Releio curiosa citação ("Ao amigo confiamos o coração e tudo o que ele contém") de ELREDO de Rievauulx, um Autor (hoje, lamentavelmente, esquecido!) de Obras marcantes, como "DE Spirituali AMICITIA"...
E recordo CÍCERO, um "clássico" que escreveu ["DE AMICITIA", VI] estas palavras intemporais, que integravam algumas "Selectas" liceais, antes de o imprescindível Latim ter sido desgraçadamente proscrito do Ensino OBRIGATÓRIO: "Penso que só pode existir Amizade entre homens [ou seres humanos (F.F.)] bons" ("Hoc enim sentio, nisi bonis viris amicitiam esse non posse")...
Vou, também, procurar (numa condigna secção, das estantes) uma preciosa versão portuguesa da "IMITAÇÃO de Cristo", atribuída a Tomás de KEMPIS - "o livro mais popular e mais editado na cristandade depois da Bíblia", como relembra [in, O Crepúsculo da Idade Média em Portugal" [Gradiva e PÚBLICO, 1996, p. 97) o próprio Prof. António J. SARAIVA -, "confrontada com o texto latino e anotada por Monsenhor Manuel Marinho", 19.ª ed., Porto, Tipografia [da Viúva do "zeloso Editor Católico" José Frutuoso da] Fonseca, 1951, págs. 18, 99 e 161):
"(...) "Não tenhas familiaridade com mulher alguma, mas em geral encomenda a Deus todas as boas. (...) Sem amigo não podes viver; e, se não for Jesus o teu maior amigo, estarás mui triste e desamparado: logo, obras nésciamente se em algum outro confias, ou te alegras. Seja Ele, pois, singularìssimamente amado por ti, sobre todos os outros amigos. (...) Aprende a vencer a tua vontade, e rende-te a toda a sujeição. Abrasa-te em ira contra ti mesmo, nem consintas que exista em ti enfatuamento algum; mas mostra-te tão sujeito e apoucado, que todos possam andar sobre a tua cabeça, e pisar-te COMO LAMA DA RUA [caracteres maiúsculos de F.F.]. Ó homem vão, de que te queixas? Pecador miserável, em que podes contradizer os que te injuriam, tu que tantas vezes ofendeste a Deus e mereceste o inferno? (...)"
Colocando entre parêntese as absurdas mentalidades misóginas, tão comuns nos tempos medievais das armaduras metálicas - e que, segundo o citado trabalho de A. J. SARAIVA (p. 98), "por vezes têm sido comparadas à filosofia do auto-aniquilamento búdico no nirvana" -, e SEM MAIS comentários, não nos surpreende que, entre as "Aprovações" eclesiásticas, se encontre, numa das páginas introdutórias da referida "IMITAÇÃO", o muito significativo documento emitido, em 1906 (Fevereiro), pelo então Bispo da Guarda (curiosamente, a minha Diocese de origem):
"(...) aprovamos e indulgenciamos, concedendo cinquenta dias de indulgência pela leitura de cada capítulo (...) [e], (...) "atentas as sábias anotações com que o ilustradíssimo tradutor [M. MARINHO] a enriqueceu (...), muito a recomendamos aos nossos amados diocesanos".
Que (re)viva a verdadeira Amizade, incompatível com os "calculismos", mais ou menos oportunistas e traiçoeiros!...
Una frase muy bonita para este día, pero conozco cados en los que la amistad, por alguna razón se rompe y luego esa amistad se transforma en desilusión Boa tarde
3 comentários:
Feliz Dia da Amizade! 🌻
Releio curiosa citação ("Ao amigo confiamos o coração e tudo o que ele contém") de ELREDO de Rievauulx, um Autor (hoje, lamentavelmente, esquecido!) de Obras marcantes, como "DE Spirituali AMICITIA"...
E recordo CÍCERO, um "clássico" que escreveu ["DE AMICITIA", VI] estas palavras intemporais, que integravam algumas "Selectas" liceais, antes de o imprescindível Latim ter sido desgraçadamente proscrito do Ensino OBRIGATÓRIO: "Penso que só pode existir Amizade entre homens [ou seres humanos (F.F.)] bons" ("Hoc enim sentio, nisi bonis viris amicitiam esse non posse")...
Vou, também, procurar (numa condigna secção, das estantes) uma preciosa versão portuguesa da "IMITAÇÃO de Cristo", atribuída a Tomás de KEMPIS - "o livro mais popular e mais editado na cristandade depois da Bíblia", como relembra [in, O Crepúsculo da Idade Média em Portugal" [Gradiva e PÚBLICO, 1996, p. 97) o próprio Prof. António J. SARAIVA -, "confrontada com o texto latino e anotada por Monsenhor Manuel Marinho", 19.ª ed., Porto, Tipografia [da Viúva do "zeloso Editor Católico" José Frutuoso da] Fonseca, 1951, págs. 18, 99 e 161):
"(...) "Não tenhas familiaridade com mulher alguma, mas em geral encomenda a Deus todas as boas. (...) Sem amigo não podes viver; e, se não for Jesus o teu maior amigo, estarás mui triste e desamparado: logo, obras nésciamente se em algum outro confias, ou te alegras. Seja Ele, pois, singularìssimamente amado por ti, sobre todos os outros amigos. (...) Aprende a vencer a tua vontade, e rende-te a toda a sujeição. Abrasa-te em ira contra ti mesmo, nem consintas que exista em ti enfatuamento algum; mas mostra-te tão sujeito e apoucado, que todos possam andar sobre a tua cabeça, e pisar-te COMO LAMA DA RUA [caracteres maiúsculos de F.F.]. Ó homem vão, de que te queixas? Pecador miserável, em que podes contradizer os que te injuriam, tu que tantas vezes ofendeste a Deus e mereceste o inferno? (...)"
Colocando entre parêntese as absurdas mentalidades misóginas, tão comuns nos tempos medievais das armaduras metálicas - e que, segundo o citado trabalho de A. J. SARAIVA (p. 98), "por vezes têm sido comparadas à filosofia do auto-aniquilamento búdico no nirvana" -, e SEM MAIS comentários, não nos surpreende que, entre as "Aprovações" eclesiásticas, se encontre, numa das páginas introdutórias da referida "IMITAÇÃO", o muito significativo documento emitido, em 1906 (Fevereiro), pelo então Bispo da Guarda (curiosamente, a minha Diocese de origem):
"(...) aprovamos e indulgenciamos, concedendo cinquenta dias de indulgência pela leitura de cada capítulo (...) [e], (...) "atentas as sábias anotações com que o ilustradíssimo tradutor [M. MARINHO] a enriqueceu (...), muito a recomendamos aos nossos amados diocesanos".
Que (re)viva a verdadeira Amizade, incompatível com os "calculismos", mais ou menos oportunistas e traiçoeiros!...
Muito Boa Tarde!
Una frase muy bonita para este día, pero conozco cados en los que la amistad, por alguna razón se rompe y luego esa amistad se transforma en desilusión
Boa tarde
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