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quarta-feira, 3 de abril de 2019

Pensamento ( s )



As lágrimas são aquilo que nos pode tornar santos, depois de termos sido humanos .

- Emil Cioran

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Pensamento ( s )


Si tu ne veux pas crever de rage, laisse ta mémoire tranquille, abstiens-toi d' y fouiller.

- E.M. Cioran, in Aveux et Anathémes

Um excelente conselho.

sábado, 12 de novembro de 2011

Citações - 200

(...) Cherchez la verité sur un auteur plutôt dans sa correspondance que dans son oeuvre. L' oeuvre est le plus souvent un masque. Un Nietzsche, dans ses livres, joue un rôle, s'érige en juge et en prophète, attaque amis et ennemis, et se place, superbement, au centre de l'avenir. Dans ses lettres, en échange, il se plaint, il est misérable, abandonné, malade, pauvre type, le contraire de ce qu' il était dans ses impitoyables diagnostics et vaticinations, véritable somme de diatribes. (...)

- E.M. Cioran, in Manie épistolaire, na NRF nº 489, Outubro de 1995.

sábado, 1 de outubro de 2011

PENSAMENTO(S) - 199


Est perdu celui qui n' a plus de larmes pour la musique.

E.M. Cioran, in Précis de décomposition.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

PENSAMENTO(S) - 193

John William Waterhouse, O remorso de Nero, 1878, óleo sobre tela, col.part.


Ne jamais perdre de vue que la plèbe regretta Néron. C'est ce qu'on devrait se rappeler toutes les fois qu'on est tenté par quelque chimère que ce soit.

- E.M. Cioran, in Ébauches de vertige, Gallimard, 2008, p.54.

Sobre a tela: Pretendeu Waterhouse retratar o remorso de Nero após ter mandado assassinar sua mãe, Agripina A Jovem, sentimento este que está longe de obter o consenso entre os historiadores...

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Citações - 182


Excédé par tous. Mais j'aime rire. Et je ne peux pas rire seul.

- E.M. Cioran

O riso ( e a necessidade dele ) como limite à misantropia.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

PENSAMENTO(S) - 184

Victor Mikhailovich Vasnetsov, Os 4 Cavaleiros do Apocalipse, 1887, óleo sobre tela, Museu da Religião e do Ateísmo, São Petersburgo, Rússia.


(...) Après tout, rien n'est sûr en ce monde, pas même la fin du monde.

A nota, rara nele, de optimismo com que Cioran termina o seu inédito Le sentiment que tout va mal ( Bibliothèque Littéraire Jacques-Doucet ).

terça-feira, 26 de julho de 2011

PENSAMENTO(S) - 182


Il y a un plaisir à professer le pessimisme absolu, qui fait douter de l' absolu même du pessimisme.

- Emil Cioran

Acabo de saber que a obra, a escrita em francês, vai integrar a famosa colecção Pléiade num volume único que irá aparecer lá para o final do ano.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Há pouco, quando fui comprar o Nouvel Observateur, por sugestão de Miss Tolstoi, vi este Magazine Littéraire. Não comprei, mas ele deve interessar a alguns prosimetronistas e amigos, admiradores de Cioran. :)

sábado, 25 de dezembro de 2010

Cioran para APS


Paris: éd. de l'Herne, 2009

E já agora aproveito para informar que, em 17 Fev. 2011, sairá:


Paris: Seuil, 2011

E outros se seguirão, certamente, no ano do centenário do nascimento do escritor.

domingo, 11 de julho de 2010

Uma visão da poesia...

Só conheço uma visão da poesia inteiramente satisfatória; é a de Emily Dickinson quando diz que, em presença de um verdadeiro poema, se sente acometida de um frio tão grande que lhe dá a impressão de que nenhum fogo a conseguirá reaquecer.

E.M. Cioran, Do Inconveniente de Ter Nascido, Lisboa: Letra Livre, 2010, p. 47

Max Ernst - At the First Clear Word 1923

305

A diferença entre o Desespero E o Medo - é como O instante do Naufrágio - E quando o Naufrágio se deu - O Espírito está calmo -nem um Movimento - Parado como os Olhos Na Cabeça de um Busto - Que sabe - que não pode ver. Emilly Dickinson, Poemas e Cartas, Lisboa: Cotovia, 2000, p.41.

