Lamento mas, no final do "Dia [ou da Festa] da [Boa] Mãe", em que, de facto, eu não consigo dissociar os propósitos celebrativos "oficiais" (e comerciais) da simbólica data (que, curiosamente, em países como a França não é assinalada no primeiro domingo de Maio) da diversidade de comportamentos maternais (recorde-se, a propósito, o impacto da perspectiva crítica de Elisabeth BADINTER, Autora de alguns controversos e inovadores ensaios como, entre outros, "O AMOR INCERTO: História do Amor Maternal, do Século XVII ao Século XX", editado em Portugal pela Relógio d'Água), à belíssima criação poética de EUGÉNIO de Andrade, prefiro acrescentar o clássico - e satírico - soneto de NICOLAU TOLENTINO de Almeida, "O COLCHÃO DENTRO DO TOUCADO", inserido numa Antologia criteriosamente organizada por Albano MARTINS, sobre "A MÃE na Poesia Portuguesa" (ed. PÚBLICO, 2006, p.78):
"Chaves na mão, melena desgrenhada,/ Batendo o pé na casa, a mãe ordena/ Que o furtado colchão, fofo e de pena,/ A filha o ponha ali, ou a criada.// A filha, moça esbelta e aperaltada,/ Lhe diz coa doce voz que o ar serena:/ 'Sumiu-se-lhe um colchão, é forte pena!/ Olhe não fique a casa arruinada.'// 'Tu respondes assim? Tu zombas disto?/ Tu cuidas que por ter pai embarcado/ Já a mãe não tem mãos?' E, dizendo isto,// Arremete-lhe à cara e ao penteado;/ Eis senão quando (caso nunca visto!)/ Sai-lhe o colchão de dentro do toucado."
Ainda a este respeito, é quase desnecessário recordar o elementar cuidado de "confrontar" esta "sátira aos penteados altos" com o texto originalmente publicado, mais precisamente, na edição (que, religiosamente, conservamos) das "Obras Completas" [de Nicolau TOLENTINO], um precioso volume publicado, em 1861, na Capital, por Castro, Irmão & C.ª, com um excelente "Ensaio Biográfico-Crítico" ("extra-texto") de José de TORRES e profusamente ilustrado pelo pioneiro gravador Nogueira da SILVA. Uma rara preciosidade bibliográfica (melhor dizendo, bibliófila)!...
Por lamentável LAPSO, ao qual não é alheio o inegável "stress" desta última jornada dominical, a minha (muito) breve nota anterior surge de modo, estranhamente, "anónimo"!!!... As minhas elementares desculpas!
4 comentários:
Este poema brilha muito na voz de Rui Oliveira, que não conhecia.
Boa noite!
Deveria antes ter dito texto de prosa poética...
Lamento mas, no final do "Dia [ou da Festa] da [Boa] Mãe", em que, de facto, eu não consigo dissociar os propósitos celebrativos "oficiais" (e comerciais) da simbólica data (que, curiosamente, em países como a França não é assinalada no primeiro domingo de Maio) da diversidade de comportamentos maternais (recorde-se, a propósito, o impacto da perspectiva crítica de Elisabeth BADINTER, Autora de alguns controversos e inovadores ensaios como, entre outros, "O AMOR INCERTO: História do Amor Maternal, do Século XVII ao Século XX", editado em Portugal pela Relógio d'Água), à belíssima criação poética de EUGÉNIO de Andrade, prefiro acrescentar o clássico - e satírico - soneto de NICOLAU TOLENTINO de Almeida, "O COLCHÃO DENTRO DO TOUCADO", inserido numa Antologia criteriosamente organizada por Albano MARTINS, sobre "A MÃE na Poesia Portuguesa" (ed. PÚBLICO, 2006, p.78):
"Chaves na mão, melena desgrenhada,/ Batendo o pé na casa, a mãe ordena/ Que o furtado colchão, fofo e de pena,/ A filha o ponha ali, ou a criada.// A filha, moça esbelta e aperaltada,/ Lhe diz coa doce voz que o ar serena:/ 'Sumiu-se-lhe um colchão, é forte pena!/ Olhe não fique a casa arruinada.'// 'Tu respondes assim? Tu zombas disto?/ Tu cuidas que por ter pai embarcado/ Já a mãe não tem mãos?' E, dizendo isto,// Arremete-lhe à cara e ao penteado;/ Eis senão quando (caso nunca visto!)/ Sai-lhe o colchão de dentro do toucado."
Ainda a este respeito, é quase desnecessário recordar o elementar cuidado de "confrontar" esta "sátira aos penteados altos" com o texto originalmente publicado, mais precisamente, na edição (que, religiosamente, conservamos) das "Obras Completas" [de Nicolau TOLENTINO], um precioso volume publicado, em 1861, na Capital, por Castro, Irmão & C.ª, com um excelente "Ensaio Biográfico-Crítico" ("extra-texto") de José de TORRES e profusamente ilustrado pelo pioneiro gravador Nogueira da SILVA. Uma rara preciosidade bibliográfica (melhor dizendo, bibliófila)!...
Um Bom Dia da Mãe!!!...
Por lamentável LAPSO, ao qual não é alheio o inegável "stress" desta última jornada dominical, a minha (muito) breve nota anterior surge de modo, estranhamente, "anónimo"!!!... As minhas elementares desculpas!
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