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segunda-feira, 2 de novembro de 2020

Leituras no Metro - 1068


Acho deliciosa a história de como Jorge Semprún se tornou um adepto de futebol, quando estava clandestino em Madrid e fazia horas entre dois encontros, numa taberna: 
«Estava ao balcão, e o meu vizinho diz-me de repente: "Que achou de Di Stefano, ontem?" [...] E repete: "Que achou de Di Stefano, ontem?". Volto-me para ele: "Di Stefano? Quem é? Quién és?" E então ouvi cristalizar, coagular, o silêncio mortal nessa taberna onde só havia homens, como é evidente, porque na Espanha de 1954, às 11 horas da manhã numa taberna, nunca haveria nenhuma mulher. Cerca de quarenta tipos viraram-se para mim, para o marciano que não sabia quem era Di Stefano. Então disse para comigo: se queres continuar a sobreviver na clandestinidade, tens de conhecer os nomes dos jogadores, as equipas, os resultados... Tomei consciência de que não saber quem eram Di Stefano, Gento, Suárez, me desmascararia um dia como estrangeiro, alheio à vida de Espanha.
«Comecei a ler a imprensa desportiva. De repente, passei a interessar-me, primeiro profissionalmente, se assim se pode dizer, e, depois, fui os jogos e tornei-me adepto, ganhei gosto pelo desporto. [...] Pouco a pouco ganhei-lhe gosto e até hoje. Na primeira terça-feira de cada mês, quando temos a reunião do Goncourt, encontro-me com Bernard Pivot e começamos a falar de futebol. A primeira troca de palavras consiste em comentários sobre o último jogo ou os campeonatos que decorrem. Só depois é que falamos do livros... Não estou a brincar!» 
Jorge Semprún - A linguagem é a minha pátria. Lisboa: Bizâncio, 2013, p. 106-107

sábado, 22 de fevereiro de 2020

Os meus franceses - 750

Jean Daniel morreu na quarta-feira. Fundador de Le Nouvel Observateur e seu antigo diretor, revista onde escreveu 55 anos.
Manuela Goucha Soares escreve no Expresso sobre ele.


segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Citações


Ambrosius Benson, O concerto depois da refeição.

A propósito da nossa vinheta, aqui fica mais uma palavra do livro de Pivot :

Amitié

(...) L' infidelité en amitié est inexcusable. Alors qu' en amour... la chair est faible. Il n'y a pas de chair dans l'amitié, il y a surtout des atomes crochus, des neurones, des gestes, des sourires, des rires, du verbe, des élans du coeur. La table est à l'amitié ce que le lit est à l'amour. La petite bouffe entre copains, le vin des copains. Ils sont justement là, les copains, pour réconforter celui d'entre eux qui souffre d'un chagrin d'amour.
Pourquoi, analogue à l'expression " faire l'amour " n' existe-t-il pas l'expression " faire l'amitié " ? On fait l'amitié tantôt chez l'un tantôt chez l'autre. Et surtout au restaurant (...)

- Bernard Pivot, Les mots de ma vie, Albin Michel, 2011.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Onde me apetecia estar





Desde 24 de Abril, e até 20 de Outubro, decorre o 22º Festival International des Jardins, no belo Domaine de Chaumont-sur-Loire, o castelo e belos jardins que pertenceram a Catarina de Médicis, a várias outras famílias, e são hoje propriedade regional. Mas não se trata só de apreciar os jardins, mas antes apreciar a criação contemporânea à volta dos jardins, com criadores vindos de todo o mundo e que propõem percursos olfactivos, perspectivas sonoras, flores que se comem etc.
O presidente do júri é este ano Bernard Pivot, e há muitos eventos associados.

Todos os dias, das 10 às 20h. www.domaine-chaumont.fr

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

No reino das sobremesas francesas


Belle Hélène

Entremets composé de poires, williams de préférence, pochées sur de la glace à la vanille et recouvertes de sauce au chocolat chaud. Il porte le nom de l'héroine de l'opérette d' Offenbach ( 1864 )
 Puits-d'amour

Encore un opéra-comique à succés qui a donné son nom à une pâte feuilletée, creuse à l' intérieur, remplie de confiture caramélisée ou de crème pâtissière parfumée à la vanille ou à la praline.




Dame blanche

La Dame Blanche, opéra-comique à succès de Boieldieu, a donné son nom à un dessert fait de glace à la vanille, de crème chantilly et de crème au chocolat.



- Todos retirados da secção Mots délicieux de uma minhas leituras de Agosto : Les mots de ma vie, de Bernard Pivot, Albin Michel. E há mais, mas ficam para outra ocasião para não enjoar ninguém :)