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segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Bonjour!


«Pela manhã desci o boulevard até à Rue Soufflot para tomar café e um brioche. Estava uma manhã linda. Os castanheiros do Jardim do Luxemburgo estavam em flor. Sentia-se a agradável expectativa matinal de um dia quente. Com o café, li os jornais […].»
Hemingway – O sol nasce sempre (Fiesta). Carnaxide: Livros do Brasil, 2007, p. 55

terça-feira, 11 de julho de 2017

Paris: La Rotonde

«Saí e desci pelo passeio ao Boulevard Saint-Michel, passei as mesas do Rotonde ainda cheias, olhei para o outro lado da rua para o Dôme, com as suas mesas até á beira do passeio. Alguém me acenou de uma das mesas, não vi quem era e segui. Queria chegar a casa. O Boulevard Montparnasse estava deserto. O Lavigne estava fechado a sete-chaves e à porta da Closerie des Lilas amontoavam-se as mesas. [...]
«[…] meti-me num táxi para o café Select. Ao atravessar o Sena  […]. O rio estava bonito. Era sempre agradável passar uma ponte em Paris. […]
«O táxi parou em frente do Rotonde. Seja qual for o café de Montparnasse para onde se mande quando o condutor nos traz da margem direita, é certo que nos põe no Rotonde. Daqui a dez anos será provavelmente o Dôme. Mas era bastante perto. Ladeei as mesas tristes do Rotonde, direito ao Select.»
Hemingway – O sol nasce sempre (Fiesta). Carnaxide: Livros do Brasil, 2007, p. 49, 60-61



Já aqui foi referido que Léon Zamaron convivia neste café com muitos artistas.
Antes da Grande Guerra, La Rotonde era um pequeno bistrot que Victor Libion comprou, em 1911, e alargou para um talho junto. Criou ainda uma esplanada onde os clientes podiam gozar o sol.
Victor Libion, que manteve o café até 1920, apoiava muito os artistas e conta-se que quando os que não tinham casa adormeciam no café, os empregados tinham ordem para não os acordar.
Soutine, Kisling, Derain, Vlaminck, Picasso, Modigliani, André Salmon e Max Jacob eram alguns dos frequentadores do café, assim como Lenine e Trotsky, que aí jogava xadrez.
Neste café encontravam-se pessoas provenientes de muitos países e ouviam-se conversas em muitas línguas.
Fonte: Jean-Paul Carcalla – Montparnasse: L’âge d’or


Modigliani, Picasso e André Salmon à frente do café, 1916.
Moïse Kisling, Pâquerette e Picasso no café, 1916.
Jean Cocteau - Picasso e Paquerette em la Rotonde.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Lá fora - 244




A primeira grande retrospectiva dedicada a Ernest Hemingway , e ocorre num espaço mítico de Nova Iorque : a Morgan Library  & Museum .

Ernest Hemingway : Between Two Wars , até 31 de Janeiro de 2016 .

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Marcadores de livros - 240

Uma coleção em armónio da Livros do Brasil, recentemente comprada pela Porto Ed., publicitando livros de Steinbeck, Hemingway, Malraux, Truman Capote e Virginia Woolf, publicados na coleção Dois Mundos.

Agradeço a quem mos enviou.

E mais dois soltos, com o reverso branco.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Bibliocuriosidades - 6

Ernest Hemingway não viajava sem livros, mas queria-os bem acondicionados durante os seus longos périplos. Recorreu à Louis Vuitton, e a marca francesa concebeu em 1923 este baú que acompanhou o escritor norte-americano nas décadas seguintes.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Leituras no Metro - 72

Um dia, Hemingway foi passear para o Jardim do Luxemburgo para espantar a fome, tendo de seguida passado pela rue de l'Odéon - uma rua sem restaurantes -, onde se encontrava a livraria de Sylvia Beach. E o que o esperava na Shakespeare & Company? Uma carta com o pagamento de um conto.
Saiu dali e resolveu ir à cervejaria Lipp:

«Dali ao Lipp era um bocado e todos os sítios que o meu estômago reconhecia, tão velozmente como os olhos e o nariz mos revelavam, aumentavam o prazer daquele passeio. Havia poucos clientes na brasserie e, quando me sentei no banco encostado à parede, com o espelho por detrás e uma mesa à minha frente e o criado me perguntou se eu queria cerveja, pedi um distingué, que é uma grande caneca de litro, e uma salada de batata.
«A cerveja estava muito fresca. Soube-me maravilhosamente. As pommes à l'huile estavam rijas e bem temperadas e o azeite era delicioso. Moí pimenta negra por cima das batatas e molhei o pão no azeite. Depois do primeiro e largo trago de cerveja, comecei a comer e a beber com todo o vagar. Acabadas as pommes à l'huile, pedi mais uma dose e um cervelas, prato que consiste numa salsicha semelhante a uma fatia grossa e larga de frankfurter cortada ao meio e coberta de um molho de mostarda especial.
«Ensopei o pão no azeite e no molho e bebi lentamente a cerveja até que esta aqueceu; depois, acabei com ela e mandei vir um demi a cuja tiragem assisti. pareceu-me mais fresco que o distingué e bebi logo metade dele.»
In: Paris é uma festa. Lisboa: Livros do Brasil, [1966], p. 91-92

