de "subversão" colectiva! -, os nossos olhares não são, porém, indiferentes ao espírito ancestral das tradições que se podem classificar de populares.

Temos os exemplos de genuínos festejos, realizados em burgos como, entre outras localidades, Cabanas de Viriato (Carregal do Sal), Lazarim (Lamego), Podence (Macedo de Cavaleiros) e Verín (Ourense, região onde os nossos "irmãos" Galegos não confundem as folias do "Entroido" com expressões malcriadas e/ou imbecis)...

Num dos seus pioneiros trabalhos sociológicos ["Comunidade Rural ao Norte do Tejo", Instituto de Estudos para o Desenvolvimento, 1.ª ed., 1980, p. 118], o saudoso investigador Moisés ESPÍRITO SANTO (1934-2025), ousou clarificar, com incontestável coragem, a elementar "terminologia" carnavalesca:

"(...) Os [elementos] da aldeia não designam os divertimentos dos '3 dias gordos' pela palavra Carnaval, que é de origem erudita. [Como sabemos, o termo "carnaval" provém do vocábulo "carnevale", de "carne" e "levare" (literalmente, tirar a carne), numa clara alusão aos excessos permitidos neste período, como "compensação" das jornadas de renúncia e abstinência que se se seguem, até à "Semana Santa" (obs. de F. Firmino).] A palavra utilizada é a de Entrudo, que significa 'entrada' ('introitus', introdução). Não se trata duma 'introdução à quaresma', como muitos pretendem, mas uma introdução muito mais importante, a entrada numa nova vida, à semelhança da Terra num novo ciclo de regeneração. Antes de haver quaresma e civilização cristã já havia o Entrudo; não vemos também como possa a Igreja Católica dar o nome a uma cerimónia, fazer dela uma 'introdução à quaresma', uma vez que ela sempre a condenou e a tentou substituir por práticas religiosas. A cerimónia do Entrudo, que é, antes de mais uma festa agrária, também não tem nada a ver com aquilo a que se costuma dar o nome de Carnaval, [por exemplo] os desfiles do Estoril ou de Nice. (...)"

[Foi, curiosamente, nesta noite quaresmal (e simbólica) de Quarta-Feira de Cinzas, que, organizado com o "apoio logístico" habitual de duas colectividades do Bairro Setubalense onde resido (há quase 30 anos), decorreu o "Enterro" do Carnaval. Um "funeral" não passa de uma pobre "caricatura", que seria cómica se não fosse sintomática de mentalidades suburbanas! O que mais importa lamentar, é que, na verdade, o "defunto" (identificado como "Bacalhau") é, de novo, um dos próprios coveiros do Cemitério Sadino de N. Senhora da Piedade!!!...]

Mais interessante ainda é, no entanto, o oportuno (e renovado) entusiasmo dos apreciadores da Música Popular do Brasil pela reconhecida qualidade de diversos trabalhos discográficos, que nos remetem para as características particulares do Carnaval do "Sul do Equador". A título de curiosidade, aqui ficam, pois, apenas alguns (três) exemplos:

1) CD "CANTA BRASIL" (por ex., "Manhã de Carnaval"), Promo Sound AG, 1999; 2) CD "MARIA D'APPARECIDA, COULEUR BRESIL" (por ex., "Escola de Samba 'Beija-Flor 1988' " e uma breve e preciosa nota complementar do consagrado escritor Jorge AMADO, em louvor de Maria D'APPARECIDA, citando o "nosso poeta maior, Drumond", [que] "definiu [a] sua voz: 'aparição fulgurante, sensitiva, dramática' "), ed. Radio France, distribuição Harmonia Mundi, 1989, na sequência da "Commémoration [1988] au Brésil, du Centenaire de l'Abolition de l'Esclavage" ("toutes les Ecoles de Samba ont rendu hommage à la Negritude"); 3) CD "CARNAVAL DE RIO, Le Grand Défilé" (por ex., "la chanson de carnaval de l''ecole de Salgueiro", "chantée par ses 5000 participants"), uma compilação que integra o belíssimo Álbum homónimo, da autoria de Helmut TEISSL (reputado fotógrafo Austríaco), Paris, Éditions Abbeville, 2000.

Muito grato pela atenção e Boa Noite!









MR disse...

Não sou muito dada ao Carnaval. Em miúda gostava. As crianças normalmente gostam de se mascarar.
Bom dia!