Raul Rêgo (15 de Abril de 1913 - 1 de Fevereiro de 2002)
Passam hoje 24 anos de silêncio! A 1 de fevereiro de 2002 um amigo que eu respeito passou ao Oriente Eterno. As suas palavras escritas e ditas (a sua vida) ficaram como exemplo em muitos momentos marcantes de Portugal. Enquanto lembrarmos o seu nome elas e ele continuam presentes.
De entre as muitas coisas que foi na vida também foi Soberano Grande Comendador do Rito Escocês Antigo e Aceito (para leigos, investido no 33.º grau e preside da organização do Rito [a forma com que a Maçonaria trabalha]) e Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano Unido.
Para muitos que não sabem o que é a Maçonaria deixo apenas apontamentos de uma via de trabalho:
O século XVIII foi para a Construção da Maçonaria; depois levou um século a criar/adotar o que é hoje o seu lema: Liberdade, Igualdade e Fraternidade.
O século seguinte foi para ajudar a afirmar o conceito de Liberdade - em especial a de respeitar a Liberdade do outro de pensar (quer individualmente, quer a nível de nação);
mais cem anos foram necessários para ajudar a afirmar o conceito de Igualdade (quer individualmente, quer a nível de nação);
estão a decorrer, mas ainda estamos no começo, os tempos (talvez venham a ser necessários mais de cem anos) em que a Maçonaria tenta ensaiar e fazer sentir os novos conceitos de Fraternidade (quer individualmente, quer a nível de família e estado/nação).
Mas o que é Fraternidade?
Com a ajuda da Liberdade e da Igualdade, a Maçonaria deve fazer sentir, deve ensaiar, deve aplicar o Lema, no seu todo.
Mas não é tirar as pessoas do seu meio. É ensinar as pessoas a sentir os três conceitos no seu país, na sua casa, na sua família e na sua vida individual. Só depois disso o cidadão pode trocar, pode amar, pode viver. Só depois disso a Democracia terá o seu valor, porque parte de premissas iguais, até lá encontra apenas: branco/preto; luz/trevas; partir/chegar e, assim, não existe o seu Lema.
O papel principal é o de educar! O cidadão, por medo e com ignorância busca e valoriza os extremos (de Esquerda e de Direita).
Integrar para não entregar.

5 comentários:
Importa recordar que RAUL REGO (Morais, Macedo de Cavaleiros, 15.4.1913 - Lisboa, 1.2.2002) entrou na Maçonaria numa fase em que a Instituição (Grande Oriente Lusitano), perseguida, durante décadas, pelo poder ditatorial dominante, era, no entanto, considerada como a expressão de alguns dos princípios fundamentais da ética e da fraternidade universais.
Pessoalmente, não sou (aliás, nunca fui) membro da referida "Ordem"! Recordo-me, porém, das aparentes e, sobretudo, delicadas dificuldades e contradições de natureza ideológica vividas por alguns Amigos de um respeitado e saudoso Camarada, João CAMACHO, amante e Cultor da Poesia, cujas cerimónias exequiais incluíram três distintos momentos - de solene e condigna despedida -, sob a (muito) natural influência maçónica, Comunista e católica, e de acordo de uma implícita "coexistência pacífica"!!!...
Numa época em que, a propósito de uma importante "efeméride" - a decisiva Revolta Republicana que, em 31 de Janeiro de 1891, ocorreu na Cidade Invicta -, o respeito pela Memória colectiva passa, inevitavelmente, pela necessidade de contrariar "a nossa triste sina de o reconhecimento público dos méritos da obra realizada se verificar só depois de essa mesma obra ter sido, muitas vezes, truncada, malsinada e quase sempre impedida de ser levada a bom termo, como fora planeada" [cf. RAUL REGO, na imperiosa e cuidada Nota introdutória, inserta no seu raríssimo opúsculo (de 15 curiosas páginas), com o título "AFONSO COSTA: Discursos proferidos em Seia e no Porto, na inauguração das estátuas ao estadista da República" (Lisboa, 1988, p. 3)], evocar a Figura íntegra do erudito jornalista, escritor, bibliófilo e cidadão.
A terminar, não resisto à breve e significativa citação de J. Pedro CASTANHEIRA ["Expresso", de 9.2.2002; in, p. 11 do precioso livrinho, "RAUL REGO, O Combatente da Liberdade", editado no referido ano, sob a coordenação do saudoso Dr. JOÃO MÁRIO Mascarenhas, ao tempo responsável pela Biblioteca-Museu República e Resistência: "(...) Com 88 anos, a saúde deslizava, silenciosa e inexorável. (...) Na última semana de Janeiro, exausto e sem réstia de esperança, desistiu de lutar. Faleceu na manhã de 1 de Fevereiro. (...) Como director do jornal 'República', terá sido o jornalista que mais dores de cabeça provocou a Marcello Caetano"...
Muito Boa Noite!
Na última linha do terceiro (e penúltimo) parágrafo, deve ler-se, obviamente, "IMPÕE-SE evocar a Figura (...). As minhas desculpas pelo LAPSO!...
Bj ao Jad.
Ainda a propósito do regresso, sempre proveitoso, à leitura de determinados escritos da autoria de RAUL REGO, o que, francamente, não posso suportar é a indiferença perante os fenómenos da Censura de Salazar e Caetano!
Recordo, naturalmente, a memorável Exposição (Lisboa, Palácio Foz, 1999) sobre a "História da Censura em Portugal" e releio o respectivo "Catálogo" (com textos de Luís MARCOS e Rui FERREIRA e edição do Museu Nacional da Imprensa e do Instituto da Comunicação Social). As novas gerações poderão sequer imaginar que "os usos do lápis da Censura atingiram centenas de jornais, milhares de provas tipográficas, muitos milhares de palavras"?!...
É por isso que as palavras corajosas e solidárias, que RAUL REGO escreveu no ano sombrio de 1969 e inseriu no seu "Diário Político" (Ed. Arcádia, 1974)] não envelhecem! De acordo com o próprio Autor, deve-se a ANTÓNIO PAULOURO, fundador e primeiro Director do "Jornal do Fundão", a prática de uma ética que foi, sem dúvida, um "modelo de carácter e honradez" (p. 67). "(...) E vem este Homem do Fundão, todas as semanas [à Censura, na Capital], apresentar aos cortadores do pensamento português o seu Jornal. Mas felizmente que ele se não atemoriza, nem cede" (p. 71).
Muito grato pela atenção e Boa Noite!
Muito bem recordado, Jad.
Filipe Nicolau
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