Vivaldi, Bajazet (ou Tamerlano): ária do III acto "Svena, uccidi, abbatti, atterra"

Com um agradecimento ao Luís que trouxe à luz do dia este filósofo.

domingo, 20 de junho de 2010

De Cioran - 8




Rien, il est vrai, ne fatigue autant que l'effort vers la lucidité, vers la vision sans merci.


E.M. Cioran,
no ensaio sobre Michaux (p. 142-148 ) contido no livro supra.

Um lugar idílico... um pensamento em cadeia...

Goa, Pangim
Dezembro 2008

No blogue A Casa Improvável encontrei e redescobri um filósofo que para mim é ainda enigmático: E. M. Cioran. Procurei um livro dele e encontrei este Do Inconveniente de Ter Nascido. Ainda não tenho uma ideia precisa deste filósofo. Muito obrigada C.A. pelo estímulo.
No livro encontrei esta afirmação com a qual, em parte, me identifico:


"Não é fácil falar de Deus quando não se é nem crente nem ateu: e é sem dúvida o drama de todos nós, teólogos inclusive, não podermos ser nem uma coisa nem outra".
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E. M. Cioran, Do Inconveniente de Ter Nascido, Lisboa: Livraria Letra Livre, 2010, p.68
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A partir da afirmação lembrei-me do livro de Jean Delumeau que há uns anos atrás me deu prazer ler. Todos quer sejamos crentes ou não procuramos um lugar idílico, uma utopia, um Paraíso. Deixo um breve excerto da história do Paraíso.
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Li Livres dou Tresor
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«Na Índia fica o Paraíso terrestre, onde estão toda a sorte de árvores e de pomos e de frutos que existem na terra, e também ali está a árvore da vida que Deus vedou ao primeiro homem; e ali não faz frio nem calor senão com razão e moderação; e no meio está a fonte que banha tudo, e desta fonte nascem os quatro rios de que ouvistes falar: são Píson, Guion, Tigre e Eufrates.»
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Brunetto Latini, Li Livres dou Tresor Paris, «Coll. des inédits de l'histoire de France», 1863, p. 161, in Jean Delumeau, Uma História do Paraíso, O Jardim das Delícias, Lisboa:Terramar, 1992, p. 63

segunda-feira, 3 de maio de 2010

O Dom das Lágrimas - Crónicas de João Bénard da Costa

Esta crónica de João Bénard da Costa foi escrita no início do Outono. Transcrevi-a agora por causa da proximidade da visita do Papa Bento XVI, pois ela remete-nos para uma reflexão sobre as mudanças operadas na Igreja. Para não ser maçadora escolhi os excertos mais significativos. Achei especial graça porque ainda ouvi a missa em latim apesar de ter feito a catequese após o Vaticano II.
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Artemisia Gentileschi, Maria Maddalena, circa 1616. Galleria Palatina, Firenze.

"O livrinho que, agora, Manuel Rosa me pôs nas mãos e que daqui tanto lhe agradeço - é uma antologia de orações da antiga liturgia cristã, escolhidas e traduzidas por José Tolentino Mendonça e Joaquim Félix de Carvalho. Tem na capa (cabeça, busto e braço ) da Madalena de Artemisia Gentileschi que está no Pitti (o que eu gosto desse quadro!) e chama-se O Dom das Lágrimas*. (...)

José Tolentino evoca sobretudo a espiritualidade dos Padres do Deserto e dos místicos. Evagro, o Pôntico, que explicou a acédia como a dureza das almas que resistem às lágrimas. São Gregório de Nazianza, São Gregório de Nissa, o Diácono Efrém. Fala de Orígenes e da«tristeza segundo Deus», «sede da alma», «húmido silêncio espiritual». «As lágrimas são uma fala estimada», «uma chuva de ouro», «um alagado lençol de piedade sobre o mundo». E recito ainda outra citação do Poeta, esta de Cioran:« As lágrimas são aquilo que permite a alguém ser santo, depois de ter sido homem».
Por isso, a partir do século VIII e IX, através das chamadas Missas de Alcuíno, como aprendi com a erudita introdução de Joaquim Félix de Carvalho, surgiram nos códices medievais, formulários de missas « pro petitione lacrimarum». Essas missas rezaram-se até ao Vaticano II, que acabou com elas, na reforma litúrgica que acabou com tantas outras coisas que nunca deviam ter acabado.
São belíssimas as orações da antologia, publicadas em latim e na tradução portuguesa.

