Lisboa: Bertrand, 2020.
«Não que tenha de estar lá, os livros são uma magia singularmente portátil. Costumo ouvir um livro quando estou no carro (sempre a versão integral, considero os audiolivros abreviados péssimos) e levo outro comigo para onde quer que vá. Nunca se sabe quando se vai precisar de uma válvula de escape: filas de quilómetros em portagens, o quarto de hora que tem de perder no corredor de alguma faculdade enquanto espera que o orientador [...] saia para conseguir finalmente a assinatura dele num pedido de dispensa, portas de embarque em aeroportos, lavandarias em tardes chuvosas e, o pior de tudo, consultórios médicos quando o sujeito está atrasado [...]. Nessas horas, para mim, um livro é vital. Se eu tiver de passar um tempo no purgatório antes de ir para um lugar ou outro, acho que não sofrerei muito se houver uma biblioteca que empreste livros [...].
«Leio onde posso, mas tenho um lugar predileto, como o leitor também deve ter - um lugar com boa luz e vibrações positivas. Para mim, a cadeira azul que fica no escritório. para outros, pode ser o sofá na varanda, a cadeira de balouço na cozinha ou talvez a cama - ler deitado pode ser uma maravilha, desde que a iluminação seja boa [...].» (p. 102)