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Leituras no Metro - 70

Continuo com Paris é uma festa, agora sobre a convivência de Hemingway com Gertrude Stein, no estúdio que esta habitava no 27, rue Fleurus:
Placa colocada no prédio. 
Alice Toklas e  Gertrude Stein na sua casa. 
Aspecto do atelier da rue de Fleurus, em 1933.
Ao fundo, na parede, vê-se o retrato de Gertrude Stein por Picasso.

«Eu e minha mulher havíamos visitado Miss Stein e tanto ela como a amiga com quem vivia [Alice Toklas] se haviam mostrado extremamente cordiais e afectuosas. Apreciáramos devidamente o grande estúdio povoado de grandes quadros. Aquilo era como estar numa das melhores salas de um dos mais belos museus com a seguinte diferença porém: é que ali, além de desfrutarmos de uma vasta lareira que irradiava calor, proporcionando conforto, ofereciam-nos boas coisas de comer, chá e licores de destilação natural, feitos de ameixas escuras, de ameixas amarelas e de amoras silvestres. [...]
«Miss Stein era vasta mas não alta e possuía a construção pesada das camponesas. Senhora de belos olhos, tinha um rosto forte de judia alemã, o qual podia igualmente pertencer a uma mulher de Friulano. [...]
«A sua companheira, dona de uma voz muito agradável, era baixa, muito morena e usava o cabelo cortado à maneira de Joana d'Arc, segundo as ilustrações de Boutet de Monvel, e tinha um nariz fortemente arqueado. Quando a conhecemos andava a trabalhar num bordado, e o facto de ir trabalhando não a impedia de fazer as honras da casa e de conversar com a minha mulher. Conquanto fosse mantendo a sua conversa pessoal, ia ouvindo também a outra, que a cada passo tratava de interromper. Mais tarde, explicou-me que era ela quem se encarregava de conversar com as esposas. Eu e a minha mulher sentíamos que as esposas eram simplesmente toleradas. [...]
Poltronas para crianças, estilo Luís XV, com estofado bordado em petit point por Alice Toklas, segundo desenhos de Picasso, ca 1930.

«Foi-me fácil, mercê do calor, dos bons quadros e da conversação, contrair o hábito de, ao fim da tarde, passar pelo n.º 27 da rue de Fleurus. Muitas vezes, Miss Stein não esperava ninguém e mostrava-se sempre muito cordial. Durante algum tempo, mostrou-se mesmo afectuosa. [...]
«Para afastar do cérebro a tentação de escrever depois de ter largado o trabalho, costumava ler os escritores de então, tais como Aldous Huxley, D. H. Lawrence e quaisquer outros, com livros publicados, que eu pudesse trazer do gabinete de leitura de Sylvia Beach ou encontrar em exposição ao longo do cais.
«- Huxley é um morto - disse um dia Miss Stein. - para que deseja ler um homem que está morto? Não vê que ele não passa de um morto?
«Nessa altura, eu não conseguia compreender que ele fosse um homem morto e respondi que os livros dele me divertiam e impediam de pensar.
«- Você só devia ler o que é verdadeiramente bom ou então o que é francamente mau. [...]
«- Se não quer ler obras más e deseja ler alguma coisa que o mantenha interessado e que é maravilhosa no seu género, leia Marie Belloc Lowndes.
«Eu nunca tinha ouvido falar em tal autora. Miss Stei emprestou-me O Inquilino, essa maravilhosa história de Jack, o Estripador, e outro livro a respeito de um crime numa terra afastada de Pais, a qual só podia ser Enghien les Bains. Ambos esses livros eram esplêndidos para se lerem após o trabalho diário: os heróis, verosímeis, e as reacções e os terrores nada possuíam de falso.»

Matosinhos: Quidnovi, 2008
€7,00

Hemingway leu então todos os livros que encontrou de Marie Belloc, afirmando: «Mas nunca mais encontrei nenhum tão bom como os dois primeiros que li nem nenhum outro autor tão precioso para as horas vagas dia e da noite até os livros de Simenon aparecerem no mercado.»
In: Paris é uma festa. Lisboa: Livros do Brasil, [1966], p. 24-40

Sylvia Beach e a sua Shakespeare and Company ficam para outra altura. Tenho uma biografia sobre ela, interrompida no monte.
Quanto a Marie Belloc Lowndes era avó de Susan Lowndes Marques, de que aqui trouxe, há dias, um livro de cozinha.