Transcrevo estas duas, que no livro levam os números XII e VII:

Deus omnipotente
considera favorável estas orações
e alaga nossos olhos com rios de lágrimas
que apaguem as flamas dos incêndios merecidos

[...]

digna-te dar abundância
luz da inteligência verdadeira a estes submissos sevos
lágrimas aos olhos
contrição no coração
até que purificados do actual luto e da tristeza espiritual
da morte eterna nos afastemos como de uma ruína"

*Colecção Gato Maltês, edição Assírio & Alvim, 2002

João Bénard da Costa, Crónicas: Imagens Proféticas e outras, 1º Volume, Lisboa: Assírio & Alvim, 2010, p.71-74.

Prelúdio e Fuga nº 1, BWV 846, de "O cravo bem temperado" de Joahnn Sebastian Bach Cravista-Helmut Walcha


sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Cioran - 7 : Dos judeus

- Interior da sinagoga berlinense da Rykestrasse, a maior e dizem que a mais bela da Alemanha. Construída em 1904, foi incendiada e pilhada em 1938 ( Noite de Cristal ) tendo sido usada como armazém e estábulo da Wehrmacht durante a Segunda Guerra. Foi reinaugurada em Agosto de 2007.


Leurs anciennes lois interdisaient aux Juifs de prédire l'avenir. Juste défense. Car s'ils avaient prévu ce qui les attendait, auraient-ils eu la force de se maintenir, d' être eux-mêmes, d'affronter les surprises d'un tel destin?


-E.M. Cioran
, Ébauches de vertige, p.122, Gallimard, 2008.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

De Cioran - 6

Offrande musicale, Art de la fugue, Variations Goldberg: J' aime en musique, comme en philosophie et en tout, ce qui fait mal par l ' insistance, par la récurrence, par cet interminable retour qui touche aux dernières profondeurs de l' être et y provoque une délectation à peine soutenable.

- E.M. Cioran, Ébauches de vertige, p.31, Gallimard, 2008.


quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

De Cioran - 5


Ce jour-là nous parlions à table « théologie ». La bonne, une paysanne illettrée, écoutait debout. « Je ne crois en Dieu que quand j' ai mal aux dents », dit-elle. Après toute une vie, son intervention est la seule dont je me souvienne.

- Cioran, Ébauches de vertige, p.22.

E esta citação é dedicada ao nosso JAD.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

De Cioran - 4

" Personne n' a jamais pu se délivrer du Temps. "
Je le savais. Mais quand c'est dans le Mahâbhârata qu' on le lit, on le sait pour toujours.

- E.Cioran, Ébauches de vertige, p.20.

Gosto muito do Mahabharata ( penso que é esta a grafia em português ), o mais longo poema épico do mundo. A propósito destas palavras de Cioran, lembro a adaptação maravilhosa de Peter Brook feita há precisamente 20 anos. É, aliás, a única que vi integralmente, até porque mais consentânea com a minha "sensibilidade ocidental". Vale a pena reservar uma tarde ou uma noite das nossas vidas para ver esta encenação brookiana de um monumento da cultura universal. Uma nota final mais ligeira: a tradução literal do título do poema é " a história dos bharatas ".

domingo, 8 de novembro de 2009

De Cioran - 3

- Monte Athos. Em baixo, as quentes e inacessíveis águas do Mediterrâneo.

Je ne voudrais pas vivre dans un monde vidé de tout sentiment religieux. Je ne songe pas à la foi mais à cette vibration intérieure, qui, indépendante de quelque croyance que ce soit, vous projette en Dieu, et quelquefois audessus.

- E.M. Cioran, Ébauches de vertige, Gallimard, 2003, p.19.


sexta-feira, 6 de novembro de 2009

De Cioran - 2

Au Zoo. - Toutes ces bêtes ont une ténue décente, hormis les singes. On sent que l' homme n' est pas loin.

- E.M. Cioran, Ébauches de vertige, p.25.