Prosimetron

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sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Saudade de um poeta

 
 
Soneto de Mal Amar

Invento-te recordo-te distorço
a tua imagem mal e bem amada
sou apenas a forja em que me forço
a fazer das palavras tudo ou nada.

A palavra desejo incendiada
lambendo a trave mestra do teu corpo
a palavra ciúme atormentada
a provar-me que ainda não estou morto.

E as coisas que eu não disse? Que não digo:
Meu terraço de ausência meu castigo
meu pântano de rosas afogadas.

Por ti me reconheço e contradigo
chão das palavras mágoa joio e trigo
apenas por ternura levedadas.

Ary dos Santos, in 'O Sangue das Palavras'

 Completaria hoje 76 anos

4 comentários:

APS disse...

É curioso, JMS, pensava que o Ary era Sagitário, mas estamos sempre a aprender - como diz o JAD.

Anónimo disse...

Boa Noite,
Poema delicado dum, poeta castrado não..
Obrigada por nos lembrar! ACV

Anónimo disse...

Ainda bem que o recordou aqui. Tantos já se esqueceram dele...

ana disse...

Escreveu poemas muito bonitos.
Bom dia!:)