Prosimetron

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domingo, 26 de abril de 2026

O líder do grupo parlamentar arco-íris * 😉

Ontem nas comemorações do 25 de Abril na Assembleia da República, a bancada de extrema-direita, profundamente homofóbica e anti-25 de Abril, quis inovar e substituiu o cravo vermelho por um cravo verde. Só que é preciso saber inovar, e não ser ignorante. Alguém os devia ter informado que os cravos verdes têm um significado histórico como código discreto na comunidade gay, popularizado por Oscar Wilde, no século XIX. 
Estou desejosa de saber se para o ano estes 60 deputados se vão apresentar de novo com um cravo verde na lapela. Suspeito que não. 🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣 

* É uma piada ao Ventura & Cia. Nada mais.

5 comentários:

Fernando FIRMINO disse...

Às vezes, lembro-me de um subtil lugar-comum, muito conhecido nas "arenas" parlamentares, segundo o qual, o cómico e o absurdo são, respectivamente, as faces concreta e abstracta de uma mesma contradição... A tal propósito, seja-me lícito recordar, ainda, e uma vez mais, uma muito breve (e ligeira) passagem de um curioso opúsculo de Nicolau FIRMINO, "Breve Passeio pelo nosso Portugal" (Lisboa, 1953, pp. 21-24):

"(...) A oposição ao Governo chama, mordazmente, a este Palácio [de São Bento] - 'Praça do Concordo', e aos deputados, 'aves canoras', se discutem, e 'aves ornamentais', se nunca botam discurso. (...) Durante os primeiros anos (...) do regime republicano, havia um deputado que 'pegava no copo' frequentemente e atacava (...) o clero, sempre que podia. Vendo entrar uma pomba na Assembleia Nacional [Hemiciclo], pediu 'silêncio, porque tinha entrado o Espírito Santo, no Cenáculo'... Então um sacerdote, deputado, replicou-lhe 'in continenti': - Não entrou o Espírito Santo; não, senhor! É uma pomba que vem ver do 'borracho'. (...)"

Na sequência dos edificantes episódios em que o "tribuno" neo-fascista esteve (e continua) envolvido (de aplaudir, a este respeito, o sarcástico humor do programa de Ricardo PEREIRA, desta noite), tenho de confessar que, aos cravos - pouco importa se as suas cores, "encarnada" ou verde (de algum modo, tida como pejorativa...), os diferenciam, na representação de uma Revolução falhada -, eu prefiro opor o simbolismo estético, solidário e universal da estrela vermelha de cinco pontas!!!...

Como inevitável nota final, permitam-me assinalar, de maneira telegráfica, as quatro décadas do acidente nuclear da Central de CHERNOBYL, na UCRÂNIA Soviética, em 26 de Abril de 1986. Uma catástrofe cujas gravíssimas repercussões se encontram, sem dúvida, nas próprias origens do histórico e trágico colapso da decadente - e, na verdade, traída - URSS. [Cf., entre outras referências essenciais, os volumes de uma (des)conhecida Autora Franco-Russa, Galia ACKERMAN, intitulados "Traverser TCHERNOBYL" e "Le KGB à TCHERNOBYL: Une Plongée Inédite dans les Archives Ukrainiennes", publicados (respectivamente, em 2016 e 2026) pelas Éditions Premier Parallèle.]

Muito Boa Noite!

MR disse...

Não me lembro nada de se chamar ao Palácio de São a «Praça do Concordo».
Para mim, o cravo verde não é pejorativo, nem foi esse o sentido do que escrevi. Quem os utilizou no dia 25 de Abril no Parlamento é que o fez com esse sentido, e afirmou-o. E como se costuma dizer «o feitiço virou-se contra o feiticeiro». E tenho-me divertido bastante com algumas das fotos que me têm enviado.
Vi dois programas sobre Chernobyl na TV na noite de 25 para 26 e fiquei a saber que aquelas terras demoraram 24 mil anos a ficar 'limpas', se não houver mais nenhuma desgraça. Mas, como entretanto, caem bombas nas redondezas... As florestas que renasceram ali e os animais selvagens apresentam mutações com o aparecimento de muitos albinos. Sobre Chernobyl só li o livro de Svetlana Alexievich.
Boa semana!

Fernando FIRMINO disse...

Ainda, e sempre, a "atmosfera" de angústia (individual e colectiva), decorrente das anomalias que provocaram a explosão (1986, 26 de Abril) de um dos reactores da Central electronuclear de CHERNOBYL!

Com tudo o que os sucessivos "controlos" dos efeitos, gravíssimos, nas zonas contaminadas implica, no domínio das medidas, ainda em curso, que vão pesar nas próximas gerações, em vastos territórios afectados da extinta União Soviética (Ucrânia, Bielorrúsia e Rússia) e, até, em países vizinhos (em particular, a Suécia, a Noruega e a Finlândia).

Facto curioso! De acordo com os elementos objectivos de um Autor Gaulês [Michel BEAUD, "O DESIQUILÍBRIO DO MUNDO: Da Terra, dos Homens e do Capitalismo (1.ª ed. portuguesa, Terramar, 2007, p. 29), sob o título original "LE BASCULEMENT DU MONDE" (Éditions La Découverte & Syros, 1997)], "em França, o director do Serviço Central da Protecção contra as Irradiações Ionizadas só no dia 10 de Maio [1986] tomou conhecimento de que a nuvem radioactiva sobrevoou o território."

Decorridos 40 anos sobre o terrível acidente em Chernobyl, é tempo de recuperar as "lições" da conturbada experiência histórica dos Povos Irmãos Eslavos e do próprio filme "Arsenal" (Ucrânia / URSS, 1929), uma preciosa e comovente película que, recentemente, integrado num espontâneo grupo de cinco minoritários "cinéfilos" (de facto, teimosos e, acima de tudo, perseverantes!), tive ocasião de apreciar, no NIMAS...

Perante as incontroláveis "nuvens" e "poeiras" bélicas, não há posições hesitantes e conciliadoras que valham! Em meu entender, só um "cordão sanitário" autenticamente democrático, em torno dos "senhores da Guerra" Inter-Imperialista Europeia (NATO/OTAN "versus" Kremlin/Minsk), pode fazer face ao terror mortal NUCLEAR que ameaça estender-se por cima das nossas Cidades!!!...

Muito grato pela atenção e Boa Noite!

Fernando FIRMINO disse...

Que me desculpem mas, ainda no seguimento do filme "ARSENAL"", de Aleksandr DOVJENKO, valerá a pena recordar uma brevíssima passagem de um texto inesquecível de João BÉNARD DA COSTA, distinto e saudoso divulgador da Sétima Arte (de qualidade), a propósito da exibição (em Maio de 2023, no quadro de um Ciclo memorável sobre "A Guerra e o Cinema") da película na Barata Salgueiro [in, "Folha de Sala" (digital) da CINEMATECA Portuguesa]:

"(...) é pela emoção - ainda - que nos deixamos levar perante a 'desmedida' de ARSENAL e a contraditória confluência de todas as matrizes do cinema soviético nele. (...) A fé move montanhas. Pelo menos - acredite-se - pode movê-las quando é tão grande como a de Dovjenko."

Um cineasta marcante, de renome Europeu; e, contudo, até há pouco (e, talvez, ainda hoje) CENSURADO pelas elegantes e corruptas "elites" de Kiev!!!...

Muito Boa Noite!

MR disse...

Nunca vi o filme «Arsenal», nem o conhecia, mas vou tentar encontrá-lo. Nem conheço o realizador.
Boa semana!